COMISSÃO EUROPEIA
Bruxelas, 31.1.2012 SEC(2011) 1546 final
DOCUMENTO DE TRABALHO DOS SERVIÇOS DA COMISSÃO
RESUMO DA AVALIAÇÃO DE IMPACTO
que acompanha o documento Proposta de
DIRECTIVA DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO
que altera as Directivas 2000/60/CE e 2008/105/CE no que respeita às substâncias prioritárias no domínio da política da água
{COM(2011) 876 final} {SEC(2011) 1547 final}
Exoneração de responsabilidade: Este resumo vincula apenas os serviços da Comissão que
participaram na sua elaboração e não condiciona a forma final das decisões que a Comissão venha a tomar.
1. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA 1.1. Contexto
A Directiva 2000/60/CE (Directiva-Quadro Água) estabelece um quadro geral de protecção das águas de superfície e das águas subterrâneas e define diversos objectivos ambientais, entre os quais melhorar os estados químico e ecológico das águas e evitar a deterioração desses estados. Para se encontrarem num bom estado químico, as massas de água devem cumprir as normas de qualidade ambiental (NQA) estabelecidas para determinados produtos químicos – as chamadas «substâncias prioritárias» –, que a Directiva-Quadro Água considera representarem um risco para o meio aquático, ou por intermédio deste, ao nível da União Europeia. Algumas substâncias prioritárias estão identificadas como substâncias perigosos prioritárias, devido à sua persistência, bioacumulação e/ou toxicidade ou ao nível equivalente de preocupação que suscitam. Além do objectivo do bom estado químico, a Directiva-Quadro Água requer a adopção de medidas de controlo destinadas a reduzir gradualmente as substâncias prioritárias e a cessar ou eliminar por fases as descargas, emissões e perdas de substâncias perigosas prioritárias para o meio aquático. Actualmente, as medidas de controlo são tomadas pelos Estados-Membros. As medidas ao nível da UE assentam noutros dispositivos legislativos (sistema REACH, produtos fitofarmacêuticos, produtos biocidas). A Directiva-Quadro Água admite ainda derrogações do bom estado químico em determinadas massas de água, por razões ligadas a critérios de viabilidade técnica e de desproporção de custos, bem como às condições naturais.
A Directiva-Quadro Água estabelece (no artigo 16.º, n.º 4) que a Comissão proceda à revisão da lista de substâncias prioritárias pelo menos de quatro em quatro anos. A Directiva 2008/105/CE (Directiva Normas de Qualidade Ambiental) incumbe (no artigo 8.º) a Comissão de apresentar em 2011, ao Parlamento Europeu e ao Conselho, um relatório sobre os resultados da primeira revisão efectuada. No âmbito dessa revisão, a Comissão deve examinar, nomeadamente, as substâncias indicadas no anexo III da directiva, para eventual aditamento à lista. Caso se justifique, deve igualmente identificar novas substâncias prioritárias ou novas substâncias perigosas prioritárias, estabelecer normas de qualidade ambiental para as águas de superfície, os sedimentos ou a biota, conforme se revele mais adequado, e rever as substâncias prioritárias actuais. Prevê-se que as propostas de novas substâncias e de alterações relativas às substâncias actuais tenham incidências na actualização de 2015 dos planos de gestão de bacia hidrográfica1 e dos programas de medidas.
A revisão prevista foi efectuada com o apoio do grupo de trabalho E (Aspectos Químicos) no âmbito da estratégia comum de aplicação da Directiva-Quadro Água2, tendo participado todos
os Estados-Membros e múltiplas organizações interessadas3. Tratou-se de um exercício técnico-científico que incluiu a identificação dos riscos que os produtos químicos representam para o meio aquático e o estabelecimento de NQA para os mesmos. O Comité Científico dos Riscos para a Saúde e o Ambiente (CCRSA4) foi chamado a emitir parecer sobre a
1 Em inglês «RBMP».
2 http://ec.europa.eu/environment/water/water-framework/objectives/pdf/strategy.pdf.
3 Ver, em http://ec.europa.eu/transparency/regexpert/detailGroup.cfm?groupID=371, «Sub-groups» e
«Priority Substances»
4 O CCRSA é um dos comité científicos independentes de aconselhamento da Comissão. É constituído
metodologia de estabelecimento das normas de qualidade ambiental e as NQR assim determinadas. A avaliação de impacto dá por adquiridos os resultados dos trabalhos técnico-científicos.
