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Bolsa de valores. para médicos

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Bolsa de valores para médicos • 1

Invista em ações de forma simples, obtenha rendimentos acima da média do mercado e o

mais importante: sem deixar de ser médico

Francinaldo Lobato Gomes Francisco Vaz Guimarães Filho

Bolsa de valores

para médicos

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R i o d e J a n e i r o - 2 0 1 1

Francinaldo Lobato Gomes Francisco Vaz Guimarães Filho

Invista em ações de forma simples, obtenha rendimentos acima da média do mercado. E o mais

importante! sem deixar de ser médico

Bolsa de valores

para médicos

Este livro é dedicado a todos os médicos que, como nós,

trabalham duro para conquistar a independência financeira.

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São Paulo

Av. Santa Catarina, 1.521 - Sala 308 - Vila Mascote - São Paulo - SP - (11) 2539-8878 Rio de Janeiro

Estrada do Bananal 56 - Jacarepaguá - Rio de Janeiro - RJ - (21) 2425 8878 www.editoradoc.com.br

[email protected]

Coordenador editorial Bruno Garcia Revisão

Bruno Aires e Flávia Custódio Capa

Bernardo Winitskowski Diagramação

Danielle V. Cardoso

Gomes, Francinaldo Lobato & Guimarães Filho, Francisco Vaz

Bolsa de Valores para Médicos / Francinaldo Lobato Gomes & Francisco Vaz Guimarães Filho – Rio de Janeiro: Editora DOC, 2011. 1ª edição - 140p.

ISBN 978-85-62608-36-0

1. Bolsa de Valores para Médicos . I. Gomes, Francinaldo Lobato. II. Guimarães Filho, Francisco Vaz

CDD-658.15

Reservados todos os direitos. É proibida a reprodução ou duplicação deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa do autor. Direitos reservados ao autor.

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A

gradecemos primeiramente a Deus que nos inspirou a escrever este livro e que nos mostrou o caminho rumo à independência financeira. Agra- decemos, também, às nossas famílias pela paciência, aos nossos professores e mestres da medicina, bem como a todos os nossos colegas médicos.

Agradecemos, em particular, aos médicos Fernando Guimbra Simões Co- elho, Matheus Donnard Guimarães e Manoel Antônio de Paiva Neto pela pa- ciência em ler nosso livro e pelas valiosas sugestões. Também gostaríamos de agradecer ao nosso amigo e parceiro Walter Borba Júnior, odontólogo e inves- tidor talentoso, que abriu nossos olhos e mostrou as imensas oportunidades existentes nos momentos de crise.

Agradecemos, em especial, ao Gustavo Cerbasi pela leitura desta obra e por compartilhar conosco parte de sua experiência na área de economia, pelos conselhos e pelas sugestões feitas.

Agradecimentos

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D

r. Francinaldo Lobato Gomes é médico formado pela Universidade Fede- ral do Pará, mestre em neurociências pela Universidade Federal do Pará e neurocirurgião especialista em neurocirurgia de epilepsia formado pela Uni- versidade Federal de São Paulo. É membro da Sociedade Brasileira de Neuroci- rurgia. Trabalha como neurocirurgião em hospitais públicos e privados de São Paulo e participa da Unipete (Unidade de Investigação, Pesquisa e Tratamento de Epilepsias) da Universidade Federal de São Paulo. Atua como investidor autônomo desde 2007, tendo feito cursos sobre o mercado financeiro, análise técnica, mercado à vista e mercado de opções. Atualmente investe, principal- mente, no mercado de opções por meio da venda coberta e operação de taxa, obtendo rendimento acima da média de mercado.

Dr. Francisco Vaz Guimarães Filho é médico formado pela Universidade de Pernambuco e neurocirurgião especialista em neurocirurgia de tumores hipo- fisários e neuroendoscopia pela Universidade Federal de São Paulo. É membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Trabalha como neurocirurgião em hospitais públicos e privados de São Paulo. Atua como investidor autônomo desde 2007, tendo feito cursos sobre o mercado financeiro, análise técnica, mercado a vista e mercado de opções. Atualmente investe, principalmente, no mercado de opções por meio da venda coberta e operação de taxa, obtendo rendimento acima da média de mercado.

E-mails dos autores:

[email protected] [email protected]

Sobre os autores

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Aviso importante

O

investimento em ações é classificado como renda variável. Não é renda fixa. Portanto, não há como saber previamente qual será o ganho ou o prejuízo. Isto dependerá, fundamentalmente, do modo como cada investidor utiliza suas ferramentas.

O objetivo deste livro é mostrar aos colegas médicos algumas das maneiras de utilizar o mercado de ações para obter rendimento mensal acima da média de mercado.

As técnicas aqui apresentadas são estudos que resultaram de análise técnica baseada em comportamentos passados, não havendo garantia de acertos futu- ros, muito menos recomendações de compra e venda.

Recomenda-se que qualquer pessoa faça seu primeiro investimento em ações apenas quando tomar ciência dos riscos inerentes a qualquer tipo de operação financeira.

O próprio investidor é quem decidirá onde, quando e o quanto investir. Os autores não se responsabilizam por nenhum resultado, seja positivo ou negativo, obtido pelos leitores, em razão dos conceitos e estratégias contidos neste livro.

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Prefácio

D

outor! Doutor! Estuda tanto, salva vidas, sabe cada detalhe do corpo humano mas, na hora de cuidar do seu dinheiro, duramente ganho nas noites mal dormidas e na pressão do minuto que salva uma vida, parece que voltou aos tempos da sangria e dos cirurgiões barbeiros.

Já é quase uma tradição os médicos não cuidarem adequadamente do seu dinheiro e dos seus investimentos. Isso há 30 ou 40 anos, quando os médicos eram extremamente bem remunerados, não causava tantos problemas. Hoje, com a queda expressiva do rendimento médio dos médicos e os enormes gas- tos no fim da vida, concomitante com a piora das aposentadorias, é imperativo que os médicos aprendam a investir adequadamente o seu dinheiro.

E digo mais: ninguém, repito, NINGUÉM pode cuidar do seu dinheiro. Nor- malmente (para não dizer sempre) alguém que cuida do seu dinheiro estará ape- nas cobrando muito caro para cuidar pior do que você. Está na hora de aprender.

Não é complicado. E este livro vem preencher essa lacuna para os médicos que leem tanto livros para ajudar os outros. Agora leiam este para ajudar a si mesmo. E melhor, aos seus pacientes também, porque um médico preocupado com dinhei- ro e contas não atende tão bem quanto um médico com tranquilidade financeira.

Eu, como médico, que passei a trabalhar no mercado financeiro, conheço bem as duas áreas, mas bem mais valor têm os doutores Francinaldo e Francisco, que a despeito de tanto conhecimento de mercado, permanecem labutando na saúde e demonstrando que é possível vencer nos investimentos mesmo sendo médico.

Este livro abre as portas do mercado financeiro e em especial da bolsa de valores aos médicos e, porque não, a qualquer um que queira dar os primeiros passos.

Doutor, já está na hora de aprender que existe vida além do fundo de renda fixa e da previdência privada. Aproveite a oportunidade que este livro oferece e adentre, MAS COM CUIDADO, como o livro tão bem alerta, o fantástico mundo da bolsa de valores e, acima de tudo, sobrevivam neste mundo.

Espero sinceramente que a melhora da sua saúde financeira reflita em me- lhora da saúde dos seus clientes e, além disso, na melhora de qualidade de vida para você e sua família!

Mauricio Hissa - Bastter

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Apresentação

A

melhor pessoa para cuidar do seu dinheiro é você mesmo. Só você sabe o que passou e do que teve que abrir mão para ganhar seu suado dinheiri- nho. Portanto, ninguém melhor do que você para cuidar dele. E cuidar signifi- ca fazer com que seu dinheiro se multiplique. Escolha um terreno fértil, plante muitas sementes de dinheiro, cuide bem delas e verá que elas irão se tornar árvores frutíferas. Este livro tem a pretensão de mostrar todas estas etapas.

