VAGNER DA SILVA
PROPOSTA DE UM MODELO PARA ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA POR MAPAS CONCEITUAIS
São Paulo
2018
PROPOSTA DE UM MODELO PARA ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA POR MAPAS CONCEITUAIS
Tese de Doutorado apresentada à Coordena- ção do Programa de Pós-Graduação em En- genharia Elétrica e Computação da Universi- dade Presbiteriana Mackenzie como parte dos requisitos para obtenção do grau de Doutor em Engenharia Elétrica e Computação.
ORIENTADOR: Prof. Dr. Nizam Omar
São Paulo
2018
149 p. : il. (algumas color.) ; 30 cm.
Orientador: Prof. Dr. Nizam Omar
Tese (Doutorado) – Universidade Presbiteriana Mackenzie , 2018.
1. Mapas Conceituais. 2. Aprendizagem Significativa. 2. Aprendizagem. I. Prof.
Dr. Nizam Omar II. Universidade Presbiteriana Mackenzie. III. Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Elétrica e Computação. IV. Proposta de um Modelo para
Acompanhamento da Aprendizagem Significativa por Mapas Conceituais.
Primeiramente, a Deus, por permitir saúde física e, principalmente, mental, pois sem ela muitos de nossos objetivos não seriam alcançados e, consequentemente, não proporcionaríamos oportunidades para outros também poderem atingir os seus.
Ao meu Orientador, Professor Dr. Nizam Omar, pela compreensão, ajuda, orien- tações e o feeling em perceber os momentos difíceis durante o processo percorrido até aqui.
Aos Professores membros que compõem a Banca, pela leitura, observações e sugestões para melhoria desta Tese.
À Professora e professores do PPGEEC, particularmente, Pollyana Notargiacomo, Ismar Frango Silveira, Paulo Batista Lopes, Pedro Paulo, Maurício Marengoni, Leandro Augusto da Silva.
À secretária Kelly Armonas Seide e ao secretário Yopanan Rocha.
Ao professor Luciano Silva, da Faculdade de Computação e Informática do Mac- kenzie.
À minha família, pelo apoio, ajuda e compreensão: Cleide da Silva, Gustavo Henrique da Silva, Guilherme Henrique da Silva, Johnny, Maria Aparecida, José Augusto, Elisangela, Valdi e Marcia.
Às amigas e aos amigos do Mackenzie, pela ajuda, pelos bons e pelos momentos difíceis e pela força em diversos momentos especiais, particularmente Alcides Barbosa, Everton Knihs, Vanessa Lessa, Fábio Modesto, Julião Braga, Ana Leda Silva Moraes, Jéssica Ribas, Douglas Almendro.
A todos(as) os(as)professores(as) e profissionais que de alguma forma contribuíram com a minha formação.
Agradeço ao Fundo Mackenzie de Pesquisa da Universidade Presbiteriana Mac-
kenzie (UPM) pela bolsa de isenção de taxa/mensalidades e à Universidade Cruzeiro do
Sul, particularmente aos Professores Ismar Frango Silveira e Luis Naito Bezerra, pela
compreensão e pela flexibilização de meu horário de trabalho para que eu pudesse cursar o
Doutorado.
Madre Tereza de Calcutá
Os métodos de avaliações usados, na modalidade de Cursos presenciais e em Ambientes Vir- tuais de Aprendizagem ou ensino a distância tendem a fornecer informações insuficientes ou incompletas sobre o desenvolvimento da aprendizagem. Dentre os instrumentos usados nas avaliações, estão questões de múltipla escolha, fórum, projetos e chat, muitas vezes focando apenas a Avaliação Somativa, de caráter classificatório e, consequentemente, fornecendo dados incompletos a respeito da aprendizagem. Muitos desses ambientes dificultam, pelas ferramentas oferecidas, o desenvolvimento de avaliações capazes de apresentar informações o mais precisas possíveis sobre o conhecimento construído pelo aluno. Proporcionar aos alunos atividades que possam ser avaliadas por instrumentos baseados no processo, como a organização conceitual, tende a fortalecer o processo ensino/aprendizagem. Essas ativida- des, devem complementar os instrumentos de avaliações baseados em questões de múltipla escolha, teste ou projetos. Este trabalho apresenta um modelo que permite acompanhar a aprendizagem pelo uso de Mapas Conceituais Individuais e Colaborativos, fornecendo índices e utilizando medidas para acompanhamento da evolução da aprendizagem. Nesse modelo, os Mapas Conceituais são avaliados qualitativamente e os resultados são usados para, dentre outros, informar o índice de organização conceitual do aluno e definir a divisão dos grupos para desenvolvimento do Mapa Conceitual Colaborativo. Além disso, o modelo fornece informações para alunos e professores a respeito do desenvolvimento da aprendizagem; assim, eles terão condições de tomar decisões individuais ou em conjunto para alcançar o objetivo de aprendizagem proposto.
Palavras-chave: Mapas conceituais, avaliação, aprendizagem, colaborativo.
The assessment methods used in the modality of courses and in virtual learning or distance learning environments tend to provide insufficient or incomplete information about the development of learning. Among instruments used in evaluations there are questions of multiple choice, forum, projects and chats, often focusing only on the summative evaluation, of classification feature; consequently, providing incomplete data regarding the learning. Many of these environments make it difficult through the offered tools to develop assessments capable of presenting as accurate information as possible about the knowledge constructed by the student. Providing students with activities that can be assessed by process-based instruments, such as the conceptual organization, tend to strengthen the teaching/learning process. These activities should complement assessment tools based on multiple-choice, test, or project questions. This work presents a model that allows following the learning through the use of individual and collaborative conceptual maps, providing indexes and using measures to follow learning evolution. In this model, the conceptual maps are assessments qualitatively and, among others, the results are used to inform students’ conceptual organization index and to define groups division for collaborative conceptual map development. In addition, the model provides information for students and teachers regarding the development of learning, so, they will be able to make individual or joint decisions to achieve the proposed learning objective.
Keywords: Concept Maps, assessment, learning, collaborative.
