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Titã
E N S A Y O
S O B R E O MODO 3DEM E L H O R A R AS T E R R A S ,
C O M P O S T O EM F R A N C E ZP O R M. P A T U L L O ,
T R A D U Z I D O EM P O R T U G U E Z , E I M P R E S S OD E O R D E M S U P E R I O R .
L I S B O A ,
tIA CHALCOGRAPHIC.TIC A , E EITTERAEIA DO ARCO DO CEGO. N A TYPOGRAPHIA CHALCOGRAPHICA ,
S E N H O R
J\. Verdadeira gloria, que só se funda nos be? neficios Jeitos à humanidade , he o movei pre-cioso da protecção e influencia , com que V. A. R., distinguindo a Agricultura , como a mais interessante das Artes, reanima esta profissão respeitávely esta origem viva e fecunda das
ri-quezas , das forças , e das prosperidades do Es-tado. Fomentando os meios , que tendem a aper-feiçoar as operações da cultura , quebrando os prejuízos, que a agrilhoavão , consegue em fim
que a industria não se limite às cousas de me-ro luxo , porém que se estenda à hum objecto tão essencial, e decisivo da jèlicidade pública ;
penetrado justamente desle grande principio de Sully : » Que as rendas da Nação só existem
se-seguras, quando os campos são povoados de ri-cos lavradores; que os dons da terra são os úni-cos bens inesgotáveis , e que: tudo florece.em hutn Estado . onde fiorece a Agricultura.
Sou com todo o respeito De VA. R. Humilde Vassallo Pr. José Maríano da Conceição Velloso.
I N T R O D U C C A O
Q.
.UANDOse conhece, que a França,
d'al-guns tempos a esta parte , se occupa toda a
procurar os meios d
1aperfeÍ9oar a sua
agri-cultura , as suas manufacturas, e o seu
commercio, será permittido a hum
estran-geiro propor algumas idéas , que elle
jul-gue poder contribuir á sua felicidade? Elle
aventura-se a interéssar-se nisto levado do
reconhecimento d'hum asillo , que , á mais
de dez a n n o s , achou no seu seio , e dos
reaes benefícios , de que ainda gosa : e ,
o-Ihando-se daqui em diante, como
habita-dor do Reino , pelo tempo da sua vida ,
espera testemunhar neste escrito ao
me-nos , que naõ he neste paiz h u m membro
da sociedade inteiramente inútil.
A' mais de trinta annos, que elle tem
feito destes três pontos importantes o
prin-cipal objecto das suas experimentaes
inda-gações. Porém , julgando , que a
agricul-tura he a fonte naagricul-tural do commercio, e
manufacturas , e o seu principal a p o i o ,
ainda mesmo quando ellas chegarão ao
es-tado mais florente ; também ao mesmo
tr I K S T A U C Ç A O .
mo tempo lhe parece, que ella era
Fran-ca se tem avança4p j n e n o  ,
r4 ^ q
u e a s o u*
i r a s , e \ft& àhr W s t é e n r l n t a í -eâtado de
tanta languidez, quanto] he susceptível de
hu
1*-qqç a sua
;p r a t o , , . , e-as &M® §&s£íMaigÜf3
pus^fafiei dfíbai^j, 4e*í Sf-f-fà P V P ^ r t A s ®
i f e ^ Q c i a ; , e, ^aòíjijgte-ifKilís -iórjo-iq oiisg
:J
Í ;: A' lortgoiítf^npo « ^-ij^5fee<>§aj^itóepyi^
3#s«0s, Aeiis< ,;fólhareifei$íç0fr Icj^a^gíuJtiisfífi
& p r e c e j ^ / u j ^ a ^ s £ § & ? & ^ £&ítò,xabe3fe
Itfwhiúmmávs, &ftfo^Qt^çímf^o^bmtâ
W-
;,- iqujgíjelM) sej(^^ía<§È^ta(íg>iii^iâÍjn(3É
Ilha ,odo (tpfòt &tMzúg^Md&ím3&yiimlp6
Io lhes esJ^íiiifèkftí^^ííâ'ÍHMeíííBÍ>9í30è nb
X; -*,Míííto^í-^spgíipíiíjíeâííâi» ffeo^êssi-anáente
ofe^títfe.-siarírífliijgte g.rJJies«abaoi3)(^<klbidp
Ti®<á®íít-..Qsjbâ»ji Çtdraçiglrjés, <môsc^ie9èpat$
^a^^'<pft)íft^&feHewrj!fe*siH«âQ$ Aam**
• i •(! õu'irva.-il...i »líitl j obnfjirp o n i i u i i u i.ímiu
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peíBessi^adé» de f ttpêmiçtféÉP
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ryjgtó-•e*tó»a -j porém'-fla® rttqicTào o s t e i d â -
,,e«,
se ál^utís Jse fclus$»&'á>ô< *âó ^âmargáillèiítfe
|>ek quaíítiáadêM dè terras êSí-ér-eM,
'>'êú-itt--cul*â8i -q*^ o viájmw
)théló'áè*pím&<^
donwk i Q f t ^ a t e £ârtiô-Jdãíê Pr&tiiietóis $k>
Reino , elles com tudo naô pi^oèm- ò
rii&tôMÚ& -éTak m-êMi€fra^ - '"»
;' /1 •
;•
aoni©.Att|!i§r5 do^ràdò^rtí&cíae^,- t! o
t l t ^ a ô q t ó >eto - i t ó o ^ s ^ r i i l i d t k ^ e C
#èí-s t ó ilttâí#èí-s - ^ète^b^ô^eááÈáoí^êàéSnítf
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^Sfetoi-^d*
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Iâe-
rêíiêânír'á''',
^tíà*ít'íP#f ód-ê^èf fmafè a^mefhãda; f^ié
p&fjpmm, ^ t í ê ^ w r f a ^ M j h e l m i í l t W ^ ^
garosa. .anqrnro w*
•VVÜJU-]o.-- ' i o ^ ê £ é ^ â e ^ d o $ P o f este^É^Pqité até
80 oJifjm objso^ioligggjobíiaí, ^iíi5íK&&yu; I
r-».»nfr^r> m ^ t ' *T H n T . M í->b ?.0;IífóW?Jfcíií
a & » O Á % m y t o 6 L' mB fr &W mÚ -U Í fo 4 &B mm ) A- m ^ te &k m\ W Ú
/es -articles de M. de RQÍ , e de$I. Qi/esticr (e jils dans l' Ijtr&yelopedie, etc.
IV I N T R O D U C Ç A O.
agora tem apparecido em agricultura, ne-*
nhum se conhece, seja em que lingua for,
taõ completo, e que marche taô
perfeita*-•mente ao seu fim , como os de M.
Duhamel de Monceau. Nenhuns convém m e
-lhor ao estado da agricultura em França,
da qual todos os ramos saõ abraçados, e
descriptos.
M. T u l l , de quem este Acadêmico
il-. lustrou o Systema á perto de trinta annos
o publicou em Inglaterra, depois d'huma
longa serie d^bservações , e
d'experien-cias; porém naô foi adoptado, senaõ de
h u m pequeno n u m e r o , porque os
rendei-ros pouco , ou nada lem semelhantes
o-obras, e com difíiculdade se determinaõ
a huma grande mudança no methodo,
que tem seguido. Elles julgarão, que o
seu pedia grandes desvios , e fofa disso
naõ puderaô persuadir-se , que , naô se
se-meando mais , do que o terço ou quarto
do seu t e r r e n o , devessem em tempo
al-gum , como elle o p e r t e n d e , colher tanto
e mais , do que ordinariamente percebem
do todo dos seus campos.
M. Duhamel , e os seus zelosos
cor-respondentes , tendo aperfeiçoado muito os
instrumentos de M. T u l l ; "tem
demons-trado ao publico, por huma serie
continua-da
I K í l O D T J C'Ç A Ò , Y
da d'experiencias, a excellenciâ dos seus
principios. O feliz successo, que M. de
Chateauvieux tem conseguido em grande,
testemunha ao menos , que saõ possiveis á
execução do seu methodo , e ás suas
van-tagens extraordinárias. Naô obstante he de
temer , que da mesma sorte , que até aqui
tem acontecido em Inglaterra , que este
methodo senaô estenda a mais, do que a
alguns apaixonados , e que o commum dos
rendeiros , e cultivadores se obstinem a
conservar antes a sua praxe antiga , ainda
que taõ infructuosa, do que tomar sobre
si o fazer nella huma taô grande mudança.
Porém ainda que o methodo de
M.-Tull tenha sido taô pouco seguido dos
In-glezes, sabe-se naô obstante, quanto por
outra causa a sua agricultura se tem
aper-feiçoado á alguns annos a esta parte :
aug-mento , que por essa causa tem havido
nos seus gados, nos seus grãos, e ainda
na sua população , como também na
va-lia das suas terras , rendendo o duplo, o
triplo , o quádruplo, e ainda mais , do que
ellas produziaô a 5o annos. Seria útil, que
ao menos a sua prática moderna fosse
a-doptada em F r a n ç a , e he sem duvida ,
que ella aqui produziria os mesmos
e£Fei-t o s , e renderia florene£Fei-te a agricule£Fei-tura.
f j I N *•*<* R . O i ) i i D ' C 5 f i ôl
j lAmli mm^sè pri»cipia?,jaídtufacfâq > ^bnaE
dfe oMeiBj:dom«w$í^ que.ltatí^o os tem íèf"
Jisifcado-. MisÈküwhâõ^se alguns ^estigiòi^
tóai^atójidjaljiade^ra-dte^ ^ i e foiáipou**
eortraidu^ia© j^m^íxeiSfear^afe^^
mtutoy&u--pbrfíjdiaes,',; è muitasrdjescubertas-.-úteis, se
se temrfeiCio feit<Düqiiasi ,3o annos depois^
cjue- Bna^dley esjcreveõ.