Saber a melhor hora para comprar ou vender uma ação; saber montar e gerenciar uma carteira de ações de forma a obter remuneração diferenciada sem se expor a demasiado risco. São dúvidas que pairam sobre os investidores em renda variável, em particular o pequeno investidor e o investidor iniciante.

Como qualquer novo aprendizado, o investimento em renda variável exige dedicação, planejamento, disciplina e conhecimento.

Ao conversar com muitos colegas médicos, observamos o quanto era difícil para eles entender o funcionamento do mercado de ações. Também percebemos que muitos médicos sequer tinham ideia dos benefícios deste tipo de investimento. Al- guns até tentam (ou tentaram) investir por conta própria (seguindo dicas de outros profissionais), porém acabaram tendo prejuízo por conta da falta de conhecimento e, então, desistiram. De certa forma, criaram aversão ao mercado acionário.

Esta observação motivou a criação deste livro para mostrar aos colegas médicos que o investimento em ações é uma forma eficiente e segura de re- munerar o patrimônio. Isso mesmo! Eficiente e segura! Desde que o investidor saiba o que está fazendo.

O objetivo é mostrar aos leitores, de forma simples e clara, que é possível obter rendimento mensal acima do que é oferecido pela maioria dos investimentos atu- almente existentes sem deixar de ser médico e sem deixar de exercer a medicina.

Isso não significa que seja fácil ganhar dinheiro investindo em ações e que se con- seguirá fortuna da noite para o dia. Quem procura o mercado financeiro achando que ganhará dinheiro fácil e rápido, certamente perderá. Assim como ninguém se torna médico de um dia para o outro, bem como nenhum médico ganha experi- ência profissional em poucos meses, para se tornar um bom investidor, o médico

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precisa aprender, aperfeiçoar-se, crescer e amadurecer como investidor. Só assim ele será capaz de obter bons rendimentos de forma consistente. Portanto, este livro representa o primeiro passo de uma jornada infindável.

Embora este livro destine-se aos profissionais médicos, ele pode ser utili- zado e aproveitado por profissionais de outras áreas. No entanto, a profissão médica tem particularidades que, em muito, se assemelham ao cotidiano do mercado financeiro. Em primeiro lugar, o médico lida diariamente com a in- certeza, o que também ocorre com as operações no mercado de renda variável.

Em segundo lugar, o médico lida com pessoas que tem emoções; o mercado fi- nanceiro é constituído de pessoas que agem de acordo com suas emoções. Em último lugar, o médico trabalha seguindo um plano de ação previamente es- tabelecido, o que também é benéfico no mercado financeiro. A capacidade de lidar com a incerteza e o controle emocional são ingredientes essenciais para o sucesso no mercado financeiro. O investidor tem que ser frio, não se deixar levar pela emoção, deve agir com a razão e cumprir um plano previamente determinado. Nós, médicos, já trazemos estes atributos em nossa bagagem e já os utilizamos no dia a dia de nossa profissão, mesmo que inconscientemente.

Outra característica da profissão médica é que ela não nos deixa muito tempo livre para fazer outras coisas. Quando se fala em investimento em ações, pensa-se imediatamente que o investidor tem que ficar o dia todo em frente à tela de um computador olhando as oscilações nos preços das ações. Isso afugenta muitos profissionais que não dispõem de tempo livre, dentre eles os médicos. É claro que há profissionais que adotaram o mercado financeiro como profissão e vivem do mercado ou, pelo menos, dedicam grande parte do seu tempo a ele. Neste livro mostraremos que o mercado financeiro oferece boas oportunidades de ganho para quem quer remunerar o capital, sem viver da bolsa de valores. Isso é perfeitamente possível e, ao contrário do que se possa imaginar, não demanda muito tempo.

A experiência adquirida ao longo dos anos mostrou que é possível ser mé- dico, ter a medicina como profissão e fonte de renda e, ainda assim, usar o investimento em ações para remunerar o capital acumulado com segurança e sem comprometer as outras atividades, obtendo rendimentos acima da média de mercado. Logicamente, isso exige estudo, dedicação, disciplina, paciência e tolerância. E o resultado, certamente, compensará.

Caros doutores, sejam bem vindos à bolsa de valores.

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Sumário

Parte I - noções geraIs e Planejamento fInanceIro 15

caPítulo 1 - o mercado de ações 17

Introdução 17

Por que investir em ações? 18

Um pouco de história 20

Conceitos básicos 24

Organização do mercado de renda variável no Brasil 27

Tributação 28

Compra e venda de ações 30

caPítulo 2 - o médIco e a bolsa de valores 37

Introdução 37

O que há em comum? 37

Falta de tempo - um problema? 39

Dicas aos investidores 40

caPítulo 3 - Planejamento fInanceIro: o PrImeIro Passo 43

Introdução 43

Será mesmo que você trabalha para você? 44

Ingredientes para abundância financeira 46

Como organizar suas finanças 48

Planilha orçamentária e disciplina. E agora? 50

Planejamento financeiro também é educação 54

Uma síntese final 55

Parte II - começando a InvestIr em ações e 57 gerencIamento de rIsco

caPítulo 4 - análIse fundamentalIsta: como selecIonar boas

emPresas 59

Introdução 59

Ferramentas 60

O que procurar 60

Quanto vale a ação? 65

caPítulo 5 - análIse técnIca: comPrar ou vender? 69

Introdução 69

O preço 70

O tempo 71

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Gráficos 71

Teoria de Dow 72

O candlestick 74

Topos, fundos e tendências 75

O fim de uma tendência 76

Suporte e resistência 78

Estudo dos candles 80

Gaps 87

Indicadores (análise técnica computadorizada) 89

Projeção de tendências - linhas de fibonacci 98

Requisitos de um bom investidor 102

Escolher ou unir? Combine as análises fundamentalista e técnica 103

caPítulo 6 - o médIco e o mercado à vIsta 105

Exemplo 1. Comprado em BBDC4 106

Exemplo 2. Comprado em BTOW3 (B2W Varejo) 107

Exemplo 3. Comprado em GOAU4 (Gerdau Metalúrgica) 108

Exemplo 4. Comprado em BRTO4 (Brasil Telecom) 109

EXEMPLO 5. Comprado em OGXP3 (OGX Petróleo) 110

caPítulo 7 - gerencIamento de rIsco: Proteja seu caPItal 111

Introdução 111

Formas de gerenciar risco 112

Com quanto devo começar? 116

Parte III - construção e remuneração de uma carteIra de ações 117 caPítulo 8 - o médIco e o mercado de oPções:

a arte de lucrar com a queda da bolsa 119

Introdução 119

Conceito e história 120

Tipos de opções 121

Séries de opções 122

Particularidades do mercado de opções 123

Opções europeias versus opções americanas 124

Dissecando o prêmio da opção 125

O dia do exercício 127

Fatores que determinam o valor do prêmio 128

Modelo de Black & Scholes para precificar opções 129

Ações que permitem operar opções 131

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Por que as opções? 131

Compra de opções versus venda de opções 133

Estratégias combinando ações e opções - venda coberta 134

Rolagem 137

Estratégias combinando compra e venda de opções - travas 138

Parte Iv - começando de fato 143

caPítulo 9 - Palavras fInaIs 145

E agora, doutores? 145

bIblIografIa 147

sItes 148

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Parte I - Noções gerais e planejamento financeiro • 15

A

ntes de ser médico você precisa escolher ser médico. Da mesma forma, ter independência financeira é uma questão de escolha.

