PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS
Em resumo, pode-se afirmar que os princípios cumprem duas funções essenciais dentro do Direito Administrativo, vejamos:
1. Função hermenêutica: o princípio pode ser utilizado para a interpretação de determinada norma;
2. Função integrativa: o princípio pode ser também utilizado para suprir lacunas em caso de ausência de norma legal acerca de determinada matéria. Na Constituição de 1988 encontram-se mencionados explicitamente como princípios os seguintes: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência (este último acrescentado pela EC 19/1998). Outros princípios do Direito Administrativo decorrem da lei, da elaboração jurisprudencial e doutrinária.
Vejamos agora cada um dos princípios do Direito Administrativo mais cobrados em provas de concursos. Vamos começar pelos princípios expressos na CF/1988, art. 37, caput: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência = LIMPE A ADMINISTRAÇÃO!
Princípio da Legalidade:
Tal princípio é decorrência do Estado de Direito e traduz a ideia de que a Administração só pode fazer o que a lei permite . Ao contrário, na relação entre particulares, o princípio aplicável é o da autonomia da vontade, segundo o qual o particular pode fazer tudo o que a lei não proíbe.
Na relação administrativa, a vontade da Administração Pública é a que decorre da lei. Aqui não se aplica a autonomia das vontades das relações particulares. A relação que o particular tem com a lei é de liberdade e autonomia da vontade, de modo que os ditames legais operam fixando limites negativos à atuação privada. Dessa forma, o silêncio da lei quanto ao regramento de determinada conduta é recebido na esfera particular como permissão para agir. Ao contrário, a relação do agente com a lei é de subordinação, assim, a ausência de disciplina legal sobre certo comportamento significa no âmbito da Administração Pública uma proibição de agir.
De acordo com a CF/88, art. 84, IV, compete ao Presidente da República “sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para a sua fiel execução”.
regulamentos, só podem ser produzidos para ensejar execução fiel da lei, ou seja, pressupõem sempre uma dada lei da qual sejam os fiéis executores.
Em decorrência disso, a Administração Pública não pode, por simples ato administrativo, conceder direitos de qualquer espécie, criar obrigações ou impor vedações aos administrados; para tanto, ela depende de lei. A Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo federal, prevê que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de atuação conforme a lei e o direito.
Atenção! A existência de atos administrativos discricionários NÃO constitui exceção ao princípio da legalidade. Pelo princípio da legalidade o administrador só poderá fazer aquilo que a lei autoriza ou permite. No entanto, tal princípio não exclui a atividade discricionária do administrador uma vez que a Administração em certos casos terá que usar a discricionariedade para efetivamente atender à finalidade legal e, como consequência, atender ao princípio da legalidade. É interessante observar que discricionariedade não se confunde com arbitrariedade, esta é ilegal, ato praticado fora dos limites da lei. Já aquela é liberdade de ação dentro da lei.
Princípio da Impessoalidade:
A impessoalidade tanto é aplicada aos particulares como à própria Administração Pública. Quando a impessoalidade é aplicada aos particulares, está relacionada com a finalidade pública que deve nortear a atividade administrativa. Nesse sentido, a Administração não pode prejudicar e nem beneficiar pessoas determinadas, uma vez que é sempre o interesse público que deve conduzir a atividade do administrador.
Assim, o princípio da impessoalidade, impõe ao administrador público que só pratique o ato para o seu fim legal de forma impessoal. A finalidade de todo ato administrativo é sempre o interesse público, o ato que se apartar desse objetivo sujeitar-se-á a invalidação por desvio de finalidade, que a Lei de Ação Popular conceituou como o “fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência” do agente (Lei nº 4.717/65, art. 2º, parágrafo único, “e”).
Quando a impessoalidade é aplicada ao administrador, aplica-se a ideia da proibição de nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos em publicidade de atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos.
“objetividade no atendimento do interesse público, vedando a promoção pessoal de agentes ou autoridades.” (grifou-se) Vale lembrar que o princípio da impessoalidade também é aplicado na Teoria do Agente de Fato, quando se reconhece validade aos atos praticados por funcionário irregularmente investido no cargo ou função, sob fundamento de que os atos são do órgão e não do agente público.
Princípio da Moralidade:
Deve-se entender a moralidade administrativa como um conjunto de valores éticos que fixam um padrão de conduta que deve ser necessariamente observado pelos agentes públicos como condição para uma honesta, proba e íntegra gestão da coisa pública, de modo a impor que estes agentes atuem no desempenho de suas funções com retidão de caráter, decência, lealdade, decoro e boa-fé.
Atenção! A moralidade não se confunde com a legalidade administrativa. A norma ou atividade pode estar perfeita do ponto de vista legal, mas moralmente deficiente, caso não represente atitude ética e de boa-fé, não sendo útil a adoção desta norma ou atividade. Assim, legalidade moralidade e são princípios autônomos, ambos tem previsão expressa na CF/1988, art. 37, caput.
Atenção! A moralidade administrativa difere da moral comum. O princípio jurídico da moralidade administrativa não impõe o dever de atendimento à moral comum vigente na sociedade, mas exige respeito a padrões éticos, de boa-fé, decoro, lealdade, honestidade e probidade incorporados pela prática diária ao conceito de boa administração.
A imoralidade administrativa produz efeitos jurídicos, já que acarreta a anulação do ato, que pode ser decretada pela própria Administração (princípio da autotutela) ou pelo Poder Judiciário.
A Lei nº 9784/99 prevê o princípio da moralidade no art. 2º, caput, como um dos princípios a que se obriga a Administração Pública; e, no parágrafo único, inciso IV, exige “atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé”, com referência evidente aos principais aspectos da moralidade administrativa.
Um outro aspecto importante da moralidade está na Súmula Vinculante nº13 que veda a prática do nepotismo no serviço público.
Vejamos:
Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal, de 21/08/2008: “A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade
nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de
direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão
ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal”.
Atenção! O próprio Supremo Tribunal Federal ressalvou que a proibição NÃO é extensiva aos agentes políticos do Poder Executivo como ministros de estado e secretários estaduais, distritais e municipais (Rcl – MC – AgR 6650/PR, STF).
A CF/1988, ao consagrar o princípio da moralidade, determinou a necessidade de sua proteção e a responsabilização do administrador público amoral ou imoral. Para tanto, encontram-se no ordenamento jurídico inúmeros mecanismos para impedir atos de imoralidade tais como:
a) Regras sobre a improbidade administrativa, no art. 37, § 4º, CF e na Lei nº 8.429/92;
b) Crimes de responsabilidade do Presidente da República e de outros agentes políticos, CF/1988, art. 85, art. 5º, LXXIII;
c) Ação Popular, CF/1988, art. 5º, LXXIII e Lei nº 4.717/65;
Além dos citados acima, há ainda outros instrumentos de proteção da moralidade administrativa previstos no ordenamento jurídico, como, por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LC nº101/00).
