PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇ A
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Nº 1.220.168-8/01, DE FOZ DO IGUAÇU – 1ª VARA DE FAMÍLIA E SUCESSÕES, REGISTROS PÚBLICOS E CORREGEDORIA DO FORO EXTRAJUDICIAL.
EMBARGANTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS.
EMBARGADO: ANTENOR GONÇALVES DE OLIVEIRA.
RELATOR: DES. CLAYTON MARANHÃO.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO PREVIDENCIÁRIA PARA CONCESSÃO DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ.
OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. MERA IRRESIGNAÇÃO COM A SOLUÇÃO DADA AO CASO.
CAPITALIZAÇÃO DE JUROS DE MORA. AUSÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NO ART. 535 DO CPC.
PREQUESTIONAMENTO. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE CONTÉM FUNDAMENTAÇÃO EXPLÍCITA A RESPEITO DAS QUESTÕES DE DIREITO DEBATIDAS PELO RECORRENTE, CONSIDERADAS RELEVANTES À RESOLUÇÃO DA LIDE. ÍNDICE DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. MODULAÇÃO DOS EFEITOS DAS ADI NºS 4357 E 4425 PELO STF.
EMBARGOS REJEITADOS, COM CORREÇÃO DE OFÍCIO NO VOTO.
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Nº 1.220.168-8/01
Vistos, examinados e discutidos estes autos de Embargos de Declaração nº 1.220.168-8/01, de Foz do Iguaçu – 1ª Vara de Família e Sucessões, Registros Públicos e Corregedoria do Foro Extrajudicial, em que é embargante Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e embargado Antenor Gonçalves de Oliveira.
I – RELATÓRIO
1. Trata-se de Embargos de Declaração opostos em face do acórdão de fls. 152/158, que conheceu em parte do recurso e na parte conhecida negou provimento, corrigindo a sentença parcialmente quanto ao critério da correção monetária e os juros de mora.
2. O embargante aduz que o acórdão é obscuro, pois “o INSS comprova que o autor padece de incapacidade laborativa meramente parcial”, o que impossibilita a concessão de aposentadoria por invalidez.
2.1. Sustenta, também, que o acórdão deixou de considerar a incidência capitalizada de juros, os quais, a seu ver, devem incidir uma única vez, até o efetivo pagamento, pelos índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança, consoante a redação do artigo 1º-F da Lei 9.494/97, alterado pelo art. 5º da Lei nº 11.960/09.
2.2. Por fim, pugna pelo prequestionamento do art. 42 da Lei nº 8.213/91 e art. 1º-F da Lei 9.494/97, com a redação dada pelo art. 5º da Lei
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nº 11.960/09.
É a exposição.
II – FUNDAMENTAÇÃO
3. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço dos embargos.
4. Em suas razões, o embargante alega omissão quanto à capacidade laboral do autor e quanto à maneira de aplicação dos juros, se essa deve se dar de forma capitalizada ou não.
5. No entanto, quanto à redução da capacidade laboral do requerente, bem como o direito à concessão da aposentadoria por invalidez, o acórdão embargado é claro ao reconhecer o quadro do autor, com amparo nos critérios sócio econômicos:
12. A qualidade de segurado do autor e a ocorrência de acidente de trabalho são incontroversas nos autos, tendo em vista o recebimento de auxílio-suplementar por acidente de trabalho desde 15/05/1986 (fl. 128). Ressalte-se, ainda, que a concessão de benefícios acidentários independe de período de carência (art. 26, II, da Lei nº 8.213/91).
13. Segundo o laudo médico pericial de fls. 97/102, resta demonstrado que o autor apresenta “sequela de trauma neurológico ao nível do punho direito”, que lhe causa incapacidade parcial definitiva e irreversível, decorrente de
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acidente de trabalho em 1986, quando era ajudante de serviços gerais em construção de canal para desvio de peixes na usina de Itaipu.