No capítulo 1 serão apresentadas as noções básicas que todo investidor pre- cisa ter para se familiarizar com a bolsa de valores. Você aprenderá os termos técnicos usados diariamente no mercado de ações. Também aprenderá sobre os órgãos reguladores do mercado financeiro brasileiro, sobre as regras de tributa- ção e verá como fazer para comprar e vender ações no mercado à vista.

O capítulo 2 mostra o que a profissão médica tem em comum com o mer- cado de ações. Você verá que o médico já tem certa vantagem em relação aos profissionais de outras áreas. Além disso, você perceberá que a “falta de tempo”

não é impeditivo para o investimento em ações.

O capítulo 3 é de extrema importância. Sem planejamento financeiro, não so- bra dinheiro para investir. O alcance da independência financeira requer a mu- dança de certos hábitos. Você verá, ainda, o quanto é importante a educação finan- ceira dos seus filhos, para que eles tenham um futuro financeiro tranquilo.

Parte I

Noções gerais e

planejamento financeiro

“Quem não sabe o que procura, não entende o que encontra”.

Claude Bernard

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(17)

Capítulo 1 - O mercado de ações • 17

“A bolsa de valores não é um cassino, ou a loteria esportiva, em que as pessoas podem, se derem sorte, multiplicar seu dinheiro do dia para a noite. A bolsa é, antes de tudo, uma oportunidade de se tornar sócio de empresas e participar de seus lucros no longo prazo. Por isso, o investi- mento em bolsa é de longo prazo e se ajusta ao objetivo de construir uma poupança para a aposentadoria.”

Marcelo Guterman.

Introdução

Bolsas de valores são locais onde se negociam ações de empresas de capital aberto, além de índices futuros, opções, títulos e commodities. Essa negociação é feita durante o chamado pregão (horário de funcionamento das bolsas). A abertura do pregão da bolsa de valores de São Paulo (BM&F Bovespa) inicia às 10 horas e o fechamento ocorre às 17 horas, de segunda à sexta feira exce- to feriados. Quando tem início o horário de verão, o pregão é adiantado em uma hora (abertura às 11 horas e fechamento às 18 horas) para ficar em linha com as bolsas de valores americanas. Vale ressaltar que, após o fechamento do pregão, por período de cerca de uma hora, algumas ações ainda podem ser negociadas no chamado aftermarket, segundo regras específicas (ver adiante neste capítulo).

O mercado de ações

caPítulo 1

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18 • Bolsa de valores para médicos

Por que investir em ações?

Antes de começar a estudar o mercado de ações é importante colocarmos as vantagens que o investimento em ações proporciona. Conhecendo estas vantagens e percebendo como o investimento em ações poderá mudar sua vida, você ficará muito mais empolgado em assimilar as técnicas apresentadas ao longo deste livro.

Com a criação do Plano Real em 1994 o Brasil obteve controle da in- flação e esta tem se mantido em níveis abaixo de 5% ao ano. Por conta deste controle, o investimento apenas em renda fixa deixou de propor- cionar retornos extraordinários, embora a renda fixa ainda seja uma boa opção. Só para se ter uma ideia, antes da estabilização econômica brasi- leira, a juros de cerca de 25% ao ano, um investidor demorava cerca de três anos para dobrar o patrimônio usando o investimento em renda fixa.

Com a queda dos juros da economia para taxa de cerca de 12% ao ano, atualmente são necessários mais de seis anos para dobrar o patrimônio com investimento apenas em renda fixa. Isso sem descontar a inflação do período, os impostos e as despesas com taxa de administração.

Com este cenário, como fazer para obter rendimento diferenciado, isto é, acima da média de mercado? É aí que entra o investimento em ações. To- das as pessoas que investem em ações, fazem-no com o objetivo de poten- cializar seus ganhos ao longo do tempo. Historicamente, o investimento em ações, quando feito de forma correta e reinvestindo os lucros, apresen- ta retorno superior às aplicações em renda fixa no longo prazo.

Mesmo no Brasil, em que a taxa de juros ainda se mantém em patamares elevados, as ações de muitas companhias bateram com folga o retorno do CDI (taxa de juros praticada entre os bancos e que serve de referência para as apli- cações em renda fixa).

Assim, para objetivos de investimentos de longo prazo, como apo- sentadoria, por exemplo, e para a diversificação de seus investimentos, possuir uma parcela de suas aplicações em ações costuma ser uma boa estratégia. É a fatia investida em ações que, no longo prazo, poderá pro- porcionar retornos maiores do que as aplicações em renda fixa, aumen- tando o retorno de sua carteira de investimento ao longo dos anos.

De que forma o rendimento diferenciado obtido com o investimento em ações poderá mudar a sua vida, caro leitor? Bom, investindo em ações, você poderá antecipar sua independência financeira. Suponhamos que você deseje investir R$2 mil mensais para acumular um patrimônio de R$1 milhão. É um

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valor bastante simbólico.Todo brasileiro gostaria de ter o seu. Também, este valor investido de forma adequada poderá gerar renda suficiente para propi- ciar a independência financeira ou, pelo menos, dar tranquilidade financeira.

Se você optar pelos fundos de investimento com base no CDI, você conseguirá um ganho real de cerca de 0,4% ao mês (após descontada a in- flação, os impostos e a taxa de administração). Com esta taxa e investindo R$2 mil mensais, você levará cerca de 23 anos para acumular o patrimônio de R$1 milhão. Caso você decida investir em tesouro direto, poderá conse- guir taxa um pouco maior, na ordem de 0,6% ao mês de ganho real. Com esta taxa, o tempo necessário para acumular R$1 milhão cai para 19 anos.

Isto é o máximo que você irá conseguir com a renda fixa.

Após ler este livro e assimilar as estratégias de investimento em ações, você verá que, de forma bastante conservadora, poderá conseguir ganhos bem acima da média de ganhos obtidos com a renda fixa. Se você conseguir ganho real mensal de 1,4%, investindo R$2 mil mensais, o tempo necessário para acumular R$1 milhão será de cerca de 12 anos. Isso mesmo, 12 anos! É como se você ganhasse entre 7 e 11 anos de vida com independência financeira. Imagine o que é possível fazer com todo esse tempo disponível e, ainda, com independência financeira! E você não precisará abrir mão de exercer a medicina para conseguir bons resultados.

Concordamos que investir em renda fixa é simples, não demanda tempo nem muito aprendizado, uma vez que você paga para o gerente bancário investir o seu dinheiro. Por outro lado, para investir em ações de forma segura, você terá que dedicar algum tempo aprendendo sobre o funcionamento do mercado de ações e sobre as estratégias de investimento. Este livro tem pouco mais de 150 páginas e o conteúdo dele dará a você, leitor, as ferramentas para antecipar sua independên- cia financeira em cerca de 11 anos (investindo R$2 mil mensais, com retorno de 1,4% ao mês). Não há dúvida que vale a pena dedicar algumas horas de sua vida aprendendo sobre investimento em ações para ganhar alguns anos de vida com independência financeira e tranquilidade no futuro.

Considerando que o retorno financeiro da profissão médica costuma vir tardiamente, para alcançar a independência financeira e poder usufruir dela, o médico precisa utilizar formas de investimento que propiciem maiores re- tornos no menor intervalo de tempo possível, de forma consciente e sem se expor a demasiado risco. Nesse contexto, o mercado de ações é uma ótima alternativa para alcançar tal objetivo.

Ao prosseguir na leitura deste livro, gostaríamos que você o encarasse como um instrumento através do qual você ganhará alguns anos de tranqui- lidade para usufruir da maneira que achar melhor. Queremos que este livro

Capítulo 1 - O mercado de ações • 19

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20 • Bolsa de valores para médicos

represente para os leitores o que um copo com água gelada representa para alguém que está perdido num deserto.