-. , N>a ^aiojTipaEte, dos nossos livros ^que
á ipojuna ise^citaraô ,.. se tem feito menaiçáõ
cios: seus prados «rfclficiaiési. A Eiaoyidbpe*
dia no .e^eçellente: artigo «obre a cu-kuraidas
tenias , e os Elenientos^thjflGoiiiiiiiercio csep
Xermn .hurai^jxtimGfcoi (manoáold/humaiaaja
tái^ublidadjáieni
Ingl^i^ísobrax^inelho"-Vínèimito > \âasp ten^asnc^òíQoíii&dKxiaáí; Koíf
fídfe y :e ;#J|Dtr^j3enTL iikRiüafi ciFCUiHSíairciiíS
InÈeresaíisítes sobre, las^trumesr^iajasiiiii»!
t^Ufíis d a i s ^ r E ã ^ Naõírabstaní^imiiâi)S(jB»è
tob imrJD0fftarit©8ísa® aÍEalaiàgn©EaxlQS'yto »S
3*0! <o fôanpenh0i^e^hu3im)ímuásabíça eoasidfr*
j^lvel.ima/flgdkíiakuara-iie ^aiacíarftolyeaíJS^ff
íueçeáspitoxj hav?o
,[)ali^ma/iaotisa^íjdeldDn»i
íiadm yj xpififipoTásaí ajasíará^iísrai-ft a prática
a c t u a l ; . í< ;.,'i'".ft .^OÍ.JT/Í o c i; ÒÍJÍSÍJJJ-' •iri fj;>íí;j
JBíaõi ewtxar^imDSí,a^ui^asíiiieIi?íxfa.fá:«üíè8
desfia;-p&atica.., -qki© e^táítfesfciàjftaJ^iiqâli
eàíatla '* oam--muitai; biarctèeíap inpfii ^J-fol pdg
Qultm-íL /idas terras cie íütt.^nh&meè, ,<g&
ITN, "nn ojirstDC ç: AWÒ! *•#&
rrtor »ò articulo Fermims^ ele M. (^ffestta^
oíilhoi: a estas obròseri/^èaim-QQjaqitcfigíij
qu;e puderem igroomr>l>quaí*io igMiai prátí^
t k a lie preJTodjeaah, i e idfâ^Bicütiôsá,
e-quan-to he necessário reformalla. .f/íífJÍü^ng
Propoem-se pois descrever taô
exactamente , quanto o puder permittir a b r e
-vidade prescripta nesta obra , a prática
do melhoramento , e da cultura moderna
em Inglaterra, tal qual , ainda que por
huma adhesaô imperceptível dos antigos
usos naô seja agora geralmente seguida ,
ella tem mudado a face de todas as P r o
-vincias , que a tem executado.
Com tudo protesta-se , que se naô
pen-sa nesta obra dissuadir o methodo de M.
D n h a m e l , nem causar o menor prejuiso
aos escriptos deste amigo do gênero h u
-mano , que se destinou a illuminallo em
agricultura. Respeita-se o seu methodo ,
como demonstrado , e naô se propõem
es-te , senaô como mais apto de ser
facilmen-te concebido , e praticado pelo commurn
dos rendeiros , e ainda dos proprietários
e também como talvez mais susceptível
de ser adoptado.
Esta obra será dividida em duas
par-tes a I . dará as particularidades das
ope-rações , e c u l t u r a s , que se propõem , e
«riu i K T J o o u c f i i ^
dos seus productOjS: a II. tractará das
van-tagens , que disto podem resultar na
eco-nomia publica, e dos diversos pontos, que
interessaõ em geral a prosperidade da
a-gricultura.
EN-*±' . •yj_^-_i*i--_
E N S A Y O
;. ,n
S O B R E
O MELHORAMENTO DAS TERRAS*
P A R T E I.
(Dos Estrumes. >
. O . E já geralmente reconhecido em Inglaterra, e acha-se certificado por toda a qualidade de pro-vas-, que saô rarissimas as terras, que naô con-tenha© dentro do seu seio os estrumes próprios para ^melhorar a sua superfície , sem o socorro dos estéreos , e dos mais gêneros estranhos, e muitas vezes mais vantajosamente. Taes saô os marnes, ou margas, as gredas, os barros de to-da , e qualquer espécie, e no geral toto-da a casta de terra , que for de huma qualidade opposta á-quella, que se pertende melhorar. - • - >
A mesma arêa póde-se muito vantajosamen-r te empregar sobre as terras fortes, -viscosas , e compactas, ou condensas : e esta mesma tirada dos terrenos pantanosos faz também infallivel, e felismente o mesmo effeito sobre as terras areen-tas , e pouco polidas. Os Iodos , e os limos , ou nateiros dos rios , ,e agoas ©mancadas , como tam-bém as d o m a r , as suas diversas h ervas, e as suas arèas saô igualmente próprias para o mesmo , e estes estrumes encontraõ-se por toda a parte
so-bre as suas margens , e praias.
A E n s A Y o
Q u a n t o aos outros g ê n e r o s , ainda que-algu-mas vezes se e n c o n t r e m sobre, a superfície da ter-ra , estes acontecimentos 6aô ter-ranésimos ; p o r e m delles c o m m u m m e n t e se encontraõ veios s o b r e os lados dos caminhos ,* fundos das covas , dos p e g o s , dos p â n t a n o s , das margens elevadas dos ribeiros • emfim o mais seguro meio de os desco-brir , h e sondar o t e r r e n o em differentes lugares. Isto faz-se a pouco custo , pelo meio ©ias- sondas
( 1 ) , instrumentos feitos de p r o p ó s i t o , e próprios-para o effeito , que h u m h o m e m , òu dois ao mais fazem penetrar até a profundeza de dez , ou doze p é s : seria m u i t o i n ú t i l , principalmente ao nosso i n t e n t o , profundar mais , do que i s t o , vindo a ser por esta causa muito grande a despeza de ti-rar os estrumes , e esgotar as a g o a s , q u e se en>. contrassem.
D e s t a sorte nãõ somente se encontraria© ma-térias convenientes a fertilizar as terras , mas t a m b é m talvez se descobriria muitas outrasrr-der maior valor, c o m o saô minas de pedras d e c a n t a -ria , de c a l , de g e s s o , d e c a r v a ô , e t c . Assim se este m e t h o d o de sondar as terras fosse mais co-n h e c i d o , elle produziria os ico-nteresses do estado „ c o m o t a m b é m os dos proprietários. Se se naô igno-rasse , q u a n t o este m e t h o d o h e simples , e fácil na execução,- ninguém desprezaria procurar por este m e i o ' s o b r e o seu t e r r e n o estes diversos lhe? s o u r o s , que pôde p o s s u i r , sem o saber.
Os estéreos saô o principal e s t r u m e , de que se faz uso a c t u a l m e n t e . A maior p a r t e dos Lavra-dores espalhaô sobre as suas terras a q u e l l e s , que saô preparados no mesmo anno , antes que estejaô aperfeiçoados , e que as palhas , e as forrages, de
q u e (i) Veja-se a figura deste instrumento descripta no fim -lesta ©ira.
SOMl£ O M E I Í I I O I I A M K N T O DAS TEB.nA.S- 5
"fjÍTie.emigrando parte se c o m p õ e m , t é n h a õ c o m -p . e l a m e n t e a -p o d r e c i d o , e maturado. D e s t a sorte lie este estrume pouco útil , e pela maior parte nocivo , por conter em si as sementes de muitas castas de hervas damnosas , e de i n s e c t o s , q u e deVÓraô ao depois as plantas ,j ou as suas raizes. P o r é m se o esterpo ,' depois de ter sido conserva-d o hum anno , for conserva-disposto cuiconserva-daconserva-dosamente por camadas alternativamente cubertas de dobrada quantidade de terras de estrume acima indicadas, q u e r o d i z e r , de h u m a qualidade opposta , quanto possa ser a do c a m p o , para o qual he d e s t i n a d a , elle desta sorte se acharia muito augmentado para o anno s e g u i n t e , e taô bem acondicionad©, qu© h u m a carrada valeria mais , do que duas do
pri-meiro a n n o . ;1. E m alguns territórios de Inglaterra , onde as
terras saô muito férteis, e bem cultivadas, alguns rendeiros naô q u e r e m fazer covas nos seus cam*
E
os para tirar a terra necessária para acamar so-re o e s t é r e o : muitos tiraô para este effeito pou-c o m a i s , ou menos duas pollegadas de grossura da terra d e h u m c a m p o i n t e i r o , ' elles o l a v r a ô ao depois mais profundamente , e trazem desta sorte h u m a nova t e r r a , que com t a n t o , que seja de boa q u a l i d a d e , augmenta quasi sempre a fecundidado da antiga. Alguns annos depois , por meio do estéreo misturado com a t e r r a , o campo se tacha n o seu antigo n i v e l , e melhorado pára h u m a lon--. g a «erie-de annos. .. < -•' i • '1 A ourina dos gados , q u e a maior parte dos
cultivadores despreza , e deixa transportar pelas c h u v a s , naô h e menos ú t i l , do que o estéreo. E m Inglaterra muitos prepara© _ppr detrás das c a y a -lheriçes , e curraes h u m a s espécies de c i s t e r n a s , o n d e por diversos canaes se ajuntaô as o u n n a s , q u e misturadas ao depois c o m as terras , fazem
4" E X S A Y O . ' - 1 .