Princípio da Publicidade:
Em consequência deste princípio, expressado na CF/1988, art. 37, caput, todos tem o direito de receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular ou de interesse coletivo ou geral (CF/1988, art. 5º, XXXIII).
A publicidade representa condição de eficácia para os atos administrativos (ela NÃO é elemento formativo do ato administrativo), marcando o início de produção de seus efeitos externos, já que ninguém está obrigado a cumprir um ato administrativo se desconhece a sua existência. Assim, o ato administrativo, como de resto todo ato jurídico, tem na sua publicação o início de sua existência no mundo jurídico, irradiando, a partir de então, seus legais efeitos, produzindo, assim, direitos e deveres.
Os objetivos da publicidade dos atos administrativos são os seguintes: a) Exteriorizar a vontade da Administração Pública divulgando o seu conteúdo para conhecimento público;
b) Tornar exigível o conteúdo do ato;
d) Permitir o controle de legalidade do comportamento do administrador. A desobediência ao dever de publicar os atos oficiais pode caracterizar ato de improbidade administrativa, Lei nº 8.429/92, art. 11, inciso IV.
Como não existe princípio absoluto, a publicidade comporta exceções, ou seja, a publicidade é a regra que comporta exceções, seja por exigência dos interesses sociais, seja por imperativos da segurança do Estado. A Lei nº 11.111, de maio de 2005, regulamentando o art. 5º, XXXIII, CF/1988, disciplina o acesso aos documentos públicos de interesse particular, interesse coletivo ou interesse geral, ressalvadas as hipóteses em que o sigilo seja ou permaneça imprescindível à segurança da sociedade e do Estado (art. 2º).
Princípio da Eficiência:
Este princípio, acrescido à Constituição Federal pela EC nº 19/98, visa exigir que a Administração Pública funcione de forma mais eficiente, preocupada com o seu desempenho e em alcançar resultados cada vez mais positivos, procurando a busca pela maior produtividade, em contraposição aos velhos hábitos e rotinas burocráticas que sempre nortearam a atividade pública. A eficiência está ligada a uma noção de Administração mais moderna, mais gerencial, preocupada com resultados. São consequências desse princípio as criações de institutos como contratos de gestão, agências executivas e reguladoras, organizações sociais e a procura pela ampliação de autonomia de órgãos e entidades.
O princípio da eficiência também pode ser considerado em relação ao modo de atuação do agente público, do qual se espera o melhor desempenho possível de suas atribuições, para lograr os melhores resultados; e em relação ao modo de organizar, estruturar, disciplinar a Administração Pública, também com o mesmo objetivo de alcançar os melhores resultados na prestação do serviço público.
A exigência de eficiência ao agente público acarretou a alteração feita, também pela EC nº 19/98, no art. 41, § 1º, da Constituição Federal, ao criar nova possibilidade de perda do cargo para o servidor público estável
“mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma da lei complementar, assegurada ampla defesa”. Dessa forma, o
servidor, mesmo estável, que não seja eficiente em seu desempenho funcional, poderá perder o cargo, após a devida regulamentação da matéria por lei complementar.
Para o servidor ainda não estável, também houve mudanças decorrentes da exigência de eficiência, vez que a reforma administrativa alterou o art. 41, caput, ao aumentar o tempo de efetivo exercício exigido para aquisição de estabilidade de dois para três anos, e acrescentou o § 4º, segundo o qual “como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a
avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade”, condição essa não exigida anteriormente.
Os princípios vistos acima são chamados de expressos porque expressamente previstos na Carta Magna. Porém, temos outros princípios além destes que podem ser chamados de implícitos ou infraconstitucionais, são eles: Princípio da Supremacia do interesse público sobre o interesse do particular:
Uma vez que o Estado representa toda a coletividade, o interesse da Administração deve ser entendido como interesse de todos, e, portanto, deve prevalecer quando em conflito com determinado interesse particular, desde que sejam respeitados os direitos individuais deste.
Tal princípio exalta a superioridade do interesse da coletividade, estabelecendo a prevalência do interesse público sobre o interesse do particular, como condição indispensável de assegurar e viabilizar os interesses individuais.
A Administração Pública está sujeita ao chamado regime jurídico administrativo que é formado pelo princípio da supremacia do interesse público e pelo princípio da indisponibilidade do interesse público.
Pelo princípio da supremacia vigora a verticalidade nas relações entre a Administração e o particular, desse princípio resulta a exigibilidade e executoriedade dos atos administrativos, as cláusulas exorbitantes dentro dos contratos administrativos, a intervenção do Estado sobre a propriedade privada etc.
Já o Princípio da Indisponibilidade do interesse público serve para limitar a atuação do agente público, revelando-se um contrapeso à superioridade descrita no princípio da supremacia do interesse público. Sendo o interesse público qualificado como próprio da coletividade, este não se encontra à livre disposição de quem quer que seja, por ser insuscetível de apropriação. Os próprios sujeitos da Administração que o representam não tem disponibilidade sobre ele, haja vista que lhes incumbe tão-somente zelá-lo, no desempenho de um dever.
Assim, os bens e o interesse público são indisponíveis, porque pertencem à coletividade. É, por isso, o administrador, mero gestor da coisa pública, não tendo disponibilidade sobre os interesses confiados à sua guarda e
realização. Desse princípio resulta a obrigatoriedade da Administração fazer concurso público para o preenchimento dos seus cargos, bem como se submeter ao procedimento licitatório para aquisição de bens e serviços.
Princípio da Motivação:
A Administração Pública deve motivar os seus atos, ou seja, demonstrar os motivos pelos quais está agindo de determinada maneira, para conhecimento e garantia dos administrados, que assim terão a possibilidade de contestar o motivo alegado pela Administração, caso discordem do mesmo.
A Lei nº 9.784/99 trouxe de forma expressa o princípio da motivação em seu art. 2º, segundo o qual nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinam a decisão.
A referida Lei em seu art. 50, § 1º, permitiu a denominada motivação
aliunde ou per relationem, segundo a qual a concordância com
fundamentos anteriores, informações, decisões ou propostas já é considerada motivação do ato administrativo. Opõe-se a chamada motivação contextual em que os fundamentos de fato e de direito estão indicados no próprio contexto do ato, não havendo remissão à motivação externa.
Dessa forma, não viola o princípio da motivação dos atos administrativos o ato da autoridade que, ao deliberar acerca de recurso administrativo, mantém decisão com base em parecer de consultoria jurídica, sem maiores considerações.
É interessante lembrar que quando o administrador motiva o ato, ele estará vinculado ao motivo, em virtude da aplicação da Teoria dos Motivos Determinantes. De acordo com esta teoria, a Administração tem total vinculação com os motivos que apresenta para a prática do ato, de tal sorte que, se inexistentes os motivos, o ato será anulado.