Um pouco de história

Antes de surgirem as bolsas de valores, a negociação de cotas de empresas e outros títulos era feita nas ruas, com muita gritaria e pouquíssimo conforto. Foi na cidade de Bruges, na Bélgica, que surgiu a primeira sede de uma bolsa de va- lores do mundo em 1487. Com o passar dos tempos surgiram outras bolsas de valores. Em 1690, foi inaugurada a sede da Bolsa de Londres. Em 1792 surgiu a Bolsa de Valores de Nova York, em Wall Street, rua onde já se negociava títulos e outros papéis e que acabou sendo imortalizada pela associação à bolsa.

No Brasil, em 1845 surgiu a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. A Bolsa de valores de São Paulo surgiu logo após a proclamação da República, em 1890.

Nessa época, as cotações eram registradas com giz em um quadro negro. Hoje, ironicamente, os frequentadores da bolsa chamam esta época de “Idade da Pe- dra”. A partir do ano 2000 todas as negociações feitas pelas bolsas brasileiras foram unificadas na cidade de São Paulo. As cotas de cada bolsa foram incorpo- radas, criando uma bolsa única, a Bovespa.

A BM&F Bovespa S.A. (Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros) foi criada em 2008 com a integração entre a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Após a capitalização da Petrobrás, concluída em setembro de 2010 (a maior já feita no mundo), a BM&F Bovespa passou a ser a segunda maior bolsa do mundo em valor de mercado, perdendo somente para a bolsa de Hong Kong. No cenário global, em que acompanhar a velocidade das transformações torna-se um diferencial competitivo, a BM&F Bovespa apresenta atraentes opções de investimento com custos de operação alinhados ao mercado.

Em 1997 foi implantado o sistema de negociação eletrônica Mega Bolsa, abo- lindo a necessidade do pregão presencial. Daí em diante a imagem marcante de corretores gritando e correndo atrás de um bom negócio ficou para trás. Esse inves- timento em tecnologia ajudou a agilizar, em muito, as negociações na Bovespa. O aumento de velocidade gerou aumento de negociações. Na época do pregão presen- cial, eram feitas cerca de 1.200 operações comerciais por dia. Hoje, a média é de 150 mil operações por pregão. Para se ter uma ideia, cada ordem de compra ou venda dura menos de um segundo (a média é 0,62 segundo!) para ser finalizada. No final da década de 90 foram implantados os serviços de homebroker e aftermarket.

Essa melhora tecnológica associada à estabilidade da economia brasileira con- quistada a partir de 1994 com o plano real, permitiram que os pequenos investi-

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Capítulo 1 - O mercado de ações • 21

dores pessoa física tivessem acesso à BM&F Bovespa, uma vez que não se fez mais necessário estar fisicamente presente no pregão. Isso fica claro com o aumento do número de investidores pessoas físicas investindo na Bovespa. Em 1989, esse in- vestidor representava apenas 3% do total de negociadores. Em 2007, cerca de 20%

dos negociadores tinham o perfil de pequeno investidor. Além disso, muita gente tem investido indiretamente nas bolsas quando, por exemplo, coloca seu dinheiro em determinado fundo de investimento oferecido pelos bancos de varejo ou con- trata um plano de previdência privada.

O Índice Bovespa (iBov) foi criado em 1968 para medir a “temperatura” das negociações da BM&F Bovespa. Ele expressa as variações de preço das ações das principais empresas de capital aberto que negociam suas ações na BM&F Bovespa e que representam cerca de 80% do montante negociado diariamente na instituição.

O valor base do iBov foi de 100 pontos em 02 de janeiro de 1968. A sua base con- tinua a mesma até hoje e, atualmente, o índice gira em torno de 66 mil pontos.

Os papéis que contribuem para formar a carteira teórica do Ibovespa são revis- tos e atualizados a cada quatro meses. No mês de março de 2011 foi divulgada a nova carteira teórica do Ibovespa, composta dos seguintes papéis (tabela 1):

Tabela 1. Composição da carteira teórica do Ibovespa atualizada em 25/03/2011.

Fonte site da BM&F Bovespa (www.bovespa.com.br).

PETR4 VALE5 OGXP3 ITUB4 BVMF3 PETR3 USIM5 BBDC4 GGBR4 VALE3 BBAS3 PDGR3 CSNA3 ITSA4 CIEL3

PETROBRAS PN EJ VALE PNA OGX PETROLEO ON

ITAUUNIBANCO PN BMFBOVESPA ON PETROBRAS ON EJ

USIMINAS PNA EJ BRADESCO PN

GERDAU PN VALE ON BRASIL ON EJ PDG REALT ON SID NACIONAL ON

ITAUSA PN CIELO ON

267,09695173167 154,67212783231 166,52839974065 67,81611096401 197,82569807523

65,99341686981 101,20054179911

61,47439631223 91,34071480867 33,82808012319 61,51458650707 165,47778163132

55,80533779882 109,38519323650

76,65770161491

11,244 10,741 4,847 3,698 3,260 3,200 3,010 2,881 2,732 2,647 2,614 2,254 2,173 1,967 1,572 Ação/tipo QuAnt. teóricA pArt. rel.%

11,244 21,985 26,832 30,530 33,790 36,990 40,000 42,881 45,613 48,260 50,874 53,128 55,301 57,268 58,840 pArt. Acum.%

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22 • Bolsa de valores para médicos

Continuação tabela 1. Composição da carteira teórica do Ibovespa atualizada em 25/03/2011. Fonte site da BM&F Bovespa (www.bovespa.com.br).

RDCD3 BRFS3 GFSA3 CYRE3 FIBR3 CMIG4 MMXM3

MRVE3 LREN3 RSID3 TCSL4 JBSS3 ALLL3 LAME4 TNLP4 HYPE3 PCAR5 VIVO4 SANB11

BRAP4 ELET3 NATU3 ECOD3 CCRO3 AMBV4 ELET6 GOLL4

REDECARD ON BRF FOODS ON GAFISA ON CYRELA REALT ON

FIBRIA ON CEMIG PN MMX MINER ON

MRV ON LOJAS RENNER ON

ROSSI RESID ON TIM PART S/A PN

JBS ON ALL AMER LAT ON LOJAS AMERIC PN INT

TELEMAR PN HYPERMARCAS ON P.ACUCAR-CBD PNA

VIVO PN SANTANDER BR UNT EJ

BRADESPAR PN ELETROBRAS ON

NATURA ON ECODIESEL ON

CCR SA ON AMBEV PN ELETROBRAS PNB

GOL PN

41,29703758354 30,72780069565 90,20044018787 58,82197982560 33,83429152640 27,72905707730 83,92474229544 59,92604511688 13,21692855186 48,95159163324 99,94669758007 117,19286338087

48,85191178755 49,30131523079 23,73789166233 30,32191797109 9,48991839337 9,34927831104 30,01634523376 13,94428070161 23,21693168943 12,23187576135 613,87218248903

11,45477196873 11,84556069292 16,43367001497 22,53801503940

1,449 1,382 1,371 1,301 1,292 1,226 1,207 1,169 1,033 1,032 1,027 1,016 0,976 0,973 0,969 0,935 0,899 0,887 0,872 0,868 0,847 0,836 0,799 0,798 0,786 0,744 0,737 Ação/tipo QuAnt. teóricA pArt. rel.%

60,289 61,671 63,042 64,343 65,635 66,861 68,068 69,237 70,270 71,302 72,329 73,345 74,321 75,294 76,263 77,198 78,097 78,984 79,856 80,724 81,571 82,407 83,206 84,004 84,790 85,534 86,271 pArt. Acum.%

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Capítulo 1 - O mercado de ações • 23

Ação/tipo QuAnt. teóricA pArt. rel.% pArt. Acum.%

Continuação tabela 1. Composição da carteira teórica do Ibovespa atualizada em 25/03/2011. Fonte site da BM&F Bovespa (www.bovespa.com.br).