Durante a revisão da lista de substâncias prioritárias, foram identificados alguns possíveis melhoramentos a introduzir no funcionamento da Directiva Normas de Qualidade Ambiental e ponderado um mecanismo destinado a facilitar a identificação de novas substâncias prioritárias em futuras revisões, os quais são apresentados neste resumo sob a forma de conjuntos de opções. A opção privilegiada consiste, portanto, num pacote de opções.
1.2. Qual é a questão que exige medidas?
São três as questões principais que exigem medidas:
i) A disponibilidade de novos dados sobre os riscos associados às substâncias prioritárias actuais e a novos produtos químicos. Estão constantemente a surgir produtos químicos novos, pelo que nem todos foram tidos em conta na primeira identificação de substâncias prioritárias. Por outro lado, no caso dos que já foram examinados, podem surgir novos dados.
ii) O facto de alguns produtos químicos mais nocivos já constantes da lista de substâncias prioritárias ou propostos para aditamento a essa lista5 serem substâncias persistentes, bioacumuláveis e tóxicas (PBT) muito disseminadas. As medidas já tomadas em relação a essas substâncias reduziram muito significativamente as emissões. Todavia, devido às propriedades que têm, à utilização generalizada que delas foi feita e ao potencial comum para serem transportadas a longa distância, algumas das substâncias em causa ainda são detectadas no meio aquático, sobretudo nos sedimentos e/ou na biota, em concentrações acima nas NQA. A consequência disso são incumprimentos generalizados do objectivo do bom estado químico. É necessário ponderar três subquestões:
• Questões relativas à apresentação: o incumprimento generalizado das NQA no que respeita às substâncias PBT muito disseminadas oculta as melhorias conseguidas em relação a outras substâncias, porque a Directiva-Quadro Água estabelece que o estado químico das massas de água seja comunicado com base em todas as substâncias prioritárias.
• Escolha da matriz de monitorização (água, sedimentos ou biota): a Directiva Normas de Qualidade Ambiental admite presentemente que os Estados-Membros escolham a matriz para cada substância prioritária. As substâncias PBT tendem a acumular-se nos sedimentos e/ou na biota e podem ser praticamente indetectáveis na água, mesmo recorrendo às técnicas analíticas mais avançadas. Os Estados-Membros que aplicam uma NQA «água» podem atribuir inadequadamente a massas de água a classificação de «bom estado químico», mesmo que os sedimentos e/ou a biota contenham níveis de substâncias prioritárias que ainda representem um risco.
• Redução do esforço de monitorização das substâncias PBT muito disseminadas: o mais provável é que as modificações de concentração destas substâncias no ambiente só se manifestem a longo prazo, sendo assim justificável uma frequência de monitorização mais baixa e menos locais de monitorização, em relação ao normalmente exigido na Directiva-Quadro Água.
5 As substâncias persistentes, bioacumuláveis e tóxicas constantes da lista de substâncias prioritárias são,
iii) O facto de os dados de monitorização adequados de que se dispõe serem insuficientes para avaliar a exposição às substâncias e, consequentemente, para identificar novas substâncias prioritárias em futuras revisões. Foi constituída uma base de dados de monitorização muito vasta para o presente exercício de identificação de substâncias prioritárias, mas pode fazer-se mais para quebrar o círculo vicioso que leva a que, a menos que a substância já esteja regulamentada, seja improvável a sua monitorização generalizada. Ora, não sendo a substância monitorizada e não podendo, por isso, estabelecer-se modelos fiáveis das suas concentrações no ambiente, a estimativa do risco que a substância representa ao nível da UE pode não ter solidez suficiente para justificar a adopção de regulamentação.
2. ANÁLISE DA SUBSIDIARIEDADE
O carácter transfronteiriço da poluição aquática é muito importante, pois 60 % do território da UE situam-se em bacias hidrográficas partilhadas (CE, 2007). A política da União para o controlo da poluição das águas de superfície é estabelecida no artigo 16.º da Directiva-Quadro Água, o qual, juntamente com o artigo 8.º da Directiva Normas de Qualidade Ambiental, constitui a base para o estabelecimento da lista de substâncias prioritárias e as revisões da mesma. As questões conexas objecto das diversas opções dizem respeito ao funcionamento da legislação.
