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M A N U A L P R A T I C O
D O <L A V R A D O R ,
COM HUM T R A T A D O
S O B R EAS A B E L H A S ,
P O.R C H A B O U I L L É ,
TRADUZIDO DO FRANCÊS POR ORDEMD S
S. A L T E Z A R E A L
o P R Í N C I P E R E G E N T E
NOSSO* SENHOR,
; P O RJOSÉ F E J I R E I R A DA SILVA
N A T U R A L DE SAN.A. LUZIA DO SABARA*.
L I SB O A ,
K A TYPOGRAÍHIA CHALCOGRAPIÍICA _ LITTERARIÂ D O A R C O D O C E .G O.
S E N H O K.
c5 Eç respeitarei, e Augusto Nome de F'. A. _?„, que passa -de" hum a outro'polo, me não
fora despertar lá no centro do Brazil , mi-, nha Pátria , de balde clamaria a meus ou-vidos p insaciável dezejo daNgloria, tão
natu-ral ao homem :,. mas as repetidas vozes , que apregoão d Augusto Nome de hum Príncipe Bem feitor , que honrando as Letras , pre-miando as Armas , e animando as Artes t
segue aquèlla feliz vereda , corri que as gran-des almas tem subido ao padrão da immor-taliddde ; de hum Príncipe , com que hoje o Brazil quer fazer sombra aos Titos , e Ves-pasianos da antiga Roma , pois que > só ouvi-do naqúelle continente , he bastante para o excitar ao niàiOr prazer r e mais profundo
respeito', este Nome , ^Augusto SENHOR , he
o que faèendo-me esquecer das-, fadigas de
huma arriscada viagem , só me poeni presen-te o dezejo de ver hum, Príncipe , que com sua Benevolência se tem feito AMOR t E
LI-'Z/TCIAS\'ãos seus vassàtlos, distinguindo tanto, entre es£es,aos~Brazileiros: ejà que felizmente ò tenho conseguido , querendo também satisfazer aos fléveres de cidadão amante do. publico, em ^beneficio dos meus compatriotas, e da mi-nha Pátria traduzi o Manual Pratica do Lavra-dor de ChaboUillè,que dá os mais, sólidos princí-pios para a Agricídtura, Arte, que em todos os
tempos, foi sempre a base fundamental dos Impérios mais fiorerttes^ , e dos povos mais felizes. Com estas vistas me propus a esta
tra-dução. Qúeirá V. A. R. conceder-me a glóç ria de escrever no frontespicio da mesma Q àeu Augusto Nome.
Com o mais'profundo respeito beija as mãos De V. A. R.
Seu fiet vassalo. José Ferreira da Silva,
P R E F A C I O
1^1 ESTA obra não pretendi tratar dá ctilèu* ra das terras , como muitos celebres physicog tem feito ; minhas luzes o não permitiriào, tendo-me eu sempre occupadò mais no prodü* cto da terra , doc*ue nas primeiras causas da vegetação ; o meu único empenho foi reunir os novos conhecimentos , que tenho adquirido poí este tr-abalho honroso , com os de meus pais, que pus em pratica. * Nelles fiz as, mudanças que me parecerão convenientes, e necessa* rias , para o melhoramento da cultura dastern ras, depois de muitas , e repetidas expérien-* cias , que tive o cuidado de emprehender, sem ter dantes consultado escrupülosamente a q_a-> l i d a d e , e a natureza da t;erra. Depois de ter assim seguido a natureza passo , a passo foi, que tomei a liberdade de apartar-me muita» vezes daquella vereda ordinária, em que céga-f mente eu me tinha lançado , e cuja praticy seguida rigorosamente , he sem contradicção a causa primaria de infinkos abusoâ , sobre» os quaes, ainda hoje hè bem difficil , o fa-zer abrir os olhos a muitos cultivadores, assáa crédulos; Por satisfazer ao meu gosto , e pe-la minha freqüência neste trabalho he , que cheguei a adquirir conhecimentos certos so-: bre a verdadeira cultura das terras , e em. tudo, o que pôde ter relação còm a lavra d© huma fazenda. Pers.uado-ine que os meus cui7
6 P R E F A C I O .
dados senão limitarão só a esta obra , se a liber-dade m e permitir , .que* eu torne a lançar mão d a charrua , e que reiterando as e x p e -r i ê n c i a s , c h e g u e a conhece-r a cauza da fe-r- fer-rugem , e do fungão q u e ' são os peiores fla-gellos da agricultura , sobre os quaes n^o po-d e m o s negar , queTha ainpo-da granpo-des, inpo-daga-
indaga-ç õ e s , que fazer. , Depois;de ver o quanto á Assemblea n a
-cioanal anima sobre tudo , o que pode interes-sar a agronomia , deque elía se tem declarado protectora , para provar a meus d o n c i d á d à o s , n u m zelo. de patriotismo , julguei próprio dos m e u s d e v e r e s , o dar-lhes» o reztilta^o d e mi-n h a s occupações ruraes ; procurei portami-nto a» prezentar-lhos com toda a simplicidade , q u e convéni ao campo , evitei introduzir gfcande quantidade de citações , e experiências de m u i -tos physicos , que seriãó: bem interessantes
p a r a muitos , mas que muitas vezes apartarião d a lição do m e u ^manual , por cauza da obra volumosa ,"„ q u e se veriaò precisados a ler.
Com effeito'*, quantos Fazendeiros tira-rião nielhõr partido d e suas L a v r a s , se elles
Í
)odess6m sempre t e r diante dos olhos h u m iyro simples , e conciso sobre a pratica da cultura , que" elles' podessem a cada instante consultar com c e r t e z a , sem preci4ãò de revol-v e r e m infinitos revol-v o l u m e s , e m q u e elles-podes-eem com confiança esgotar os princípios fun-d a m e n t a e s fun-da agricultura, e q u e lhes mostrasse c l a r a m e n t e o grosso m e c a n i s m o dá vegetação. Htim livro deste gênero , despido de todos, os prejuízos , que até o pressente tem acompa*nh&do h u m a multidão de pbras sobre a agro
-P R E F A C I O ;
r * - • _ _ >nomia , deveria multiplicâr-se pelos campos , e o Lavrador deveria da-lo a ler a seus filhos, como a base de' sua educação ; sua leitura de-senvolveria logo na pratica*destes , assim cria-dos , infinitos conhecimentos, que dariâo ao9 habitantes das herdades , que fcassão toda a sua vida trabalhando a t e r r a , huma facilidade capaz dè lhe fazer amar seu estado, e em con-seqüência se dobraria promptamente na repu-blica a quantidade dos viveres.
Eú logo que adquiri conhecimentos par-ticulares nesta arte , tão sublime , me con* venci desta verdade , e da necessidade, que havia de hum Manual, que lendo-o, o Culti-vador podesse conhecer os meios seguros , e invariáveis de fazer a compra de todos os seu_
animaes , de os ppdjèr sustentar com econo-m i a , e engorda-los coecono-m vantageecono-m, pensa-los com todas as differentes* circunstancias de sua vida com successo; lavrar suas terras era tempo* , e* sasôes convenientes , saber fazer com intelligencia bons estrumes de suas pa-l h a s , e de os espapa-lhar, enterrar, e servir-se delles, de saber conservar Seus prados natu-raes , e de fazer artificiaes com economia ^ de saber fazer as preparac.es de suas sementes,-de conhecer a escolha , que sementes,-dellas se sementes,-deve fa-zer e os differentes modos de as lançar na ter-ra ( circunstância em que tropeçàò quazi to-dos os Lavradores ) conhecer toto-dos os cui-dados necessários aos graons , em quanto es-tão sobre a terra, \sabe-los colher a propósi-to ; e achar com o soccòrro de hum semelhan-te livro, e mesmo vencer, sem o conselho de seu vizinhp , que a vaidade muitas vezes
pe-8 P R E F A C I O .
p e d e t o m a - l o , todas ás dificuldades , que s e apresentarem a seus olhos no tempo da sua lavra , sem se expor muitas vezes,a a p r e n d e r cousas errôneas , cuja, l e m b r a n ç a o impede para o f u t u r o , attentar as menores experiên-c i a s , para adquirir novos experiên-conheexperiên-cimentos.
Tal he o resultado do m e u Manual so-b r e a cultura.