Princípio da Segurança jurídica:
Está relacionado à necessidade de respeito, pela Administração, à boa-fé dos administrados que com ela interagem, no sentido de que, quando esses tem um determinado direito reconhecido pela Administração, não podem vir a ser prejudicados, ulteriormente, por mudanças de entendimento da própria Administração sobre aquela matéria.
por ele fica vedada a aplicação retroativa de nova interpretação de norma administrativa que encontra-se consagrada no ordenamento jurídico pátrio. Ele tem previsão legal na Lei nº 9.784/99, art. 2º.
Princípio da Proporcionalidade:
Tal princípio irradia para a Administração Pública a obediência ao bom senso, moderação, prudência, proibição de excessos, equidade e valores afins. É um princípio constitucional implícito que exige a verificação do ato do poder público quanto aos seguintes caracteres: adequação (utilidade), necessidade (exigibilidade) e proporcionalidade em sentido estrito.
Assim, aplicado tal princípio à Administração Pública, impõe-se que as entidades, órgãos e agentes públicos, no desempenho das funções administrativas, adotem meios que, para a realização de seus fins, revelem-se adequados, necessários e proporcionais.
A lei nº 9.784/99 explicitou, a nível infraconstitucional, o referido princípio, exigindo da Administração Pública a observância do princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. Com efeito, prevê o seu art. 2º, caput, que a “Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência”. (EI AMOR, Meu FILÉ SECO PROPORCIONAL)
Ademais, prevê a Lei em tela, no parágrafo único do art. 2º, que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público.
Princípio da Razoabilidade:
Segundo José dos Santos Carvalho Filho, Razoabilidade é a qualidade do que é razoável, ou seja, aquilo que se situa dentro de limites aceitáveis.
O princípio da razoabilidade se fundamenta nos princípios da legalidade e da finalidade.
Os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade constituem instrumentos de controle dos atos estatais abusivos, seja qual for a sua natureza.
Princípio da Isonomia:
A Constituição Federal, no art.5º, caput, estabelece que, sem distinção de qualquer natureza, todos são iguais perante a lei. Todos devem ser tratados por ela igualmente tanto quando concede benefício, confere isenções ou outorga vantagens como quando prescreve sacrifícios, multas, sanções e agravos. Tal princípio tem a finalidade de impedir distinções, discriminações e privilégios arbitrários ou odiosos. Toda diferenciação deve estar fundamentada em uma justificativa objetiva e razoável, sendo que a violação ao princípio da igualdade restará caracterizada toda vez que o elemento discriminador for de encontro a uma finalidade albergada pelo ordenamento jurídico. É comum a distinção entre igualdade formal e material. A primeira, também conhecida como igualdade perante a lei (José Afonso da Silva), consiste no tratamento igual conferido a todos os seres de uma mesma categoria essencial. A igualdade material consiste na busca pela igualização dos desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. Para que haja uma igualdade material é necessário que o Estado atue positivamente proporcionando aos menos favorecidos igualdades reais de condições.
A Carta Magna consagra a igualdade formal, mas impõe a busca por uma igualdade material, conforme se pode depreender de vários dispositivos, dente eles, o art.3º, III que estabelece como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a redução das desigualdades sociais e regionais. As chamadas discriminações positivas ou ações afirmativas – ações que beneficiam grupos menos favorecidos para que tenham igualdade material de condições – não são vedadas pela Constituição, desde que amparadas por critérios justificáveis e albergados pelo ordenamento jurídico.
Súmula 339, STF: Não cabe ao poder judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia.
Bem, aqui vimos os principais princípios do Direito Administrativo. Alguns ficaram de fora (ex. Autotutela, Presunção de legitimidade, Continuidade dos serviços públicos, Finalidade etc) porque eu achei mais didático abordá-los quando estivermos estudando os respectivos assuntos.
Vamos sintetizar tudo?
1. Princípio da legalidade: é uma exigência que decorre do Estado de Direito, ou seja, da submissão do Estado ao império da ordem jurídica. Assim, a atividade administrativa só pode ser exercida em conformidade com a lei. Para a Administração a legalidade, ou seja, ela só faz aquilo que a lei autoriza ou permite. Para o particular a autonomia da vontade, ou seja, ele pode fazer tudo o que quiser desde que a lei não proíba;
2. Princípio da impessoalidade: exige que a atividade administrativa seja exercida de modo a atender a todos os administrados, ou seja, a coletividade, e não a certos membros em detrimento de outros, devendo apresentar-se, portanto, de forma impessoal. A impessoalidade veda a prática do nepotismo, afastando os parentes da Administração Pública (SV 3). De acordo com tal princípio a atividade administrativa exercida pelo agente público é imputada ao órgão e não ao próprio agente;
3. Princípio da Moralidade: determina o emprego da ética, honestidade, retidão, probidade, boa-fé e lealdade com as instituições administrativas e políticas no exercício da atividade administrativa;
4. Princípio da publicidade: exige uma atividade administrativa transparente, a fim de que o administrado tome conhecimento dos comportamentos administrativos do Estado. A publicidade é condição de eficácia do ato administrativo;
5. Princípio da eficiência: introduzido pela EC nº 19/1998, trouxe para a Administração o dever explícito de realizar as suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento;
6. Princípio da supremacia do interesse público: este princípio exalta a superioridade do interesse da coletividade, estabelecendo a prevalência do interesse público sobre o interesse do particular, como condição indispensável de assegurar e viabilizar os interesses individuais;
7. Princípio da indisponibilidade do interesse público: os bens e os interesses públicos não estão entregues à livre disposição da vontade do administrador. Ao contrário, cumpre a ele o dever de protegê-los nos termos da finalidade legal a que estão vinculados;
8. Princípio da motivação: por este princípio o ato administrativo deve ser motivado, seja ele discricionário ou vinculado. Quando o administrador motiva o ato, mesmo aquele no qual não é obrigatória a motivação (ex. exoneração de servidor público ocupante de cargo em comissão), ele estará vinculado ao motivo, em face da aplicação da Teoria dos Motivos Determinantes;
9. A Teoria dos Motivos Determinantes implica para a Administração a total vinculação com os motivos que apresenta para a prática do ato, dessa forma, inexistentes os motivos, o ato será anulado;
10. A Lei nº 9.784/99, em seu art. 50, § 1º, permitiu a denominada motivação aliunde ou per relationem, segundo a qual a concordância com fundamentos anteriores, informações, decisões ou propostas já é considerada
motivação do ato administrativo;
11. Princípio da Segurança Jurídica: Esse princípio também é chamado de boa-fé ou proteção á confiança, por ele fica vedada a aplicação retroativa de nova interpretação de norma administrativa.
JURISPRUDÊNCIA SOBRE O ASSUNTO DA AULA:
Princípio da Impessoalidade. Constituição Estadual pode proibir atribuição
de nome de pessoa viva a bens e logradouros públicos. ADI 307/CE, rel. Min. Eros Grau, INFO 494 – STF.