h u m excellente e s t r u m e . O sal m a r i n h o he igual* m e n t e efficacissimo , principalmente para as ter-ras pesadas , ou mediocres , na quantidade de quatro a cinco quintaes por geira , se se poder haver por h u m preço c o r n m o d o : e se isto assim acontecesse , seria por muitos t i t u l o s , b e m i n t e - , ressante á agricultura. A c a l , q u a n d o h e fácil o conseguir-se, da mesma s o r t e , que o artigo pren c e d e n t e , por h u m preço moderado , h e também h u m excellente estrume principalmente para as terras , q u e naô saô cultivadas ( 1 ) . Q u e m quizer instruir-se nist©, com© t a m b é m no modo de ser-vir-se dos mencionados artigos , consulte o ter-ceiro volume de Mr. DuhameL
E m Flandres , e N o r m a n d i a já se naô duvi-d a duvi-do effeito duvi-das cinzas proceduvi-diduvi-das duvi-das terras bi-t u m i n o s a s , ou inda das ordinárias, parbi-ticularmen- particularmen-t e sobre os prados n a particularmen-t u r a e s , ouarparticularmen-tificiaes. Porém o m a r n ç , geralmente faliando , h e o mais efíicaz d e todos o s estrumes conhecid©s e m Inglaterra sobre toda a qualidade d e terrenos , com t a n t o , q u e a e s p é c i e , d e que se faz u s o , seja b e m ap« plicada. Prescindindo da sua c o r , q u e para o ef-feito h e muito indtfferente , ha delle três espé-cies , cuja applicaçaò h e muitas vezes inteiramen-i t e contraria. H u m a dellas h e s i m p l e s , e p i t r a , e p o r isso leve , e succosa ,* a segunda argillosa, q u e h e p e s a d a , e compacta,* a terceira a r e e n t a : cada h u m a dellas applica-se s e m p r e com a maior felicidade á espécie da t e r r a , q u e lhe h e ©ppos&a.. H u m a s , e outras se ap.presentaõ quasi por toda a p a r t e a escolher ; e e m geral todo o m a m o
dis-(1) H e de p a s m a r , que a cal seja taô cara em algumas Províncias , onde as pedras calcinaveis , e as lenhas saô taô communs : isto absolutamente procede de naô saber destinguir
SOBRE O MEX.HOIIAMENTO Í3AS TERRAS. 5
idistingue-se da greda , ou argilla , por que ferve na agoa, e nella se dissolve facilmente , da m e s -m a sorte , q u e ao a r , e ao s o l , que fer-menta n o Vinagre, e que scintilla com estrepito no fogo.
E m muitas Províncias da França faz se uso d o m a r n e ; porém em muito menor q u a n t i d a d e , c e n t r a o meu p a r e c e r , como abaixo s e v e r a , por q u e he geralmente recebido ; e julgase terse e x -perimentado , que huma maior porçaõ queima a s t e r r a s , e as esteriliza por longo t e m p o , q u a n d o h e verosimil, que isto proceda da má applicaçaõ das suas diversas espécies. E m Inglaterra , em es-trumar os campos com abundância do m a r n e , naô se c o n h e c e outro inconveniente mais , do que a despesa , que em alguns Cantôes chega a vinte Luizes por cada geira. A g r e d a , o barro m a c i o , e b r a n c o , bem escolhido, e bem applicado t a m -bém h e utilissimo, conforme a e x p e r i ê n c i a , d o q u a l , assim com© do marne , também ha muitas espécies .* a mais b r a n d a , e a mais doce h e a m e -lhor : aquella que h e d u r a , e pedregosa , a n t e s d e se usar delia , deve ser exposta ao ar , e ao s o l , até que facilmente se possa pisar , e r e d u -zir a p ó .
A experiência tem mostrado grandes effeitos sobre muitas espécies d e terras , e ainda de qualidades inteiramente oppostas , c o m o sobre g r e -das muito sóli-das, e compactas , e aréas seccas. P o r é m , c o m o h e facillimo o engano a respeito das terras , sobre^às quaes se julgasse ser a mist u r a convenienmiste , e desmista sormiste se arriscaria m u i -tas vezes a applicar-se em puro p r e j u í z o , eu n a ô aconselharia o usar deste e s t r u m e inconsidera-d a m e n t e , n e m em graninconsidera-de quantiinconsidera-dainconsidera-de i aquelles q u e o tiverem á maô , poderáô fazer a experiên-cia e m v i n t e , ou trinta carretas delle para cada
geira f. e. depois nugmentar, conforme o effeito,
que
6 E N S A Y O
q u e experimentarem. Ella produz c o m mais íe* licidade , e segurança o seu effeito, sendo mistura-da com o e s t é r e o , ' ou com o lodo , e limos-, ou nateiros dos rios , e alagoas h u m a n n o antes de se pôr em uso. Estas gredas , sendo calcinadas , pro-duzem os mesmos bons effeitos , assim c o m o a c a l ,
c a menos custo ; porém naô obstante h u m a , e o u t r a , deve ser acompanhada do e s t é r e o , porque d e outra sorte ellas queimariaô as terras , e as fariaõ absolutamente fracas , e inúteis no fim d e algumas colheitas de gràos consecutivas. Por ultimo eu m e persuado , que ha muito poucos t e r r e n o s em F r a n ç a , nos quaes h u m a applicaçaõ engenhosa naô achasse motivo para p ô r e m uso algum destes diversos meios.
Da differente natureza das terras, ê da qualidai de ,' e quantidade dos estrumes, quê convém
á cada huma.
O calculo indicativo da natureza das terras e s t á ainda muito pouco adiantado. Ella pôde des-tinguir-se pela profundez da c a m a d a de terra ve-g e t a l , isto h e , o estéreo reduzido a terra , pela qualidade do leito da terra , que está debaixo , pelas espécie de hervas , que nella crescem na-t u r a l m e n na-t e , pela c o r , pela fraca uniaô das par-t e s , que a compõem pela solidez, e d e n s i d a d e , pelo peso , dissolubilidade, vitrificaçaõ, ou cal-cinaçaõ , o gosto , e as mais qualidades sensíveis. P a r a isto seria necessária h u m a serie de c o n h e -cimentos extensissimos, e o b s e r v a ç õ e s , que até agora senaõ encontraõ em algum naturalista. E m q u a n t o pois naô apparece huma instruecaô mais e x a c t a sobre este ponto , será sufficiente para a -agricultura, designar as terras pelos treS princi* pios primitivos, dos quaes ; ao q u e . p a r e c e , e m
SOBRE O MELHORAMENTO DAS TERRAS. J
m a i s , ou em m e n o s , saô c o m p o s t a s , como saô as terras o l e o s a s , e formadas pelos e s t é r e o s , q u e p a r e c e ser h u m puro resultado das partes vegei t a e s , e a n i m a e s , a greda, e a aréa.
Estes três princípios , que p ô d e ser naô s e -ja© mais , do que d o u s , se a g r e d a , c o m o pensa M r . de Buffon , naô he mais , do que h u m a aréa a t t e n u a d a , e q u e t a m b é m pôde ser naô sejaô essencialmente mais , do que hum Í,Ó principio., se as partes vegetaes saô formadas do l o d o , q u o d e p õ e m a greda dissolvida , daõ com tudo q u a t r o espécies muito differentes n a Agricultura : a saber
i . ° As terras fortes o l e o s a s , e formadas d o e s t é r e o , onde estas partes vegetaes , sendo d o -m i n a n t e s , t e -m algu-ma -mistura das outras duas : nós a r e s p e i t a r e m o s , como a primeira e s p é c i e , inteiramente superior em qualidade á todas a s mais.
2 .0 As gredas puras , ou dominantes c o m
mistura de pouca terra da vegetal , podem, s e r consideradas, como a segunda espécie em qua-lidade.
3. ° Alguma mistura de greda , e de aréa r
ou s a i b r o , dominante com h u m a parte de terra v e g e t a l , fôrma a terceira espécie,, m e d í o c r e e m qualidade.
4 . ° E m fim as a r é a s , e os saibros puros-, e dominantes com alguma pouca terra da v e g e t a l , formaõ a quarta espécie , inferior em qualidade a todas as outras. Nesta classe podem ser com* prehendidas todas as terras leves , e seccas.
A primeira espécie cultiva-se facilmente, h e Fecunda para todas as producções , e , m e d i a n t e h u m a cultura b e m o r d e n a d a , naô precisa d e al-gum e s t r u m e . A segunda espécie das terras argi-l o s a s , e barrentas he forte , p e s a d a , fria, e com-pacta - e n d u r e c e s s e , e fórma.-se em massa c o m
5 E X S A Y O
o ardor do sol , c o n s o l i d a - s è , e u n e - s e com as agoas da chuva , e os calores do estio formao aberturas na sua superfície. E m fim estas t e r r a s saô sempre muito trabalhosas para se lavrarem.. P o r é m podem-se melhorar com sessenta até c e m carretas de aréa c o m m u m para cada geira , ou com cincoenta carretas de aréa do m a r , ou dos rios , ou com vinte carretas de lodo do m a r es-í branquiçado , leve , e solto , ou com sessenta, ou oitenta 'carretas de m a m e puro , ou areento ; porém naô barrento. E m fim, naô se podendo a-i c h a r huma quantidade sufficiente destes estru-m e s , havendo estru-meios de procurar-se o estéreo misturado com duas partes , ou três de terra a mais leve , e solta , que se possa encontrar , e guardada h u m a n n o , como se disse a c i m a , cinc o e n t a a sessenta cincarretas por geira poderáõ m e -lhoralla para muitos annos.