3. OBJECTIVOS
O quadro seguinte indica os objectivos gerais e específicos correspondentes a cada problema, subproblema e opção:
Problema Subproblema Objectivo geral Objectivos específicos Opções
Substâncias actuais
Ter em conta os conhecimentos científicos mais recentes.
Melhorar os conhecimentos (sobre os riscos e a eficácia das medidas tomadas para reduzir ou eliminar as emissões) através da monitorização.
A2 Novos dados sobre
riscos para o ambiente e para a saúde pública
Substâncias propostas
Reduzir os riscos para o meio aquático, ou por intermédio deste, associados a certas substâncias.
Identificar novas substâncias de risco e estabelecer NQA para as mesmas.
Melhorar os conhecimentos (como se refere acima) através da monitorização.
A3a-A3c
Questões
relativas à apresentação
Melhorar a comunicação dos progressos no domínio da qualidade da água no âmbito da aplicação da Directiva-Quadro Água. B2a-B2b Dificuldades específicas ligadas às substâncias PBT muito disseminadas Escolha da matriz Melhorar o funcionamento da Directiva Normas de
Qualidade Ambiental. Reforçar a legislação actual relativa à escolha da matriz mais adequada para monitorização.
Problema Subproblema Objectivo geral Objectivos específicos Opções
Esforço de monitorização
Reduzir os custos administrativos a cargo dos Estados-Membros flexibilizando mais a monitorização das substâncias PBT muito disseminadas, sem comprometer a eficácia da monitorização.
B4a-B4b
Base de
conhecimentos - Dispor de ferramentas adequadas para melhorar a futura identificação de substâncias preocupantes para o meio aquático, ou por intermédio deste, ao nível da UE.
Dispor de um mecanismo que permita melhorar a base de conhecimentos e ganhar eficácia na futura identificação de substâncias prioritárias.
C2-C3
4. OPÇÕES ESTRATÉGICAS
4.1. Opções estratégicas relativas às substâncias
O primeiro conjunto de opções estratégicas diz respeito à inclusão de substâncias no anexo X da Directiva-Quadro Água, à atribuição ou modificação do estatuto respectivo (substância prioritária ou substância perigosa prioritária) e à revisão ou estabelecimento de normas de qualidade ambiental para as substâncias em causa. As opções baseiam-se integralmente nos resultados do trabalho técnico dos peritos. Os seus efeitos são teoricamente crescentes e são cumulativos, sendo os fármacos contemplados em último lugar porque até, à data, não foram regulamentados pela Directiva-Quadro Água. A opção A1 corresponde à manutenção, sem alterações, da lista vigente.
Opção Substância Modificação
ou estabelecimen to de uma NQA para a água Proposta de NQA para a biota Modificaçã o do estatuto de substância prioritária ou identificaçã o como substância perigosa prioritária
Antraceno SIM NÃO NÃO Éteres difenílicos
polibromados SIM* SIM NÃO Ftalato de di(2-etil-hexilo) NÃO NÃO SIM Chumbo SIM NÃO NÃO Naftaleno SIM NÃO NÃO
Opção A2:
Modificação da NQA e/ou do estatuto de substâncias prioritárias actuais
Opção Substância Modificação ou estabelecimen to de uma NQA para a água Proposta de NQA para a biota Modificaçã o do estatuto de substância prioritária ou identificaçã o como substância perigosa prioritária Hidrocarbonetos aromáticos policíclicos Benzo(a)pireno SIM* Benzo(b)fluoranteno SIM* Benzo(k)fluoranteno SIM* Indeno(1,2,3-cd)pireno SIM* SIM
Benzo(g,h,i)perileno SIM* NÃO NÃO
Fluoranteno SIM* SIM NÃO Trifluralina NÃO NÃO SIM Dicofol SIM SIM SIM Ácido perfluorooctanossulf
ónico e seus derivados (PFOS)
SIM SIM SIM
Quinoxifena SIM NÃO SIM
Opção A3a:
Modificações relativas a substâncias prioritárias
existentes e (determinadas)
substâncias do anexo III
Dioxinas e bifenilos policlorados com propriedades toxicológicas
semelhantes às das dioxinas
Opção Substância Modificação ou estabelecimen to de uma NQA para a água Proposta de NQA para a biota Modificaçã o do estatuto de substância prioritária ou identificaçã o como substância perigosa prioritária
Aclonifena SIM NÃO NÃO Bifenox SIM NÃO NÃO Cibutrina SIM NÃO NÃO Cipermetrina SIM NÃO NÃO Diclorvos SIM NÃO NÃO Hexabromociclododecano SIM SIM SIM Heptacloro e epóxido de
heptacloro
SIM SIM SIM
Opção A3b:
Modificações relativas a substâncias prioritárias
existentes e (determinadas)
substâncias do anexo III e outras novas substâncias, excluindo fármacos
Terbutrina SIM NÃO NÃO 17α-Etinilestradiol (EE2) SIM NÃO NÃO 17β-Estradiol (E2) SIM NÃO NÃO
Opção A3c:
Modificações relativas a substâncias prioritárias
existentes e (determinadas)
substâncias do anexo III e outras novas substâncias, incluindo fármacos
Diclofenac SIM NÃO NÃO
No caso das substâncias prioritárias actuais, SIM* significa uma modificação da NQA superior a uma ordem de grandeza. As outras modificações de NQA para substâncias prioritárias actuais (assinaladas apenas com SIM) são reduzidas.
