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PRESSUPOSTO E SUBENTENDIDO

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Academic year: 2021

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PRESSUPOSTO E SUBENTENDIDO

“ Eu gosto de catar o mínimo e o escondido. Onde ninguém mete o nariz, aí entra o meu, com a curiosidade estreita e aguda que descobre o encoberto.” MACHADO DE ASSIS.Obra completa.v.3.Rio de Janeiro:Nova Aguilar: 1994.

Pressuposto e subentendido

Nem sempre percebemos que, ao ler, complementamos informações fornecidas pelo texto com outras informações que inferimos a partir do que foi dito pelo autor. Isso porque o texto nos transmite, pelo menos, duas informações: uma que é pressuposta e outra que está subentendida.

Esse é um aspecto não só intrigante como interessante: a presença de enunciado com pressupostos e subentendidos. Para desvendá-los é preciso ser um leitor perspicaz, que lê nas entrelinhas para, assim, captar as mensagens implícitas.

Pressupostos são idéias não expressas de maneira explícita, mas que podem ser percebidas a partir de certas palavras que, por si mesmas, veiculam significações implícitas.

.certos advérbios - O resultado da prova ainda não foi divulgado.

(Pressuposto - O resultado já devia ter sido divulgado ou O resultado será divulgado com atraso.)

.certos verbos - O esquema da mala tornou-se público. (Pressuposto - O esquema não era público.)

.orações adjetivas - Os candidatos a prefeito, que só querem defender seus interesses, não pensam no povo.

(Pressuposto - Todos os candidatos a prefeito têm interesses individuais.)

.adjetivos - Os partidos radicais acabarão com a democracia no Brasil. (Pressuposto - Existem partidos radicais no Brasil.)

Subentendidos são insinuações escondidas por trás de uma afirmação.

Enquanto o pressuposto é lexical e é um dado apresentado como indiscutível para o falante e o ouvinte, não permitindo contestações; o subentendido é contextual,

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é pragmático, é de responsabilidade do ouvinte, e por isso, altamente variável, uma vez que o falante esconde-se por trás do sentido literal das palavras.

O conceito de subentendido é concebido por Ducrot (1987) como insinuações presentes numa frase ou num conjunto de frases que não são marcadas lingüisticamente. Segundo Guimarães, 2006, esse conceito permite acrescentar alguma coisa “sem dizê-la, ao mesmo tempo, em que ela é dita”. Exemplo: “Ele é músico, por isso é sensível” o que nos leva a significa que todo músico é sensível.

Questão da FGV - Fiscal de Rendas / 2008

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Antes de comentar uma questão da FGV, gostaria de ”falar” outras coisas… Quando se fala em interpretação de textos, o que vem à mente da maioria dos candidatos a concursos são questões no padrão das instituições mencionadas pelo Luiz. Só isso! A “disciplina” de Interpretação de Textos, portanto, fica restrita àquilo que geralmente aparece nas provas. Essa é a razão de muitos concurseiros terem se dado mal – como ele disse – nas recentes provas da FGV.

Deram-se mal porque a FGV, de fato, explorou alguns aspectos lingüísticos (semânticos) envolvidos na interpretação; elaborou questões, não para confundir, mas para pensar… questões que exigiam do candidato conhecimentos de conceitos semânticos (de pressupostos e subentendidos, por exemplo). Apesar de a maior parte das instituições ainda não explorar tanto os aspectos de base semântica/lingüística, acho que já melhoraram e que melhorarão muito… muito. O fato mencionado pelo Luiz Roberto - de candidatos terem se dado mal nas recentes provas da FGV - já ocorreu também com aqueles que fizeram, por exemplo, provas elaboradas pela Fumarc, uma instituição de Belo Horizonte-MG. Alunos me pediam recurso em questão (sobre implícitos) que não cabia qualquer recurso (sugiro que veja a questão no blog e tente resolvê-la, explicitando a razão de sua escolha. Prometo envio de resposta). O negócio é esse: estudar interpretação com uma base Semântica/Lingüística. Quem for por esse caminho certamente alcançará bons resultados. E o blog tem também essa intenção: mostrar que há N aspectos e conceitos envolvidos na interpretação. Bom… agora vamos ao comentário de uma questão elaborada pela FGV (Cargo de Fiscal de Rendas/Secretaria de Estado de Fazenda do Estado do RJ - 2008).A questão é a seguinte:

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A questão exigia que o aluno soubesse identificar as informações implícitas e, ainda, fosse capaz de fazer a distinção entre os pressupostos e subentendidos, dois tipos de informações implícitas. Trata-se de um tema bastante conhecido na Lingüística.