TAMM4 CSAN3 USIM3 BISA3 GOAU4

ELPL4 EMBR3 MRFG3 CPLE6 CESP6 LIGT3 BRKM5 DTEX3 KLBN4 LLXL3 CPFE3 UGPA4 BTOW3 PRTX3 CRUZ3 BRTO4 SBSP3 TNLP3 TRPL4 TMAR5 TCSL3 TLPP4

TAM S/A PN COSAN ON USIMINAS ON EJ BROOKFIELD ON GERDAU MET PN ELETROPAULO PN

EMBRAER ON MARFRIG ON COPEL PNB

CESP PNB LIGHT S/A ON BRASKEM PNA DURATEX ON KLABIN S/A PN

LLX LOG ON CPFL ENERGIA ON

ULTRAPAR PN B2W VAREJO ON ES

PORTX ON SOUZA CRUZ ON EDB

BRASIL TELEC PN SABESP ON TELEMAR ON TRAN PAULIST PN TELEMAR N L PNA TIM PART S/A ON

TELESP PN ED

15,19666239051 18,97337337324 16,18053762612 58,38215377238 19,76608334811 13,60041200647 32,97304503566 33,05097856713 10,16592351471 14,99228070957 14,33768183939 19,31733862587 23,17090681002 58,81300697170 75,39026934851 7,39633003585 12,15804130902 13,96194159987 75,39026934851 16,41795142420 20,65129489031 4,94889027798 5,01111011341 2,58886419678 2,47346353855 15,13749586440 2,63638376111

0,729 0,720 0,718 0,708 0,699 0,696 0,688 0,660 0,658 0,633 0,601 0,584 0,569 0,539 0,519 0,491 0,486 0,457 0,420 0,414 0,400 0,328 0,254 0,196 0,191 0,186 0,153

87,000 87,720 88,438 89,146 89,845 90,541 91,229 91,889 92,547 93,180 93,781 94,365 94,934 95,473 95,992 96,483 96,969 97,426 97,846 98,260 98,660 98,988 99,242 99,438 99,629 99,815 99,968

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24 • Bolsa de valores para médicos

Conceitos básicos

Ação – Representa a menor parte negociável de uma empresa de capi- tal aberto (sociedade anônima – S.A). O detentor de ações torna-se sócio da empresa, tendo participação no lucro ou no prejuízo. As empresas lançam ações no mercado com o objetivo de obter capital para atividades de ampliação ou investimento em infra-estrutura. Para a empresa isto é mais vantajoso do que recorrer a empréstimo bancário. A abertura de ca- pital é feita por meio da oferta pública inicial de ações (IPO – Initial Pu- blic Offer) e envolve o cumprimento de uma série de requisitos adminis- trativos, sendo fiscalizada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Ações preferenciais e ordinárias. No Brasil há dois tipos principais de ações: as ações preferenciais (PN) e as ordinárias (ON). O detentor de ações preferenciais tem prioridade no recebimento de proventos da empresa (dividendos, juros sobre o capital e bonificações), porém, não tem poder de voto nas reuniões do conselho empresarial, não participando das decisões que são tomadas na empresa. Já o detentor de ações ordinárias tem poder de voto e participa das decisões do conselho, mas não tem preferência no recebimento de proventos. As ações PN costumam ter mais liquidez (mais negociadas) do que as ON, já que os detentores de ações ON raramente se desfazem de suas ações para continuarem tendo poder de voto.

A nomenclatura das ações obedece uma regra própria. Primeiramente de- signa-se a empresa com quatro letras seguido do número 3 para as ON e 4 para as PN. Assim, a sigla PETR4 significa ações preferenciais da Petrobrás; a sigla LAME4 significa ações preferenciais das lojas americanas; a sigla VALE3 significa ações ordinárias da vale; BBSA3 significa ações ordinárias do Banco do Brasil e assim sucessivamente. Estas siglas são chamadas de tickers. No site da BM&F Bovespa (www.bovespa.com.br) estão listadas todas as empresas que têm ações negociadas, separadas por setores de atuação. Para comprar e vender ações, usa-se as siglas e não o nome da empresa. Vale lembrar, ainda, que existem variações dentro desta classificação, porém elas tem pouca importância no cotidiano do investidor e influenciam pouco na tomada de decisões.

Lotes de ações. As ações são negociadas em lotes múltiplos de 100. As- sim, se uma ação PETR4 custa R$32,80, um lote de 100 ações custará (32,80 x 100) R$3.280. Para comprar número menor que 100 ações, utiliza-se o mercado fracionário, onde é possível comprar de uma a 99 ações. Quando o preço da ação é muito baixo, na casa dos centavos, elas são negociadas em lotes múltiplos de 1 mil ou 10 mil para facilitar o cálculo.

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Capítulo 1 - O mercado de ações • 25

Split e Inplit. Split (desdobramento) é uma estratégia usada por algu- mas empresas para aumentar a liquidez de suas ações quando a cotação das mesmas fica muito elevada, prejudicando a entrada de novos investi- dores pessoa física. Suponha que a ação de uma dada empresa esteja sen- do cotada a R$120; portanto, um lote padrão de 100 ações custaria R$

R$12 mil, o que é uma quantia considerável para o pequeno investidor.

Com o split na proporção 1:3, o preço da ação cairia para R$40. Assim, um lote custaria R$4 mil o que é um valor mais acessível. O detentor de 100 ações desta empresa, após o split, passaria a ter 300 ações, com o fi- nanceiro permanecendo o mesmo (R$12 mil). Os splits mais comuns são feitos nas proporções 1:2, 1:3 e 1:4.

Inplit (grupamento) é o processo inverso do split. Também serve para melhorar a liquidez e o preço dos ativos quando estão sendo cotados a preços muito baixos. Por exemplo, se uma dada empresa tem suas ações negociadas a R$1, um lote padrão de 100 ações custará R$100. Então, a empresa decide em assembleia, pelo grupamento na proporção de 5:1.

Com isso, cinco ações passam a ser negociadas pelo preço de uma, no valor de R$5. Antes do inplit, o detentor de mil ações possuía o valor de R$1 mil.

Após o inplit, este investidor passará a ter 200 ações no valor de R$5 cada, portanto, totalizando R$1 mil. Repare que, tanto no split quanto no inplit, o financeiro não muda, mudando, apenas o número de ações.

Empresa de capital aberto – É uma sociedade anônima cujo capital social é formado por ações livremente negociadas no mercado sem necessidade de escrituração pública de propriedade (por parte da pessoa física compradora).

Commodity – Termo em inglês que significa mercadoria negociável.

Ex. petróleo, minério de ferro, café.

Leilão de abertura e leilão de fechamento. Denomina-se leilão de abertura (ou call de abertura) o período compreendido nos minutos que antecedem a abertura das negociações na BM&F Bovespa, em geral nos 15 minutos que antecedem a abertura do pregão. O leilão de fechamento (call de fechamento) é o período compreendido nos minutos finais de negocia- ção (em geral, 15 minutos antes do fechamento) e utilizado para determi- nados ativos. Ambos os leilões tem por objetivo fazer com que a abertura e o fechamento do preço das ações sejam processadas de forma transparente.

Existem regras específicas para a realização dos leilões de abertura e de fechamento que podem ser consultadas em manuais no site da BM&F Bo- vespa (www.bovespa.com.br). Ao final dos leilões é obtido o preço teórico de abertura e fechamento das ações negociadas durante o pregão.

