HUMANIZAÇÃO DO MORRER
UNIDADE DE CUIDADOS PALIATIVOS
HUMANIZAÇÃO DO MORRER
UNIDADE DE CUIDADOS PALIATIVOS
acadêmica orientadora departamento instituição turma
Este trabalho consiste no desenvolvimento de um anteprojeto arquitetônico para uma
Unidade de Cuidados Paliativos destinada a adultos e idosos na cidade de Joinville, SC.
Trata-se de planejar ambientes capazes de acolher e proporcionar melhor qualidade
de vida aos doentes terminais, assim como às suas famílias e à equipe profissional. O
projeto deverá integrar as necessidades do ambiente de saúde com as necessidades
físicas, psicológicas e espirituais dos usuários.
APRESENTAÇÃO
“Não se trata de saber como salvar vidas, mas de como propiciar uma boa
morte” Sérgio Carrara
Nos deparamos nas últimas décadas com inúmeras transformações tecnológicas e científicas na área da medicina. A vacinação erradicou muitas doenças e a evolução de tratamentos e medicações ajudaram a diminuir os índices de mortalidade e a aumentar a expectativa de vida. Com a nossa população envelhe-cendo, observamos o aumento do número de vítimas de tumores e doenças crônicas associadas à velhice.
Hoje morrer é muito solitário, mecânico e desumano. Grande parte disso decorre dessas evoluções tecnológicas, em que o paciente fica conectado a máquinas, não necessitando de um acompanhamento humano 24hs por dia. Muitas vezes, o doente espera sua morte em um leito de um hospital ouvindo apenas os equipamentos que o mantém vivo, privado da companhia de sua família e da atenção emocional e espi-ritual de um profissional.
Menezes (2004), em Em Busca da Boa Morte, relata as diferentes visões da morte. O modo como ela é tratada hoje na maioria das instituições de saúde é identificada como “morte moderna” e o tratamento ideal corresponde a “morte contemporânea”. No modelo da “morte moderna”, o doente que está morrendo é silenciado - não participa das decisões referentes à sua vida, doença e morte. Na rotina institucional do hospital moderno não há espaço para emoções, sejam dos médicos, dos doentes e dos familiares.
A instituição especializada em cuidados paliativos busca minorar o máximo possível a dor e os demais sintomas dos doentes e simultaneamente, possibilitar mais autonomia e independência aos mesmos. O ideal é que o paciente tenha controle do processo da morte, realizando escolhas com o suporte de uma equipe multidisciplinar. A “morte contemporânea” está vinculada ao direito de “morrer bem”, com autonomia e principalmente com dignidade.
Com o envelhecimento da população e o crescente debate em torno dos Cuidados Paliativos e da humanização do morrer, no contexto mundial e nacional, verifica-se a necessidade de materializar em pro-postas arquitetônicas os princípios do novo conceito da morte, objetivando a melhor “qualidade de vida” durante o tempo que resta aos enfermos. Trata-se de planejar ambientes de total suporte aos usuários, cen-trados em suas necessidades e anseios, oferecendo-os dignidade e mantendo a identidade social deles.
Ainda pouquíssimo presente no Brasil, a proposta de um centro especializado em Cuidados Paliativos já é realidade em muitos países do mundo. Por aqui, nossa rede pública sofre com uma grande carência den-tro do contexto do envelhecimento populacional. As instituições que atendem esses pacientes não possuem infraestrutura e equipe adequadas para atendê-los. Além disso, devido a grande demanda, a maioria dos asilos ou lares de idosos possuem filas e muitos deles nem aceitam pacientes enfermos.
O tema complexo e ainda muito novo foi escolhido através do meu interesse pessoal pela arquitetura hospitalar. Acredito que a arquitetura tenha um papel importantíssimo na humanização dos ambientes de saúde e neste tema em especial. Além de toda a complexidade de um edifício hospitalar, a sensibilidade necessária para trabalhar com a chegada da morte é um grande desafio.
INTRODUÇÃO AO TEMA E JUSTIFICATIVA
A MORTE E O MORRER
O cenário da morte e do morrer se configura de formas diferentes para cada cultura, socieda-de, comunidade e família. “Os aspectos diferenciais de cada modelo refere-se ao contexto social, ao sistema de autoridade regente, às concepções de corpo, morte e luto, e aos valores prevalecentes e crenças associadas à morte em cada conjuntura” (MENEZES, 2004, p. 21). As transformações sociais ao longo dos séculos alteraram a relação do homem com a morte e o morrer. Será analisada neste trabalho esSa relação no contexto da cultura ocidental.
Na Alta Idade Média havia uma intimidade entre o morrer e o cotidiano da sociedade, a morte era considerada e encarada como fase natural da vida. A “morte domada”, como denomi-nou Ariès (2003), era ritualizada, comunitária e enfrentada com dignidade e resignação. “A fami-liaridade com a morte espelhava a aceitação da ordem da natureza, na qual o homem se sentia inserido. Com a morte, o homem se sujeitava a uma das grandes leis da espécie e não cogitava em evitá-la ou exaltá-la: simplesmente a aceitava” (MENEZES, 2004, p. 26).
No século XII, já na Baixa Idade Média, a incerteza ganha espaço a partir do momento que a Igreja passa a intermediar o acesso da alma ao paraíso e o julgamento final. A morte deixa de ser encarada como natural e passa a ser uma punição. É nesta época que surge a ideia da “morte de si”, para Ariès ela é marcada pelo reconhecimento da finitude da própria existência. Têm-se as origens do Individualismo com a substituição gradativa dos túmulos coletivos por individuais, traduzindo o apego às coisas da vida.
Na Idade Moderna, a partir do século XVIII, a morte passa a ser romantizada. As igrejas dei-xaram de ser o local dos sepultamentos, que passam a ocorrer nos cemitérios. A individualização das sepulturas se concretiza, deixaram de ser anônimas e crescendo a preocupação com a demarcação do lugar. A morte era vivenciada de modo mais familiar e onipresente. “O nascimento e a morte tinham caráter público: constituíam acontecimentos sociais, vividos na e pela comunidade” (MENE-ZES, p. 2004, 29).
A partir do século XIX, a morte do outro se torna dramática e o luto ganha proporções exage-radas. A morte é apresentada de forma cruel e violenta marcada pela intolerância da perda e da separação. Essas mudanças causaram alterações nas perspectivas das pessoas em relação à morte, iniciando, a partir do século XX, o afastamento da morte do cotidiano, “transformando-a em tabu e privando o homem de sua própria morte” (MENEZES, 2004, p. 27).
A partir da segunda metade do século XX, é consolidada a exclusão da morte do contexto social através da transferência do local da morte. A morte em casa entre amigos e familiares é substituída pela morte solitária no ambiente hospitalar. O velório também deixa de ser realizado na casa da família e passa a ser uma cerimônia mais discreta seguida por um pe-ríodo reduzido de luto. O pepe-ríodo é marcado pela “morte interdita”, que tende a ocultar do moribundo a real gravidade do seu estado de saúde. Esta interdição busca poupá-lo do sofrimento, mas o impede de participar do processo que para muitos é um período de reflexão, reconciliação e bus-ca pela paz espiritual.
“Como outros fenômenos da vida social, o processo do morrer pode ser vivido de distintas formas, de acordo com os significados compartilha-dos por esta experiência. Os senticompartilha-dos atribuícompartilha-dos ao processo de morrer so-frem variação segundo o momento histórico e os contextos socioculturais. O morrer não é então apenas um fato biológico, mas um processo construído socialmente, que não se distingue das outras dimensões do universo das re-lações sociais” (MENEZES, 2004, p. 24).