,, E u m e enchi de admiração , q u a n d o , d e -pois de m e ter demorado em Çlairveaúx, e e m Champagne , e ter corrido ?bem g r a n d e
e x t e n ç ã o de terras neste r e t i r o , eu víy.que a cultura estava ahi tão mal dirigida ,'v q u e h u m Fazendeiro metia a charrua no c a m p o ; s e m ao menos c o n h e c e r o èffèito, que ellafa-zia na terra , o seu resultado ,' e ao m e s m o t e m p o , q u e h u m languor, e negligencia i m p e r -doáveis tqrnavão paralytica h u m à -parte d e tantas, famílias úteis , que sem se desgótarem, d o pouco que lhe rendião auas colheitas ,'nào procuravão conhecer a causa disto , suppon-dò7a toda n a qualidade -de suas t e r r a s , e n a i n t e m p e r a n ç a dos tempos. , ©: Author da n a -tureza não foi mais escaço para e l l e s , doque para seus irmãos, que habitão campos ,* o n d e a s tçrras não são m e l h o r e s , como muitoa' bair-ros da Beausse, junto ao bosque de Orleans, e outros m u i t o s , que dão boas produções s e m cessar. Oxalá que elles se persuadam que, a falta de conhecimentos h e a única causa do fraco producto d e suas terras ? \ Que p^ira se cpnvencer disto elles se dignem ler a minha» ..obra com attençâo ? Que deixem totalmente
esta pratica de t r a b a l h o , que seguem por habito , e que só se fez para desterrar o c u l t i
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vador intelligehte ? Oxalá sigão o m e u m e t h o -do com confiança, e descancem na j u s t i ç a d a R e p u b l i c a , que nunca p e r d e r á de vista o Ci-dadão , q u e , ainda depois de v e l h o , não abandonar a rabiça do seu a r a d o , a quem ellá c o m -pensará , quando já de todò^ nào puder la-vrar ? Q u e saiam" deste infeliz lethargo , e m que a falta de luzes os t e m sepultado há t a n - . t o t e m p p ? Q u e a emulação guie daqui e m diante seus trabalhos , e que elles busquem e m fim , invejando huns aos outros , cora a relha de seus arados este inexgotavel t h è -souro de fecundidade , que a terra occulta e m s i ; mas que não. "pode escondè-h> por m u i t o temjpo'aos olhos> do cultivador laborioso'', © elles verão logo > qúe aquèlla terra , que i n justamente criminão de estéril , lhe dará e s -tas abundantes colhei-tas , de q u e elles se t e m p r i v a d o , ha tanto t e m p o , por falta de luzes. Ajuntei a esta obra h u m tratado sobre a construcção d e l u m a nova c o l m e a , que c u j -tivei no anno de 1788 com o maior successo* e contém muitas observações interessantes sobre as abelhas. ..i
Esta colme a , cuja;construcção h e m u i t o s i m p l e s , e que não pôde custar ao c a m p o n e z mais d e 20 soldos de e s t a b e l e c i m e n t o , t e n d o ejle e m casa t o d o s os materiaes necessários para este effeito , o obrigará a entregar-se á este gênero de cultura com actividade ; sua' facilidade lhe permittirá estender-se m u i t o , dará, ao que a e s t i m a r , o commodo de e n t r e -gar-se c o m veras á esta cultura*dobrando-lhe c i n c o vezes os seus cuidados,., e o seu t e m p o , ísem lhe diminuir seus produtos ordinários , o
io P R E F A C I O.
porá no abrigo de todos os aocidentes a que estão subjeitas as abelhas nos curtiços , q u e ao prezente se cultivão,; evitar-lhe-ha este' dissabor por meio de h u m a operação prompta simples , e faeü ; no tempo da 'colheita do m e l , Ou de fazer morrer as abelhas pelo xofre , ou de as mudar de c e s t o s , ou de en-cerra-las em saccos por meio -dá.fumaça ; pro-cessos os mais ruinosos , e. dilatados, que occasionâó sempre a perda d e p a r t e , ou da t o t a -lidade das a b e l h a s , e dos filhos para o a n n o s e g u i n t e , e que além de as a t o r m e n t a r , m u i -tas vezes fojem das colmeas, depois desta ope-ração, para evitarem h u m novo s a q u e ; evitar-lhe-ha o embaraço d e sustenta-las-no inver-n o ; facilitar-lhe-ha o meio de poder duplicÉr t r i p l i c a r , q u a d r u p l i c a r , e quintuplicar sem o m e n o r inconveniente h u m a colmea e m popu-lação , impedindo l h e ' o e n x a m e á r , 'tornará a abelha mestra absoluta , para obrigar as ou^ t r á s a trabalhar em c e r a , ou m e l , conforme pedir seu interesse p a r t i c u l a r ; ^e em fim pelo prpdúcto annual de cada colmea ; fará nascer h u m a força g e r a l , , cujo rezultado se tornará e m proveito d e . t p d a á Piepublica.
,MA-n
s vMANUAL P R A T I C O
D OL A V R A D O R .
D I S C U R S O VI. k'JL ELO meu estado de Lavrador, não posso dar conhecimentos bem claros sobre a cons-truçção dé* huraa» fazenda , ou quinta ; mas com tudo posso% tam bem como hum Arçhi-t e c Arçhi-t or dar a posição, e destribuiçlo de. todos
os edifícios, que hão: de servir para huma c o -lheita r u r a l ; o que he de muito "grande im-portância , tanto para a vigilância, que deve ter hum Fazendeiro, pomo toda a süa famí-lia sobre os dopresticos, e o que torna sau-; davpis as estrebarias , e curraes , e outros alo-jamentos dos animaés domésticos , como por maior çommodo das obras do campo , que sempre são das roais multiplicadas , e hum
Fazendeiro não j>óde, dellas tirar fructo , se não fazendo huma grande economia sobre a despeza de seu tempo. Depois deste discurso incontestável , antes de passar a cultura das terras , e d</ hitfma part;e do que ahi pôde ter
re-i_ M A Í T U A L P R A T I C O
r e l a ç ã o , h e necessário dar a p o s i ç ã o , e distri-buição (\e todos os edifícios necessários para a colheita de huma fazenda. •
Da posição de huma fazenda.
H e preciso escolher o mais , q u e for'
f
iossivel, para a situação de h u m a fazenda , o ugar mais levantado de h u m t e r r e n o , e omais estéril para se defender das e n c h e n t e s dos r i o s , e das águas da c h u v a , que vem doa bosques vizinhos, e procurar h u m alojamento s a u d á v e l ; he d u v i d o s o , q u e h u m s e m e l h a n t e sitio dé a satisfação de h u m a fértil h o r t a , mas o estrume e m e n d a esta falta c o m facilidade; situar, quanto lhes for possível , o s edifícios no meio das terras , a fim de ficar mais commo-da a vigilância , e a colheita , salvo porém se a vizinhança de h u m r i o , tão necessário pa-r
r a a saúde d o s a n i m a è s domésticos , obrigar aò cultivador,, a apartar-se do c e n t r o das ter--ras. Depois do terreno assim e s c o l h i d o , h e necessário pôr õ corpo do alojamento do F a -zendeiro entre o pateo , e a fiòrta ; a frente para Leste , e dando sobre a maior parte das terras , se a posição o permittir ; o celleiro ao Meio dia , e o alojamentd^dos domésticos ao N o r t e .
Da casa do Fazendeiro.
Esta casa deve ser simples , c o m m o d a , e b e m distribuída, e m razão das obras , q u e
) sé precisão fazer nellà.
lÉm conseqüência h e necessário que, ella seja
D O L A V R A D O R. l 3
seja composta de huma abobada , e covas so-terraneas se for possível debaixo de toda a casa para que se possa facilmente fechar a colheita dos vinhos , e das cidras , e conser-var de h u m anno para outro , e para q u e 09 quartos s e j à o m a i s sadios.