A terceira espécie com a mistura d e g r e d a , ou barro , e de aréa , ou saibro participa mais, o u menos dos defeitos de qualquer dos dous gê-n e r o s , que gê-nella for domigê-nagê-nte , e deve ser posta -em ordem pelos estrumes para isso convenientes, e principalmente pelo m a r n e . A quarta espécie das terras a r e e n t a s , pedregosas , e seccas h e in-t e i r a m e n in-t e opposin-ta á segunda , sendo s o l in-t a , ar— d e n t e , e e m todo o t e m p o fácil para lavrar-se : O s estrumes , que lhe c o n v é m , saô t a m b é m pre-c i s a m e n t e os pre-c o n t r á r i o s , a s a b e r , pre-c e m , ou pre-cento e vinte carretas de greda , ou vinte e cinco de lodo preto d o m a r , ornais p i n g u e , e o mais pesa-d o , ou cincoenta a sessenta pesa-de l o pesa-d o , ou nateiros dos rios , dos lagos , ou dos poços ; ou das terras p e gajosas tiradas dos terrenos p a n t a n o s o s , ou ao m e -nos cem carretas de m a r n e barrento , e pesado e n a ô p u r o , e s o l t o : e m fim na falta de todos estes SOCCQITOS, cincoenta a sessenta carretas d e h u m a
-SOBRE O MEJUHORAMEMrTft "DAS TEI\RAS. . £
mistura d e e s t é r e o , , preparadoupa^fé-rnia acima r e c o m m e n d a d a , com duaõ , ÍOU três partes ,da ter;
-ra a mais pingue , que se poder encont-rar. Aqui deve observar se , que tudo , quanto t e -n h o dito dos estrumes , ao m e -n o s , os extraordif n a r i o s , e em taô grande quantidade , naô respei-ta as terras cultivadas , t.potque delles,,,uaq, tem
necessidade. Para estas será bastante variar ia sua cultura na f ô r m a , que abaixo d e s c r e v e r e i , para as conservar sempre em bom estadp. Eu naô in-dico istp , senaõ para as; terras incultas., e corti
pouca substancia,/paia #; pioduccaô dos trigos.,
ou para aquellas , .que estaõ enfiaqu< çidas, pqf colheitas suecessivas , e desordenadas. Fu perden-do , que , pelos meios propostos , estas mesmas t e i r a s , t> que ainda os peiores ten.enos só capa-zes de produzir inatas bravas, e as, tliair.ecas mais estéreis do íleiu© podem ser postas , t m, estado de produzir .tanto , ou mais*, do que ^ r e d u z e m acLuaimente ; s melhores du F r a n ç a .
,,*-Da tapagem das,, terras. ,...
O costume de cercar as terras principiou á muito tempo em .Inglaterra , e agora- ^he nella quasi geralmente recebido. A experiência t e m mostrado , que sem mais vantagem , do que esta , as herdades quasi dobiaõ o seu vr-lor. Em F i a n ç a por toda a, pai te póde-se .igualmente,, advertir-, _qúe hum terreno fechado se.arrenda sempre
pe-lo d o b r o , e muitas vezes pepe-lo quádruppe-lo do pré--ço , porque se arrenda o campo vizinho, qu<-, a í e s e i v a de estar a b e r t o , he em tudo o rriais igual ao primeiro. ,->r v>
Ao principio fizeraõ-se as tçpage-ns com mu* ,ros ; poiéufv cqmo ade^peza de os ed^nçar , e r e
-parar era m u i t o grande , --lém--de i.ue . m.ó eua
4 0 E X S A Y O
fácil a c h a - s e pedra por toda a parte , assentou^ se aue h u m vallado com huma boa seve d e sil-vas era rnuito melhor por todos os respeitos. D e sorte , que e m Inglaterra , se ha alguma t e r r a , q u e naô esteja ainda tapada , na expiração do ara
r e n d a m e n t o naô se deixa de estipular com o ren-deiro , que , correndo o t e m p o do novo ajuste , a ha de fechar i h t e i r a m e n t e , e q u e , além d i s t o , q u e a ha de dividir em tapagens s e p a r a d a s , pro-porcionadas á extensão da herdade : e o rendei-i "ro h e sempre amplamente pago do seu trabalho, -e dos setis gastos pelo augment© , que
considera-v e l m e n t e lhe resulta nas suas colheitas de grãos, •è de fenos.
Na verdade os grãos , e as hervas saô entaô defendidas de todas as espécies de a n i m a e s , que poderia© ahi vir p a s t a r , e no i n v e r n o , quando a terra está branda , causar-lhe ainda maior ruina com os seus pés. A entrada fica também igual-í m e n t e fechada aos paisanos , que no outono vem colher as palhas com grande prejuiso da t e r r a , para a qual saô ellas h u m exeellente estrume na-.tural, como t e m o b s e r v a d o Mr. de Ghateanvieux , *e h e isto hum abuso muito geral e m França. Poi
r é m a maior vantagem h e o a b r i g o , e o a m p a r o , q u e trazem os silvados. Elles aquecem , e mudaô o c l i m a , ao q u e parece : elles defendem os grãos, as h e r v a s , e os rebanhos dos rigores do i n v e r n o , e dos ventos destructivos da primavera , de s o r t e , q u e se tem experimentado , que c o m estes repa-ros saô as colheitas muito menos t a r d i a s , e mais a b u n d a n t e s . D a mesma sorte os vallados desec-c a ô , e esgotaõ as terras das desec-chuvas do i n v e r n o , e por isso as conserva© em estado de serem la-'vradas em todo o tempo.
Seria pois bem importante o cuidado de cerc-ear da mesma fôrma todas as terras em F r a n ç a .1
SOBRE O MELHORA.MKXBO.' DAS TERRAS. t%
©logo se conheceria© os seus excellentes effeitos. H u m vallado d e seis pés de largo , e três a qua-. t r o de f u n d o , munido de huma cerca viva, de es-pinheiro alvar , he muito sufficiente , á e x c e p ç a ô da vizinhança dos bosques , ©nde se precisa de de-feza contra os animaes silvestres.
E m todas, e quaesquer Províncias da F r a n -ça pôde-se abrir hum semelhante vallado d ê e m » . Sreitada sobre a convenção de três a quatro
sol-os por braça , e dous soldsol-os pela formação d© si vado. Em todos os dezoito , o u vinte: pés d© distancia na mesma linha do cercado se deve plan-tar hum c a r v a l h o , hum o l m o , huma faia., h u m f r e i x o , ou outra qualquer arvore conveniente ao t e r r e n o . Elias servem para fortificar a tapagem , e fornecem para o futuro madeiras ú t e i s , além d o abrigo , que fazem aos animaes no inverno , e n o estio.
Em quanto o silvado he novo , precisa-se e x a c t a m e n t e alimpallo das hervas más , e no se-gundo anrio he necessário coEtallo j n m o á terra. ]No t e r c e i r o , e qiiarto anno elle formará hum a-brigo muito vantajoso para as t e n a s , e no quin-t o , ou sexquin-to elle as defenderá de quin-toda a espécie de animaes. O que se cortar dos espinheiros, e das arvores , servirá de lenha paia o uso do ren-deiro , e lhe resarcirá o cuidado dè o entreter em bom estado.
Como os campos saô ao presente todos abertos na maior parte das Províncias de F i a n ç a , s e -ria necessário se se emprehendesse o c e i c a l l o s , huma grande quantidade de espinheiros, e n o t e caso precisar-se-hia formar com todo o cuidado viveiros , ou sementeiras delles por toda a parte. Isto póde-se effeituar, ou por meio de s e m e n t e s , ou das fibras das raizes dos espinheiros velhos. Fazendo-se por via das s e m e n t e s , h e necessário
se-1 3 E X S A Y O
sémeallas sem demora depois de colhidas, ou ti-n d à s de cima da arvore , p o r q u e isto faz a v a ti-n ç a r h u m anno no crescimento. •«'''
-Quando, huma h e r d a d o está i n t e i r a m e n t e cercada , he preciso dividilla por vallados s e m e -lhantes , guarnecidos de alas de espinheiros em h u m certo numero de partes iguaes , e m a i o r e s , ou menores , /segundo a sua extensão , e a na-tureza do t e r r e n o , como de dez até vinte c i n c o , ou ao m a i s , ; trinta geiras. Cada Inima destas ta-•pagens menores , deve ser disposta de m o d o , q u e haja para ellas hum livre accesso do casal , o q u a l , ornais que puder s e r , deve estar colocado n o c e n t r o .
o Ordem, e exercício do melhot amenõo, e dLt cultura,.
I . E S P É C I E . .
Das terra» vegetaes, e oleosas.
o i
Esta primeira espécie h e quasi sempre o p r o * á u e t o do trabalho , e dos e s t é r e o s , e quasi que se-não encontra nos campos de alguma extensaôi Porém em t o d o © c a s o , send'o , como se diz-, fe-étànoV d e sua natureza , na© se deve tratar d© m a i s , senaõ de a conservar neste estado por hu-ma cultura bem. ordenada , e aquella . que se vai a descrevei- para a segunda espécie das terras pe-sadas' , lhe será perfeitamente applicavel.