Figura 1 – Quantidade de publicações por ano . . . . 35
Figura 2 – Nuvem de Palavras dos Artigos . . . . 36
Figura 3 – Modelo de Acompanhamento . . . . 47
Figura 4 – Quantidade de Conceitos e Proposições . . . . 52
Figura 5 – Índice da Organização Conceitual . . . . 53
Figura 6 – Reconciliação Integrativa e Diferenciação Progressiva . . . . 54
Figura 7 – Exemplos de Mapas Conceituais e ligações cruzadas . . . . 55
Figura 8 – Representação do conhecimento do aluno . . . . 56
Figura 9 – Zona de Desenvolvimento Proximal . . . . 60
Figura 10 – Arquitetura Geral do Ambiente Computacional . . . . 66
Figura 11 – Questionário para levantamento do grau de confiança . . . . 74
Figura 12 – Exemplo de questão da Pré-avaliação Metacognitiva . . . . 76
Figura 13 – Gráfico dos resultados IOC . . . . 80
Figura 14 – Gráfico Índice do Mapa Conceitual Individual . . . . 82
Figura 15 – Gráfico de Comparação entre Índice do Mapa Conceitual Individual e Avaliação . . . . 83
Figura 16 – Gráfico da Avaliação do Conhecimento . . . . 85
Figura 17 – Gráfico Índice do Mapa Conceitual Colaborativo . . . . 87
Figura 18 – Critérios para responder ao questionário de comparação dos Mapas Conceituais . . . . 88
Figura 19 – Questões para levantamento do Conhecimento Prévio . . . . 93
Figura 20 – Questionário de previsão do conhecimento . . . . 95
Figura 21 – Questões para cálculo do índice KMA . . . . 96
Figura 22 – Conceitos para desenvolvimento do Mapa Conceitual . . . . 99
Figura 23 – Gráfico do Índice de Organização Conceitual . . . 100
Figura 24 – Gráfico do Índice do Mapa Conceitual Individual . . . 103
Figura 25 – Gráfico comparativo entre conhecimento prévio e IMCI . . . 104
Figura 26 – Resultado da Avaliação . . . 107
Figura 27 – Comparação entre Avaliação e Conhecimento Prévio . . . 108
Figura 28 – Comparação entre Avaliação e IMCI . . . 108
Figura 29 – Código para agrupamento pelo SOM . . . 112
Figura 30 – Agrupamento pelo SOM . . . 112
Figura 31 – Gráfico dos resultados das avaliações propostas - Grupo 1 . . . 113
Figura 32 – Gráfico dos resultados das avaliações propostas - Grupo 8 . . . 114
Figura 33 – Gráfico dos resultados dos grupos . . . 114
Figura 35 – Gráfico dos resultados do IMCI e IMCCE . . . 116 Figura 36 – Critérios para responder ao questionário de comparação dos Mapas
Conceituais . . . 117 Figura 37 – Comparação entre as avaliações . . . 119 Figura 38 – Comparação entre IMCI e IMCCE . . . 120 Figura A.1.1– - Mapa Conceitual Individual desenvolvido pelo aluno 1 - Redes de
Computadores . . . 134 Figura A.1.2– - Mapa Conceitual Individual desenvolvido pelo aluno 2 - Programação
de Computadores . . . 135 Figura A.1.3– - Mapa Conceitual Individual desenvolvido pelo aluno 5 - Programação
de Computadores . . . 135 Figura A.1.4– - Mapa Conceitual Individual desenvolvido pelo aluno 16 - Programação
de Computadores . . . 136 Figura A.1.5– - Mapa Conceitual Individual desenvolvido pelo aluno 18 - Programação
de Computadores . . . 136 Figura A.1.6– - Mapa Conceitual Individual desenvolvido pelo aluno 4 - Programação
de Computadores . . . 136 Figura A.1.7– - Mapa Conceitual Individual desenvolvido pelo aluno 24 - Programação
de Computadores . . . 137 Figura A.2.1– - Mapa Conceitual Colaborativo desenvolvido pelo Grupo 2 - Redes de
Computadores . . . 138 Figura A.2.2– - Mapa Conceitual Colaborativo desenvolvido pelo Grupo 1 - Progra-
mação de Computadores . . . 138 Figura A.2.3– - Mapa Conceitual Colaborativo desenvolvido pelo Grupo 4 - Progra-
mação de Computadores . . . 139 Figura A.3.1– - Mapa Conceitual Desenvolvido por um Especialista - Redes de Com-
putadores . . . 140 Figura A.3.2– - Mapa Conceitual Desenvolvido por um Especialista - Programação de
Computadores . . . 140
Figura B.1.1– - Questões para levantamento do conhecimento prévio - Parte 1 . . . . 141
Figura B.1.2– - Questões para levantamento do conhecimento prévio - Parte 2 . . . . 141
Figura B.1.3– - Questões para levantamento do conhecimento prévio - Parte 3 . . . . 142
Figura B.1.4– - Questões para levantamento do conhecimento prévio - Parte 4 . . . . 142
Figura B.2.1– - Questões para levantamento do conhecimento prévio - Parte 1 . . . . 142
Figura B.2.2– - Questões para levantamento do conhecimento prévio - Parte 2 . . . . 143
Figura B.2.3– - Questões para levantamento do conhecimento prévio - Parte 3 . . . . 143
Figura B.2.4– - Questões para levantamento do conhecimento prévio - Parte 4 . . . . 143
Figura B.3.2– - Questões para levantamento do conhecimento prévio - Parte 2 . . . . 144
Figura B.3.3– - Questões para levantamento do conhecimento prévio - Parte 3 . . . . 145
Figura B.3.4– - Questões para levantamento do conhecimento prévio - Parte 4 . . . . 145
Figura B.3.5– - Questões para levantamento do conhecimento prévio - Parte 5 . . . . 146
Figura B.4.1– - Questões da avaliação final - Parte 1 . . . 147
Figura B.4.2– - Questões da avaliação final - Parte 2 . . . 147
Figura B.4.3– - Questões da avaliação final - Parte 3 . . . 148
Figura B.4.4– - Questões da avaliação final - Parte 4 . . . 148
Figura B.4.5– - Questões da avaliação final - Parte 5 . . . 149
Tabela 1 – Matriz de inter-relações dentro de um Mapa Conceitual. Fonte:Schaal
(2008) . . . . 30
Tabela 2 – Protocolo da Revisão Sistemática . . . . 33
Tabela 3 – Processo de busca de Artigos Científicos. . . . 34
Tabela 4 – Características dos Artigos selecionados . . . . 37
Tabela 5 – KMA - Classificação e Interpretação. Fonte: adaptado de Gama (2004) 48 Tabela 6 – KMB - Classificação e Interpretação - adaptado de Gama (2004) . . . 49
Tabela 7 – Exemplos de cálculo do IOC . . . . 54
Tabela 8 – Relação da solução do Especialista x solução do Grupo. . . . 63
Tabela 9 – Cronograma para aplicação do modelo proposto. . . . . 72
Tabela 10 – Critérios para responder ao questionário Grau de Confiança do Conhe- cimento Prévio . . . . 74
Tabela 11 – Média do Grau de Confiança . . . . 75
Tabela 12 – Análise do Grau de Confiança dos alunos . . . . 75
Tabela 13 – Critérios para responder ao questionário de Pré-avaliação Metacognitiva 75 Tabela 14 – Análise da Pré-avaliação Metacognitiva . . . . 76
