CURSO LIVRE DE
CURSO LIVRE DE FORMAÇÃO DE PSICANALISTA
FORMAÇÃO DE PSICANALISTA
SIGMUND FREUD
SIGMUND FREUD
(SUA VIDA E OBRA)
(SUA VIDA E OBRA)
SEMINÁRIO PROFERIDO PELO SEMINÁRIO PROFERIDO PELO Psicanali
Psicanalista sta REGINALDO RUFINOREGINALDO RUFINO
13 13
SIGMUND FREUD
SIGMUND FREUD
1856 - 1939
1856 - 1939
Psica!"is#
Psica!"is# é um campo clínico e de inesti!a"#o te$%ica da psi&u' (umana é um campo clínico e de inesti!a"#o te$%ica da psi&u' (umana iinnddeeppeennddeenntte e ddaa psicolo!iapsicolo!ia) ) ddeesseennoolliiddo o ppoo%% Si!Si!munmund d F%eF%eudud) ) mémédidicoco neu%olo!ista) ienense) nascido em *+,-) &ue se p%op.e / comp%eens#o e neu%olo!ista) ienense) nascido em *+,-) &ue se p%op.e / comp%eens#o e an0lise do (omem) en&uanto su1eito do
an0lise do (omem) en&uanto su1eito do inconscienteinconsciente e a2%an!e t%'s 0%eas3 e a2%an!e t%'s 0%eas3 *4
*4 um mum métoétodo ddo de ine ineestisti!a"!a"#o d#o daa mentemente e seu 5uncionamento6e seu 5uncionamento6
7744 uum m ssisistetemama te$%icote$%ico so2%e a i'ncia e so2%e a i'ncia e o compo%tamento (umano6o compo%tamento (umano6 84
84 um um métmétodo odo de de t%at%atamtamententoo psicote%ap'uticopsicote%ap'utico44 Esse
Essenciancialmente é) lmente é) assiassim) uma m) uma teo%ia dateo%ia da pe%sonalidadepe%sonalidade e um p%ocedimento de e um p%ocedimento de psicote%apia
psicote%apia6 a psican0lise) contudo) in5luenciou muitas out%as co%%entes de6 a psican0lise) contudo) in5luenciou muitas out%as co%%entes de pensamento e disciplinas das die%sas
pensamento e disciplinas das die%sas ci'ncias (umanasci'ncias (umanas) !e%ando uma 2ase) !e%ando uma 2ase te$%ica pa%a uma 5o%ma de comp%eens#o da
te$%ica pa%a uma 5o%ma de comp%eens#o da éticaética) da) da mo%alidademo%alidade e da e da cultu%acultu%a
(umana
(umana44 Impo%t
Impo%tante ainda é ante ainda é o2seo2se%a% &ue em %a% &ue em lin!ulin!ua!em comum) o a!em comum) o te%mote%mo psicanálise psicanálise éé
muitas e9es usado como sin:nimo de
muitas e9es usado como sin:nimo de psicoterapia psicoterapia ou mesmo de ou mesmo de psicologia psicologia44
Em
Em linlin!ua!ua!em mais !em mais p%$p%$p%ip%ia) a) no no ententantanto)o) psicolo!iapsicolo!ia %e5e%e;se / ci'ncia &ue %e5e%e;se / ci'ncia &ue estuda o compo%tamento e os p%ocessos mentais)
SIGMUND FREUD
SIGMUND FREUD
1856 - 1939
1856 - 1939
Psica!"is#
Psica!"is# é um campo clínico e de inesti!a"#o te$%ica da psi&u' (umana é um campo clínico e de inesti!a"#o te$%ica da psi&u' (umana iinnddeeppeennddeenntte e ddaa psicolo!iapsicolo!ia) ) ddeesseennoolliiddo o ppoo%% Si!Si!munmund d F%eF%eudud) ) mémédidicoco neu%olo!ista) ienense) nascido em *+,-) &ue se p%op.e / comp%eens#o e neu%olo!ista) ienense) nascido em *+,-) &ue se p%op.e / comp%eens#o e an0lise do (omem) en&uanto su1eito do
an0lise do (omem) en&uanto su1eito do inconscienteinconsciente e a2%an!e t%'s 0%eas3 e a2%an!e t%'s 0%eas3 *4
*4 um mum métoétodo ddo de ine ineestisti!a"!a"#o d#o daa mentemente e seu 5uncionamento6e seu 5uncionamento6
7744 uum m ssisistetemama te$%icote$%ico so2%e a i'ncia e so2%e a i'ncia e o compo%tamento (umano6o compo%tamento (umano6 84
84 um um métmétodo odo de de t%at%atamtamententoo psicote%ap'uticopsicote%ap'utico44 Esse
Essenciancialmente é) lmente é) assiassim) uma m) uma teo%ia dateo%ia da pe%sonalidadepe%sonalidade e um p%ocedimento de e um p%ocedimento de psicote%apia
psicote%apia6 a psican0lise) contudo) in5luenciou muitas out%as co%%entes de6 a psican0lise) contudo) in5luenciou muitas out%as co%%entes de pensamento e disciplinas das die%sas
pensamento e disciplinas das die%sas ci'ncias (umanasci'ncias (umanas) !e%ando uma 2ase) !e%ando uma 2ase te$%ica pa%a uma 5o%ma de comp%eens#o da
te$%ica pa%a uma 5o%ma de comp%eens#o da éticaética) da) da mo%alidademo%alidade e da e da cultu%acultu%a
(umana
(umana44 Impo%t
Impo%tante ainda é ante ainda é o2seo2se%a% &ue em %a% &ue em lin!ulin!ua!em comum) o a!em comum) o te%mote%mo psicanálise psicanálise éé
muitas e9es usado como sin:nimo de
muitas e9es usado como sin:nimo de psicoterapia psicoterapia ou mesmo de ou mesmo de psicologia psicologia44
Em
Em linlin!ua!ua!em mais !em mais p%$p%$p%ip%ia) a) no no ententantanto)o) psicolo!iapsicolo!ia %e5e%e;se / ci'ncia &ue %e5e%e;se / ci'ncia &ue estuda o compo%tamento e os p%ocessos mentais)
do con(ecimento o2tido po% ela ; ou se1a) ao t%a2al(o te%ap'utico 2aseado no do con(ecimento o2tido po% ela ; ou se1a) ao t%a2al(o te%ap'utico 2aseado no co%po te$%ico da psicolo!ia como um todo ; e
co%po te$%ico da psicolo!ia como um todo ; e psicanálise psicanálise %e5e%e;se / 5o%ma de %e5e%e;se / 5o%ma de
psicote%apia 2aseada nas teo%ias o%iundas do t%a2al(o de Si!mund F%eud6 psicote%apia 2aseada nas teo%ias o%iundas do t%a2al(o de Si!mund F%eud6 psican0lise é) assim) um te%mo mais especí5ico) sendo uma ent%e muitas out%as psican0lise é) assim) um te%mo mais especí5ico) sendo uma ent%e muitas out%as 5o%mas de psicote%apia4
5o%mas de psicote%apia4
De aco%do com F%eud) psican0lise é o nome de um p%ocedimento pa%a a De aco%do com F%eud) psican0lise é o nome de um p%ocedimento pa%a a inesti!a"#o de p%ocessos mentais &ue s#o &uase inacessíeis po% &ual&ue% inesti!a"#o de p%ocessos mentais &ue s#o &uase inacessíeis po% &ual&ue% out%o modo) um método <2aseado nessa inesti!a"#o= pa%a o t%atamento de out%o modo) um método <2aseado nessa inesti!a"#o= pa%a o t%atamento de dist>%2ios neu%$ticos) e uma cole"#o de in5o%ma".es psicol$!icas o2tidas ao dist>%2ios neu%$ticos) e uma cole"#o de in5o%ma".es psicol$!icas o2tidas ao lon!o dessas lin(as) e &ue !%adualmente se acumulou numa ?noa? disciplina lon!o dessas lin(as) e &ue !%adualmente se acumulou numa ?noa? disciplina cientí5ica4 A ess
cientí5ica4 A essa de5ini"#o ela2o%ada pelo a de5ini"#o ela2o%ada pelo p%$p%io F%eud pode p%$p%io F%eud pode se% ac%escentadase% ac%escentada uum m tt%a%attaamemenntto o ppoossssííeel l dda a ppssicicoosse e e e ppee%%ee%s%s##oo) ) ccoonnssididee%%aannddo o oo desenolimento dessa técnica4
desenolimento dessa técnica4 Ainda se!undo o seu desco2%ido
Ainda se!undo o seu desco2%ido% a psican0lise c%esceu num campo muitíssimo% a psican0lise c%esceu num campo muitíssimo %est%ito4 No início) tin(a apenas um >nico o21etio @ o de comp%eende% al!o da %est%ito4 No início) tin(a apenas um >nico o21etio @ o de comp%eende% al!o da natu%e9a da&uilo &ue e%a con(ecido como doen"as ne%osas 5uncionaisB) com natu%e9a da&uilo &ue e%a con(ecido como doen"as ne%osas 5uncionaisB) com istas a supe%a% a impot'ncia &ue até ent#o ca%acte%i9a%a seu t%atamento istas a supe%a% a impot'ncia &ue até ent#o ca%acte%i9a%a seu t%atamento médico4 Os neu%olo!istas da&uele pe%íodo (aiam sido inst%uídos a te%em um médico4 Os neu%olo!istas da&uele pe%íodo (aiam sido inst%uídos a te%em um ele
eleadado o %es%espeipeito to popo% % 5at5atos os &uí&uímicomico;5ís;5ísicoicos s e e patpatol$ol$!ic!ico;ao;anatnat:mi:micos cos e e n#on#o sa2iam o &ue 5a9e% do 5ato% psí&uico e n#o podiam entend';lo4 DeiCaam;no sa2iam o &ue 5a9e% do 5ato% psí&uico e n#o podiam entend';lo4 DeiCaam;no aos 5il$so5os) aos místicos e @ aos c(a%lat#es6 e conside%aam n#o cientí5ico aos 5il$so5os) aos místicos e @ aos c(a%lat#es6 e conside%aam n#o cientí5ico te% &ual&ue% coisa a e% com ele4
te% &ual&ue% coisa a e% com ele4
Os p%im$%dios da psican0lise datam de *++7 &uando F%eud) médico %ecém Os p%im$%dios da psican0lise datam de *++7 &uando F%eud) médico %ecém 5o%ma
5o%mado) t%a2al(odo) t%a2al(ou u na clínica psi&uina clínica psi&ui0t%ica de0t%ica de (eodo% Mene%t(eodo% Mene%t) e mais ta%de)) e mais ta%de) em
em *+*++,+,) ) ccom om o o mémédidico co 5%5%anancc's's (a%cot(a%cot) n) noo ospospital ital SalpSalp't%iH't%iH%e%e <Pa%is) <Pa%is) F%
F%anan"a"a=4=4 Si!mund F%eudSi!mund F%eud) um médico inte%essado em ac(a% um t%atamento) um médico inte%essado em ac(a% um t%atamento e5etio pa%a pacientes com
e5etio pa%a pacientes com sintomassintomas neu%$ticosneu%$ticos ouou (isté%icos(isté%icos4 Ao escuta% seus4 Ao escuta% seus pacientes) F%eud ac%editaa &ue seus p%o2lemas se o%i!ina%am da inaceita"#o pacientes) F%eud ac%editaa &ue seus p%o2lemas se o%i!ina%am da inaceita"#o cultu
