RPD – Revista Profissão Docente, Uberaba, v.7, n. 15, p. 117-127 jan/jul .2007 – ISSN 1519-0919 SILVA, Eduardo Alex Carvalho Ribeiroi Lívia Rodrigues Acadêmico do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas do Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas
PEREIRA ,Virgínia França Acadêmica do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas do Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas
SILVA, Lívia Rodrigues da Acadêmica do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas do Centro Federal
de Educação Tecnológica do Amazonas [email protected]
SOUZA, Victor Costa de Acadêmico do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas do Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas
[email protected] REIS, Ailton Gonçalves Mestre em Educação; Professor do CEFET-AM.
RPD – Revista Profissão Docente, Uberaba, v.7, n. 15, p. 117-127 jan/jul .2007 – ISSN 1519-0919 O livro resenhado tem como proposta central a formação dos gestores escolares, conceito entendido de forma bastante ampla, não se restringindo apenas à figura do diretor de uma unidade escolar, embora este seja o principal agente desse processo. A preocupação central dos autores foi trabalhar a gestão educacional a partir da prática desenvolvida em nossas escolas, de modo que os elementos teóricos das três áreas de conhecimento envolvidas - Educação, Administração e Tecnologia - são apresentados sempre permeando os estratos da realidade escolar.
No primeiro capítulo Myrtes Alonso, Mestra em Educação: Administração Escolar (USA) e Doutora em Educação pela PUC-SP, sob o título - A Gestão/Administração Educacional no Contexto da Atualidade retrata um pouco da relação da administração escolar com a empresarial e, como esta influencia o sistema educacional que temos. Na verdade, ao lermos o livro notamos que muitas características do contexto das empresas fazem parte do contexto educacional, como por exemplo, a descentralização e desconcentração do poder, para agilizar o processo decisório. Outro ponto importante e esclarecedor deste capítulo é a escola tradicional e seu modelo de administração. Neste sentido, a autora aborda a concepção funcionalista desta escola, com ênfase na produção, entendida aqui como acumulação de conhecimentos; fechada para o meio exterior. Neste modelo o conhecimento acontece de fora para dentro, aprender é adquirir conhecimentos. Assim, o papel do diretor resume-se em manter a ordem, cumprir a legislação, garantir o cumprimento das obrigações estabelecidas oficialmente (papéis e funções); além de representar a escola.
No entanto, com o advento da Revolução Tecnológica, características diversas revelaram uma nova concepção de ensino. Em outras palavras, a educação teve de orientar-se para a formação de pessoas conscientes e críticas, que participem ativamente
RPD – Revista Profissão Docente, Uberaba, v.7, n. 15, p. 117-127 jan/jul .2007 – ISSN 1519-0919 do social, ou seja, pessoas capazes de definer as próprias necessidades de aprendizagem e conhecimento, ao menos era essa teoria empregada por aquela concepção.
Ao resumir todas as características da escola e do papel do gestor, a autora enfatiza que o papel do gestor é uma condição necessária no contexto atual, embora esbarre na burocracia do sistema de ensino, portanto, necessita de autonomia.
O segundo capítulo, Organização e Gestão Escolar: Evolução dos Conceitos, escrito por Alexandre Thomas Vieira, Mestre em Educação e Doutorando em Educação pela PUC-SP, é dividido em quatro subcapítulos, em que o autor apresenta os estudos realizados por Taylor e Fayol que se consolidaram como modelo de gestão, continuam dominantes, embora sejam consideradas uma forma de gestão ultrapassada. Os termos utilizados na indústria passaram a ser habituais nos tratados de pedagogia e nos programas de formação em administração escolar. O autor aponta que o aparelho escolar é inseparável do modo de produção capitalista, e podemos observar que numerosas propostas pedagógicas têm sido divulgadas por instâncias governamentais, para um reconhecimento mais amplo de suas capacidades de fazer e pensar, mesmo representando uma forma mais sofisticada de atingir seus interesses econômicos – a obtenção de lucros. Apesar dessa aparente evolução, a estrutura organizacional da escola ainda não mudou, ou melhor, mudou muito pouco, na tendência de superar seu passado de reprodução a crítica das relações socioeconômicas existentes. O autor trata da falta de concordância entre os estudiosos sobre quais critérios e indicadores deveriam ser utilizados para medir a desempenho das organizações. Sendo assim, as escolas tendem a repetir os modelos de gestão de seus administradores anteriores.