Nossa cultura ocidental contemporânea baniu a morte para as insti-tuições hospitalares excluindo ela do convívio social. A morte se tornou cada vez mais temida, caracterizada pelo mistério, pela incerteza e, consequen-temente, pelo medo daquilo que não se conhece. O avanço do materialismo científico distanciou o homem da morte e de tudo o que pode ser natural, como o adoecer e o falhar. “Há uma mudança no sistema de valores, nas representações e nas sensibilidades contemporâneas relativas à morte e ao morrer” (MENEZES, 2004, p. 21).
A cultura ocidental passa a priorizar a preservação da felicidade. O excessivo apego à vida, característico da civilização industrial, acabou criando uma obsessão por estar sempre feliz, evitando tudo que possa cau-sar tristeza ou aborrecimento.
fonte: Flickr Philippe Meunier
fonte: Catraca Livre
A HUMANIZAÇÃO E OS AMBIENTES DE SAÚDE
As mudanças que ocorreram na medicina e na compreensão da saúde aliada às pesquisas na área de psicologia ambiental comprovaram o impacto positivo do ambiente acolhedor sobre a saúde e o bem-estar dos pacientes. Essas mudanças refletiram na arqui-tetura, e o termo “arquitetura humanizada” tornou-se cada vez mais frequente nos proje-tos da área. A relação entre o homem e o ambiente pode influenciar no bem-estar físico e mental dos usuários, ficando evidente a responsabilidade da arquitetura.
Os ambientes hospitalares nem sempre tiveram as funções e características pelas quais os identificamos hoje. “Até o século XVIII, o hospital era essencialmente uma instituição de assistência aos pobres, administrada por religiosos. [...] O objetivo de quem trabalhava no hospital não era fundamentalmente obter a cura do doente, mas alcançar sua própria salvação” (MENEZES, 2004, p.27).
No final do século XVIII, o hospital começou a ser visto como instrumento terapêutico. “A medicina, seu saber e sua instituição tornam-se referências centrais no que se refere a saúde, vida, sofrimento e morte”(MENEZES, 2004, p.28). Este processo resultou em meados do século XIX, na transferência do local da morte das residências para as instituições hospi-talares, e com isso a responsabilidade dos cuidados aos moribundos passou dos familiares para os médicos e funcionários do hospital.
Já no século XX, os hospitais e ambientes de saúde primaram pela funcionalidade, pela incorporação da tecnologia e pela assepsia. Estes fatores acabaram resultando em ambientes austeros, monótonos e pouco acolhedores. A partir dos anos 70, começa-se a questionar esse modelo de ambiente de saúde. Passa-se a entender que o local deve ser eficiente, mas ao mesmo tempo ser acolhedor e humanizado. De acordo com CLEMESHA, é nesta época que modelos multidimensionais, ou holísticos, de saúde ganharam espaço. Ne-les, a relação entre corpo, mente e espírito é reforçada e a saúde passa a ser tratada como um todo, não apenas a doença.
Paralelamente a esses conceitos, um processo de transformação cultural iniciado nos anos 60 introduz o conceito de psicologia ambiental através dos estudos de ambiente e comportamento. “Novos paradigmas para o estudo da percepção conduziram a uma visão mais complexa, subjetiva e criativa (ou interativa) da relação entre o homem e o ambien-te” (CLEMESHA, 2003, p.39).
O estresse pode ser o responsável pela causa ou agravamento de inúmeras doenças. O ambiente hospitalar naturalmente já é um gerador de estresse, tanto para o paciente quanto para os funcionários. A falta de familiaridade com o ambiente, a perda de independência, a separação da família, os pro-blemas financeiros e o medo de procedimentos são algumas situações que podem ocasionar estresse nos pacientes. Este estado ainda pode ser agravado pela sobrecarga ou falta de estímulos sensoriais, o des-conforto térmico, a discriminação social e frustações causadas pelo ambiente.
Ao projetarmos edificações mais saudáveis e humanizadas, devemos explorar o potencial tera-pêutico do ambiente construído dando ênfase para algumas características ambientais, como: a quali-dade do ar, o conforto térmico, acústico e lumínico, a privacidade, a transparência, o contato com a na-tureza e aos estímulos visuais de acordo com o tipo de ambiente, explorando as cores, texturas e formas.
Um ambiente bem projetado também é um estímulo para a equipe profissional e os familiares do paciente. A relação entre o ambiente e os fun-cionários quando bem explorada minimiza o estres-se, motiva o trabalho e estimula a empatia entre a equipe e o paciente, resultando assim, em um me-lhor atendimento e satisfação de todos. Para os fa-miliares, ambientes adequados para longas horas de espera de angustia e estresse, são essenciais e con-tribuem fundamentalmente para manter uma boa saúde mental e poder oferecer todo o suporte que o paciente necessita.
fonte: Heath Care Design Magazine fonte: Plataforma Arquitectura
fonte: Heath Care Design Magazine fonte: Parkin Architects Limited fonte: Heath Care Design Magazine fonte: Heath Care Design Magazine
NO BRASIL
NO BRASIL
DEFINIÇÃO E PRINCÍPIOS
DEFINIÇÃO E PRINCÍPIOS
OS CUIDADOS PALIATIVOS
Em 2002 a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu os Cuidados Paliativos como uma abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameacem a continuidade da vida, ou seja, doenças incuráveis ou graves, em fase avançada e progressiva. Para tanto, é necessário avaliar e controlar não somente a dor, mas, todos os sintomas de natureza física, social, psicológica e espiritual.
São entendidos por sintomas:
Físicos – dor, tosse, fadiga, febre, falta de ar, náuseas...
Sociais – necessidades de apoio da família, questões da alimentação, trabalho, moradia e relações interpessoais.
Psicológicos – preocupações, medos, tristeza, raiva, angústia, solidão...
Espirituais – questões do sentido da vida e da morte, necessidade de estar em paz. As ações paliativas compreendem medidas terapêuticas sem intuito curativo, tra-ta-se do gerenciamento dos sintomas atendendo as necessidades e anseios do paciente e de seus familiares. Os especialistas de cuidados paliativos, conhecidos como paliativistas, passam a tratar do doente e não mais de sua doença. Para isto, o tratamento deve reunir as habilidades de uma equipe multiprofissional incluindo desde médicos a fisiote-rapeutas e assistentes sociais.
Os cuidados paliativos têm como princípios o respeito à autonomia, à vontade, a individualidade, a dignidade do ser humano e a inviolabilidade da vida humana. Res-peita valores, crenças e práticas pessoais, culturais e religiosas. Consiste na afirmação da vida e do valor intrínseco de cada pessoa, considerando a morte como processo natural que não deve ser prolongado através da obstinação terapêutica. As famílias recebem apoio adequado à sua situação e necessidade, incluindo a facilitação do processo do luto.
Os maiores beneficiários têm sido os portadores de câncer em estágio avançado, mas o atendimento de cuidados paliativos também contemplam pacientes com: doen-ças cardiovasculares (excluindo mortes súbitas), cirrose do fígado, doendoen-ças pulmonares obstrutivas crônicas, diabetes, HIV / AIDS, insuficiência renal, esclerose múltipla, doença de Parkinson, artrite reumatóide, tuberculose fármaco-resistente (TB).