4.2. Opções estratégicas relativas às substâncias PBT muito disseminadas e à base de conhecimentos
Os três subproblemas associados às substâncias PBT muito disseminadas são objecto das subopções B2a, B2b, B3a, B3b, B4a e B4b. Estas subopções, as opções A2 a A3c, relativas às substâncias, e as opções C2 e C3, relativas à base de conhecimentos, são independentes. As opções B3a e B3b são aplicáveis a qualquer substância prioritária e não apenas às substâncias PBT muito disseminadas.
Opção Descrição
B1: Sem alterações Nenhuma alteração do funcionamento actual da Directiva Normas de
Qualidade Ambiental nem da Directiva-Quadro Água.
Opção Descrição apresentar separadamente as
substâncias PBT muito disseminadas
muito disseminadas separadamente das restantes substâncias prioritárias e substâncias perigosas prioritárias nas avaliações relativas aos seus planos de gestão de bacia hidrográfica, continuando, porém, a incluir as referidas substâncias PBT na avaliação do estado químico e nas avaliações globais.
B2b: Exclusão das substâncias PBT muito disseminadas na avaliação do estado químico
Exclusão total das substâncias PBT muito disseminadas da avaliação do estado químico, mantendo, porém, a obrigatoriedade de monitorização e de comunicação das tendências de evolução. Reúnem-se condições de bom estado químico se as NQA aplicáveis às outras substâncias prioritárias forem cumpridas.
B3a: Escolha da matriz associada à sensibilidade analítica
Possibilidade de os Estados-Membros escolherem a matriz, salvo se o método de análise disponível cumprir os critérios de desempenho6 numa matriz
determinada, mas não na(s) outra(s), ou se nenhum método de análise cumprir os critérios de desempenho, mas o desempenho do método em causa, ao ser aplicado a uma dada matriz, for significativamente melhor do que na sua aplicação às outras, existindo uma NQA ao nível da UE para, pelo menos, a matriz na qual o desempenho for melhor.
B3b: Matriz fixa Estabelecimento para cada substância, sem possibilidade de opção, ao nível
da UE, da matriz para monitorização e verificação do cumprimento das normas.
B4a: Possibilidade de redução
condicionada da monitorização das substâncias
PBT muito disseminadas
Redução das obrigações de monitorização no caso das substâncias PBT muito disseminadas se forem cumpridas determinadas condições: suficiente informação relativa à presença da substância em causa nas massas de água (nomeadamente nos sedimentos e/ou na biota), dispondo-se de dados de base de monitorização sólidos.
B4b: Possibilidade de redução não condicionada da monitorização das substâncias PBT muito disseminadas
Especificação sem condições, na Directiva Normas de Qualidade Ambiental, de requisitos de monitorização reduzidos para as substâncias PBT muito disseminadas.
C2: Base de conhecimentos: lista de vigilância sem obrigatoriedade legal
Estabelecimento de um mecanismo voluntário de monitorização das substâncias que possam representar um risco para o meio aquático, ou por intermédio deste, ao nível da UE, por recurso a uma lista dinâmica (inclusão e exclusão regulares de substâncias), a fim de obter dados de monitorização em toda a UE de elevada qualidade para o processo de identificação de substâncias prioritárias. Prevê-se que a lista contenha sempre cerca de 20 substâncias, que os Estados-Membros monitorizariam em 250 a 300 locais representativos espalhados pela UE, de acordo com orientações técnicas a acordar.