RPD – Revista Profissão Docente, Uberaba, v.7, n. 15, p. 117-127 jan/jul .2007 – ISSN 1519-0919 O terceiro capitulo, Bases para a Construção de uma Nova Organização Escolar escrito pelo doutor em educação pela PUC-SP, Alexandre Thomaz Vieira, e o quarto capitulo, Cultura Educacional e Gestão em Mudança escrito pelo Doutor em Psicologia Educacional, também pela PUC-SP, Marcos T. Masetto, retratam, respectivamente discussões sobre o Homem e o Conhecimento e A escola na sociedade pós-moderna como bases para a Construção de uma Nova Organização Escolar. Aborda, logo de início, a formação necessária dos professores para entender, independente de qualquer assunto, a necessidade do entendimento do todo como forma para compreender o seu momento de situação- problema, pois cada vez mais uma adaptação rápida aos problemas com soluções plausíveis é importante para o desenvolvimento do aluno uma vez que ele desenvolva estas mesmas características.
O aluno por sua vez pode, por vários meios, adquirir informações necessárias para o desenvolvimento e sua própria lapidação, porém com o auxílio do professor orientador, o qual auxiliará o aluno a ter uma maior consistência sobre seu conhecimento. E este conhecimento passa a possuir um objetivo como muitas vezes no mundo globalizado é colocado e imposto aos funcionários como metas e diretrizes a serem seguidas. Dessa forma algumas escolas estão colocando estas idéias de formação do conhecimento, a fim de que seus alunos sejam bem sucedidos e possam levar o nome da escola, faculdade e etc. para a sociedade. Entretanto, é necessário discutir criticamente o ambiente escolar, não só para o desenvolvimento de capacidades afins ao mercado de trabalho, mas também para o senso crítico dos alunos, pois o conhecimento é sempre uma tradução, seguida de uma reconstrução.
RPD – Revista Profissão Docente, Uberaba, v.7, n. 15, p. 117-127 jan/jul .2007 – ISSN 1519-0919 Esta nova organização educacional tem como resultado ensinar os alunos a se prepararem para lidar com incerteza, a mudança e a exigência de uma aprendizagem contínua.
Portanto, o processo de aprendizagem contínua dos indivíduos de uma escola deve ser analisado dentro da concepção de gestão adotada pelasTecnologias de Informação e Comunicação disponíveis. Teorias educacionais aprendidas e construídas ao longo da vida, relacionamentos, atitudes, gestos, ações profissionais e exercer sua função administrativa discutindo mudanças na educação, tudo isso são as principais atitudes de um gestor educacional.
O capítulo Autonomia da Escola e Participação, também escrito por Alonso aborda a autonomia como um conceito relacional, que é exercida sempre num contexto de interdependências e num sistema de relações. Significa dizer então, que à escola cabe uma autonomia relativa, que se restringe, em grande parte, aos aspetos organizacionais, no sentido de permitir que ela se ajuste às necessidades locais, de forma a poder atingir seus objetivos.
O que se observa nesse caso é que se estabelece uma espécie de acordo entre os dois níveis, da unidade e do sistema, o qual ao mesmo tempo em que se amplia a liberdade da primeira, se restringe o controle do último. Um ponto importante nesse tipo de gestão é o ganho e poder das escolas para decidir sobre a alocação de recursos em geral, materiais e humanos, a partir de critérios definidos em nível central.
Conferir à escola maior poder de decisão é sem dúvida, livrá-la das amarras que constituem entraves à realização dos seus projetos. Porém, isso implica aumento de responsabilidades para os seus membros, sobretudo para o diretor.
