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Academic year: 2021

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CURSO: Ciências Contábeis.

DISCIPLINA: CONTPUB – Contabilidade Pública. PROFESSOR: Prof. Ms. Carlos Alberto de Oliveira. GUIA DE AULA no: 03/2012.

CONTEÚDO: 1. INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE PÚBLICA. 1.1. REGIME DE ESCRITURAÇÃO.

1.2. SISTEMAS CONTÁBEIS. 1.3. LEGISLAÇÃO.

AULAS:

1 – DEFINIÇÕES, CONCEITOS E IMPORTÂNCIA:

1.1 – Contabilidade Pública é o ramo da Ciência Contábil que aplica na Gestão Pública as técnicas de registro dos Atos e Fatos Administrativo, apurando resultados e elaborando Relatórios periódicos, levando em conta as normas do Direito Financeiro (Lei no 4320/64) e os Princípios Gerais de Contabilidade.

1.2 – A Contabilidade Pública então estuda, registra, controla e demonstra o Orçamento aprovado, acompanha sua execução (Decreto-Lei 200, art. 78), os Atos e Fatos Administrativos da Fazenda Pública, e o Patrimônio Público com suas variações.

1.3 – A Contabilidade Pública, seja nos três Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, seja nas três esferas: Federal, Estadual, Municipal, e ainda no Distrito Federal, tem como carros chefes a Lei nr. 4320/64, que Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro Para Elaboração e o Controle dos Orçamentos e Balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, e o Decreto-Lei 200/67.

1.4 – A Contabilidade Pública registra a Previsão da Receita e a Fixação da Despesa, estabelecidos no Orçamento Público aprovado para o exercício, escritura a Execução Orçamentária das Receitas e Despesas Públicas, controla as Operações de Crédito, a Divida Ativa; os valores; os créditos e as obrigações; revela as Variações Patrimoniais, e mostra o valor do Patrimônio Público.

1.5 – O Objetivo da Contabilidade Pública é o de fornecer informações atualizadas e exatas à Administração para subsidiar as Tomadas de Decisão, os Órgãos de Controle Interno e Externo, o cumprimento da Legislação, e às Instituições Governamentais e particulares quanto a fins estatísticos ou de interesse destas instituições.

1.6 – O Patrimônio Público é, a exemplo dos demais ramos da Contabilidade, Objeto da Contabilidade Pública. Excetuam-se deste contexto os bens de domínio público, como praças, estradas, ruas, etc.

Também é Objeto da Contabilidade Pública o Orçamento Público, como principal fonte de formação do Patrimônio Público, entendido como peça autorizativa para arrecadação de recursos financeiros ( Receitas ) e realização de gastos ( Despesas ).

Ainda, a Contabilidade Pública também tem como Objeto os chamados Atos Administrativos, adiante definidos, tais como: Contratos, Convênios, Avais, Fianças, etc.

2 – REGIME CONTÁBIL, EXERCÍCIO FINANCEIRO, ANO CIVIL: 2.1 – A Lei 4320/64, em seu artigo 35, determina o seguinte: “Art. 35 – Pertencem ao exercício financeiro:

I – as receitas nele arrecadadas;

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Este dispositivo legal consagra o regime contábil misto para a Contabilidade Pública no Brasil, ou seja, de Caixa para as Receitas Públicas ( as Receitas nele arrecadadas correspondem ao ingresso do recursos financeiros) e de Competência para as Despesas Públicas.

O Exercício Financeiro para a Contabilidade pública no Brasil corresponderá ao período de 01/01 até 31/12, coincidindo com o ano civil.

3 – CAMPO DE APLICAÇÃO:

3.1 – A abrangência da Contabilidade Pública atinge:

3.1.1 – Administração Direta – Poder Executivo, Poder Judiciário e Poder Legislativo.

3.1.2 – Administração Indireta – Autarquias, Fundações, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista, somente as sujeitas ao Orçamento Fiscal e de Seguridade Social.

