VOCE E A REEN CARNAÇÃO
Agradecimentos
O autor declara-se profundamente grato às pessoas adiante nomeadas, cuja preciosa ajuda contribuiu decisivamente para â concretização desta obra:
Dra. Maria das Graças de Souza, Dra. Edna Jorge Ribeiro e Profa. Suzuko Hashizume pelo inestimável auxílio no preparo e revisão dos originais deste livro;
Eng. Luiz Carlos Bojikian pelo eficiente suporte técnico na composição das páginas digitalizadas desta obra.
Aos componentes da Comissão Editorial do CEAC, pela eficiência e atenção dispensada à presente obra;
Ao prezado amigo Richard Simonetti pelo prefácio que muito contribuiu para valorizar este trabalho.
Bauru, Outono de 2002. Hernani Guimarães Andrade
Ao casal amigo e respeitável modelo de honestidade, amor ao trabalho e abnegação: Sr. Yonetaro Hashizume
e Excelentíssima Esposa
Sra. Chihoyo Hashizume,com imensa admiração, carinho e estima dedico esta obra.
Sumário
A Pedra Filosofal e a Imortalidade . 15 Capítulo I
Reencarnação - conceito, resumo histórico, religiões e povos que a adotam . .19 Capítulo II
Reencarnação - significado e aceitação .30 Capítulo III
Cristianismo e a reencarnação —. * • • • • • -43 Capítulo IV
A reencarnação é uma lei natural 58 Capítulo V
Os animais e a reencarnação 69 » Capítulo VI
Qs Drusos e a reencarnação 76 Capítulo VII Reencarnaçaò e a lei de Causa e efeito
. Capítulo VIII
Como está a pesquisa da reencarnação? ‘10° Capítulo IX
Capítulo X
Reencarnação, uma lei biológica? 119
Capítulo XI
Evidências que comprovam a reencarnação .129
Capítulo XII
O caso Armed x Charlab — 139
Capítulo Xffl
O caso Gustavo. . . . .149
. Capítulo XIV
Onde estariam os pais de Mariana? • • • 162
Capítulo XV
Pitágoras e a reencarnação 171
Capítulo XVI
Reencarnação e aumento populacional • .183
Capítulo XVÏÏ
A certeza da sobrevivência e da reencarnaçao mudará o nosso comportamento? . • y
Capítulo XVIII
Intermissão entre reencarnações 206
Capítulo XIX
Reencarnação - palavras finais • • •• -220 Referências Bibliográficas • *2^2
A PEDRA FILOSOFAL E A
IMORTALIDADE
O
s alquimistas medievais, precursores dos químicos, manipulavam substâncias variadas, buscando a fórmula ideal, a decantada Pedra Filosofal, que permitiria transmutar metais menos nobres em ouro.De quebra, conferiria ao seu portador a imortalidade. Gente importante andou envolvida com o assunto, destacando-se Paracelso (1493-1541), Francis Bacon (1561-1626), Robert Boyle (1627-1691), Isaac Newton (1643-1727).
Bem, leitor amigo, no aspecto científico o propósito dos alquimistas foi concretizado pela física moderna. É possível transmutar os elementos, a partir de aceleradores atômicos.
O problema é a inviabilidade econômica. Os gastos para produzir uma pepita de ouro, do tamanho de uma cabeça de alfinete, a partir do chumbo, equivalem ao preço de muitos quilos do precioso metal.
Já no aspecto existencial, envolvendo a imortalidade, a Pedra Filosofal está à nossa disposição, desde sempre, prontinha, sem outro custo que do bom-senso para nos beneficiarmos.
Refiro-me à reencarnação.
Admitindo que já vivemos antes, estaremos assumindo nossa imortalidade, já que, obviamente, para que o Espírito reencarne, é preciso quê sobreviva à morte física.
Podemos demonstrar essa realidade a partir das pesquisas que hoje se desdobram em inúmeros países, particularmente nos Estados Unidos, na Europa e na índia.
Dentre os cientistas dedicados ao assunto, destaca- se, no Brasil, nosso querido amigo Hernani Guimarães Andrade, à frente do IBPP - Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas - que possui em seu acervo dezenas de casos, envolvendo as reminiscências espontâneas de vidas anteriores. Atento
aos rigores da investigação científica, que permite superar fantasias e superstições, evidencia que mergulhamos na carne vezes sem conta, atendendo à dinâmica da evolução espiritual.
, É algo perfeitamente lógico para quem “tem olhos de ver”, como
ensinava Jesus. Se Deus, na Oficina da Natureza, gastou milhões de anos para elaborar a vestimenta que usamos no trânsito pela came, como demonstra Charles Darwin (1809-1882], por que o Espírito, infinitamente mais complexo, haveria de surgir num átimo, num passe de divina magia?
A ideia da reencarnação é irresistível, permitindo- nos entender os mecanismos da Vida, envolvendo as diferenças sociais, culturais, físicas, intelectuais, morais e econômicas, que fazem a perplexidade daqueles que admitem a justiça e a bondade de Deus.
Nestas páginas temos reflexões valiosas, vazadas no bom senso, sob òs aspectos filosófico, científico e religioso da reencarnação, que fatalmente repercutem em nossa vida, na medida em que nos compenetremos de que somos viajores da eternidade em estágios repetidos de aprendizado no educandário terrestre, até que aprendamos as lições da Vida, habilitando-nos a viver em planos mais altos do Infinito.
É, portanto, a Pedra Filosofal da imortalidade que o nosso Hernani está lhe oferecendo nestas páginas, amigo leitor.
Sinta a maravilhosa certeza de que você viverá para sempre e que, sejam quais forem os percalços que enfrenta no presente, o futuro será sempre promissor. E como o viajante que, confiante, atravessa áridos desertos, sustentado pela certeza de que mais adiante a paisagem se modificará, descortinando promissores oásis, em gloriosa destinaçõo!
CAPÍTULO I
R EEN CA R N A ÇÃ O - CON CEITO, R ESUMO HISTÓR ICO, R ELIGIÕES E POV OS QUE A A DOTA M
“Antes de nascer, a criança já viveu; e a morte não é o fim. A vida é um evento que passa como o dia solar que renasce.J>
(Muller, 1970, p. 21)
CONCEITO
Reencarnar significa voltar à came novamente, tomar a nascer.
Reencarnação equivale a renascimento. Usa-se outro termo também:
palingenesia (ou palingênese) que etimologicamente provém dó grego:
palin g1 de novo, e gignomai = gerar, isto é: novo nascimento.
Uma palavra empregada impropriamente no mesmo sentido é
metempsicose, a qual deriva do grego, metempsykhosis, e foi levada do Egito para a Grécia por Pitágoras. Seu significado, entretanto, é um tanto diferente, pois supõe ser possível a transmigração das almas, após a morte, de um corpo para outro, sem ser obrigatoriamente dentro da mesma espécie. Alguns
filósofos gregos aceitavam esta crença.
Plotino (205-270 a.D.) e Orígenes (185-254 a.D.) contestaram a propriedade semântica do termo metempsicose. Plotino sugeriu que se o substituísse por metensomatose, uma vez que haveria, na realidade, mudança de corpo (soma), e não de alma (psykhé).
Entretanto, parece não haver nenhuma evidência observacional em apoio a essa suposição. O renascimento deve ocorrer exclusivamente dentro da mesma espécie, conforme o que se tem observado até agora.
NA ANTIGUIDADE - EGITO
Há indícios de que algumas tribos paleolíticas acreditavam na sobrevivência da alma após a morte do corpo físico.
O culto do fogo ligado ao das imagens antropomórficas e das pedras, bem como os cuidados com os cadáveres, são evidências a favor desta hipótese. (Wemert, 1948,1 vol, pp. 73-88).