O direito constitucional de petição e o princípio da legalidade não implicam a necessidade de esgotamento da via administrativa para discussão judicial (RE 233.582/RJ, INFO 506 – STF).
A exigência de depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos como condição de admissibilidade de recurso administrativo constitui obstáculo sério (e intransponível, para consideráveis parcelas da população) ao exercício do direito de petição (CR, art. 5º, XXXIV), além de caracterizar ofensa ao princípio do contraditório (CR, art. 5º, LV) (ADI 1976/DF, INFO 461 – STF).
Súmula Vinculante 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou
arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo
QUESTÕES COMENTADAS
1. No que concerne às fontes do Direito Administrativo, é correto afirmar que: tanto a Constituição Federal como a lei em sentido estrito constituem fontes primárias do Direito Administrativo.
Apesar de cada vez menos utilizado, devido ao princípio da legalidade, o costume é uma das fontes do Direito Administrativo. A jurisprudência não é universal, utilizamos a jurisprudência pátria. Sim, a doutrina influencia na elaboração das leis. Não, a jurisprudência não obriga a Administração Pública, ela é apenas uma fonte.
2. No que concerne à Administração Pública, o princípio da especialidade tem por característica - a descentralização administrativa através da criação de entidades que integram a Administração Indireta.
A anulação faz parte do princípio da autotutela (#tutela que quer dizer controle). Órgãos são frutos da desconcentração e o princípio da especialidade está ligado à descentralização. Não há o principio da supremacia do interesse privado, mas o princípio da supremacia do interesse público. A fiscalização dos atos da administração indireta está no princípio da tutela administrativa (#autotutela que quer dizer anular/controlar seus próprios atos).
promoção pessoal atenta contra os seguintes princípios da Administração Pública: DA impessoalidade e moralidade.
Comentários: De acordo com o art. 37, § 1º da Carta Magna, a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas da administração pública, deverá ter caráter educativo, informativo e de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de um agente público ou de uma autoridade. Se tal norma for contrariada, haverá violação aos princípios da impessoalidade e moralidade administrativa.
4. Analise as seguintes proposições, extraídas dos ensinamentos dos respectivos Juristas José dos Santos Carvalho Filho e Celso Antônio Bandeira de Mello:
I. O núcleo desse princípio é a procura de produtividade e economicidade e, o que é mais importante, a exigência de reduzir os desperdícios de dinheiro público, o que impõe a execução dos serviços públicos com presteza, perfeição e rendimento funcional.
II. No texto constitucional há algumas referências a aplicações concretas deste princípio, como por exemplo, no art. 37, II, ao exigir que o ingresso no cargo, função ou emprego público depende de concurso, exatamente para que todos possam disputar-lhes o acesso em plena igualdade.
As assertivas I e II tratam, respectivamente, dos seguintes princípios da Administração Pública: - b) eficiência e impessoalidade.
Comentários: Fácil! Produtividade e economicidade só pode ser o princípio da eficiência. Bem, entendo que o concurso público é um dos melhores exemplos para o princípio da impessoalidade. Se há concurso público, todos terão a mesma oportunidade em igualdade de condições.
5. O princípio segundo o qual a Administração Pública Direta fiscaliza as atividades dos entes da Administração Indireta denomina-se - b) controle. Comentários: Aqui a FCC chamou “controle” mas poderia ter sido chamado de “tutela”. Lembrar que tutela é diferente de autotutela. Na tutela há o controle da Administração Direta sobre a Administração Indireta (descentralização). Não existe subordinação, encontrada apenas na desconcentração.
6. Sobre o princípio da publicidade, é correto afirmar:
b) Se a lei não exigir a publicação em órgão oficial, a publicidade terá sido alcançada com a simples afixação do ato em quadro de editais, colocado em local de fácil acesso do órgão expedidor.
Comentários: A veiculação dos atos administrativos deverá ser feita pela imprensa oficial que é o Diário Oficial em que a edição eletrônica já atende ao princípio da publicidade. A publicação resumida só possível quando expressamente previsto em lei. A publicidade NÃO é elemento formativo do ato administrativo (essa pergunta é SUPER repetida pela FCC), os elementos do ato são: Finalidade, Competência, Objeto, Motivação e Forma. 7. O reconhecimento da validade de ato praticado por funcionário irregularmente investido no cargo ou função, sob o fundamento de que o ato pertence ao órgão e não ao agente público, decorre do princípio - da impessoalidade.
Comentários: Pela teoria do órgão, os atos praticados pelos servidores são imputados ao próprio órgão e não ao agente público, isso é uma consequência do princípio da impessoalidade.
8. A nomeação de suplentes em comissões é feita em observância ao princípio da - continuidade.
Comentários: A justificativa aqui é a prestação do serviço que deverá ser contínua, ininterrupta. Assim, o instituto da suplência evita que por ausência do titular o serviço seja interrompido.
9. Agente público que, sendo competente e adotando regular processo disciplinar com direito ao contraditório e ampla defesa, aplica sanção administrativa de demissão a servidor que se ausentou do serviço durante o expediente, sem autorização do chefe imediato, infringe, dentre outros, o princípio da - razoabilidade.
Comentários: Razoabilidade nada mais é do que adequação entre os meios e os fins. Aqui, a aplicação da penalidade ao servidor, apesar de ter sido observado o devido processo legal, não se mostrou razoável.
10. Sobre os princípios básicos da Administração Pública, é INCORRETO afirmar:
a) O princípio da eficiência alcança apenas os serviços públicos prestados diretamente à coletividade e impõe que a execução de tais serviços seja realizada com presteza, perfeição e rendimento funcional.
b) Em observância ao princípio da impessoalidade, a Administração não pode atuar com vistas a prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas, vez que é sempre o interesse público que tem que nortear o seu comportamento.
c) Embora não se identifique com a legalidade, pois a lei pode ser imoral e a moral pode ultrapassar o âmbito da lei, a imoralidade administrativa produz efeitos jurídicos porque acarreta a invalidade do ato que pode ser decretada pela própria Administração ou pelo Judiciário.
d) O princípio da segurança jurídica veda a aplicação retroativa de nova interpretação de lei no âmbito da Administração Pública, preservando assim, situações já reconhecidas e consolidadas na vigência de orientação anterior. e) Em decorrência do princípio da legalidade, a Administração Pública não pode, por simples ato administrativo, conceder direitos de qualquer espécie, criar obrigações ou impor vedações aos administrados; para tanto, ela depende de lei.
Comentários:
a) O princípio da eficiência alcança todos os serviços públicos, sejam eles prestados diretamente pelo Poder Público ou indiretamente por meio dos concessionários e permissionários de serviços públicos.