SOBRE O MELHORAMENTO EAS TERRAS. » 5
I I . E S P É C I E .
Das terras argillosas , e pesadas.
Se o terreno h e j á c u l t i v a d o , naô exige t a n -to t r a b a l h o , nem tan-to estrume. Porém por evi-tar toda a difficuldade , suppoem-se que esteja sem cultura , e que conste de terr.i a mais f o r t e , e a mais pesada. Principie-se, a poder s e r , pelo p r e p a r a r , e íotear no outono , para que os gelos do inverno o abrandem para a primavera , e d e s -truaô os torrões cobertos de herva , para cujo ef-feito he necessário ter todo o cuidado em as voltar perfeitamente debaixo para cima.
No caso , que se encontre a terra muito for-t e , e r e n i for-t e n for-t e ao for-trabalho , seria bom empregar nesta roteaçaõ a charrua dentada de Mr. de Cha-teauvieux , da qual se achara a descripçaó , e o» usos no IV. volume d e Mr. D u h a m e l . Succeden-do encontrar-se o marne , a aréa , ou outros quaesquer estrumes convenientes á estas terras t e n h a se o trabalho de tirar huma certa quantidade d e l -l e s , q u e , postos em m o n t e s , se deixará© seccar ao ar para perder algum tanto do seu peso , e ficar mais fncil o seu transporte.
Na primavera, logo que a terra estiver suf-i c suf-i e n t e m e n t e e n x u t a , será segunda vez l a v r a d a , principiando-se pelo inesmo vlado , por onde se. começou a í o t e a r , E s t e segundo lavor finali-sado , acarrete-se © m a m e , ou outro qualquer e s t r u m e para o terven© na quantidade acima indicada , começando sempre a lançallo pelo . m e s -m o l a d o , por onde se principiou a lavrar, e es-palhando cuidadosamente o estrume sobre a ter-: ia ao inesmo passo , que se for conduzindo.
E n t r e tanto se h i t á dando h u m tercei* o lan v o r ,
*4 E X 9 A Y O
vor , lavrando em cada h u m dia o t e r r e n o , - s o * bre o qual na véspera se tiver espalhado o estru-m e , a fiestru-m de que naô tenha teestru-mpo de poder al-terar-se pelo calor do sol , e dessecar-se pelos ventos. He necessário , q u e este terceiro lavor s*eja algum tanto mais profundo , do q u e os pri-m e i r o s , o que será tanto pri-mais fácil, quanto ater-ra tiver sido mais tater-rabalhada, e todos os três se devem fazer em termos , que a terra fique pla-na , e sem alguns regos f u n d o s , n e m levantados.
Se depois deste terceiro Javor os torrões naô estiverem inteiramente desfeitos , e a terra b e m m o v e d i ç a , far-se-ha gradalla com huma graw d e pesada , armada de dentes de ferro , até que fique inteiramente plana , e reduzida a pó. No fim de Julho , ou principio de Agosto pôde co-meçar-se a dar o quarto , e ultimo lavor , o qual também deve ser appianando inteiramente a terra , e crusando os três trabalhos preceden-tes , e he preciso , que seja concluído até meado d© Setembro.
Escolha-se para as sementes do trigo o mais p e r f e i t o , o mais grosso, e o mais pesado : seis a l q u e i r e s , medida de Paris , saô t a n t o , quanto h e preciso para huma geira de cem varns de vin-t e pés de comprido cada huma. Escrupulosamen-t e devem ser separados Escrupulosamen-todos os grãos defeiEscrupulosamen-tuo- defeituo-sos , e todas as s e m e n t e s , que naô forem conve-n i e conve-n t e s .
A necessidade de preparar as s e m e n t e s , que até aqui quasi naô era fundada , senaô sobre pre-juizos i n c e r t o s , foi a pouco c o m p l e t a m e n t e de-monstrada pelas bellas experiências de M r . T i l l e t , ao menos quanto ao effeito de prevenir a ferru-ge para que se deva dispensar delia , e nada a este respeito se pôde empregar d e m a i s s i m p l e s , e de menos dUspendio , do q u e a p r e p a r a ç ã o , q u e
ei-SOBRE 0 MELHORAMEXTO DAS TERRAS. l5
elle d e s c r e v e , da água de barrella ( O c o m m u m . As,sementes preparadas desta sorte lançem-se á terra , e depois seja gradada ao longo , e a t r a v é s , a t é q u e fiquem inteiramente c o b e r t a s , e a terra u n i d a , e sem aparência alguma de torrões.
Se tudo isto se executar com c u i d a d o , pôd e racionavelmente esperarse huma primeira c o -lheita de oito a déz , e até quinze sextarios por cada geira. Na Inglaterra hum terreno assim p r e -parado rende muitas vezes mais do que i s s o : naô obstante ametade seria estimada em F r a n ç a , c o -m o hu-ma boa colheita , e na verdade naô seria hum producto medíocre para o primeiro a n n o , havendo respeito aos mais , que devem seguir-se.
Depois da colheita lavrar se-haõ , tanto que puder ser , os campos junto com as palhas, e a terra ficará assim até Março : entaô se lhe dará huma segunda lavra cruzada , e se semeará d e c e v a d a , podendo s e r , durante o tempo s e c c o , e a quantidade delia será também de hum meio sextario para cada geira. D e v e - s e esta preparar com o mesmo c u i d a d o , que se disse do trigo , e gradar-se-ha da mesma fôrma , até que a terra
fique unida , e sem torraõ algum.
Será útil no mez d e Maio , quando a terra está secca , e d u r a , passar sobre ella pesados r o -los de páo , como ?e pratica na cultura da aréa ; isto faz , com que a terra se una mais ao graõ , e o faz enterrar muito mais. Assim pódese e s -perar colher tanto de cevada , quanto se tiver recolhido de trigo no anno a n t e c e d e n t e .
A colheita far-se-ha em Julho , e logo depois se lavrará h u m a vez a terra de s o r t e , que fique
pla-(1) Veja-se o resumo das experiências feitas por Ordem do Rei em Trinnon. 2. conforme a medida de França.
1 6 E X S A Y o
plana , o que pôde ser acabado no principio de Setembro.. Ü campo será gradado por todos os la-dos , até que. os torrões liquem reduzila-dos a p ó , e a terra muito unida ; depois do que se lhe da-rá hum segundo lavor , e se semeada-rá á propor-ção de trigo escolhido , e preparado , como se tem dito , e a colheita delle será quasi taô boa, c o m o a do primeiro anno. P o i é m se as palhas estiverem bastantemente seccas para serem fa-, cilmente q u e i m a d a s , ou e m p e , ou em montes, e as cinzas forem cuidadosamente espalhadas
antes do primeiro lavor , o segundo será mui» torrmais fücil ,T e a colheita melhor.
I I I . E S P É C I E .
Das terras misturadas, e medíocres.
Esta terceira e s p é c i e , s e n d o , como se dis-s e , compodis-sta de inaidis-s , ou de menodis-s da dis- segun-da , e segun-da q u a r t a , o seu m e l h o r a m e n t o , e a sua cultura devem ser ordenados em hum dos douS rjmodos, que acima se descreveo , ou que se lia
de descrevei* abaixo , segundo o que ella tiver d e diminuição , ou de excesso de h u m , ou do outro gênero.
SOBRE O MEXHORAMEXTO DAS TERRAS. 1J
I V . E S P É C I E .
Dds terras areentas, pedregosas , e leves. K's terras desta n a t u r e z a , sendo
naturalmen-t e desligadas , será basnaturalmen-tannaturalmen-te o dar naturalmen-três lavores. I m m e d i a t a m e n t e antes da segunda se lhe ajun-tará o estrume de algum dos gêneros indicados, que estiver mais á maõ o procurar-se , e igual-m e n t e haverá o cuidado de o igual-moer perfeitaigual-men- perfeitamen-t e , e espalhar com igualdade, e depois de h u m terceiro lavor se semeará de trigo quasi na m e s m a quantidade , e preparado , como fica dito. P o -rém o modo de cobrir a semente deve ser diver-so ; por que ella ha de ser profundamente enter-rada , a fim de que as plantas ahi e n c o n t r e m , e conservem mais humidade , do que a superfície sempre secca em semelhantes terrenos.
He isto o contrario , do que em França pra-ticaõ muitos : nestes cobrem-se de novo super-ficialmente com a g r a d e , e nos pesados lavraõ-os por cima da s e m e n t e . Mr. D u h a m e l , que refere
este uso , sem o approvar , diz , que elle he fun-dado , em que a grade naô seria sufficiente para isto , por causa da grossura , e dureza dos torrões. *Mas isto naô deveria assim ser , se a terra fosse
preparada c o m o deve ser para o trigo .* e quanto ella he mais sujeita a endurecer-se na superfície, e reter no seu seio h u m a humidade nociva , quan-do o calor a naô penetra , por tanto parece , que se deveria menos procurar enterrar nella as plantas. Q u a n t o á espécie , de que agora t r a t a m o s , poder seha semear sobre a t e r r a g r ; d a d a , e u n i -da , e tornar a cobrir por hum pequeno l a v o r ; mas esta operação se íará ainda muito melhor c o m alguns dos semeadores descriptos por Mr.
-l 8 E X S A Y o
D u h a m e l , convenientes a este effeito. E m falta deste pôde hum h o m e m seguir huma charrua or-dinária , semeando ao mesmo tempo no r e g o , q u e ella a b r e , e que ella cobrirá pelo seguinte. Se iito custar alguns jornaes para este h o m e m , el-les se desforrarão na semente , da qual menos se p r e c i s a , sendo mais bem distribuída.