Por cima destas cavas se levantarão duas grandes peças no c o m p r i m e n t o da c,asa, q u e formaráç espécies de segundas, cavas , que fi-caráõ metidas pela terra três pés , e levanta-das da terra cinco : na frente do meio destas duas peças se faráõ duas escadas., como adian-t e se dirá , encosadian-tadas a parede mesadian-tra da c a s a , h u m a da parte do pateo , e outra da h o r t a , as quaes conduzirão ao ajojamerlto, p dependências, do Fazendeiro : estas duas peças devidiráõ o c o m p r i m e n t o da casa em duas por-ções iguaes por meio dé huma parede de re-p a r t i m e n t o », a da re-parte do meio dia serviçá d e cozinha , terá a janella , e , ao mesmo t e m -p o , a -porta a Leste da -parte do -p a t e o , e re-partida por h u m a parede em sua l a r g u r a , da-r á o commpdo, d e estabeleceda-r ahi h u m a des-pensa , e m que se guardem os viveres , a qual terá a luz do poente da parte da horta. H e preciso s e m p r e , que a cozinha seja huana peça g r a n d e , porque ella serve aos d o m é s -ticos de provisão de lenha no inverno. N a pa-r e d e m e s t pa-r a , q u e sepapa-ra esta cozinha , e q u e v e m acabar n õ meio da escada,'de que se vai fallar, haverá h u m a coberta na parte, que for-m a a c o z i n h a , que cofor-mfor-muniqará cofor-m outras duas p e ç a s , que depois se d e s i g n a r ã o , e da-r á a e n t da-r a d a de h u m poço cuja oda-rigem vida-rá da parte debaixo das cavas , e servirá a três
pe-! 4 M A N T T A L P R A T I C O
p e ç a s , cpmo se vai explicar; esta entrada se tapará a gosto na cozinha por h u m a p o r t a , q u e fechará como a d e hum armário. A segunda p e ç a parallela a cozinha será dividida em três p a r t e s por d u a s paredes , h u m a das quaes sa^ n i r á do meio da segunda e n t r a d a do poço até á parede mestra da caza da parte do aloja-m e n t o dos doaloja-mésticos , e a outra do aloja-meio desta parede de r e p a r t i m e n t o , até a parede mestra da. caza da parte do patço ; a entrada destas duas peçasserá pelo pateo com a m e s -m a igualdade ',_ e distancia do -meio do edifí-cio j que a da c o z i n h a ; e a entrada das cazas será no meio , debaixo da escada , nos dous lados como adiante se dirá , da parte do pateo._ D a pritrieira destas três peças se fará h u m c e l l e i r o , da segunda q u e terá a janela , ( c b m o t a m b é m a "primeira ) da parte do Leste sobre o pateo, se .rafa h u m a caza de forno , e ahi se porá hum forno , e h u m alguidar, ou vazilha para fabricar o p ã o , e a parte do^poço , que vier dar a esta peça , dará a facilidade pára o a m a ç a r , nesta parede de separação se abri-r á h u m a poabri-rta paabri-ra c o m m u n i c a abri-r com o quaabri-r- quar-t o dequar-trás , onde se fará h u m a leíquar-teria , e a t e r c e i r a abertura do poço dará a facilidade das águas para o laticínio , o q u é h e muito essen-cial por cau z a da negligencia dos criados d o
p a t e o , que não achando á mão toda a á g u a , q u e precisão não tem cuidado no estio d e la-var b e m a l e i t e í i a , os caniços , e taboas o n d e «scorrem as formas e outros utensis% q u e servem para o laticínio , o q u e , d á a esta peça h u m gosto de azedo , que muitas vezes faís* arruinar o leite : esta ultima p e ç a terá duas
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janelas p a t a o poente deitando para a horta , e duas para o N o r t e deitando para a parte do alojamento dos domestjcos. E m , c o n s e q ü ê n c i a este poço dará água para três „partes_. Para maior facilidade em seu uso se estabelece-r ã o testabelece-rês bombas de madeiestabelece-ra , c a d a h u m a das qüaes dará água para h u m a das repartições , q u e são", a c o z i n h a , caza de forno , é 'leite-ria. Este poço será coberto com taboas gros-sas de c a r v a l h o , q u e se tirào , . e põe quando h e preciso ; estabelecer-se-ha e n t r e é$tes três repartimentos h u m a c o m m u n i c a ç à o pela qual se possa ver , e ouvir tudo õ q u e se passa. Q u a n d o senão a c e n d e r o forno , por esfu m e s -m a c o -m -m u n i c a c ã o , no I n v e r n o s e faz vir da cozinha para (à leiteria o fogo necessário, para
a q u e c e r o l e i t e , e fazer vir acima a nata ; pois que no Estio esta mesma-leiteria se a c h a sufficientemente fresca com as "* duas janelas, q u e t e m para o N^)rte , e P o e n t e . Por cima destas segundas espécies de cavas, , êstaráô destribuidos os quartos do Fazendeiro. P a r a c h e g a r aqui e n t ã o , será preciso levantar duas escadas de seis , ou sete degráos encostadas sobre o m e i o do edifício, huma* dá p a r t p . d p p a t e o , é outra da parte da horta , debaixo d a í q u a e s se fará , c o m o já se disse , a e n t r a d a das cavas. .Bm cima destas escadas se fará h u m p a t a m a r assás largp : depois haverá h u m corr e d o corr d e seiapés d e lacorrgo, que dividicorrá a c a -?a e m duas , a t é a submersão calculada d a p a r t e d a h o r t a , para p o d e r , e m frente d e s t e c o r r e d o r , formar h u m a bella p e ç a q u a d r a d a , q u e será a salla , d e q u e se vai fallar. Na e n -trada deste c o r r e d o r , p o r cima da é o z i n h a ,
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estará a salla da comida , cujo c o m p r i m e n t o se ha de calcular sobre a m e t a d e da distancia , a partir d a ' e n t r a d a do corredor até a da salla. Por detrás desta peça , por h ü m a p a r e d e de r e p a r t i m e n t o , se poderá fazer h u m a c o p a , o u . d i s p e n s a , que se tomará pelo
comprimen-to da salla de comida, cuja parte posterior irá dar por h u m a porta de communicação a hum patamar , do qual' se fará h u m a escada , que vá ter a cozinha , e fará communicar com os celleiros acima ^mencionados. N a frente da salla de comida haverá huma peça de igual com-p r i m e n t o , que fará dous quartos de amigos. :
N o espaço que ficar entre a salla dé comer d é h u m íado , e os quartos de amigos do ou-t r o , aou-té o salão , haverá d e ' c a d a parou-te h u m quarto com portas falsas , defronte h u m a da o u t r a , no corredor s o m e n t e , para fazer igual-dade com as da salla de c o m i d a , e quartos d e amigos ; • devendo ser a entrada destas duas, peças pelo saílam. F a c e ando com a porta dp c o r r e d o r , estará a do sallão , e outra pára a p a r t e da horta ; e ahi se d e s c e r á1 por h u m a
escada semelhante á do pateo. Estas duas portas teráõ vidraças até dous pés acima da t e r -r a , e po-r este*meio pela ent-rada do p a t è o s e t e r á a vista do sajlão, e da h o r t a , e de d e n -t r o do sallão se -terá á vis-ta do pa-teo , e da h o r t a -y as duas janelas q u e ficão ao meiq dia
dàráô á vista dá granja, é a s duas , q u e ficão a o n o r t e , daráõ a vista sobre' as casas das pes-soas da fazenda. N a p a r e d e do sallão , . q u e faz a parte de traz do corredor , se fará de.Cada k d o d a , p o r t a de entrada , e em igual distancia,,
huma porta que dará commmúcaçãa aos dous
quar-D O L i V k1 A D o í ;
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•quartos , q u e formão o restante do compri-m e n t o do corredor. O da parte do compri-meio dia , a o n d e dormirá o Fazendeiro , deve ter a janeía para a parte da granja. Nesta peça se fará h u-;**ia porta de communieação , que irá t e r a e s
-c a d a , que vai da -cozinha ao -celeiro. A p e ç a d o outro lado* terá sua janela para o Norte so<-b r e as casas da gente d a ' F a z e n d a . ' P o r cima d e todas eí-jtas pecas estaráõ os celleiros , e quartos pára os domésticos Estrangeiros. Es* tes. celleiros estaráõ destribuidos tanto, para os graons c o m o para estendedoies de l i n h o , O que for para ps graons será bem ladrilhado , e rebocado com reboque feito com ourina sa p o d e r ser para afugentar os bixos inimigos d a grão. Sendo este lugar o grande labjpratorio do f a z e n d e i r o ,, na sasâo m o r t a , nos quatro lados se faráô janelas de em panadas somente , para q u e o Fazendeiro trabalhando em seu cellei--r o possa livcellei--remente lançacellei--r os pífios ás suas charruas , e animaes , que estivprem lavrando. As fio Leste , e N o r t e sào as únicas que s_ podem abrir pára dar o ar. Para este fim ellas serão incaniçadas para impedir, ás avpá o en-trar. .Do lado destas j a n e l a s , é entre cada hu-; m a dellas h a v e r â o t b u i a c p s quadrados , pelos quaes passaráõ. tubos de páo para dar4 c o n t i
-n u a m e -n t e ár -no celleifo , para refíéscar o g r ã o , e te-lo sempre secco que*serão t a m b é m ençariiçados. Todas. ,as grètas para a parte do, meio' dia , ou para o -Poente d e v e m s e m p r e estar fechadas porque poderião esquentar p t r i g o , e corrompelo ; ellas não se devem abrir senàp só quando trabalha ^ F a z e n d e i r o , ha-y e n d ó precisão , para poder olhar para todos
B oa
_S M A N U A L P R A T I C O
òs lados ; finalmente, estas janelas devem t e r corrediças d é madeira grossa para impedir,-lhp o p e n e t r a r o calor. No, canto deste, celleiro d a p a r t e da granja se fará hum, como funil , d e taboas que furará a parede m e s t r a , e descerá ••unido a mesma*<áté a altura da primeira
abobad i , para que quanabobado o Fazenabobadeiro, quizer m e -dir p grão para o v e n d e r , não precise ir a es-, cada mas sim lânça-lo pelo funil, evitando as7 sim o pisar-sé, e conservando seu celleiro c o m o aceio , que„he preciso.K M M
A casa s e , c o b r i r á de boa telha por ser esta a coberta mais solida , e mais econômica.
Depois,da distribuição da casa , que pó-' d é ser maior,, o u mdnor, conforme o c o m m o * ' d o , e fortuna dp cultivador, pertence* ao sAr-quifeto desenhar seu plano de h u m modo o mais r e g u l a r m e n t e possível ,f para assentar as<
c h a m i n é s , ,; estas são precisas principalmente» n a c o z i n h a , e na casa do fofno , nó sallão , e-n o quarto d e dormir do Fazee-ndeiro1, -paia
to-dps estes corpos he possível o distribui-las.