Alguns antropólogos e historiadores concordam com a tese de que os paleantropídeos alimentavam a esperança de um renascimento após a morte. Por exemplo, Mircea Eliade (Universidade de Chicago) diz o seguinte:
“Por outro lado, nada impede que a posição curvada do morto, longe de denunciar o medo de ‘cadáveres vivos' (medo atestado em alguns povos),
signifique, ao contrário, a esperança de um renascimento conhecem-se, com
efeito, vários casos de inumação intencional em posição fetal.” (Eliade, 1978, Tomo I, vol. 1, p. 27).
A crença na reencarnação é antiquíssima e bastante difundida. Ela sempre constituiu o dogma básico da maioria das religiões primevas. Louis Jacolliot assim se expressa:
que se há produzido no mundo, sobre a imortalidade da alma e a origem do homem: liga-se intimamente com aquele da encarnação da divindade, nas crenças hieráticas da índia antiga.” (Jacolliot, 1892, p. 457).
É possível que a fonte mais primitiva das crenças religiosas seja o
Manarva Dharma-Sastra, mais conhecido como o “Código do Manu”. Este Código já era citado no Rig-Veda, há cerca de 1300 anos a.C., como sendo, então, muito antigo. No Livro XII, Manu o Legislador refere-se, nestes termos, ao destino das almas daqueles que morrem:
“Após a morte, as almas dos homens que cometeram más ações tomam um outro corpo, para a formação do qual concorrem os cinco elementos sutis, e que é destinado a ser submetido às torturas das zonas inferiores.
Quando as almas revestidas desse corpo sofreram as penas purificadoras, penetram nos elementos grosseiros, aos quais se unem para retomar novo corpo, voltar ao mundo e concluir sua evolução.” (Jacolliot, opus. cit. p. 461-462).
O sacerdote sebenita Manethon afirmava que a reencarnação era também dogma fundamental da religião egípcia. O Papiro Anana (1320 a.C.) diz o seguinte:
“O homem retoma à vida várias vezes, mas não se recorda de suas prévias existências, exceto algumas vezes em um sonho, ou como um pensamento ligado a algum acontecimento de uma vida precedente. Ele não consegue precisar a data ou alugar desse acontecimento, apenas nota serem-lhe algo familiares. No fim, todas essas vidas ser-lhe- ão reveladas.”
0 livro de Fontane, sobre o Egito, menciona uma referência ainda mais antiga acerca da palingênese (3.000 a.C.): “Antes de nascer, a criança já
viveu; e a morte não é o fim. A vida é um evento que passa como o dia solar que renasce.” (Muller, 1970, p. 21).
conhecimentos a respeito da reencarnação, observando as recordações de vidas passadas manifestadas por crianças. Este é o método básico usado pelo Prof. H. N. Banerjee, pelo Dr. Ian Stevenson e pelos investigadores do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas - IBPP.
A GRÉCIA
Ferecides de Siros (Pherekydes) e seu discípulo Pitágoras (Pythagoras) - contemporâneos de Buddha - foram os principais veículos das ideias reencarnatórias que fluíram do Egito para a Grécia.
De acordo com Cícero, Ferecides foi o primeiro filósofo grego a ensinar a imortalidade da alma. Pitágoras sêu discípulo afirmava recordar-se de várias encarnações pregressas. Eis algumas, a título de ilustração e por ordem de antiguidade: 1) Prostituta na Fenícia; 2) Esposa de um comerciante lojista na Lídia; 3) Agricultor na Trácia; 4) Hermotimus - Profeta que foi queimado vivo pelos seus rivais; 5)
Euphorbus - Guerreiro troiano que lutou durante a guerra de Tróia; Pitágoras ao ver a couraça que havia servido a esse guerreiro, reconheceu-a imediatamente; 6)
Pitágoras de Samos
(580-496 a.C.) filósofo e matemático grego. (Stuart, 1977, p. 134).Sócrates (469-399 a.C.) segundo Platão (427-347 a.C) ensinava a imortalidade da alma e a reencarnação. No diálogo entre Sócrates e Cebes, há uma passagem assim:
“Efetivamente, Cebes, retoma Sócrates, nada é mais verdadeiro, segundo
creio, e nós não nos enganamos em o reconhecer. E certo que há um retorno à vida, que os vivos nascem dos mortos, que as almas dos mortos existem (e que a sorte das almas boas é melhor, aquela das más é pior.)” (Platão, 3 tomo, Phedon, p. 134, XVII d).
O EPISÓDIO DE ER
No livro X da República, 614-620b, há uma das mais fascinantes passagens acerca da reencarnação, descrita juntamente com um caso de OBE (Experiência fora do corpo). Trata-se do episódio de Er, filho de Armênio, originário da Panfília.
Er foi tido por morto em uma batalha. Dez dias depois, quando eram colhidos os cadáveres já em putrefação, o seu foi encontrado intacto. Levaram-no para casa para ser cremado, mas no décimo segundo dia, quando já se achava estendido sobre a pira, retornou à vida. Após recobrar os sentidos, contou o que viu do lado de lá.
Er explicou detalhadamente a sua caminhada juntamente com outros que haviam também morrido, até o local em que as almas dos mortos são julgadas por juízes divinos e depois selecionadas, seguindo as boas em direção às regiões celestiais, e as más às regiões infernais. A ele os juízes recomendaram que se mantivesse ali, para observar tudo e relatar aos homens o que viesse presenciar a seguir.
Logo mais, Er assistiu à chegada àquele local, das almas que já houveram passado anteriormente pelo céu e pelo inferno, e que retornavam para, mais tarde, seguirem novo destino. Segundo ele soube, as recompensas e as penas duravam em média o equivalente a mil anos terrestres. Alguns sofriam mais tempo, devido à maior gravidade de suas faltas. De um modo geral, as penas eram aplicadas na razão de dez por um. Aqueles que, ao contrário, haviam feito o bem ao redor de si, que haviam sido justos e piedosos, obtinham a recompensa na mesma proporção.
Depois de estagiar na planície, por sete dias, cada grupo levantava o acampamento e viajava quatro dias, após o que chegava a um sítio de onde se avistava uma coluna de luz que atravessava todo o céu e a terra. Após mais um dia de marcha, chegava-se ao centro da referida luz, onde se acha o liame entre o Céu e a Terra. Ali estava suspenso o imenso fuso da Necessidade que faz girar todas as esferas (planetas). O próprio fuso gira sobre os joelhos da Necessidade.
No topo de cada círculo encontra-se uma Sereia que gira com ele, emitindo um som único, de uma nota apenas; e essas oito notas compõem, em conjunto, uma só harmonia (a harmonia das esferas, de Platão). Três outras mulheres, sentadas a intervalos iguais e ao seu redor, cada uma sobre um trono, as filhas da Necessidade, Lachesis,
Clotho e Atropos, cantam acompanhando a harmonia das Sereias. Elas representam: Lachesis o passado, Clotho o presente, Atropos o futuro. Quando as almas chegam àquele lugar, devem apresentar-se a
Lachesis.
E, então, umhierofante coloca-as em ordem; depois, tomando desobre os joelhos deLachesis diversos modelos de vida, sobe em um estrado elevado e fala assim:
“Declaração da virgem Ixichesis, filha da Necessidade: Almas efêmeras, vós ireis começar uma nova carreira e renascer na condição mortal. Não será jamais um gênio quem vos determinará a sorte, sereis vós mesmas que escolhereis o vosso gênio. Que a primeira designada por sorteio escolha em primeiro lugar a vida à qual será ligada pela necessidade. A virtude absolutamente não tem mestre: cada uma de vós, conforme a honre ou a desdenhe, tê-la-á ou mais ou menos. A responsabilidade pertence àquele que escólhe. Deus não será em absoluto o responsável. ” (Platão, 4 tomo,
República - 617er);
Em seguida, o hierofante deita a sorte para que cada qual obtenha o devido lugar na escolha do seu destino. Depois disso ele expõe diante das almas ali presentes os modelos de vida, em número muito superior ao dos candidatos.
