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Academic year: 2021

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TÍTULO: ESTUDO HISTÓRICO-COMPARADO DOS DIREITOS DOS ANIMAIS

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO

CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS

ÁREA:

SUBÁREA: DIREITO

SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: CENTRO UNIVERSITÁRIO DO PLANALTO DE ARAXÁ

INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): MARLON ANTÔNIO ROSA

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): FRANCISCO ILÍDIO FERREIRA ROCHA

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1. RESUMO

O presente trabalho analisa o debate em relação ao tema Direito dos Animais. É necessário o exame preliminar das principais teorias sobre este controverso tema, bem como estudo a doutrina estrangeira e nacional, através de seu desenvolvimento histórico e suas características. Também, busca-se demonstrar que, apesar de já consagrados, faz-se necessário haver uma maior efetivação dos direitos dos animais, bem como uma modificação referente ao status dos animais como “coisas” no código civil brasileiro. Na visão utilitarista, deve-se maximizar o bem geral - isto é, considerar o bem dos outros, na mesma forma que se considera o seu próprio. Deste modo, percebe-se, então, que os utilitaristas a partir de Bentham tentam ampliar o âmbito das questões éticas para além da espécie humana. Incontinenti, o filósofo australiano Peter Singer, procura redefinir a comunidade moral em novas bases, através do Principio de Igual Consideração de Interesses, para com isso incluírem todos os seres sencientes no âmbito da comunidade moral. Outro argumento que Singer utiliza em defesa dos animais é o Especismo, o qual descreve a discriminação generalizada praticada pelo homem em relação às outras espécies. O que defini pessoa, portanto, não é a racionalidade Kantiana, mas o fato de ser sujeito de interesses e preferências. A condição, para isso, é ser um ser sensível e consciente, com capacidade de sentir dor e prazer. Percebe-se, também, que a inviolabilidade dos indivíduos não é o foco das teorias utilitaristas, sendo o bem-estar do maior número de indivíduos o que realmente importa. Visto que a teoria utilitarista não consegue oferecer uma solução plena para a questão a filósofa americana Martha Nussbaum trabalha com a Teoria das Capacidades. O foco da teoria das capacidades é o individuo e não a espécie, não atribuindo importância ao aumento da população de indivíduos de uma espécie. Por cabo, a igualdade de direitos, não pode ser pensada como uma igualdade entre iguais, mas deve incluir as outras espécies, com capacidades diferenciadas, mas igualmente dignos de uma vida plena.

2. INTRODUÇÃO

Os animais são usados para as mais diversas finalidades, tais como alimentação, vestuário, entretenimento e experimentação cientifica. A cultura ocidental se baseia no antropocentrismo, ou seja a valorização do homem como centro de todas as coisas e o rebaixamento dos animais não-humanos. Atualmente

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a lei pune os maus-tratos contra os animais, porém a eficácia ainda é insuficiente diante da grande variedade de maus-tratos, bem como ao descaso dos seres-humanos para com estes. Desde os tempos da Grécia Antiga até os dias atuais, se discute o papel do animal em relação ao meio ambiente, se possuem direitos ou são protegidos por eles. Percebe-se que as normas tendem ao bem-estar e a sobrevivência dos seres humanos, considerando os interesses dos animais como algo secundário ou sem importância.

Em um primeiro momento relata-se seu desenvolvimento histórico, bem como as correntes de proteção ao direito dos animais e seus principais defensores. Por conseguinte, devem ser analisado as legislações que versam sobre os animais e sua proteção.

Deve se notar à abordagem utilitarista de Jeremy Bentham, prosseguindo pela teoria da Igual Consideração de Interesses de Peter Singer e finalizando na Abordagem das Capacidades de Martha Nussbaum.

Deve-se ressaltar os avanços na legislação internacional em relação ao direito dos animais, dando especial atenção as leis europeias.

Por cabo, analisa-se a evolução da legislação brasileira desde o Brasil Colônia até os dias atuais, colacionando alguns dos diversos textos normativos que regulam as relações dos seres humanos com os animais.

3. OBJETIVOS

Essa pesquisa possui como objetivo analisar a existência de direitos e proteção aos animais não humanos, através de abordagens filosóficas e jurídicas.

4. METODOLOGIA

A metodologia utilizada para a análise do aludido tema teve por base o método multidisciplinar, com instrumento teórico produzido por filósofos e doutrinadores.

