EMENTA
Apresentação Assunto
Conteúdo Programático
1) Apresentação do Direito Civil 2) Codificação
3) Lei de Introdução ao Código Civil
4) Da Pessoa Natural: aquisição da personalidade jurídica, capacidade e incapacidade civil, extinção da pessoa natural, ausência, comoriência.
5) Direitos da Personalidade
6) Das Pessoas Jurídicas: parte geral, sociedades, associações, fundações, sociedade irregular ou de fato, organizações religiosas, partidos políticos, extinção, responsabilidade, desconsideração da personalidade jurídica, considerações finais
7) Domicílio civil 8) Bens jurídicos 9) Bem de família
Objetivos Gerais
PROPICIAR AO ALUNO (A) UM APRENDIZADO JURÍDICO DE QUALIDADE PARA QUE POSSA ADENTRAR NO ESTUDO DO DIREITO E ENFRENTAR, COM SUCESSO, QUESTÕES TEÓRICAS E PRÁTICAS.
Objetivos Especificos
FAZER COM QUE O ALUNO (A) SE INTERESSE PELO DIREITO E ADQUIRA O HÁBITO DA LEITURA E DA ESCRITA, FUNDAMENTAIS PARA O EXERCÍCIO DE QUALQUER CARREIRA NA ÁREA JURÍDICA.FAZER COM QUE O ALUNO (A) SE INTERESSE PELO DIREITO E ADQUIRA O HÁBITO DA LEITURA E DA ESCRITA, FUNDAMENTAIS PARA O EXERCÍCIO DE QUALQUER CARREIRA NA ÁREA JURÍDICA.
Público-Alvo
Recursos Didáticos e Pedagógicos Apresentação de trabalhos e seminários. Metodologia de Ensino
Aulas expositivas, estudo da lei, doutrina e jurisprudência. Carga Horária
80 horas
Carga Horária Semanal 4 horas
1º Bimestre 04/02/2010 NOÇÕES ELEMENTARES
O que é Direito?
Há direito sem sanção?
É a aplicada em qualquer nível de direito 4 aspectos fundamentais do direito
a. Norma agendi: é o conjunto de regras sociais, criadas para possibilitar a vida em
sociedade.
b. Facultas agendi: Seria as normas que disciplinam as obrigações e poderes c. O direito como justo: normas referentes as questões do meu “EU” e do SEU. d. A sanção do direito: as normas sancionadas pela força do Estado. Em regra geral:
só o Estado tem o poder de aplicar sanção.
OUTROS ASPECTOS Expressão “DIREITO”
Direito Objetivo: regras impostas ao ser humano pelo Estado
Direito Subjetivo: faculdade individual de agir de acordo com o Direito.
Direito Positivo: Conjunto de regras jurídicas, em vigor, em um Estado, em determinada época.
Direito Natural:Ordenamento jurídico ideal, simbolizando o sentimento de justiça - abstração.
Direito Nacional: Normas que vigora dentro de um País. Direito Internacional: Pactos com outros Países
Direito Público: (Direito Constitucional, Administrativo, Penal) Direito Privado: (Direito Civil, Empresarial, do Trabalho0 Conflito: DIREITO X MORAL
Direito e Poder
FONTES DO DIREITO
Fonte = Origem Fontes do Direito
Importância da Matéria: Classificação das Fontes:
Diretas (primárias ou imediatas)
Lei – fonte primeira do Direito e Costumes – fontes formais do Direito.
Indiretas( Secundárias ou mediatas)
Analogia, Princípios Gerais do Direito (ambos mencionados do Inc. LICC)
Jurisprudência
Temos Ainda Doutrina Não estão citadas na LICC Equidade
Fontes Históricas
Exemplo: Lei de Talião, Direito Romano. Fontes do Direito em Espécie
LEIS
Conceito
Características da Lei
Generalidades - Atinge a um número determinados de pessoas. Abstração – Produz efeito para o futuro.
Permanência – caráter imperativo e permanente, enquanto vigente produzirá efeito. Existência de Sanção – penalidade imposta pelo descumprimento (punição).
Edição por Autoridade – Só pode ser criado (todos os ritos) pelo Estado. Obrigatoriedade – Todos têm que cumprir.
CLASSIFICAÇÃO DAS LEIS
Quanto a Imperatividade
Impositiva – Normas de caráter obrigatório que estabeleça princípios de ordem pública:
(Ex: salário é irredutível)
Dispositiva – São regras relativas (permissivas ou supletivas) aplicáveis na ausência de
manifestação, em sentido contrário das partes.
11/02/2010 Quanto a Sanção Institucionalizada - Instituída pelo Estado
Perfeitas – regras cuja violação autoriza simplesmente a declaração de nulidade do ato
(ex: Art. 171, II CC)
Mais que Perfeitas – São aquelas que a sua violação autoriza a aplicação de 02
sanções: a nulidade do ato ou o restabelecimento de estado anterior, qualquer delas,
acrescidas de uma pena ao infrator. (Ex: Art. 1548, II CC c/c Art. 235 CP)
Menos que Perfeitas – São aquelas que autorizam, na sua violação, aplicação de uma sanção ao violador, mas não a nulidade do ato (Ex: Art. 225 CC de 1916)
Imperfeitas – Não são consideradas normas jurídicas, por não prescreverem nulidades ou sanção, para o seu descumprimento. (Ex. Art. 983 CPC).
Quanto a Origem ou Extensão Territorial – (alcance territorial da lei)
Lei Federal – é aquela criada no âmbito da União, Regra Geral: pelo Congresso Nacional. (Ex. CF, CC. CPP, CPC).
EXCEÇÃO:
1. Aplicação da Lei Federal poderá ser para todo o Brasil, ou somente parte dele.
(Ex.Legislação federal de Desenvolvimento regional)
2. Leis Delegadas e Medidas Provisórias
Lei Estadual – promulgada pelas assembléias legislativas, destinadas aos territórios
Estaduais ou parte dele. (Ex, lei ICMS)
Lei Municipal – Aprovadas pela Câmara Municipal ou de Vereadores.