4 – PARTICULARIDADES DA CONTABILIDADE PÚBLICA:

4.1 – A Contabilidade Pública segue os preceitos básicos da Contabilidade, apresentando ainda as seguintes particularidades:

4.1.1 – registro dos Fatos Permutativos; 4.1.2 – avaliação dos itens patrimoniais;

4.1.3 – escrituração segundo os Sistemas de Contas; 4.1.4 – obrigatoriedade de registro dos atos potenciais; 4.1.5 – escrituração do Orçamento; e

4.1.6 – elaboração de Demonstrativos Contábeis próprios da área pública.

4.1.1 – Registro dos Fatos Permutativos – O registro dos Fatos Permutativos faz grande diferença entre a escrituração destes na Contabilidade Pública e nos outros ramos da Contabilidade, pois na Contabilidade Pública os Fatos Permutativos passam pelas contas de Resultado sem afetar o resultado patrimonial.

Os Fatos Permutativos a que estamos nos referindo são os decorrentes das Receitas e Despesas Orçamentárias e são, diferentemente dos Fatos Modificativos ( que modificam para mais ou para menos o Orçamento ), representados por entradas ( Receitas ) ou saídas ( Despesas ) de recursos financeiros trocados (permutados) por Patrimônio (Bens, Direitos ou Obrigações).

Os Fatos Permutativos também são chamados de MUTAÇÕES PATRIMONIAIS. Exemplo de Fatos Permutativos ( aquisição de um equipamento ):

Despesas de Capital (Resultado) a Bancos Conta Movimento (Ativo) Móveis e Utensílios (Ativo)

a Resultado Aumentativo do Exercício (Resultado)

Este duplo lançamento decorre da necessidade da Despesa acima, apesar de ser Permutativa, ter que ser registrada em Conta de Resultado (deve transitar por Resultado).

4.1.2 – Avaliação dos itens patrimoniais – A avaliação dos elementos na Gestão Pública tem que obedecer ao art. 106 da Lei 4320/64, que diz o seguinte:

“Art.106 – A avaliação dos elementos patrimoniais obedecerá às seguintes normas:

I- os débitos e créditos, bem como os títulos de renda, pelo seu valor nominal, feita a conversão, quando em moeda estrangeira, à taxa de cambio vigente na data do Balanço;

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II- os bens móveis e imóveis, pelo valor de aquisição ou pelo de produção ou construção; III- os bens de almoxarifado, pelo preço médio ponderado das compras.

Parág.1o – Os valores em espécie, assim como os débitos e créditos, quando em moeda estrangeira, deverão figurar ao lado das respectivas importâncias em moeda nacional;

Parág.2o – As variações resultantes da conversão dos débitos, créditos e valores em espécie serão levadas à conta patrimonial;

Parág.3o – Poderão ser feitas avaliações dos bens móveis e imóveis”.

4.1.3 – Escrituração de acordo com Sistemas de Contas – A Contabilidade Pública, e todas as esferas de governo, adota a escrituração respeitando o Sistema ao qual pertencem as Contas envolvidas. O Plano de Contas está dividido em quatro Sistemas, a saber:

- Sistema Financeiro; - Sistema Patrimonial; - Sistema Orçamentário; e - Sistema de Compensação.

4.1.3.1 – O Sistema Financeiro (F) é formado pelas Contas representativas de entradas e saídas de recursos financeiros, ou seja, Contas representativas do fluxo de caixa.

Exemplo de Contas do Sistema Financeiro: Disponível (Ativo)

Fornecedores (Passivo)

Receitas Orçamentárias (Resultado)

4.1.3.2 – O Sistema Patrimonial (P) é formado pelas Contas representativas de Fatos Permutativos de Receita e Despesas, que geram lançamentos nas Mutações Patrimoniais.

Exemplo de Contas do Sistema Patrimonial: Ativo Permanente (Ativo)

Empréstimos Concedidos (Passivo) Mutações Passivas (Resultado)

4.1.3.3 – O Sistema Orçamentário (O) é formado por Contas ligadas aos atos orçamentários. É um Sistema típico de controle do Orçamento, que visa mostrar, a qualquer momento, a situação orçamentária, ou seja, o comportamento da Receita e da Despesa frente ao que inicialmente constou do Orçamento.