I)a. casa da Afyogáriài
E s t e! edifiéio essencial m e r e c e t o d a a:
íittençào na sua construcgãó : a esjcolh^. das madeiras aqui deve ser tão zelada c o m o a doai» •materfaes ; elle deve ser proporcionado p a r a casa de colheita, e de toda"a bagagem da, Fa-;
>• zenda ; defeito de quasi todas ,as Fazendas
da, vizinhança de Paris , onde estes edifícios, . po^toíque"multiplicados, são ainda muito p e
-q u e n o s , e obrigão ao Fazendeiro a expor lon-' ge de si huma paw|e de sua f o r t u n a , $endo-lh_ p r e c i s o amontoar o setítgrão na eira , ou n o
cara-*> 0 L A V * A -D O "Ri i §
campo. O gênero da construcçào do edifidio de que vou fullar , que h e usado em alguns lugares,obvia a este i n c o n v e n i e n t e , e favoreço mtÜiito a edificação ; ora segundo esta i n t e n -ção , o edifício para • guardar a colheita do duas c h a r i u a s , e c e m eitos de feno de y5 va* ras cada h u m , deve ter 6o pés dp C u m p r i d o ,
e 5o de largo. 7
D e doze e m doze pés levará h u m esteio e h u m a viga ; na laígura se dividirá em ti es partes das quaes a doN meio terá 12 pés , as
dos" lados ig, estas se subdividirão,com as duas? p a r e d e s , ficando ,dés pés para dentro , e nove para fora , formando huma varanda dè cada l a d o / n e s t a s se faráõ as mangedoüras parados b o i s , encostadas á parede de dentro. Esta set paração se cobrirá na altura He sete pes com caniços , «ustidos por, peças de páo , que ficarão atravessadas da parede d e t a p a g e m ' e x t e rior para as peças de páo ', que formâo a t a -p a g e m i n t e r i o r , estes caniços serão cuberto-5 p o r cima de palha , ou feho , * o que tornará e s t e lugar abrigado , e q u e n t e no Inverno pa-ra os a n i m a e s . e m r a z í o . d a pouca aítupa-ra , (\u& t e m . E m conseqüência nestes lados assim baH XQS sé fará o domicilio das beatas a* saber o curral das vacas,. e 10 dos carneiros ; este s e -rá separado e m dous por meio de caniços , h u m para a§ ovelhas , e outro para os, c o r d e i r o s ; a estribaria , pode ser totalmente f e c h a d a , ,<da parte da abogariá ç o m h u m a pequena por-'
t a de communicação , para se introduzir Ta p'a-4 lha , forrada de madeira , e mais levantada t
q u e o restante das qobertas Lateraés ínais baL xás. Devem-àe pòr p a n n o s , pregados p o r ci„ • - B a m a , '
_o M A S U A I P R A T I C O
i n a , rias janelas que communicão da abogariá p a r a a arribana (1) para por ellas se poder lan-ç a r a í p a l h a , e mais. nutrilan-ção a todos os ani-m a e s , seani-m ser preciso sahir coani-m èlla fora , é a o m e s m o tempo impedir-lhe o pó', dos grãos q u a n d o se av»ehtào; porque os offende , e os faz tossir. D è t r a s destas cubertas baixas da p a r t e de fora em distancias proporcionadas, _iaveráõipequenas portas para retirar
facilmen-t e o e s facilmen-t r u m e ; e haveráõ facilmen-também janelas com _ m e s m a proporção de distancias por todo o alojamento dos animaes com grades de p á o , •e postigos por dentço para arejar ò, curral dos Dois, dos carneiros , e a estribaria. A vista d a abogariá será sobre* h u m a das entradas das vigas„ do lado ,- e m conseqüência terá duas grandes portas em cada extremidade , para en-* trarerrí , e sahirem os carros ; e duas p e q u e -n a s falsas para e-ntrar e sahir o gado v a c u m ;
outra no alojamento dos carneiros para servefi-tia destes,; outra n a - e s t r i b a r i a para os cavalr los. Huma abogoaria deste m o d o , " p ô d e reco-lher a palha de dous annos , é todos os g r ã o s ; preserva ps molhos de espigas dos gurgulhos, é outros insectos pelo cheiro dos "carneiros, q u e a h i se achào encerrados , e servirá além disto , para guardai* todas, as c h a r r u a s , car-ros , e outcar-ros utensis da lavoura ? de sorte , q u e tudo se^guardará na mesma parte , e sem-p r e á vista do Fazendeiro.
Na extremidade deste edifício..da parte d a cozinha rh á v e r á ; h u m v a l l e , ou
buraco-on-d e se. lance ó e s t r i í m e ; este será forraburaco-on-do pelo fun-(i) tugar aonde estão os aairaaés,
» 6 L A V R A D O R , , _ _
-f u n d o , paja não deixar perder a substancia.
Seta. disposto de m o d o , que r e c e b a os
esgo-tos das estribarias / co_inha , e goteiras da casa , e será cuberto de, colmo , para que o Sol com o seu calor não faça -exhalar os saes_ tão intétessantes , e necessários para a m u l -tiplicação dos" graons. F a r s e h ã outro b u r a c o do mesnjo modo no" fim do pateo , detrás da casa dos* domésticos , nó l u g a r mais vizinho díi leitéria , para r e c e b e r nelle suas águas , os estrumes dos porcos , <é das a v e s , 'que so não d e v e m misturar^còm o dos b o i s , è
cava-los , pel.^s razões dadas na escolha das
diífe-r e n t e s qualidades de estdiífe-rumes. ?{>•
, Na frente cònt a mesma proporção , se
estabelecerá o alojamento dos d o m é s t i c o s , os chiqueiros, para os p o r c o s , g a l i n h e i r o , p o m -bal , casa de chocar g a l i n h a s , e criar pintos , casa de carpentaria , e de guardar madeiras.
E n t r e esta , e a casa do Fazendeiro , e o alojamento dos domésticos , haverá1 h u m
grande espaço por onde, possào ,passar dous c a r r o s , o qual vifrando se augmentará de
for-m a que venha forfor-mar h u for-m pequeno pateo por detrás da casa , de h u m lado , e a casa doa domésticos do,outro,o lado em frente dos domés-ticos servirá de pateo b a i x o ; será essencial s e poder s e r , o estabelecer ahi hum tanque.
Feito, este desenho de construcção h e preciso estabelecer c o n h e c i m e n t o s indispensá-veis , que devem ter , para formar hum b o m fundo de ÍFazehda, que deve constar», e n t r e outras c o u s a s , de a v e s , poçcOs, b o i s , v a c a s , c a r n e i r o s , e cavallos. .
3 4 M A N ti..'Avir- P R A T I C O
DÓ pateo baixo, ( T )
X) pateo baíxò , pui terreiro h e
absolutam e n t e da jurisdição da Fazendeira , assiabsolutam c o -m o a conducta a a l e i t é r i a , o cuidado d a s va-c a s p a r i d a s , ,"e t/atar dos -beserros, e porèos. <Hè pois essencial b dar a esta-verdadeira may cie família-, e de ecoriomia os conhecimentos* q u e ella não pôde t e r , para a criação das pp-Jiríhàs , e outras a v e s ; o modo de fazer chocar c o m sucesso ; o meio,de criar os pintos , o.cui-d a o.cui-d o que o.cui-deve ter c õ m as vacas pario.cui-das , com os*beserros , e-porcos d e ' c e v a . .
Este p à í e p baixo h ^ ordinariamente de t ã o grande, benificio»,nas mãos de huma mulher inteíligéntè , que nas F a z e n d a s , d a s vizinhan-ças de P ^ r i z , o Fazendeiro com os seus prp-' d u e t o s , p ô d e pagar seus arrendamentos ; %
•pós paizes distantes das grandes c i d a d e s , - e s t e p r o d u e t o só basta para a despezá dos
alimen-tos do. F a z e n d e i r o , , e sua família, além do ©sirume , m o r e i da agricultura, que ha a h f e m g r a n d e quantidade.
Dás -aves.
As galinhas são ordinariamente de g í a n -d e proveito pelo pro-dueto,--dos o v o s , que põe d e méiadó de Ago.""to, a melado de S e t e m b r o ;
ne se conservão para 0 Inverno , encerran-o-os em toneis bem t a p a d o s , ou metendp-os
e m
1
N (1) Vulgarmente chamarríos Ü isto governo do
terrei-j-o, e de portas a dentro tudo o <Jue h# próprio da Seniíora tia casa.- » ' M
D O L A V R A D O R , _3
em cinza, ou palha. "O ponto mais e s s e n c i a l , he d e os ter , no éStio, éih h u m lugar fresco, mas não humido , e no Inverno , em lugar
2
u e n t e , ^Também dão proveito pela p r o d u c ç à oos pintos. '.y. _ * '** •;
, ( P a r a hum 'terreiro de duas chatruas se
poderão ter até is,oo aves. H u m galo pôde ser-vir para quinze galinhas.' Os ovos de g a l i n h a s , sem galadura , nãô servem para c h o c a r , por lhe faltar o germen. As galinhas-prètías , e par-d a s , ou pintapar-das par-de ambas estas cores , e par-d e t a m a n c o .mediano , são as*melhorès t a n t o p a r a chocar , como para a postura regulai*. As, galinhas d e outras cores , tãnjbéin são boas , p o -r é m sua postu-ra não h e tão -regulaf , e nãp engorda o tam bem como as pretas, que são mais .melancólicas. As galinhas grandes , se que t e m
as unhas compridas , nào servem para c h o c a r , pois , por Cc.usà das xpernas compridas , e dos
és,porões , não p o d e m estar muito t e m p o n o n i n h o sem incommodo , o que as obriga a áa-hif .a miúdo , e as expõe-a quebrar os ovoí , ou lança-los fora, introduzindo-cs côm os p é s pelo f e n o , que forra o ninho. Não se d e v e m conservar as galinhas mais de q u a u o a n n o s . P a r a se c o n h e c e r e m , se calça h u m pé a cada h u m a com pannos dé différentes cores, para por elles se distinguirem suas idades. Todos os aiinps se devem criar pintos. Por e#te meio haverá sempre abundância de frangos. O gallo se deve escolher ,de huma cpr vermelha e s -c u r a , pintado 4e Pre t o , e b e m feito ; q u e
não t e n h a a s pernas curtas , os esporões c o m -p r i d o s , as coxas grossas, olhos vivos , canto f o r t e , 'cristaíarg-v,, v e r m e l h a , e bem pendeu-r
ô 4 M A N _ A L P R A T I C O
t e , orelhas muito b r a n c a s , a sombra da cor v a r i a , e tirando a cor dé ouro , a cauda for-mosa , • em duas ordens , , curvada , e mais ai-* t a , que a c a b e ç a , ardente em acariciar as ga-linhas , e excita-las nara comer.