Gradar-se-ha ao depois , até que a superfície da terra fique u n i d a , e naô h e de t e m e r , q u e a semente ache difficuldade em romper a grossura da terra , que a cobre , como deve acontecer nas terras fortes , de a e n t e r r a r e m muito. Esta pri-meira colheita de trigo s e r á , mediante todas es-tas precauções , taô boa , como sobre as terras da .segunda espécie.
Logo depois da c o l h e i t a , que h e sempre mais temporam nestas terras ligeiras , arrancar-se haõ as palhas, que seraõ queimadas em m o n t e s , e as suas cinzas espalhadas cuidadosamente. Dar-se-ha h u m breve lavor com a maior diligencia , q u e possa s e r , antes que a estação se adiante : p a s -sar-se-ha h u m a vez a grade para unir a superfí-cie , e se semeará de turnep , ou de nabos de cas-ta grande , depois de ter feito escas-tar a s e m e n t e por espaço de quinze horas de infusão em ouri-n a , e de a ter depois disto salpicado com ferru-ge de c h a m i n é , e feito seccar até o ponto dè' á poder facilmente semear.
Julga-se ter-se experimentado em Inglater-ra , que esta prepaInglater-ração as defende de certos in-sectos inteiramente semelhantes ás p u l g a s , q u e como se sabe , roem as suas folhas seminaes á medida que vaõ nascendo , e que' as destroem muitas vezes inteiramente. Mr. de C©mbes na sua obra sobre as Hortas assegura pelo contrario / que* naô teve melhor successo com ella, do que c o m qualquer outra j e por isso- quasi nada se p e r d e
SOBRE O MELHORAMEXTO DAS TERRAS. J J
e m servir s© delia a todo o risco. Porém , o que se tem por mais certo , h e , que este insecto quasi q u e naõ apparece , senaõ no tempo d a s e c -ca , e assim , podendo esperar as chuvas para se-m e a r , seraõ as sese-mentes preservadas delles. Esta s e m e n t e deve ser l e v e m e n t e coberta de novo á grade , e h e útil passar ao depois por ella h u m rolo p e s a d o , para comprimir a terra por cima.
Se os nabos nascerem muito densos , ou bas-tos , como h e de esperar , se o tempo lhes for favorável, diminuir-se-haõ facilmente com h u m a enxada de três a quatro pollegadas de l a r g o , q u e destruirá o supérfluo, e reforçará a terra para a n u t r i ç ã o , do q u e ficar : mas esta operação naô se deve fazer , antes que elles perfeitamente t e -nha© tomado raizes. Elles cobrirão a terra antes d o i n v e r n o , e forneceráõ huma colheita utilissi-m a para o sustento dos bois , das vaccas , dos carneiros , e dos p o r c o s , durante o inverno , e a primavera.
Ha outra maneira mais simples , que h e s e -m e a r dous , ou três arrateis por geira co-m a -maior igualdade , que possa ser , sobre cevadas , aveias, e r v i l h a s , ou favas , i m m e d i a t a m e n t e antes de ser e m cosertadas. Os segadoseres , e as caserseretas c o m -p r i m e m s u f i c i e n t e m e n t e a semente na terra , e ella nasce logo entre a p a l h a , onde se desbastaõ com h u m a enxada algum tempo depois. D e s t a m a n e i r a poupase h u m a lavoura , e c o m m u m -m e n t e a c o n t e c e b e -m . A, succeder -m a l , naô se p e r d e mais , do que a s e m e n t e , e se alguns dias depois se p e r c e b e , que ella naõ tem n a s c i d o , da-se-Ihe.hum lavor l i g e i r o , e torna-se a semear c o m novos grãos.
Q u a n d o a terra está s e c c a , os c a r n e i r o s , e
os porcos podem comellos no mesmo campo , com
tanto , q u e haja attençaõ a naõ lhes abandonar
tU-20 E X S A Y O
tudo de huma v e z , mas sim d e o s n a õ m e t e r e m h u m a pnrte , senaõ depois de ter consumido a
outra. Se o terreno estiver h u m i d o , he necessa-; rio tran-sportallos, e fazellos c o m e r aos animaes. em hum lugar s e c c o , a o q u a l os seus e x c r e m e n -tos adubarão. A respeito dos b o i s , estes nunca se deixaráó ir aos nabaes , porque faraó muito damno ás terras com as suas unhas.
Na p r i m a v e r a , assim que os nabos se arran-carem he preciso dar h u m lavor pr©fundo , e semear ao mesmo tempo ao arado , como se fez para o t r i g o , igual q u a n t i d i d e d e ervilhas bran-' cas , e h i v e r á huma colheita prompta , e excel-l e n t e . Depois que as erviexcel-lhas forem recoexcel-lhidas, lavrar-se-ha a terra , e será s e m e a d a de nabos, c o m o no a n n o a n t e c e d e n t e •• depois dos nabos, m p r i m a v e r a , lavrar se ha a t e r r a em c r u z , e
se-ja semeada de cevada á charrua , ou nos regos a maõ , c o m o se fez com os trigos , e com as
ervilhas.
Obs ervacao.
Ter-se-ha seguramente reparado , que nestas diversas colheitas se naõ t e m feito mençaô algu-ma de aveia , n e m de centeio , dos quaes presen-t e m e n presen-t e se semea h u m a grande quanpresen-tidade em F r a n ç a • porém eu penso , que isto he huma pro-va do máo estado da sua agricultura , porque se naô pôde fazer h u m uso mais miserável das
terras.
O centeio naô serve , senaõ para o sustento do povo mais humilde : e se em seu lugar se achasse o meio de fazer transferir o trigo para t o -das as terras da França , elle seria mais bem nu-trido , e mais em estado de supportar a fadiga do
seu trabalho.
«OBRE O M E L H O R A M E N T O DAS TERRAS. Hl
A aveia pôde ser considerada , como mais necessária para o sustento dos cavallos : e n a v e r ^ dade naô se vê na maior parte das Provincias, mais do que campos de aveia a perder de v i s t a , que apenas rendem ao lavrador as suas s e m e n -tes , e o seu lavor. Nós procuraremos fazer disto h u m melhor u s o : e quanto ao sustento dos c a -vallos , a cevada (1) convenientemente adminis-trada , nutre os m e l h o r , do que a a v e i a , como se experimentou ápoucO em Inglaterra, e em t o -dos os tempos n a H e s p a n h a , e B e r b e r i a , onde elles s.iõ os m e l h o r e s , e os mais valentes do m u n -do. Naõ obstante se os Lavradores se desgosta-rem disto , podem fazer a sua terceira lavoura em c e n t e i o , ou em aveia, e eu c r e i o , que para o futuro naõ teraõ mais a tentação de a repeti-, rem , vista a differença do producto , que nella acharem.
Agora depois de se ter explicado a cultura dos três primeiros annos em cada huma das es-pécies de terras , he necessário proceder á mu-dança , que as deve seguir ; por que n e n h u m bom Lavrador em Ingl; t e r r a , depois de se fazer mais hábil em agricultura , faz sobre o m e s m o campo mais de três searas de graõ consecutivas.
Dos
( i ) He preciso passalla ao moinbo para lhe quebrar o bico d o graõ , o que faz perfeitamente por h u m a , ou duas pas-sages de mau.
2 2 E X S A T O
Dos Prados artificiaes. Do Trevo.
A terra , depois de ter dado três colheitas de g r ã o s , deve ser applicada á p r o d u c ç a õ das hervas. Para este effeito , queimar-se»ha a palha logo de-pois da colheita , e se espalharáõ as cinzas : dar-se-lhe-ha h u m a boa lavrage , depois da qual se gradará muitas vezes com h u m a grade de gran-des dentes , para ajuntar c o m p l e t a m e n t e todas as hervas más , r a i z e s , e immundicias em mon-t e , para se queimar de novo , e dismon-tribuir as
cinzas.
Se a terra h e forte , e f r e s c a , deve ser se-, m e a d a de trevo , o qual se pôde tirar de Flah-d r e s , onFlah-de h e excellente. Saô precisos vinte ar-i rateis de graõ para cada geira : estes se meteráÔ* e m a g o â , e se agitarão b e m , separar-se-ha tudo aquilío, q u e vier acima da agoa , e a semeadura, se fará no fim de A g o s t o , ou no principio de Se-t e m b r o por h u m Se-tempo c a l m o s o , e c o m grande, attençaõ , a que se espalhe com igualdade. Ao depois gradar-se-ha com h u m a grade de dentes, apertados até q u e a terra fique bem unida , e assim a s e m e n t e nascerá bem , e cobrirá a terra, antes do i n v e r n o .
D e s d e que g e a r , e a t e r r a se fizer bastnnte-m e n t e solida para sustentar os carros , conduzir-, se-ha para ella do estéreo de dous annos , mis-turado , como se disse , com h u m a terra l e v e , e solta doze a quinze carretas p o r geira , as quaes se estenderão cuidadosamente sobre toda a super-fície : igualmente se terá g r a n d e cuidado , que ahi naõ e n t r e m animaes alguns , e m q u a n t o a terra estiver branda.
SOBRE O MBlífec-RAMÊXTO 'DAS TERRAS. 2 ?