11. A respeito dos princípios da administração pública é correto afirmar que a) se aplicam também às entidades integrantes da Administração indireta, exceto àquelas submetidas ao regime jurídico de direito privado.
b) possuem uma ordem de prevalência, situando-se em primeiro lugar os princípios da legalidade e da supremacia do interesse público sobre o privado. c) o princípio da eficiência com o advento da Emenda Constitucional nº 19/98 ganhou acento constitucional, passando a sobrepor-se aos demais princípios gerais aplicáveis à Administração.
d) se aplicam, em igual medida e de acordo com as ponderações determinadas pela situação concreta, a todas as entidades integrantes da Administração direta e indireta.
e) o princípio da moralidade é considerado um princípio prevalente e a ele se subordinam o princípio da legalidade e o da eficiência.
Comentários: Os princípios da Administração Pública se aplicam a todos os entes, sejam eles submetidos ao regime de direito público ou de direito privado. Não há uma ordem de prevalência entre os princípios, eles são harmônicos e se interpenetram.
12. O dever do Administrador Público de prestar contas
a) aplica-se a todos os órgãos e entidades públicas, exceto aos Tribunais de Contas por serem os órgãos encarregados da tomada de contas dos administradores.
b) aplica-se apenas aos agentes responsáveis por dinheiro público.
c) não alcança os particulares, mesmo que estes recebam subvenções estatais. d) não se aplica aos convênios celebrados entre a União e os Municípios, por se tratar de acordo entre entidades estatais.
conservação de bens públicos.
Comentários: Em razão dos princípios da impessoalidade e da publicidade, todos os agentes públicos responsáveis pelo zelo e administração dos bens públicos, têm o dever de prestar contas, inclusive o próprio Tribunal de Contas que é um órgão de controle.
13. Dentre os princípios básicos da Administração, NÃO se inclui o da a) celeridade da duração do processo.
Comentários: A celeridade da duração do processo não é tido como princípio da Administração, ele pode ser considerado como exemplo do princípio da eficiência. Processo rápido, célere atende ao princípio da eficiência, introduzido no caput do art. 37, CF pela EC19/98.
14. A publicidade, como um dos princípios básicos da Administração,
a) deve ser observada em todo e qualquer ato administrativo, sem exceção. b) é elemento formativo do ato.
c) é a divulgação oficial do ato para conhecimento público e início de seus efeitos externos.
d) é obrigatória apenas para os órgãos a Administração direta, sendo facultativa para as entidades da Administração indireta.
e) também pode ser usada para a promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos, salvo no período eleitoral.
Comentários: Não existe princípio absoluto. Se, por exemplo, o ato estiver ligado à questão de segurança nacional, não haverá divulgação. A publicidade não é elemento formativo do ato administrativo. Todos os entes/órgãos deverão obedecer o princípio da publicidade, sejam eles da administração direta ou indireta. A publicidade, como já visto anteriormente, não pode ser utilizada para promoção pessoal.
15. Sobre os princípios básicos da Administração, considere:
I. É necessária a divulgação oficial do ato administrativo para conhecimento público e início de seus efeitos externos.
II. O administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum.
III. O administrador público deve justificar sua ação administrativa, indicando os fatos que ensejam o ato e os preceitos jurídicos que autorizam sua prática. Estão enunciados acima, respectivamente, os princípios da
b) publicidade, legalidade e motivação.
Comentários: O ato só terá produção de efeitos externos a partir da sua divulgação (publicidade), o administrador só pode fazer aquilo que a lei autoriza, aquilo que a lei permite (legalidade), os atos administrativos devem ser motivados/justificados (motivação).
16. Sobre os princípios básicos da Administração Pública, considere:
I. O administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum.
II. Exigência de que a atividade administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional.
III. Dever de expor expressamente os motivos que determinam o ato administrativo.
As afirmações acima dizem respeito, respectivamente, aos princípios da c) legalidade, eficiência e motivação.
Comentários: Viu a importância de se fazer muitos exercícios? Questão bem parecida com a anterior! A diferença foi a inclusão do princípio da eficiência (EC 19/98) no item II – presteza, perfeição e rendimento funcional.
17. Quando se afirma que o particular pode fazer tudo o que a lei não proíbe e que a Administração só pode fazer o que a lei determina ou autoriza, estamos diante do princípio da: - a) legalidade.
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
A expressão Administração Pública tem duplo sentido: subjetivo e objetivo. Vejamos:
O sentido subjetivo, formal ou orgânico, refere-se ao próprio Estado, conjunto de órgãos e entidades incumbidos da realização da atividade administrativa, com vistas a atingir os fins do Estado, excluídos os órgãos governamentais que, como o próprio nome indica, cuidam a atividade de Governo.
Já a administração pública em sentido objetivo, material, representa o exercício da atividade administrativa realizada por aqueles entes, ou seja, é o Estado administrando. Nesse conceito não se inclui a função política do Estado.
Bem, o poder público pode repassar seus serviços a outras pessoas jurídicas, sejam elas de direito público (sujeitas às regras do direito público) ou de direito privado (sujeitas às regras do direito privado, em especial, direito civil
e comercial).
Quando o poder público descentraliza atividades e serviços para outro ente, seja de direito público ou de direito privado, fala-se em descentralização. Veja como é simples:
Descentralização por:
Delegação: Outorga:
Feita por contrato/ato Feita por lei Transfere apenas a execução
do serviço Transfere a titularidade +execução do serviço
Prazo determinado Prazo indeterminado
Ex. contrato de concessão Ex. autarquias
É fácil decorar, veja: dEscentralização = Ente = Entidade = pEssoa
Na descentralização não há hierarquia ou subordinação, mas um controle finalístico, ministerial, tutela (não é pra confundir com autotutela que é o poder que a Administração possui de anular e revogar os seus próprios atos). Dessa forma, o controle administrativo da Administração Direta sobre entidades da Administração Indireta é dito finalístico, focado que é na verificação quanto ao atingimento das finalidades para as quais foram estas instituídas. Tal controle também é chamado de tutela administrativa ou supervisão ministerial.
Exemplo de descentralização: quando a União transferiu a titularidade dos serviços relativos à seguridade social ao INSS (autarquia federal).
descOncentração = Órgão
Na desconcentração temos os órgãos, centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem.
Os órgãos são entes despersonalizados, é dizer, não tem personalidade jurídica, não são capazes de exercer, por sua conta, direitos ou assumir obrigações, ao contrário dos entes.
Exemplo de desconcentração: ministérios, secretarias, departamentos, delegacia etc.
A descentralização acontece de várias formas, vejamos:
1. Descentralização política: ocorre sempre que pessoas jurídicas de direito público concorram com competências políticas, com
competência para legislar;
2. Descentralização administrativa: ocorre a criação de entes personalizados, com poder de autoadministração, capacidade de gerir os próprios negócios, mas com subordinação a leis e a regras impostas pelo ente central;
3. Descentralização territorial ou geográfica: ocorre com entidade local geograficamente delimitada, dotada de personalidade jurídica própria de direito público, com capacidade administrativa genérica para exercer a totalidade ou a maior parte dos encargos públicos de interesse da coletividade. É o caso dos territórios;
4. Descentralização por serviços, funcional ou técnica: se verifica quando a Administração Direta cria uma pessoa jurídica de direito público ou privado e a ela transfere a titularidade e a execução de determinado serviço público;
5. Descentralização por colaboração: ocorre quando a Administração transfere a execução de determinado serviço público à pessoa jurídica de direito privado, previamente existente. Nesse caso o Poder Público conserva a titularidade do serviço, podendo dispor dele de acordo com o interesse público. O instrumento de formalização, via de regra, é um contrato ou ato administrativo unilateral.