Tabela 15 – Análise do Índice KMA e KMB dos alunos . . . . 77
Tabela 16 – Análise do Conhecimento Prévio e da Pré-Avaliação Metacognitiva dos alunos . . . . 79
Tabela 17 – Critérios do Conhecimento Prévio . . . . 79
Tabela 18 – Análise do Índice de Organização Conceitual dos alunos . . . . 80
Tabela 19 – Análise geral. . . . 81
Tabela 20 – Análise geral . . . . 84
Tabela 21 – Análise geral . . . . 86
Tabela 22 – Formação dos grupos conforme IOC . . . . 86
Tabela 23 – Comparação entre o Mapa Conceitual Colaborativo e o Mapa Conceitual do Especialista . . . . 89
Tabela 24 – Avaliações e índices dos Mapas individuais e Colaborativos . . . . 89
Tabela 25 – Avaliações e Índices dos Mapas Individuais e Colaborativos . . . . 91
Tabela 26 – Cronograma para aplicação do modelo proposto . . . . 92
Tabela 27 – Conhecimento Prévio. . . . 94
Tabela 28 – Média e Desvio Padrão por questão . . . . 94
Tabela 29 – Análise do Índice KMA e KMB dos alunos . . . . 95
Tabela 30 – Análise do Conhecimento Prévio e Pré-avaliação Metacognitiva dos alunos 97 Tabela 31 – Critérios do Conhecimento Prévio . . . . 99
Tabela 32 – Índice de Organização Conceitual . . . 100
Tabela 34 – Análise do conhecimento prévio, pré-avaliação Metacognitiva, IOC e
IMCI . . . 104
Tabela 35 – Análise geral . . . 108
Tabela 36 – Formação dos grupos . . . 113
Tabela 37 – Avalações e Índices dos Mapas Individuais e Colaborativos . . . 117
Tabela 38 – Avalações e índices dos Mapas Individuais e Colaborativos . . . 119
Tabela 39 – Resultado da avaliação - Grupo de controle . . . 121
AC Avaliação do Conhecimento EAD Ensino a Distância
IKAS Intelligent Knowledge Assessment System - Sistema Inteligente de Ava- liação do Conhecimento
IMCI Índice do Mapa Conceitual Individual
IMCCE Índice do Mapa Conceitual Colaborativo pelo Especialista IOC Índice de Organização Conceitual
KMA Knowledge Monitoring Accuracy - Previsão no Monitoramento do Co- nhecimento
KMB Knowledge Monitoring Bias - Desvio no Monitoramento do Conheci- mento
LA Learning Analytics - Análise da Aprendizagem LTM Long-Term Memory - Memória de Longo Prazo PLN Processamento da Linguagem Natural
SOM Self Organizing Maps - Mapa Auto-organizável
WM Working Memory - Memória de Trabalho
ZDP Zona de Desenvolvimento Proximal
1 INTRODUÇÃO . . . 18
1.1 Caracterização do problema . . . . 18
1.2 Justificativa . . . . 20
1.3 Hipótese . . . . 23
1.4 Objetivos . . . . 23
1.5 Questões de pesquisa . . . . 25
1.6 Organização da tese . . . . 26
1.7 Síntese . . . . 26
2 FUNDAMENTOS CONCEITUAIS . . . 27
2.1 Aprendizagem e avaliação . . . . 27
2.2 Mapas Conceituais . . . . 28
2.3 Aprendizagem Colaborativa . . . . 32
2.4 Revisão sistemática . . . . 33
2.5 Considerações a partir da revisão . . . . 45
2.6 Síntese . . . . 45
3 MODELO DE ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM . . . 46
3.1 Desenvolvimento do Mapa Conceitual Individual . . . . 46
3.2 Índices . . . . 47
3.2.1 Índices KMA e KMB . . . . 48
3.2.2 Índice de organização conceitual . . . . 49
3.2.3 Índice do Mapa Conceitual Individual . . . . 56
3.3 Formação dos grupos para Atividade Colaborativa . . . . 57
3.3.1 Zona de Desenvolvimento Proximal . . . . 59
3.3.2 Mapas Auto-organizáveis - SOM . . . . 60
3.4 Desenvolvimento do Mapa Conceitual Colaborativo . . . . 62
3.4.1 Índice do Mapa Conceitual Colaborativo . . . . 62
3.4.2 Pós-avaliação Metacognitiva . . . . 63
3.5 Síntese . . . . 64
4 ARQUITETURA DO MODELO . . . 65
4.1 Arquitetura para acompanhamento da Avaliação Diagnóstica, For- mativa, Somativa e Colaborativa . . . . 65
4.1.1 Questionários e Mapa Conceitual . . . . 66
4.1.2 Módulo de Acompanhamento Individual . . . . 67
4.1.4 Módulo de acompanhamento colaborativo . . . . 70
4.2 Síntese . . . . 70
5 PROVA DE CONCEITOS E RESULTADOS . . . 72
5.1 Experimento e resultados (Redes de Computadores) . . . . 72
5.1.1 Avaliação diagnóstica . . . . 73
5.1.1.1 Análise dos resultados da Avaliação Diagnóstica . . . . 73
5.1.2 Avaliação Metacognitiva . . . . 75
5.1.2.1 Índices KMA e KMB . . . . 76
5.1.3 Avaliação Mapa Conceitual Individual . . . . 78
5.1.4 Avaliação do Índice do Mapa Conceitual Individual - IMCI . . . . 81
5.1.5 Avaliação do Conhecimento . . . . 84
5.1.6 Formação dos grupos para elaboração do Mapa Conceitual Colaborativo . . 85
5.1.7 Avaliação do Mapa Conceitual Colaborativo . . . . 85
5.1.8 Pós-Avaliação Metacognitiva . . . . 88
5.1.9 Desempenho da Avaliação após Mapa Conceitual Colaborativo . . . . 91
5.2 Estudo de Caso e resultados (Programação de Computadores) . . . 91
5.2.1 Avaliação Diagnóstica . . . . 92
5.2.2 Avaliação Metacognitiva . . . . 94
5.2.3 Avaliação do Mapa Conceitual Individual . . . . 99
5.2.3.1 Índice de Organização Conceitual - IOC . . . . 99
5.2.3.2 Índice do Mapa Conceitual Individual - IMCI . . . . 103
5.2.4 Avaliação do Conhecimento - AC . . . . 107
5.2.5 Agrupamento para Atividade Colaborativa . . . . 112
5.2.6 Desenvolvimento do Mapa Conceitual Colaborativo. . . . . 115
5.2.7 Pós-Avaliação Metacognitiva . . . . 116
5.2.8 Desempenho da Avaliação depois do Mapa Conceitual Colaborativo . . . . 118
5.2.9 Desempenho da Avaliação - Grupo de Controle . . . . 120
5.3 Síntese . . . . 120
6 CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS . . . 122
6.1 Conclusões . . . . 122
6.2 Trabalhos futuros . . . . 124
REFERÊNCIAS . . . 126
APÊNDICE A – MAPAS CONCEITUAIS DESENVOLVIDOS . . . 134
A.1 Mapa Conceitual Individual . . . . 134
A.2 Mapa Conceitual Colaborativo . . . . 138
A.3 Mapa Conceitual desenvolvido por um Especialista . . . . 140
APÊNDICE B – QUESTIONÁRIOS . . . 141
B.1 Conhecimento Prévio - Aluno com nenhum Conhecimento Prévio . 141 B.2 Conhecimento Prévio - Aluno que declarou ter conhecimento prévio 142 B.3 Avaliação Final da Etapa 1 - Aluno 1 . . . . 143
B.4 Avaliação Final da Etapa 2 . . . . 147
1 INTRODUÇÃO
Este capítulo introdutório está organizado da seguinte forma: na Seção 1.1, apresenta- se uma contextualização sobre o tema da pesquisa, focando em explicar a necessidade e a importância de um modelo para monitorar a evolução da aprendizagem em Ambientes de Aprendizagem Virtual e ensino a distância.