Se o campo estiver amparado de huma ta-p a g e m , elle ta-produzirá a herva logo no ta-princita-pio da primavera , e ella poderá ser segada no prin-cipio de Maio , ou inda antes ; mas h e necessá-ria a cautela , de se naõ dar nos primeiros tem-pos grande porçaô delia âòs animaes , por q u e , como saô muito golosos delia , causar-lhe hia h u m damno considerável; Se o estio for h u m i d o , ha-r vèraô ainda duas boas segas, e no segundo a n n o o trevo será ainda muito mais forte , e m e l h o r , que no primeiro.
Elle he excellente para oscavallos, os b o i s , e as vaccas ; porém he preciso conduzir-lho ás e s t r e b a r i a s ; porque a deixallos p a s t a r , elles des-truiriaô , e pizariaõ mais do que o que comessem. Outro uso muito mais vantajoso , que delle se p ô d e faàer , h e o sustentar os porcos. Por e x e m plo , se se comprarem porcas prenhes , e se i n -troduzirem duas dellas em cada geira entre o trevo no fim de Abril , e que ellas pastem por toda a sua extensão em liberdade , cada huma dellas pariiá em Maio cinco a seis , ou oito l e i -tões , os quaes crescerá©, e se faraó úteis prom-, p t a m e n t e pela quantidade do leite , que lhes subministraráõ as mães , sendo sustentadas e m h u m pasto taô abundante. Elles mesmos c o m e -çarão logo a c o m e r com a p e t i t e : em fim no prin-: cipio de O u t u b t o elles estarão bastam e m e n t e corpulentos para serem vendidos por doze , ou quinze francos cada hum , e as suas mais seraõ mais gordas e de maior valor, do que quand© foraõ compradas.
D e s t a sorte , se cada porca tendo cinco lei-tões , cada h u m delles se vender por doze libras , tirar-se-haõ c e n t o e vinte libras de lucro por gei-ra em h u m anno de hervas , sem dispendio al-g u m . Se alal-guns fossarem a terra , o que raras
ve-5È4 E X S A Y o
vezes acontece ,.-.-, quando elles se apascenta© do trevo , isto se impede por meio de h u m annçl passado no focinho.
Como o trevo tem o defeito de se fazer n-». gro com a menor c h u v a , que lhe s o b r e v e m , quan-do está segaquan-do ,^'e também d e seccar-se diffiçil-m e n t e , 'diffiçil-mistura-se bediffiçil-m-ordinariadiffiçil-mente ediffiçil-m In-glaterra com outra casta de herva c h a m a d a
ray-grass, e em Latim lolium, que produz h u m feno
excellente., e abundantíssimo ; porém julga-se,, que enfraquece as t e r r a s , ou ao m e n o s , que as naõ deixa e m taõ bom estado , como as outras hervagens. Assim' eu na© aconselharei o semealla, senaõ nas tapadas que se destinarem para o sus-t e n sus-t o em secco dos animaes. Ajunsus-te-se seis a oisus-to alqueires de raygrass a doze arrateis de trevo, e semeem-se separadamente , por se naô poderem misturar com igualdade. Sabe-se , que esta he conhecida em algumas Provincias dé F r a n ç a , e quando naõ s e j a , póde-se tirar a 6emente de In-glaterra.
No-outono do terceiro anno lavrar-se ha o tre-vo ; dar se-lhe ha hum segundo latre-vor n.i primave-ra , cruzando o p r i m e i r o , e se semeará de ceva-d a , ceva-da qual haverá h u m a colheita extraorceva-dinária, principalmente se o campo tiver servido de pas-tagem aos p o r c o s , cujos excrementos saô estimados pela e x p e r i ê n c i a , serem os melhores d e ' t o -dos , a pesar do m a l , que delles diz Columelhf), e outros Romanos , que escreverão da economia rústica.
Depois da cevada haverão duas abundantes colheitas de trigo consecutivas : dar-se haõ duas lavouras para cada h u m a , gradando , e quebrando escrupulosamente os torrões depois de cada la-vor , que sempre deve ser cruzado. N o fim do terceiro anno ha de semearse outra vez de t r e
SOBRE O MELHORAMEXTO ͻAS TERRAS. 2t5
v o , e alternativamente se p ô d e assim c o n t i n u a r para o futuro , e para s e m p r e . A terra naõ cessará d e dar colheitas mais vantajosas, e mais s e g u r a s , ^ 0 q u e aquellas , que se fazem p r e s e n t e m e n t e
e m França , sem n u n c a estar h u m só a n n o sem cultura , ou em d e s c a n s o , naõ sendo s e m e a d a , e a sua fecundidade será eterna.
Da Luzerna.
Se as terras forem da espécie designada m e dia , depois da terceira colheita em grà06 , p o -dem-se semear de luzerna , praticando , fora i s s o , e x a c t a m e n t e tudo , o ,que se disse a respeito do trevo. Esta herva ordinariamente semea-se em Branca na.primavera sobre os grãos. Elles cres-e cres-e m a o mcres-esmo t cres-e m p o , cres-e scres-e impcres-edcres-em rcres-eciproca- reciproca-m e n t e ; poréreciproca-m ella h e , < a ífue padece reciproca-mais : o graõ a embaraça neste primeiro anno a tomar al-g u m a u m e n t o , e as palhas também no anno se-guinte a damnificaõ de sorte , que ella n u n c a p ô d e tomar bem por toda a parte o ascendente sobre as hervas ruins .• ficaò muitos espaços va-zios , -e ella naô chega á s u a p r e s e n c a .
P o r é m , se no fim de-Agosto, ou no começo de Setembro for semeada só , e em alguma maior c o p i a , da que se costuma , ellà crescerá com m u i -to maior igualdade : e , se.no inverno se lhe espalhar o e s t é r e o , como se disse a respeito do t r e vo , cobrirá a terra na primavera, suffocando t o -das as outras hervas , e haverá delia huma boa colheita no estio seguinte. Ella será ainda m e -lhor , e virá com mais b r e v i d a d e , se estiver ao abrigo de huma tapagem , e ella será cada vez mais vigorosa no s e g u n d o , e terceiro a n n o .
A E m França deixaõ-na subsistir dez , e atè
quinze annos sobre o mesmo t e r r e n o • p o r é m e m E ' I n
-Í*i6 E X S A Y o
Inglaterra tem-se jeipewmentadb. ,' q u e ellô '£«*-; deteriora no fim de alguns a n n o s , q u a n d o a t e r - , ra se indurece , e as hervas n o c i v a s , e as r e l -vas se multiplicaõ. Assim, desde q u e se p e r c e b e , „ que ella se diminue , h e necessário lavraila n o outono , e dorrdhe h u m segundo lavor cruaadoh na primavera, para se semear a c e v a d a . Faivae-i*-h a desta Faivae-i*-huma excellente colFaivae-i*-heita, no a n n o se-guinte , h u m a de t r i g o , e no terceiro h u m a de cevada : depois do que , se semeará n o outono de l u z e r n a , como d a n t e s .
. E n t r e t a n t o , com© se s u p p o e m , q u e estas.T
terras saô de h u m a qualidade medíocre , será,* muito vantajoso. q u e , a cada terceiro a n n o de lu« z e r n a , se lhe bote a mesma q u a n t i d a d e de esterw, e o , q u e ' s e prescreve lançar no p r i m a i r o : e disto s e p e r c e b e r á huma ampla r e c o m p e n s a pela abun-dância a idas colheitas , ou e m g r a õ , ou emu&ií. no , e ainda^ m e s m o se poderá© fazer duas co-» lheitaa consecutivas de t r i g o , depois da primeir%< d-e cevada.
•*-*. P©*? esta cultura h u m a . g e f i r a d e l u z e n n a . d e vinte -pés por vara he. sufficiente a sustentar dous cavallos, ou três b o i s , ou três v a c c a s , ou doze. a quinze carneiros todo o a n n o , n o estio a ver-d e ,* e no inverno a secco • e e m Inglaterra. se c a l c u l a , que ainda sustenta mai©r n u m e r o , ajun*-tando-se-lhe as palhas , cujo resto serve , para lhes servir de cama. , ;
He este o mesmo fruto , q u e se tira de tre» > a quatro geiras dos m e l h o r e s prados n a t u r a e s , e<" por conseqüência ganharia, q u e m mettesse a maior parte delles e m lavoura : nelles se fariaõ muito boas colheitas -em grãos , d e p o i s dos quaes se po« n a õ successivamente em p r a d o s a r t i f i c i a i s , qum renderiaò muito mais e m fenos. H e v e r d a d e ^ que i s t o naõ se poderia pôr em u s o , seaaô n o *
iOBRE O MELHORAMENTO DAS TERRAS. fy
p r a d o s , que naõ estaô expostos a «er inn*ad*-ao4w'.-;
<-Da Alfisrva ( i ).
Se as terras saô l e v e s , e p o u c o substanciaes para prpduzir a b u n d a n t e m e n t e a luzerna (2), e aind a imenos o t r e v o , h e necessário aindepois ainda t e r -ceira colheifca de grãos, semeallas de alforva .* lan-çar-se-ha á i t e r r a quasi h u m sextario por g e i r a , para a e n c h e r b e m , e , para que naô reste lugar para as hervas nocivas , será semeada na m e s -ma estação , em que se semea o trevo. N o inver-no se lhe deitará© também q u i n z e , ou vinte car-retas <ie estéreo por geira , para se fortificar a t e r r a , e dar calor ás novas raizes. O abrigo d e h u m a tapage-H*-lhe -será igualmente vantajoso.