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Homebroker. Termo em inglês que significa corretora em casa. O ho- mebroker permite a negociação de ações via internet. Ele está interligado ao sistema Mega Bolsa da BM&F Bovespa, permitindo o envio de ordens de com- pra e venda de ações por meio do site da corretora. Para usar o homebroker é necessário ser cliente de uma corretora que disponha deste sistema.

Aftermarket. É o nome de um serviço oferecido aos investidores pela BM&F Bovespa. O nome aftermarket veio em virtude de que as aplicações po- dem ser efetivadas em horário após o fechamento do pregão principal quando os investidores ainda podem enviar ordens de compra e venda e realizar negó- cios pelo homebroker. Em linhas gerais, o after Bovespa nada mais é do que um horário extra de funcionamento da bolsa. Ele possibilita aos investidores que não tem como acompanhar o mercado durante o horário comercial, comprar e vender ações durante este horário extra. As negociações durante o aftermarket são feitas de forma semelhante ao pregão normal, sujeitas, apenas, a algumas restrições, como veremos a seguir. O aftermarket inicia às 17h30 com a fase de pré-abertura que vai até as 17h45. Neste intervalo poderão ser canceladas as ofertas de compra e venda registradas no período regular. Das 17h45 às 19h ocorre a fase de negociação. Com o horário de verão, a fase de pré-abertura vai das 18h30 até as 18h45, e das 18h45 até as 19h30 ocorre a fase de negociação.

As restrições que ocorrem no aftermarket são as seguintes:

1)Limite máximo de operações de R$900 milhões por CPF;

2)Não é possível negociar opções;

3)Só poderão ser negociadas as ações que foram negociadas no pregão diurno;

4)Os preços negociados não podem sofrer variação superior a 2% em relação ao fechamento do pregão normal. Ex. Se, ao término do pregão, uma dada ação fechou a R$50, ela não poderá ser negociada, no afterma- rket, a preço inferior a R$49 ou superior a R$51.

Governança corporativa. É um sistema pelo qual as empresas de ca- pital aberto são dirigidas e monitoradas, envolvendo os acionistas, cotistas, Conselho de Administração, Auditoria Independente e Conselho Fiscal. As empresas que se comprometem, voluntariamente, com a prática de gover- nança corporativa fazem parte de um segmento chamado Novo Mercado.

Estas empresas assinam um contrato comprometendo-se a cumprir uma série de regras que vão além do que é exigido pela legislação brasileira. As regras do Novo Mercado ampliam os direitos dos acionistas e melhoram a qualidade das informações fornecidas pelas companhias. Há dois níveis de governança corporativa: o nível 1 e o nível 2. As empresas nível 2 comprometem-se com o chamado tag along, no qual, em caso de venda do

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Capítulo 1 - O mercado de ações • 27

controle da empresa, os acionistas receberão, no mínimo, 80% do valor de suas ações. Para maiores detalhes sobre governança corporativa, consulte o site da BM&F Bovespa (www.bovespa.com.br).

Organização do mercado de renda variável no Brasil

O mercado de renda variável brasileiro é composto de órgãos normati- vos, órgãos reguladores e/ou fiscalizadores e órgãos participantes. Existem muitas instituições públicas e privadas que atuam de diversas formas, po- rém, neste livro, falaremos apenas daquelas que estão diretamente ligadas ao mercado de ações.

Os órgãos normativos estabelecem as diretrizes gerais para a atuação dos órgãos reguladores. Sua função é normatizar as atividades dos entes a eles subordinados, sendo as normas geralmente elaboradas no âmbito dos órgãos reguladores e sujeitas à aprovação dos órgãos normativos. O órgão norma- tivo de interesse para o mercado de ações é o Conselho Monetário Nacional (CMN). O CMN é o órgão máximo do Sistema Financeiro Nacional. Dentre as funções do CMN estão zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras, regular o valor interno e externo da moeda, orientar a aplica- ção dos recursos das instituições financeiras públicas e privadas, propiciar o aperfeiçoamento das instituições financeiras, dentre outras.

Os órgãos reguladores regulamentam as normas expedidas pelos órgãos normativos e propõem a adoção de regras para o melhor funcionamento de todas as entidades participantes do mercado financeiro. As entidades reguladoras dos entes que compõem o sistema financeiro nacional são o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O BC, também conhecido como “banco dos bancos” edita normas a respeito dos limites de risco aos quais as instituições podem ficar expostas.

Nesse contexto, estão inseridos os limites relativos ao risco de mercado e ao risco de volatilidade das taxas de juros, que causam impacto direto sobre a posição que os bancos e outros participantes podem apresentar quanto à aplicação em ativos prefixados.

A CVM é uma autarquia federal que fiscaliza o mercado de valores mobi- liários emitidos por sociedades anônimas que negociem seus títulos com o público. Ela tem a função de assegurar o funcionamento regular e eficiente das bolsas de valores, de mercadorias e futuros e de instituições auxiliares que ope- ram nestes mercados. É a CVM que fiscaliza as companhias de capital aberto.

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Dos órgãos participantes, citamos a BM&F Bovespa onde são negocia- dos os ativos das empresas de capital aberto.

A CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia) é a instituição responsável pelos serviços de guarda centralizada, compensação e liquidação das operações realizadas nos mercados da BM&F Bovespa (mercado à vista, derivativos, balcão organizado, renda fixa privada, etc.). Estes serviços foram desenvolvidos em uma estrutura moderna e confiável, alinhada às melhores prá- ticas e recomendações internacionais, cujas inovações são consequências do com- promisso da CBLC com o desenvolvimento do mercado financeiro brasileiro.

O conhecimento da CBLC é importante por dois motivos. Em primeiro lugar, todas as vezes que você comprar ou vender ações, além da corretagem paga, a CBLC recolhe um percentual sobre o montante negociado em cada operação. Assim, além do cálculo da corretagem (ver adiante), deve-se con- tabilizar este valor no custo da operação, tanto na compra quanto na venda.

O outro motivo consiste no fato de que quando se compra ações via deter- minada corretora, esta atua somente como intermediária na operação. As ações compradas ficam custodiadas na CBLC, vinculadas ao CPF do cliente.

Assim, caso a corretora saia do mercado, o investidor não tem como perder as ações que possui. Ele pode apenas transferi-las para outra corretora, já que a custódia das mesmas não está na corretora e sim na CBLC.

Tributação

Tal como ocorre com qualquer atividade comercial em nosso país, as operações realizadas no mercado financeiro estão sujeitas à tributação com relação ao imposto de renda. No entanto, diferente do que ocorre com outras atividades comerciais, o mercado de renda variável possui regras próprias para a arrecadação do imposto. Vejamos como é feito.

Todo o cálculo do imposto a ser pago, a geração do DARF (Documento de Arrecadação da Receita Federal) e o seu pagamento são de respon- sabilidade do investidor. Para que não haja equívocos nem confusão na hora de declarar o imposto, o investidor deverá manter a contabilidade de todas as suas operações. Algumas corretoras oferecem assistência ao investidor na hora de fazer o cálculo como forma de agradar o cliente, mas elas não são obrigadas a fazê-lo.

Se necessário, você poderá contratar um contador para fazer esta con- tabilidade. No entanto, com o mínimo de organização e disciplina você

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Capítulo 1 - O mercado de ações • 29

será capaz de fazer, por si só, toda a contabilidade. Basta manter o registro completo de todas as operações. Apenas com este registro você saberá se terá que pagar imposto e o quanto terá que pagar.

A arrecadação do imposto deverá ser feita mensalmente. O período de arrecadação vai até o último dia útil do mês que sucede o mês declarado.

Por exemplo, se você vai declarar os ganhos obtidos no mês de junho, terá até o ultimo dia útil de julho para pagar o imposto sem a incidência de multa (código DARF 6015). Caso o prazo seja perdido, você poderá fazê- lo a qualquer momento, porém incindirá multa sobre o valor.