Quanto a Duração
Temporárias – leis estabelecidas com prazo de vigência. (Ex. Lei de Calamidade, leis
vigentes em período eleitoral) Quanto ao Alcance )
Gerais – disciplinam uma quantidade ilimitada de situações jurídicas (Ex. CF/88). Especiais – regulam matérias com critérios particulares, diversos das leis gerais. (ex.
Lei do inquilinato)
Excepcionais – disciplinam fatos e relações jurídicas genéricas, de modo diverso ao
regulado pela lei – NÃO EXISTE MAIS, NO BRASIL (Ex. AI 5)
Singulares – Norma que regulamenta um fato concreto de uma pessoa específica,
caráter administrativo. (Ex. Decreto de nomeação e exoneração de servidor público). Quanto a Hierarquia
Constituição – Norma Máxima (Ex. Emendas, ADCI)
Leis Infraconstitucionais – (Ex. LC, DL, LO, MP, Leis Delegadas)
Decretos Regulamentares - são atos do poder executivo, com finalidade de prover
situações previstas na lei, em sentido técnico, para explicitá-la e dar-lhe execução.
Normas Internas – normas que disciplinam situações específicas, principalmente na
administração pública (Ex. estatutos, Regimentos internos, IN) Notas do Professor:
a) Não pode uma nova lei querer alterar uma outra lei b) A lei não pode alterar uma coisa julgada
c) Conceito de Lei: “Regra geral do direito, abstrata e permanente dotada de sanção expressa pela vontade de autoridade competente de cunho obrigatório e forma escrita” (Silvio venosa)
18/02/2010
COSTUMES
Conceito: é o uso geral constante e notório, observado socialmente e correspondente a
uma necessidade jurídica
Elementos:
Uso continuado da prática no tempo
Reconhecimento dos tribunais
Pode ser visto de três Formas:
- Praeter Legem – Fora da lei
Costume que disciplina matéria a que a lei não conhece – Ex. Art. 4º LI CC - Secundum Legem – Segundo a lei, de acordo com a lei.
A própria lei reconhece a eficácia jurídica do costume
- Contra Legem – Aquilo que é contrário a lei
Ex. Art. 178, § 1º, CC 1916 e Art. 74 § único, CC 2002
Jurisprudência
Conceito: Reunião de julgados - Reiteradas decisões dos tribunais sobre determinada
matéria.
É considerada fonte indireta do direito.
Orientação uniforme dos tribunais na decisão de casos semelhantes
Não existe a palavra a “JURISPRUNDENCIA$” Art. 4º L.I.C.C -> não prevê como fonte do direito
DOUTRINA
Opiniões dos Doutos= Juristas
ANALOGIA
Conceito: É uma forma típica de raciocínio pelo qual se entende a espécie fática de uma
norma a situações semelhantes para os quais, em princípio, não havia sido estabelecida ( forma de suprir a lacuna)
- Analogia Legis
Quando, inexistente a lei, aplica-se outra norma legal ao caso “subjudice” - Analogia Júris
Quando inexistente a lei, aplica-se o Princípio Geral do Direito ao caso concreto. Ex: contrato de hospedagem = contrato atípico.O juiz utiliza outras espécies de contratos.
Leis que não admitem Analogia Leis Restritas
Leis que proíbem certo comportamento.
Só a lei pode proibir. O juiz não pode proibir conduta sem que esteja expresso na lei.
Leis Excepcionais
Aquelas que abrem exceção à regra geral. (Não se pode ampliar exceções)
Leis de Direito Administrativos
Princípio da legalidade administrativa
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO
Conceito: Fonte de inspiração das normas jurídicas.
Ex: Princípio de viver honestamente (não estava escrito)
Equidade
Conceito: Segundo Aristóteles é a justiça do caso convicto.
(consciência, princípios morais, conceito de justiça => base utilizada pelo juiz)
Ex.: Arts. 20, § 3º CPC e Art. 1.109 CPC
Sistemas Jurídicos Civil Law
Adotado pelo Brasil
Características: O operador do direito deve ser técnico pautado na lei
Tribunais inferiores não estão vinculados aos tribunais superiores, salvo, súmulas vinculantes (obrigam a todos), expedidas pelo STF;
Tribunais não estão vinculados às decisões prolatadas pelos juízes da mesma hierarquia e nem mesmo as próprias decisões.
Common Law
Fonte principal do Direito é o Costume Pautado em precedente
Julgamento é perpétuo
Diferença entre Direito Público e Direito Privado Direito Público
Norma de Ordem Pública
Direito Privado
Normas de Ordem Privada
25/02/2010 CODIFICAÇÃO
Código
Reúne matérias pertinentes (ex. CC, CP)
Consolidação Compilação Estatuto
Obs: Por que o CDC não foi chamado de Estatuto do Consumidor?
LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL –(Art. 4.657/42)
A LICC integra o CC?
Não. Pois tem como objetivo manter a aplicação e criação de outras leis, seja de ordem pública ou privada.
A LICC se obriga os todos os ramos do direito
Produz efeito, regula aplicação eficácia e vigência.
É norma de Sobredireito
Regulamenta a criação e aplicação de todas as normas tanto de caráter privado quanto público.
O que é lei de efeito concreto?