5. DESENVOLVIMENTO

As questões relativas à proteção dos animais e, especialmente, a possibilidade jurídica de considera-los como titulares de direitos morais estão, progressivamente, ocupando uma posição cada vez mais destacada no debate político. Para a filosofia, entretanto, estes dilemas estão em sua pauta desde a

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Antiguidade Clássica. A busca por um conceito de humanidade acabou por produzir, como consequência, a necessidade de discutir os critérios que, eventualmente, seriam capazes de distinguir o ser humano entre os outros animais. Nesta esteira muitos filósofos têm argumentado que, embora os seres humanos sejam diferentes em uma variedade de aspectos dos outros animais, essas diferenças não são suficientes para fundamentar o desamparo moral dos demais seres da fauna.

Enquanto alguns sustentam que os animais merecem proteção jurídica, outros vão além e sustentam, inclusive, que mais do que proteção jurídica, seria moralmente imperativo reconhecer os animais, assim como os seres humanos, como sujeitos de direitos.

Neste contexto, a teoria do bem-estar animal reconhece ser aceitável o uso de animais não-humanos para fins humanos, com a ressalva de que sejam tratados de forma humanitária e que não lhes cause sofrimento desnecessário.

De modo simplificado, os defensores dos direitos dos animais pretendem abolir o uso dos animais para qualquer benefício humano, haja vista entenderem que esses seres possuem valor inerente e como tal necessitam ser respeitados.

Dentre todas correntes deontológicas que se debruçam sobre os limites morais da relação entre humanos e a fauna, uma que merece especial destaque é o Utilitarismo.

Segundo as bases fundamentais que orientam o Utilitarismo pode-se salientar, sinteticamente, uma regra essencial: O valor moral de um determinado comportamento deve ser determinado pelo seu potencial de utilidade, ou seja, na medida que dele decorre um incremento ou decréscimo do bem geral. Noutras palavras, uma ação é moralmente positiva na medida em que dela redunda benefícios para uma determinada base de sujeitos que, quase que aritmeticamente, superam eventuais prejuízos dela decorrentes. (SINGER, 1993, p.8)

Singer defende que discriminar os seres apenas com base na sua espécie é uma forma de preconceito, imoral e indefensável do mesmo modo que a discriminação com base na raça é imoral e indefensável” (SINGER, 2013, p. 354).

A teoria utilitarista também não consegue oferecer uma solução plena para a problema que a filósofa americana Martha Nussbaum apresenta quando analisa a possibilidade de ampliação no rol dos sujeitos de direitos para além do conjunto dos seres pertencentes à humanidade. Propondo um novo ponto de vista para a análise

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das relações assimétricas entre seres humanos e os seres da fauna inumana, formula aquilo que se designa como “teoria das capacidades”.

Na teoria das capacidades, o cerne do problema gravita ao redor da “dignidade dos seres humanos ou não-humanos, visto que a concepção aristotélica que serve de inspiração para esta ampliação situa a dignidade humana não na racionalidade exclusiva do humano, mas sim na animalidade humana” (NUSSBAUM, 2006).

A abordagem das capacidades, conforme apresentada por NUSSBAUM, parte da noção de dignidade humana e de uma vida digna. Nenhum animal deve ser excluído das possibilidades de uma vida próspera. Ainda, não seria admissível a interposição de obstáculos para a autodeterminação individual, garantindo que todos os animais possam aproveitar as oportunidades que se apresentam para o seu desenvolvimento. NUSSBAUM enfatiza, em diversas passagens, que a teoria das capacidades tem certa proximidade com teorias contratualistas, inclusive nas críticas direcionadas ao utilitarismo (NUSSBAUM, 2004).

Em suma, não se trata de garantir uma igualdade de direitos entre humanos e outros animais. Trata-se, com acerto, de reconhecer que não existem fundamentos sólidos e racionais suficientes para excluir os animais do conjunto daqueles que são considerados como sujeitos de direitos. Da mesma forma que uma pessoa jurídica não possui os mesmos direitos da pessoa natural, da mesma forma que os direitos da pessoa jurídica são, tão somente, aqueles que são adequados às suas peculiaridades, o que se propõe é que outras espécies, para além da espécie humana, sejam reconhecidas como merecedores do status de sujeito de direitos, não sendo por isso merecedoras de direitos humanos, mas sim, com acerto de direitos adequados às suas naturezas, condições e possibilidades. Enfim, direitos animais garantidos pelos seres humanos.

Uma das mais importantes normas, em âmbito internacional em relação à proteção jurídica dos animais é a Declaração Universal dos Animais, em 1978. Referida declaração traz em seus artigos 1° e 2°, respectivamente:

Art. 1º Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.

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1. Todo o animal tem o direito a ser respeitado.

2. O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais.

3. Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem.