C3: Base de conhecimentos: lista de vigilância com obrigatoriedade legal
Estabelecimento do mecanismo descrito em C2, mas ficando os Estados-Membros sujeitos a uma obrigação legal de monitorização.
6 A Directiva 2009/90/CE da Comissão estabelece que os Estados-Membros devem utilizar métodos de
análise que cumpram determinados critérios mínimos de qualidade relativamente às NQA. Se não existirem métodos que cumpram esses critérios mínimos, deve recorrer-se às melhores técnicas
5. AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS
5.1. Impactos das opções relativas às substâncias
Opção Impactos positivos Impactos negativos
A2 Conhecimentos mais sólidos e de melhor
qualidade sobre a dimensão dos riscos e coerência com os progressos científicos mais recentes, permitindo que, ao nível dos Estados-Membros e no âmbito de outras políticas, se tomem as medidas necessárias para reduzir os riscos associados a estas substâncias.
Melhor protecção da saúde pública e da biodiversidade no meio aquático.
Custos potencialmente elevados de adaptação de algumas unidades industriais e estações de tratamento de águas residuais urbanas (no caso do níquel) para cumprir a NQA-MA de 2 μg/l, em função das condições locais (no Reino Unido, os investimentos ao longo do ciclo de vida são estimados em 2000 milhões de euros, mais o consequente agravamento dos custos de funcionamento). Se a NQA-MA for fixada em 4 μg/l, os custos serão mais baixos.
A3a Além dos acima indicados: Informações
adicionais sobre o risco associado às substâncias suplementares e a eficácia das medidas correspondentes.
Obtenção de dados e informações com muito interesse para as decisões políticas no domínio dos produtos fitofarmacêuticos, dos produtos químicos, das emissões industriais e dos resíduos. Protecção acrescida da saúde pública e da biodiversidade no meio aquático.
Consoante as condições locais, custos potencialmente elevados de adaptação de algumas unidades industriais e estações de tratamento de águas residuais urbanas (no caso do níquel).
Custos adicionais de monitorização de 4 a 9,6 milhões de euros anuais no conjunto da UE.
Custos de substituição da quinoxifena, se tal não estiver previsto de base.
A3b Além dos acima indicados: Obtenção de
dados e informações com muito interesse para as decisões políticas no domínio dos produtos biocidas.
Protecção acrescida da saúde pública e da biodiversidade no meio aquático.
Custos adicionais cumulativos de monitorização (em acréscimo aos da opção A2) de 12 a 28,8 milhões de euros anuais no conjunto da UE.
Em acréscimo aos custos da opção A3a não relacionados com monitorização: custos potenciais de substituição (da cibutrina e da terbutrina, se necessário; eventualmente da cipermetrina, na criação de salmões).
A3c Além dos acima indicados: Melhor
informação sobre a extensão da poluição por fármacos e adopção de NQA ao nível da UE para servirem de referência na eventual adopção de medidas pelos Estados-Membros.
Protecção acrescida da saúde pública e da biodiversidade no meio aquático.
Custos adicionais cumulativos de monitorização (em acréscimo aos da opção A2) de 15 a 36 milhões de euros anuais no conjunto da UE.
Em acréscimo aos custos da opção A3b não relacionados com monitorização: possíveis custos de adaptações adicionais em estações de tratamento de águas residuais urbanas, para remover o 17β-estradiol (E2), se isso for necessário no local e a opção A2 não for suficiente para o garantir, e para reduzir as emissões de 17β-estradiol de origem pecuária para o meio aquático.
No caso das opções que incluem mais substâncias, os custos de monitorização estão provavelmente sobrestimados, uma vez que, por exemplo, os custos da colheita de amostras aumentam em proporção inferior ao aumento do número de substâncias.
5.2. Impactos das opções relativas às substâncias PBT muito disseminadas e à base de conhecimentos
Opção Impactos positivos Impactos negativos
B2a Mais fácil demonstração, pelos Estados-Membros,
da redução da poluição devida a outras substâncias prioritárias, apesar dos insucessos no caso das substâncias PBT muito disseminadas. Manutenção da segurança jurídica, por não se alterar a definição de estado químico.