Ex.: Leis que proíbem certas atividades (MP que fechou os bingos)
É cabível MS contra lei
Não. Exceção: lei de efeito concreto
VALIDADE DAS NORMAS Validade Formal
Forma como a lei tem que ser criada
Observância das normas referentes ao processo de criação (ex.: art.60, §1ª CF/88)
Validade Material
Quem pode legislar
Observância da matéria passível de normatização por parte dos entes federativos (ex.: art.22 CF/88)
VIGÊNCIA DAS NORMAS (Tempo)
Regra Geral: 45 dias depois de publicada ( Art. 1º LICC)
Se não vier expressa na norma, aplica-se regra geral Prazo no exterior é de 03 meses
Vacattio Legis
Prazo entre a publicação e a vigência
Conceito: Período existente entre a publicação de uma lei e sua entrada em vigor. Finalidade
Para que a população conheça a lei e adapte-se a ela.
Não é Princípio Constitucional, salvo exceções:
1. Lei que cria e aumenta contribuição social para seguridade social; 2. Lei que cria ou aumenta tributo;
3. Atos administrativos (no silêncio, entra em vigor imediatamente) 4. EC - (no silêncio, entra em vigor imediatamente)
5. Lei que cria ou altera processo eleitoral (essa lei ficará com eficácia suspensa, após sua publicação, em relação as eleições que ocorram num prazo de um ano)
Contagem da Vacattio Legis
Regra Geral: Inclui-se o dia da publicação e o último dia, a lei entra em vigor no dia seguinte.
Leis que depende de regulamento
A contagem é feita a partir da data de publicação do regulamento.
LEIS CORRETIVAS
Corrige o texto de uma lei anterior (ortográfica ou de digitação) dentro da vacattio.
Após a vacattio publica-se nova lei.
LOCAIS DE PUBLICAÇÃO DAS LEIS (Quem e onde publica) Leis Federais
É o Presidente da República no DOU, na parte do Executivo.
Leis Estaduais
É o Governador de Estado no D.O do Estado, na parte do Executivo
Leis Municipais
É o Prefeito Municipal na imprensa local ou de acordo com o costume
PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE Exceção:
PRINCÍPIO do “JURA NOVIT CURA” O juiz conhece a lei
Exceções: Art. 337 CPC. “A parte, que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o juiz.” 1. Direito Estrangeiro: deverá juntar ao processo cópia da lei, devidamente traduzida
por profissional habilitada, bem como prova de sua vigência.
2. Direito Municipal: deverá juntar ao processo cópia da lei 3. Direito Estadual: deverá juntar ao processo cópia da lei
4. Direito Consuetudinário: deverá apresentar prova testemunhal sobre o costume em
questão.
EFICÁCIA DA NORMA Social
CLASSIFICAÇÃO DE JOSE AFONSO DA SILVA Eficácia Plena
Não precisa de complementação para produzir efeitos. Não há dúvidas ou omissões.
Eficácia Limitada
Quando há necessidade de outras normas para realização da função eficacial (obrigação que foi prevista) Ex.: Art. 218. CF/88 “O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas.”
Eficácia Contida
Quando a norma pode ser restringida, sendo plena enquanto não sobrevier a restrição Ex.: Art. 5º CF XIII – “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas
as qualificações profissionais que a lei estabelecer”
05/03/2010 NORMA JURÍDICA PERDE O EFEITO EM 02 HIPÓTESES
INEFICÁCIA DAS LEIS 1. Caducidade
Superveniência de situação cronológica ou fato que torne a norma inválida.
2. Desusos
Cessação do pressuposto de aplicação da norma
3. Costume Contra Legem
Quando os costumes diferem do que a norma estabelece. Ex.: Cheque Pré-datado
4. Decisão do STF declarando a Lei Inconstitucional em ADI(n)
5. Resolução do Senado – suspendendo a eficácia da lei declarada inconstitucional pelo STF
REVOGAÇÃO DAS LEIS A lei nova revoga a lei anterior. Altera a norma de forma total ou parcial
A lei revogada pode ter eficácia?
Sim. Quando se discute os efeitos da lei no período em vigor.
Perda da vigência de uma lei em razão de uma nova lei, que trata da mesma matéria. Obs: Lembrar do princípio da continuidade das leis
O legislador NÃO pode aprovar lei que proíba sua revogação. A revogação pode ser:
a) Total =(Ab rogação)
A nova lei altera de forma total a anterior
b) Parcial =(Derrogação)
A nova lei altera parte da anterior
c) Expressa
A nova lei terá um artigo que revogará a anterior
d) Tácita
Não é mencionada na nova lei, mas revogará a lei anterior REGRA: Lei geral só é revogada por lei geral
Lei especial só é revogada por lei especial
EXCEÇÃO: Art. 2º, §2º, LICC (Lei geral revoga especial e vice-versa) Se houver cláusula expressa nesse sentido
Quando a lei for simultaneamente geral e especial
COMPETÊNCIA PARA REVOGAR AS LEIS
NÃO HÁ HIERARQUIA ENTRE LEI FEDERAL, ESTADUAL E MUNICIPAL.
No que tange a competência exclusiva não há hierarquia entre as Leis Federais, Estaduais e Municipais.
COMPETENCIA CONCORRENTE
Nesse caso existe hierarquia da Lei sobre as demais.
Normas Previstas na CF podem ser Revogadas?
Sim, Salvo as Cláusulas Pétreas.
PRINCÍPIO DA SEGURANÇA OU ESTABILIDADE SOCIAL
Art. 6º LICC “A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico
Ato jurídico perfeito: Aquele ato já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou;
Direito adquirido: Direitos que foram adquiridos pelo seu titular, ou alguém que por ele possa exercer;
Coisa julgada: Decisão que já não caiba recurso.
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA
Lei que Altera Processo Eleitoral
REPRISTINAÇÃO
Art. 2º §3º L.I.C.C “A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já
existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”
Conceito: Restauração da lei revogada pela revogação de sua lei revogada. Regra: Não é admitida no Brasil, salvo se houver cláusula expressa.
CONFLITO DE NORMAS NO TEMPO
Art. 6º LICC “A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o
direito adquirido e a coisa julgada.” APLICAÇÃO DAS NORMAS NO ESPAÇO
EXTRATERRITORIALIDADE: Aplicação no território nacional, de leis de
outro Estado (País), segundo princípios e convenções internacionais.