A justificativa para a investigação desta temática de tese é descrita na Seção 1.2.
A Seção 1.3 mostra a hipótese presente nesta tese, a ser provada ou refutada. A descrição dos objetivos encontra-se na Seção 1.4 e, para finalizar, na Seção 1.5, estão descritos as questões de pesquisa e o que deve ser feito para respondê-las.
1.1 Caracterização do problema
Segundo Kollöffel e Jong (2013), estimular a aquisição do entendimento conceitual melhora os resultados da resolução de problemas complexos. Ao estruturar os conceitos de forma significativa, a possibilidade de os alunos desenvolverem capacidade para a solução de problemas aumenta em relação à forma tradicional de ensino com o uso de livros didáticos, textos e fórmulas.
Avaliar o entendimento conceitual de acordo com a estrutura conceitual apresentada pelo aprendiz se faz necessário no acompanhamento da aprendizagem; portanto, ao avaliar a aprendizagem, é importante criar processos para fornecer dados, os quais permitam, também, verificar alterações na estrutura conceitual. Devem ser criados processos para avaliar se houve aquisição de novas informações e seu uso em resolução de problemas.
Conforme Shute e Rahimi (2017), a Avaliação do Conhecimento devem ser estimu- lada para o desenvolvimento de novas técnicas de avaliação, no sentido de determinar sua eficácia. Para estabelecer as melhores práticas para avaliar a aprendizagem, é importante entender como ela ocorre.
Avaliar a aprendizagem implica acompanhamento e reorientação permanente da aprendizagem. A avaliação se realiza por ato rigoroso e diagnóstico, permitindo a reori- entação da aprendizagem, tendo em vista a obtenção dos melhores resultados possíveis, frente aos objetivos que se tenha adiante.
Avaliação não é sinônimo de ensino individualizado, mas sim de um rigoroso acompanhamento e reorientação das atividades, tendo em vista resultados bem-sucedidos (LUCKESI, 2000).
Pimentel (2006, p. 36) define em sua Tese que
o que tem sido considerado como definição de aprendizagem inclui condici- onamento, aquisição de informação (aumento do conhecimento), mudança comportamental estável, uso do conhecimento na resolução de problemas, construção de novos significados, de novas estruturas cognitivas, revisão de modelos mentais.
No entanto, os dados gerados por ferramentas de Educação a Distância ainda são utilizados pelos administradores para encontrar padrões de comportamentos característicos para a evasão ou a retenção dos alunos.
Segundo Baepler e Murdoch (2010), a análise acadêmica é frequentemente pensada como hipótese dirigida, usando um conjunto de dados particular para resolver problemas acadêmicos, como o nível crescente de retenção dos estudantes.
Norris, Baer e Offerman (2009) dão ênfase ligeiramente diferente ao uso da análise.
Eles gostariam de usar os resultados para medir, comparar e melhorar a evolução dos indivíduos, não apenas para melhorar a experiência, mas também para facilitar melhores resultados para as atividades.
Blikstein (2011) descreve os instrumentos de avaliações atuais como incompletos, pois são baseados em produtos (um exame, um projeto, um portfólio), e não sobre os processos (o desenvolvimento cognitivo e intelectual real durante a execução de uma atividade de aprendizagem), devido às dificuldades intrínsecas na captura detalhada dos dados do processo para um grande número de estudantes.
A avaliação é uma ferramenta essencial para o docente e, devido à complexidade oferecida, não se pode ter como base apenas a mensuração quantitativa pelo uso de provas ou instrumentos atribuindo notas. Sendo ela aplicada na modalidade presencial ou em ensino a distância, devem ser oferecidos mecanismos para avaliar quantitativa e qualitativamente o desenvolvimento da aprendizagem.
Na avaliação cognitiva, a qualidade de sua estrutura deve ser verificada, pois, assim, é possível identificar o nível cognitivo do aprendiz num domínio de conhecimento. Visto que o conhecimento de uma pessoa está sempre mudando, é importante proporcionar monitorações em busca de alterações em sua estrutura cognitiva.
Os dados gerados no processo de avaliação devem ser usados para identificar se os principais conceitos estão bem estruturados e se há alguma deficiência na estrutura conceitual do aprendiz. Nesse processo de avaliação é fundamental estabelecer uma medida capaz de identificar qual conhecimento o aprendiz possui.
Mesmo sendo usados outros instrumentos de avaliações, como conceitos (A, B, C,
D, E) ou valores contínuos (1, 2, 3, 4...., 10), uma medida para avaliar a estrutura dos
conceitos permitiria verificar a evolução do conhecimento pela estrutura dos conceitos de
um aprendiz.