14. Quanto ao grau de incapacidade, concluiu o perito que “a doença atual o incapacita parcialmente, pois a limitação apresentada funcionalmente na mão direita, e sua pouca qualificação profissional, o restringe para muitas atividades e sobremaneira aquelas de exigência para esforço braçal”. Também a possibilidade de reabilitação foi afastada, pois as cinco intervenções cirúrgicas anteriores não obtiveram melhora do quadro neurológico, sendo impossível que retorne à condição física plena ou “similar ao lado contralateral” (membro superior esquerdo).
15. Considerando o que consta do laudo pericial, o juiz a quo entendeu pela concessão de aposentadoria por invalidez, consignando que:
[...]
16. Insurge-se o apelante argumentando que o autor não preenche a condição de incapacidade total e permanente indispensável à concessão de aposentadoria e que o critério utilizado pelo juiz, relacionado às condições socioeconômicas do segurado, é incabível.
17. Nota-se, entretanto, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e também deste Tribunal posiciona- se no sentido de que também os aspectos socioeconômicos devem ser considerados para a concessão da aposentadoria por invalidez, como se observa dos julgados a seguir (g.n.):
[...]
18. Assim, diante da conclusão do laudo pericial e
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tendo em vista, ainda, as condições socioeconômicas do apelado, escorreito o entendimento do juiz a quo no sentido de conceder a aposentadoria por invalidez desde o início da incapacidade definitiva, em maio de 1986, observada a prescrição quinquenal.
6. Também não procede a irresignação quanto à alegação de omissão em relação à capitalização, já que, no que se refere à taxa de juros, o acórdão fez a devida aplicação.
6.1. Cumpre frisar que, quanto aos juros, esta Câmara é pacífica em reconhecer que incidem a partir da citação (Súmula 204, STJ) à razão de 1% ao mês até a vigência da Lei 11.960, de 30/6/2009, e, a partir de então, segundo o percentual estabelecido para a caderneta de poupança, nos termos do art. 1º -F da Lei 9.494/1997, como bem decidido no acórdão.
7. Logo, não havendo de se falar em obscuridade quanto ao tópico suscitado, os embargos devem ser rejeitados também neste ponto.
8. Por fim, o embargante visa ao prequestionamento do disposto nos artigos 42 da Lei nº 8.213/91 e 1º-F da Lei 9.494/97, com a redação dada pelo art. 5º da Lei 11.960/09.
9. Contudo, infere-se que na decisão recorrida foram explicitados de forma escorreita e precisa as razões que a motivaram, apontando a legislação e jurisprudência pertinente. Assim, resultaram preenchidos os requisitos do prequestionamento da matéria objeto da controvérsia.
10. A exigência de prequestionamento para a
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interposição de recurso especial ou extraordinário deve ser cumprida pela parte, não pelo julgador. Este não precisa apontar expressamente se restaram ou não violados dispositivos legais ou constitucionais apresentados para fundamentar o recurso. Basta que tenham sido enfrentadas todas as questões do processo.
10.1. Nesse sentido, é a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste Tribunal:
“AGRAVO REGIMENTAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC.
INEXISTÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART.
20 DO CPC. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO- PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ.
DECISÃO AGRAVADA MANTIDA. IMPROVIMENTO.
1.- A jurisprudência desta Casa é pacífica ao proclamar que, se os fundamentos adotados bastam para justificar o concluído na decisão, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos utilizados pela parte. [...] 4.- O agravo não trouxe nenhum argumento novo capaz de modificar o decidido, que se mantém por seus próprios fundamentos. 5.- Agravo Regimental improvido.”
(STJ. AgRg no Agravo em REsp nº 95.943-SP. Rel. Min.