NO MUNDO
A precursora do que conhecemos hoje como Cuidados Paliativos foi a enfer-meira, médica e assistente social inglesa Cicely Saunders. Ela dedicou sua vida ao alívio do sofrimento humano e deu início ao que se chama hoje de Movimento Hos-pice Moderno ao fundar o primeiro HosHos-pice em Londres em 1967. O St. Christopher Hospice é reconhecido até hoje como um dos principais serviços no mundo em Cui-dados Paliativos e Medicina Paliativa . Na década de 1970, o encontro dos ideais de Cicely Saunders com os de Elisabeth Kübler-Ross, nos Estados Unidos, fez com que o Movimento também crescesse naquele país, hoje já são mais de 5 mil hospices nos Estados Unidos. Elisabeth foi uma psiquiatra que dedicou grande parte de sua vida aos estudos da morte e do morrer. Em seu principal livro Sobre a Morte e o Morrer, ela identifica fases nos períodos que antecedem a morte e cria métodos para que o fim da vida seja mais ameno para os pacientes, médicos e familiares.
O tema desde então tem ganhado espaço nas pesquisas e nos investimentos em saúde pública, mas ainda permanece carente ou inexistente na maior parte dos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. Segundo o Atlas Global dos Cuida-dos Paliativos no Fim da Vida (Global Atlas of Palliative Care at the End of Life), o primeiro relatório mundial sobre o tema, elaborado e divulgado pela OMS no início de 2014, apenas 20 países no mundo têm um sistema adequado de cuidados paliativos. O Brasil não é um deles.
No mapa abaixo podemos analisar os níveis de desenvolvimento de cuida-dos paliativos em tocuida-dos os países. Nota-se que o Brasil está classificado como nível 3a, caracterizado por fornecimentos isolados. Isso significa que o desenvolvimento destas atividades é desigual no território brasileiro e não tem estrutura de suporte adequada, além de ser destinado a uma parcela muito limitada da população.
No Brasil os cuidados paliativos estão começando a ganhar espaço. Em função do tamanho do país e das diferenças regionais, em termos de estrutura sanitária e diferenças culturais a respeito da morte, o processo é bem lento. Mas, nos últimos anos conseguiu maior reconhecimento pela sociedade e pelo governo.
Segundo a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) no Brasil, iniciativas isoladas e discussões a respeito dos Cuidados Pa-liativos são encontradas desde os anos 70. Contudo, foi nos anos 90 que começaram a aparecer os primeiros serviços organizados, ainda de forma experimental. Foi em 1996 que foi criado o primeiro serviço de Cuidados Paliativos no país, a Unidade IV no Instituto Nacional de Câncer do Rio de Janeiro – INCA.
A primeira tentativa de congregação dos paliativistas acon-teceu com a fundação da Associação Brasileira de Cuidados Palia-tivos – ABCP em 1997. Após 5 anos, em julho de 2002 os Cuidados Paliativos foram incluídos no Sistema Único de Saúde – SUS. Con-tudo, com a fundação da Academia Nacional de Cuidados Paliati-vos - ANCP em 2005, estas atividades deram um salto institucional enorme.
A Resolução 1805/2006 do Conselho Federal de Medicina, que trata da efetivação do direito de morrer com dignidade, regula-menta a prática da ortotanásia no Brasil. Esta resolução ganhou força de lei após a sentença do Ministério Público Federal em 2010 e deu visibilidade para o tema. Conforme o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a ortotanásia é a morte natural, normal. Este termo é usado na medicina em referência à interrupção de procedi-mentos e/ou medicações consideradas invasivas que adiam a morte de um paciente já considerado sem possibilidades de cura. Esta in-terrupção deve ser um desejo do paciente e de seus familiares.
Em entrevista em 2009, o então Ministro da Saúde José Gomes Temporão, afirma que “Os cuidados paliativos são essenciais em um sistema de saúde. Não são meras alternativas, mas complementos necessários dentro do ciclo da vida das pessoas”. Desta forma, vemos que o governo está ciente das necessidades e vantagens destas ati-vidades. Ainda segundo ele, o Ministério da Saúde tem como projeto a disseminação do tema com a intenção de sensibilizar a população da sua importância.
“Paliativo vem do latim palium que quer
dizer manto/cobertor. Era uma capa colocada
nas costas dos cavaleiros das cruzadas para
pro-tegê-los das intempéries. É o cuidado de
prote-ção contra o sofrimento, que é a natureza de
uma doença grave, incurável, fora de
possibili-dade de tratamento, de controle, que ameaça
a continuidade da vida e está em progressão
naquela pessoa”. (ARANTES, 2012)
NO MUNDO
“Os cuidados paliativos, seus ideólogos e
institui-ções buscam criar uma nova representação do
morrer”
(MENEZES, 2004, p.20)
OS USUÁRIOS
PACIENTES
Os pacientes são compostos por doentes terminais, de diferentes patologias que não buscam reali-zar tratamentos com fins curativos. Eles buscam um atendimento humanizado que proporcione o alívio da dor e o máximo de qualidade possível no período terminal de suas vidas. Alguns desses pacientes “pro-curam não somente viver com a suas limitações e habilidades físicas diminuídas, mas também enfrentar a solidão e o isolamento com os anseios e angustias que deles advêm” (KÜBLER-ROSS, 2008, p.6).
Seguindo os princípios dos Cuidados Paliativos, o paciente “tem voz”, portanto, algumas restrições quanto à alimentação, a visitas e ao hábito de fumar, encontradas nos ambientes hospitalares, não são impostas em um Hospice. O ambiente deve proporcionar as oportunidades e estimular a comunicação dos doentes.
FAMILIARES, VISITANTES
E CUIDADORES EXTERNOS
A família também passa por um desgaste emocional durante o proces-so de perda de um parente. Além do suporte emocional prestado ao paciente, os Cuidados Paliativos incluem assistência à família do doente. “No período da doença, os familiares desempenham papel preponderante, e suas rea-ções muito contribuem para a própria reação do paciente” (KUBLER-ROSS, 2008, p.163). “O moribundo também pode ajudar seus familiares, fazendo com que encarem a sua morte” (KUBLER-ROSS, 2008, p.167).
Os familiares recebem apoio para enfrentar seus próprios medos, mas também são orientados e “treinados” para cumprir o papel de cuidadores quando necessário. “Os familiares passam a ser objetos de intervenção da equipe, que busca integrá-los ao de “cuidadores”. Para tanto, é fundamen-tal sua aderência aos princípios básicos dos Cuidados Paliativos e incorpora-ção dos mesmos” (MENEZES, 2004, p. 126).
A atenção e amparo às famílias podem ir além da morte do pacien-te, sendo muitas vezes necessário apoio durante todo o processo de luto. “As necessidades da família variarão desde o princÍpio da doença, e continuarão de formas diversas até muito tempo depois da morte” (KUBLER-ROSS, 2008, p.165).
EQUIPE DE FUNCIONÁRIOS
A equipe interdisciplinar, pressuposto básico da assistência paliativa, pode ser composta de médicos, enfermeiros, assistentes sociais, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos, fisioterapeutas, técnicos de enfermagem e de farmácia, além de pessoal técnico-administrativo e grupo de voluntários.
Os paliativistas podem ser considerados os “profissionais da morte”. Eles de-vem ser pacientes, atenciosos, ter compaixão, bom senso, empatia, tranquilidade e sensibilidade para poder enfrentar todas as dificuldades da profissão e tentar proporcionar o melhor ambiente para os pacientes e suas famílias. Eles têm um importante papel social e tem a consciência da “profundidade da ruptura cultural que seu ideário e prática implicam” (MENEZES, 2004, p. 12).