cultu%al) ou %al) ou se1a) seus dese1ose1a) seus dese1os e%am s e%am %ep%i%ep%imidosmidos) ) %ele!%ele!ados aoados ao inconscientesinconscientes44 No
Nototou u tatam2m2ém ém &u&ue e mumuititos os dedesssses es dedesese1o1os s se se t%t%atataaam am de de 5a5antntasasiaias s dede natu%e9a
natu%e9a seCualseCual4 O método 20sico da psican0lise é o 4 O método 20sico da psican0lise é o mane1o da t%ans5e%'ncia emane1o da t%ans5e%'ncia e da %esist'ncia em an0lise4 O analisado) numa postu%a %elaCada) é solicitado a da %esist'ncia em an0lise4 O analisado) numa postu%a %elaCada) é solicitado a ddi9i9e% e% tutuddo o o o &&uue e ll(e (e em em / / memennte te <<mémétotodo do ddee assoassocia"cia"#o #o li%eli%e=4 =4 SuSuasas aspi%a".es) an!>stias)
aspi%a".es) an!>stias) son(osson(os e 5antasias s#o de especial inte%esse na escuta) e 5antasias s#o de especial inte%esse na escuta) com
como o tamtam2é2ém m todtodas as as as eCpeCpe%ie%i'nc'ncias ias iiidaidas s s#o s#o t%at%a2a2al(al(adas das em em an0an0lislise4e4 Esc
Escutautando ndo o o anaanalislisadoado) ) o o ananalialista sta tententa ta manmante% te% uma uma atiatitudtude e empemp0ti0tica ca dede neut%alidade4 Uma postu%a de n#o;1ul!amento) isando a c%ia% um am2iente neut%alidade4 Uma postu%a de n#o;1ul!amento) isando a c%ia% um am2iente se!u%o4
se!u%o4 A
A o%i!inalidade o%i!inalidade do do conceito conceito de de inconsciente inconsciente int%odu9ido int%odu9ido po% po% F%eud F%eud dee;se dee;se // p%
p%opopososi"i"#o #o de de umuma a %e%ealalididadade e pspsí&í&uiuicaca) ) caca%a%actcte%e%ísístitica ca dodos s p%p%ococesessososs inconscientes4 Po% out%o lado) analisando;se o conteCto da época o2se%a;se inconscientes4 Po% out%o lado) analisando;se o conteCto da época o2se%a;se &ue sua
&ue sua p%op%oposposi"#i"#o o esesta2ta2eleeleceu um ceu um di0di0lo!lo!o o c%íc%ítictico o / / p%op%opoposi"si".es.es il(elmil(elm undt
undt <*+87 @ *J7K= da psicolo!ia com a ci'ncia &ue tem como o21eto a <*+87 @ *J7K= da psicolo!ia com a ci'ncia &ue tem como o21eto a consci'ncia
consci'ncia entendida na pe%spectia entendida na pe%spectia neu%ol$!icaneu%ol$!ica <da época= ou se1a opondo; <da época= ou se1a opondo; se aos estados de
Muitos colocam a &uest#o de como o2se%a% o inconsciente4 Se a F%eud se Muitos colocam a &uest#o de como o2se%a% o inconsciente4 Se a F%eud se dee o mé%ito do te%mo ?inconsciente?) pode;se pe%!unta% como 5oi possíel a dee o mé%ito do te%mo ?inconsciente?) pode;se pe%!unta% como 5oi possíel a eelele) ) F%F%eeudud) ) tete% % titido do aacecesssso o a a sseeu u inincoconnscscieientnte e papa%%a a ppodode% e% tete% % titido do aa op
opo%o%tutuninidadade de de de e%e%i5i5icica% a% seseu u memecacaninismsmo) o) 10 10 &u&ue e n#n#o o é é 1u1uststamamenente te oo inconsciente &ue d0 as coo%denadas da a"#o do (omem na sua ida di0%ia4 inconsciente &ue d0 as coo%denadas da a"#o do (omem na sua ida di0%ia4 N#o
N#o é é pospossísíel el a2oa2o%da%da% % di%di%etaetamenmente te o o incinconsonscieciente nte <Ic<Ics4=s4=) ) o o concon(ec(ecemoemoss somente po% suas 5o%ma".es3
somente po% suas 5o%ma".es3 atos 5al(osatos 5al(os)) son(osson(os)) c(istesc(istes e sintomas die%sos e sintomas die%sos eCp%essos no co%po4 Nas suas con5e%'ncia na la% Unie%sit <pu2licadas eCp%essos no co%po4 Nas suas con5e%'ncia na la% Unie%sit <pu2licadas como inco li".es de psican0lise= nos %ecomenda a inte%p%eta"#o como o meio como inco li".es de psican0lise= nos %ecomenda a inte%p%eta"#o como o meio mais simples e a 2ase mais
mais simples e a 2ase mais s$lida de con(ece% o inconsciente4s$lida de con(ece% o inconsciente4
Out%o ponto a se% leado em conta so2%e o inconsciente é &ue ele int%odu9 na Out%o ponto a se% leado em conta so2%e o inconsciente é &ue ele int%odu9 na dimens#o da consci'ncia uma opacidade4 Isto indica um modelo no &ual a dimens#o da consci'ncia uma opacidade4 Isto indica um modelo no &ual a consci'ncia apa%ece) n#o como instituido%a de si!ni5icatiidade) mas sim como consci'ncia apa%ece) n#o como instituido%a de si!ni5icatiidade) mas sim como %ecepto%a de toda si!ni5ica"#o desde o inconsciente4 Pode;se p%ee% &ue a %ecepto%a de toda si!ni5ica"#o desde o inconsciente4 Pode;se p%ee% &ue a mente inconsciente é um out%o ?eu?) e essa é a !%ande idéia de &ue temos no mente inconsciente é um out%o ?eu?) e essa é a !%ande idéia de &ue temos no inconsciente uma out%a pe%sonalidade atuante) em con1untu%a com a nossa inconsciente uma out%a pe%sonalidade atuante) em con1untu%a com a nossa consci'ncia) mas com li2e%dade de
consci'ncia) mas com li2e%dade de associa"#o e a"#o4associa"#o e a"#o4
O modelo psicanalítico da mente conside%a &ue a atiidade mental é 2aseada O modelo psicanalítico da mente conside%a &ue a atiidade mental é 2aseada no papel cent%al do inconsciente dinmico4 O contato com a %ealidade te$%ica no papel cent%al do inconsciente dinmico4 O contato com a %ealidade te$%ica da
da psipsicancan0li0lise se p.e p.e em em eieid'nd'ncia cia uma uma mulmultiptipliclicidaidade de de de a2oa2o%da%da!en!ens) s) comcom di5
di5e%ee%ententes s níníeis eis de de a2sa2st%at%a"#o"#o) ) conconceiceituatua".e".es s concon5li5litantantes tes e e linlin!ua!ua!e!ensns distintas4 Mas isso dee se% entendido em um conteCto (ist$%ico cultu%al e em distintas4 Mas isso dee se% entendido em um conteCto (ist$%ico cultu%al e em %ela"#o as p%$p%ias ca%acte%ísticas do modelo psicanalítico da mente4
%ela"#o as p%$p%ias ca%acte%ísticas do modelo psicanalítico da mente4
om a desco2e%ta da psican0lise) F%eud inau!u%a um noo discu%so) cu1o om a desco2e%ta da psican0lise) F%eud inau!u%a um noo discu%so) cu1o o21etio é emp%esta% um estatuto cientí5ico / psicolo!ia4 Na %ealidade) lon!e de o21etio é emp%esta% um estatuto cientí5ico / psicolo!ia4 Na %ealidade) lon!e de ac%escenta% um noo capítulo / 0%ea das ci'ncias c(amadas positias) ele ac%escenta% um noo capítulo / 0%ea das ci'ncias c(amadas positias) ele int%odu9iu uma %uptu%a %adical) tanto com a&uilo &ue mais ta%de se%ia c(amado int%odu9iu uma %uptu%a %adical) tanto com a&uilo &ue mais ta%de se%ia c(amado de ci'ncias (umanas como com o &ue) até ent#o) constituía o cent%o da de ci'ncias (umanas como com o &ue) até ent#o) constituía o cent%o da %e5leC#o 5ilos$5ica) isto é) a
%e5leC#o 5ilos$5ica) isto é) a %ela"#o do (omem com o mundo4%ela"#o do (omem com o mundo4 Na
Na (i(istst$%$%ia ia da da pspsi&i&uiuiatat%ia %ia didinnmimicaca) ) c(c(amama;a;se se 5%e5%eududisismomos s / / esescocola la dede pensamento 5undada po% Si!mund F%eud4 O 5%eudismo inclui a totalidade das pensamento 5undada po% Si!mund F%eud4 O 5%eudismo inclui a totalidade das co%%entes &ue %eco%%em a ela) se1am &uais 5o%em suas die%!'ncias4 A (ist$%ia co%%entes &ue %eco%%em a ela) se1am &uais 5o%em suas die%!'ncias4 A (ist$%ia do 5%eudismo e de sua identi5ica"#o te$%ica) sociol$!ica e política con5undem; do 5%eudismo e de sua identi5ica"#o te$%ica) sociol$!ica e política con5undem; se) po%tanto) com a (ist$%ia das sucessias inte%p%eta".es da dout%ina o%i!inal) se) po%tanto) com a (ist$%ia das sucessias inte%p%eta".es da dout%ina o%i!inal) tal como F%eud const%uiu sua a%&uitetu%a4
tal como F%eud const%uiu sua a%&uitetu%a4
Seus (e%dei%os) c(amados 5%eudianos) modi5ica%am;na at%aés de pelo menos Seus (e%dei%os) c(amados 5%eudianos) modi5ica%am;na at%aés de pelo menos &uat%
&uat%o o !e%a"!e%a".es .es de de penspensado%eado%es) s) comecomentadontado%es) %es) inté%pinté%p%etes%etes) ) te%apte%apeutas eutas ouou c(e5es de escola) a!%upados ou n#o em die%sas institui".es) dent%e as
c(e5es de escola) a!%upados ou n#o em die%sas institui".es) dent%e as &uais a&uais a mais anti!a e de lon!e a mais pode%osa é a Inte%national Psc(oanaltical mais anti!a e de lon!e a mais pode%osa é a Inte%national Psc(oanaltical Association
Association <IPA<IPA=4 =4 Desde Desde sua sua c%ia"#o) c%ia"#o) em em *J*K) *J*K) ela ela se se at%i2uiu at%i2uiu a a ta%e5a ta%e5a dede de5ini% as %e!%as de um ensino te$%ico e uma 5o%ma"#o c(amada did0tica dos de5ini% as %e!%as de um ensino te$%ico e uma 5o%ma"#o c(amada did0tica dos