Quem são as pessoas da Administração Indireta? AUTARQUIAS
- são pessoas jurídicas de direito público, cuja principal diferença perante os entes políticos União, os Estados-membros, Distrito Federal e Municípios é a falta de capacidade de fazer suas próprias leis (capacidade política), limitando-se à capacidade de autoadministrar-se, nos limites impostos pela lei. De acordo com a CF/1988, art. 37, XIX e XX, sua criação deve ser feita por lei específica, bem como a criação de suas subsidiárias ou a participação em empresas privadas. Tal lei é de iniciativa exclusiva do Chefe do Executivo. Espécies de autarquias:
Autarquia Territorial/geográfica: É a divisão geográfica, com personalidade jurídica própria, criada para prestar serviços genéricos à sociedade, como saúde, educação, segurança, justiça etc. Exemplos desse tipo de autarquia são os territórios federais, que atualmente não existem no Brasil, mas podem vir a ser criados (art. 33, CF/88).
Não faz parte da federação, não possuem autonomia legislativa, e são subordinados ao poder central;
Autarquia de serviços/institucional: é aquela criada por lei possuindo capacidade administrativa específica, restrita ao serviço público determinado que lhe foi imputado. Ex. INSS;
Autarquia Fundacional: é a fundação pública de direito público, a elas se aplicarão todas as prerrogativas das autarquias, ou seja, o regime jurídico de direito público;
Agência Reguladora: Com o fenômeno da desestatização, que promoveu a mudança de paradigma do Estado brasileiro, de prestador para regulador e fiscalizador, ganhou importância a presente figura da agência reguladora.
Trata-se de autarquia criada sob regime especial, com a atribuição de exercer o poder normativo das concessões e permissões de serviços públicos, competência essa que, originalmente, é do Poder Público. Sua competência, então, é de natureza exclusivamente administrativa.
Assim, exerce o poder de polícia, fiscalizando e controlando a atuação dos concessionários e permissionários. Exemplos: ANEEL, ANA, ANATEL, ANS.
Agência Executiva: É uma qualidade ou atributo de pessoa jurídica de direito público (autarquia ou fundação pública) que celebre contrato de gestão, também conhecido como acordo-programa (art. 37, § 8º, CF/88 e art. 5º, Lei Federal nº 9.637/98), para otimizar recursos, reduzir custos, aperfeiçoar o serviço público. Exemplo: INMETRO.
EMPRESA PÚBLICA & SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA
A definição de empresa pública foi dada pelo Decreto-Lei nº 200/67, em seu art. 6º, II, que dizia ser “... entidade dotada de personalidade jurídica de
direito privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo do Estado,
criada por lei (de acordo com a atual CF/88, em seu art. 37, XIX, exige-se apenas lei específica para autorização; uma vez autorizada, a criação dar-se-á por meio de decreto) para a exploração de atividade econômica, podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito.”
Da mesma forma que a empresa pública, a definição de sociedade de economia mista também foi dada pelo Decreto-Lei nº 200/67, em seu art. 6º, III, “in verbis”: “... entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima”.
Enquanto as empresas públicas devem ter 100% do capital público, nas sociedades de economia mista a participação deve ser majoritária do Poder Público, admitindo-se a participação de capital privado.
Por outro lado, as empresas públicas podem revestir-se de qualquer forma admitida em direito, enquanto que as sociedades de economia mista devem ser sob a forma de sociedade anônima. A primeira pode ser civil ou comercial; a segunda, sempre comercial.
Finalmente, enquanto a empresa pública tem foros diferentes (Justiça Federal, no caso das empresas públicas federais, e Justiça Estadual, no caso das estaduais e municipais), as sociedades de economia mista têm como foro, em geral, a Justiça Estadual.
EMPRESA PÚBLICA SOC. ECO. MISTA CAPITAL 100% PÚBLICO (PÚBLICO E PRIVADO)MISTO FORMA DE
CONSTITUIÇÃO ADMITE QQ FORMA APENAS S/A
COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DE SUAS AÇÕES A DEPENDER, PODERÁ SER JF OU JE. APENAS JE FALÊNCIA
Lei nº 11.101/2005 (Lei de Falência), art. 2º, I: “esta Lei não se aplica a empresa pública e
sociedade de economia mista” FUNDAÇÃO
- é um patrimônio personalizado, sem fins lucrativos, destinado a um fim específico. Prevê o art. 37, XIX da CF/88, que a criação de fundações será autorizada por lei específica, sendo que lei complementar definirá suas áreas de atuação. A fundação goza de privilégios tributários, ou seja, a fundação pública tem imunidade para impostos, quanto ao patrimônio, rendas e serviços vinculados às suas finalidades essenciais (art. 150, VI, a e § 2º, CF).
OS & OSCIP (TERCEIRO SETOR)
São os chamados entes de cooperação e NÃO INTEGRAM A ADMINISTRAÇÃO INDIRETA.
lucrativos, voltadas ao desempenho de atividades de interesse público, em especial nas áreas de saúde, cultura, ensino, pesquisa, tecnologia, meio ambiente que, declaradas de interesse social ou de utilidade pública, celebram contratos de gestão com a Administração Pública.
Assim, não são entidades da Administração Indireta, mas apenas pessoas jurídicas de direito privado que prestam atividades públicas através de contrato de gestão, com apoio e controle públicos.
Organizações da sociedade civil de interesse público: Elas têm finalidades semelhantes às Organizações Sociais. Contudo, não são criadas a partir da extinção de órgãos, mas sim devem atuar há pelo menos um ano no ramo de atividade em questão.
São organizações não governamentais (ONGs) que cumpriram os requisitos da lei, em especial os relativos à transparência administrativa. Cumpridos tais requisitos, a outorga da qualificação como OSCIP é ato vinculado (Lei nº 9.790/99, art. 1º, § 2º).
A Administração firma Termo de Parceria com a OSCIP para executar um plano de modernização da Administração, que, em tese, é uma necessidade temporária (Lei nº 9.790/99, art. 9º). Tal termo é uma alternativa vantajosa aos convênios, tendo maior agilidade e razoabilidade em prestar contas. Sujeitam-se ao controle do Tribunal de Contas e às regras de licitação. Serviços Sociais Autônomos: São todos aqueles instituídos por lei, com personalidade jurídica de direito privado, para ministrar assistência ou ensino a certas categorias sociais ou grupos profissionais, sem fins lucrativos, sendo mantidos por dotações orçamentárias ou por contribuições parafiscais.” (Hely Lopes Meireiles). Ex. SESI.
