O.L.E. -‐ “Oficina de Leitura e Escrita”
1. Enquadramento:
Este projeto assenta na necessidade de obviar a problemas que parecem vir assumindo alguma premência no Agrupamento de Escolas de Portel, quer pelo impacto que provocam nas aprendizagens e nos resultados escolares dos alunos, quer pelas repercussões que assumem a outros níveis, nomeadamente no que respeita aos padrões comportamentais veiculados em contexto de sala de aula e que, em última análise, poderão redundar em comportamentos indisciplinados ou pelo menos, francamente perturbadores das atividades lectivas.
Referimo-‐nos às competências deficitárias que muitos alunos parecem apresentar ao nível da leitura e da escrita e que, pela sua natureza, são determinantes para o sucesso dos alunos, não só na disciplina de Português mas, de forma transversal, na maioria, senão mesmo na totalidade, das disciplinas do seu currículo. De facto, uma das premissas que fundamentam a pertinência deste projeto, prende-‐se com a importância das competências de leitura e de escrita para o sucesso educativo, em todas ou pelo menos na maioria das áreas curriculares.
Não obstante, as razões para este projeto não se esgotam na premência deste aspeto, havendo outros que corroboram a necessidade. Entre os mesmos, contam-‐se uma maior consciencialização, por parte dos vários atores educativos, das necessidades e das dificuldades dos alunos a este nível, o que tem originado, por parte de um número substancial de professores, o desenvolvimento de um maior número de estratégias informais para fazer face a este tipo de dificuldades, a um maior número de sinalizações de dificuldades desta natureza aos Serviços Especializados de Apoio Educativo (Psicologia e Educação Especial) e a um aumento do número de diagnósticos de Perturbações Especificas de Aprendizagem no âmbito da leitura e da escrita, nos últimos dois anos, relativamente aos anos precedentes, não só por via do trabalho desenvolvido pelos técnicos e professores dos Serviços Especializados de Apoio
Educativo mas também, por via de avaliações externas, solicitadas pelos encarregados de educação, que se encontram, cada vez mais, despertos e informados relativamente a estas problemáticas.
Outro aspeto que fundamenta a premência duma intervenção desta natureza, prende-‐ se com a análise que pode ser realizada, em função do processo de monitorização da evolução dos resultados escolares, nomeadamente no que se refere ao ano letivo de 2014-‐2015, sendo claro, no que à avaliação interna se refere, que as questões da leitura e da escrita surgem como prioritárias em termos de intervenção, com especial enfase no 1º ciclo, sobretudo nos anos iniciais (1º e 2º). Como é feita referência no relatório da evolução dos resultados escolares relativo ao 3º período do ano letivo de 2014/2015, estes dados “poderão indiciar a existência de dificuldades na assimilação de competências relativas à leitura e à escrita, nestes anos iniciais”, assumindo-‐se a premência desta questão pelo facto de ser sumamente investigado e conhecido que “a solidez das competências adquiridas ao nível da língua, nos anos iniciais, são cruciais para o futuro escolar dos alunos”. Ainda que nos ciclos de ensino subsequentes (2º e 3º) o problema não seja tão premente, continua ainda assim a ser alvo de preocupação, sendo importante contemplar uma intervenção a estes níveis. Isto torna-‐ se tão mais importante se tivermos em conta que, ainda que os resultados dos alunos vão melhorando nos anos subsequentes em função do esforço e da intencionalidade que são colocados na actividade letiva, outros aspectos contribuem de forma substancial para a amenização do impacto dos défices nestas áreas, nomeadamente os apoios concedidos aos alunos, quer por via do Regime Educativo Especial, quer por via de outras medidas que são disponibilizadas aos alunos, bem como o encaminhamento de um número substancial de alunos para vias de ensino alternativas ao ensino regular (nomeadamente cursos vocacionais), criando, estas várias modalidades, enviesamentos que limitam uma completa compreensão das dificuldades patenteadas pelos alunos ao nível da proficiência nas competências de leitura e de escrita ou que, por outro lado, moderam o impacto das mesmas nos resultados escolares dos alunos.