Portanto, há um cenário em que são aplicados os métodos tradicionais de avaliações, proporcionando o acompanhamento do aprendiz sem considerar aspectos relacionados à sua estrutura conceitual, o qual poderia auxiliar professores e tutores na análise referente a evolução da aprendizagem. Esta lacuna abre espaços para pesquisas em outros métodos de avaliações que proporcionem o acompanhamento da aprendizagem considerando aspectos relacionados à estrutura cognitiva.
1.2 Justificativa
Avaliar a aprendizagem ainda é uma tarefa difícil; os instrumentos de avaliação, cujo objetivo é apenas mensurar, segundo Luckesi (2000), não são adequados para avaliar.
Conforme Duemke (1984), a avaliação do aprendizado dos alunos é um instrumento importante no sentido de conduzir o que foi proposto no planejamento instrucional ou para mudar o curso da proposta a fim de chegar ao objetivo planejado. A ideia básica é aproveitar ao máximo as potencialidades individuais, numa constante aferição e revisão do próprio ensino em seus planos e na sua execução.
O processo de avaliação, geralmente, é realizado pela aplicação de testes e exercícios com o objetivo de quantificar o desenvolvimento do aluno. Entretanto, devido à sobrecarga imposta por essa tarefa, torna-se difícil para o docente acompanhar de maneira efetiva e gradual o processo de aprendizado do estudante (CALDAS; FAVERO, 2009).
De acordo com Araújo, Menezes e Cury (2002), testes objetivos (múltipla escolha, verdadeiro-falso), mesmo quando relativamente bem projetados, tendem a encorajar a memorização arbitrária de informação, sacrificando, em geral, aqueles aprendizes que construíram, de maneira própria, conhecimento sobre um dado domínio.
Assim, a avaliação automática de questões objetivas não fornece uma análise efetiva sobre o processo de aprendizado do aluno, pois não demonstra se o estudante entendeu a respeito de um assunto e nem como construiu esse conhecimento (CALDAS; FAVERO, 2009).
Avaliar é um processo com várias etapas que se auto-organizam. As atividades criadas devem propiciar reflexão por parte do aluno e permitir o desenvolvimento de uma comunicação interativa. Avaliar é analisar o nível de conhecimento adquirido pelo aluno (RODRIGUES, 2015).
A avaliação, há muito tempo, vem sendo utilizada exclusivamente como forma de
atribuir notas, visando à aprovação ou à reprovação do aluno (RODRIGUES, 2015). Nesse
sentido, faz-se necessário ter instrumentos para avaliar a evolução do aprendizado em
relação a aspectos cognitivos, e uma das formas de fazer isso é por meio das estruturas
conceituais demonstradas pelos alunos.
A preocupação com a avaliação se estende aos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), pois nesses ambientes o contato direto entre docente e discente, geralmente, não ocorre, dificultando ainda mais a identificação de algumas características que possivelmente seriam percebidas presencialmente. Segundo Prata (2003), os instrutores não têm os identificadores informais visuais e verbais dos alunos.
Conforme Rodrigues (2015), com o advento das novas ferramentas de ensino e aprendizagem, faz-se necessário analisar e discutir a eficácia e a eficiência da Avaliação do Conhecimento no sistema EAD, seus instrumentos e tipos de avaliações.
Em Educação a Distância online, é importante garantir tanto atividades individuais quanto colaborativas. É preciso garantir aos sujeitos envolvidos vivências e diversos desafios sociocognitivos e político-culturais (SILVA, 2006).
Avaliar o desenvolvimento cognitivo, considerado processo de construção e recons- trução das estruturas mentais (PIAGET, 2007), é um desafio para a área de educação.
Direcionado à linha de pesquisa defendendo a aprendizagem como a construção de novos significados e de novas estruturas cognitivas está a Teoria da Aprendizagem Significativa de AUSUBEL e NOVAK (1980).
Ao descrever características da Aprendizagem Significativa, mais especificamente quando trata de subsunçores, a Teoria de Ausubel (2003) tem similaridade na construção de esquemas definidos na Teoria da Carga Cognitiva (SWELLER; MERRIENBOER;
PAAS, 1998), ou seja, a nova informação deve ser incorporada à estrutura cognitiva já existente, formando uma nova estrutura. A reestruturação de esquemas pode ser entendida como Aprendizagem Significativa.
A aprendizagem eficaz depende do esquema existente sendo revisado, estendido ou reconstruído. Um esquema mental é uma estrutura de conhecimento, que é uma estrutura cognitiva armazenada na memória de longo prazo de um indivíduo, consistindo em relações conceituais desenvolvidas pelo conhecimento e experiências acumuladas. Os indivíduos podem construir, revisar e recombinar estruturas de conhecimento para influenciar os resultados de aprendizagem (YEN et al., 2012).
No contexto da Aprendizagem Significativa, uma ferramenta útil para ser usada em avaliações são os Mapas Conceituais (CAÑAS et al., 2013), que são ferramentas gráficas para representar o conhecimento humano.
Segundo Pimentel (2006), os Mapas Conceituais são representações explícitas da estrutura cognitiva; equivalem a uma fotografia aproximada do seu Conhecimento Prévio, ponto de partida para a Aprendizagem Significativa.
Conforme Yen et al. (2012), os Mapas Conceituais revisam e conectam a estrutura
do conhecimento de um aluno com conceitos de conhecimentos passados e presentes, para
aumentar a completude da estrutura de conhecimento.
Há pesquisas desenvolvidas na utilização de Mapas Conceituais em avaliações (JENNINGS, 2012), (RUIZ-PRIMO; SCHULTZ; SHAVELSON, 1997), (SCHAAL, 2008), (ARAÚJO; MENEZES; CURY, 2002), (ANOHINA-NAUMECA; STRAUTMANE; GRUNDS-
PENKIS, 2010) e de acordo com Araújo, Menezes e Cury (2002), os resultados obtidos demonstram com que facilidade e precisão os aprendizes mapeiam com sucesso as modi- ficações - características fundamentais da Aprendizagem Construtivista - ocorridas na estrutura conceitual do estudante.
Usar Mapas Conceituais para Avaliação do Conhecimento requer sua mensura- ção não somente quantitativamente, mas também, qualitativamente; portanto, além dos principais conceitos definidos num Mapa Conceitual referente ao domínio estudado, as Proposições devem ser válidas segundo a avaliação de um Especialista.
Segundo Ruiz-Primo, Schultz e Shavelson (1997), intuitivamente, o uso de Mapas Conceituais para avaliar a estrutura de conhecimento declarativa dos alunos é atraente. A construção de um Mapa do estudante reflete diretamente, até certo ponto, sua compreensão sobre um domínio.