Nenhum impacto negativo importante previsível, embora os Estados-Membros possam divergir na abordagem.
B2b Maneira muito simples de permitir que os
Estados-Membros demonstrem progressos na redução da poluição por outras substâncias prioritárias.
Menor protecção do ambiente, por falta de normas de qualidade ambiental ao nível da UE e de incentivos à adopção de medidas. Insegurança jurídica.
B3a Avaliação do estado químico mais harmonizada e
melhor percepção da extensão do problema. Flexibilidade para adaptar rapidamente as estratégias de monitorização a novas técnicas analíticas.
Possibilidade de custos de adaptação limitados no caso dos Estados-Membros sem experiência na monitorização e análise em determinadas matrizes. Falta de segurança jurídica se não existir nenhum método de análise normalizado para certas substâncias.
B3b Elevado nível de harmonização da avaliação do
estado químico e boa percepção da extensão do problema. Segurança jurídica.
Possibilidade de custos de adaptação no caso dos Estados-Membros sem experiência na monitorização e análise em determinadas matrizes. Impossibilidade de adaptação rápida a novas técnicas analíticas.
B4a Poupança de 0,8 a 2,9 milhões de euros por ano na
UE. Nenhum impacto negativo importante previsível.
B4b Poupança de 0,8 a 2,9 milhões de euros por ano na
UE. Risco de certos pontos sensíveis ou tendências indesejáveis não serem detectados.
C2 Boas possibilidades de, pelo menos parcialmente,
se conseguirem obter dados de monitorização ao nível da UE adequados para servirem de base à identificação de substâncias prioritárias.
Custos de monitorização de 2 a 4 milhões de euros por ano na UE. Custos associados à elaboração de especificações técnicas para a monitorização (menos de 0,2 milhões de euros por ano para o conjunto da UE).
C3 Uma obrigação legal aumentaria a probabilidade de
se obterem resultados conformes com o objectivo – sem ela, os Estados-Membros darão, provavelmente, prioridade a (outras) obrigações legais nos seus orçamentos.
Como para a opção C2, mais um pequeno acréscimo de custos administrativos na Comissão Europeia.
6. COMPARAÇÃO DAS OPÇÕES
6.1. Comparação das opções relativas às substâncias
No que respeita à eficácia na consecução dos objectivos, a opção mais ampla (A3c) é a que mais tem em conta os últimos dados científicos incluídos na revisão. Melhora bastante o conhecimento dos riscos associados a todas as novas substâncias identificadas e optimiza a protecção contra esses riscos. Não é proposta nenhuma medida suplementar ao nível da UE.
As medidas que se revelem necessárias serão muito provavelmente tomadas ao nível local, embora possam vir a ser tomadas oportunamente medidas ao nível da UE, no quadro de outros dispositivos legislativos, caso os dados provenientes da monitorização o venham a aconselhar. A linha de base incorpora as medidas vigentes e as decisões esperadas no quadro de outros dispositivos legislativos da UE.
Não são de prever custos desproporcionados ao nível da UE. Caso surjam localmente, poderá recorrer-se às derrogações previstas na Directiva-Quadro Água para determinadas massas de água, desde que estejam preenchidas as condições estabelecidas nessa directiva.
6.2. Comparação das opções relativas às substâncias PBT muito disseminadas e à base de conhecimentos
Opção Eficácia Eficiência Coerência Pontuação
global
B1 0 0 0 0
Opções relativas à apresentação
B2a ++
Evita a questão da apresentação, embora, formalmente, o estado químico ainda seja afectado pelas substâncias PBT muito disseminadas.
++
Não implica custos significativos; carga administrativa reduzida para os
Estados-Membros. + Coerente com a Directiva-Quadro Água, permitindo maior flexibilidade na apresentação. +++++ B2b + Ultrapassa completamente a questão da apresentação, mas compromete o objectivo de reduzir os riscos associados a determinadas substâncias.
++
Não implica custos significativos; carga administrativa reduzida para os
Estados-Membros.
--
Incoerente com a Directiva-Quadro Água e com a política seguida no domínio dos produtos químicos.