A LEI NACIONAL DE SER APLICADA:
1. A todas as relações travadas em seu âmbito espacial de incidência;
2. Na hipótese de intervirem estrangeiros sobre relação jurídica constituída no território
nacional;
3. Se nacionais (natos e naturalizados) tiverem bens ou negócios jurídicos em território
estrangeiro. (aplicam-se as Leis Brasileiras)
O Brasil adotou o princípio de TERRITORIALIDADE MODERADA
A L.I.C.C simultaneamente admitiu regras de Territorialidade e Extraterritorialidade : Territorialidade:
Art. 8o Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do
país em que estiverem situados.
Art. 9o Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem.
Extraterritorialidade:
Art. 7o A lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim
da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que era domiciliado o
defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens..
Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil
ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação.
Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não
terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes.
CONFLITO DE NORMAS NO ESPAÇO
L.I.C.C - Art. 7o A lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
Art. 8o Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país em que estiverem situados.
Art. 9o Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem.
Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que era domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens..
Art. 11. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as sociedades e as fundações, obedecem à lei do Estado em que se constituírem.
FATOS OCORRIDOS NO EXTERIOR
L.I.C.C - Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto
ao ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça.
CPC - Art. 337. A parte, que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o juiz.
HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA
Competência do STF
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias;
Requisitos para a sentença proferida no exterior seja executada no
Brasil
Art. 15. Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que reúna os seguintes requisitos: a) haver sido proferida por juiz competente;
b) terem sido as partes citadas ou haver-se legalmente verificado à revelia;
c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a execução no lugar em que foi proferida;
d) estar traduzida por intérprete autorizado;
Casamento - Várias regras na L.I.C.C
Art. 7o A lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades consulares brasileiras para lhes celebrar o casamento e os mais atos de registro civil e de tabelionato, inclusive o registro de nascimento e de óbito dos filhos de brasileiro ou brasileira nascidos no país da sede do consulado.
A EXTRATERRITORIALIDADE da lei pode ser LIMITADA no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes.
Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes.
23/04/2010
2º BIMESTRE
Aula: PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO
PESSOA JURÍDICA
Conceito: A PJ é fruto do fato associativo; é um grupo humano criado na forma da lei e dotado de personalidade jurídica própria, para realização de fins comuns.
Aquisição da Personalidade Jurídica
Art. 45 CC – “Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.”
Registro:
- Junta Comercial
PJ que só tenham caráter mercantil ou comercial - Cartório de Registro Civil das PJ
Empresas sem caráter comercial/mercantil Obs: O registro gera efeitos EX NUNC
Algumas PJ para que tenham existência necessitam de autorização específica do poder executivo.
Ex.: Seguradoras (SUSEP)
Adm. de Consórcios (BACEN) Instituições Financeiras (BACEN)
Observações:
- A ausência desta autorização resulta na inexistência da PJ
- Súmula 435 do STJ :“Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente”.
Dano Moral da PJ
Pode ser autora e também ré em ação de danos morais e receber e ou pagar indenização por danos morais.
Art 37, XXII - § 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de
serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
Art. 52 CC – “Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da
personalidade”
Art. 5º CF/88 - “V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;”
Súmula 227 do STJ – “Pessoa Jurídica - Dano Moral - A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.”
PJ de Direito Privado - Art. 40 a 44 do CC/02 Ficção Jurídica
Art. 40. “As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado.
Art. 41. “São pessoas jurídicas de direito público interno: I - a União; II - os Estados, o Distrito
Federal e os Territórios; III os Municípios; IV as autarquias, inclusive as associações públicas; V -as demais entidades de caráter público criad-as por lei.
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código.
Art. 42. “São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas
que forem regidas pelo direito internacional público.
Art. 43. “As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus
agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo.
Art. 44. “São pessoas jurídicas de direito privado: I - as associações; II - as sociedades; III - as fundações; IV - as organizações religiosas; V - os partidos políticos”
29/04/2010 1. FUNDAÇÃO (art. 62 e seguinte CC/02)
Conceito:
1. Resulta da afetação de patrimônio que faz o seu instituidor, por escritura
pública ou testamento, especificando a finalidade ideal que pretende atingir.
2. Pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que se forma a partir
da existência de um patrimônio extraído de seu instituidor e/ou instituidores, através de escritura pública ou testamento, para servir a um objetivo especifico de interesse público”.
Requisitos para Constituição:
a. Afetação dos bens móveis e imóveis ou numerário, livres de ônus.
b. Escritura Pública ou Testamento - pode ser constituída por ato inter vivos
ou causa mortis, respectivamente.
c. Elaboração do Estatuto e a sua conseqüente aprovação pelo MP – Art. 65
CC/02 - “ Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo
ciência do encargo, formularão logo, de acordo com as suas bases (art. 62), o estatuto da fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à aprovação da autoridade competente, com recurso ao juiz. Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo, em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério Público.
d. Registro Civil no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas -CRCPJ
Destino do Patrimônio - Art. 69 do CC/02
Se não houver manifestação expressa do instituidor, será destinado a outra fundação com atividade semelhante.
Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante.
Venda de bens da Fundação
Depende de alvará judicial (ordem), devendo a alienação ser motivada e em procedimento de jurisdição voluntária1 (fiscalização do interesse público nos
negócios jurídicos privados), com intervenção do MP.
Alteração do Estatuto da Fundação - Art. 67 do CC/02
Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma:
I - seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação; II - não contrarie ou desvirtue o fim desta; III - seja aprovada pelo órgão do Ministério Público, e, caso este a denegue, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado.
Extinção da Fundação – Art. 69 do CC/02
Quando ocorrer o vencimento do prazo de sua existência, se tornar ilícita, impossível, inútil a sua finalidade.