te%apeutas denominados de psicanalistas) independentemente de sua out%a 5o%ma"#o <médica) psi&ui0t%ica ou lei!a=4
O 5%eudismo é a alian"a de um sistema de pensamento com um método te%ap'utico4 O sistema 5%eudiano 2aseia;se em uma concep"#o do inconsciente &ue eCclui &ual&ue% idéia de su2consci'ncia ou sup%aconsci'ncia) em uma teo%ia da seCualidade &ue se estende a todas as 5o%mas su2limadas da atiidade (umana) sendo po%tanto i%%edutíel / simples atiidade seCual ou a suas t%ans!%ess.es)e) po% >ltimo) em uma ap%eens#o da %ela"#o te%ap'utica em te%mos da t%ans5e%'ncia4 Em2o%a ten(a nascido da medicina e da psi&uiat%ia e em2o%a se1a 5%e&entemente p%aticado po% médicos ou psi&uiat%as;) o método te%ap'utico 5%eudiano é a psican0lise e t#o;somente a psican0lise4 Sua ca%acte%ística é t%ata% at%aés da 5ala) e unicamente at%aés da 5ala) as doen"as da alma <psicose) melancolia=) dos ne%os <neu%ose= e da seCualidade <pe%e%s#o=) eCcluindo olunta%iamente &ual&ue% out%a 5o%ma de inte%en"#o) tais como o eCame clínico e os cuidados co%po%ais) adaptados a cada pa%te do o%!anismo) as massa!ens) a ci%u%!ia) a (ipnose) a (id%ote%apia) a 5a%macolo!ia) a su!est#o) a inte%na"#o) as te%apias compo%tamentais e co!nitias) a coe%"#o mo%al) mediante pe%suas#o ou autope%suas#o) con5iss#o) t%anse ou eCo%cismo) a coe%"#o 5ísica e mo%al <com ou sem a2uso seCual=) 2aseada na %euni#o em !%upos) na aliena"#o e no delí%io <seitas=) a (omeopatia) a 2ioene%!ética <medicinas alte%natias e pa%apsicolo!ia= e) po% 5im) os métodos li!ados ao ocultismo <ast%olo!ia) id'ncia) espi%itismo) telepatia=4
Em %ela"#o /s out%as medicinas da alma e do psi&uismo tam2ém 5undamentadas no t%atamento pela 5ala) e &ue se %e>nem em die%sas escolas de psicote%apia) a psican0lise é a >nica a %eco%%e% eCclusiamente ao sistema de pensamento 5%eudiano e a emp%e!a% uma técnica de t%atamento e de t%ans5o%ma"#o da clínica 2aseada na t%ans5e%'ncia) 2em como na o2%i!a"#o de o p%$p%io te%apeuta %eco%%e% / psican0lise <dita did0tica e) poste%io%mente) de cont%ole ou supe%is#o=) assim como numa concep"#o do psi&uismo em &ue ent%am em 1o!o as de5ini".es 5%eudianas do inconsciente e da seCualidade4 uanto a esse aspecto) o 5%eudismo diide;se em seis !%andes componentes 5undamentais nascidos ent%e *J8K e *J-K3 o anna5%eudismo) o leinismo) a E!o Psc(olo!) os Independentes) a Sel5 Psc(olo! e o lacanismo4 Os cincos p%imei%os s#o amplamente aceitos e di5undidos na IPA) ao passo &ue o seCto c%iou a pa%ti% de *J-Q) seu p%$p%io modelo institucional <a cole F%eudienne de Pa%is) EFP=4 Em *J+*) esta se 5%a!mentou numa multiplicidade de co%%entes) das &uais apenas uma 5undou uma noa inte%nacional3 a Association Mondiale de Psc(analse <AMP=4
Die%sos out%os métodos psicote%0picos) escolas ou co%%entes %eco%%em em maio% ou meno% !%au ao 5%eudismo) sem adota% seu sistema de pensamento nem sua técnica) e tampouco seu p%incípio did0tico4 O%a s#o nascidos de uma
cis#o) de uma dissid'ncia ou de uma cola2o%a"#o com o 5%eudismo) (aendo ou n#o p%ese%ado a ma%ca dessa associa"#o <psicolo!ia indiidual) psicolo!ia analítica) neo5%eudismo) !estalt;te%apia) neopiscan0lise) an0lise eCistencial) etnopiscan0lise) psicolo!ia p%o5unda) etc4=) o%a eCistiam independentemente do 5%eudismo e se desenole%am nas ma%!ens dele) de aco%do com uma dialética da inte%io%idade e da eCte%io%idade <psicod%ama) psicolo!ia clínica) medicina psicossom0tica) psicote%apia institucional) te%apia de 5amília=4
omo sistema de pensamento) o 5%eudismo ma%cou as a%tes e os campos do sa2e% &ue l(e e%am p%eeCistentes <psicolo!ia) psi&uiat%ia) 5iloso5ia) (ist$%ia) %eli!i#o) lite%atu%a) pintu%a= e todos os &ue se constituí%am ao mesmo tempo em &ue ele e se 5o%mula%am pe%!untas e&uipa%0eis <ant%opolo!ia) seColo!ia) c%iminolo!ia) lin!ística=4 aendo at%aessado todo o século ) o 5%eudismo c%u9ou) po% out%o lado) a (ist$%ia de duas !%andes co%%entes de pensamento &ue se desenole%am no mundo e &ue 5o%ma%am um moimento3 o ma%Cismo e o 5eminismo4 At%aessou tam2ém a (ist$%ia do cinemat$!%a5o) nascida na mesma época &ue ele4
omo escola de pensamento &ue alia um sa2e% clínico a uma teo%ia e a um moimento institucional) o 5%eudismo p%odu9iu uma (isto%io!%a5ia o5icial) 2aseada na ideali9a"#o de suas o%i!ens <idolat%ia do mest%e 5undado%=) e um do!matismo4 Pelas mesmas %a9.es) suscitou em seu seio) em i%tude da die%sidade de suas escolas e suas co%%entes) as condi".es de uma c%ítica a esse do!matismo4
Depois do pe%íodo inicial 5%eudiano) oco%%em muitas cont%oé%sias) %esultando no desdo2%amento da psican0lise em 0%ias co%%entes4 Até *JJT) o 5%eudismo esta%ia implantado em Q* países do mundo4 O país &ue mais possui psicanalistas po% (a2itante é a F%an"a) se!uida pela A%!entina) a Suí"a) os Estados Unidos e o %asil4
Si!mund F%eud <Viena)*+,- Lond%es) *J8J=) médico aust%íaco e 5undado% da psican0lise4 Nascido em F%ei2e%!) na Mo%aia <ou P%i2o%) na Rep>2lica c(eca=) em - de maio de *+,-) e c(amado Sc(lomo <Salomo= Si!ismund) Si!mund F%eud e%a 5il(o de Am0lia F%eud e de Waco2 F%eud) e 5il(o mais el(o do te%cei%o casamento de seu pai4
i%cuncidado ao nasce%) o 1oem Si!mund %ece2eu uma educa"#o 1udaica n#o t%adicionalista e a2e%ta / 5iloso5ia do Iluminismo4 E%a ado%ado pela m#e) &ue o c(amaa Xmeu Si!i de ou%oY) e amado pelo pai) &ue l(e t%ansmitiu os alo%es do 1udaísmo cl0ssico4 in(a uma a5ei"#o especial po% sua !oe%nanta tc(eca e cat$lica) Monia Za1ic) apelidada Nannie) &ue o leaa pa%a isita% i!%e1as) 5alaa;l(e do X2om DeusY e l(e %eelou out%o mundo além do 1udaísmo e da 1udeidade4 ale9 ela tam2ém ten(a desempen(ado um papel em sua
F%eud nasceu em uma 5amília de a2astados come%ciantes 1udeus4 Semp%e se destaca a compleCidade das %ela".es int%a5amilia%es4 Seu pai) Wao2 F%eud) &ue eCe%cia o o5ício de come%ciante de l# e t'Cteis) casou;se) pela p%imei%a e9) aos *T anos e tee dois 5il(os <Emmanuel e P(ilippe=4 Vi>o) casa;se noamente com Am0lia Nat(anson) de 7K anos) idade do se!undo 5il(o de Wao24 F%eud se%0 o mais el(o dos oito 5il(os do se!undo casamento de seu pai) e seu compan(ei%o p%e5e%ido de 2%in&uedos 5oi seu so2%in(o) &ue tin(a um ano a mais do &ue ele4 Do casamento de Waco2 e Am0lia nasce%am os se!uintes i%m#os de F%eud3 Wulius) Anna) Dé2o%a <Rosa=) Ma%ie <Mit9i=) Adol5ine <Dol5i=) Pauline <Paula= e AleCande%4
uando tin(a 8 anos) em outu2%o de *+,J) Waco2 e a 5amília deiCa%am F%ei2e%!) onde seus ne!$cios n#o p%ospe%aam em i%tude da int%odu"#o do ma&uinismo e do desenolimento da indust%iali9a"#o o &ue p%oocou uma &ueda dos %endimentos 5amilia%es 4 Instalou;se ent#o em Leip9i!) espe%ando encont%a% nessa cidade mel(o%es condi".es pa%a o comé%cio de t'Cteis4 Pa%a F%eud) essa pa%tida pe%manece%0 semp%e dolo%osa4 Me%ece se% lem2%ado um ponto &ue ele p%$p%io menciona3 o amo% sem des5alecimentos &ue sua m#e semp%e l(e otou) ao &ual at%i2ui a con5ian"a e a se!u%an"a &ue demonst%ou em todas as ci%cunstncias4
Po% sua e9) Emanuel e P(ilipp emi!%a%am pa%a Manc(este%4 Um ano depois) n#o tendo conse!uido modi5ica% sua m0 situa"#o econ:mica) Waco2 decidiu esta2elece%;se em Leopoldst%asse) o 2ai%%o 1udeu de Viena4 Ent%e *+-, e *+T8) o 1oem Si!mund 5%e&entou o Real!mnasium e depois o O2e%!mnasium) onde 5icou con(ecendo Edua%d Sil2e%stein) com &uem mantee sua p%imei%a !%ande co%%espond'ncia intelectual) notadamente a %espeito de F%an9 %entano4 Nessa época) apaiConou;se po% Gisela Fluss) 5il(a de um ne!ociante ami!o do seu pai4 Mais ta%de) 5e9 ami9ade com ein%ic( %aun <*+,Q;*J7T=) &ue despe%ta%ia seu inte%esse pela política e depois se o%ienta%ia pa%a o socialismo4
Foi um aluno muito 2om em seus estudos secund0%ios) e 5oi sem uma oca"#o especial &ue no outono de *+T8) F%eud come"ou seu estudo de medicina4 Deem se destaca% duas coisas) uma am2i"#o p%ecocemente 5o%mulada e %econ(ecida e Xo dese1o de cont%i2ui% com al!uma coisa) du%ante sua ida) pa%a o con(ecimento da (umanidadeY <XPsicolo!ia dos EstudantesY)*J*Q=4 Sua cu%iosidade) X&ue isaa mais /s &uest.es (umanas do &ue /s coisas da natu%e9aY <XUm Estudo Auto2io!%05icoY [Sel2stda%stellun!\)*J7,= lea;o a acompan(a%) ao mesmo tempo) du%ante t%'s anos) as con5e%'ncias de F4 %entano) 0%ias delas dedicadas a A%ist$teles4 Em *++K) pu2licou a t%adu"#o de 0%ios teCtos de W4S4Mill3 XSo2%e a emancipa"#o da mul(e%Y) XPlat#oY) XA &uest#o ope%0%iaY) XO socialismoY4