+
Opções relativas à matriz de monitorização
B3a ++
Forte incentivo à utilização da matriz mais adequada. Contribui para melhorar o conhecimento dos riscos associados às substâncias e para a eficácia das medidas. Permite ter em conta a situação local. Possível défice de segurança jurídica, caso não existam normas analíticas internacionais.
+
A manutenção de uma certa flexibilidade permitiria que os Estados-Membros fizessem as adaptações necessárias às circunstâncias locais e à tradição/experiência. Custos de adaptação moderados em alguns Estados-Membros.
+
Reforça o papel da Directiva 2009/90/CE.
Contribui para uma melhor avaliação da eficácia das medidas tomadas noutros domínios.
++++
B3b ++
Forte incentivo à utilização da matriz mais adequada. Contribui para melhorar o conhecimento dos riscos associados às substâncias e para a eficácia das medidas. Não é possível ter em conta situações locais. Segurança jurídica.
-
Custos de adaptação mais elevados nos Estados-Membros sem tradição/experiência de monitorização na biota.
≈
Menor flexibilidade na adaptação à evolução das técnicas analíticas. Pode dificultar a evolução de técnicas analíticas para outras matrizes.
Opções relativas à redução da monitorização
B4a +
Reduz a carga administrativa e os custos de monitorização a
suportar pelos Estados-Membros.
+
Garante uma linha de base de
monitorização sólida, contribuindo assim para um bom
conhecimento dos riscos que as substâncias PBT muito disseminadas representam para o meio aquático, ou por intermédio deste.
≈ ++
B4b +
Reduz a carga administrativa e os custos de monitorização a
suportar pelos Estados-Membros.
≈
Não garante uma linha de base de monitorização sólida em todos os Estados-Membros, pelo que não assegura um bom conhecimento dos riscos que as substâncias PBT muito disseminadas representam para o meio aquático, ou por intermédio deste.
≈ +
C2 +
Melhoria do conhecimento, mas passível de implicar importantes lacunas de dados (cobertura
incompleta dos Estados-Membros) e um défice
de adesão às especificações técnicas, devido ao carácter voluntário.
+
Relação custo-benefícios prejudicada pelas previsíveis lacunas de dados.
NA ++
C3 ++
Melhoria do conhecimento e provável cobertura harmonizada de todos os Estados-Membros ou da maior parte deles.
++
Proporciona séries de dados específicos de alta qualidade ao nível da UE, adequados para a identificação de substâncias prioritárias.
NA ++++
Quantificação do impacto, comparativamente ao cenário de base (a linha de base corresponde a 0): ++ muito positivo; + positivo; – – muito negativo; – negativo; ≈ insignificante/neutro; NA: não aplicável.
6.3. Resumo das opções privilegiadas e dos impactos correspondentes
Opções privilegiadas: A3c – todas as substâncias;
B2a – flexibilidade na apresentação relativamente às substâncias PBT muito disseminadas; B3a – escolha da matriz associada à sensibilidade analítica;
B4a – possibilidade de redução condicionada da monitorização das substâncias PBT muito disseminadas;
Estas opções seriam adoptadas através da alteração da Directiva 2008/105/CE (Directiva Normas de Qualidade Ambiental) e do anexo X da Directiva-Quadro Água. Resumem-se no quadro seguinte as vantagens, os custos e os efeitos distributivos correspondentes, relativamente à situação de base, tendo em atenção as interacções entre as diversas opções. Vantagens
• São tidos em conta todos os dados científicos mais recentes examinados;
• Os Estados-Membros são incentivados a efectuar a monitorização na biota, quando for essa a melhor opção; • Obtém-se uma perspectiva mais exacta da poluição associada às substâncias PBT muito disseminadas;
• Melhoria significativa do conhecimento dos riscos associados às 15 substâncias identificadas como prioritárias e a todas as substâncias PBT muito disseminadas que fazem parte das substâncias prioritárias actuais, bem como da eficácia das medidas aplicadas a essas substâncias, possibilitando a introdução/melhoria de medidas ao nível da UE e dos Estados-Membros, uma melhor orientação da remediação do estado dos sedimentos e a optimização da protecção contra os riscos identificados, o que é vantajoso para a biodiversidade e para a saúde pública;
• As medidas aplicadas para reduzir os riscos associados a determinadas substâncias (o níquel, por exemplo), reduzem também os riscos associados a outras substâncias – caso do 17β-estradiol (E2);
• A harmonização das NQA para mais substâncias permite que as empresas dos diversos Estados-Membros beneficiem de condições de concorrência mais equitativas;
• Redução da carga administrativa associada à necessidade de explicar o incumprimento do objectivo do estado químico devido às substâncias PBT muito disseminadas; transmissão de informações mais claras à população; • Poupanças previsíveis na monitorização de substâncias PBT muito disseminadas, que podem ser investidas na
melhoria da base de informações para futuros exercícios de identificação de substâncias prioritárias (lista de vigilância).