RPD – Revista Profissão Docente, Uberaba, v.7, n. 15, p. 117-127 jan/jul .2007 – ISSN 1519-0919 O capítulo O Trabalho Coletivo na Escola e o Exercício da Liderança ainda de autoria de Alonso retrata que o trabalho coletivo é uma meta a ser perseguida pelos dirigentes escolares, uma vez que a tarefa de educar, mais que qualquer outra, é construída por uma ação conjunta dos vários personagens que atuam nesse processo. Entretanto, vários fatores concorrem pra dificultar a realização dessa meta, desde as condições de trabalho do professor, o tempo reduzido de sua permanência na escola, até a forma como está estruturada a instituição e os mecanismos de controle estabelecidos.
Portanto, o propósito de estimular o trabalho coletivo pode se apresentar como uma tarefa quase impossível. A estratégia é dar pistas que auxiliem os dirigentes escolares nessa tarefa, de modo a superar as barreiras existentes e avançar no desenvolvimento de formas mais dinâmicas e atuais de organização e gestão escolar, que permitam a integração das ações e o alcance dos objetivos educacionais pretendidos.
A liderança exerce papel importante nesse processo, garantido a participação de todos os integrantes, articulando as diferentes contribuições e elaborando sínteses, sempre que julgar necessário, para assim dar possibilidades para que o grupo avance. Supõe também a capacidade de superação de diversidade grupal e a formulação de um pensamento comum que englobe as diferenças de pensamento e aspirações, trazendo para o seu meio novas oportunidades. Para tanto, o líder desejável deve demonstrar a sua sensibilidade e compreensão para com o diferente, deve conhecer muito bem o ambiente de trabalho em que atua para poder inovar, fazendo a mediação entre sua organização e a comunidade em geral.
O capítulo Tecnologias e Gestão do Conhecimento na Escola escrito pela Especialista em Educação Maria de Almeida discuteas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), que foram inicialmente introduzidas na
RPD – Revista Profissão Docente, Uberaba, v.7, n. 15, p. 117-127 jan/jul .2007 – ISSN 1519-0919 educação para informatizar as atividades administrativas, visando agilizar o controle e a gestão técnica, principalmente a oferta e a demanda de vagas e a vida escolar do aluno e, posteriormente, incorporar uma perspectiva inovadora, com o objetivo de participar de forma integrativa em projetos extra classe, desenvolvidos com a orientação de professores em sala de aula onde estavam encarregados da coordenação e facilitação no laboratório de informática.
O uso das TICs na escola facilitou para o acesso à informação atualizada e para favorecer a criação de comunidades colaborativas para agilizar a comunicação e eliminar os muros que separam a escola da sociedade. E o papel do gestor não será apenas para promover condições para o uso das tecnologias e sim, para ser um agente mobilizador e líder na escola.
Os ambientes virtuais de aprendizagem permitem aos participantes fornecer informações, trocar experiências, discutir problemáticas e temas de interesses comuns, desenvolverem atividades colaborativas para compreender seus problemas e buscar alternativas de solução.
Todo esse sistema só será possível se houver uma integração entre todos os membros da escola, trabalhando coletivamente, para uma verdadeira
conscientização sobre a real utilização das tecnologias no processo de ensino aprendizagem. Os docentes precisam estar aptos na utilização das tecnologias e assim, poderem estar preparados para apresentarem novas formas de aprendizagem e garantirem um ensino mais didático.
Diante disso, faz-se necessário que os educadores saibam da realidade de seus alunos para poderem compreender suas dificuldades. Para todo processo de aprendizagem é preciso dedicação, disciplina e esforço, o que muitas vezes não atende aos desejos dos educandos.
RPD – Revista Profissão Docente, Uberaba, v.7, n. 15, p. 117-127 jan/jul .2007 – ISSN 1519-0919 O capítulo Gestão Inovadora com Tecnologia foi escrito por José Manoel Moram Costas, Doutor em Comunicação e professor da USP.