Em setem2%o de *++-) depois de um noiado de 0%ios anos) desposa Ma%t(a e%nas) com &uem te%0 cinco 5il(os4 Em *++8) é nomeado docente;p%iado <&ue e&uiale) na F%an"a) ao título de mest%e con5e%encista= e p%o5esso% (ono%0%io em *JK74 Apesa% de todos os tipos de (ostilidade e di5iculdades) F%eud semp%e se %ecusa%0 a a2andona% Viena4 Foi somente pela p%ess#o de seus alunos e ami!os e depois do XAnsc(lussY de ma%"o de *J8+ &ue i%0 5inalmente se decidi%) dois meses mais ta%de) a pa%ti% pa%a Lond%es4 ApaiConou;se pela ci'ncia positia) e p%incipalmente pela 2iolo!ia da%]iniana <&ue se%i%ia de modelo pa%a todos os seus t%a2al(os=4 Em *+TQ) pensou em i% a e%lim) pa%a 5%e&enta% os cu%sos de e%mann on elm(olt94 Um ano depois) com o estímulo de a%l laus) seu p%o5esso% de 9oolo!ia) o2tee uma 2olsa de estudos &ue l(e pe%mitiu i% a %ieste estuda% a ida das en!uias <mac(os= de %io4 Sua p%imei%a pu2lica"#o data de *+TT3 XSo2%e a O%i!em das Raí9es Ne%osas Poste%io%es da Medula Espin(al dos AmocetaY <Pet%om9on planeli=) en&uanto a >ltima) %e5e%ente /s Pa%alisias ce%e2%ais in5antis) de *+JT) esse teCto most%a &ue F%eud t%a2al(aa na ela2o%a"#o de uma teo%ia do 5uncionamento especí5ico das células ne%osas <os 5utu%os neu%:nios=) como se e%ia em seu XP%o1eto pa%a uma psicolo!ia cientí5icaY de *+J,4 Du%ante esses 7K anos) pode;se %euni% QK a%ti!os <5isiolo!ia e an0tomo;(istolo!ia do sistema ne%oso=4
F%eud ent%ou no Instituto de Fisiolo!ia) di%i!ido po% E4%ce) ap$s t%'s anos de estudos médicos) em *+T-4 Depois dessa eCpe%i'ncia) F%eud passou do instinto de 9oolo!ia pa%a o de 5isiolo!ia) to%nando;se aluno de E%nst il(elm on %uce) eminente %ep%esentante da escola antiitalista 5undada po% elm(olt94 Foi nesse instituto) onde 5icou seis anos) &ue 5e9 ami9ade com Wose5 %eue%4 Ent%e *+TJ e *++K) 5o%"ado a uma licen"a pa%a cump%i% o se%i"o milita%) en!anaa o tédio t%adu9indo &uat%o ensaios de Wo(n Stua%t Mill <*+K-; *+T8=) so2 a di%e"#o de (eodo% Gompe%9 <*+87;*J*7=) esc%ito% e (elenista aust%íaco) %espons0el pela pu2lica"#o alem# das o2%as completas desse 5il$so5o in!l's) te$%ico do li2e%alismo político4
O t%a2al(o de F%eud so2%e a a5asia <Uma concep"#o da a5asia) estudo c%ítico[Zu% Au55assun! de% Ap(asien\) *+J*= pe%manece%0 na som2%a) em2o%a o5e%e"a a mais ap%o5undada e not0el ela2o%a"#o da a5asiolo!ia da época4 Suas espe%an"as de noto%iedade tampouco 5o%am satis5eitas po% seus t%a2al(os so2%e a cocaína) pu2licados de *++Q a *++T4 aia desco2e%to as p%op%iedades anal!ésicas dessa su2stncia) ne!li!enciando as p%op%iedades anestésicas) &ue se%iam utili9adas com sucesso po% ^4^olle%4 A lem2%an"a desse 5%acasso ai se% um dos elementos &ue o%i!ina%am a ela2o%a"#o de um son(o de F%eud) a Xmono!%a5ia 2otnicaY4
F%eud se encont%aa) no início da década de *++K) na posi"#o de pes&uisado% em neu%o5isiolo!ia e de auto% de t%a2al(os de alo%) mas &ue n#o l(e pe%mitia) po% 5alta de asse!u%a% a su2sist'ncia de uma 5amília4 Apesa% de suas
%etic'ncias) a >nica o5e%ecida e%a a2%i% um consult$%io de neu%olo!ista na cidade) o &ue 5e9) de 5o%ma su%p%eendente) no domin!o de P0scoa) 7, de a2%il de *++-4
Em *++7) depois de o2te% seu diploma) 5icou noio de Ma%t(a e%nas <Ma%t(a F%eud=) &ue se to%na%ia sua mul(e%4 Po% %a9.es 5inancei%as) %enunciou ent#o / ca%%ei%a de pes&uisado% e decidiu to%na%;se clínico4 Nos t%'s anos se!uintes) t%a2al(ou no ospital Ge%al de Viena) p%imei%o no se%i"o de e%mann Not(na!el) depois no de (eodo% Mene%t4 Ali) 5icou con(ecendo Nat(an eiss <*+,*;*++8=) e &uando esse noo ami!o se suicidou po% en5o%camento) F%eud 5icou t%ansto%nado4 XSua ida) esc%eeu a Ma%t(a) pa%ece te% sido a de um pe%sona!em de %omance) e sua mo%te uma cat0st%o5e ineit0el4Y Pensando em to%na%;se céle2%e e li2e%ta%;se da po2%e9a pa%a pode% se casa%) ac%editaa te% desco2e%to as i%tudes da cocaína e administ%ou;a a seu ami!o E%nst on Fleisc(l;Ma%Co]) &ue so5%ia de uma doen"a incu%0el4 N#o pe%ce2ia a depend'ncia indu9ida pela d%o!a e i!no%aa tudo so2%e sua a"#o anestesiante) &ue se%ia desco2e%ta po% a%l ^olle%4 Em *++,) nomeado XP%iatdo9entY de neu%olo!ia) F%eud o2tee uma 2olsa de estudos !%a"as / &ual pude%a %eali9a% um de seus son(os) i% a Pa%is4 ue%ia muito encont%a%;se com Wean Ma%tin (a%cot) cu1as eCpe%i'ncias so2%e a (iste%ia o 5ascinaam4 Foi assim &ue tee um encont%o dete%minante) na Salp't%iH%e) com (a%cot4 Dee;se o2se%a% &ue (a%cot n#o se most%ou inte%essado nem pelos co%tes (istol$!icos &ue F%eud l(e leou) como p%oa de seus t%a2al(os) nem pelo %elato do t%atamento de Anna O4) cu1os elementos clínicos p%incipais seu ami!o W4 %eue% l(e tin(a
comunicado) a pa%ti% de *++74 (a%cot &uase n#o se inte%essaa pela te%ap'utica) p%eocupando;se em desc%ee% e classi5ica% os 5en:menos pa%a tenta% eCplica;los de 5o%ma %acional4
Essa p%imei%a pe%man'ncia na F%an"a ma%cou o início da !%ande aentu%a cientí5ica &ue o lea%ia / inen"#o da psican0lise4 No eat%o Saint;Ma%tin) F%eud assistiu ma%ail(ado / %ep%esenta"#o de uma pe"a de Victo%ien Sa%dou) inte%p%etada po% Sa%a( e%n(a%dt3 XNunca uma at%i9 me su%p%eendeu tanto6 eu estaa p%onto a ac%edita% em tudo o &ue ela di9ia4Y Depois de Pa%is) 5oi a e%lim) onde 5e9 os cu%sos do pediat%a Adol5 a!ins4
De olta a Viena) instalou;se como médico pa%ticula%) a2%indo um consult$%io na Rat(ausst%asse4 F%eud tam2ém t%a2al(aa) t%'s ta%des po% semana) como neu%olo!ista na línica Steindl!asse) p%imei%o instituto p>2lico de pediat%ia) di%i!ido pelo p%o5esso% MaC ^asso]it9 <*+Q7;*J*8=4 Em setem2%o de *++-) casou;se com Ma%t(a) e no dia *, de outu2%o 5e9 uma con5e%'ncia so2%e a (iste%ia masculina na Sociedade dos Médicos) onde tee uma acol(ida !lacial) n#o em %a9#o de suas teses <etiol$!icas=) como di%ia depois) mas po%&ue at%i2uía a (a%cot a pate%nidade de no".es &ue 10 e%am con(ecidas pelos médicos ienenses4
Em *++T) um m's depois do nascimento de sua 5il(a Mat(ilde <ollitsc(e%=) F%eud 5icou con(ecendo il(elm Fliess) 2%il(ante médico 1udeu 2e%linense) &ue 5a9ia amplas pes&uisas so2%e a 5isiolo!ia e a 2isseCualidade4 E%a o início de uma lon!a ami9ade e de uma so2e%2a co%%espond'ncia íntima e cientí5ica4 Apesa% de 0%ias tentatias) Fliess n#o conse!ui%ia cu%a% F%eud de sua paiC#o
pelo 5umo3 Xomecei a 5uma% aos 7Q anos) esc%eeu em *J7J) p%imei%o ci!a%%os) e lo!o eCclusiamente c(a%utos4 Penso &ue deo ao c(a%uto um !%ande aumento da min(a capacidade de t%a2al(o e um mel(o% autocont%ole4Y F%eud come"a a utili9a% os meios de &ue dispun(a) a elet%ote%apia de 44 E%2) a (ipnose e a su!est#o4 As di5iculdades encont%adas leam;no a se li!a% a A4A4 Lié2ault e 4 M4 e%n(eim) em Nanc) du%ante o e%#o de *++J4 %adu9) ali0s) as o2%as deste >ltimo pa%a o alem#o4 Encont%a nelas a con5i%ma"#o das %ese%as e decep".es &ue ele p%$p%io sentia po% tais métodos4 Em setem2%o de *+J*) F%eud mudou;se pa%a um apa%tamento situado no n>me%o *J da %ua e%!!asse4 Ficou ali até seu eCílio em *J8+) ce%cado po% seus seis 5il(os <Mat(ilde) M%tin) Olie%) E%nst) Sop(ie al2e%stadt) Anna= e de sua cun(ada Minna e%nas4 omo clínico) t%ataa essencialmente de mul(e%es da 2u%!uesia ienense) &uali5icadas como Xdoentes dos ne%osY e so5%endo de dist>%2ios (isté%icos4 A2andonando o niilismo te%ap'utico) t#o comum nos meios médicos ienenses da época) p%ocu%ou) ante de tudo) cu%a% e t%ata% de suas pacientes) aliiando os seus so5%imentos psí&uicos4 Du%ante um ano) utili9ou os métodos te%ap'uticos aceitos na época3 massa!ens) (id%ote%apia) elet%ote%pia4 Mas lo!o constatou &ue esses t%atamentos n#o tin(am nen(um e5eito4 Assim come"ou a utili9a% a (ipnose) inspi%ando;se nos métodos de su!est#o de ippolte e%n(eim) a &uem 5e9 uma isita po% ocasi#o do p%imei%o con!%esso inte%nacional de (ipnotismo) &ue se %eali9ou em Pa%is em *++J4 Em *+J*) pu2licou uma mono!%a5ia) Xont%i2ui"#o / concep"#o das a5asiasY) na &ual se 2aseaa nas teo%ias de u!(lin!s Wacson pa%a p%opo% uma a2o%da!em 5uncional) e n#o mais apenas neu%o5isiol$!ica) dos dist>%2ios de lin!ua!em4 A dout%ina das Xlocali9a".es ce%e2%aisY e%a su2stituída pelo associacionismo) &ue a2%ia camin(o pa%a a de5ini"#o de um Xapa%el(o psí&uicoY tal como se encont%a%ia na metapsicolo!ia3 ele 5a9 sua p%imei%a 5o%mula"#o em *+J- e esta2elece seus 5undamentos no capítulo VII da XInte%p%eta"#o dos Son(osY4