Através das palavras da médica brasileira Maria Gorette Sales Maciel no “Juramento do Paliativista” pode-se entender um pouco melhor qual o papel do paliativista e a situação a qual estão expostos.
COMUNIDADE
Na Inglaterra nos anos 90, surgiu um movimento que começou a introduzir a temática da morte visando os benefícios da aceitação da morte natural. “Foi fundado por três psico-terapeutas, o Natural Death Center, uma instituição educacional sem fins lucrativos, para divulgar a morte natural. [...] Este Centro se propõe a ensinar e a divulgar as melhores formas de cuidados aos doentes que estão morrendo, seja em hospices ou em casa, por quaisquer do-enças, e não apenas o câncer” (MENEZES, 2004, p.48). A Instituição publicou em 1993 o livro The Natural Death Handbook que é até hoje sucesso de vendas, desempenhando um grande papel social.
Neste trabalho a comunidade também será considerada um usuário e o Hospice terá um importante papel social introduzindo no dia-a-dia a temática da morte, tentando des-mistificá-la e tornando a problemática em um evento social natural e mais leve. A instituição pode adotar posturas semelhantes ao Natural Death Center e prestar serviços de orientação para a comunidade.
“Juro por todos os meus ancestrais, pelas forças vivas da na-tureza e por todos os dons e riquezas desta vida, que em todos os meus atos preservarei e respeitarei a vida do meu paciente. Sentarei ao seu lado e escutarei suas queixas, suas histórias e seus anseios. Cuidarei, reunindo todos os recur-sos de uma equipe multiprofissional, para que ele se sinta da melhor forma possível, importando-se sempre de tratar o que o incomoda, usando apenas os recursos necessários e imprescindíveis para isto. Estarei ao seu lado e não o aban-donarei ate o seu último instante. Farei, silenciosamente, a nossa despedida, desejando-lhe amor e sorte no seu novo lo-cal. Zelarei pelo seu corpo e consolarei sua família e pessoas queridas logo após sua partida, permitindo-lhe que vá com segurança e tranquilidade. Por fim, falarei de amor e com amor. E aprenderei, com cada um deles, a amar cada vez mais, incondicionalmente”.
(Autoria de Maria Gorette Sales Maciel) A estrutura de um Hospice deve proporcionar para a equipe profissional um ambiente de estimulo e conforto, incentivando boas relações entre os funcionários e com o paciente, os familiares e a comunidade. Devem ser previstas áreas restri-tas a eles permitindo privacidade quando necessário, como áreas para descanso e alimentação, e espaços para reuniões.
Os usuários de uma Unidade de Cuidados Paliativos, ou Hospice, podem ter diferentes etnias, culturas, religiões, idades e situação socioeconômica. No projeto devem ser consideradas todas suas necessidades: físicas, sociais, psicológicas e espirituais.
O Hospice também é um espaço de trocas. Nele, os pacientes, familiares, profissionais e comu-nidade podem estar constantemente trocando experiências e aprendendo não apenas sobre a mor-te, mas principalmente sobre a vida. “A equipe hospitalar, os médicos, as enfermeiras, os assistentes sociais, os capelães não sabem o que perdem evitando esses pacientes. Se estamos interessados no comportamento humano, nas adaptações e nas defesas de que os seres humanos lançam mão para enfrentar essas dificuldades, não existe melhor lugar para aprender.” (KUBLER-ROSS, 2008, p. 50).
PACIENTES
COMUNIDADE
FAMILIARES, VISITANTES
E CUIDADORES EXTERNOS
EQUIPE DE FUNCIONÁRIOS
“Todo o interesse na doença e na morte é, em verdade, apenas
uma outra expressão do nosso interesse pela vida ”
(MANN, Thomas, A montanha mágica)
fonte: Billings Gazette
fonte: Pinterest Denise Lopez fonte: Harrison’s Hope Hospice
HOSPICE
O Hospice é uma instituição especializada exclusivamente no atendimento de Cuidados Pa-liativos. É um ambiente acolhedor que oferece cuidados especiais para pacientes que possuem do-enças que ameacem a continuidade da vida, ou seja, pacientes terminais. Sua filosofia trata o pa-ciente e sua família como entidade única, seguindo todos os ideais dos Cuidados Paliativos que já foram descritos, tendo como essência a dignidade do ser humano até o final da vida.
O modelo de Hospice como é conhecido hoje é fruto do Movimento Hospice Moderno surgido na Inglaterra na segunda metade do século XX. Seu modelo mais recorrente é um estabelecimento com internação, que pode também conter serviços ambulatoriais e estrutura de hospital-dia.
O projeto de Hospices contempla a complexidade material de unidades de saúde e a complexidade humana com relação aos sen-timentos de perda e chegada da morte. Desta forma, a arquitetura deve se expressar em várias dimensões, através da funcionalidade, da estética, do simbolismo e da espiritualidade. Estes estabelecimen-tos devem sobre tudo transmitir comprometimento, compaixão, su-porte, proteção, segurança e cordialidade.
Essa instituição será o último lar desses pacientes, por isso, eles devem sentir a sensibilização não só da equipe de cuidados palia-tivos, mas também do ambiente. O edifício deve estar preparado para receber e acolher os usuários, deve incluir o desenho universal e facilitar a orientabilidade do paciente.
Muitos autores defendem que a arquitetura para se tornar humanizada deve transmitir ao usuário a sensação de lar. Contudo, mesmo que a instituição transmite o simbolismo do lar, ela não deve se limitar à arquitetura tradicional, rústica ou clássica. A arquitetura pode ser inovadora, usufruindo da tecnologia e compondo uma di-versificada palheta de materiais.
O programa da unidade pode variar conforme o tipo de ser-viço oferecido, podendo ser uma unidade ambulatorial, de inter-nação e/ou hospital-dia (day care). Independente do programa, devemos considerar que a filosofia dos cuidados paliativos não tem o isolamento do paciente como princípio, ele deve ter a escolha de interagir ou se isolar. Assim, a arquitetura deve proporcionar espaço suficiente para estimular a convivência dos pacientes com familiares, amigos e equipe profissional, mas também proporcionar ambientes que assegurem boas condições de privacidade.
As unidades podem estar contextualizadas tanto no meio ru-ral quanto no urbano e são muitos os fatores que devem ser analisa-dos para a escolha do local. Fatores demográficos, culturais, facilida-de facilida-de acesso, capacidafacilida-de facilida-de atendimento, infraestrutura do bairro, proximidade com outros equipamentos de saúde etc. Sempre deve ser analisado a logística dos pacientes, das famílias, dos funcionários e o acesso aos recursos – medicamentos, alimentação, transporte, etc.
“O exterior de um Hospice tem que expressar seus
ide-ais. A conexão com a comunidade pela sua fachada e
entrada pode provocar uma reação positiva e elevar a
autoestima dos funcionários, voluntários e pacientes”
(VERDERER; REFUERZO, 2006, p. 63).
ESTUDOS DE CASO
Robin House Children’s Hospice, Balloch - Escócia, 2005.
Projetado pelo escritório Gareth Hoskins Architects, a Robin House é um hospice para as crianças do Children’s Hospice Association of Scotland. A edificação tem como objetivo proporcionar cuidados residenciais e acomodações para até nove crianças e suas famí-lias. O hospice oferece um ambiente acolhedor e convidativo, ao mesmo tempo em que é moderno, é animado e atraente para a criança. Grande parte da fachada é revestida com madeira, mas o seu interior tem um desenho orgânico, que combinado com a forma ondular do telhado cria ambientes vibrantes. O telhado pa-rece flutuar acima da fachada, seu desenho permite maximizar a luz do dia, e também criar uma identidade única para o edifício.