A primeira idéia apresentada por Costas é sobre as características que os gestores devem possuir como competência, liberdade, confiança e amizade para obterem sucesso no processo educativo. Logo na introdução, mostra idéias sobre tecnologias ligadas ao ensino, como é o caso da Internet e seus ambientes virtuais, onde o indivíduo pode pesquisar textos, receber e enviar mensagens, discutir questões em fóruns ou em salas virtuais.
Em Tecnologia na Gestão Escolar, vale ressaltar a idéia de tecnologias que o autor traz, as quais são os meios, apoio ou ferramenta utilizadas no processo de ensino aprendizagem. Nesse sentido, o giz, a lousa, o livro dentre outros são usados para o aprendizado.
Já no subtítulo - Programas Integrados de Gestão Administrativo-Pedagógica - é mencionada a idéia da introdução da tecnologia nas escolas, onde antes o computador só era usado na administração e posteriormente foi introduzido como ferramenta pedagógica. É ainda explicitado pelo autor o programa de gestão tecnológica, chamado de portal, que é muito usado na maioria das escolas e universidades do Brasil, que permite uma maior interação das instituições em pais, alunos e professores, além de possibilitar a divulgação da escola; o marketing da instituição.
Sobre programas de Gestão Pedagógica, é mostrada a tecnologia dos softwares que existem hoje no mercado e possibilitam o acompanhamento de alunos dentro de um mesmo ambiente virtual. Nesses programas são encontrados textos, vídeos e salas de discussões sobre o curso que é oferecido a distância. Em Tecnologia de
RPD – Revista Profissão Docente, Uberaba, v.7, n. 15, p. 117-127 jan/jul .2007 – ISSN 1519-0919 Gestão Pedagógica são trazidos quatro passos para a implantação de tecnologias, os quais são: garantir o acesso da tecnologia a todos; domínio técnico; domínio pedagógico e gerencial; soluções inovadoras que seriam impossíveis sem as novas tecnologias.
Por fim, Costas acredita que futuramente a comunidade escolar terá mais facilidade para dispor de tecnologias como o computador e Internet para colaborar mais ainda no processo ensino-aprendizado.
Uma visão mais ampla da situação escolar depende de inúmeros pontos da gestão escolar que influenciam direta e indiretamente na perspectiva de mudança na escola em novos tempos, não podendo deixar o processo de formação de professores ser guiado, simplesmente, pelas novas tecnologias para a aquisição de conhecimento.
Acaba-se que no que tange à melhoria da aprendizagem poucos resultados positivos são apurados em razão a falta de estrutura organizacional da escola, de tempo, de espaço, de equipamentos ou de apoio técnico e até mesmo por falta de incentivo e atitudes restritivas por parte da direção da escola, ou melhor, de uma possível gestão escolar.
Assim o mais importante é levar em conclusão de que mostrar da forma mais clara possível à educação brasileira é indiscutível, embora não haja um significado real da amplitude da educação deve se ter um conceito bem estruturado não do que seja a gestão no contexto da atualidade, mas sim uma gestão continuada do processo de ensino.
Portanto, essa nova situação escolar pode oferecer à escola um papel fundamental de extensão da família e da sociedade como um todo, formando circunstâncias favoráveis aos educadores e educandos tornando o processo de ensino e aprendizagem algo natural de ser e entender.
RPD – Revista Profissão Docente, Uberaba, v.7, n. 15, p. 117-127 jan/jul .2007 – ISSN 1519-0919 Enfim, esta obra destina-se a todos os diferentes grupos de educadores, desde o diretor e seus colaboradores na gestão escolar até os estudantes das diversas áreas da educação, e principalmente a todos os envolvidos na mudança da escola e da Educação em geral.
REFERÊNCIA
VIEIRA, Alexandre Thomaz; ALMEIDA, Maria Elizabeth B. de; ALONSO, Myrtes (orgs).Gestão Educacional e Tecnologia. São Paulo: Avercamp, 2003. 164 p.