Em *+JK) conse!ue conence% seu ami!o %eue% a esc%ee% com ele uma o2%a so2%e a (iste%ia4 Seu t%a2al(o em comum da%0 lu!a% / pu2lica"#o) em *+J8) de XSo2%e o mecanismo psí&uico dos 5en:menos (isté%icos3 comunica"#o p%elimina%Y) &ue i%0 a2%i% camin(o pa%a XEstudos so2%e a (iste%iaY6 10 se encont%a nele a idéia 5%eudiana de de5esa) pa%a p%ote!e% o su1eito de uma %ep%esenta"#o Xinsupo%t0elY ou XincompatíelY4 No mesmo ano) em um teCto intitulado XAl!umas onside%a".es pa%a um Estudo ompa%atio das Pa%alisias Moto%as O%!nicas e isté%icasY) pu2licado em 5%anc's em XA%c(ies neu%olo!i&uesY) F%eud a5i%ma &ue Xa (iste%ia se compo%ta) nessas pa%alisias e
out%as mani5esta".es) como se a anatomia n#o eCistisse) ou como se ela n#o tomasse disso nen(um con(ecimentoY4
Os XEstudos so2%e a (iste%iaY) o2%a comum de %eue% e F%eud) s#o pu2licados em 1un(o de *+J,4 A o2%a compo%ta) além da omunica"#o P%elimina%) cinco o2se%a".es de doentes3 a p%imei%a de Anna O <e%t(a Pappen(eim= é %edi!ida po% %eue% e é nela &ue se encont%a a eCp%ess#o t#o 5eli9 Xalin! u%eY) p%oposta po% Anna O6 as &uat%o se!uintes deem;se a F%eud4 A o2%a conclui com um teCto te$%ico de %eue% e um out%o so2%e a psicote%apia da (iste%ia) de F%eud) onde se pode e% o início do &ue i%0 sepa%a% os dois auto%es no ano se!uinte4
Em XLB é%édité et lBtiolo!ie d's Né%osesY) pu2licado em 5%anc's) em *+J-) na XReue neu%olo!i&ueY) F%eud de 5ato a5i%ma3 XECpe%i'ncia de passiidade seCual antes antes da pu2e%dade6 é essa) pois) a etiolo!ia especí5ica da (iste%iaY4 No a%ti!o) é emp%e!ado pela p%imei%a e9 o te%mo Xpsican0liseY4 Foi tam2ém du%ante esses anos &ue a %e5leC#o de F%eud so2%e a s>2ita inte%%up"#o 5eita 5o% %eue% no t%atamento de Anna O leou;o a conce2e% a t%ans5e%'ncia4 Finalmente) dee;se assinala% a %eda"#o) em poucas semanas) no 5inal de *+J,) de XP%o1eto pa%a uma Psicolo!ia ientí5icaY <Ent]u%5 eine% Psc(olo!ie=) &ue F%eud nunca i%0 pu2lica% e &ue constitui) no come"o) sua >ltima tentatia de apoia% a psicolo!ia so2%e os dados mais %ecentes da neu%o5isiolo!ia4 %a2al(ando ao lado de %eue%) F%eud a2andonou p%o!%essiamente a (ipnose pela cata%se) inentou o método da associa"#o li%e) e en5im a psico;an0lise4 Essa pala%a 5oi emp%e!ada pela p%imei%a e9 em *+J-) e sua inen"#o 5oi at%i2uída a %eue%4 Em *+JT) com um %elat$%io 5ao%0el de Not(na!el e de Ric(a%d on ^%a55t;E2in!) o nome de F%eud 5oi p%oposto pa%a %ece2e% o p%esti!ioso título de p%o5esso% eCt%ao%din0%io4 Sua nomea"#o 5oi %ati5icada pelo impe%ado% F%ancisco;Wosé no dia , de ma%"o de *JK74
Ao cont%0%io de muitos intelectuais ienenses ma%cados pelo X$dio de si 1udeuY) F%eud) 1udeu in5iel e inc%édulo) (ostil a todos os %ituais e / %eli!i#o) nunca ne!a%ia sua 1udeidade4 omo en5ati9ou ManHs Spe%2e%) ele continua%ia sendo Xum 1udeu consciente) &ue n#o dissimulaa a nin!uém sua o%i!em) p%oclamando;a) ao cont%0%io) com di!nidade e 5%e&entemente com o%!ul(o4 Muitas e9es) a5i%mou &ue detestaa Viena e &ue se sentia como &ue li2e%tado a cada e9 &ue se a5astaa dessa cidade) onde c%esce%a e / &ual 5ica%ia li!ado) ent%etanto) po% la"os indest%utíeis4 Sua consci'ncia da identidade 1udaica pe%manece%ia assim) pois sua o%i!em nunca 5oi pa%a ele uma 5onte de sentimentos de in5e%io%idade) em2o%a ela l(e causasse p%o2lemas e di5iculdades suplementa%es) p%incipalmente em sua ida p%o5issionalY4 Sua posi"#o dout%in0%ia est0 cent%ada na teo%ia do n>cleo pato!'nico) constituído na in5ncia) po% ocasi#o de um t%auma seCual %eal) deco%%ente da sedu"#o po% um adulto4 O sintoma é a conse&'ncia do %ecalcamento das %ep%esenta".es insupo%t0eis &ue constituem esse n>cleo) e o t%atamento
consiste em t%a9e% a consci'ncia os elementos) como se eCt%ai um Xco%po est%an(oY ) sendo a conse&'ncia do leantamento do %ecal&ue o desapa%ecimento do sintoma4
Du%ante al!uns dos anos &ue antecede%am a pu2lica"#o de XA inte%p%eta"#o de son(osY) F%eud int%odu9 na noso!%a5ia) / &ual n#o é indi5e%ente) al!uma entidade noa4 Desc%ee a neu%ose de an!>stia) sepa%ando;a da cate!o%ia 2astante (ete%$clita da neu%astenia4 Isola) pela p%imei%a e9) a neu%ose o2sessia <alem4 Z]an!sneu%ose= e p%op.e o conceito de psiconeu%ose de de5esa) no &ual é inte!%ada a pa%an$ia4 Po%ém) sua p%incipal ta%e5a é a auto; an0lise) te%mo &ue i%0 emp%e!a% po% pouco tempo4 Eis o &ue di9 so2%e isto) na ca%ta a 4Fliess) de *Q de noem2%o de *++T3 XMin(a auto;an0lise continua semp%e em p%o1eto) a!o%a comp%eendi o motio4 po%&ue n#o posso analisa% a mim mesmo a n#o se% me se%indo de con(ecimentos ad&ui%idos o21etiamente <como pa%a um est%an(o=4 Uma e%dadei%a auto;an0lise é %ealmente impossíel) de out%o modo n#o (ae%ia mais doen"aY4
No m2ito de sua ami9ade com Fliess) oco%%e%am 0%ios acontecimentos maio%es na ida de F%eud3 sua auto;an0lise) um inte%cm2io de caso <Emma Ecstein=) a pu2lica"#o de um p%imei%o !%ande li%o) XEstudos so2%e a (iste%iaY) no &ual s#o %elatadas 0%ias (ist$%ias de mul(e%es <e%t(a Pappen(eim) Fann Mose%) Au%élia _(m) Anna on Lie2en) Luc) Elisa2et( on R4) Mat(ilde 4) Rosalie 4=) e en5im o a2andono da teo%ia da sedu"#o se!undo a &ual toda neu%ose se eCplica%ia po% um t%auma %eal4 Essa %en>ncia) 5undamental pa%a a (ist$%ia da psican0lise) oco%%eu em 7* de setem2%o de *+JT4 F%eud comunicou; a a Fliesse em tom en50tico) em uma ca%ta &ue se to%na%ia céle2%e3 XN#o ac%edito mais na min(a Neu%$tica4Y
O encont%o com Fliess %emonta a *++T4 F%eud come"a a analisa% sistematicamente seus son(os) a pa%ti% de 1ul(o de *+J,4 udo se passa como se F%eud) sem antes se da% conta disso) tiesse utili9ado Fliess como inté%p%ete) pa%a e5etua% sua p%$p%ia an0lise4 Seu pai mo%%eu em 78 de outu2%o de *+J-4 Pode%;se;ia pensa% &ue tal acontecimento n#o 5oi est%an(o / desco2e%ta do compleCo de dipo) do &ual se encont%a) um ano mais ta%de) na ca%ta a Fliess de *, de outu2%o de *+JT) a se!uinte p%imei%a 5o%mula"#o es&uem0tica3 XAco%%eu;me ao espí%ito uma >nica idéia) de alo% !e%al4 Encont%ei em mim) como em todo lu!a%) sentimentos de amo% pa%a com min(a m#e e de ci>me pa%a com meu pai) sentimentos &ue s#o) ac(o eu) comuns a todas as c%ian"as pe&uenas) mesmo &uando seu apa%ecimento n#o é t#o p%ecoce como nas c%ian"as &ue se to%na%am (isté%icas <de uma 5o%ma an0lo!a / da %omanti9a"#o o%i!inal nos pa%an$icos) (e%$is e 5undado%es de %eli!i.es=4 Se isso 5o% assim) pode;se comp%eende%) apesa% de todas as o21e".es %acionais &ue se op.em / (ip$tese de uma 5atalidade ineCo%0el) o e5eito pe%ce2ido em dipo %eiB4 am2ém se pode comp%eende% po% &ue todos os d%amas mais %ecentes do destino dee%iam aca2a% mise%aelmente) mas a lenda !%e!a
pe%ce2eu uma compuls#o &ue todos %econ(ecem) pois todos a senti%am4 ada ouinte 5oi) um dia) em !e%me) em ima!ina"#o) um dipo) e espanta;se diante da %eali9a"#o de seu son(o) t%anspo%tado pa%a a %ealidade) est%emecendo con5o%me o taman(o do %ecalcamento &ue sepa%a seu estado in5antil de seu estado atualY4
ome"ou ent#o a ela2o%a% sua dout%ina da 5antasia) conce2endo em se!uida uma noa teo%ia do son(o e do inconsciente) cent%ada no %ecalcamento e no compleCo de dipo4 Seu inte%esse pela t%a!édia de S$5ocles 5oi contempo%neo de sua paiC#o po% amlet4 F%eud e%a um !%ande leito% de lite%atu%a in!lesa) alimentando;se especialmente da o2%a de S(aespea%e3 XUma idéia at%aessou o meu espí%ito) esc%eeu a Fliess em *+JT) de &ue o con5lito edipiano encenado em dipo %eiB de S$5ocles pode%ia esta% tam2ém no ce%ne de amlet4 N#o ac%edito em uma inten"#o consciente de S(aespea%e) mas) antes) &ue um acontecimento %eal leou o poeta a esc%ee% esse d%ama) tendo seu p%$p%io inconsciente l(e pe%mitido comp%eende% o inconsciente do seu (e%$i4Y A %uptu%a de5initia com Fliess oco%%e%0 em *JK74
Depois de *J7-) e a despeito de uma lon!a discuss#o com Wames St%ac(e) F%eud aca2a%ia cedendo / c%en"a se!undo a &ual S(aespea%e n#o e%a o auto% de sua o2%a4 Ali0s) esse tema do deslocamento da at%i2ui"#o de uma pate%nidade ou de uma identidade se encont%a%ia po% 0%ias e9es em sua o2%a) p%incipalmente em XMoisés e o monoteísmoY) na &ual 5e9 de Moisés um e!ípcio4