Ao comprar qualquer quantidade de ações, você não paga imposto de renda. O imposto só será pago quando as ações forem vendidas com lucro e num valor maior do que R$20 mil mensais, exceto para as operações de day trade (compra e venda no mesmo dia). O imposto incidirá sobre o lucro líquido (após descontadas as despesas com corretagem e taxas opera- cionais). A alíquota será de 15% para as operações de swing trade (compra e venda em dias diferentes), sendo que 0,005% do imposto é retido na fonte como antecipação; e de 20% sobre as operações de day trade, com 1% retido na fonte como antecipação.

Se você tiver prejuízo em um dado mês, poderá abater o valor do prejuízo na declaração do mês subsequente. Por exemplo, se no mês de junho você teve prejuízo de R$1 mil e no mês de julho teve lucro líquido de R$1,5 mil; o imposto será pago sobre R$500 após descontadas todas as despesas. Mais uma vez, você deverá manter a contabilidade de todas as suas operações para saber se teve lucro ou prejuízo.

As operações de swing trade e day trade são vistas de forma indepen- dente pela Receita Federal. O recolhimento dos impostos, bem como o abatimento dos prejuízos, são feitos de forma independente para cada tipo de operação. Você não poderá abater o prejuízo de uma operação day trade de um lucro obtido em uma operação swing trade e vice versa.

Dentre os proventos pagos pelas empresas, os dividendos são isentos de tributação porque a empresa já pagou o imposto antes de distribuí-los. O va- lor mínimo exigido por lei que uma empresa deve distribuir como dividen- dos é 25% do seu lucro. O juro sobre o capital é tributado em 15%, retido na fonte. A bonificação em ações consiste na distribuição gratuita de novas ações aos acionistas em número proporcional às já possuídas. O direito de subscrição é o direito dado ao acionista de adquirir novo lote de ações, ten- do preferência na subscrição, em quantidade proporcional às já possuídas, em vigência de aumento de capital da empresa.

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Quando você decidir vender parte de sua carteira de ações com lucro, o imposto é calculado sempre do lote que custou mais caro para o que custou mais barato. Por exemplo, digamos que o investidor possui mil ações, das quais 500 custaram R$35 cada; 300 custaram R$32 cada e 200 custaram R$31 cada. Ele decide vender 600 ações a R$38 cada. O impos- to a ser pago será sobre o valor de R$1,5 mil (lucro das 500 ações que custaram R$35) mais R$600 (lucro de 100 ações que custaram R$32), totalizando R$2,1 mil descontadas as despesas.

Com base no que foi exposto a respeito da tributação das operações de compra e venda de ações, duas considerações fazem-se necessárias.

Em primeiro lugar, você deve manter sempre um bom registro de to- das as suas operações. Isto não só facilita na hora de calcular o imposto, como contribui para o amadurecimento e consolidação da disciplina que todo investidor deve ter. Os registros podem ser sempre visitados e revi- sados para que o aprendizado se solidifique.

Em segundo lugar, sempre que precisar vender ações de sua carteira, procure vender valores mensais inferiores a R$20 mil e fique isento do pagamento de imposto de renda.

Compra e venda de ações

A compra e venda de ações na BM&F Bovespa é feita via corretora de valores. As corretoras disponibilizam uma plataforma de negociação on-line chamada de homebroker (corretora em casa), por meio da qual você acom- panha o pregão em tempo real e emite as ordens de compra e venda via internet. Você deverá abrir conta em uma corretora e transferir o valor que deseja investir. A transferência pode ser feita via DOC ou TED, dependendo do valor. Há corretoras vinculadas a bancos, não exigindo transferência de valores se o investidor já possuir conta corrente no banco.

Para fazer esta intermediação, bem como para prestação de outros serviços, a corretora cobra a taxa de corretagem. Algumas corretoras co- bram, também, uma taxa de custódia de ações. Atualmente, devido à competitividade entre as corretoras, são raras as que cobram taxa de custódia. A grande maioria cobra apenas a corretagem. Pesquise se a taxa de custódia é cobrada antes de abrir sua conta.

Embora haja uma tabela padrão de corretagem determinada pela BM&F Bovespa (tabela 2), a grande maioria das corretoras cobra taxa de corretagem

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Capítulo 1 - O mercado de ações • 31

fixa, independente do valor da operação. O preço varia de corretora para corre- tora, mas costuma girar entre R$5 e R$20 por ordem executada. Assim, ao executar a compra e a venda, pagam-se duas corretagens.

Tabela 2. Tabela de corretagem variável.

% Fixo (r$)

0 a R$ 135,06 R$ 135,06 a R$ 498,62 R$ 498,62 a R$ 1.514,69 R$ 1.514,69 a R$ 3.029,38 Acima de R$ 3.029,38

0 2,0 1,5 1,0 0,5

2,7 0 2,45 10,06 25,21 VAlordAoperAção

A escolha da corretora é muito importante e você não deve olhar ape- nas para o valor da corretagem. Informe-se sobre os serviços prestados pela corretora, tais como: orientações sobre o mercado, análise gráfica e fundamentalista, qualidade do homebroker, cursos on-line, ferramentas de análise, serviço de atendimento ao cliente, orientação sobre o imposto de renda, opinião de especialistas entre outros. É importante verificar se a cor- retora permite operações no mercado de derivativos (mercado de opções), pois algumas corretoras restringem estas operações ao pequeno investidor.

Você deve averiguar quais os canais de acesso à mesa de operações. Por exemplo, na impossibilidade de emitir ordens pela internet, a corretora deve possibilitar o envio de ordens via telefone e fax.

Obtenha o máximo de informação sobre a corretora antes de abrir a conta. Se puder conversar com outro investidor que já usa os serviços da corretora, será de grande valia. No site da BM&F Bovespa (www.bovespa.

com.br) estão listadas todas a corretoras credenciadas. Escolha a corre- tora mais adequada às suas necessidades de investimento.

Após escolher a corretora, você deverá fazer o cadastro. Para isto, deverá providenciar uma série de documentos exigidos. Com o cadastro feito e a conta criada, faz-se o depósito da quantia em dinheiro que se pretende investir. Podem ser feitos depósitos a qualquer momento. Se você precisar resgatar algum valor, poderá fazê-lo desde que tenha saldo.

O valor sairá da conta na corretora e será creditado na conta bancária.

Uma vez que o valor esteja disponível em sua conta na corretora, você poderá fazer, então, as operações de compra e venda das ações.

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Uma das maiores vantagens ao investir por meio de corretoras é a total liberdade na escolha das ações e da hora exata para comprar e vender. Isto permite que você invista de acordo com sua própria opinião. Mas cuidado!

Essa total liberdade de ação pode fazer com que você comece a agir de forma indiscriminada uma vez que não há ninguém para fiscalizá-lo. Não se trata de um jogo! É o seu dinheiro que pode ser perdido. Você é seu próprio fiscal.

Embora algumas corretoras informem sobre as melhores alternativas de compra e venda, a decisão é de você, investidor. Tenha cuidado com as corre- toras que incentivam compras e vendas com muita frequência pois isto pode ser uma maneira de a corretora receber mais corretagens com as operações.

Escolha as ações com cuidado e evite ficar negociando a todo momento. O importante não é operar sempre, mas sim, operar bem.

A liquidação das operações no mercado à vista é feita pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). O valor da compra é debitado na conta do comprador na corretora e as ações são creditadas em custódia.

Ambos os processos (pagamento e entrega de títulos) ocorrem no terceiro dia útil após a negociação (D+3). Para a compra e venda de opções sobre ações, a liquidação ocorrerá no dia útil seguinte à operação (D+1).