Escolhidos os tipos de vida desejados, todas aquelas almas dirigiram-se a Lachesis, na ordem que se lhes fixara por sorte. Lachesis deu a cada uma o gênio que fora preferido, para servir-lhe de guardião durante a existência e fazer cumprir seu destino.
Depois os respectivos gênios as conduziram a Clotho, o qual, sob o turbilhão do fuso, fixou o destino de cada uma. Em seguida, passaram pela trama de Atropos, para tomar irrevogável o que foi fixado por
Clotho. Então, sem retomar, cada alma passou sob o trono da
Necessidade; e quando todas se reuniram do outro lado, seguiram para a planície do
Lethes, onde faz um calor terrível que queima e sufoca, porque essa planície é nua e desprovida de vegetação.
Chegada a tarde, aquelas almas acamparam às margens do Rio
Ameles, cuja água não pode ser colhida por nenhum vaso. Cada alma é compelida a beber certa quantidade daquela água. Devido à sede, muitas bebem mais do que se deve. Mas, bebendo, perde-se a lembrança de tudo, sobrevêm o esquecimento do passado. ER não bebeu daquela água; haviam-lhe proibido de fazê-lo, pois deveria conservar a memória de tudo o que testemunhara, para relatar aos seus companheiros, mais tarde.
Dessedentadas, as almas procuram dormir para descansar. Porém, em meio à noite, um súbito estrondo se fez ouvir, seguido de um terremoto. Cada alma foi repentinamente lançada em uma direção diferente nos espaços superiores, rumo ao lugar de seu renascimento, e tombaram sobre a Terra como estrelas cadentes.
Quanto a ET, sua alma retornou ao corpo que se achava sobre a pira prestes a ser cremado, despertou e logo relatou aos seus companheiros a sua excitante aventura.
ORIENTE E OUTROS POVOS
As religiões predominantes na índia são o Hinduismo forma moderna do Brahmanismo, e o Jainismo, que segue as diretrizes de
Mahavira (540 a.C.). Ambas são reencarna- cionistas.
Outra religião muito difundida no Oriente é o Buddhismo, fundada por Siddartha Gautama -o Buddha (560-480 a.C.) -que nasceu em
do Himalaia, e pertencia à tribo dos Sákyas.
A reencarnação e a lei do Karma constituem os postulados básicos do
Buddhismo. O objetivo primacial da “Doutrina Buddhista” consiste na
libertação do Samsara círculo vicioso das reencarnações sucessivas mediante a prática das virtudes prescritas na 4a. Nobre Verdade Ariyo
Atthangiko Maggo ou o nobre caminho das oito sendas.
O Buddhismo teve uma enorme difusão. Os principais países onde ele floresce há muitos anos são: índia, Ceilão, China, Vietnã, Coreua, Japão, Birmânia, Tibet, Camboja, Indonésia, Mongólia e Tailândia.
Mencionaremos apenas de passagem mais outros povos e religiões que aceitam a crença na reencarnação. Pérsia - hoje Irã -Zoroastrismo, ou
Mazdeismo, fundado por Zoroastro (500 a.C.), cujo livro sagrado é o Zend
Avesta, ensinava a reencarnação.
Os Celtas, Druidas e Teutões eram reencarnacionistas quando César os encontrou.
Na Inglaterra, a Feitiçaria ensinava a reencarnação, antes do advento do Cristianismo.
Na França, os Cátharos (Século XI e XII d.C.) adotavam a crença na reencarnação.
Na Africa, os Bagongos e Bassongos, bem como outras tribos localizadas próximo do. Rio Congo, não só creem na reencarnação, como fazem referência às marcas-de- nascença reencarnatórias (“birthmarks”).
No Alasca, os índios Tlingit e os Esquimós são reencarnacionistas. O mesmo se dá com os Peles-Vermelhas Winnibagos e os índios Chippeway. Outros países como a Thrquia e o Líbano possuem grande número de
quais aceitam a reencarnação como crença religiosa. (Stevenson, 1966).
JUDAÍSMO E CRISTIANISMO
Os antigos judeus admitiam o renascimento. A Cabala ensina a reencarnação.
Flavius Jasephus (37 a 95 a.D.), intelectual :e historiador judeu, em sua famosa obra De Bello Judaico, faz a seguinte advertência aos soldados judeus que preferiam desertar, suicidando-se:
“Não vos recordais de que todos os espíritos puros que se encontram em conformidade com a vontade divina vivem nos mais humildes dos lugares celestiais, e que no decorrer do tempo eles serão novamente enviados de volta para habitar corpos inocentes? Mas que as almas daqueles que cometeram suicídio serão atiradas às regiões trevosas do mundo inferior?,\ (Josephus, 1910).
No Velho e Novo Testamentos há várias passagens em que se notam alusões à crença na reencarnação, cultivada pelos primitivos adeptos do Judaísmo e do Cristianismo. Ei- las: Velho Testamento: Job, 1:21; Jeremias, 1:5; Malachias; 1:2- 3. Novo Testamento: Matheus, XI-.7-15; XVI:13-14, XVILlO- 13; Marcos, VIII:27-28, IX:11-13; Lucas, 1:17, VII:24-28, IX:18-19; João:l-13, VIL56-58, IX:l-3; Efésios, 1:3-5.
***
Nem todas as descobertas empíricas ou teóricas foram imediatamente aceitas e incorporadas ao sistema dominante dos conhecimentos científicos. Pelo contrário, algumas chegaram a ser energicamente combatidas.
A reencarnação evidentemente é uma das crenças mais antigas da humanidade» Ela parece apoiada nos fatos observados empiricamente pelos nossos antepassados, em todos os tempos e lugares.
Entretanto, somente agora, ela começa a conquistar o título de verdade científica e a ganhar o seu reconhecimento como lei natural.
Cremos que a maioria das pessoas admitirá a suma importância desse fato, talvez o mais signifícante no que concerne à natureza do
CAPÍTULO II
REENCARNAÇÃO
-
SIGNIFICADO
E
ACEITAÇÃO
“Naître, mourir, renaître encore et progresser sans cesse, telle est la loiM.
Allan Kardec (1804-1869)
SIGNIFICADO E ACEITAÇÃO
Reencarnar significa, simplesmente, nascer de novo em um outro corpo em formação. Nas doutrinas do Oriente é mais usado o termo renascimento, em lugar do vocábulo reencarnação. Há outra palavra de raiz grega que significa reencarnação também: palingenesia; (palin = repetição, de novo; gignomai = gerar); ou seja novo nascimento.
Há outro termo que geralmente é confundido com a reencarnação. E a metempsicose. O significado desta palavra inclui o renascimento em outras espécies inferiores ou em outros reinos além do reino animal, como o mineral e o vegetal. Esta possibilidade é excluída, por não ter nenhum apoio em observação de caráter científico realizada até agora. A metempsicose, ao que parece, fazia parte de ensinamentos exotéricos transmitidos aos não iniciados. Seu escopo seria conter os impulsos criminosos das massas humanas incultas, empregando-se a “ameaça” de um renascimento doloroso na forma de um vegetal ou de um
animal, sujeito a sofrimentos e humilhações. Equivale à condenação às penas eternas do inferno, prometida aos ímpios por algumas religiões do Ocidente.
A ideia da reencarnação é encontrada praticamente em quase todos os sistemas religiosos do mundo, mesmo entre as tribos selvagens mais afastadas umas das outras e em todos os continentes da Terra. Essa disseminação de uma crença tão uniforme é observada também entre os povos muito antigos. Este fato faz supor que a causa da crença na reencarnação deve ter-se originado de um mesmo acontecimento constatado localmente em diversas regiões e em épocas também diferentes. Ao que parece, a ideia do renascimento não resultou apenas da propagação de ensinamentos transmitidos de úm para outro grupo humano. Ela deve ter-se originado da observação dos mesmos fatos surgidos em variadas épocas e locais. Isto não exclui a possibilidade de haver também sido ministrada como ensinamentos de uma religião ou de indivíduos iniciados em conhecimentos ocultistas, avançados para aquelas épocas e, eventualmente, para a atualidade.