Custos
• Custos adicionais de monitorização para as autoridades públicas;
• Custos para as autoridades públicas e as empresas privadas, previsivelmente repercutidos nos consumidores, ligados a tratamentos adicionais nas ETAR para remover o níquel e o 17β-estradiol (E2), custos para as empresas ligados à redução dos focos de emissões industriais de níquel e custos para as explorações pecuárias ligados à instalação de cercas para manter os animais afastados dos cursos de água, a fim de reduzir as emissões de E2 para o meio aquático, embora alguns destes custos possam enquadrar-se noutros dispositivos legislativos;
• Custos eventuais – não estimados, mas previsivelmente pouco significativos –, de substituição da quinoxifena, caso a autorização desta substância não seja, de qualquer modo, revogada no quadro da legislação relativa aos produtos fitofarmacêuticos; estes custos podem recair nos produtores, nos formuladores, nos agricultores e/ou nos consumidores, consoante o sucedâneo por que se opte;
Principais efeitos distributivos
Resumem-se aqui os principais efeitos distributivos, excepto as vantagens genéricas ao nível ambiental e da saúde pública. Esses efeitos relacionam-se, na maior parte, com a opção privilegiada relativamente às substâncias (A3c), e não com as opções relativas aos outros objectivos gerais. Há incertezas quanto ao número dos efeitos que se inscreverão na situação de base.
Efeitos sectoriais
• Podem ocorrer na agricultura e no sector dos produtos fitofarmacêuticos, dado que o pacote de medidas privilegiadas abrange quatro produtos fitofarmacêuticos actualmente utilizados; todavia, a maior parte das medidas eventualmente necessárias é de prever na situação de base;
• Podem igualmente ocorrer no sector das águas, em consequência da necessidade de cumprir NQA mais rigorosas para o níquel e uma NQA para o 17β-estradiol (E2);
• Ocorrência previsível no sector público, devido à necessidade de monitorizar mais substâncias e, possivelmente, também de cobrir investimentos nas estações de tratamento de águas residuais urbanas (custo previsivelmente repercutido nos consumidores);
• Podem ocorrer noutros sectores, como a aquicultura, a construção, a indústria metalúrgica, os transportes e o tratamento de resíduos, mas não se prevê que sejam significativos.
Efeitos específicos ao nível dos produtores e dos utilizadores
• Podem ocorrer ao nível dos produtores e dos formuladores de pesticidas e de biocidas, mas novamente na dependência da situação de base;
• Possíveis incidências na exportação de determinadas substâncias ainda produzidas na UE para exportação, nomeadamente o hexabromociclododecano e a trifluralina, embora essas exportações possam vir a cessar, de qualquer modo, na situação de base.
Efeitos específicos ao nível dos Estados-Membros e das regiões
• Possibilidade de ligeiros efeitos comerciais no caso das substâncias exportadas e importadas, mas em grande parte inscritos na situação de base;
• Possibilidade de ocorrência no caso dos produtos fitofarmacêuticos, pois alguns Estados-Membros utilizam-nos mais e existe nos seus mercados maior número de produtos;
• Possibilidade de efeitos relacionados com o consumo de fármacos, a extensão da costa, a existência de conurbações e a densidade destas, a intensidade da pecuária e as condições naturais com incidência na biodisponibilidade característicos do Estado-Membro ou região, relativamente aos outros Estados-Membros ou regiões.
Globalmente, as opções privilegiadas permitirão realizar de modo mais eficiente o maior número de objectivos, garantindo a coerência com a legislação vigente e evitando efeitos distributivos pronunciados não-equitativos.
7. CONTROLO E AVALIAÇÃO
A Directiva-Quadro Água prevê processos de controlo e de avaliação. Essa directiva prevê a monitorização regular das concentrações das substâncias prioritárias e das substâncias perigosas prioritárias no ambiente.