Além de oferecer informações sobre a estrutura cognitiva do aluno, os Mapas Conceituais permitem avaliar o Conhecimento Prévio. Segundo Cook (2006), as diferenças individuais, especialmente, o Conhecimento Prévio, são fundamentais para determinar o impacto que as representações visuais e seu design terão sobre as estruturas e processos cognitivos dos alunos.
Novak e Gowin (1984) descrevem o Conhecimento Prévio como primordial no aprendizado de novos conceitos por parte dos alunos. Segundo Ertl, Kopp e Mandl (2005), ele é um pré-requisito importante para a construção do conhecimento do aprendiz.
A informação fornecida a um aprendiz, torna-se significativa quando é “ancorada“
em conceitos ou ideias preexistentes na estrutura cognitiva (AUSUBEL; NOVAK, 1980).
As ideias e os conceitos preexistentes, também definidos como Conhecimento Prévio, foram denominados subsunçores por Ausubel. Segundo Castro (2013), quando ambos, informação e subsunçores, são modificados num processo adaptativo, o resultado é a aprendizagem de novos conceitos.
De acordo com Cook (2006), a arquitetura cognitiva sozinha não é o único fator a ser considerado; as diferenças individuais, especialmente o Conhecimento Prévio, são cruciais para determinar o impacto que uma representação visual terá nas estruturas e nos processos cognitivos dos alunos; portanto, o nível de Conhecimento Prévio é, presumivelmente, um moderador forte da relação entre o grau da estrutura do Mapa Conceitual e os resultados da aprendizagem (AMADIEU et al., 2009).
Quando o aluno tem consciência sobre o que sabe, sobre o seu Conhecimento Prévio,
o processo de aprendizagem se torna mais eficiente. O aluno pode avaliar seu próprio conhecimento utilizando-se do conceito de metacognição, que tem como função avaliar e organizar os processos mentais para atingir uma meta ou um objetivo.
Portanto, um ambiente deve proporcionar ao aluno reflexão sobre o que sabe (me- tacognição) para poder atingir os objetivos propostos de aprendizagem. Tendo consciência do próprio Conhecimento Prévio, o aprendiz reunirá condições para reorganizar a estrutura cognitiva, a estrutura de conceitos, aprimorando o próprio ato de aprender.
E mesmo que o aluno, sozinho, não consiga atingir os objetivos propostos de apren- dizagem, novas alternativas devem ser inseridas no processo de ensino/aprendizagem para se atingir tais objetivos. Uma dessas alternativas refere-se à Aprendizagem Colaborativa.
Para alguns pesquisadores (PIAGET, 2007), (VYGOTSKY, 1989), a interação entre os indivíduos oferece possibilidades concretas de evolução da aprendizagem.
A aprendizagem como parte de um grupo é uma forma importante de ajudar os alunos a adquirir experiências em colaboração e desenvolver habilidades importantes em pensamento crítico, autorreflexão e co-construção do conhecimento (BRINDLEY;
BLASCHKE; WALTI, 2009).
Diante do exposto, há de se considerar a importância de um modelo que avalie e forneça dados para permitir o acompanhamento do desenvolvimento da aprendizagem, desempenho que pode ser verificado pela Avaliação do Conhecimento prévio do aluno, por resultados obtidos de atividades metacognitivas e pela avaliação qualitativa do Mapa Conceitual desenvolvido de forma individual e também colaborativa.
1.3 Hipótese
Diante do exposto na Seção 1.1 e da importância da temática descrita na Seção 1.2, verifica-se que há necessidade de novas metodologias e processos que possam ser usados para avaliar e acompanhar de forma mais efetiva o desenvolvimento da aprendizagem.
Tomando como referência os Mapas Conceituais, que são baseados na Teoria da Aprendizagem Significativa, de AUSUBEL e NOVAK (1980), esta pesquisa tem como principal hipótese que o monitoramento da aprendizagem pelas avaliações diagnóstica, for- mativa, somativa e colaborativa forneça resultados mensuráveis a professores e a aprendizes para auxiliar na evolução da aprendizagem.
1.4 Objetivos
A Avaliação do Conhecimento deve proporcionar informações que possam contribuir
para sua melhoria. Sendo assim definiram-se os seguintes objetivos para esse trabalho:
Objetivo geral:
definição de um modelo que permita avaliar e acompanhar o desenvolvimento da aprendizagem capaz de:
• Fornecer informações aos docentes e discentes sobre o nível cognitivo e metacognitivo, permitindo aos alunos corrigirem possíveis estruturas conceituais errôneas pelo processo colaborativo, para melhorar o desenvolvimento da aprendizagem;
• Fornecer aos docentes informações sobre a aprendizagem e a estrutura conceitual do aluno, tendo como avaliar se o conteúdo foi entendido considerando os principais conceitos no domínio proposto.
Objetivos específicos:
Para atingir o objetivo geral, os seguintes objetivos específicos foram estabelecidos:
• Avaliar o Conhecimento Prévio dos alunos no domínio proposto, permitindo a eles e aos docentes avaliarem o desenvolvimento da aprendizagem;
• Fornecer Avaliação Metacognitiva com o objetivo de avaliar a previsão do conheci- mento do aluno;
• Avaliar as diferenças entre as estimativas do conhecimento processual ou declarativo das pessoas que aprendem num determinado domínio e seu conhecimento real, conforme determinado pelo desenvolvimento;
• Fornecer um índice, tomando como referência o Mapa Conceitual desenvolvido individualmente; esse índice deve expressar o nível de organização conceitual do aluno;
• Fornecer um índice para avaliar a proximidade do Mapa Conceitual Individual com o Mapa Conceitual desenvolvido por um Especialista;
• Separar os grupos para desenvolvimento do Mapa Conceitual Colaborativo, de acordo com o conhecimento apresentado no domínio proposto;
• Avaliar, após o desenvolvimento do Mapa Conceitual Colaborativo, a proximidade dele com o Mapa Conceitual desenvolvido por um Especialista;
• Avaliar o desenvolvimento de aprendizagem após o processo de desenvolvimento do
Mapa Colaborativo;
1.5 Questões de pesquisa
Para produzir a pesquisa e direcioná-la aos objetivos, três questões de pesquisa foram elaboradas:
• Que indicadores podem ser usados para avaliar a estrutura de conhecimento do aprendiz?;
• Como um conjunto de indicadores e medidas de avaliações podem ajudar no processo de aprendizagem?;
• Como automatizar o processo de avaliação para obter resultados sobre o desenvolvi- mento do aprendiz?