ORGANIZAÇÃO SOCIAL - OS ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADECIVIL DE INTERESSE PÚBLICO OSCIP
Atividades: ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação
meio ambiente, à cultura e à saúde – art. 1º
Atividades: o âmbito de suas atividades é mais amplo. Art. 3º da Lei nº 9.790/99
Entidades: sociedades, associações ou fundações, sem fins lucrativos
Entidades: a lei estabelece expressamente quais entidades não podem ser credenciadas como
OSCIP, dentre as quais algumas ONG´S, conforme art. 2º.
QUALIFICAÇÃO É ATO
DISCRICIONÁRIO QUALIFICAÇÃO É ATO VINCULADO LEI EXIGE QUE A OS POSSUA UM
CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO LEI EXIGE QUE A OSCIP POSSUAUM CONSELHO FISCAL QUESTÕES COMENTADAS
1. NÃO é característica da sociedade de economia mista: a) criação autorizada por lei.
b) personalidade jurídica de direito privado.
c) derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito público.
d) estruturação sob qualquer forma societária admitida em direito. e) desempenho de atividade econômica.
Comentários: A empresa pública pode ser constituída sob qualquer forma permitida em direito (ltda., s/a), mas a sociedade de economia mista é chata e só pode ser constituída sob a forma de s/a.
2. Analise as características abaixo.
I. Personalidade jurídica de direito público. II. Criação por lei.
III. Capacidade de autoadministração. IV. Especialização dos fins ou atividades. V. Sujeição a controle ou tutela.
Trata-se de - autarquia.
Comentários: Sociedade de economia mista e empresa pública têm personalidade jurídica de direito privado, órgão público não tem personalidade jurídica própria e fundação pode ser de direito público ou de direito privado. 3. NÃO é considerada característica da sociedade de economia mista a) a criação independente de lei específica autorizadora.
b) a personalidade jurídica de direito privado. c) a sujeição a controle estatal.
d) a vinculação obrigatória aos fins definidos em lei. e) o desempenho de atividade de natureza econômica.
Comentários: De acordo com o art. 37, XIX, da CF/88 por meio de lei específica será criada autarquia e autorizada a criação de empresa pública, sociedade de economia mista e fundação, cabendo a uma lei complementar neste último caso (fundação) definir a área da sua atuação. Assim, a sociedade de economia mista, assim como todas as outras entidades, dependem de lei específica para criar/autorizar a sua criação.
4. Constitui traço distintivo entre sociedade de economia mista e empresa pública:
a) forma de organização, isto é, forma jurídica. b) desempenho de atividade de natureza econômica. c) criação autorizada por lei.
d) sujeição a controle estatal.
e) personalidade jurídica de direito privado.
Comentários: A forma jurídica, claro! A empresa pública pode ser constituída sob qualquer forma permitida em direito (ltda, s/a etc) e a sociedade de economia mista que é chata só pode ser s/a.
5. No que diz respeito às autarquias, entidades pertencentes à Administração Indireta, a assertiva que corretamente aponta algumas de suas características é:
a) Capacidade de autoadministração e descentralização territorial. b) Descentralização por serviços ou funcional e capacidade política. c) Personalidade jurídica pública e descentralização territorial. d) Sujeição a tutela e capacidade política.
e) Capacidade de autoadministração e sujeição a tutela.
Comentários: A descentralização territorial está ligada aos territórios! Elas não tem capacidade política porque não legislam. Estão sujeitas à tutela (#autotutela) e se autoadministram, ex. Fazem concurso, licitação, celebram contratos administrativos etc.
6. A respeito das entidades políticas e administrativas, considere:
I. Pessoas jurídicas de Direito Público que integram a estrutura constitucional do Estado e têm poderes políticos e administrativos. - estatais, ex. União II. Pessoas jurídicas de Direito Público, de natureza meramente administrativa, criadas por lei específica, para realização de atividades, obras ou serviços descentralizados da entidade estatal que as criou. - Autárquicas, ex. INSS III. Pessoas jurídicas de Direito Privado que, por lei, são autorizadas a prestar serviços ou realizar atividades de interesse coletivo ou público, mas não exclusivos do Estado. - Paraestatais ou entes de cooperação, ex. 3º Setor Esses conceitos referem-se, respectivamente, a entidades - estatais, autárquicas e paraestatais ou de cooperação.
7. No que concerne ao tema sociedades de economia mista e empresas públicas, é INCORRETO afirmar:
a) O pessoal das empresas públicas e das sociedades de economia mista são considerados agentes públicos, para os fins de incidência das sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa.
b) As sociedades de economia mista apenas têm foro na Justiça Federal quando a União intervém como assistente ou opoente ou quando a União for sucessora da referida sociedade.
c) Ambas somente podem ser criadas se houver autorização por lei específica, cabendo ao Poder Executivo as providências complementares para sua instituição.
d) No capital de empresa pública, não se admite a participação de pessoa jurídica de direito privado, ainda que integre a Administração Indireta.
e) As empresas públicas podem adotar qualquer forma societária, inclusive a forma de sociedade "unipessoal".
Gabarito: D
Comentários: O capital da empresa pública é 100% público, no entanto, a sociedade de economia mista poderá ser um ente participante, já que o seu capital é misto (público + privado). Assim, a participação da sociedade de economia mista será com o capital público. Lembrando que tanto a empresa pública como a sociedade de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado.
8. Quando celebram termo de parceria com a Administração Pública, as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIPs, como entidades do terceiro setor,
a) passam a integrar a Administração Direta. b) exercem atividade privada de interesse público. c) transformam-se em empresas estatais.
d) exercem atividade de direito público.
e) não estão sujeitas a fiscalização por parte do Tribunal de Contas.
Comentários: A OSCIP faz parte do 3º setor – é pessoa jurídica de direito privado que presta serviços públicos não exclusivos do Estado e são fiscalizadas pelos tribunais de contas.
9. A descentralização por meio de delegação é efetivada quando o Estado a) realiza a transferência temporária da titularidade do serviço ao órgão responsável.
b) delega competências, no âmbito de sua própria estrutura, a fim de tornar mais ágil e eficiente a prestação dos serviços.
c) cria uma entidade e a ela transfere, mediante previsão em lei, determinado serviço público.
d) exerce o serviço público que está previsto no ato como atribuição própria sua.
e) transfere, por contrato ou ato unilateral, unicamente a execução do serviço.
Comentários:
Descentralização por:
Delegação: Outorga:
Feita por contrato/ato Feita por lei Transfere apenas a execução
do serviço Transfere a titularidade +execução do serviço
Prazo determinado Prazo indeterminado
Ex. contrato de concessão Ex. autarquias
10. Desconcentração administrativa é - repartição das funções entre os vários órgãos de uma mesma administração.
Comentários: Desconcentração trabalha com órgãos dentro da mesma pessoa jurídica, ex. a União e os seus ministérios.