1Na jurisdição voluntária ou graciosa, NÃO HÁ LIDE NEM PARTES, mas apenas um negócio jurídico processual, envolvendo o Juiz e os INTERESSADOS. A Jurisdição Voluntária tem como objeto, TUTELAR INTERESSES NÃO EM
CONFLITO, PROTEGENDO OS RESPECTIVOS INTERESSADOS. Portanto, na Jurisdição Voluntária, o juiz
realiza apenas gestão pública em torno dos interesses privados, como ocorre, v.g., nas nomeações de tutores, nas alienações de bens de incapazes, na extinção do usufruto ou do fideicomisso, dentre outros.
2. ASSOCIAÇÕES
Conceito: art. 53 do CC/02
Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. § único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos.
Exemplos:
Assoc Moradores do bairro Clubes
Não pode haver divisão de lucro entre associados - AR. 53 § único do CC/02
Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos.
Constituição: art. 54 do CC/02
Por estatuto que deverá ser registrado no CRCPJ
Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I - a denominação, os fins e a sede da associação; II os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III -os direit-os e deveres d-os associad-os; IV - as fontes de recurs-os para sua manutenção; V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas
Requisitos para exclusão de associados - art. 57 do CC/02
Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto.
Órgãos que compõem a associação 1. Assembléia Geral
2. Conselho Administrativo 3. Diretoria
4. Conselho Fiscal
06/05/2010 SOCIEDADE IRREGULAR OU DE FATO
Conceito: é aquela que não tem personalidade jurídica, mas tem capacidade para se obrigar perante terceiros.
Responsabilidade Ilimitada
Credores da sociedade devem executar, primeiramente o patrimônio social, para na falta de bens, exigir a responsabilidade dos sócio, que é subsidiária.
Art. 1.024 do CC - Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais.
Observações:
1. Os sócios que se apresentarem como representantes terão responsabilidade direta, e os demais subsidiaria, mas todos assumem responsabilidade sem limite pelas obrigações contraídas em nome da sociedade.
2. Este instituto também se aplica as associações (associação irregular ou de fato) 3. O registro não opera efeito retroativo – ex nunc.
Competência Territorial para Mover Ação contra a Sociedade Irregular ou de
Fato:
Art. 100, IV, “c”do CPC - Art. 100. É competente o foro: IV - do lugar: c) onde exerce a sua atividade principal, para a ação em que for ré a sociedade, que carece de personalidade jurídica;
GRUPOS DESPERSONALIZADOS
Conceito: Conjunto de direitos e obrigações de pessoas e ou bens, sem personalidade jurídica e com capacidade processual, mediante representação.
Art. 12, III, V, IX do CPC - Serão representados em juízo, ativa e passivamente: III - a massa falida, pelo síndico; V - o espólio, pelo inventariante; IX - o condomínio, pelo administrador ou pelo síndico.
Capacidade e representação das PJ
1. Capacidade Jurídica Especial
Só pode praticar o que está autorizado no seu Contrato/Estatuto ou na Lei. Órgãos de (Re)presentação ou Representante Legal
1. Assembléia 2. Conselhos 3. Diretores
4. Sócio-diretor 5. Presidente
6. Administrador, etc.
Administração Coletiva (Art. 47 e 48 CC)
Art. 47. Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo.
Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso.
13/05/2010 SOCIEDADES
Conceito
São espécies de corporação (grupo de pessoas), dotado de personalidade jurídica própria, e que visa alcançar finalidade econômica (lucro).
Constituição
Contrato Social (Art, 981 do CC) - Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados.
Observação (Art. 977 do CC) - Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória.
Espécies
b. Sociedade Empresária Natureza: Mercantil / comercial Característica: Impessoalidade Registro: Junta Comercial
Conceito: Tem como requisito material o exercício de uma atividade econômica
organizada, ou seja, de uma atividade empresarial que tem como requisito formal o registro do seu Contrato na Junta Comercial
c. Sociedade Simples (S/S)
Natureza: Não praticam atos de comércio
Característica: Pessoalidade - os sócios, ou um deles deve exercer aquela atividade Conceito: Não exercem atividade empresarial ou não tendo sido o contrato social
registrado na Junta Comercial, a Sociedade será simples. São Pessoas jurídicas que embora persigam proveito econômico, não exercem atividade empresarial.
Observação: (Art. 982 § único do CC) – “Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.”
Toda S.A é Sociedade Empresária Toda cooperativa é Sociedade Simples
REGISTRO DAS COOPERATIVAS (Art 1.093 a 1.096 do CC): CRCPJ
Características: Anotação
Variabilidade, ou dispensa do Capital Social;
Concurso de sócios em número mínimo necessário a compor a administração da sem
limitação de número máximo;
Limitação do valor da soma de quotas do Capital Social que cada sócio poderá tomar; Intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade, ainda que
por herança;
Quorum, para a assembléia geral funcionar e deliberar, fundado no nº de sócios
presentes à reunião, e não no capital social representado;
Direito de cada sócio a um só voto nas deliberações tenha ou não capital a sociedade, e
qualquer que seja o valor de sua participação;
Distribuição dos resultados, proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo
sócio com a sociedade, podendo ser atribuído juro fixo ao capital realizado;
Indivisibilidade do fundo de reserva entre os sócios, ainda que em caso de dissolução
da sociedade.
ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS
Conceito: Sociedade religiosa é a que se dedica ao culto. Se o culto é secundário, cessa qualquer caracterização como sociedade ou associação religiosa.
Exemplos:
Art, 5º do CF - VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
Enunciado 143 da III Jornada de Direito Civil
143 – Art. 44: A liberdade de funcionamento das organizações religiosas não afasta o
controle de legalidade e legitimidade constitucional de seu registro, nem a possibilidade de reexame pelo Judiciário da compatibilidade de seus atos com a lei e com seus estatutos.