Da noa teo%ia do inconsciente nasce%ia um se!undo !%ande li%o) pu2licado em noem2%o de *+JJ) XA Inte%p%eta"#o dos Son(osY <Die %aumdeutun!=) no &ual é %elatado o son(o da XIn1e"#o de I%m#Y) oco%%ido &uando F%eud estaa em elleue) em 1ul(o de *+J,) em um pe&ueno castelo na 5lo%esta ienense3 XVoc' ac%edita) <esc%eeu a Fliess no dia *7 de 1ul(o de *JKK=) &ue (ae%0 um dia nesta casa uma placa de m0%mo%e com esta insc%i"#o3 Foi nesta casa &ue) em 7Q de 1ul(o de *+J,) o ministé%io do son(o 5oi %eelado ao douto% Si!mund F%eud` Até a!o%a) ten(o pouca espe%an"a4Y O postulado inicial int%odu9 uma %uptu%a %adical com todos os discu%sos ante%io%es4 O a2su%do) a incon!%u'ncia dos son(os n#o é um acidente de o%dem mecnica6 o son(o tem um sentido) esse sentido est0 escondido e n#o deco%%e das 5i!u%as utili9adas pelo son(o) mas de um con1unto de elementos pe%tencentes ao p%$p%io son(ado%) 5a9endo com &ue a desco2e%ta do sentido oculto dependa das Xassocia".esY p%odu9idas pelo su1eito4 ECclui;se) po%tanto) &ue esse sentido possa se% dete%minado sem a cola2o%a"#o do son(ado%4
A&uilo com &ue estamos lidando é um teCto6 sem d>ida) o son(o é constituído p%incipalmente de ima!ens) mas o acesso a elas s$ pode se% o2tido pela na%%atia do son(ado%) &ue constitui seu Xconte>do mani5estoY) &ue é p%eciso deci5%a%) como (ampollion 5e9 com os (ie%$!li5os e!ípcios) pa%a desco2%i% seu
Xconte>do latenteY4 O son(o é constituído como os X%estos diu%nosY) aos &uais s#o t%ans5e%idos os inestimentos a5etados pelas %ep%esenta".es de dese1o4 O son(o) ao mesmo tempo em &ue p%ote!e o sono) asse!u%a) de uma 5o%ma camu5lada) uma ce%ta X%eali9a"#o de dese1oY4 A ela2o%a"#o do son(o é 5eita po% técnicas especiais) est%an(as ao pensamento consciente) a condensa"#o <um mesmo elemento %ep%esentaa 0%ios pensamentos do son(o= e o deslocamento <um elemento do son(o é colocado no lu!a% de um pensamento latente=4
Resultam dessa concep"#o do son(o uma est%utu%a pa%ticula% do apa%el(o psí&uico) &ue 5oi o21eto do sétimo e >ltimo capítulo4 Mais do &ue a diis#o em t%'s instncias) consciente) p%é;consciente e inconsciente) &ue especi5ica o &ue se c(ama de p%imei%a t$pica) coném conse%a% a idéia de uma diis#o do psi&uismo em dois tipos de instncias) o2edecendo a leis di5e%entes e sepa%adas po% uma 5%ontei%a &ue s$ pode se% ult%apassada em dete%minadas condi".es) consciente;p%é;consciente) po% um lado) inconsciente) po% out%o4 Esse co%te é %adical e i%%edutíel) nunca pode%0 (ae% XsínteseY) mas apenas Xtend'ncia / sínteseY4 O sentimento p%$p%io ao eu da unidade &ue constitui nosso mental n#o é mais do &ue uma ilus#o4 Um apa%el(o desse tipo to%na p%o2lem0tica a ap%eens#o da %ealidade) &ue dee se% constituída pelo su1eito4 A posi"#o de F%eud) a&ui) é a mesma eCp%essa no XP%o1etoY3 XO inconsciente é o p%$p%io psí&uico e sua %ealidade essencial4 Sua natu%e9a íntima nos é t#o descon(ecida como a %ealidade do mundo eCte%io%) e a consci'ncia nos ensina so2%e ela de uma manei%a t#o incompleta como nossos $%!#os dos sentidos so2%e o mundo eCte%io%Y4
Pa%a F%eud) o son(o se encont%a em uma espécie de enc%u9il(ada ent%e o no%mal e o patol$!ico) e as conclus.es conce%nentes ao son(o se%#o conside%adas po% ele como 0lidas pa%a eCplica% os estados neu%$ticos4 XA psicopatolo!ia da ida cotidianaY <Zu% Psc(opat(olo!ie d's Allta!sle2ens= é pu2licado no ano se!uinte) em *JK*4 Ela come"a) po% eCemplo) com um es&uecimento de nome) o de Si!no%elli) an0lise 10 pu2licada po% F%eud em *+J+6 o es&uecimento associa) em sua dete%mina"#o) tanto com motios seCuais como a idéia de mo%te4 A o2%a %e>ne toda uma sé%ie de pe&uenos acidentes) aos &uais &uase n#o se d0) ia de %e!%a) nen(uma aten"#o) como os es&uecimentos de pala%as) as Xlem2%an"as enco2%ido%asY) os lapsos da pala%a ou esc%ita) os e%%os de leitu%a e esc%ita) os e&uíocos) os atos 5al(os) etc4
Esses 5atos podem se% conside%ados como mani5esta".es do inconsciente) nas se!uintes t%'s condi".es3 *4n#o dee ult%apassa% um ce%to limite 5iCado po% nosso 1uí9o) isto é) a&uilo &ue c(amamos de Xos limites do ato no%malY6 74deem te% ca%0te% de um dist>%2io momentneo6 84n#o podem se% ca%acte%i9ados assim a n#o se% &ue os motios nos escapem e &ue 5i&uemos %edu9idos a inoca% o XacasoY ou a X5alta de aten"#oY4
XAo coloca% os atos 5al(os na mesma cate!o%ia das mani5esta".es das psiconeu%oses) damos um sentido e uma 2ase a duas a5i%matias &ue oue %epeti% com 5%e&'ncia) a sa2e%) &ue ent%e o estado ne%oso no%mal e o 5uncionamento ne%oso ano%mal) n#o eCiste um limite cla%o e ma%cado <444=4 odos os 5en:menos em &uest#o) sem nen(uma eCce"#o) pe%mitem &ue se c(e!ue aos mate%iais psí&uicos %ep%imidos incompletamente e &ue) em2o%a %ecalcados pela consci'ncia) n#o pe%de%am toda a possi2ilidade de se mani5esta% e se eCp%imi%Y4
O te%cei%o teCto) XOs c(istes e sua %ela"#o com o inconscienteY <De% it9 und seine e9ie(un! 9um Un2e]u5ten=) é pu2licado em *JK,4 Diante desse mate%ial lo!o e di5ícil) al!uns se pe%!unta%am po% &ue F%eud tin(a 1ul!ado necess0%io acumula% uma &uantidade t#o !%ande de eCemplos) com uma classi5ica"#o complicada4 Sem d>ida) po%&ue suas teses e%am di5íceis de p:% em eid'ncia4 Eis as p%incipais4 XO espí%ito %eside apenas na eCp%ess#o e%2alY4 Os mecanismos s#o os mesmos do son(o) a condensa"#o e o deslocamento4 O p%a9e% &ue o espí%ito en!end%a est0 li!ado / técnica e / tend'ncia satis5eita) (ostil ou o2scena4 Po%ém) um te%cei%o ocupa so2%etudo nele um papel p%incipal) e é isso o &ue o distin!ue do c:mico4 XO espí%ito em !e%al p%ecisa da inte%en"#o de t%'s pe%sona!ens3 a&uele &ue 5a9 a pala%a) a&uele &ue se die%te com a e%e (ostil ou seCual e) en5im) a&uele no &ual é %eali9ada a inten"#o do espí%ito) &ue é a de p%odu9i% p%a9e%Y4 Finalmente3 XS$ é espi%ituoso a&uilo &ue é aceito como talY4 omp%eende;se ent#o a di5iculdade pa%a t%adu9i% a pala%a alem# Xit9Y) &ue n#o tem e&uialente em 5%anc's) mas tam2ém a di5iculdade de seu mane1o em alem#o) po% a&uilo &ue aca2a de se% lem2%ado e pela die%sidade dos eCemplos utili9ados) (ist$%ias en!%a"adas) c(istes) t%ocadil(os) etc4 A especi5icidade do Xit9Y eCplica a aten"#o &ue F%eud tem em distin!ui;lo do c:mico) distin"#o assim %esumida3 XO espí%ito é) po% assim di9e%) pa%a o c:mico) a cont%i2ui"#o &ue l(e em do domínio do inconscienteY4 No mesmo ano) su%!em os X%'s ensaios so2%e a teo%ia da seCualidadeY <D%ei A2(andlun!en 9u% SeCualt(eo%ie=) onde é a5i%mada e ilust%ada a impo%tncia da seCualidade in5antil e p%oposto um es&uema da eolu"#o da li2ido) po% suas 5ases ca%acte%i9adas pela sucessia dominncia das 9onas e%$!enas 2ucal) anal e !enital4 Nesse teCto a c%ian"a) em %ela"#o / seCualidade) é de5inida como um Xpe%e%so polimo%5oY) e a neu%ose é situada como Xo ne!atio da pe%e%s#oY4
Mais ou menos ent%e *JK, e *J*+) i%#o se sucede% um !%ande n>me%o de teCtos %e5e%entes / técnica e) pa%a ilust%a;la) ap%esenta".es de casos clínicos4 Ent%e estes >ltimos est#o as Xinco psican0lisesY3 Em *JK,) XF%a!mento da an0lise de um caso de (iste%iaY3 o2se%a"#o de uma paciente c(amada Do%a) cent%ada em dois son(os p%incipais) cu1o t%a2al(o de inte%p%eta"#o ocupa sua maio% pa%te4
Em *JKJ) XAn0lise de uma 5o2ia em um menino de cinco anosY <o pe&ueno ans=3 F%eud e%i5ica a eCatid#o das X%econstitui".esY e5etuadas no adulto4 am2ém em *JKJ) XNotas so2%e um caso de neu%ose o2sessiaY <O omem dos Ratos=3 a an0lise é dominada po% um oto inconsciente de mo%te) e F%eud se espanta ao e%i5ica%) Xainda maisY em um o2sessio) as desco2e%tas 5eitas no estudo da (iste%ia4
Em *J**) XNotas psicanalíticas so2%e um %elato auto2io!%05ico de um caso de pa%an$iaY <Dementia pa%anoides= <o p%esidente Sc(%e2e%=3 a pa%ticula%idade dessa an0lise se p%ende ao 5ato de &ue F%eud nunca encont%ou o paciente) contentando;se em t%a2al(a% com as XMem$%iasY nas &uais este desc%ee%a sua doen"a) dando a elas um inte%esse cientí5ico4