11. Quando o Poder Público estabelece parceria com Organizações Sociais, assim qualificadas, sem fins lucrativos, para fomento e execução de atividades relativas à área de proteção e preservação do meio ambiente, ele o faz por meio de contrato de - gestão.
Comentários: De acordo com o art. 37, § 8º, CF o contrato é o de gestão. Atenção: OS celebra contrato de gestão e a OSCIP celebra termo de parceria.
12. Determinados entes da administração indireta serão, obrigatoriamente, submetidos ao regime jurídico de direito privado se exercerem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços. São eles: as empresas públicas e as sociedades de economia mista, apenas.
Comentários: As duas únicas pessoas da administração indireta que exploram atividade econômica (art. 173, CF/88) são as empresas públicas e as sociedades de economia mista. Lembrando que elas também podem ser prestadoras de serviços públicos, ex. Correios – empresa pública e prestadora de serviços públicos.
13. Pessoa jurídica de direito público, criada por lei, com capacidade de autoadministração, para o desempenho de serviço público descentralizado, mediante controle administrativo, é conceito de - autarquia.
Comentários: Por ser de direito público, já descartava a empresa pública e a sociedade de economia mista. Achei a questão um pouco
autarquia, assim como o consórcio público é uma autarquia (associação pública). Mas vamos pensar que essa fundação citada na letra b poderia ser fundação pública – de direito público ou fundação pública – de direito privado. Se fosse a direito privado já estaria excluída porque a questão fala em direito público. Vamos pensar também (para salvar a questão e o gabarito) que a autarquia é o gênero da qual são espécies a fundação pública e a associação, no caso, o consórcio público.
14. É característica das fundações públicas de direito público, dentre outras: • Presunção de veracidade e executoriedade dos seus atos
administrativos.
Comentários: Os bens da fundação são impenhoráveis (ela se submete ao regime de precatório, art. 100, CF), imprescritíveis e inalienáveis. As fundações públicas de direito público (ex. FUNAI) são criadas por lei (espécies de autarquia) e, portanto, não precisam de inscrição dos seus atos constitutivos. Elas estão sujeitas à licitação e se foram criadas por lei, por lei serão extintas (princípio da simetria).
15. As empresas públicas, sendo entidades da Administração Indireta,
a) podem contar com a participação de outras pessoas de direito público interno na formação do seu capital.
Comentários: As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, são autorizadas e extintas mediante lei, desempenham também atividade de natureza econômica e não têm capital privado, o seu capital é 100% público. 16. Sobre as empresas públicas e as sociedades de economia mista, é INCORRETO afirmar:
Que as sociedades de economia mista não podem ser estruturadas sob a forma de sociedade anônima.
Comentários: Ao contrário do que é dito na assertiva E, as sociedades de economia mista só podem ser estruturadas sob a forma de sociedade anônima.
17. É exemplo de ente integrante da Administração indireta, em termos da organização administrativa brasileira,
a) um Ministério.
b) uma associação pública.
c) uma organização da sociedade civil de interesse público. d) uma organização social.
e) o Distrito Federal.
direta. Já a OS e a OSCIP fazem parte do 3º setor.
18. Embora a Administração Pública indireta seja constituída de entidades de direito público e/ou de direito privado, é certo que elas têm alguns traços comuns, dentre os quais se destaca que:
a) elas têm liberdade na fixação ou modificação de seus próprios fins. - Não há liberdade, é feito mediante lei.
b) a sua criação nem sempre é feita ou autorizada por lei. - É sempre mediante lei, art. 37, XIX, CF/88.
c) a sua finalidade essencial é o lucro, que será distribuído dentre seus funcionários/ou empregados. - As autarquias, por exemplo, não buscam o lucro, são prestadoras de serviços públicos.
d) elas têm a possibilidade de se extinguirem pela própria vontade. - A criação e a extinção é feita mediante lei.
e) todas têm personalidade jurídica própria, o que implica direitos e obrigações definidas em lei. - Sim, todas as entidades da administração direta e indireta têm personalidade jurídica própria, seja de direito público ou de direito privado. Os órgãos é que não tem personalidade jurídica própria.
19. A personalidade jurídica pública é inerente a - fundações instituídas pelo Poder Público se as leis que as criarem assim dispuserem.
Comentários: Fundações instituídas pelo Poder Público se as leis que as criarem assim dispuserem, porque a lei pode dar a elas personalidade de direito privado.
20. São traços distintivos entre empresa pública e sociedade de economia mista - forma jurídica; composição do capital e foro processual.
21. Sobre as entidades da Administração indireta, considere:
I. Pessoa jurídica de Direito Público, criada por lei, com capacidade de autoadministração, para o desempenho de serviço público descentralizado, mediante controle administrativo exercido nos limites da lei. - autarquia
II. Pessoa jurídica de Direito Privado, autorizada por lei e constituída mediante qualquer das formas societárias admitidas em direito. - empresa pública.
ATOS ADMINISTRATIVOS
O conceito de ato administrativo não deve ser confundido com o de fato administrativo. Embora sejam ambos provenientes da Administração, constituem manifestações distintas do Poder Público.
a realização material no exercício da função administrativa (por isso são também chamados de atos materiais).
O fato administrativo é, portanto, uma mera realização material, de ordem prática, de execução, como a construção de uma ponte, a demolição de um prédio, a apreensão de mercadorias irregulares, a instalação de um serviço. Ou seja, é em si uma atividade pública material desprovida de conteúdo de direito.
Em regra, o ato administrativo e o fato administrativo são institutos relacionados, pois o último é consequência do primeiro. Antes de realizar o fato administrativo (realização material) a Administração vai manifestar sua vontade por intermédio do ato administrativo (conteúdo jurídico).
Partindo-se da ideia da divisão de funções entre os três Poderes do Estado, pode-se dizer, em sentido amplo, que todo ato praticado no exercício da função administrativa é ato da Administração . A expressão atos da Administração tem sentido mais amplo do que a expressão ato administrativo, abrangendo os atos de direito privado, atos materiais, atos de conhecimento, atos políticos, contratos, atos normativos e os atos administrativos propriamente ditos.
ATOS ADMINISTRATIVOS ATOS DA ADMINISTRAÇÃOPÚBLICA Atos regidos pelo direito público Atos regidos pelo direito público ou
privado Ato administrativo: declaração do
Estado ou de quem o represente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob regime jurídico de direito público e sujeito ao
controle do Poder Judiciário.
Ato da administração: todo ato praticado no exercício da função
administrativa.
espécie do gênero atos da
Administração gênero;
Assim, os atos da Administração (gênero) englobam todos os atos praticados pela Administração Pública, seja sob o regime de direito público ou sob o regime de direito privado.
Já o ato administrativo (espécie do gênero atos da Administração) é a declaração do Estado ou de quem o represente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob o regime de direito público e sujeita a controle pelo Poder Judiciário.