PARTIDOS POLÍTICOS
Conceito
Aquisição da Personalidade Jurídica Estatuto
Deve conter regras de finalidade e disciplina
Proibição de receber recursos de entidades ou governo estrangeiro
RESPONSABILIDADE CIVIL E PENAL DAS PESSOAS JURÍDICAS
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA PESSOA JURÍDICA
Histórico
Conceito: Separação patrimonial existente entre o capital de uma empresa e o patrimônio de seus sócios para os efeitos de determinadas obrigações, com a finalidade de evitar sua utilização de forma indevida.
Na hipótese de desconsideração, haverá responsabilidade subsidiária das sociedades integrantes do grupo societário e das controladas, responsabilidade solidárias das sociedades consorciadas e responsabilidade subjetiva das coligadas, que responderão se sua culpabilidade for comprovada.
Mecanismo que permite responsabilizar os sujeitos que compõem a pessoa jurídica, sem, contudo, prejudicá-la, mas sim a aperfeiçoando na medida em que inibe a sua utilização de forma contrária aos fins previstos pelo sistema jurídico quando da sua instituição.
Mecanismo permitir a responsabilização dos sócios por atos abusivos e fraudulentos perpetrados sob o manto protetor da separação existente entre o patrimônio da sociedade e os dos seus sócios. Contudo, trata-se de uma suspensão temporária da eficácia do ato constitutivo da pessoa jurídica, incidente apenas em relação ao ato que foi praticado com abuso do direito à personificação societária.
Art. 50 CC - Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica
DIFERENÇAS ENTRE DESPERSONALIZAÇÃO E DESCONSIDERAÇÃO
DESPERSONALIZAÇÃO – extingue a personalidade jurídica
DESCONSIDERAÇÃO – não anula, mas preserva a personalidade jurídica, a qual
continua a existir para todos os demais atos.
DESCONSIDERAÇÃO INVERSA
A desconsideração inversa busca proibir, principalmente, o desvio de bens, ou seja, os bens particulares do sócio são transferidos para a sociedade, a fim de que esse, quando acionado por seus credores, não cumpra com suas obrigações,
A desconsideração depende, em regra, de um ato judicial, todavia, a desconsideração pode ser administrativa, em caso de fraude grave.
Exemplo: RMS 15166/BA
POSSIBILIDADE, ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, APLICAÇÃO, DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA, SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA, OBJETIVO, EXTENSÃO, SANÇÃO ADMINISTRATIVA, INIDONEIDADE, PARTICIPAÇÃO, LICITAÇÃO, IMPUTAÇÃO, OUTRA, SOCIEDADE COMERCIAL / HIPÓTESE, EXISTÊNCIA, PROVA, OCORRÊNCIA, FRAUDE, LEI, E, DESVIO DE FINALIDADE, DECORRÊNCIA, IDENTIDADE, OBJETO SOCIAL, SÓCIO, E, ENDEREÇO, EMPRESA / NÃO OCORRÊNCIA, VIOLAÇÃO, PRINCÍPIO DA LEGALIDADE; IRRELEVÂNCIA, INEXISTÊNCIA, PREVISÃO LEGAL; NECESSIDADE, OBSERVÂNCIA, PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL, MORALIDADE ADMINISTRATIVA, E, INDISPONIBILIDADE, INTERESSE PÚBLICO; OBSERVÂNCIA, OBRIGATORIEDADE, INSTAURAÇÃO, PROCESSO ADMINISTRATIVO, COM, CONTRADITÓRIO, E, AMPLA DEFESA;
DESNECESSIDADE, MANIFESTAÇÃO, PODER JUDICIÁRIO.
Requisitos Para desconsideração da Personalidade Jurídica a. Descumprimento de uma obrigação em razão de insolvência
b. Abuso da personalidade: desvio de finalidade e ou confusão patrimonial c. Requerimento específico da parte prejudicada.
Observação
1) Segundo Fabio Konder Comparato o CC adotou uma linha objetiva dispensando a
prova do dolo específico do sócio ou administrador.
2) O art. 50 CC não limita a desconsideração aos sócios, mas estende aos
- Art. 4º da Lei 9.605/98 ( lei dos crimes contra meio ambiente) Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.
- Para o STJ é cabível a desconsideração no curso do processo de execução Exemplo: REsp. 920602/DF de 23/06/2008 – relatora: Min. Nancy Andryghi - Não há prazo para requerer a desconsideração;
EXTINÇÃO DA PJ 1. Convencional
Quando os sócios decidem por ato de suas vontades encerra aquela empresa – Por vontade dos seus membros.
2. Administrativa
Ocorre quando por decisão administração encerra as atividades da PJ. A administração pública determina o fechamento do estabelecimento.
3. Judicial
O juiz decreta a extinção da PJ.
27/05/2010 DOMICÍLIO CIVIL
Histórico Direito Romano Domus = casa
- Por questão de segurança jurídica toda pessoa deve ter um lugar que seja considerado a sede central de seus negócios.
- Regra Geral de competência no processo civil:
Art. 94. A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do réu.
Conceito de Domicílio Civil será usado em vários ramos do Direito.
a. Direito Internacional
Art. 7º da LICC - A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo
e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
b. Direito das Obrigações
Art. 327 CC/02 - Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias.
c. Direito Eleitoral / Constitucional Domicílio político
d. Direito Processual Penal Art. 72 CPC
e. Direito do Trabalho
f. Direito processual do Trabalho
Conceito de Domicílio
É o lugar onde se estabelece residência com animo definitivo, convertendo-o, em regra, em centro principal de seus negócios jurídicos ou de sua atividade profissional.. art. 70 e seguintes CC.
Art. 70 c/c 72 CC
Estabelece com animus definitivo
1ª Noção de Domicílio
É aligada a vida privada da pessoa, as suas relações internas, sugerindo o local onde reside permanentemente.