2. Objetivos:
● Promover uma intervenção de caráter individualizado, sistematizado e o mais precoce possível relativamente às dificuldades de leitura e de escrita, manifestadas pelos alunos;
● Desenvolver uma intervenção especializada, direccionada, dentro do possível, para as dificuldades específicas de cada aluno;
● Melhorar significativamente as competências de leitura e de escrita dos alunos abrangidos por esta intervenção;
● Contribuir para a melhoria dos resultados escolares dos alunos, não só na disciplina de Português mas, de igual modo, em todas as disciplinas que requerem o recurso a estas competências.
3. Metodologia:
Para atingir este desiderato, considera-‐se importante realizar uma intervenção tanto ao nível do 1º ciclo – no sentido de potenciar uma identificação e remediação precoce de dificuldades ao nível da leitura e da escrita – como ao nível do 2º ciclo – como forma de ajudar os alunos a obviar dificuldades específicas e a atingir maiores níveis de proficiência nessas competências.
Ao nível do 1º ciclo, considera-‐se que se deverá fazer incidir a intervenção, fundamentalmente, junto dos alunos de 2º e 3º ano, visto ser uma intervenção de âmbito precoce em que, não obstante, já houve um ano de escolarização formal, em que se propiciou a possibilidade de identificar eventuais dificuldades inesperadas. Importa referir que se considera que, em anos subsequentes, quando já houver outro tipo de substanciação do projecto, se deverá procurar, em termos de uma intervenção precoce nas dificuldades de leitura e de escrita, criar uma estrutura de avaliação e
despiste de eventuais dificuldades, numa lógica preventiva e não apenas remediativa, que incida sobre os alunos que se encontram na transição do ensino pré-‐escolar para o ensino básico.
A este nível, considera-‐se que a intervenção deverá ser organizada por turma, desenvolvendo-‐se ao longo de três tempos semanais (1 de OFC; 2 de Apoio ao Estudo), sendo que cada grupo não deverá conter mais que 5 alunos. A intervenção deverá ocorrer, fundamentalmente, em contexto extra sala de aula, como forma de potenciar os princípios de individualização, sistematicidade e intensidade, aos quais a intervenção deverá estar subordinada.
Ao nível do 2º ciclo, propõe-‐se que a intervenção incida, principalmente, junto dos alunos de 5º e 6º ano. A este nível, considera-‐se que a intervenção deverá ser organizada, também, por turma, embora se possam conjugar alunos de diferentes turmas, caso as características individuais dos mesmos não se constituam como um obstáculo, os horários destinados à intervenção coincidam e o número limite de alunos por grupo não seja excedido. A intervenção desenvolver-‐se-‐á ao longo de dois tempos semanais (Apoio ao Estudo), sendo que cada grupo não deverá conter mais que 5 alunos. Tal como com os alunos de 1º ciclo, a intervenção deverá ocorrer, fundamentalmente, em contexto extra sala de aula, como forma de potenciar os princípios de individualização, sistematicidade e intensidade, aos quais a intervenção deverá estar subordinada.
4. Critérios de seleção dos alunos para integrar o projeto:
● Alunos que comprovadamente possuam diagnóstico de Dificuldades Especificas de Aprendizagem ao nível da leitura e da escrita;
● Outros alunos com claro compromisso das competências de leitura e de escrita, independentemente de se encontrarem ou não integrados no Regime Educativo Especial, excluindo alunos com Currículo Educativo Individual (CEI);
● No caso dos alunos que não estejam abrangidos pelo Regime Educativo Especial, deverá haver, previamente à sua integração no projecto, uma avaliação diagnóstica que identifique os seguintes requisitos:
● Dificuldades ao nível da descodificação (inferior a 80% de acertos);
● Atraso na velocidade de leitura (um ou mais anos, de acordo com as metas definidas pelo Ministério da Educação para o respetivo nível de escolaridade);
● Dificuldades na compreensão leitora (inferior a 60% de acertos); ● Dificuldade em estruturar frases;
● Constância de erros ortográficos (inferior a 80% de acertos).
Nota: Os professores de português/titulares de turma, selecionam 5 alunos por turma, de acordo com os critérios atrás referidos. Esta seleção realizar-‐se-‐á a partir dos resultados obtidos na avaliação diagnóstica (para alunos que não estão abrangidos pelo REE).