Sidnei Beneti, 3ª T, j. 17/12/2013, DJe 04/02/2014) (destacou-se)
“AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA PERANTE O CONSUMIDOR. PESSOA
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ELETROCUTADA POR FIO DE ALTA TENSÃO QUANTO SE UTILIZAVA DE BASTÃO PARA RETIRAR FRUTAS DE ÁRVORE. FERIMENTOS. CULPA CONCORRENTE. DECISÃO MANTIDA. NÃO HOUVE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO DO JUIZ. SÚMULA 7 DO STJ. 1. "Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão" (REsp 859937/SP, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 28/2/2008). [...] 4. Agravo regimental não provido.” (destacou-se) (STJ, REsp 1.269.017/Es, Rel.
Min. Luis Felipe Salomão, 4ª T, j. 17/05/2011)
“EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU ERRO MATERIAL INEXISTENTE. TENTATIVA DE REDISCUSSÃO DO MÉRITO.INADMISSIBILIDADE.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. "Os embargos de declaração constituem a via adequada para sanar omissões, contradições, obscuridades ou erros materiais do decisório embargado, admitida a atribuição de efeitos infringentes apenas quando esses vícios sejam de tal monta que a sua correção necessariamente infirme as premissas do julgado"
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(EDcl no AgRg nos EREsp 747.702/PR, Rel. Min.
MASSAMI UYEDA, Corte Especial, DJe 20/9/12).2. "O juiz não está obrigado a rebater, pormenorizadamente, todas as questões trazidas pela parte. A negativa de prestação jurisprudencial se configura apenas quando o Tribunal deixa de se manifestar sobre ponto que seria indubitavelmente necessário ao deslinde do litígio, o que não se demonstrou na hipótese" (AgRg nos EDcl no Ag 1338114/MG, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 28/05/2013, DJe 05/06/2013).” (TJPR, EDC nº 1.090.083-7/01, Rel. Des. Celso Jair Mainardi, 14ª CC, j.
19.03.2014) (destacou-se)
11. Nota-se, portanto, que as razões de decidir restaram explícitas, claras e objetivas, não padecendo, pois, o acórdão de qualquer vício.
12. Outrossim, é de ser corrigido de ofício o voto, tendo em vista o julgamento e modulação dos efeitos das ADI nºs 4357 e 4425 pelo STF.
Assim, quanto ao índice de correção monetária, o artigo 1º-F da Lei nº 9.494/1997 (Taxa Referencial), valerá do período de 30/06/2009 até 25/03/2015, quando então passará a ser adotado o IPCA-E. Quanto ao período anterior à edição da Lei nº 11.960/09, destaca-se que, em sede de liquidação de sentença, deverá ser aplicado aquele correspondente à época, conforme disposto no seguinte aresto:
“(...) os índices de correção aplicáveis aos débitos previdenciários em atraso são, ex vi do art. 18 da Lei nº 8.870/1994, o INPC (janeiro a dezembro de 1992),
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IRSM (janeiro de 1993 a fevereiro de 1994), URV (março a junho de 1994), IPC-r (julho de 1994 a junho de 1995), INPC (julho de 1995 a abril de 1996), IGP-DI (maio de 1996 a dezembro de 2006) e INPC (a partir da Lei nº 11.430/2006), os quais, aplicados, devem ser convertidos, à data do cálculo, em UFIR e, após sua extinção, o IPCA-E (...) Entendimento ratificado pelo recente julgamento, na Terceira Seção, do REsp nº 1.102.484/SP, de relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJ de 20/5/2009 (...).” (STJ - AgRg nos EDcl no REsp 865.256/SP - Rel. Des. Conv. Celso Limongi – Sexta Turma – J. 03.02.2011 – DJe 21.02.2011).
12. Do que precede, inexistindo qualquer vício de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão vergastado, rejeito os presentes embargos de declaração e corrijo de ofício o índice de correção monetária fixado no voto.
É como voto.
III – DECISÃO
ACORDAM os integrantes da Sexta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos, com correção de ofício do voto, nos termos do voto.
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Participaram do julgamento os Senhores Desembargadores PRESTES MATTAR, Presidente, e o ROBERTO PORTUGAL BACELLAR.
Curitiba, 14 de abril de 2015.
DES. CLAYTON MARANHÃO RELATOR