2ª Noção de Domicílio
Refere-se a atividade externa da pessoa, a vida social e profissional, local onde exerce seus negócios jurídicos ou sua atividade profissional.
Atenção: art. 72 § único CC/02 - Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem
O local onde exerce a atividade será seu domicílio, se exerce em vários locais, será considerado qualquer um deles.
Diferença entre Morada, Residência e Domicílio
Morada –lugar onde a pessoa natural se estabelece de forma provisória; Residência – pressupõe maior estabilidade
Domicílio –Residência + ânimo definitivo
Elementos do Domicílio
a. Ato de fixação em determinado local ELEMENTO OBJETIVO
Vontade de se fixar
b. Ânimo definitivo de permanência ELEMENTO SUBJETIVO
Intenção de permanecer no local- “animus manendi’’
Princípio da Pluralidade Domiciliar
Admite-se pessoa que mora num local e trabalha em outro, considera-se qualquer um dos dois.
Art. 94 § 2º CPC - Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele será demandado onde for encontrado ou no foro do domicílio do autor.
Art. 74 § único CC - A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares, que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer, da própria mudança, com as circunstâncias que a acompanharem.
Domicílio da PJ
Súmula 363 STF -Pessoa Jurídica de Direito Privado - Demanda no Domicílio da Agência ou Estabelecimento da Prática do Ato - A pessoa jurídica de direito privado
pode ser demandada no domicílio da agência, ou estabelecimento, em que se praticou o ato
Regra Geral: Local da sua sede é aquela fixada no Estatuto ou Contrato Social
PJ de Direito Privado com administração ou diretoria no estrangeiro:
Art. 75 § 2º CC - Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder.
Domicílio da PJ de Direito Público
Art. 75 CC Art. 99, I CPC
O foro da capital de cada Estado é competente para ajuizar ação contra a União
1. Voluntário
É o domicílio daquele que, de livre vontade, fixa residência em um determinado local, com ânimo definitivo.
2. Legal ou Necessário
É aquele que deriva da lei, em razão da condição especial de certas pesssoas: Art. 76 CC - Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso
Incapaz – domicílio do representante ou assistente Servidor público – local de lotação
Militar – onde ele serve
Marítimo – onde o navio estiver matriculado Preso – onde cumpre a sentença
10/06/2010 BENS JURÍDICOS
Conceito
São as coisas materiais ou concretas, úteis aos homens e de expressão econômica, suscetíveis de apropriação.
Ex: a Usucapião, Aluvião
Patrimônio Jurídico?
É a representação econômica da pessoa, compreendendo também, o que se denomina “patrimônio moral”que é o conjunto dos direitos da personalidade.
Patrimônio Mínimo
Em respeito a dignidade da pessoa humana, as normas civis devem resguardar o mínimo de patrimônio, para que a pessoa tenha uma vida digna.
Bens Corpóreos e Incorpóreos Classificação Doutrinária
Corpóreos – tem existência material, podem ser visualizados pelo homem. Incorpóreos – visualização impossível. Ex.: direitos autorais.
1. Classificação Segundo o Novo Código Civil
Art. 79 a 103 CC
1.1. Bens Móveis e Imóveis
a. Móveis – Bens de raiz, se deslocados, serão danificados. Transfere-se pela Tradição b. Imóveis – passíveis de deslocamento, sem que haja dano na sua forma e conteúdo.
Transfere-se pelo registro da Escritura de compra e venda e ou doação
1.1.1. Classificação dos Bens Imóveis
a. Imóveis por sua própria natureza
b. Imóveis por Acessão Física, Industrial ou Artificial
Acessão: Incorporação - Quando uma coisa se une ou se incorpora a outra,
aumentando-lhe o volume
Exemplo: avulsão, a aluvião ou o abandono do álveo pelo rio que muda o seu curso, como pode, igualmente, decorrer de ato humano, tais as hipóteses de plantação ou construção.
Observação:
Art. 81, I e II CC - Não perdem o caráter de imóveis :I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local; II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem.
c. Imóveis Por Força da Lei
Art. 80 CC - Consideram-se imóveis para os efeitos legais:I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram; II - o direito à sucessão aberta
Exemplo: Hipoteca, Direito da Sucessão aberta.
1.1.2. Classificação dos Bens Móveis
a. Móveis Por Sua Própria Natureza
Bem que se pode deslocar sem provocar dano
b. Móveis Por Antecipação
Está relacionado à destinação
c. Móveis Por Força da Lei
Art. 83 CC - Consideram-se móveis para os efeitos legais:I - as energias que tenham valor econômico;II - os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes;III - os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações.
1.1.3. Semoventes
São os bens que se move de um lugar para outro, por movimento próprio. Exemplo: animais
Seguem a disciplina dos bens móveis por sua própria natureza
Art. 82 CC - São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social.
1.2. Bens Fungíveis e Infungíveis
Fungíveis - Bem que pode ser substituído por outro de igual gênero, quantidade e
qualidade.
Art. 85 CC - São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e
quantidade
Infungíveis - São bens insubstituíveis, únicos.
Observação: Em geral a característica da fungibilidade decorre da natureza do bem
Exceções:
a. Vontade das Partes
O bem pode deixar de ser fungível se as partes assim acordarem.
b. Valor Histórico do Bem
1.3. Bens Consumíveis e Inconsumíveis
Consumíveis - Bens que v1ao se deteriorar com o primeiro uso’
Exemplo: Alimentos, bebida, cigarro.
Inconsumíveis – Bens que suportam o uso contínuo, sem prejuízo do seu desgaste natural
ou perecimento progressivo. Exemplo: roupas, carro.