Quanto à antiguidade da crença na reencarnação, o Dr. Karl E. Muller diz o seguinte:
“As tradições egípcias são provavelmente mais antigas. Picone-Chiodo cita o livro de Fontane sobre o Egito, um texto pretensamente datado de 3.000 anos a. C.: Antes de nascer, a criança viveu e a morte não é o fim. A vida é um evento que passa como o dia solar que nasce” (Muller, K.E., 1978, p.23).
Os “Ka-nomes” dos dois primeiros reis da XX Dinastia Egípcia têm significados claramente relacionados com a ideia da reencarnação: Amonemhat, significa: Aquele que repete os nascimentos. Sensusert, significa: Aquele cujos nascimentos vive.
de nascimentos. (Murray, 1984, p.174).
Todas as grandes religiões são reencarnacionistas. Por exemplo: o Hinduismo; o Jainismo; o Sikismo (fundado: por Nanak, em Punjab, no Século XVI); o Budismo; o Mazdeismo (uma facção, os Parsis, aceita individualmente a reencarnação); o Maniqueismo (de onde derivam os Cátaros ou Albigeneses, do Século X ao Século - XIV quand® foram dizimados pela Inquisição); o Judaísmo (na Cabalada reencarnação está claramente expressa no livro Zohar);i o Cristianismo (inicialmente reencarnacionista, tendo abdicado a esta crença ao transformar-se em Catolicismo e Protestantismo); o Islamismo (Sura 2:28 é Sura 25:5-10-6); o Sufismo (é um ramo do Islamismo surgido um ano após a Hégira; o Sufismo ensina a reencarnação). (Lacerda, 1978).
Mencionamos essas breves informações, extraídas resumidamente da excelente obra de Nair de Lacerda, referida acima, apenas para dar uma ideia acerca das religiões às quais nos reportamos. Entretanto, reconhecemos que o simples fato da reencarnação ser objeto de crença das maiores e mais antigas religiões, com pouquíssimas exceções como o Catolicismo e o Protestantismo por exemplo, não constitui nenhuma evidência ponderável a favor da doutrina do renascimento.
Parece-nos também válido o argumento recíproco, isto é: o fato de algumas poucas religiões não aceitarem a ideia da reencarnação também não tem valor algum como
evidência contra a doutrina do renascimento, especialmente se a refutação basear-se apenas em dogmas e opiniões de autoridades. Nesta questão, o que deve considerar-se válido é apenas a evidência dos fatos.
CATEGORIAS DAS EVIDÊNCIAS
Para maior facilidade de estudo e pesquisa, as evidências de apoio à ideia da reencarnação podem dividir- se em seis categorias principais a saber:
1 Recordações espontâneas de uma ou
mais vidas anteriores, surgidas na infância.
Estas lembranças iniciam-se, mais comumente, no começo da fase elocutória.isto é, quando a criança passa a expressar-se verbalmente. Nesta ocasião o paciente costuma referir-se a fatos de uma vida anterior, fornecendo, em alguns casos, informações precisas sobre a personalidade prévia, o local onde viveu, o modo como morreu, o nome dos pais, etc. etc.. Esse período de revelações dura em média seis a sete anos. A fase de maior intensidade costuma ocorrer entre os dois e quatro anos de idade. O declínio inicia-se aos cinco anos e as recordações podem desaparecer mais ou menos aos sete anos de idade.,
Todavia, há variantes quanto à duração das recordações reencarnatórias. Há pessoas que conservam as lembranças íntegras ou parte delas, por toda a sua existência. E um dos casos de recordação em adultos, que faz parte do grupo seguinte.
Em alguns indivíduos, mesmo após haver-se
extinguido a memória dos fatos da sua anterior encarnação, podem surgir, em algumas ocasiões, surtos de lembrança de alguns episódios que já haviam sido aparentemente apagados da memória. Quase
sempre, estes lampejos mnemônicos ocorrem em virtude da associação de ideias ou da contemplação de ocorrências semelhantes às vividas anteriormente.
Parece que o esquecimento atinge apenas o nível da consciência do paciente, porque há outros tipos de lembranças que se manifestam sob a forma de comportamentos inconscientes. São as fobias, os maneirismos, as habilidades adquiridas na existência prévia, inclusive manifestações de xenoglossia, gostos alimentares e outros.
2 Recordações em adultos:
As recordações reencarnatórias em adultos podem ocorrer em diversas circunstâncias, conforme segue:
.1) Recordações iniciadas na infância e que persistiram, em parte ou totalmente, durante a vida do paciente ( ver o item anterior). .2) Lembranças de episódios de vidas passadas reveladas sob forma de
sonho. Pode ocorrer um sonho apenas, ou ter-se vários sonhos repetidos.
.3) Visões em estado de vigília, reveladoras de cenas do passado. * .4) Recordações espontâneas, sem motivo qualquer.
.5) O “déjà vu”, isto é, o reconhecimento de um lugar ou cena que nunca foram contemplados antes na presente existência.
.6) Reconhecimento de uma pessoa com a qual nunca se teve relacionamento de espécie alguma nesta existência, nem direta nem indiretamente.
2.7) Recordação de eventos ocorridos em vida anterior, provocada por associação com fatos presenciados na vida atual.
2.8) Lembranças de episódios vividos previamente, provocadas por doenças, estado febril, enfraquecimento excessivo, no momento de morrer, etc.
2.9) Memórias de vidas anteriores, despertada por ativação espontânea de faculdades paranormais.
3) Por informação:
3.1) Sonhos anunciadores; podem ser produzidos pela própria entidade que está reencarnando e que avisa aos parentes; podem ser de outra entidade que informa aos parentes quem está reencarnando. 3.2) Informações fornecidas por desencarnados, revelando quem foi a
pessoa na vida anterior.
3.3) Informação fornecida por pessoas dotadas de faculdades paranormais especiais.
3.4) Informação do próprio indivíduo, antes de morrer, prometendo voltar como filho ou filha" de determinada pessoa.
4) Por características inatas: 4.1) Genialidade.
4.2) Alguns sinais ou defeitos congênitos (marcas reencarnatórias de nascença).
5) Por investigação experimental, ou por outras causas eventuais. 5.1) Psicanálise muito profunda.
5.2) Casos de obsessão.
5.3) Hipnose ocasionando regressão de idade e daí a regressão a vidas passadas. Terapia de Vidas Passadas - TVR
5.4) Ação das drogas.
5.5) Experiências fora do corpo - EFC. 5.6) Choques traumáticos violentos. 5.7) Estados pré-agônicos. 6) Por experiências místicas: 6.1) Meditação.
6.2) Êxtase, “saínadi”, “satori”, etc.
Convém esclarecer que não é sempre que tais estados ou experiências se mostram capazes de revelar algo relativo a uma ou mais vidas progressas. Porém, pode ocorrer que tais circunstâncias sejam propícias a tal revelação. Elas foram aqui alinhadas porque têm-se registrado casos em que algumas pessoas mediante semelhantes condições obtiveram informações acerca de suas vidas progressas e que puderam ser comprovadas.
A rigor, deveriamos apresentar pelo menos um exemplo concreto de cada espécie das categorias atrás enumeradas. Todavia ultrapassaríamos os justos limites da paciência do caro leitor. Por isso, iremos mencionar apenas um caso, indicando depois as fontes bibliográficas onde o leitor mais interessado poderá encontrar um número maior de relatos enquadráveis nessas categorias.
Vamos escolher um caso da primeira categoria, isto é, de crianças que se recordam de vidas passadas. Os casos desta espécie são muito numerosos. Apresentaremos um da coleção do maior investigador da reencarnação, o Dr. Ian Stevenson, Professor de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, nos EE.UUV g)
O CASO DE BISHEN CHAND KAPOOR
Bishen Chand, nasceu em 1921, na cidade de Bareilly, Uttar Pradesh, índia. Seu pai era o Sr. B. Ram Ghulam Kapoor, untderroviário, e sua mãe a Sra. Kunti Devi.