Hospice Djursland, Rønde - Dinamarca, 2007.
O Hospice Djursland é uma instalação de tratamento paliativo localizado no leste da Dinamarca. Assinado pelo escritório dina-marquês C.F. Möller, tem cerca de 1900 m² e possui acomodação de internação para 15 pacientes.
O Hospice é um edifício dentro da paisagem, independente de onde você estiver a paisagem estará sempre presente. A implan-tação semicircular garante que todos os pacientes/quartos desfru-tem de uma vista igualmente privilegiada da baía. Os materiais predominantes tanto interna quanto externamente são o cobre, o carvalho e vidro, que interagem naturalmente com a paisagem e proporcionam uma sensação de aconchego nos ambientes.
North London Hospice, Londres - Inglaterra, 2012.
Projetado por Allford Hall Monaghan Morris (AHMM), o North London Hospice teve muitas premiações conquistadas. A edifica-ção foi projetada para ser uma versão grande de uma casa fami-liar, transmitindo assim, um sentimento caseiro de bem estar em um ambiente contemporâneo, bonito e “não clínico”, de modo a evitar quaisquer conotações institucionais negativas. O programa não possui internação apenas atividades diárias. Os pacientes e seus cuidadores são incentivados a participar de conversas, a se juntar em terapias criativas ou submeter-se a tratamentos.
fonte: Willowbrook Hospice
fonte: Gareth Hoskins Architects fonte: Gareth Hoskins Architects
fonte: Gareth Hoskins Architects
fonte: CF Moller fonte: CF Moller fonte: CF Moller
fonte: AHMM fonte: AHMM fonte: AHMM
BAIRRO
BAIRRO
ÁREA DE INTERVENÇÃO
CIDADE
CIDADE
JOINVILLE
Localizada no Norte do Estado de San-ta CaSan-tarina, Joinville é a maior cidade caSan-ta- cata-rinense, responsável por cerca de 20% das exportações do estado. É o mais importante polo econômico, tecnológico e industrial de Santa Catarina, e o 3º da região Sul.
Com mais de 515 mil habitantes, Join-ville é a maior cidade do estado em popula-ção. Segundo o site da prefeitura de Joinville, é a sexta cidade que mais cresceu no Brasil nos últimos 10 anos (www.joinville.sc.gov.br).
Além de ser populosa e ter uma eco-nomia forte, Joinville possui uma localização estratégica estando próxima de duas capitais da região Sul, Florianópolis e Curitiba.
O bairro Costa e Silva teve o primeiro loteamento inaugurado em 1969, mas passou a se chamar assim apenas em 1977. Com a implantação da Zona Industrial Norte na década de 70, surgiram diversos loteamentos e hoje o bairro é um dos mais populosos de Joinville e que continua no processo de adensamento.
Segundo os últimos dados do SEBRAE (2010) a densidade demográfica do bairro é de 4.424 hab./km² e conta com uma área de 6,58km².
Ele está localizado de forma estratégica na cidade, com fácil acesso à Br 101 e ao Centro da cidade, permitindo fácil acesso aos pacientes da cidade e da região.
O bairro já possui infraestrutura adequada facilitando a implantação da ins-tituição evitando gastos extras.
No contexto da saúde pública, a cida-de possui um déficit na estrutura do sistema de sáude pública. Possuindo menos leitos de internação disponíveis do que a média esta-dual e nacional. LEGENDA (hab/km²): LEGENDA: terreno BR 101 Av. Marquês de Olinda (acesso ao centro da cidade)
fonte: Arquivo Pessoal
TERRENO
TERRENO
ÁREA DE INTERVENÇÃO
1 - PA 24 horas (Pronto Atendimento) 2 - Farmácia
3 - Mercado 4 - Escola
5 - Campo de Futebol
Avenida Marquês de Olinda (acesso direto ao Centro)
Raio 500m (cerca de 5min caminhando) Percurso Transporte Público Existente
E2.2- Saúde
Casa de Saúde; Centro de Saúde; Consultórios comunitários; Dispensários; Hospital; Hos-pital Psiquiátrico; Maternidade; Pronto atendimento médico; Pronto-socorro.
1 - Rua Padre José Sandrup, vindo do PA 24 horas. 2 - Rua Padre José Sandrup, vindo do PA 24 horas.
3 - Rua João Koneski, sem saída. 4 - Rua Helena Degelmann.
5- Esquina Rua Helena Degelmann com Padre José Sandrup.
6 - Rua João Koneski.
1 2 3 4 5 6 LEGENDA: Localizado em uma área residencial e tranquila do bairro, o terreno
escolhido é composto por dois lotes que somam certa de 6.600 m². O terre-no pertence ao município, possui fácil acesso por transporte público e está bem inserido na malha viária. Ele se encontra a cerca de 2,8km da BR 101 e aproximadamente 4,5km do centro da cidade.
Como ilustrado na figura ao lado, comércio pode ser encontrado dentro de um raio de 500m, distância que pode ser percorrida em 5min de caminhada. A proximidade com o Pronto Atendimento é extremamente importante pois em caso de emergência ele pode dar suporte à instituição.
As linhas de ônibus existentes podem ser observadas em laranja, pe-quenas alterações nos itinerários poderiam deslocar os percursos para as vias de acesso à instituição. Além das linhas convencionais, Joinville conta com um transporte exclusivo para portadores de necessidades especiais chamado “Transporte Eficiente”, agendamentos podem ser feitos com 24 horas de antecedência, o transporte busca o passageiro em casa e o leva até o destino desejado.
O terreno possui grande relação com as vias e se destaca na paisagem devido a topografia da área. A acentuada declividade do terreno pode se tornar uma aliada ou um desafio para o projeto, são aproximadamente 8 metros de diferença de nível da parte alta até a parte baixa do terreno. Abaixo pode-se entender melhor os níveis naturais dos lotes.
A presença da esquina valoriza o terreno e pode dar força para o projeto se for bem explorada. Ela pode ser convertida como espaço público para uso da comunidade e funcionar como elemento de atração do público.
LEGISLAÇÃO:
No Plano Diretor vigente da cidade, o terreno está localizado dentro da Zona Residencial - ZR4b.
Na tabela abaixo podemos observar que nesta área são permitidas instituições de saúde e podemos analisar seus índices admitidos.
terreno LEGENDA:
fonte: Arquivo Pessoal
fonte: Arquivo Pessoal fonte: Arquivo Pessoal
fonte: Arquivo Pessoal
fonte: Arquivo Pessoal fonte: Arquivo Pessoal
fonte: Arquivo Pessoal
Ignorada e temida pela maioria das pessoas, a morte é um acontecimento natural no curso da vida. Carregada de incertezas e medos, a descoberta de uma doença grave que ameaça a continuidade da vida é um dos momentos de maior fragilidade para o ser humano. Cada pessoa encara esse processo de maneira diferente, mas tanto para o paciente quanto para o familiar é um momento de muita reflexão e pode vir acompa-nhada de sofrimento emocional.
Passar por este processo em um ambiente adequado e com o suporte de profis-sionais é um grande diferencial. Nem sempre encontramos em nossos lares a estrutura adequada e a disponibilidade de um cuidador. Já no ambiente hospitalar a estrutura tecnológica não se faz mais necessária e os custos hospitalares são muito elevados, além das limitações da convivência com os familiares.
