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Rev. Bras. Psiquiatr. vol.26 número4

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Academic year: 2018

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Sr. Editor,

Elevada incidência de transtornos psiquiátricos é comumente observada em pacientes neurológicos, principalmente transtornos somatoformes, fóbicos e depressivos.1 Recentemente, Carson et al2-3 demonstraram que cerca de um terço dos pacientes encami-nhados para serviço ambulatorial de neurologia apresentava sin-tomas clínicos inexplicáveis em termos orgânicos. Esses pacien-tes apresentavam síndromes ansiosas e depressivas em uma pro-porção significativamente maior (70%) que os indivíduos com sintomas neurológicos secundários à condição orgânica (32%).

Durante o primeiro semestre de 2001, examinamos 54 paci-entes (sexo masculino/feminino: 16/38; idade média ± erro padrão: 36,4 ± 2,1 anos) encaminhados para o ambulatório de neurologia do Hospital das Clínicas da UFMG por médicos de unidades assistenciais da periferia de Belo Horizonte pelo siste-ma de referência do Sistesiste-ma Único de Saúde. A avaliação clíni-ca incluía entrevista semi-estruturada com questões do Mini International Neuropsychiatric Inventory4 para a identificação de síndromes depressivas conforme o DSM-IV e para a categorização da organicidade dos sintomas.2

Dez pacientes (18,5%) foram considerados como apresentan-do sintomas clínicos inexplicáveis em termos fisiopatológicos (Ta-bela). Não foram observadas diferenças estatisticamente signifi-cativas em termos de composição etária e de sexo entre o grupo de pacientes com sintomas inexplicáveis e os demais pacientes. A presença de dores difusas pelo corpo foi o problema clínico

mais comum nos pacientes com sintomas inexplicáveis, sendo relatada em oito casos. Síndromes dolorosas específicas foram observadas em 19 dos 44 pacientes restantes, principalmente sob a forma de cefaléia. Epilepsia foi o segundo diagnóstico mais freqüente nesses pacientes (13 casos). Síndromes depressivas foram mais comumente diagnosticadas no grupo de pacientes com sintomas inexplicáveis (5/10, contra 7/44 no grupo de pa-cientes restantes, p<0,05, teste de Fisher).

Apesar das limitações deste estudo, que incluem pequena amostra de casos e o emprego de entrevista clínica semi-estruturada para o diagnóstico psiquiátrico, nossos resultados confirmam os dados da literatura que mostram elevada freqüên-cia de síndromes depressivas em pacientes neurológicos com sintomas somáticos inexplicáveis.2-3 Entre esses sintomas desta-cam-se claramente as síndromes dolorosas.2

Ressalta-se que esses pacientes tendem a transitar por várias especialidades médicas recebendo diferentes diagnósticos.5 Nesse sentido, há uma superposição considerável entre os pacientes com o diagnóstico de fibromialgia, síndrome de fadiga crônica, disfunção têmporo-mandibular e cefaléia tensional.5 A aborda-gem desses pacientes é muitas vezes difícil, sendo necessário considerar tratamento antidepressivo e suporte psicoterápico. O trabalho de Carson et al também demonstrou que a maior parte dos pacientes com sintomas inexplicáveis permanece com o quadro clínico inalterado oito meses após a consulta com o neu-rologista,3 reforçando a necessidade de intervenções terapêuti-cas específiterapêuti-cas nesses terapêuti-casos.

Antônio Lúcio T Antônio Lúcio TAntônio Lúcio T

Antônio Lúcio TAntônio Lúcio Teixeira-eixeira-eixeira-eixeira-Jreixeira-JrJrJrJr Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e Serviço de Neurologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais

Carta aos editores

Sintomas clínico-neurológicos

inexplicáveis podem indicar

síndromes depressivas

16 F Dores difusas

21 M Dores difusas

26 F Dores difusas, tremores Epilepsia

33 F Dores difusas, fadiga

40 F Dores difusas, tremores, fadiga Distimia

47 F Dores difusas Hipertensão Depressão maior

52 M Déficit de memória Depressão menor

52 F Dores difusas, fraqueza Hipertensão Depressão menor

60 F Déficit de memória Hipertensão

66 F Dores difusas, fraqueza Hipertensão Depressão maior

Tabela – Características clínicas dos pacientes com sintomas neurológicos inexplicáveis

Idade Sexo Sintomas Comorbidades Diagnóstico

(anos) clínicas psiquiátrico

Rev Bras Psiquiatr 2004;26(4):277-9

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Rev Bras Psiquiatr 2004;26(4):277-9

278 Carta aos editores

Referências Referências Referências Referências Referências

1. Fink P, Hansen MS, Sondergaard L, Frydenberg M. Mental illness in new neurological patients. J Neurol Neurosurg Psychiatr y. 2003;74(6):817-9.

2. Carson AJ, Ringbauer B, Stone J, McKenzie L, Warlow C, Sharpe M. Do medically unexplained symptoms matter? A prospective cohort study of 300 new referrals to neurology outpatient clinics. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2000;68(2):207-10.

3. Carson AJ, Best S, Postma K, Stone J, Warlow C, Sharpe M. The outcome of neurology outpatients with medically unexplained symptons: a prospective cohor t study. J Neurol Neurosurg Psychiatr y. 2003;74(7):897-900.

4. Amorim P. Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI): vali-dação de entrevista breve para diagnóstico de transtornos mentais. Rev Bras Psiquiatr. 2000;22(3):106-15.

5. Aaron LA, Buchwald D. A review of the evidence for overlap among unexplained clinical conditions. Ann Intern Med. 2001;134(9 Pt 2):868-81. Review.

Referências

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