Desde a tenra idade de dez meses, logo que começou a pronunciar, ainda mal, algumas palavras, sua família ouvia- o dizer: pilivit ou pilibhit.
Pilibh.it é o nome de uma grande cidade situada cerca de 50 Km a noroeste de Bareilly. Entretanto, a família de Bishen Chand não tinha nenhuma ligação com pessoas de Pilibhit e esse nome não representava nada de especial para seus parentes.
Mas à medida que o menino passou a expressar-se melhor, ele começou a revelar que tivera uma vida anterior em Pilibhit. Deu diversos detalhes bem precisos desta vida prévia, inclusive que seu nome era, então, Laxmi Narain, bem como se referia a um homem que considerava como seu “tio”, chamado Har Narain. Disse mais que seu pai era um “zamindar” (latifundiário, coletor de impostos).
Quando Bishen Chand estava aproximadamente com quatro anos de idade, seu pai levou-o juntamente com seu irmão mais velho, Bipan Chand, a um passeio, até Golda, uma outra cidade situada além de Pilibhit. Então ele pediu para descer do trem, dizendo que “ele morava ali”. Seu pedido foi negado; por isso ele chorou durante todo o trajeto de volta até Bareilly.
Aproximadamente um ano e meio mais tarde B. Ram Ghulam o pai de Bishen Chand ocasionalmente relatou o caso de seu filho a um outro homem. Este por seu turno contou o fato ao advogado K. K. N.; Sahay que, por coincidência, achava-se justamente naquela ocasião verão de 1926 investigando o caso de seu próprio filho, Jagdish Chandra.
K. K. N. Sahay interessou-se pelo caso de Bishen Chand também. Tendo ido visitar Bishen Chand para escrever sobre mais este episódio, ele persuadiu o pai do garoto a levá-lo para visitar Pilibhit e assim conferir as suas revelações acerca de uma vida anterior naquela cidade.
Em Io de agosto de 1926, Bishen Chand, seu irmão mais velho, o pai dos garotos e o Dr. Sahay foram a Pilibhit. Em Pilibhit, Bishen Chand reconheceu vários lugares e fez declarações adicionais a respeito de sua vida anterior. As declarações e reconhecimentos coincidiram precisamente com os fatos ocorridos em vida de um jovem chamado Laxmi Narain, que morrera em 1918, um pouco mais que dois anos antes do nascimento de Bishen Chand. Grande parte dos detalhes deste caso foram supridos pelo advogado K. K. N. Sahay e posteriormente verificados pelo Prof. Ian Stevenson . pessoalmente.
Em sua análise do presente caso, Stevenson levantou 51 itens contento as declarações e reconhecimentos feitos pelo menino Bishen Chand, em sua quase totalidade plenamente confirmados. Entre os episódios marcantes mencionaremos, a título de exemplo, o encontro de Bishen Chand com a mãe de Laxmi Narain (a identificada personalidade anterior):
Por ocasião do encontro entre a mãe de Laxmi e o garoto Bishen, apresentou-se um quadro de evidente afinidade entre ambos. Bishen Chand respondeu com impressionante precisão às perguntas
formuladas pela genitora de Laxmi Narain. Por exemplo, detalhes como o nome correto do criado pessoal de Laxmi Narain, a descrição do seu tipo humano, inclusive a casta à qual o criado pertencia. Para finalizar, ele declarou que gostava mais da mãe de Laxmi Narain do que de sua própria genitora.
Outro fato notável foi o menino Bishen Chand ter indicado com precisão onde se encontrava um tesouro em moedas de ouro, que havia sido escondido pelo pai de Laxmi Narain antes de morrer. Ninguém da família conhecia o local onde o tesouro estava ocultado, a não ser o falecido Laxmi Narain. Com as informações de Bishen Chand foi possível encontrar o referido tesouro e assim recuperá-lo para a família. (Stevenson, L, índia Cases of the Reuncarnation Type Volume I Ten Cases
in índia-, Charlottesville: University Press of Virginia, 1975, pp.176-205).
A PESQUISA ATUAL DA REENCARNAÇÁO
Podem distinguir-se duas áreas distintas da pesquisa sobre a reencarnação:
1) Pesquisa direta das evidências:
Neste tipo de investigação buscam levantar-se os casos de recordações reencarnatórias, sem visar outra finalidade a não ser o melhor conhecimento das leis que regem o fenômeno do novo nascimento. O método mais seguro e usado com bastante êxito consiste na pesquisa dos casos de lembranças de vidas anteriores manifestados em crianças. Esta preferência não prejudica a investigação das demais categorias de evidência, desde que elas, à semelhança dos casos de memória reencarnatória em crianças, propiciem seguras comprovações dos episódios, lugares e pessoas envolvidas no histórico das lembranças
reveladas pelo paciente.
2) Investigação indireta das evidências,
com vistas a outros objetivos:
Neste caso, a obtenção dos detalhes de uma ou mais vidas passadas visa uma outra finalidade. A mais comum seria sua aplicação terapêutica no tratamento de psicopatologias refratárias aos métodos convencionais.
De maneira geral, distinguem-se dois processos fundamentais para alcançar as informações acerca dos eventos ocorridos em vidas pregressas. Supõe-se naturalmente que tais acontecimentos, geralmente traumáticos, estariam ocasionando os sintomas psicossomáticos da atual existência. Então tenta-se descobri-los. Os dois métodos usados são:
1) A hipnose regressiva, ou
“regressão cronológica”:
Neste processo faz-se a hipnose prévia do paciente. Em seguida tenta-se levá-lo a regredir na idade, cronologicamente, até passar a uma vida anterior. Durante a regressão, o terapeuta sonda cuidadosamente os fatos de cada idade, a fim de descobrir quais os acontecimentos que poderiam ter implicações com os sintomas psicopatológicos do paciente. Isto é importante porque, às vezes, os distúrbios psíquicos podem ter-se originado na vida atual da pessoa. Mas a investigação de possíveis traumas em vidas anteriores pode resultar em êxito no tratamento das perturbações. Vejamos o segundo método.
seguindo a pista dos sintomas:
Este processo é recomendado pela dupla, Dr. Morris Netherton e Dra. Nancy Shiffrin, que esteve em 1981, 1982 e 1986 em São Paulo, a convite do casal Eng°. Prieto Peres e Dra. Maria Júlia P. M. Prieto Peres, introdutores da Terapia de Vidas Passadas - TVP - em nosso país e em outros da América Latina. (Nota: A sigla TVP foi adaptada posteriormente para TRVP: -TRVPeres -pela Dra. Maria Júlia P. M. Prieto Peres fundadora do atual Instituto Nacional de Pesquisa e Terapia Regressiva Vivencial Peres).
Os frequentes êxitos obtidos nesses tipos de terapia regressiva são outras tantas evidências de apoio à ideia da reencarnação. (Netherton, & Shiffrin, 1978).
As terapias regressivas têm produzido um grande contingente de psicoterapeutas sinceramente convencidos da realidade da reencarnação. Entre os mais conhecidos colocamos a Dra. Edith Fiore que afirma: “A vida que vivemos agora não é nossa primeira vida; todos já
passamos pelo mundo.” (Fiore, 1978). Outra notável psicóloga, Dra. Helen Wambach, colecionou mais de mil casos de recordações de vidas passadas. Tais fatos foram obtidos ao longo de muitos anos de clínica em que ela empregou largamente o método da regressão. Além de obter grande percentual de curas, ela pôde fazer interessantes estudos históricos, baseados nas informações de seus pacientes e em rigorosa análise estatística. (Wambach, 1981).
Outro autor desse gênero é o Dr. Arthur Guirdham que, ocasionalmente em sua clínica psiquiátrica, descobriu que uma sua paciente tivera uma encarnação entre os Cátaros, no Século XIII. Há em português duas obras desse médico, Os Cátaros e a reencarnação, 1992, e
Pensamento.