Para atender a essas necessidades foram traçadas algumas diretrizes projetuais para o desenvolvimento de um projeto arquitetônico de um Hospice, uma Unidade de Cuidados Paliativos.
DIRETRIZES PROJETUAIS / CONCEITOS
HUMANIZAÇÃO - Ambiência
Trabalhar a imagem do local estimulando o bem estar dos usuários. Os ambien-tes devem transmitir segurança, acolhimento, tranquilidade, paz, serenidade e aconchego. Trabalhar a identidade do local de forma que a frieza da maioria dos estabelecimentos institucionais seja esquecida, e a instituição crie uma nova identidade forte e contemporânea para o segmento da arquitetura hospitalar. A escala do edifício deve ser respeitada, evitando a escala monumental para garantir o acolhimento dos usuários. Materiais, texturas, formas e cores, devem ser explorados na construção de ambientes mais acolhedores e humanizados.
HUMANIZAÇÃO - Vivência
Proporcionar opções ao usuário, oportunizando tanto momentos de socialização quanto de reclusão. Para isso, o projeto deve prever ambientes privativos e am-bientes coletivos em diferentes graus e para diferentes atividades. Por exemplo, prever locais para atividades individuais ou introspectivas como ambientes de meditação, biblioteca e jardim; e locais que estimulem a comunicação e convi-vência com outros, como estares e refeitório. Assegurar tanto condições ideais de privacidade no quarto quanto de recepção para visitas. Oportunizar a vivência do usuário com a natureza, com a família e com animais de estimação.
Tendo em vista a importância do suporte social para o paciente, o espaço deve ser acolhedor e estruturado de forma a oportunizar e estimular a permanência de familiares e acompanhantes por longos períodos. Para tanto, deve-se prever condições favoráveis para a longa permanência deles junto ao leito dos pacien-tes internados, bem como ambienpacien-tes de suporte como estares, refeitório/ café e biblioteca.
RELAÇÃO INTERIOR x EXTERIOR
Promover a integração entre os ambientes internos e a área exter-na, explorando o efeito restaurador e benéfico da natureza sobre a saúde de todos os indivíduos, ainda mais significativo para pessoas enfermas ou em situações de estresse. Esta relação também contribui para a orientação espacial dos usuários e também permite que se-jam identificadas as condições do clima e as diferentes horas do dia. Prever: jardins internos; tratamento paisagístico das áreas externas acomodando várias atividades para os usuários (espaços para sen-tar, caminhar, conversar, fazer atividades em grupo, se isolar...); ao projetar as aberturas, explorar os melhores visuais.
RELAÇÃO COM O BAIRRO
Trazer a comunidade para perto da edificação através de uma pra-ça pública e de ambientes internos de interesse público, que promo-va o acolhimento de todos, com objetivo de desmitificar a morte, recuperando a naturalidade e familiaridade do tema, que deveria fazer parte deste processo. A comunidade pode ter acesso às diversas atividades promovidas pela instituição como palestras, terapias em grupo e exibição de filmes. Restaurante, café e biblioteca são exem-plos de ambientes comunitários que podem ter na edificação.
DIVERSIDADE DE USUÁRIOS
Planejar a edificação tendo em vista a diversidade de usuários, mi-nimizando perdas ou limitações decorrentes do envelhecimento e/ou das doenças vivenciadas pelos pacientes. Para tanto, os ambientes devem: explorar mais de um sentido, compensando perdas específi-cas (como a visão ou a audição); ser seguros, encorajando a autono-mia dos usuários; ser simples e intuitivo, eliminando complexidades desnecessárias; ter as informações de fácil percepção; ser práticos e evitar o desgaste físico.
CONFORTO AMBIENTAL
Buscar oferecer conforto térmico, acústico e lumínico no ambiente construído. Preferencialmente buscando condições favoráveis à sus-tentabilidade, admitindo menor impacto ambiental e consumo de energia possível.
ORIENTABILIDADE E LEGIBILIDADE
Projetar ambientes claros, de fácil compreensão, que estimulem a percepção e possibilitem uma boa orientação. Considera-se que provavelmente boa parte dos usuários é idosa, e que aqueles que estão internados na unidade tendem a se encontrar bem debilitados. Por isso, é importante que: a planta da edificação seja de fácil memorização; os corredores não sejam longos, monótonos e repetiti-vos; os ambientes tenham funções fáceis de serem identificadas; haja referenciais para os deslocamentos dos usuários, como por exemplo, contato visual com áreas externas; e que o ambiente de modo geral seja visualmente atrativo e estimu-lante (explorando-se formas, cores, texturas, etc.).
DIRETRIZES DE OCUPAÇÃO
PROGRAMA
Internação Ambulatório Hospital Dia Apoio Administrativo Apoio Técnico e Logístico Estacionamento Apoio à Comunidade/ Ensino e Lazer Terapias UNIDADE DE CUIDADOS PALIATIVOSPela ausência de uma legislação própria ou mesmo de um modelo nacional, o programa para a Unidade de Cuidados Palia-tivos foi desenvolvido com base nos estudos de caso, em conversas com geriatrias e profissionais da área da saúde e na norma para ambientes de saúde redigida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a RDC 50 da ANVISA.
Os Cuidados Paliativos podem ser inseridos na rede pública de saúde de diferentes formas. A ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos) classifica cada serviço de acordo com a mo-dalidade de atendimento, podendo ser classificado como: equipe de interconsulta, enfermaria, ambulatório, assistência domiciliar, hospital dia, hospedaria ou hospital especializado.
Este projeto propõe um hospital especializado em Cuidados Paliativos que inclui no programa setores de internação, ambula-tório, hospital dia, atividades terapêuticas e atendimento domi-ciliar, juntos funcionariam de forma a atender todos os tipos de pacientes que necessitam destes cuidados, seja nas dependências da Instituição ou em seu domicílio.
Este hospital será destinado apenas à adultos e idosos, acre-ditando que instiuições pediátricas possuem algumas particulari-dades que exigem um projeto diferenciado.
Como mensionado anteriormente, a comunidade será con-siderada um usuário de bastante importância, desta forma foram inclusos no programa áreas de apoio à comunidade, áreas de en-sino e lazer, sempre com a intenção de aproximar a temática do cotidiano das pessoas, tentando tornar a experiência com a morte o mais natural possível.
Para completar o programa, áreas de apoio administrativo, apoio técnico e logístico e estacionamento foram adicionadas para garantir o bom funcionamento da Instituição.
LEGENDA:
esquina recepção comunidade
acesso principal (embarque e desembarque) acesso estacionamento
praça públlica/ recepção área carga e descarga pátio/ jardim privado área construída
O zoneamento foi lançado tentando atender as particularidades do terreno, do entorno, das condições de conforto e das diretrizes projetuais.
Como o terreno possui 3 vias de acesso foram ana-lisados os fluxos e determinados os pontos de maior che-gada de veículos e pedestres. Após isto, foram locados os principais acessos, o de embarque/ desembarque, o de pe-destres e o acesso ao estacionamento, para este, também foi levado em conta o aproveitamento da declividade do terreno para propô-lo no subsolo.
Para recepcionar os usuários e fazer o aproveita-mento apropriado da esquina, foi proposta uma praça pública, que servirá de apoio à comunidade como área de lazer.
A área de carga e descarga foi locada em uma área do terreno de fácil acesso, com pouca declividade e que não interferisse na relação do usuário com o edifício.