Também* se podem ter patos , mas ãei V,em-se s e p a r a r da pia onde bebem os animaes p o r l h e ^ n â o sujarem a água ; salvo se pçrto h o u v e r algum rio em que se possa dar de be^ b e r a estes ;< porque os patos , além de máp cheiro que deixão na água ^ b a n h a n d o - s e cont i n u a m e n cont e , largão pennas , e os animaes i n -d o a beber se po-deriào suffocar com alguma dellas., O mesmo h e a r e s p é i t o dos^ganços. Com t u d o este animal h e muito proveitospvem hu-m a Fazenda , pois custa pouco a s u s t e n t a r , p o r q u e pasta hervas , e dá muitas penas ; mas estas duas qttarlidades ultimas de animaes sào m u i t o vorazes , e por causa delles muitas ve-zes andào as galinhas m a g r a s , pòr _he come-r e m a maioi pacome-rte do fcjtie se lança pacome-ra sua nutrição. Todavia c g a n ç o adorna muito hum t e r r e i r o , e serve de guarda á casa. .
•"*'». A Fazendeira deve ter cuidado em que •as aves não entrem nos curraes," porque podem -J^fgaralgumas pennas,pelas mangedouras , e
suffocando os animaes*, que á s engolirem , causar-lhe a morte. Por isto h é que se d e v e m separar -as capoeiras das cstribarias , e curraes^ A criaçaõ*dos perus h e muito dispendio-sa , e precidispendio-sa que elles facão „as despedispendio-sas nos pajzes» aonde produzem bem , a junto a colhei-ta* se comprão então algumas dúzias delles^, Jevao-se para o campo*, e lá>se sustentão cora o grão novo , que" já ha , com papas de farinha
D o; L "A V R A D O R. 2 S
d e cevada , e água , isto os engorda muito c o m utilidade da casa.
'* Todos» os annos , deve haver, o,,cuidado,,
d e se caparem frangos. O melhor tempo d e capar , he no mez1 de J u n h o : em todo Estio
com tudo se podem capar , porém os de J u -n h o vem melhor. Aos três mèzes pouco m a i s , ou mpnos , se capão, deste m o d o ^ faz-se h u m corte ná parte , que cobre os testículos (que
he dous dedos pouco mais *ou menos abaixo do ânus ) tirfu>'se os testículos* com o* d e d o ,
e se cortàó ; torna se a cozer a incisão .-. e
'> , * tf "- 7
se uuta com manteiga.' 0»s que- não ficão bem capados s~e c h a m à o r o n c b l h o s . Depois de capados se lhe corta k crista , e se lhe arranC.TO as penas da cauda , por cujo signal se c o n h e c e m . T a m b é m se precisa fechar os c a -pões -por alguns dias , dar-lhe muito a b e b e r , e c o m e r , p ó l o s em huma. c a p o e i r a , - d e dia apanharem S o l , e recolherem-se a boas líofas por causa do frio , até , q u e lhe torne a ale-gria ; porque* deixando-se soltos no «terreiro , logo que se c a p ã o , as galinhas os fariào m o r -xer picando os. *
N o Inverno , quando se querem engor-dar se m e t e m em capoeiras , e fechâo-se n a casa d e d a r o c o m e r as*galinhas.
A Capoeira sendo para capões deve ter 9 polegadas, va largura de cada divisão pafa os
capões deve ter 4 <polegadas , e meia ; e para o s frangos 3 e meia.
Antes de fechar as a v e s , se lhe dep_ha a c a b e ç a , e e n t r e coxas pois atraheni nestas partes a, p o d r i d ã o , e criam bixos,; depois dis--to apartão-se de dia', e da-se-lhe-acomer pa-:
26 M A N U A*"_i P R A T I Ç O
pas ,' ou masíja. feita de farinha d e cevada,M e a g u a , ou trigo negro , e ém pouco t e m p o :
engordão.
Alguns capões s e n ã o , devem engordar, para no anno seguinte criar os.pintos. São eid- j cellfentes p a r a ' i s t o . Para -os costumar se Jhe^f arrancãó as penas da barriga , depois de os far-tar de c o m e r , esfrega-se com prtigà , , e fei-chão-se em hüm quarticn co*m os piníos já cres-cijdos ; es|es/passafido-lhe por br.ixo da barri-ga , os7deleitão nesta acção-, miiibarri-gahdo-lhé* a .Comichão, que causa a ; õ r t i g a , e deste modo se ç o s t u m j o com os'pintos. Depois se I h e q h e -gão pintos novos qup. elles crião com muita* p r e c a u ç ã o .
' S e r i a grande-economia no Estio , e mui-t o ' ú mui-t i l no i n v e r n o -para o" alimenmui-to das avesy fazer em h u m càrito do pateo , h u m bicheiro
do m o d a seguinte.
Faz-se h u m buracoj&e três pés dé fundo , e seis ou sete de largura , e c o m p r i m e n t o ; pôe^se no.fundo h u m cavailo , , Ou outro ahi«. mal morto , e cobre-se de terra ; põe-se-lhe por cima a palha a r r u i n a d a , sobre esta se lan-ça sangqeMdc b o i s , e por cima se deita huma, c a m a d a de terra , torna-se a lançar por cima. desta 'o sangue d e ^ o i , è se c o b r e . c d r a outra! Camada de terra , e por cima sé lança palha', o u estrume ; h u m e d e c e - s e este buraco a miu^ do , e os bichos jse ajuntão aqui e m quan-tidade. #
7'No Inverno , q u a n d o se quer dar pasto sis aves ,, se descobre hum. c^nto d o , bicheiro com huma enxada , ~è sé lança liíim bócadp
no pateo , qüte vai cheio de J5ichos V
aTÍL a sJj o L A V R A D O R . 27
Esfa nutrição, fará ás galinhas pôr'ovos. Se se" pudesse fazei* muitos bicheiros para o Estio , se portuária -muito grão , e as aves pi oduziriàó melhor, •**, '»•
lie necessário muito cuidado com ás
ga-linhas efuando chocào. Assim quô ellas findao. a p o s t u r a , que se c o n h e c e pela vós de c h o c a , e não querei em . sahir do^ninho , h e .preciso fazer ha casa, de. chocar pequenos repartimen-tos com t a b o r s , e deitar-ihê féno , « ' d o z e até dezoito ovos bem frescos , couforuie o ca-lor da estação e o ^amanho da galinha ; 'isto se'faz ao por do Sol", quando as galinhas-se recolhem ; devem-se sempre ^chocar as niais velhas , , porque aturâo mais np ninlio , e as novas ficào para pôr : ao t e m p o , de se lança-r e m 110-ninho , se lhe deve m e t e lança-r a c a b e ç a
debaixo da aza , e se são b r a v a s , se embala-rão h u m p o u c o , e deitaembala-rão Sobre .ps ovos do-c e m e n t e ; a b i se lhe dará* o do-c o m e r , e á g u a ,
e assim fica^áõ as escuras ; no n i n h o se l a n -çará hum pédaçp" de ferro , para impedir o
eííeito dos, trovões sobre os o v o s , e não os ttícar já inais em quàntp a galinha choca, (ij±
A
,'fi) Nota do trãductor Portuguez>"No Braçil çostuiíiâo, as galinhas chocas. criar';,huns insectos muiio miúdos q u e vulgarmente chamão piqlhos , e por isso , lie p r e -ciso bolir-lhf nos ovos , tirando-os do iai-jho ,
'queiÇpan-( d o a 1 palha , e-depois deitar * rióva,, e alguns pequenos
^pedaços de tabaco de fumar para impedir o criarefri-se lio.vOS; piolhos ', porém deve 'ser em pequena porção
p o r não offencler a galinha, e qbríga-la a desamparar o ninho : senão lia esta -precaução , exasperâo-se §£, veke» Janto corçi os taes piolhos", que d»i_âo o ainho , c p e r -dera-se os ovos*
287 M A -sr U A _ P R A T I C O
A galinha choca Ordinariamente 21 dias.' Quan-d o , vem-se-; aproximanQuan-do' os últimos Quan-dias Quan-do choco , h e preciso v e r , se os ovos sé furão , e se alguns pintos não podem sahir -da, casca para soccorrfe-loá , e torna-los a pôr no ninho :»se aos 24 d i a s , ainda existirem ovos , :»se d e -vem lançar todos fora , e alimpar o ninlio. Os pintos passào dous dias sem c o m e r debaixo da m a y , no "terceiro dia se, lhe deve dàr pão com vinho , p, por-se'debaixo de h u m cé»sto c o m a may , expôlos a, Luz , e ao S o l , e. recolhe-los c e d o por causa do frio?, sustenta-los d e ; p ã o , o u algumas semeas de t r i g o , e papás de fari-n h a de cevada "/' e dar-lhe a beber a aguârbem l i m p a , até t e r e m eilés forças ysáffiei entes para
seguirem a may nó pateo , ou cercado ; sol-,ta-se a. may , e se tem o cuidado de a reco»
lher cedo por causa do,frio7
Serás galinhas' novas quiserem c h o c a r , seslhe arrancão as penas da barriga ,' e debaixo
das asas , e se banhão" com água fria para r e -frescá-las, prendem-se , e se deixão sem 00-»
merMous dias. M M
, E m a postura dos ganços , e patos senão c a r e c e mais cuidado*, do q u e : descobrir o lu-. gar aonde elles^pòe , ou fecha-lòs no tempo da. postura por não perder os ovos .• estes se de-vem ir tirando até que, acabem de pôr. Os ganços põe três vezes no a n n o , dev Março a t é
J u n h o , e os patos só h u m a vez, que c o m e ç a e m Março-,, e vai suecessiva até-fins de Maio. • Q u a n d o acabão depor , se deitão p s ovos em h u m lugar separado , e ahi se fechâo para cho-carem. Os ovos que sobrãó sé fazem chocar « m p e r u a s , ou g a l i n h a s , e os filhos se crião
D /O L Á V K A D 0 _ . _ Q sem muito trabalho da F a z e n d e i r a , quasi c o m o
os úintjos.