* * *'
Uma vez comprovada a realidade da reencarnação, o corolário desse fato será necessariamente a certeza da sobrevivência da individualidade após a morte do corpo físico. O número imenso de casos de reencarnação já registrados e investigados está mostrando claramente que os seres vivos inclusive o homem possuem, além do corpo físico, uma contraparte não física, mas real, imperecível e portadora de consciência, à qual têm sido dados nomes diversos ao longo da história. Verifica-se, a cada dia que passa, que a aceitação dessa realidade não está mais na dependência de fatos que a comprovem e sim tão-somente da disposição em aceitá-la.
CAPÍTULO III CRISTIANISMO E A
REENCARNAÇÃO
“Não te maravilhes de eu te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.”
(João Dl - 7) “O que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é
Espírito. ” (João UI - 6)
“O vento assopra onde quer, e ouve-se a sua voz; mas não se sabe donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” (João in - 8).
INTRODUÇÃO
Reconhecemos a grande dificuldade que envolve a exegese das Escrituras. 0 maior problema reside na complicada trama de racionalizações que há muitos anos vem sendo urdida em torno das simples informações encontradas nos textos. Por outro lado, as análises exegéticas alcançam, às vezes, somente as traduções dos livros originais. Como todos sabem, a tradução pode conter imprecisões e até deturpações do verdadeiro sentido expresso no original. Entretanto, o que vamos apresentar a seguir constitui somente um complemento quase dispensável, que visa apenas satisfazer dúvidas de pequena parcela de leitores: aqueles que ainda se apegam às . tradições religiosas e aos dogmas estabelecidos
pelos credos por eles professados.
Não pretendemos fazer exegese* profunda. Apenas exporemos Os textos como são encontrados nas versões consideradas boas, como as da Tradução Brasileira, que é uma versão direta dos originais em grego e em hebraico, e a do Pe. João Ferreira D’Almeida. Para não nos estendermos desnecessariamente, limitar-nos-emos aos evangelhos de Matheus, Marcos e João, onde a ideia da reencarnação transparece
nitidamente em várias passagens.
Não abordaremos o Velho Testamento, porque parece- nos demonstrado que os aptigos judeus aceitavam a reencarnação. Nas obras do historiador judeu Flavius Josephus há clara referência neste sentido. Ela é encontrada nas suas severas observações aos soldados judeus que preferiam suicidar-se em vez de se deixarem capturar pelos romanos.
“Não vos recordais de que todos os espíritos puros que se acham em conformidade com a vontade divina vivem nos mais humildes dos lugares celestiais, e que no correr do tempo eles são de novo enviados de volta para habitar corpos inocentes Mas que as almas daqueles que cometeram suicídio são atiradas às regiões trevosas do mundo inferior “ (o grifo é nosso). (Josephus, 1900, De Bello Judaico).
A tese dp renascimento foi condenada iiõ Concilio de Constantinopla, levado a efeito em 553 p.D. A não ser este, parece-nos que nenhum outro Concilio da Igreja tratou de matéria concernente àquele assunto. Por outro lado, o Concilio de Constantinopla não foi um Concilio geral ecumênico, portanto sua autoridade não deve ser universal. Na realidade, o Concilio de Constantinopla foi local, Além disso, ele não se reuniu para condenar propriamente a reencarnação e sim a heresia de Orígenes, que entendia terem todas as almas surgido no início da Criação, como espíritos angélicos; tendo elas pecado, apesar desta condição, foram obrigadas a* sucessivos renascimentos em corpos materiais, a fim de se purificarem. A doutrina de Orígenes, baseada na hipótese da preexistência daquelas almas é que foi objeto da condenação do Concílio de Constantinopla.
Há outro ponto importante a ser considerado. Nem todas as resoluções dos concilies ou condenações locais da Igreja conseguiram perdurar
como verdades eternas. A Igreja romana, ao taxar de heresia a doutrina do heliocentrismo de Galileu, não conseguiu manter esta posição diante das evidências de caráter científico que deram apoio ao grande Sábio. Assim, poderiamos pensar com relação ao caso da reencarnação a favor da qual há fortes evidências observacionais, obtidas por métodos científicos rigorosos. A Ciência não é onisciente nem infalível, mas ainda é um bom método para aproximar-se da verdade; talvez o melhor, por enquanto.
OS EVANGELHOS E A REENCARNAÇÁO
A simples leitura de algumas passagens do Novo Testamento faz ressaltar logo a naturalidade com que o renascimento era encarado pelos discípulos de Jesus, e por ele próprio. Vejamos algumas dessas passagens.
Matheus é o evangelista que fez maior número de referências ao renascimento de João Batista. Segundo
Matheus, João Batista era a reencarnação de Elias:
“Pois todos os profetas e a lei até João Batista profetizaram; e se quereis recebê-lo, ele mesmo é Elias que há de vir. O que tiver ouvidos, ouça. ”
(Matheus, XI, 13 a 15).
“Indo Jesus para as bandas de Cesareua de Felipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do homem Responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias, e outros: Jeremias ou algum dos profetas(Matheus, XVI13 a 14).
Nesta passagem destaca-se a naturalidade com que se encarava, não só o retorno de Elias, mas também a possibilidade da reencarnação dos demais profetas. Transparece nesta passagem que tanto Jesus como seus discípulos tinham como coisa natural o fato de um profeta tornar a nascer e continuar sua tarefa de esclarecimento e orientação dos judeus. Deviam discutir tais questões, como pode ver-se pela seguinte passagem do mesmo evangelista:
' “Perguntaram-lhe os discípulos: Por que dizem, então, os escríbas que
Elias deve vir primeiro? Respondeu ele: Na verdade, Elias há de vir, e restaurará todas as coisas: declaro- vos, porém, que Elias já veio\ e não o conheceram, antes fizeram-lhe tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer às suas mãos. Então os discípulos entenderam que lhes falava a respeito de João Batista/’ (Matheus, XVII, 10 a 13).
Em Marcos podemos 1er a mesma passagem:
“Então lhe perguntaram: Como é que os escríbas dizem que Elias há de vir primeiro? E respondendo ele disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e todas as coisas restaurará: e, como está escrito do Filho do homem, convém que padeça muito e seja aviltado. Mas digo-vos que Elias já veio, e fizeram-lhe tudo
quanto quiseram, como dele está escrito.” (Marcos, IX-, 9 a 13).
Havia profecias anteriores, anunciando a vinda de Elias, mas não especificavam quem seria a reencarnação deste profeta. Somente depois do episódio de João Batista é que ficou esclarecida tal dúvida, por parte de Jesus. Aqui está, como exemplo, a profecia de Malaquias:
“Eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia de Jeovah.” (Malaquias, IV, 5).
Referindo-se ao retorno de Elias, Lucas explica a missão de João Batista:
“Ele irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e converter os desobedientes, de maneira que andem na prudência dos justos a fim de preparar para o Senhor um povo dedicado.” (Lucas, I, 17).
Esta passagem evangélica tem servido aos adversários da ideia da reencarnação para oferecerem outra interpretação acerca do retomo de Elias. Tais exegetas acham que João Batista não era a reencarnação de Elias. Ele apenas usava o “espírito” e o “poder” de Elias, isto é, João Batista inspirava-se em Elias e pregava sua sabedoria ao povo, a fim de prepará-lo para o advento de Jesus. No entanto, o exame atento das demais passagens de Matheus, Marcos e Malaquias mostrará que a melhor interpretação é a do renascimento de Elias na personalidade de João Batista. Este possuía, não só o Espírito, como o poder daquele profeta. Tanto assim é que, em Lucas VII, 24 a 27:
“E, tendo-se retirado os mensageiros de João, começou a dizer à multidão
acerca de João: Que saístes a ver no deserto? Uma cana abalada pelo vento? Mas que saístes a ver? Um homem vestido de trajes delicados? Eis que os que andam com preciosos vestidos, e em delícias estão nos paços reais. Mas que saístes a ver? Sim, vos digo, e muito mais do que profeta. Este é aquele de
quem está escrito: Eis que envio o meu anjo adiante da tua face, o qual preparará diante de ti o teu caminho. ”
Em seguida Jesus refere-se a João Batista como sendo o maior profeta até então surgido. Nesta passagem não é insinuado que João Batista veio para ser uma espécie de “médium” de Elias. Está explícito que ele era o próprio Elias de quem falavam as profecias e era esperado como o precursor.