ConfoiriTie a-experiência , a alforva he e m todos os paizes excellente para toda a espécie d e a n i m a e s , á-escfcepçaô dos p o r c o s , para os quaes h e muito itaelhor o trevo- porque ella dá sobre t u d o huma grande quantidade d e l e i t e á s v a c c a s , e da melhor q u a l i d a d e , de s o r t e , que he singu-l a r m e n t e própria para a criação dos animaes , e para formar queijarias , ou fabricar aquellas cOu-sas ,. que se fazem do leite. Huma geira sustenta a b u n d a n t e m e n t e três v a c c a s , desde o primeiro d e M a i o , até oiprim-eiro d e N o v e m b r o , e muitas ve-zes mais. Gom tudo nunca sustenta tanto , como O t r e v o , ou a luzerna ; porém estes pedem a me-lhor terra , e a mais forte , quando aquella se satisfaz com as menos f é r t e i s , e com pouca in-dustria se produz bem nas peiores.
H e pois com muita advertência , q u e o A u t h o r dos Prados artificiaes a aconselha para a
Cham-E a
pa-"fofc'
(1) Alforva '-(i^Hgohélla fatentim Grdecum L.) (2) Loteia*'ÇMedicagà Saliva L.)
2$ E X S A Y O
pague; porém adiantar-me-hei mais d o quê^lre*-*
sobre este objecto , e julgo, que o grande inter-e*** se , que tenho , do b e m publico; iáe obriga a achar útil o explicar-me livremente sobre este assumpto.<->
Eu estou certo pelo exame , q u e tenho feito das terras desta Província , q u e as peiores1
saô capazes de dar boas colheitas -de alforvá p o r m e i o de huma cultura, conveniente ,í>e e s t o » p e r s u a d i d o , que nella se acharia quasi em toda; a parte- o s e s t r u m e s próprios a melhorallas de htím modo muito mais breve , e mais vantajoso*, do
q u e , o q u e se pratica. « * -. . O maior i n c o n v e n i e n t e , que eu t e n h o
acha-do ^nestas vastas p l a n í c i e s , h e a falta de madei* ras p a r a os edifícios, e de água para-os animaeuv A respeito desta e u s u p p o n h o , qu-e se poderia1-*
abrir poços por toda a p a r t e , e na falta destes, pôr em pratica os lagos, e as cisternas, assinVco-m© se faz em muitos lugares de Flandres* e da Hollanda, onde se n a ô pôde ter água d'outra
sor-t e . »V "l j
A alforva se conserva muito mais tempo ," do que o t r e v o , e melhora muito mais as terras. Naõ obstante ella começa ordinariamente , ao menos em I n g l a t e r r a , a deteriorar-se ao quinto, ou sexto anno : he n e c e s s á r i o , t a n t o que isto s© p e r c e b e , lavralla no o u t o n o , dar-lhè huma se-gunda lavoura na primavera, e semear-lhe ceva-d a , ceva-depois ceva-da cevaceva-da ( 1 ) trigo , ceva-depois n a b o s ,
em
( i ) Se se achar , que alguma destas espécies de terras se condeiisd muito por huma colheita de cevada pará~ po-der ao depois prodtkir o paô , pode-se fazer nella hu-ma colheita de ervilhas , de favas , de nabos , ou de al-forva em lugar de cevada : ella alimparia a terra das más hervas « a poria bem solta para o trigo. Também se pó le lançar nella hum pouco de estrume ^conveniente , a
SOBRE o M E L H O R ^ Í M E N T O I D A S TERBAS. -***f eih-fim ervilhas, ou cevada. «Desta sorte haverão"* qnatro boas colheitas nestes três annos , e no-onaáiro se ptim-cipiará peíaíi-ai-fiorf/aí', como se fez-» a n t e s .
Será igualmente muito vantajoso pára esta* espécie de terra , deitar-se-lhe estéreo de dous em dous annos durante >os seis annos da cultura «àa-alfoçva: n i s t o s© naõ1 perde o t e m p o ",
Vista-ai quantidade dós a n i m a e s y q u e poderão susten-tar-se , e as. colheitas de todas as:e6pecies seráõ meilioreSk Logo depois se poderáô fazer duas d e trigo; consecutivas : e pôde ser , que a terra e m fim a© melhore até o ponto de poder produzir a luzerna ,r ou «inala .meámo ò trevo*, p o r q u e t e m -&e,iifouitas vezfis. experimehtádb , ;que só a cultm r a , bem feita ^melhoraiid© tal sorte a terra *,• sem o s o e c o r r o de algum e s t é r e o , óu e s t r u m e , que ella muda de alguma sorte a natureza.
Tempo de, -segar os fenos.
Quando eu disse , que se segassem'os prados' artificiaes no principio de M a i o , eu naô tinha e m vista , senaõ a q u e l l e s , que eraõ destinados a o ' sustento dos animaes em verde:, e elles-podem ser cortados ainda t á e s , quanto a primavera for' mais benigna, e a h e r v a . m a i s crescida. Porém quanto aquelles , que se reduzem a s e c c o , a re-1
gra geral para o ter de melhor qualidade , he se-gar o trevo , e a alforva no momento-,: e m que começaô a abrir-se as-primeiras flores , e a luzer-na ,. quando, os botões estaõ f o r m a d o s , e antes que algum delles esteja a b e r t o , porque a sua astea se endurece m a i s , do que a dos outros. O f e -no preparada entaõ com attençaõ c o n v e n i e n t e ,
5 o E N S A-Y O
conservará hum olho verde , e h u m ' s a b o r todo-* d i f e r e n t e para os animaes : perde-se-ha alguma cousa de peso na p r i m e i n ceifa % mas as>seguia*'
tes seraõ muito mais abundantes , e de moino*-qualidade. <y* i
Era França os fenos de toda a casta cor*» taõ-se muito t a r d e , de sorte que , pela maior par-t e , saô sem c©r, s e par-t n - c h e i r o , sem s a b o r , e s e par-t * substanci.i. He isto sobre tud© humig.rande.in* conveniente para o s cavalldus estâmàvBis • t a n t o pa-ra as carroças , como papa-ra montar ; p o r q u e , se-fossem alimentados com melhor f e n o , teriaô ou-tro fogo , e ouou-tro vigor: e a t é m disso aquill© re-duz o restolho a quasi nada,- tanto e m quanrida-' d e , c o m o em qualidade , naõ pendendo a's plan-tas enfraquecidas pelas -flores , e muiplan-tas vezeã.'' pelas s e m e n t e s , fornecer sustento ainda
süffieien-t e na segunda colheisüffieien-ta. **:' H e justo advertir , que os fenos de
to-das as c a s t a s , que pôde produzir huma h e r d a d e , deve empregar-se i n t e i r a m e n t e em m a n t e r , e fa-zer subsistir os a n i m a e s , e que nunca hum bom lavrador deve vender , ou feno , ou palha , ou outra qualquer forragem, naõ sendo na vizinhan-ça das grandes C i d a d e s , o n d e lhe fosse fácil vert-delia por alto preço , e comprar o estéreo a bOrtl mercado : h e esta huma excellente observação de Mr. L e - R o i , artigo Ferme da Encyclopedia*. Elle falia com tanta força nas nossas mesmas vistas , que eu me hei de amparar aqui dos seus senti-m e n t o s .
Nós naõ desistiremos de repetir" muitas ve-z e s , dive-z «este Author. que a agricultura naõ pôde tersuecessos felices, e x t e n s o s , e g e r a l m e n t e i n t e -ressantes , senaô pela multiplicação dos a n i m a e s . O q u e elles daó á terra por meio dos e s t r u m e s , h e infinitamente s u p e r i o r , ao q u e ella l h e s f b r
SOBRE O MEL-a-OIfcAMB-NT*) DAS TERRAS. 3*t
E u tenho actualmente debaixo dos meus o-lhos huma- herdade , cujas terras saô b o a s , sem serem d á primeira ordem. Ha. quatro a n n o s , que ella estava entre as mãos de hum lavrador, q u e a lavrava., muito he,m , - m a s;, q u e a estercava
muito, m a l , porque vendia as p a l h a s , e susten» tava. pouco gado. Estas terras naõ rendiaõ m a i s , q u e três-, ou quatr© .sextarios de trigo por geira nos melhores annos. Elle se a r r u i n o u , e vio-se Constrangido a entregar a sua herdade á hum cul-tivador mais industrioso. T u d o mudou de face. Naô se poupou a despesa , e as terras íjinda mais bem trabalhadas, cio ° tu e eraô-, fora© de mais a,
mais cobertas de rebanhos , e de estrumes. E m dous annos ellas tem sid©: melhoradas ao ponto
de prodiiziP dez sextarios de trigo por g e i r a , ©
dar maiores esperanças para o futuro.
Este acontecimento será ,repetidp .todas as, v e z e s , qu« for tentado.(Multipliquemos ©s nossos r e b a n h o s , e nós quasi que dobraremos em todos os gêneros as nossas colheitas. Pra,za a D e o s , que esta utjl persuasão possa mçyer igualmente os r e n d e i r o s , e os proprietários ! Se çtia viesse; » ser activa , e g e r a l ; se ella fosse aníinadiá, nós verjamos logo a agricultura fazer progressos rápír d o s ; nós lhe deveríamos a abundância com todos os seus effeitos : veri*e-hia a matéria do coramer-cio a u g m e n t a d a , ocfimponez mais r o b u s t o , e , nuais animas©, a população restabelecida, os im-postos pagos sem v e x a m e , o Estado mais r i c o , e o povo mais feliz.