Finalmente) em *J*+) Xist$%ia de uma neu%ose in5antilY <O omem dos Lo2os=3 a o2se%a"#o 5oi pa%a F%eud de pa%ticula% impo%tncia4 Ela 5o%necia a p%oa da eCist'ncia) na c%ian"a) de uma neu%ose pe%5eitamente constituída) se1a ela apa%ente ou n#o) nada mais sendo a do adulto do &ue uma eCte%io%i9a"#o e %epeti"#o da neu%ose in5antil6 ela demonst%ou a impo%tncia dos motios li2idinais e a aus'ncia de aspi%a".es cultu%ais) ao cont%0%io de 4 Wun!6 ela 5o%neceu uma eCata ilust%a"#o da constitui"#o do 5antasma e do lu!a% da cena p%imitia4
Em *JK7) com Al5%ed Adle%) il(elm Steel) MaC ^a(ane <*+--;*J78= e Rudol5 Reitle% <*+-,;*J*T=) 5undou a Sociedade Psicol$!ica das ua%tas;Fei%as) p%imei%o cí%culo da (ist$%ia do 5%eudismo4 Du%ante os anos &ue se se!ui%am) muitas pe%sonalidades do mundo ienense se 1unta%am ao !%upo3 Paul Fede%n) Otto Ran) F%it9 ittels) Isido% Sad!e%4 Foi du%ante essas %euni.es &ue se ela2o%ou a idéia de uma possíel aplica"#o da psican0lise a todas as 0%eas do sa2e%3 lite%atu%a) ant%opolo!ia) (ist$%ia) etc4 O p%$p%io F%eud de5endeu a no"#o de psican0lise aplicada) pu2licando uma 5antasia lite%0%ia3 XDelí%ios e son(os na G%adia de Wensen <*JKT=Y4
Em *JKT e *JK+) o cí%culo dos p%imei%os discípulos 5%eudianos se ampliou ainda mais) com a ades#o / psican0lise de anns Sac(s) Sando% Fe%enc9i) ^a%l A2%a(am) E%nest Wones) A2%a(am A%den %ill e MaC Eitin!on4 Du%ante o p%imei%o &ua%to do século) a dout%ina 5%eudiana se implantou em 0%ios países3 G%#;%etan(a) un!%ia) Aleman(a) costa leste dos Estados Unidos4 Na Suí"a p%odu9iu;se um acontecimento maio% na (ist$%ia do moimento psicanalítico 3 Eu!en leule%) médico;c(e5e da clínica do ospital u%!(l9li de Zu%i&ue) come"ou a aplica% o método psicanalítico ao t%atamento das psicoses) inentando ao mesmo tempo a no"#o de es&ui9o5%enia4 Uma noa Xte%%a p%ometidaY se a2%iu assim / dout%ina 5%eudiana3 ela podia a pa%ti% de ent#o inesti% o sa2e% psi&ui0t%ico e tenta% da% uma solu"#o pa%a o eni!ma da loucu%a (umana4
No dia 8 de ma%"o de *JKT) a%l Gusta Wun!) aluno e assistente de leule%) 5oi a Viena pa%a con(ece% F%eud4 Depois de 0%ias (o%as de cone%sa) 5icou encantado com esse noo mest%e4 Se%ia o p%imei%o discípulo n#o;1udeu de F%eud4
Em *JKJ) a conite de G%andille Stanle all) F%eud 5oi) em compan(ia de Wun! e de Fe%enc9i) / la% Unie%sit de o%ceste%) em Massac(usetts) pa%a da% cinco con5e%'ncias) &ue se%iam %eunidas so2 o título de Xinco li".es de psican0liseY4 Apesa% de um encont%o p%odutio com Wames Wacson Putnam e de um sucesso conside%0el) F%eud n#o !ostou do continente ame%icano4 Du%ante toda a ida) descon5ia%ia do espí%ito p%a!m0tico e pu%itado desse país &ue acol(ia suas idéias com entusiasmo in!'nuo e desconce%tante4 emendo o anti;semitismo e &ue a psican0lise 5osse assimilada a uma Xci'ncia; 1udaicaY) F%eud decidiu Xdes1udali90;laY) pondo Wun! / 5%ente) como p%esidente) do moimento4 Depois de um p%imei%o con!%esso) &ue %euniu em Sal92u%!o em *JK+ todas as sociedades locais) c%iou com Fe%enc9i) em Nu%em2e%!) em *J*K) uma associa"#o inte%nacional) a Sociedade Psicanalítica de Viena XInte%nationale Psc(oanaltisc(e Ve%eini!un!Y <IPV=4 Em *J88) a si!la alem# se%ia a2andonada4 A IPV se to%na%ia ent#o a Associa"#o Inte%nacional de Psican0lise XInte%national Psc(oanaltical AssociationY <IPA=4
Ent%e *JKJ e *J*8) F%eud pu2licou mais duas o2%as3 XLeona%do da Vinci e uma lem2%an"a da sua in5nciaY <*J*K= e Xotem e ta2uY <*J*7;*J*8=4 A pa%ti% de *J*K) a eCpans#o do moimento se t%adu9iu po% dissid'ncias) tendo como motio simultaneamente &ue% elas pessoais e &uest.es te$%icas e técnicas4 bs %ialidades na%císicas se ac%escenta%am c%íticas so2%e a du%a"#o dos t%atamentos) a &uest#o da t%ans5e%'ncia e da cont%at%ans5e%'ncia) o lu!a% da seCualidade e a de5ini"#o da no"#o de inconsciente4
Inicialmente) est0 a &uest#o do pai) t%atada com uma eCcepcional amplid#o) em Xotem e ta2uY) e %etomada a pa%ti% de um eCemplo pa%ticula%) em XMoisés e o monoteísmoY <*J87;*J8+=4 Ela constitui um dos pontos mais di5íceis da dout%ina de F%eud) deido ao polimo%5ismo da 5un"#o pate%na em sua o2%a4 Mais ta%de) 5oi o conceito de na%cisismo &ue 5oi o21eto do !%ande a%ti!o em *J*Q) XSo2%e o na%cisismo3 uma int%odu"#oY) necess0%ia pa%a leanta% as di5iculdades encont%adas na an0lise de Sc(%e2e% e tenta% eCplica% as psicoses) mas tam2ém pa%a es2o"a% uma teo%ia do eu4 XO est%an(oY <Das Un(eimlic(e=) pu2licado em *J*J) %e5e%e;se especialmente / p%o2lem0tica da cast%a"#o4 Po%ém) a maio% alte%a"#o deco%%eu da conceituali9a"#o do automatismo de %epeti"#o e do instinto de mo%te) &ue s#o o assunto de XAlém do p%incípio de p%a9e%Y <Wenseits d's Lustp%in9ips) *J7K=4 A teo%ia do eu e da identi5ica"#o se%#o os temas cent%ais de XPsicolo!ia de !%upo e an0lise do e!oY <Massenpsc(olo!ie umd Ic(;Analse) *J7*=4
Finalmente) XA Ne!atiaY <Die Ve%neinun!) *J7,= i%0 su2lin(a% a p%ima9ia da pala%a) na eCpe%i'ncia psicanalítica) ao mesmo tempo em &ue de5ine um modo pa%ticula% de p%esenti5ica"#o do inconsciente4
F%eud nunca deiCou de tenta% %euni%) em uma is#o &ue c(ama de metapsicolo!ia) as desco2e%tas &ue sua técnica pe%mitiu e as ela2o%a".es &ue nunca deiCa%am de acompan(a% sua p%0tica) mesmo a5i%mando &ue esse es5o%"o n#o dee%ia se% inte%p%etado como uma tentatia de constitui"#o de uma noa Xis#o do mundoY <eltansc(auun!=4
e%tos %emane1amentos alem como co%%e".es de posi".es ante%io%es4 Este é o caso da teo%ia do 5antasma &ue) po% olta de *J*K) i%0 su2stitui% a p%imei%a teo%ia t%aum0tica da sedu"#o p%ecoce <Leona%do da Vinci e uma lem2%an"a de sua in5ncia) *JKT6 Fo%mula".es so2%e os dois p%incípios do 5uncionamento mental) *J**6 XO omem dos Lo2osY) *J*+=4
Esse tam2ém 5oi o caso do maso&uismo) conside%ado) num p%imei%o momento) como uma ine%s#o do sadismo4 As teses de XAlém do p%incípio do p%a9e%Y pe%miti%#o a concep"#o de um maso&uismo p%im0%io) &ue F%eud se%0 leado a to%na% e&uialente) em XO p%o2lema econ:mico do maso&uismoY <*J7,=) ao instinto de mo%te e ao sentimento de culpa i%%edutíel e ineCplicado) %eelado po% ce%tas an0lises4
De 5o%ma sem d>ida a%2it%0%ia) pode;se classi5ica%) nos %emane1amentos to%nados necess0%ios deido ao des!aste dos te%mos <em2o%a muitos out%os motios o 1usti5i&uem=) a int%odu"#o da se!unda t$pica) constituída pela t%'s instncias) isso) eu e supe%eu <O e!o e o id [Das Ic( und das Es\) *J78=) as noas conside%a".es so2%e a an!>stia) como sinal de pe%i!o <Ini2i".es) sintomas e ansiedadean!>stia [emmun!) Smptom und An!st\) *J7-= e) 5inalmente) o >ltimo teCto) inaca2ado) XA diis#o do e!o no p%ocesso de de5esa <Die Ic(spaltun! im A2]e(o%!an!) *J8+=) no &ual F%eud anuncia &ue) apesa% das apa%'ncias) o &ue i%0 di9e%) %e5e%indo;se / o2se%a"#o do a%ti!o de *J7T) so2%e o 5etic(ismo) tam2ém e%a ent#o totalmente noo4 E) de 5ato) as 5o%mula".es nele p%opostas ap%esentem;se como um es2o"o de uma %emodela!em de toda a economia de sua dout%ina4Y
Na o2%a de F%eud) dois teCtos possuem) apa%entemente) um estatuto um tanto especial4 S#o eles XO 5utu%o de uma ilus#oY <Die Zuun5t eine% Illusion=) pu2licado em *J7T) &ue eCamina a &uest#o da %eli!i#o) e XO mal;esta% na ciili9a"#oY <Das Un2e(a!en in de% ^ultu%) *J7J=) dedicado ao p%o2lema da 5elicidade) conside%ada p%o F%eud inatin!íel) e /s eCi!'ncias eCo%2itantes da o%!ani9a"#o social ao su1eito (umano4
De 5ato) t%ata;se da conside%a"#o de 5en:menos sociais) / lu9 da eCpe%i'ncia psicanalítica4 Na %ealidade) como semp%e acontece com F%eud) o n!ulo escol(ido pa%a t%ata% de &ual&ue% &uest#o se%e;l(e) antes de tudo) pa%a da%
escla%ecimentos ou indica".es so2%e aspectos impo%tantes da eCpe%i'ncia4 Isso oco%%e) em XO Futu%oY) com a &uest#o do pai e a de Deus) como seu co%ol0%io6 em XO mal;esta%Y) a maldade 5undamental do se% (umano e a constata"#o pa%adoCal de &ue &uanto mais o su1eito satis5a9 os impe%atios mo%ais) os do supe%eu) mais este se most%a eCi!ente4
Em *J**) Adle% e Steel se sepa%a%am do !%upo 5%eudiano4 Dois anos depois) Wun! e F%eud %ompe%am todas as suas %ela".es4 N#o supo%tando desios em %ela"#o / sua dout%ina) F%eud pu2licou) /s éspe%as da P%imei%a Gue%%a Mundial) um e%dadei%o pan5leto) XA (ist$%ia do moimento psicanalíticoY) no &ual denunciou as t%ai".es de Wun! e Adle%4 Depois) c%iou um omit' Sec%eto) composto de seus mel(o%es paladinos) aos &uais dist%i2uiu um anel de 5idelidade4