A parte mais isolada e baixa do terreno foi reserva-da para um pátio mais privado, permitindo que os quartos de internação pudessem se relacionar com a área externa sem que perdessem a privacidade e conforto. Para isto, o acesso ao terreno pela via sem saída será interditado.
Toda a área central do terreno estaria destinada para a área contruída da instituição.
Mesmo as leis municipais permitindo gabarito de até 6 pavimentos o entorno existente possui edificações de 2 e 3 pavimentos. Para manter as proporções do contexto e evitar a escala monumental, grande parte da edificação ficará abaixo da via de acesso, mantendo assim, o mes-mo gabarito de 2/3 pavimentos existente fazendo relação com a via principal (a de maior testada).
LEGENDA:
EVOLUÇÃO VOLUMÉTRICA
O primeiro volume se acomoda no terreno respeitando as curvas de nível, enquanto o segundo volume é posicionado buscando melhores condições de conforto, como ven-tilação e iluminação naturais.
Dois volumes de ligação são adicionados para conectar os volumes maiores, des-ta forma criam pátios internos, que são grandes aliados para a humanização dos espaços.
Estes volumes de ligação são ajustados buscando melhor conforto ambiental e uma composição volumétrica mais inte-ressante, que “abraça” o pátio central.
Uma área é subtraída da volumetria criando um terraço que compõe com o conjunto e favorece a iluminação natu-ral.
Um volume retangular “pousa” sobre o edifício fortalecendo a relação do con-junto com a via de acesso.
Buscando volumes mais soltos, foram adicionados balanços nas extremidades. Eles trouxeram mais leveza para o con-junto.
Volumes para a infraestrutura e apoio são adicionados na composição com-pondo com o desenho geométrico.
VOLUMETRIA FINAL Durante o processo de desenvolvimento do projeto foram feitos vários estudos
volumé-tricos. A volumetria final evoluiu adaptando-se às condições naturais do terreno, à incidência solar e dos ventos predominantes, do programa proposto para a instituição, das diretrizes pro-jetuais estabelecidas e da estética da composição. Abaixo pode-se ver algumas etapas dessa evolução.
LEGENDA ambulatório hospital dia terapias internação
apoio técnico e logístico apoio administrativo apoio à comunidade estacionamento
SETORIZAÇÃO E CIRCULAÇÕES VERTICAIS
A setorização evoluiu durante o desenvolvimento do projeto pro-curando sempre evitar cruzamento de fluxos e manter uma definição clara das funções para auxiliar os usuários na legibilidade e orientabili-dade do espaço. Os setores foram locados respeitando uma hierarquia de privacidade, evitando que pacientes internos e externos se cruzassem sem necessidade, bem como os usuários da comunidade não interferis-sem nas atividades institucionais interferis-sem que esta fosse a intenção.
As circulações verticais foram locadas nos nós da edificação criando áreas de estar, de forma que facilita a orientabilidade dos usuários. As escadas enclausura-da e protegienclausura-da foram dispostas atendendo as exigências enclausura-das normas de bombeiros para ambientes de saúde. E uma escada aberta, foi projetada para incentivar seu uso no nó de maior fluxo e de maior controle. Os elevadores estão sempre em pa-res, um elevador social e outro de serviço e estão posicionados evitando contrangi-mentos e mantendo a privacidade dos pacientes.
elevadores ligando último piso ao 1° piso escada enclausurada ligando todos os pisos
escada enclausurada o 2° e 3° pisos ao piso de descarga (1° piso) elevadores ligando os pisos de internação elevadores ligando todos os pisos escada protegida ligando subsolo e 2° piso ao piso de
des-carga (1° piso)
escada aberta ligando todos os pisos
“Simbolizar a morte e a devastação ao celebrar seus opostos – a vida e a beleza”
TADAO ANDO
VISTA DA RUA PADRE JOSÉ SANDRUP - O edifício semi enterrado se camufla entre as árvores e um túnel dá acesso ao estacionamento no subsolo da edificação. A esquina com a Rua Helena Degelman recepciona os usuários com uma praça aberta para a comunidade.
VISTA FACHADA SUL - Os terraços se escalonam abrindo a edificação para o exterior mantendo os ambientes internos bem iluminados e ventilados naturalmente. Clarabóias perfuram a laje sobre a hidroterapia permitindo a influência do ambiente externo durante o tratamento dos pacientes.
IMPLANTAÇÃO
VISTA DA ESQUINA DA RUA PADRE JOSÉ SANDRUP COM A RUA HELENA DEGELMAN - O edifício cria relação com o entorno mantendo a escala humana e tornando os espaços receptivos e aconchegantes. As palmeiras quebram com a horizontalidade da fachada enquanto os painéis de madeira quebram com a estaticidade do concreto armado aparente. A arte na esquina auxilia na humanização do espaço e dá vida à praça, que por conter um cinema ao ar livre não pode ter vegetação de grande porte impedindo a visualização da parede de projeção.
3° PAVIMENTO - TÉRREO
nível 0,0m
TERRAÇO
COTA 26m
ACESSO AO RESTAURANTE E CAPELA
D D A B C C A B escala 1:250
2° PAVIMENTO
nível -3,5m
D D A B C C A B escala 1:2501° PAVIMENTO
nível -7,0m
-1,3m i=8% -0,60m assentos D D A A C C B B escala 1:250SUBSOLO
nível -10,5m
i=21% D D A B C C A B escala 1:2504° PAVIMENTO
nível +3,5m
escala 1:250 D D A B C C A BPAVIMENTO TÉCNICO
nível +7,0m
escala 1:250 D D A B C C A BVISTA DO ACESSO NA RUA PADRE JOSÉ SANDRUP - A água e a vegetação atraem a comunidade para a apropriação do espaço. O ambiente passa tranquilidade e conforto aos usuários buscando afastar os sentimentos de incerteza e tristeza que geralmente envolvem as experiências com a morte.
VISTA DO CINEMA AO AR LIVRE - A praça conta com uma arquibancada e um espaço livre onde crianças da comunidade podem se apropriar para andar de bicicleta e para interagir com as brincadeiras em grupo. Eventos promovidos pela Instituição utilização a parede cega do Salão da Paz para a projeção de filmes com temas que aproximem a comunidade da temática.
CORTE AA
escala 1:250 ângulo da imagem
ESTAR DML BWC CAFETERIA ESTAR SALÃO DA PAZ
BIBLIOTECA
ESTAR DML SALA MULTIUSO
MÁQ. AR CONDICIONADO BARRILETE ESTAR ESTAR ESTAR NUTRIÇÃO COPA FUNC. VEST. MASC. VEST. FEM. ÁREA DISTR. ÁREA RECEB. GUARDA ESTAR
CME CME CME FARMÁRCIA FARM. ALMOX. CORREDOR
CORREDOR QUARTO ISOL.
QUARTO ISOL.
ESTAR ESTACIONAMENTO ESTACIONAMENTO
ACESSO POÇO CENTRAL DE GASES SUBEST. ELÉTRICA DEPÓSITO RESERVATÓRIO SALA PARA VELÓRIO ESTAR
HALL ACESSO ESTACIONAMENTO
o hall da recepção tem pé direito duplo
e com a ajuda das clarabóias e da grande integração com o ambiente externo torna-se um ambiente receptivo e aconchegante.
SALA FUNCIONÁRIOS SALA ADM. SALA ADM.