As aves se costumão^ levantar, muito c e -do , e recolher t a m b é m ceçlo , h e necessário o cuidado de dí.rlhe o comer antes de n a s -c e r , e de se por o S o l , e sempre ás mesmas horas , e no m e s m o lugar; deve-se regular o sustento a seis onças de grão por d i a , para c a -da,galinha , quévanda solta , e oito onças para os que estão.,fechadas : o joio , os farelos d e t r i g o , avea , cevada ;» é outros grãos, lhe são bons. D e v e haver o cuidado de se alimpar o galinheiro todas as semanas , rapar a vasilha , e m que' se fazem as, papas , ou massa , tratar dos ninhos , ' d e i t a r - l h e feno , por *ser mais q u e n t e que a palha', e menos subjeito a criar piolhos ; . lançar cihza em h n m canto do gali--nhéirp para os .pintos ^ e gnlinhasse espojarem, o que lhe mata os piolhos ; deitar-lhe-em ca-i da ninho hum ovo de gesso a^que c h a m ã o in-, d e z , para ellas ahi porém ; tirar-lhe os ovos d e m a n h í a , e d p , t a r d e , e f e c h a r - l h e , e abrirl h e o gaabrirlinheiro doímesíno modo a estas h o -ras , para as deffehder de. noite dos a n i m a e s vorazes como são l o n t r a s , e r a p õ z a s , e p u t r o s ; "defumar o galinheiro todas, ás v e z e s , que se
a l i m p a , queimando-lhe zimbro , r o s m a n i n h o , m a n j e r o n a , 'alfazema , serpão ," ou outras' plan-4 tas a r o m a t i c a s , est^s fumaças matão os pio-lhos , e deffendém as galinhas de muitas doen-ças, í l e preciso também dar-lhe sempre água p u r a a beber , por nào criarem pevides ; esta qupixâ he^muito c o m m ü a nas galinhas -movas , eNfrangos , e faz* morrer m u i t o s . - Q u a n d o se
p e r c e b e e m alguma galinha esta moléstia, se
-3o JM A N V A _ P n _ T I c o
deve pegar,' ábrír-lhe o b i c o , puxar-lhe a-lin* igúà:, e cpm h u m alfinete despegar-lhe por baixo huma pelle b r a n c a , e grossa que a co-*: b r e , e arrancar-se d o c e m e n t e , ò que faz
dei-tar algum sangue , dejfoís' se lhe faz engolir
h u m bocado de vinho.,* é se expõe • ao Sol de-baixo de"lium cesto d'e cobrir p i n t o s ; tem-se se^ârr.da das outras por alguns .dias , ' até com e r b é com , e tornarse'alegre ; este h e ' o com e -lhor modo de as tratar. " .
tíos porcos.
*»»
Este animal immündo , e grosseiro», he> muito necessário ; mas -nem, topos, os cultiva-, dores podem ter porcas parideiras, p o r q u e ás differéntés posiçõps,, e dist?<ncias de q u e , pre-cisa esta criação , senào podem e n c o n t r a r em todas ,.as Fazendas , principalmente nas que estão longe-dejmatas , cpmo também pelo cui-dado , que deve haver , com os b u r r õ e s , e Í torças'-• quando parem. O m e l h o r ' t e m p o ' d e se, ançarém os barrões ,ás porcas h e no mez d e F e v e r e i r o , M a r ç o , e Abril,, porque a porca anda p r e n h e q u a t r o mezes , »e'pare n o ' q u i n -t o , e assim vêm a pa.rir* em J u n h o ,' Julho,, o u Agosto ; tempo o mais favorável, para os leitões poderem tomar forças / p « ç a p Inverno. H e preciso que , as porcas para o lançamento;, n e m terihão menoslú& hum a n n o ,, n e m mais d e sete. H u m barr&o h e sufficiente para deis porcas , e só pode servir deppts de ter hun_, a n n o , até chegar,^ a os quafro somente. Os. leitões se capão aos quatro mezes dp mo^o s e -guinte : fak-se.huma, incisão n a ^ b o l ç a , e deir
D O L A v n A D O K. 3 i
pois apertándo-a salte o testículo , que puxado se. d e l p e g á ; o m e s m o se faz ao segundo. U n tase de manteiga sem sal a ferida, para p r e -venir a grande inchaçao , e corta-se-lhe a ponta da c a u d a , por huma junponta , põése» por» c i m a da ferida cebo , e cinzas passadas por h u -m a peneira. Por4.-m••, co-mo cada Fazendeiro trata dáquelbis'; creaçôes , que a sua Fazenda a d m i t e:, e que a q u e u a , que se regula peías
instriicçôes , «que eu,:dou, não pôde sofrer e s -t e e m b a r a ç o , l i m i -t ^ f - m e - h e f . s ó .aqui ao modo d e engordar os l e i t õ e s , a t é . o ' t e m p o de ps v e n d e r ^ .ou de os m a t a r , para se aproveitar o leite , op soro que fica ; depois de tirada a m a n t e i g a , , os sobejos daSipaneilas , tudo o q u e resta na l e i t e r i á , que se p e r d e , com d e -t r i m e n -t o dá Fazenda. , .,
' Para -saber á> quantidade de leitões q u e se podem criar , h e jareciso calcula-la pelas va-c a s de leite que h a , que são a base fundamental
ÍKira os tratar. H u m a vaca de leite pode criar m m leitào até seu perfeito crescimento», m a s c o m o as vacas nas F a z e n d a s não dão t a n t o leite como nas,"1pásas p a r t i c u l a r e s , devem-se c o n t a r duas vacas para cada leitão , por n ã o haver engano» F i n a l m e n t e o. F a z e n d e i r o , , q u e n ã o , quizer jter7o trabalho d e fazer, parir as porcas , todos os annos no fim de Julho c o m p r e na feira mais vi.sinha leitões de dous m e -zes^de i d a d e , porque estes aâsim vem primei-; r p , e engordao b e m . Dpve preferir QS ma-! c h o s , pois estes c o m e m , e engordao m e l h o r , q u e • as fpmeas , 'escolhem-se compridos , e m u i t o feips, níais baixos de d i a n t e , os olhos p e q u e n o s , e redondos J, as orelhas largas , e
_ _ M AN U A L , _ P R A T Xf O
bèm c a h i d a s , o nariz bem. a b e r t o - , a; cabeça comprida , p pello do cachaço direito , e JÍS-pero , a cauda curta , e' b e m enrodilhada , as curvas largas , o ar vivo, esperto , e bem aber-t o de dianaber-te. '" -.
Depois de se terem assim escolhido m u i -tos1 animaes , segundo a quantidade de vaca»
de l e i t e , que houverpm , se porão em c h i -q u e i r o s , dous a d o u s , por não Sentirem tan-to , e c o m e r e m melhor. E n t ã o se lhe dará por muitos*; dias o leite desnatado , que fica, n a s Vasilhas; depois de estarem afeitos apsteísusten-t o , se lhe d a r á , p soro com alguns punhados
d é sé meias com raizés, e frutos p q d r é s , e t o ^ cias as.sobras da cõsinha , e d a . h o r t a ; e^assim se • nutrirão-dando lhe isto j x e s vezes no^dia até chegarem a seu perfeito crescimento. j?Esta nutrição' os faz' alimpáç , e ^alargar , e dispõe para engordarem. Quando tiverem já de todo crescido íe dará para cada poíco h u m a m e d i -da certa de farinha de ceva-da , e -dar lhe por dia7trps sàlamins desta farinha', e semeas mis-turadas com estes laticínios conforme elles a p p e t e c e r e m ; do meip da e_va ppr diante , se lhe deve dar o comer em tal.quantidade que sempre haj.v dê/sobrar ; feito isto"* assim , os porcos éngordáráõ, assás para se venderem , ou m a t a r e m . Alguns antes de chegar a este t e m -p o médio de c e v a , , estão inteiramente gor-d o s , gor-de m ° gor-d ° °iue* j-* sp não podem ter d e p é
n o ' c h i q u e i r o , ,è p s e u sustento h e muitp*"de-licado, Elles não se podem; tratar todos destej" niodo t a n t o . . t e m p o ; porque no Inverno dimi-n u o o leite ás vacas , e depreça fakarião os laticínios para os engordar. E m conseqüência,.
» 0 , t A t í A D O l i 55* no mez de ^Dezembro, em que as vacas dão
pouco leite , he preciso matar as mais fortes t
para lhe salgar as carnes gordas , e comei frescaes , e faaer o- presunto.
A compra dos porcos , das galinhas * & mais aves pertence a Fazendeira.