As respostas a essas perguntas permitirão estabelecer indicadores e medidas que conduzam:
• O aluno a melhorar o seu desenvolvimento na aprendizagem;
• O professor a avaliar se o objetivo da aprendizagem foi atingido;
• O professor a acompanhar o processo de aprendizagem;
• A definir características dos alunos para a formação de grupos;
• A avaliar a evolução da aprendizagem.
Para responder às questões de pesquisa, algumas etapas, conforme descrito a seguir, deverão ser implementadas:
• Aplicação do modelo e aprofundamento na análise das relações entre indicadores e medidas;
• Aplicar o modelo para investigar quais indicadores ou medidas podem ser usados para a formação de grupos;
• Pesquisar, avaliar e desenvolver um sistema para automatizar as avaliações;
• Avaliar se houve evolução do aprendiz.
1.6 Organização da tese
O texto foi organizado de modo a apresentar o embasamento conceitual e sequencial para a proposição de um modelo, visando ao acompanhamento da aprendizagem baseado em avaliações. Os resultados obtidos por índices e medidas, fruto de processos de avaliações, são embasados e testados como segue:
• Capítulo 2 - Fundamentos conceituais: apresentam-se os conceitos e o que tem sido desenvolvido sobre os processos de avaliações utilizados, principalmente, em Aprendizagem Significativa;
• Capítulo 3 - Modelo de Acompanhamento da Aprendizagem: aborda-se a metodologia, descrevendo os processos propostos em relação ao acompanhamento da aprendizagem, apresentando os índices e as medidas usados na avaliação;
• Capítulo 4 - Arquitetura do Modelo: apresenta-se a arquitetura e os módulos propostos do ambiente computacional, visando ao acompanhamento da aprendizagem;
• Capítulo 5 - Prova de conceitos e resultados: descrevem-se a aplicação, bem como as análises dos resultados do modelo proposto;
• Capítulo 6 - Conclusão: enumeram-se as conclusões obtidas da pesquisa realizada, elencando-se, também, as perspectivas de sua continuidade e trabalhos futuros como desdobramentos;
• Apêndices: disponibilizam-se materiais criados a partir da evolução desta pesquisa e necessários em suas etapas.
1.7 Síntese
Estudos apontam que a aprendizagem é o processo de transformação do indivíduo e uma das transformações se dá pela alteração da estrutura do conhecimento que o indivíduo possui. A Avaliação da Aprendizagem passa, também, por mensurar se houve alteração na estrutura de conceitos que o indivíduo tem.
Este capítulo inicial apresentou breve introdução dos conceitos relacionados nesta
Tese de Doutorado, mostrando uma caracterização do problema de estudo, descrevendo
a justificativa, seguida da hipótese a ser validada, apresentando o objetivo geral e os
objetivos específicos, além das questões de pesquisa.
2 FUNDAMENTOS CONCEITUAIS
Tomando como referência a hipótese desta pesquisa, faz-se necessária uma revisão da Literatura a respeito de avaliações, dos Mapas Conceituais e do uso deles na avaliação e na melhoria do desenvolvimento da aprendizagem, das pesquisas feitas em mensuração de Mapas Conceituais, do Conhecimento Prévio e do processo colaborativo, com a finalidade de identificar trabalhos correlatos.
2.1 Aprendizagem e avaliação
Só há como verificar se houve aprendizagem a partir do momento que há a pos- sibilidade de avaliá-la. Criar processos em que a Avaliação do Conhecimento possa ser verificada, tanto pelo docente quanto pelos alunos, permite que ambos tomem decisões para a melhoria da aprendizagem.
Para Rodrigues (2015), o grande objetivo no processo avaliativo é desenvolver no alunado a cooperação, a autonomia, a colaboração, o posicionamento crítico e a capacidade de transformar a realidade social.
Para Jennings (2012), alguns dos propósitos da avaliação são:
• Permitir a comunicação do alcance e subsequente status do aluno durante seu programa de aprendizagem;
• Fornecer um meio de autoavaliação e informações relativas a ela;
• Identificar a posição do aluno dentro do caminho educacional e/ou dos programas;
• Avaliar a eficácia dos programas de ensino;
• Simplesmente motivar os alunos.
Os instrumentos de avaliações como provas descritivas, questões de múltipla escolha e projetos são, há muito tempo, aplicados como forma de avaliar a aprendizagem. Em auxílio a esses instrumentos de avaliação, outros devem ser desenvolvidos para proporcionar evolução do processo de avaliação e melhores resultados sobre a aprendizagem do aluno.
Blikstein (2011) descreve que os pesquisadores são unânimes em afirmar que
precisamos ensinar as chamadas "habilidades do século XXI": criatividade, inovação,
pensamento crítico, resolução de problemas, comunicação e colaboração. Nenhuma dessas
habilidades é facilmente mensurada usando técnicas de avaliações atuais, como testes de
escolha múltipla, itens em aberto ou portfólios.
A forma como avaliamos os alunos deve evoluir para oferecer resultados da apren- dizagem mesmo nos casos em que o processo de ensino aprendizagem não está limitado à sala de aula (RODRIGUES, 2015), como é o caso do ensino a distância.
O ensino à distância oferece alguns desafios como (SANTOS, 2005 apud RODRI- GUES, 2015):
• Desenvolver estratégias e atividades que potencializem a construção do conhecimento em rede;
• Valorizar a singularidade de cada participante ao mesmo tempo em que esse deve produzir e dialogar com a pluralidade emergente pela diferença do grupo;
• Mapear o processo de construção singular de cada aprendente e permitir que esse socialize em rede seus sentidos com todo o grupo;
• Negociar sentidos com outras inteligências.
Independente da modalidade, se presencial ou ensino a distância, a aprendizagem se dá com a aquisição de novos conceitos e a imersão deles na estrutura cognitiva de um indivíduo; portanto, é importante que essa estrutura tenha conhecimentos prévios que sirvam de ancoragem para novas aprendizagens (ROCHA; JÚNIOR; FAVERO, 2005).
AUSUBEL e NOVAK (1980) estabelecem que o aprendiz deve ter Conhecimento Prévio como base para os novos conceitos sendo processados, ou seja, os novos conceitos irão se ancorar no Conhecimento Prévio modificando a estrutura conceitual. Essa alteração é armazenada na memória de longo prazo e, quando for necessário, será usada como Conhecimento Prévio para novos conceitos. Além do Conhecimento Prévio, Ausubel (2012) estabelece que o material instrucional deve ter características significativas e o aluno deve estar apto a aprender significativamente.