Exemplo de Contas do Sistema Orçamentário: Receita Prevista (Orçamento-Receita)

Receita Arrecadada (Orçamento-Despesa) Crédito Disponível (Orçamento-Despesa)

4.1.3.4 – O Sistema de Compensação (C) demonstrará o comportamento dos atos potenciais até sua extinção ou até provocarem algum efeito no Patrimônio. As Contas representativas do Sistema de Compensação recebem o próprio nome do ato que se pretende controlar.

Exemplo de Contas do Sistema de Compensação: Contratos.

Fianças.

Prestação de Contas.

VEJAMOS UM ESQUEMA PARA ESCLARECER MELHOR ESTE PONTO: CONTAS FINANCEIRAS – envolvem numerário.

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CONTAS ñ FINANCEIRAS – envolvem o restante dos itens patrimoniais. ATIVO FINANCEIRO (F) -DISPONÍVEL (F) ATIVO ñ FINANCEIRO ou PATRIMONIAL (P) -BENS MÓVEIS (P) -EQUIPAMENTOS (P)

ATIVO ORÇAMENTÁRIO (O)

-RECEITA PREVISTA-ATIVO (O) -DESPESA FIXADA-ATIVO (O)

ATIVO COMPENSADO (C) -CONTRATOS-ATIVO (C) PATRIMÔNIO LÍQUIDO (P) PATRIMÔNIO (P) PASSIVO FINANCEIRO (F) -FORNECEDORES (F) PASSIVO ñ FINANCEIRO ou PATRIMONIAL (P) -EMPRÉSTIMOS OBTIDOS (P) PASSIVO COMPENSADO (C) -CONTRATOS-PASSIVO (C)

PASSIVO ORÇAMENTÁRIO (O) -RECEITA PREVISTA-PASSIVO (O)

-DESPESA FIXADA-PASSIVO (O)

DESPESA ORÇAMENTÁRIA (F) -SERVIÇOS ADQUIRIDOS (F) -EQUIPTOS ADQUIRIDOS (F) RESULTADO AUMENTATIVO DO EXERCÍCIO (P) -MUTAÇÕES PATRIMONIAIS ATIVAS (P) RECEITA ORÇAMENTÁRIA (F) -IMPOSTOS RECEBIDOS (F) -ALIENAÇÃO BENS MÓVEIS (F)

RESULTADO DIMINUTIVO DO EXERCÍCIO (P)

-MUTAÇÕES PATRIMONIAIS PASSIVAS (P)

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VEJAMOS AGORA OS LANÇAMENTOS TÍPICOS DESTE ESQUEMA, UTILIZADOS PELA CONTABILIDADE PÚBLICA:

- para o recebimento de numerários relativos aos impostos:

FATO (ADMINISTRATIVO CONTÁBIL) MODIFICATIVO LANÇADO NO SISTEMA FINANCEIRO. DISPONÍVEL (F)

a IMPOSTOS RECEBIDOS (F)

- para o recebimento de numerário relativo à uma alienação de bens móveis:

FATO (ADMINISTRATIVO CONTÁBIL) PERMUTATIVO LANÇADO NOS SISTEMAS FINANCEIRO E PATRIMONIAL – MUTAÇÃO PATRIMONIAL.

DISPONÍVEL (F)

a ALIENAÇÃO DE BENS MÓVEIS (F)

MUTAÇÕES PATRIMONIAIS PASSIVAS (P) a BENS IMÓVEIS (P)

- para uma despesa com aquisição de serviços:

FATO (ADMINISTRATIVO CONTÁBIL) MODIFICATIVO LANÇADO NO SISTEMA FINANCEIRO. SERVIÇOS ADQUIRIDOS (F)

a FORNECEDORES (F)

- para uma despesa com aquisição de equipamentos:

FATO (ADMINISTRATIVO CONTÁBIL) PERMUTATIVO LANÇADO NOS SISTEMAS FINANCEIRO E PATRIMONIAL – MUTAÇÃO PATRIMONIAL.