João Batista, pessoalmente, não parecia saber que ele próprio era Elias renascido, conforme Jesus atestava. Isto é natural, pois as recordações reencarnatórias não são tão comuns assim. Em João I, 21-25, há um episódio que mostra claramente que João Batista ignorava ser o próprio Elias reencarnado. Ali está expressoN que sacerdotes e levitas inquiriram-no para saber se realmente ele era Elias. Isto quer dizer que os doutores da lei acreditavam na possibilidade da reencarnação:
- “Eperguntaram-lhe: Pois quê? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu
profeta? E respondeu: Não.” (João I, 21).
“E perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?” (João I, 25) Como se vê, havia uma expectativa entre os sacerdotes e levitas acerca da vinda do Cristo e do profeta Elias como seu antecessor.
A admissão da palingenesia como fato natural é bem
visível na seguinte passagem:
“Jesus, ao passar, viu um homem cego de nascença. Perguntaram-lhe seus discípulos: Mestre, quem pecou para que este homem nascesse cego, ele ou os seus pais? Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais mas isto se deu para que as obras de Deus nele sejam manifestas." (João IX, 1 a 3).
Como se vê, Jesus não corrigiu o fundamento básico da pergunta. O homem era cego de nascença. Os discípulos perguntaram a Jesus se o cego teria pecado para merecer aquele castigo. Logo admitiam a reencarnação e as consequências cármicas das faltas pretéritas. Como podería ter ele pecado antes para nascer cego depois, se não fosse admitida a hipótese da reencarnação Jesus não contrariou a ideia básica, apenas informou que o fato tinha outra razão de ser; nada mais.
NICODEMOS E A REENCARNAÇÃO
Mas, de todas as passagens do “Evangelho Segundo João”, a mais esclarecedora acerca da reencarnação é a que se pode 1er em João III, la 13, cujo título é: Jesus instrui Nicodemos acerca do novo nascimento. A exegese desta passagem tem sido feita por outras religiões, forçando a interpretação no sentido de o novo nascimento ser equiparado à purificação pela água lustrai do batismo. Vamos tentar outra interpretação que nos parece mais em acordo com as crenças da época, as quais ressaltam das passagens anteriormente analisadas.
Em São João, cap. 3, Jesus instrui Nicodemos acerca do novo nascimento, e é de tal clareza a explicação dada pelo
Mestre ao seu interlocutor que os reencarnacionistas teriam, nesta passagem do Evangelho, mais uma base em que apoiar a teoria por eles defendida.
Todavia, os adeptos de alguns ramos do Cristianismo são de opinião que o versículo 5 por si só já esclarece bem a questão, uma vez que Jesus declarou:
que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.”
E afirmam que, sem dúvida alguma, Jesus queria mostrar ser impossível a salvação sem o batismo, isto é, sem o novo nascimento pela água lustrai do batismo e pelo Espírito Santo.
Os opositores à teoria da reencarnação citam apenas o versículo 5, que, tomado assim, separadamente, pode induzir outro significado. No entanto, os outros versículos esclarecem, completam e fecham sentido com o versículo 5. Vejamos:
Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (Vers. 3) (O grifo é nosso);;
Vejam bem: está aí, meridianamente compreensível, que “aquele
que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus", isto é, não pode alcançar os níveis superiores da espiritualidade. Mas Nicodemos admirou-se e, para certificar-se melhor, objetou, como qualquer um o faria, diante de tão surpreendente revelação:
sendo velho? Porventura, pode tomar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?” (Vers. 4), ;
Eis o que levava Nicodemos a não aceitar a tese: Ele somente entendia de maneira limitada a operação que possibilitaria um renascimento em tais condições. Nascer de novo, para Nicodemos, afigurava-se um retomo dentro do âmbito familiar e exclusivamente entre mãe e filho. O interlocutor parecia não ter capacidade para generalizar, para estender a um campo mais amplo a ideia do renascimento. Nicodemos pensava em termos de unidade, e Jesus veio ampliar tal conceito, mostrando sua universalidade no tempo e no espaço, encarando, nao unicamente a família de Nicodemos, mas sim toda a espécie humana. Daí o versículo 5:
“Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não
nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.”
Jesus não respondeu: Não, Nicodemos, não foi absolutamente desse tipo de nascimento que eu te falei! Foi do renascimento pela água lustrai do batismo e pela purificação daí advinda, seguida da descida do Espírito Santo. Corre, anda depressa a procurar João! Vai logo batizar-te! De maneira alguma! Jesus foi claro e inequívoco. Não corrigiu a ideia fundamental de Nicodemos; completou-a, tornando-a universal. Esta universalidade encontra-se brilhantemente sintetizada em:
“...aquele que não nascer da água e do Espírito ...” Mas, dirá você, meu caro leitor:
“Então... água não é água?”
“Então o cidadão terá de voltar à condição de protista, renascendo da água, como uma bactéria, um protozoário ou
um ser primevo qualquer? Além disso, a geração espontânea já não caiu de moda? E as experiências de Pasteur?”
E aqui onde se encontra o ponto nevrálgico da questão. Precisamos saber o que os antigos entendiam por água; qual o significado desse vocábulo, quando usado naqueles tempos; em que sentido tê-lo-ia adotado Jesus que, naturalmente, o empregou à maneira tradicional, tal como era interpretado na época. Veremos, então, que a palavra água possuía um sentido hierático, que a colocava como a matéria primordial de todo o Cosmo. Assim o entendiam os Egípcios, de onde Moisés trouxe as primeiras ideias da formulação do Gênesis:
“No início era Nun, massa líquida primordial, em cujas infinitas profundezas flutuavam confusos os germens de todas as coisas.”
IQuando começou a brilhar o Sol, a Terra foi solidificada e as águas
separadas em duas massas diferentes: uma engendrou os rios e os oceanos; a outra, suspensa no ar, formou a cúpula do céu, as águas do alto, nas quais astros e deuses, transportados por uma corrente eterna, puseram-se a navegar.”
(Maspero Histoire Ancienne des Peuples de TOrient Classique. C. 27 Resumo de antigos papiros egípcios).
Os gregos tinham ponto de vista semelhante com relação à água:
“O oceano é o progenitor dos deuses, e Tétis, a mãe.” (Homero Ilíada, C. XIV 201-302).
Homero era o eco da civilização pré-helênica (egea) e assinalava o mito comum a todas as grandes religiões das antigas civilizações orientais: babilônica, egípcia, hebraica, fenícia etc. para as quais o Cosmo derivava de um princípio úmido.
Eis o que diz Aristóteles, o filósofo que inspirou os maiores doutores da Igreja Católica:
Existem alguns, que viveram muito tempo antes da geração presente, os primeiros a cogitar dos deuses, que pensaram da mesma maneira, (que Thaïes)
com respeito à natureza. Admitiam que o Oceano e Tétis eram os progenitores da geração, e faziam jurar aos deuses pela água, chamada por seus poetas: ‘Estigia’. considerando-a a coisa mais venerável, ou seja, a mais antiga de todas. (Aristóteles A Metafísica, C. Ia. n.983, al. b)
Ouçamos o que nos esclarece Damascio:
“A teogonia de Herônimo e Helânico é narrada da seguinte forma: No começo existia somente a água que se endureceu, formando a Terra...’ (Damascio De Prima Principia V. 123).