RECEPÇÃO
a cafeteria aberta à comunidade serve de apoio aos pacientes, visitantes e funcionários, possui integração com a área externa através de áreas de estar sob a marquise da entrada, a estrutura ainda conta com caixas eletrônicos.
a sala multiuso pode ser usada para atividades com a comunidade ou ainda como sala para treinamento de funcionários, nela podem acontecer eventos culturais, workshops e palestras.
o jardim interno permite que as circulações recebam iluminação e ventilação naturais, a presença da água, da natureza e da arte ajudam a criar ambientes aconchegantes e alegres.
o salão da paz é um espaço de meditação e reflexão, pode abrigar eventos de conscientização e ainda cerimônias de homenagens. uma passarela permite que o público cruze o jardim e
acessoe a área do restaurante e o salão da paz, ela ainda permite que as pessoas sintam a sensação de estar andando sobre a copa das árvores. o armazenamento de água superior é dividido em
3 reservatórios, 2 para a água fornecida pela concessionária de agua da cidade e outro reservatorio
para o armazenamento de águas pluviais. transportar macas; o modelo escolhido não necessita deos elevadores possuem dimensões suficientes para casa de máquinas, já que esta fica acoplada na lateral do elevador no ultimo pavimento.
VISTA INTERNA DA RECEPÇÃO - A recepção possui forte integração com o ambiente externo através dos panos de vidro e das clarabóias. A presença da cafeteria, da vegetação e da arte trazem vida para o ambiente que foge do padrão de recepção de uma Instituição de saúde.
CORTE BB
escala 1:250 ângulo da imagem
RESTAURANTE
QUARTO QUARTO QTO. BWC BWC QTO. QUARTO QUARTO QTO. BWC BWC QTO. CIRCUL. BWC ROUP. COPABWC QTO. BWC BWC QTO. QUARTO QUARTO QTO. BWC BWC QUARTO ISOL.
QUARTO QUARTO QTO. BWC BWC QTO. QUARTO QUARTO QTO. BWC BWC QTO. CIRCUL. BWC ROUP. COPABWC QTO. BWC BWC QTO. QUARTO QUARTO QTO. BWC BWC QUARTO ISOL.
o restaurante também é aberto à comunidade; assim como a cafeteria ele funciona como atrativo para o envolvimento da comunidade com a temática; ele possui grande interação com o ambiente externo e a natureza. o terraço entre o ambulatório e o restaurante conta com um
canteiro que serve de barreira física entre os dois ambientes e permite o contato direto com natureza; o terraço ainda é composto por espelhos d'água e áreas de lazer. o espaço de estar para pacientes internos e seus visitantes
possui um jardim interno para ajudar a criar um ambiente confortável e aconchegante, o ambiente ainda conta com uma lareira para as estações frias e faz contato direto com elementos de água na ára externa.
o caminho para a entrada do salão da paz é guiado por uma fileira de árvores de pequeno porte plantadas em vasos.
a biblioteca é aberta ao público e conta com espaços de leitura com vista para a cidade e a natureza, pode ser usada pela comunidade, pelos funcionários ou visitantes que querem entender melhor o processo da morte.
o terraço em cima do restaurante está integrado com a área aberta ao público e permite atividades com a comunidade ao ar livre; também pode ser usada pelos usuários da biblioteca que queriam fazer sua leitura na área externa. os painéis deslizantes de madeira funcionam como brises de
proteção do sol e seu desenho cria uma dinamica para a fachada.
VISTA INTERNA DA SALA DOS PACIENTES E FAMILIARES - Para maior conforto àqueles que visitam os pacientes internos foi projetado um ambiente de estar que possui uma cozinha de apoio e vestiários com chuveiros. Por vezes estes visitantes ficam longas horas na companhia de seus familiares internados e necessitam de um espaço para reposição de energia. O espaço também serve para os pacientes recepcionarem seus visitantes fora do ambiente do quarto de internação. A forte integração com o ambiente externo e a presença da vegetação ajudam no acolhimento dos usuários.
CORTE CC
escala 1:250 ângulo da imagem BARRILETE ESTACIONAMENTO CASA DE BOMBAS CISTERNA RESERVATÓRIO RESERVATÓRIO HOSPITAL DIA AMBULATÓRIO TERAPIAS CONSULTÓRIO CONFORTO MÉDICO ABRIGO LIXOo terraço jardim da área de espera do ambulatório quebra com a geometria do edificio e permite que iluminação natural alcance o centro do salão do hospital dia, contribuindo para a humanização do espaço e para o conforto dos usuários. o jardim interno no piso das atividades teraupeuticas
pode ser visto dos andares superiores; na parede ao fundo do jardim que segue até o último pavimento encontra-se um painel/mural que traz a arte para dentro da instituição. o abrigo de lixo possui a separação adequada para os
tipos de lixo e ainda uma área para a higienização das lixeiras; seu acesso se da pelo pátio de serviços, o que o deixa fora do campo de visão de quem passa pela rua.
a estrutura de concreto armado solta das aberturas da edificação permite a privacidade dos consultórios e proteção do sol sem prejudicar a ventilação natural dos ambientes.
todos os quartos de internação estão voltados para um jardim com diferentes ambientes que estimulam diferentes sentidos, a presença da água e da vegetação ajudam no bem estar dos pacientes, funcionários e visitantes.
VISTA INTERNA DO HOSPITAL DIA - O ambiente do hospital dia possui separações individuais para medicação, para não torná-los claustrofóbicos as divisórias foram feitas com materiais translúcidos que não fecham muito o ambiente e ao mesmo tempo mantém a privacidade. Além das aberturas para o ambiente externo, a clarabóia triangular marca a circulação do ambiente.
CORTE DD
escala 1:250 ângulo da imagem
o pátio central pode ser visto de grande parte da edificação, além de permitir iluminação e ventilação naturais aos ambientes e circulações, ele possui uma grande árvore que funciona como o coração da instituição a marquise da entrada principal é
sustentada por tirantes presos na estrutura da edificação; palmeiras "furam" a horizontalizade da marquise para compor com a fachada
a arte entra para humanizar o ambiente da recepção e café em forma de painel/mural na parede externa da sala multiuso
os quartos de internação do segundo piso contam com uma sacada larga que permite que as macas saiam do quarto e os pacientes possam tomar banho de sol sempre que necessário sem precisarem percorrer grandes distancias para vencer os grandes vãos do estacionamento
foi utilizado como sistema estrutural a laje nervurada protendida
VISTA INTERNA DO QUARTO DE INTERNAÇÃO - O quarto tem que ser um ambiente tranquilo e ao mesmo tempo estimulante. Da cama o paciente consegue ver o jardim e ter as percepções ncessárias para definir o dia e a noite. Ao mesmo tempo que o ambiente permite a privacidade, ele possui espaço para recepcionar seus visitantes.
VISTA DO PÁTIO CENTRAL - O pátio central pode ser visto de grande parte da edificação, além de permitir iluminação e ventilação naturais aos ambientes e circulações, ele possui uma gran-de árvore que funciona como o coração da instituição. Decks com áreas gran-de estar estão disponíveis para os funcionários, pacientes e visitantes. Um grangran-de jardim japonês na escala humana permite terapias na areia além de estimular a concentração e estabilidade dos pacientes.
VISTA DO JARDIM PRIVADO - O jardim da internação proporciona diferentes oportunidades para os usuários, eles podem interargir com a terra, podem se isolar, apreciar a água e a arte, podem receber seus visitantes e relaxar na sombra das árvores. A intenção é estimular a autonomia e o bem estar do paciente enfermo dando à ele o poder de escolha. Neste ambiente eles podem fumar ou ainda brincar com seus animais de estimação.
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