Porém, esta Declaração apenas demonstra tais obrigações, não impondo penalidade alguma para aquele que as descumpre.

Outra norma de extrema importância é a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagem em Perigo de Extinção de 1973, aprovada pelo Brasil, através do Decreto Legislativo 54 de 1975. Essa Convenção obteve a aderência de 173 países. Possui como principais objetivos o controle e fiscalização do comércio internacional de espécies da fauna e flora silvestres que se encontram ameaçadas de extinção

A partir da análise histórica dos direitos dos animais no Brasil, compreende-se que os animais hoje têm compreende-seus direitos previstos e garantidos inclusive na Carta Magna. Porém, a penalidade aplicada ao infrator é leve, considerando a dor e sofrimento que os males infringidos aos animais pelos seres humanos e tendo eles frequentemente violados os seus direitos, sendo que a pena aplicada é leve, considerado que o crime é considerado de menor potencial ofensivo, portanto processada nos Juizados Especiais Criminais e passíveis de transação penal. (RODRIGUES, 2003).

Assim, percebe-se que os animais são objetos de ampla proteção em nível constitucional. Entretanto, ainda há pelo menos dois problemas para que se tenha uma efetiva proteção, quais sejam, a separação dos animais domésticos e selvagens dos animais de abate, e a modificação da situação jurídica dos animais, que se encontram descrita como coisas no código civil de 2002.

6. RESULTADOS

Primeiramente foi delineado os aspectos históricos do pensamento em relação aos animais, passando por diversos pensadores ao longo do tempo, frisando-se a grande contribuição do Utilitarismo criado por Jeremy Bentham.

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Mediante essa linha filosófica poderiam ser reivindicados os direitos animais, pois no utilitarismo o que se leva em consideração é o sofrimento.

Outro grande utilitarista é o filósofo Peter Singer, o qual utiliza o termo especismo em relação às ideias contrárias aos direitos dos animais. Tido como uma forma de racismo, considerando a superioridade da espécie humana, sendo admissível moralmente causar sofrimento a todos os outros seres que não o da própria espécie. Peter Singer em contrapartida propôs a Igualdade da Consideração de Interesses entre as espécies, tendo como predecessor Jeremy Bentham. Neste contexto, a capacidade de sofrimento, é o requisito essencial para a conferição de igualdade de consideração aos seres vivos, não havendo qualquer justificativa moral para a sua recusa. A aceitação da Igualdade de Consideração de Interesses como um princípio moral básico, considera a senciencia como o critério mínimo para determinar se um ser é ou não membro da comunidade moral e que o sofrimento deve ser evitado, independente da espécie.

Em contrapartida, Martha Nussbaum vai além de uma abordagem antropocêntrica do desenvolvimento de capacidades, ampliando-a para os animais não humanos. O principal objetivo é a concretização de uma série de princípios políticos, básicos, que venham a auxiliar a legislação e a política pública voltada para todas as espécies. Deste modo, a filosofa do direito desenvolve uma lista na qual conceitua as capacidades humanas que considera centrais, e desenvolve um parâmetro para os animais não humanos.

Em seguida foram delineados os aspectos históricos da legislação internacional e nacional. No âmbito Internacional o maior avanço neste tema é a criação Declaração Universal dos Direitos dos Animais de 1978. Referida Declaração , leva em consideração que todos os animais têm direitos.

Em relação à legislação brasileira, percebe-se alguns dispositivos que tutelam de maneira eficiente alguns direitos significativos dos animais, livrando-os de maus tratos, desde a tutela constitucional do artigo 225 parágrafo 1º, inciso VII, que veda atos de crueldade até a lei especial.

Por cabo, as alterações realizadas nos Códigos Civis austríaco, alemão, suíço e francês evidenciam uma tendência de mudança com a finalidade de proteger o animal, começando pela retirada dos animais na categoria de coisas.

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De acordo com o exposto neste trabalho, observa-se que o assunto é de extrema importância, principalmente, pela falta de conscientização por parte da sociedade acera dos direitos inerentes a outras espécies e a grande controversa em relação ao tema dentro do direito em geral. Acerca do animal ser considerado sujeito de direito, cumpre destacar o antropocentrismo, como algo enraizado no ser humano como centro do universo.

Deste modo, a consideração pela vida dos animais não humanos trata-se de uma questão de ética. O ser humano, por ser considerado um ser dotado de racionalidade deve agir com respeito e de modo a proteger os outros seres.

Os animais não são pessoas, mas tão pouco podem ser considerados coisas, devendo ser criado uma terceira categoria, a qual se baseia nos direitos e proteções específicos.

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