No Gênesis de Moisés, vemos que o conceito atribuído à água é o mesmo que o emprestado à matéria fundamental do Cosmo.
“... e o Espírito de Deus movia-se sobre a face das águas. ” (Das versões populares em português).
Por conseguinte, o vocábulo água tinha um significado mais amplo. Representava alguma coisa de primordial na origem do Cosmo: era o símbolo da matéria universal, primeva, da qual se originavam todos os seres, inclusive o próprio Nicodemos, que ignorava ter de renascer dessa água, desta matéria. E Jesus, sabedor disso, foi mais explícito, mais claro. Particularizou o termo água, aplicando-o ao caso em tese, mostrando a Nicodemos um dos significados daquele vocábulo genérico:
“O que é nascido da carne, é carne, e o que é nascido do Espírito, é
espírito.” (Vers. 6)
Isto é, o que é carne só pode provir da carne. Lá está o velho aforisma da Biologia:
“Todo ser vivo tem origem em outro ser vivo; por aquelas outras palavras: O que é nascido da carne, é carne..# A matéria, aqui, está caracterizada, particularizada e identificada com um estado bem definido: carne. E, talvez para ficar bem positivo, e sem deixar sombra de dúvida, ]esus frisou logo a seguir:
Haverá explicação mais clara? Até Nicodemos acabaria por entender o que Jesus tentava ensinar-lhe de forma tão didática.
Como a vida pressupõe, também, a intervenção da alma, do Espírito, Jesus fez menção desta outra parte igualmente importante, distinguindo-a da matéria: "... o que é nascido do Espírito é espírito.” Nesta expressão caberia um aforisma semelhante ao que citamos com relação à Biologia: Todo espírito provém do Espírito, isto é, há dois princípios distintos, há um dualismo matéria-espírito, mas suas origens são diversas, e diversas são suas formas de evolução, como Jesus também fez questão de esclarecer de maneira bastante didática. Enquanto a matéria, figurada pela água e particularizada pela carne, teve sua lei genética claramente definida no imediatismo hereditário, o que é nascido da carne é carne, o espírito, por sua vez, originado do Espírito,
apresenta uma característica típica e inconfundível no concernente à hereditariedade, que o diferencia inteiramente da matéria. Ali está, no versículo 8, a revelação de uma das leis da reencarnação; o olvido, o esquecimento temporário das vidas anteriores:
“0 vento assopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.”
O Espírito originado do Espírito (grafado com E maiúsculo), não apresenta a peculiaridade da matéria viva que traz em si os caracteres hereditários dos seus progenitores. O espírito é como o vento, “assopra
onde quer e ouves a sua voz”; ou seja, manifestasse onde se fizer necessária a sua manifestação. E ouvimos a sua voz, isto é> conhecêmo-lo pelas suas ideias e não pela forma física estereotipada na carne por ele animada ...” Mas não sabes donde vem, nem para onde vai:j”; sua origem imediata é ignorada, sua encarnação anterior está olvidada; nem sabemos qual será sua próxima experiência carnal, pois o espírito não se submete às leis biológicas. O Mestre fechou o versículo com chave de ouro, acrescentando: !?.. assim, é todo aquele que é nascido do
Espírito.”
Vê-se logo que o sentido dado por Jesus de forma alguma correspondia ao Espírito Santo do batismo. Senão vejamos: Como é que aquele que é batizado fica semelhante ao vento, “assopra onde quer e
ouve-se a sua voz; mas não se sabe donde vem nem para onde vai,” E evidente que o Divino Instrutor se referia ao “espírito que é nascido do
Espírito”, e não ao neófito que, em carne mais espírito, se submetia ao batismo de João.
Mas Nicodemos recebia esses ensinamentos com o mesmo ânimo, com a mesma incompreensão daqueles que, votados unicamente às coisas da matéria, às aparências e às exteriorizações, não são capazes de
alçar vôo ainda que medianamente alto. Surpreendidíssimo Nicodemos respondeu, e disse-lhe: “Como pode ser isso?”
Nicodemos era Mestre em Israel; por isso Jesus respondeu, e disse-lhe:
“Tu és Mestre em Israel, e não sabes isto?” (Vers. 10)
O Rabi admirava-se mui justamente da ignorância do Mestre Nicodemos, pois a reencarnação era assunto corriqueiro entre os doutores da lei, entre os rabinos cabalistas. E, certamente desanimado de meter no crânio do seu interlocutor verdades tão transcendentes, lançou mão do recurso comum, invocando seu próprio testemunho como o de pessoa absolutamente acima de qualquer suspeita:
“Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho.” (Vers. 11)
“Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais” (Vers. 12)
E, assim, Jesus mostrou a Nicodemos quão longe estava ele de perceber aquelas verdades sublimes, a lei da reencarnação, o dualismo matéria-espírito, as características fundamentais do renascimento, tanto da carne como do espírito, o esquecimento das encarnações passadas, as consequências morais, filosóficas e sociais disso tudo.
Daí por diante Jesus entrou a ensinar-lhe, assim mesmo, outras grandes verdades, vers. 13-21, talvez, não para que seu discípulo as compreendesse profundamente, mas, quem sabe, para a posteridade; para aqueles que deixaram de ser Nicodemos, para aqueles que, sem ser mestres, tivessem a inteligência livre e o coração, aberto para as maravilhas da sua sublime doutrina.
CAPITULO IV A REENCARNAÇÃO É
UMA LEI NATURAL
O gênio é experiência. Alguns parecem julgar que seja um dom ou um talento, mas é o fruto de longa experiência em muitas vidas. Algumas almas são mais velhas do que outras e, por isso, sabem mais.
(Henry Ford, entrevista publicada no San Francisco Examiner).
AS RECORDAÇÕES DE VANESSA
Em 10 de setembro de 1973, D. Marcela escreveu ao Instituto
Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas IBPP uma extensa carta, da qual extraímos o seguinte trecho:
“A minha neta Vanessa, quando estava com dois anos, veio morar comigo até os dezoito anos, época em que meu marido João faleceu, a 23 de outubro de 1970.
Quando ela estava perto de completar três anos, uma tarde eu a banhava e ela me disse: ‘Vovó, eu já lhe banhei e penteei seus cabelos Então eu falei: Quando? Ela me respondeu: ‘Quando eu era a sua mãe’.
Depois, passados uns dias, eu acabara de banhá-la e a levei para uma janela. Então ela me disse: ‘Vovó, eu já morei
em um lugar assim Ela se referia a um sítio em frente, com muitas árvores. Tornei a perguntar: Quando? Ela me disse: ‘Quando eu era a sua mãe>.”,
Minha mãe chamava-se Maria do Carmo. Ela faleceu no dia 2 de agosto de 1947, com 65 anos, vítima de diabetes. Sofreu também de asma, desde criança.
casa, na Rua Agapito dos Santos, onde havia muitas árvores. Aí fiquei pensando: Será que minha mãe reencarnou-se na Vanessa?
Vanessa gostava dos pais, mas não queria ir para casa, preferiu ficar comigo. Era muito obediente e amorosa...
Um detalhe: Vanessa também sofreu de asma desde os dois anos até quase doze anos. Depois disso, somente quando está gripada é que ela sente um pouco de falta de ar.
Vanessa nasceu perto de minha casa, no dia 8 de janeiro de 1952. Tem mais dois irmãos e uma irmã.
Como eu vivia só, depois que meu marido morreu, Vanessa voltou a morar comigo logo que ela se casou.’
SERIA, VANESSA, A REENCARNAÇÁO DE
SUA BISAVÓ?
As ocasiões em que Vanessa pareceu expressar recordações reencarnacionistas foram apenas duas. Assim mesmo, achamos oportuno analisar este caso, por conter certos detalhes que apontam para uma interpretação favorável à hipótese de reencarnação. Comecemos pela primeira revelação; vamos repeti-la:
“Quando ela estava perto de completar três anos, uma tarde eu a banhava e ela me disse: ‘Vovó eu já lhe banhei e