1.4. Bens Divisíveis e Indivisíveis
Divisíveis – Art. 87 CC - Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na
sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam
Indivisíveis - são aqueles que não podem ser divididos sem alteração de sua substância,
pois isso causaria dano, perdendo sua identidade e seu valor econômico. Poderão ser:
a. Por Determinação Legal
Quando a lei expressamente impede o seu fracionamento, como no caso da hipoteca. Exemplo: por exemplo, o módulo rural e a Servidão de passagem, hipoteca.
b. Convenção
O acordo tornará a coisa comum indivisa por prazo não maior que 5 anos, suscetível de prorrogação ulterior. Por manifestação da vontade das partes interessadas: Exemplo, em uma obrigação de dinheiro que deva ser satisfeita por vários devedores, estipulou-se a indivisibilidade do pagamento.
c. Por Sua Própria Natureza
Não podem fracionar sem alteração na substância, diminuição de valor ou prejuízo do uso: Exemplo, um animal.
1.5. Bens Singulares e Coletivos
Singulares - são bens considerados em sua individualidade, representados por uma
unidade autônoma, e por isso, distintas de quaisquer outros.
Coisas constituídas de um todo formado naturalmente ou em conseqüência de um ato humano, sem que as respectivas partes integrantes conservem a sua condição jurídica anterior. Podem ser divididos em:
a. Simples – quando as suas partes componentes encontram-se ligadas naturalmente.
Exemplo: Árvore
b. Compostos – quando a reunião de seus componentes decorre do engenho ,
atividade humana. São as coisas que se juntam, unindo diferentes objetos, corporeamente, em um só todo, sem que desapareça a condição particular de cada um. Exemplo: relógio, navio.
Coletivos – formam a universalidade de fatos. São chamados também de universais ou
universalidades, e abrangem as universalidades de fato e de direito. São os que, sendo compostos de várias coisas singulares, se consideram em conjunto, formando um todo, uma unidade, que passa a ter individualização própria. Determinados bens só têm valor econômico e jurídico quando agregados. Exemplo: um par de sapatos ou de brincos.
a. Universalidade de Fato - Corpóreo
Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária
b. Universalidade de Direito - Incorpóreo
Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico.
2. Dos Bens Reciprocamente Considerados Bem Principal
Possui autonomia estrutural, ou seja, que existe sobre si, abstrata e concretamente. São aqueles que existem por si só, não dependendo de outros para exercer sua função ou finalidade. Exemplo: solo, automóvel.
Bem Acessório
Para existir exige a presença do bem principal. São os que acompanham o principal, sem o qual não existem, ou seja, a existência do bem acessório depende do bem principal. Os bens acessórios seguem o bem principal, ou seja, se o principal for objeto nulo, o acessório também será anulado. Exemplo: planta, peças.
a.1. Frutos
Utilidades renováveis, cuja percepção não esgota a coisa principal. Exemplo: frutas, rendimentos, juros, aluguéis.
Espécies de Frutos:
Naturais são os provenientes da força orgânica que se renovam periodicamente, como as frutas de uma árvore e as crias de um animal.
Industriais são aqueles decorrentes da intervenção do homem sobre a natureza, como a produção de uma fábrica.
Civis são as rendas provenientes do capital, da utilização de uma coisa frutífera pelo homem, como juros, alugueres e dividendos.
Classificação dos Frutos
a. Frutos Colhidos ou Percebidos
São aqueles já destacados da coisa principal, mas ainda existente. Exemplo: fruta colhida.
b. Pendentes
São aqueles que ainda não foram destacados da coisa principal. Exemplo: fruta no pé
c. Percepiendos
São aqueles que deveriam ter sido colhidos, mas não foram. Exemplo: fruta estragada.
d. Estantes
São aqueles que já foram destacados, mas que ainda se encontra estocadas, armazenados.
e. Consumidos
São os que não existem mais.
a.2. Produtos
São utilidades não renováveis que a coisa principal produz, de maneira que a sua percepção esgota a coisa principal. São bens que se extraem da coisa, diminuindo sua substância, pois não se produzem periodicamente, como os frutos. É o caso do ouro extraído de mina, do petróleo, da pedra de pedreira etc.
Art. 95 CC – Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser
objeto de negócio jurídico.
a.3. Rendimentos
Frutos civis: rendas ou interesses que a coisa produz em conseqüência de uma relação jurídica. Vantagens pecuniárias, que se tiram das coisas, ou seja, os rendimentos periódicos que elas possam produzir, em virtude da utilização delas por terceiros, donde provém a paga ou retribuição por constituí-los.
a.4. Pertença
São as coisas móveis em sentido restrito (art. 210º/1 CC). Não têm portanto valor autônomo e não podem ser destacadas da coisa principal, sob pena desta ficar prejudicada na sua utilidade normal. Neste sentido, é necessário que a coisa móvel se encontre afectada à coisa principal, sendo que se tratará de uma afectação de destino,
distinguindo-se por isso da ligação material que distinguindo-se verifica nas partes componentes e nas partes integrantes.
a.5. Benfeitorias
Toda obra realizada pelo homem na estrutura de uma coisa, com o objetivo de cosnrv’a-la, melhor’a-la ou prporcionar prazer. São obras ou despesas que se faz em coisa móvel ou imóvel, para conservá-la, melhorá-la, ou embelezá-la. Exemplo:
Classificação das Benfeitorias
a. Necessária - quando têm por fim evitar a perda, deterioração ou destruição da
coisa.
b. Útil - são as que, não sendo indispensáveis para a sua conservação, lhe
aumentam, todavia, o valor.
c. Voluptuárias - são as que, não sendo indispensáveis para a sua conservação,
nem lhe aumentando o valor, servem apenas para recreio do benfeitorizante. Estas benfeitorias visam unicamente à satisfação ou recreio de quem as realiza, torna o bem mais agradável para quem dele desfruta.
Não confundir Benfeitoria (melhoria) com Acessão (incorporação)
a.6. Partes Integrantes
São os bens que unidos a um principal, forma com ele um todo, sendo desprovido de existência material, própria, embora mantenham a sua identidade. Exemplo : Lâmpada de um lustre.