Das vacas, e vitellas*
Estes animaeí requerem Os maíor&S co*, nhecimentos em sua compra, e como nelíes podem haver muitos enganos pertence ao Fa*r aendeirp saber delles, e muitas vezes a pesa-do seu grande conhecimento , ainda assim h a enganado. Também he da* maior prudência para hum Fazendeiro inteligente, quando tem boa*raça de vacas, con6erva-la, e tirar dellas criação. Desta sprte , continuamente renova a sua Fazenda , e seu fundo tem tanta mais qualidade , quantos mais são os animaes novos nascidos na sua Fazenda ; pois não está sub-* jeito a ter diminuição por infinitas queixas, que Vem muitas vezes, pela mudança do pasto, o do clima.
Do conhecimento das vacas»,
,Para se terem boas vacas de leite. Jiêftfê* ciso escolli^â&jlpgo novas. Para conheCer-lho a idade, se devem olhar os dentes, abrindo* lhe a b o c a , » o que se f^z, passando ò braço _ireito da nuca por entre os chifres, chégan-c do a mão direita ao foc|aho, e metendo O
de-Áq polegaí na venta direita , Ê OS outros 114
esquerda' 'abrindo-lhe depois o írueixo com *.,
54 M X N tr A t. P n A %<x c o
anão esquerda. Muitos deitão fora ps primeiros dentes ao 10 mezes , e os segundos aos i 6 ; mas commumente mudão os dentes pela se-guinte ordem. Aos dous annos mudãõ os pri-meiros dentes de diante, em, cujo lugar vem outros mais trigueiros , mais fortes , e mais láygos; aos três annos lhe cahem outros dous aos lados destes já mudados., também lhe nas-cem outros mais escuros, e mais fortes ; aos quatro annos lhe cahem outros dous aos lados dos últimos mudados, e em seu lugar vem ou-tros mais .largos'.;, aos sinco annos tem elles oito dentes largos , e aos seis todos estão iguaes compridos , e esbranquíçãdos. Quando delles já senão pôde-julgar, são curtos , e negros , e se diz entàp, em termo do campo , que elles são (ra£in ) que vale o mesmo ( raser) para os cãvallos ; il h., que já não julgão, Ou estão «errados.
Também se conhece sua idade pelos dif-ferentes, nós , que tem nos chifres, mas este sigrial só serve até; três annos. Conta-se então por cada n ó , hum anno de idade j , mas este signal tém, inconvenientes ; porque podem ter caindo os chifres,a huma vaca, ou se lhe pô-de fazer isso para enganar. Popô-de-se julgar hu-ma Vaca boa leiteira até a idade de dez annos : passado este tempo, ella só"* serve para engor-dar para o acougue. Huma vaca prenhe engor-» da mais facilmente, que as outras. He preciso não chegar huma novilha ao t o u r o , antes déí t e r dous annos e m e i o , para se hão
enfraque-cer , e para conservar-se sua, raça ; se antes deste tempose conhece sahida, moderai-se o seu calor fazendo-a tomar água com farelos. Nove
me-fcÒLAVRABOIL S_ mezes , e, tantos dias h e o t e m p o da p r e n h e á
da vaca. Q u a n d o chega o t e m p o de parir h_ necessário fazer-lhe h u m a boa cama de palha > estar attento ao instante , em q u e ella que_ p a r i r , para afbda-la, e indireitar-lhe o bfesér* i o , e facilitar lhe a sahida , se a vaca t e m graii*
d e t r a b a l h o ; pois não havendo estas prec'a#";
çpès , muitas vezes p beserro se affòga a o
sàhir.
Logo que nasce O beserro * se lhe lânçá pelo corpo farinha de centeio misturada dom sal, para excitar a may a lembe-lo , o que o alimpa de todas as i m m u n d i c e s , q u e se lhô não poderião tirar de outro modo , por S_„ ainda muito t e n r o , e não admittir tocaio. E m q u a n t o a vaca aceia assim ò beserro , se l h e eleve lançar pela boca h u m a gema de ovo c r u a , para o fortificar; depois d e fazer a Va-ca beber seu próprio leite., dar-lhe h u m a boá porção d e aveia misturada c o m vinho quente j
ou o u r i n ^ , para a fazer lançar p r p m p t a m e n t e as secundinas. Logo que ella as l a n ç a , se de-* vem deitar fora ,por que as c o m e ; e esta massa grosseira, e c o r r u p t a , lhe impederia depois O engordar. Se ha desconfiança d e ter ficado ainda algum re.quicip das secundinas, se fazem" injeções á m a d r e cora água tepida por h u m a s e r i n g a , e isto as faz logo sáhír. E s t e t e m e -dio s i m p l e s , e n a t u r a l , se descobrio e m i75_
Í
>or Recolin famoso p á r t e i r o , e ò praticou f e -ismente com as m u l h e r e s , e nos animaes ^ d e v e produzir o m e s m o efípito, c o m o diz La-fosse c e l e b r e veterinário e m C h a r e n t o n , coirt. q u e m conferi. ; N o s ôrimeirôs d o t i s , ou três dias depois
86 ^ M A J Í U A t P R A T I C O
S_p pfltto será útil dar a vaca , todas as mã-nhãas , huma boa porção de avea fervida em meio balde de água , para a restabelecer de suas fadigas. ,
A vaca deve ser tratada Fbgo depois de parir, e , antes de lhe dar avea com vinho, ou ourina , deVe^se-lhe fazer beber seu próprio leite, como já disse , o qual seria npcivoxao beserro, se o bebesse. Depois' disto se ha dé sustentar, no curral dez dias , pouoo mais, ou m e n o s , conforme a. estação' do tempo , com
ttes selamins de semeás , e fenoi Findo este t e m p o , pode sahir para o campo.
Os sígnaes de huma boa vaca, pela con-formação do c o r p o , são : corpo grande, vtre latgo , frente ;do mesmo modo , feia , en-rugada, olhos n e g r o s , e bem abertos, boa ar-mação , chifres polidos , e escuros , orelhas bpm cabelluda6 , queixos serrados ,, a papada -grande , e pendente sobre os joelhos, a cauda bella,; e -que--ehegue abaixo das curvas , e a ponta bem guárneçidacde cabellos , as ventas bem abertas , ò pescoço pouco curvado, os membros grossos •», a. t&a. larga , a pelle delga-dada , e ampla; o que se conhece facilmente puxando-a entre as pernas por detraz , os bi-cos dos peitos compridos, pouco carnudos, e bem apartados huns dos outros.
O leite para sér.bom para manteiga, ha de ser muito claro ao tirar, e depois de est^r por algum tempo em repptiso se ha de tornar de huma côr amarelada j -o que mostra ter mui-ta namui-ta , e que he bem carregado dp matéria butirosa. A vaca cujo leite não tem estas qua-lidades, só se deverá conservar , se o leite so
fcp L A V R A D O RJ Zf houver de'vender ás c a n a d a s ; porque estas d ã o de ordinário mais l e i t e , q u e as outras. Quan-do se c o m p r a huma vaca , n ã o deve causar a d m i r a ç ã o , ser ella sensível dos bicOs dos pei-tos ; isto he muitas v e z e s , por ter mujto leite , e não por moléstia, ou difficuldade em se mun« gir ; isto he bem freqüente com as vacas ,, "que os vaqueiros vendem para f o r a , pois p a
-r a faze-r-lhe te-r a teta g-rande , não as m u n g e m as v e z e s , q u e são precisas. Para lhe tirar esta sensibilidade basta só mungi-las três vezes a o dia , c o m o se deve f a z e r , quando ellas vão a h e r v a , no Estio , e isto l h e torna o leite l i -quido , e sahe sem dór.
O t e m p o mais próprio , para lançar o s touros ás v a c a s , he»o mez tle Julho \ mas mui-tas vezes não pôde ser assim , porque lhe v e m o cio em outra occasião; e chegandoas ao t o u ro logo que p a r e m , podem depois n ã o , c o n -c e b e r , quando se tornão a -chegar.
As vacas pretas .são as melhores , t a n t o pela quantidade , como pela qualidade do lei-t e , por causa da fleuma, que as domina. As vermelhas t a m b é m são boas ; porém as escu-r a s , e as píetas são melhoescu-res. As bescu-rancas dão m u i t o mais leite , mas de ordinário t e m p o u -ca nata. Estas qualidades todas j u n t a s , h e dif-11
ficil, e n c o n t r a r e m - s e e m h u m a n i m a l ; porém, escolhe-se o que t e m mais.