EQUIPAMENTOS ADQUIRIDOS (F) a FORNECEDORES (F)

EQUIPAMENTOS (P)

a MUTAÇÕES PATRIMONIAIS ATIVAS (P)

- para o controle da realização da Receita prevista na LOA:

ATO (ADMINISTRATIVO CONTÁBIL) DE CONTROLE LANÇADO NO SISTEMA ORÇAMENTÁRIO.

RECEITA PREVISTA-ATIVO (O) a RECEITA PREVISTA-PASSIVO (O)

- para o controle dos Contratos celebrados pela Administração Pública:

ATO (ADMINISTRATIVO CONTÁBIL) DE CONTROLE LANÇADO NO SISTEMA COMPENSADO.

CONTRATOS-ATIVO (O) a CONTRATOS-PASSIVO (O)

As Contas pertencentes aos Sistemas Financeiros e Patrimoniais estão ligadas aos fatos administrativos contábeis, enquanto que as Contas dos Sistemas Orçamentários e de Compensação estão ligadas aos atos potenciais e orçamentários.

Vimos também que todos os lançamentos referentes aos fatos administrativos contábeis, envolvendo Contas que não dos Sistemas Orçamentário e de Compensação, transitam por Resultado.

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É importante esclarecer que os lançamentos contábeis são feitos fechados em cada Sistema. Ao se debitar uma Conta de um determinado Sistema, a contrapartida, também, deverá obrigatoriamente pertencer ao mesmo Sistema.

4.1.4 – Obrigatoriedade de registro dos atos potenciais – As Contas representativas de atos potenciais formam o Sistema de Compensação, conforme visto acima, as quais devem ser escrituradas e controladas até sua extinção ou até provocarem algum efeito no Patrimônio.

4.1.5 – Escrituração do Orçamento – Também por nós já visto quando da análise do Sistema Orçamentário pela escrituração das Receitas e Despesas Públicas, em suas Fixações, Previsões e Realizações.

4.1.6 – Elaboração de Demonstrativos Contábeis próprios da área pública – Por força da lei 4320/64, artigos 101 a 105, devem ser elaborados Demonstrações Contábeis específicas como: BALANÇO ORÇAMENTÁRIO, BALANÇO FINANCEIRO, BALANÇO PATRIMONIAL e DEMONSTRAÇÃO DAS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS, todos com características que as diferenciam das Demonstrações contábeis dos demais ramos da Contabilidade.

5 – CLASSIFICAÇÃO DOS FATOS ADMINISTRATIVOS:

ATO ADMINISTRATIVO

( não envolve bens, direitos ou obrigações ) FATO CONTÁBIL OU

FATOS ADMINISTRATIVOS

( envolvem bens, direitos ou obrigações )

Os fatos contábeis, na área pública, podem ser classificados conforme abaixo: Fatos Contábeis:

Oriundos de Atos Administrativos:

- Orçamentário – Previsão da Receita, Dotação da Despesa, etc.

- Não-Orçamentários – Assinatura de Contrato, Concessão de Fiança ou Avais, etc. Oriundos de Fatos Administrativos:

- Orçamentário – Arrecadação a Receita, Liquidação da Despesa, etc.

- Não-Orçamentário – Recebimento de bens em doação, baixa do almoxarifado por consumo, etc.

6 – LEGISLAÇÃO:

6.1 – Lei 4320/64 - Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. 6.2 – Lei 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) - Estabelece regras para a administração orçamentária e financeira da área pública, nas três esferas de governo: federal, estadual e municipal. Impõe aos governantes normas e limites para a boa administração das finanças públicas.

6.3 – Constituição Federal de 1988 – Estabelece as diretrizes maiores para a sociedade brasileira.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Piscitelli, Roberto Bocaccio – Contabilidade Pública. Atlas 2009 Kohama, Heilio – Contabilidade Pública. Atlas 1998

Angélico, João – Contabilidade Pública. Atlas 1995

Glauber Lima Mota, Francisco – Contabilidade Aplicada à Administração Pública. Vestcon 2001

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