Além da taxa de corretagem cobrada pela corretora sobre cada operação de compra e venda, você pagará, ainda, as taxas operacionais (emolumentos e taxa de liquidação) cobradas pela BM&F Bovespa e pela CBLC, totalizando 0,035% do valor financeiro da operação para swing trade e 0,025% do valor financeiro para day trade. Assim, ao comprar ações paga-se a corretagem mais 0,035% do valor da operação; se vender as mesmas ações no mesmo dia (day trade), paga-se a corre- tagem mais 0,025% do valor da operação. Se a venda ocorrer do dia seguinte em diante (swing trade), paga-se a corretagem mais 0,035% do valor da operação. Se a venda for maior que R$20 mil no mês e com lucro, paga-se 15% de IR sobre o lucro, após descontadas todas as despesas com corretagem e taxas operacionais.

Com a conta aberta na corretora e o dinheiro disponível, é hora de navegar pela página da corretora. Procure pelo livro de ofertas para ver como estão se comportando as ofertas de compra e venda. O livro está organizado em colu- nas. A coluna da esquerda contém as ofertas de venda, em ordem decrescente de valor (venda mais cara para a mais barata) e a coluna da direita, as ofertas de compra em ordem crescente de valor (compra mais barata para a mais cara). Alguns livros trazem, ainda, a quantidade de ações disponíveis para venda e a quantidade requerida para compra, o código da corretora interessa- da em vender ou comprar (Figura 1).

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Procure pelo link “ordens”, clique no link e aparecerá a página de operações (Figura 2). Nesta página haverá os seguintes campos:

Código. Você deve informar o código da ação que deseja comprar. Este código é o ticker já visto anteriormente. Ex. PETR4, BBSA3, LAME4.

Quantidade. Informe quantas ações deseja comprar. Você poderá escolher lo- tes de 100 ações ou poderá comprar no mercado fracionário, de uma a 99 ações.

Preço. Escolha o preço que deseja pagar (compra) ou receber (venda) pelas ações.

Validade. Você escolhe por quanto tempo deseja que a ordem permaneça vá- lida. Pode valer apenas para um dia ou pode valer por um prazo maior.

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Figura 1. Livro de ofertas para as ações VALE5 e PETR4.

Figura 2. Ordem de compra para VALE5 e ordem de venda para PETR4.

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Tipos de ordem. Escolha o tipo de ordem.

1) Ordem de mercado. Você escolhe a ação e a quantidade, mas não o preço. A ordem será executada imediatamente pelo preço de mercado. É a ordem que tem maior chance de ser executada. Costuma ser escolhida por investidores em pânico para vender ou que estão eufóricos para comprar.

2) Ordem limitada. Você escolhe o ativo, a quantidade e o preço. Ela só será executada se o preço for igual ou melhor do que o preço escolhido.

3) Ordem administrada. Você escolhe o ativo e a quantidade. O preço fica por conta da corretora. É pouco usada.

4) Ordem On-Stop. Este tipo de ordem é usada para proteger o inves- tidor no caso de uma reviravolta nos preços. O investidor escolhe dois pre- ços: um preço de disparo e outro preço de exercício (Figura 3). A ordem só será executada se o preço de exercício for atingido. Se o preço de disparo for atingido, a ordem passa a funcionar como uma ordem limitada. Pode ser usada tanto para a compra quanto para a venda de ações. É o tipo de ordem mais indicada para os investidores que não conseguem acompanhar o pregão durante todo o período porque ela pode ser programada e envia- da à corretora na noite anterior ao pregão.

Figura 3. À esquerda, ordem tipo on-stop para compra de ações VALE5. Observe a cotação atual (R$48,34) e os preços de disparo (R$48,38) e de compra (R$48,43) bem como a validade da ordem. À direita, ordem de venda tipo on-stop para as ações PETR4. Observe a cotação atual (R$28,70) e os preços de disparo (R$28,55) e de venda (R$28,50) bem como a validade da ordem. Em ambas as ordens, se o preço de disparo não for atingido, a ordem perderá a validade ao término do pregão e deverá ser feita novamente para o dia seguinte. Se o preço de disparo for atingido, a ordem só será executada se for atingido o preço de compra ou venda.

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Bolsa de valores para médicos • 35

Exemplo: o preço de uma dada ação fechou o pregão valendo R$32.

Após analisar esta ação, você decide comprá-la apenas se seu valor su- perar R$32,60. Como no dia seguinte você poderá não dispor de tempo para acompanhar o pregão, você envia a ordem on-stop com preço de dis- paro de R$32,65 e preço de exercício de R$32,7 na noite anterior ao pre- gão, com validade de um dia. Se, durante o pregão, o preço da ação subir e atingir o preço de disparo (R$32,65), a ordem será enviada à BM&F Bovespa, mas só será executada se o preço da ação atingir R$32,7 (preço de exercício). Caso o preço de exercício não seja atingido, a ordem per- derá a validade e você deverá enviar uma nova ordem durante a noite.

Pode ocorrer de a ordem ser disparada e não ser executada durante o pregão normal, podendo ser executada durante o aftermarket. Se a ordem não tiver sido disparada, após o término do pregão normal ela perderá a validade e não poderá mais ser executada durante o aftermarket.

Para a venda o processo é semelhante, porém o preço de disparo será maior que o preço de venda. Suponhamos que você esteja comprando em ações de uma dada empresa. Esta ação fechou, no pregão de hoje, a R$25,5.

De acordo com sua análise, se o preço fechar abaixo de R$25,1, ela reverterá a tendência, passando para tendência de baixa (ver capítulo sobre análise técnica), indicando venda. Você programa uma ordem de venda tipo on- stop na noite anterior com validade de um dia, já que poderá não ter tempo para olhar o mercado durante o dia. Esta ordem terá, por exemplo, preço de disparo de R$25,05 e preço de exercício de R$25. Se o preço da ação cair e atingir o preço de disparo, a ordem será encaminhada à BM&F Bovespa, mas só será executada se o preço de exercício (R$25) for atingido. Se o preço subir ou cair mas não atingir nenhum dos preços da ordem, esta perderá a validade e deverá ser programada novamente para o dia seguinte.

Por ser extremamente dinâmica, a ordem on-stop é muito usada por investi- dores para delimitar previamente um prejuízo e para proteger lucros conforme o preço da ação sobe (ver capítulo 7 sobre gerenciamento de risco).

Todas as ordens podem ser canceladas a qualquer momento pelo in- vestidor, tanto pelo homebroker quanto via telefone ou outro meio de comunicação com a corretora.

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Capítulo 2 - O médico e a bolsa de valores • 37

Introdução

Quando começamos a estudar e realizar operações de compra e venda de ações na BM&F Bovespa, o que mais nos chamou a atenção foi a se- melhança que o mercado financeiro tem com a profissão médica. Como somos médicos e dedicamo-nos diariamente à prática da medicina, pode- mos dizer isso com muita propriedade. Aliás, estas semelhanças são um trunfo que pode e deve ser usado em nosso favor.

Então, veio a pergunta: para qual público seria interessante escrever um livro ensinando como investir em ações? A resposta foi imediata: aos profissionais médicos. Isto porque estes profissionais já carregam uma bagagem de anos de estudo e de vivência que, aliados aos conhecimentos adquiridos ao longo deste livro, irão, com toda a certeza, transformar-se em investidores de sucesso.

O que há em comum?

Vejamos algumas semelhanças.

1) Capacidade de lidar com a incerteza

Poucos profissionais lidam com a incerteza de forma tão rotineira quanto os profissionais médicos. Na prática médica quase não existe cer- teza de nada, Quando se prescreve um medicamento, quando se realiza uma determinada cirurgia ou quando se dá uma certa orientação. Em to- das estas situações não há certeza se haverá ou não sucesso. Sabe-se que

O médico e a bolsa de valores

caPítulo 2

“A especulação faz parte da natureza humana”.

Referências

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