Nas visinhanças d e Pariz a qualidade das vacas h e m e d í o c r e , e estas dão pouco l e i t e . E r a geral são p e q u e n a s , e engordao com c i l i d a d e ; P òs mais dos Fazendeiros , não fa-zem caso de vacas m a g r a s , q u e com tudo são
as melhores leiteira* j porque elles »
s t e mmais,'
SB M A "SC V A _ ,P«R A T I O O" M
m a i s , para dar consumo a p a l h a , e "fazer e s -írnrae , e ter beserros todos os annos , do q u e peÍP leite ; pois não sabem fazer differontes opeijos excellerítes com o leite desnatado , o « u e nos abriga a compra-los aO estrangeiro* Alé i n d o q u e , ellas não custão a engordar para O a ç o u g u e , depois 4 e velhas,; pêlo contrario ap comprassem vacas v e r d a d e i r a m e n t e leitei-ras , não sabendo por h u m a parte empregar « m queijos o restante do leite , e por outra •pãp podendo facilmente nutri-las de herva fres-c a , dandprjíhe a maior parte do t e m p o palha atéca» ficarião tão magras , que ao depois só-p só-p r e s e h t a r i â ^ í só-p essó-pectaculo da m a g r e s a , que
ÇQtQ difficuldade sé poderia extinguir. E he
t ã o v e r d a d e , q u e as vacas leiteiras engordao diífficilmenté, por se tornar em leite toda a sua n p t r i ç ã o , que sempre são magras , e descar-nadas as vacas Flandrinas , que sem contr.idi-ç a p , são as melhores leiteiras, que temos , pois •r[ue dão 12 canadas de leite lpgo nos primei-r o s t e m p o s , depois que paprimei-rem , e paprimei-ra o fim
ú^o 8. Eu t e n h o tido muitas destas v a c a s ,
ç as,1 deste paiz n ã o t e m comparação nenhuma,
ç#iu ellas7 T e m m u i t o bello talhe» e dão ma-*
f
h^ias. Ha muitas n a s províncias do Póitou, nificos beserros. Vem-nos origina riam e n t e das$e Aitnjs y e em Charente. Estas t e m h u m a
grande vantagem sobre as nossas , ellas ema-g r e c e m , porque i 5 d i a s , pu 5 semanas antes $ p palrpr se lhe diminue o sustento pouco a "•pouco, ( p o r pão sentirem a falta r e p e n t i n a , e •nia. p,adpcer a cria )<para diminuir-lhe o l e i t e , ^ u e h e niuito. Ao contrario as nossas, e m m à -^ e p f m ppç si: mesma» 3 h ou 4. m e z e s a n t e s d^
n o L A V R A D O R . 3g
Nas vacas Flandrinas os beserros não mamão- como nas nossas; costumào-se a be-ber o leite em hum balde, do modo seguinte.
Depoiss de ter tirado o leite a may , se
inclina a cabeça do beserro para o balde , e metendo huma mão, no leite , 6e«lhe mete de* pois o dedo na boca para o fazer chupar; e quando elle vai começando a beber, se tira o dedo pouco a pouco. Não se precisa fazer is«* to mais de duas vezes , pPis logo o bebe só <?m lhe apresentando o balde. Desta sorte não fatiga a may com marradas nos peitos, e en-gorda mais depressa. Quando o beserro tem»
i5 dias , he necessário por-lhe hum cesto no focinho preso pòr cima da cabeça com huma corda , (depois de ter bebido o leite ) para im-pedir-lhe o lamber as paredes, e a si mesmo , que o faria emmagrecer. Quando se quer fa-zer huma carne bem alva , e delicada, batem-se ovos no leite , e depois batem-se lhe dáõ a b e b e r , e se tratão deste modo até se venderem. As-sim se engòrdão os beserros de Pantoise perto de Pariz.
Ha também hum grande proveito de fa-zer beber os beserros Flandrinhos no balde,
e he de aproveitar o leite , qtie sobra ao
beser-ro , e que ficaria perdido, se se deixasse ma-mar ; porque a vaca, depois do beserro chi*» par-lhe os peitos, esconde o leii^ , se lhè vão mungir. «
Se não séquizer criar o berro, se pôde ven-der de 5 at<£ 8 semanas, e dará maiorjpreço,. do que hum de outra vaca com t#es mezes.
Há paizes onde as vacas se fazem lavrar;
porém ellas nunca jsiaem huma b&a lavra Í he
%0 M A N U A I . P R A T I C O
fatiga-las com pouco fruto, e semelhante mo-do de trabalhar só pôde ter lugar nos paizes miseráveis, que o não podem' f a z e f d e o u t r í*
60fte t como acampanha estenl ; e outras RSsim, situadas em num máo terreno.,.
Quando» as vacas estão prenhes , he pre-ciso trata-las bénx^ não lhe dar com p á o , por não faze-las abortar. Para isto de,ve estar atten-, to o vaqueiro , que ha de ser fium homéni doce , vigilante , amoravél para o gado , qup entenda dP 'parto, e que saiba simgrar.e capar
os bojs ; que não deixe sahir, emjquantq o Sol jião tiver enxugado o orvalho , e nem as dei-5te comer trevo em jejum , ou fenò em muita quantidade , porque -o calor desta herva , no estômago vasio , as faria i n c h a r , e morrer •promptamente.
A nutrição mais sãa para estes, animaes, Jie huma herva ' l i ^ f a até depois da ceifa dos jfenps ; e depois o pasto de hum bom resto-lho àe feno. Para isto he preciso conservar, os arpentes necessários para o sustento do In-verno, e separar a demasia da sua visinháriçà^ lie mo<ío que os animaes possão pastar i5 dias,
ç m h u m lugar,, é i5 dias, ou hum mez em •putro, a fim de dar á herva tempo de tornar a protar. O resçolhò do feno secco he o que çopserva raelhor 6 leite as vacas. No Inverno »e mistura <|pm palfia.de avéa, ou de trigp, porém de avéa he melhor .* «dão-se a cada nu-ma quasi 3o libras de peso por dia.
, jQíuando se querem criar vacas , ou bois íèja pata lafoura, ou para augmentar os fun-dos da f a z e n d a , deve-se dar a preferencia aoa
$ue nascem de Março até Junho , porque o§
que
D O L A V R A D O R, 4 *
q - ^ nascem mais tarde com difficuldade resis-tem aos rigores do Inverno. Para este fim se separào , da may de d o u s , p u três mezes , h a -vendo a n t e s ' c u i d a d o d e lhe dar herva ou fen-o dfen-o melhfen-or , h u m a v e z , fen-ou fen-outra , para fen-os acostumar a elle ; depois se le.vão a pastar , de manhã a até a tarde , em hum bom pasto , separados das mays ; de noite se fechão tam-bém apartados por não m a m a r e m ; e devem estar quentes no curral, por se* não lembrarem das mays. Os beserros criados assim , se capão de dous annos , no mez de M a i o , ou p e r t o delley precisase para i s t o ' h u m a sasão t e m p e -rada. Faz-se do modo seguinte : següra-se o t o u r o pelos chifres a h u m a .estaca , prendem-se com tenazes os nervos dos testículos ; ao depois pega-se nas bolsas , faz-se huma inci-são , com a qual se cortào os mesmos testícu-l o s , d e i x a n d o só a extremidade q u e fica pega-d a a o nervo : isto basta para- tirar ao novilho a potência de g e r a r ; elle não deita muito .san-gue , e n e m perde muita força. Logo déppis d é feita a operação, se esfrega a ferida com cin-za misturada com Iitargirio de p r a t a , e se l h e applica h u m emplasto. Neste dia se lhe dá pouco a c o m e r , e nada a beber , e nos dias seguintes deve beber pouco. Nos três primei-ros dias se sustenta com feno p i c a d o , e h u m selamim de s e m e a s molhadas , para huma vez ; «os t r ê s , Ou q u a t r o dias , se lhe tira <o apare-l h o , è se apare-lhe põe na ehaga h u m empapare-lasto d e ciriza, pés d e r r e t i d o , e azeite d o c e , para con-solidar as c a r n e s ; e logo q u e o novo boi co-m e ç a a ter v o n t a d e d e c o co-m e r se lhe deve dar
hçrva fresca, e de ffeber* Em muitas p a r t e s
4a M A _r p A _ P R A T I C O
e m lugar do modo acima dito os capão de vol-ta como os cavallos. Porém' o melhor m o d o % e capar tanto para segurança da operação», c o m o para ter bons bois de r a ç a , f o r t e s , h e c a -pa-los ainda mamando d e t r ê s , ' a t é seis sema-n a s , quasema-ndo m u i t o , fazesema-ndo *humá simples incisão n a s beiças,, é fazendo sahir cada h u m testículo , e cortandôdhe depois o c o r d ã o , e u n t a n d o a ferida c o m untó sem sal , e man-teiga fresca. «
H e p r e c i s o , q u e o vaqueiro alirnpe o c u r -ral d e dous em dous dias , e que dé ás vacas palha fresca todos os d i a s , assim c o m o aos be-serros , e b o i s ; porque a o u r i n à , q u e estagna por baixo dos b e s e r r o s , lhe faz muitas vezes s a r n a , e o vapor calido do curral lhe esquen-ta a b o c a , e lhe faz bar bilhões. A sarna dp& b e s e r r o s , vacas , e bois se curão esfregando-a c o m manteiga fresca , e óleo de l i n h a é a ; e o s b a r b i l h õ e s , que^sao h u m a excrescencia de c a r -n e , q u e lhe vem debaixo da lí-ngua , e l h e i m p e d e o c o m e r , se e u r ã o , cortando-os c o m tisouras , e lavando a ferida c o m vinagre %
e sal.
Q u a n d o h u m beserro n ã o bebe b e m , o u h u m b o i , o u vaca não c o m e m como dantes j para fazerlhe vir d e novo a vontade d e c o -m e r , q u e -muitas vezes lhe falta por h u -m des--g o s t o , h e preciso esfredes--gar-lhe a l i n des--g u a , e o
f
jaladar c o m pimenta , s a l , alho , -sé vinagre ;ogp t o r n a i a c o m e r c o m o d a n t e s .
Muitas vezes suceede , q u e h u m a vaca parida d e novo , por causa do muito l e i t e , t e m a teta muito dolorosa, por estar este e m