O Conhecimento Prévio é uma estrutura de conhecimento, uma estrutura cognitiva armazenada na memória de longo prazo de um indivíduo, e que consiste em relações conceituais desenvolvidas pelo conhecimento acumulado e experiências individuais que pode construir, revisar e recombinar estruturas de conhecimento para influenciar os resultados da aprendizagem (YEN et al., 2012).
Portanto, uma aprendizagem eficaz depende do Conhecimento Prévio existente sendo revisado, ampliado ou reconstruído.
2.2 Mapas Conceituais
Os Mapas Conceituais são representações gráficas do conhecimento humano, ele
tem a capacidade de comunicar com clareza o que pensamos e foram propostos para dar
apoio à Teoria de Aprendizagem Significativa de AUSUBEL e NOVAK (1980).
O Mapa Conceitual contém uma unidade fundamental que se denomina proposição.
Uma proposição tem como objetivo interligar dois conceitos e, por consequência, forma uma unidade semântica; portanto, um Mapa Conceitual representa o conhecimento humano relacionado a um determinado tema.
Embora o mapeamento conceitual tivesse sido identificado como uma ferramenta efetiva para reforçar o desenvolvimento da aprendizagem e na retenção do conhecimento, pesquisadores indicam que os alunos têm dificuldades em construir Mapas Conceituais, principalmente em se tratando de jovens crianças (HWANG et al., 2014). Os Mapas Conceituais auxiliam na aprendizagem; porém, há no seu desenvolvimento aumento, da carga cognitiva sobre a memória de trabalho (HWANG et al., 2014).
Assumindo que o conhecimento dentro de um domínio de conteúdo está organizado em torno de conceitos centrais, ter conhecimento no domínio implica uma estrutura conceitual altamente integrada.
Os Mapas Conceituais, então, podem captar aspectos importantes dessa inter- relação entre os conceitos e podem externalizar um padrão de conhecimento de um indivíduo dentro de uma estrutura de rede de conceitos, relações ou Proposições (NOVAK; GOWIN, 1984). Por apresentarem características relacionadas à aprendizagem num determinado domínio, os Mapas Conceituais podem ser usados na avaliação.
Ao utilizar o Mapa Conceitual para avaliação, algumas variações em sua aplicação são possíveis. Zeilik (2014) propõe alguns exercícios como (i ) ”preencher espaços” nos Mapas Conceituais, (ii) fornecer uma lista de conceitos e solicitar que os alunos construam os Mapas Conceituais, (iii ) oferecer uma lista com 5 ou 10 conceitos e solicitar que os alunos complementem com uma quantidade igual de conceitos próprios e, (iv) oferecer uma lista com 20 conceitos e solicitar aos alunos o desenvolvimento do Mapa Conceitual com a metade dos conceitos apresentados. Esses exercícios são considerados mais fechados, pois restringem a flexibilidade na escolha dos conceitos e a uma quantidade deles.
Luckie, Harrison e Ebert-May (2004) sugerem algumas atividades feitas conside- rando os seguintes passos: (i ) desenvolve o Mapa individualmente, (ii) envia o Mapa para avaliação e recebe uma pontuação e um feedback, (iii) revisa o Mapa e envia novamente e (iv ) trabalha com um parceiro no desenvolvimento de um Mapa Conceitual Colaborativo.
Cada novo Mapa Conceitual desenvolvido e enviado recebe um feedback e uma nova pontuação.
Usar Mapas Conceituais somente para avaliá-los de forma somativa subutilizaria esse recurso, o que pode fornecer informações importantes referentes aos benefícios cognitivos que ele pode demonstrar.
Novak e Gowin (1984) propuseram um método para a Avaliação de Mapas Concei-
tuais, considerando o seguinte:
• Proposição válida (1 ponto cada);
• Níveis da hierarquia (5 pontos para cada nível);
• Links cruzados (10 pontos para cada link cruzado válido);
• Exemplo específico (1 ponto para cada exemplo).
Com esses critérios, consegue-se uma pontuação no Mapa Conceitual desenvolvido pelo aluno pela soma de todas as características mencionadas. Novak e Gowin (1984) ainda propuseram um índice que pode ser calculado pela pontuação dada no Mapa Conceitual do aluno em relação à pontuação dada num Mapa Conceitual de referência.
Schaal (2008), para atingir seus objetivos, usou Mapas Conceituais para avaliar o efeito cognitivo dentro de um domínio de conhecimento complexo e apresentou em seu Artigo um procedimento para avaliar Mapas Conceituais considerando os aspectos relacionados à arquitetura de Mapas Conceituais, no qual estabeleceu como critérios o seguinte:
• O ”volume” de um Mapa Conceitual (total de número de relações usadas no Mapa Conceitual do aluno);
• A ”robustez” que está relacionada à divisão de um Mapa Conceitual em sub Mapas e;
• A quantidade de Proposições precisas em relação ao volume.
Em sua abordagem, Schaal (2008) estabelece que cada aluno forneça uma lista de Proposições mais centrais (conceitos ligados por frases de ligação) e avalia sua corres- pondência com o Mapa Conceitual de um Especialista. A Tabela 1 apresenta os critérios utilizados para obter o coeficiente.
Tabela 1 – Matriz de inter-relações dentro de um Mapa Conceitual. Fonte:Schaal (2008)
No Mapa do aluno
No Mapa do Especialista
Descrição
Não conectado e também Não conectado cnc (Corretamente não conec- tado)
Não conectado mas Conectado mc (Falha na conexão)
Conectado mas Não conectado wc (Conexão errada)
Conectado e também Conectado cc (Conexão correta)
Com esses dados calcula-se o coeficiente pela fórmula:
C
w= ( P cnc + P cc) − ( P mc + P wc)
Quantidade máxima de interconexões possíveis (2.1) A avaliação dos resultados obtidos pelo cálculo demonstrou eficácia do procedimento implantado, considerando um pré e um pós-teste.
Um sistema de Avaliação do Conhecimento usando Mapas Conceituais foi proposto por Anohina-Naumeca, Grundspenkis e Strautmane (2011). O IKAS Intelligent Knowledge Assessment System avalia o conhecimento dos alunos tomando como base o mapeamento conceitual e fornece possibilidades para o professor melhorar o curso e o método de ensino.
Ele usa um modelo matemático para calcular a pontuação do Mapa Conceitual dos alunos.
O cálculo se baseia na análise das correções das relações de entrada e de saída de um conceito, e sua fórmula foi desenvolvida da seguinte forma:
CM D =
P
N i=1lc
iP
Ni=1