Uma diferença entre pressupostos e subentendidos é que o primeiro decorre necessariamente de algum elemento lingüístico colocado na frase. Já o segundo é de responsabilidade do ouvinte; o falante pode esconder-se atrás do sentido literal das palavras e negar que tenha dito o que o ouvinte depreendeu de suas palavras. Certos advérbios (totalmente, provavelmente, normalmente etc.), por exemplo, marcam a pressuposição dos enunciados. Ex: suponha que alguém pergunte a um advogado: “Em que dia você está no escritório?”, e ele responda: “Normalmente estou lá todos os dias”. O uso desse advérbio pode ser encaixado entre aqueles que criam como efeito de sentido a atenuação do conteúdo da proposição (Castilho, & Castilho, 2002), ou seja, o advogado afirma estar no escritório todos os dias, mas não se compromete com tal afirmação, pois, afinal, pode não estar em algum dia.No item I da questão da FGV vemos que o termo “também” colabora com a identificação do seguinte pressuposto: a necessidade (…) se dá não somente no que tange aos recursos públicos, mas também no que tange a outros fatores (que não os recursos públicos). Item correto.No item II, a expressão “não mais” em “não mais se concebe uma atuação estatal efetiva (…)” pressupõe que já houve um tempo em que uma atuação estatal era concebida sem uma apurada reflexão sobre os gastos públicos. Item correto.

No item III só é possível entender a que se refere “o primeiro” e “o segundo” quando retornamos ao texto. De acordo com a leitura, “o primeiro” diz respeito ao primeiro tema, isto é, à “correlação entre metas e riscos fiscais”; “o segundo” diz respeito ao segundo tema, isto é, ao “impacto dos déficits públicos sobre as futuras gerações”. Tais temas não são subentendidos. Não há razão para se falar em subentendido no item III.

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Aliás, o uso de “normalmente” em “enquanto o primeiro, normalmente, se adstringe a situações futuras (…)”, atenua o conteúdo da proposição. O autor afirma que o primeiro se adstringe (…), mas não se compromete com tal afirmação; pode ser que em algum momento o primeiro não se adstrinja (…), uma informação pressuposta.

A duplicidade de sentido, seja de uma palavra ou de uma expressão, dá-se o nome de ambiguidade. Ocorre geralmente, nos seguintes casos:

*Má colocação do Adjunto Adverbial

Exemplos: Crianças que recebem leite materno frequentemente são mais sadias. As crianças são mais sadias porque recebem leite frequentemente ou são

frequentemente mais sadias porque recebem leite?

Eliminando a ambiguidade: Crianças que recebem frequentemente leite materno são mais sadias.

Crianças que recebem leite materno são frequentemente mais sadias. * Uso Incorreto do Pronome Relativo

Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes que estava sobre a cama. O que estava sobre a cama: o estojo vazio ou a aliança de diamantes?

*Eliminando a ambiguidade:

Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes a qual estava sobre a cama. Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes o qual estava sobre a cama.

Observação: Neste exemplo, pelo fato de os substantivos estojo e aliança pertencerem a gêneros diferentes, resolveu-se o problema substituindo os substantivos por o qual/a qual. Se pertencessem ao mesmo gênero, haveria

necessidade de uma reestruturação diferente.

* Má Colocação de Pronomes, Termos, Orações ou Frases Aquela velha senhora encontrou o garotinho em seu quarto.

O garotinho estava no quarto dele ou da senhora?

Eliminando a ambiguidade: Aquela velha senhora encontrou o garotinho no quarto dela.

Aquela velha senhora encontrou o garotinho no quarto dele. Ex.: Sentado na varanda, o menino avistou um mendigo. Quem estava sentado na varanda: o menino ou o mendigo?

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Eliminando a ambiguidade: O menino avistou um mendigo que estava sentado na varanda.

O menino que estava sentado na varanda avistou o mendigo. Por Marina Cabral

Especialista em Língua Portuguesa e Literatura Equipe Brasil Escola

Referências

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