Lon!e de eita% as dissid'ncias) essa iniciatia leou a noas &ue%elas4 Apoiados po% Wones) os 2e%linenses <A2%a(am e Eitin!on= p%econi9aa a o%todoCia institucional) en&uanto os aust%o;(>n!a%os <Ran e Fe%enc9i= se inte%essaam mais pelas inoa".es técnicas4 Uma noa dissid'ncia ma%cou ainda a (ist$%ia desse p%imei%o 5%eudismo3 a de il(elm Reic(4
Po% olta de *J8K) o 5en:meno da dissid'ncia deu lu!a% /s cis.es) ca%acte%ística da t%ans5o%ma"#o da psican0lise em um moimento de massa4 A pa%ti% daí e%am os !%upos &ue se en5%entaam) n#o mais os discípulos ou os pionei%os em %ialidade com o mest%e4 Isolado em Viena) mas céle2%e no mundo intei%o) F%eud p%osse!uiu sua o2%a) sem conse!ui% cont%ola% a política de seu moimento4 Ent%e *J*J e *J88) a IPA se t%ans5o%mou em uma e%dadei%a m0&uina 2u%oc%0tica) com a %esponsa2ilidade de %esole% todos os p%o2lemas técnicos %elatios / 5o%ma"#o dos psicanalistas4
No 5im da P%imei%a Gue%%a Mundial) a discuss#o so2%e o ca%0te% t%aum0tico das a5ec".es psí&uicas 5oi %elan"ada) com o apa%ecimento das neu%oses de !ue%%a4 F%eud 5oi ent#o con5%ontado com seu el(o %ial Wulius a!ne% Wau%e!!) acusado de te% su2metido soldados 1ul!ados simulado%es a in>teis t%atamentos elét%icos4 Nesse de2ate) F%eud inte%eio de manei%a ma!ist%al pa%a demonst%a% a supe%io%idade da psican0lise so2%e todos os out%os métodos4
om o desmo%onamento do impé%io aust%o;(>n!a%o) e%lim se to%nou a capital do 5%eudismo) como p%oou a c%ia"#o do e%line% Psc(oanaltisc(es Institut <PI=) e as nume%osas atiidades do instituto de F%an5u%t em to%no de Otto Fenic(el e da Xes&ue%da 5%eudianaY4 En&uanto os ame%icanos a5luíam a Viena pa%a se 5o%ma% no di# do mest%e) este analisaa a p%$p%ia 5il(a) Anna F%eud4 Esta n#o ta%da%ia a to%na%;se c(e5e de escola e opo%;se a Melanie ^lein) sua p%incipal %ial no campo da psican0lise de c%ian"as4 Nesse aspecto) a oposi"#o ent%e a escola ienense) &ue se desenoleu na IPA a pa%ti% de *J7Q e &ue !i%aa em to%no da &uest#o da seCualidade 5eminina) most%ou o lu!a% cada e9 mais impo%tante das mul(e%es no moimento psicanalítico4 No cent%o dessa
pol'mica) F%eud mantee sua teo%ia da li2ido >nica e do 5alocent%ismo) sem com isso most%a%;se mis$!ino4 Li!ado em sua ida pa%ticula% a uma concep"#o 2u%!uesa da 5amília pat%ia%cal) adotaa todaia) em suas ami9ades com mul(e%es intelectuais) uma atitude pe%5eitamente co%t's) mode%na e i!ualit0%ia4 Po% sua dout%ina e po% sua condi"#o de te%apeuta) desempen(ou um papel na emancipa"#o 5eminina4
Nos anos *J7K) F%eud pu2licou t%'s o2%as 5undamentais) at%aés das &uais de5iniu sua se!unda t$pica e %emane1ou intei%amente sua teo%ia do inconsciente e do dualismo pulsional3 XMais;além do p%incípio do p%a9e%Y <*J7K=) XPsicolo!ia das massas e an0lise do euY <*J7*=) XO eu e o issoY <*J78=4 Esse moimento de %e5o%mula"#o conceitual 10 come"a%a em *J*Q) &uando da pu2lica"#o de um a%ti!o dedicado / &uest#o do na%cisismo4 on5i%mou;se) em *J*,) com a ela2o%a"#o de uma metapsicolo!ia e a pu2lica"#o de um ensaio so2%e a !ue%%a e a mo%te) no &ual F%eud su2lin(aa a necessidade pa%a o su1eito de Xo%!ani9a%;se em ista da mo%te) a 5im de mel(o% supo%ta% a idaY4 Dessa %e5o%mula"#o) cent%ada na dialética da ida e da mo%te e em uma acentua"#o da oposi"#o ent%e o eu e o isso) nasce%iam as di5e%entes co%%entes do 5%eudismo mode%no3 leinismo) E!o Psc(olo!) Sel5 Psc(olo!) lacanismo) anna5%eudismo) Independentes4
Pa%a postula% a eCist'ncia de uma puls#o de mo%te) F%eud %ealo%i9ou duas 5i!u%as da mitolo!ia !%e!a3 E%os e natos4 Essa %eis#o da dout%ina o%i!inal se p%odu9iu em um momento em &ue a sociedade ienense) 10 p%eocupada com a sua p%$p%ia mo%te desde o 5im do século) se con5%ontaa com a ne!a"#o a2soluta de sua identidade3 a Áust%ia dessa época) como en5ati9ou Ste5an Z]ei!) e%a) no mapa da Eu%opa) apenas Xuma lu9 c%epuscula%Y) uma Xsom2%a cin9enta) di5usa e sem ida) da anti!a mona%&uia impe%ialY4
Em 5ee%ei%o de *J78) F%eud desco2%iu) do lado di%eito de seu palato) um pe&ueno tumo%) &ue deia se% lo!o eCti%pado4 Em um p%imei%o tempo) FeliC Deutsc() seu médico) l(e ocultou a natu%e9a mali!na desse tumo%4 F%eud se indisp:s com ele4 Seis meses depois) ans Pic(le%) ci%u%!i#o ienense) p%ocedeu a uma inte%en"#o %adical3 a a2la"#o dos maCila%es e da pa%te di%eita do palato4 %inta e uma ope%".es se%iam 5eitas poste%io%mente) so2 a supe%is#o de MaC Sc(u%4 F%eud 5oi o2%i!ado a supo%ta% uma p%$tese) &ue ele c(amaa de Xmonst%oY4 Xom seu palato a%ti5icial) esc%eeu Z]ei!) ele tin(a isielmente di5iculdade pa%a 5ala%4 Mas n#o a2andonaa seus inte%locuto%es4 Sua alma de a"o tin(a a am2i"#o pa%ticula% de p%oa% a seus ami!os &ue sua ontade e%a mais 5o%te &ue os to%mentos mes&uin(os &ue o seu co%po l(e in5li!ia [444\4 E%a um com2ate te%%íel) e cada e9 mais su2lime / medida &ue se estendia4 ada e9 &ue eu o ia) a mo%te 1o!aa mais distintamente sua som2%a so2%e seu %osto [444\4 Um dia) &uando de uma de min(as >ltimas isitas) leei comi!o Salado% Dali) a meu e% o pinto% mais talentoso da 1oem !e%a"#o) &ue deotaa a F%eud uma ene%a"#o eCt%ao%din0%ia4 En&uanto eu
5alaa) ele desen(ou um es2o"o4 Nunca tie co%a!em de most%0;lo a F%eud) pois Dali) em sua cla%iid'ncia) 10 %ep%esenta%a o t%a2al(o da mo%te4Y A doen"a n#o impedia F%eud de p%osse!ui% com suas atiidades) mas o
mantin(a a5astado das &uest.es do moimento psicanalítico) e 5oi Wones &uem p%esidiu os destinos da IPA a pa%ti% de *J8Q) data na &ual MaC Eitin!on 5oi o2%i!ado a deiCa% a Aleman(a4
ApaiConado po% telepatia) F%eud n#o (esitou em se dedica%) com Fe%enc9i) ent%e *J7* e *J88) a eCpe%i'ncias ditas XocultasY) &ue iam cont%a a política 1onesiana) &ue isaa da% / psican0lise uma 2ase %acional) cientí5ica e médica4 Em *J7-) depois de um p%ocesso intentado cont%a (eodo% Rei) tomou i!o%osamente a de5esa dos psicanalistas n#o;médicos) pu2licando XA &uest#o da an0lise lei!aY4 No ano se!uinte) de5la!%ou com seu ami!o Osa% P5iste% uma pol'mica ao pu2lica% XO 5utu%o de uma ilus#oY) o2%a na &ual compa%aa a %eli!i#o a uma neu%ose4 En5im) em *J8K) com XO mal;esta% na cultu%aY) &uestionaa a capacidade das sociedades democ%0ticas mode%nas de domina% as puls.es dest%utias &ue leam os (omens / sua pe%da4 Dois anos depois) em um inte%cm2io com Al2e%t Einstein <*+TJ;*J,,=) en5ati9ou &ue o desenolimento da cultu%a e%a semp%e uma manei%a de t%a2al(a% cont%a a !ue%%a4 Ent%e *J7J e *J8J) mantee uma c%:nica de seus encont%os <^%9este (%oni) %:nica 2%eíssima=) &ue se%ia pu2licada po% Mic(ael Molna% em Lond%es) em *JJ74 ada e9 mais pessimista &uanto ao 5utu%o da (umanidade) F%eud n#o tin(a nen(uma ilus#o so2%e a manei%a como o na9ismo t%ataa os 1udeus e a psican0lise3 Xomo (omem e%dadei%amente (umano) esc%eeu
Z]ei!) ele estaa p%o5undamente a2alado) mas o pensado% n#o se su%p%eendia a2solutamente com a espantosa i%%up"#o da 2estialidade4Y Ent%etanto) no dia se!uinte ao inc'ndio do Reic(sta!) decidiu com Eitin!on mante% a eCist'ncia do PI4 Em2o%a n#o ap%oasse a política de XsalamentoY da psican0lise) p%econi9ada po% Wones) cometeu o e%%o de p%iile!ia% a luta cont%a os dissidentes <Reic( e os adle%ianos=) ao inés de %ecusa% &ual&ue% comp%omisso com Matt(ias ein%ic( G%in!) o &ue te%ia leado / suspens#o de todas as atiidades psicanalíticas) lo!o &ue itle% c(e!ou ao pode%4
Mas em ma%"o de *J8+) no momento da inas#o da Áust%ia pelas t%opas alem#s) Ric(a%d Ste%2a a!iu em sentido cont%0%io) decidindo %ecusa% a política de Wones e n#o c%ia% em Viena um instituto Xa%iani9adoY como o de G%in!) em e%lim4 omou;se ent#o a decis#o de dissole% a iene% Psc(oanaltisc(e Ve%eini!un! <PV= e t%anspo%t0;la Xpa%a onde F%eud 5osse mo%a%Y4 G%a"as / inte%en"#o do diplomata ame%icano illiam ullitt <*+J*;*J-T= e a um %es!ate pa!o po% Ma%ie onapa%te) F%eud p:de deiCa% Viena com sua 5amília4 No momento de pa%ti%) 5oi o2%i!ado a assina% uma decla%a"#o na &ual a5i%maa &ue nem ele nem seus p%$Cimos (aiam sido impo%tunados pelos 5uncion0%ios do Pa%tido Nacional;Socialista4 Em Lond%es) instalou;se em uma 2ela casa em Ma%es5ield Ga%des 7K) 5utu%o F%eud Museum4 Ali) %edi!iu sua >ltima o2%a)