Educação
Física
Educação
Física
PONTA GROSSA / PR 2012 ENSINO A DISTÂNCIAConstantino Ribeiro de Oliveira Júnior Flávio Guimarães Kalinowski Marcus William Hauser LICENCIATURA EM
FUNDAMENTOS
DO HANDEBOL II
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a Distância - NUTEAD Av. Gal. Carlos Cavalcanti, 4748 - CEP 84030-900 - Ponta Grossa - PR
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2009
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No contexto do ensino superior brasileiro, a UEPG se destaca tanto nas atividades de ensino, como na pesquisa e na extensão Seus cursos de graduação presenciais primam pela qualidade, como comprovam os resultados do ENADE, exame nacional que avalia o desempenho dos acadêmicos e a situa entre as melhores instituições do país.
A trajetória de sucesso, iniciada há mais de 40 anos, permitiu que a UEPG se aventurasse também na educação a distância, modalidade implantada na instituição no ano de 2000 e que, crescendo rapidamente, vem conquistando uma posição de destaque no cenário nacional.
Atualmente, a UEPG é parceira do MEC/CAPES/FNED na execução do programas Pró-Licenciatura e do Sistema Universidade Aberta do Brasil e atua em 38 polos de apoio presencial, ofertando, diversos cursos de graduação, extensão e pós-graduação a distância nos estados do Paraná, Santa Cantarina e São Paulo.
Desse modo, a UEPG se coloca numa posição de vanguarda, assumindo uma proposta educacional democratizante e qualitativamente diferenciada e se afirmando definitivamente no domínio e disseminação das tecnologias da informação e da comunicação.
Os nossos cursos e programas a distância apresentam a mesma carga horária e o mesmo currículo dos cursos presenciais, mas se utilizam de metodologias, mídias e materiais próprios da EaD que, além de serem mais flexíveis e facilitarem o aprendizado, permitem constante interação entre alunos, tutores, professores e coordenação.
Esperamos que você aproveite todos os recursos que oferecemos para promover a sua aprendizagem e que tenha muito sucesso no curso que está realizando.
SUMÁRIO
PALAVRAS DOS PROFESSO
■ RES 7
DEDICATÓRIA 9
■
OBJETIVOS & EMENT
■ A 11
REPRESENTAÇÃO GRÁFICA UTILIZADA 13
■
S
ISTEMAS DEFENSIVOS
15
SEÇÃO ■ 1- TÁTICA GERAL 17 SEÇÃO ■ 2-TÁTICA DEFENSIVA 23 SEÇÃO■ 3-TRANSIÇÃO ATAQUE E DEFESA/DEFESA ATAQUE E EXERCÍCIOS 51
S
ISTEMAS OFENSIVOS
61
SEÇÃO ■ 1- SOBRE O ATAQUE 62 SEÇÃO ■ 2-FASES DO ATAQUE 66 SEÇÃO■ 3-TIPOS DE ATAQUE E EXERCÍCIOS 69
O
GOLEIRO E O PIVÔ
81
SEÇÃO
■ 1- O GOLEIRO DE HANDEBOL E EXERCÍCIOS 82
SEÇÃO
■ 2- O PIVÔ DE HANDEBOL E EXERCÍCIOS 93
PALAVRAS FINAI
■ S 101
REFERÊNCIA
■ S 102
NOTAS SOBRE OS AUTO
PALAVRAS DOS PROFESSORES
O handebol é uma modalidade bastante prazerosa de se ensinar, aprender e de se praticar. Seus exercícios de iniciação são simples e se constituem em elementos incentivadores na aprendizagem desse esporte.
Basicamente, o handebol é uma modalidade esportiva em que uma equipe tenta tomar posse do terreno de jogo do adversário e entre os jogadores de uma equipe há necessidade de existir uma grande cooperação, senso de responsabilidade coletiva e rapidez na tomada de decisões.
No livro de Fundamentos do Handebol I, enfocamos os itens referentes aos passes, dribles, fintas e sobre as regras do handebol, onde foi propiciado aos acadêmicos a primeira abordagem para o trabalho com essa modalidade.
O presente livro – Fundamentos do Handebol II - é uma contribuição ao aprendizado do handebol nos quesitos de sistemas defensivos, sistemas ofensivos e sobre as posições do goleiro e do pivô, onde se busca com que futuros profissionais de educação física sintam-se estimulados para promover o desenvolvimento dessa modalidade esportiva nas instituições de ensino públicas e particulares.
O presente trabalho foi elaborado com base em pesquisas desenvolvidas em variadas referências e também pela experiência dos autores, que perpassam pelas situações vivenciadas pelos mesmos como atletas, árbitros e técnicos da modalidade.
Esperamos que ele cumpra seus objetivos. Sejam bem-vindos e estamos a sua disposição.
Seus Professores Constantino Ribeiro de Oliveira Júnior Flávio Guimarães Kalinowski Marcus William Hauser
DEDICATÓRIA
Dedicamos este livro aos professores Antonio Carlos Di Francisco, Gilberto de Carvalho, Luiz Alberto Pilatti e Luiz Gonzaga de Resende pelos seus brilhantes trabalhos na formação de atletas de handebol desenvolvidos em nosso município e por suas profícuas e vitoriosas atuações como técnicos dessa modalidade.
Constantino Ribeiro de Oliveira Júnior Flávio Guimarães Kalinowski Marcus William Hauser
OBJETIVOS & EMENTA
O
BJETIVO
G
ERAL
Desenvolver os conteúdos e métodos para aplicação dos sistemas ofensivos, ■
sistemas defensivos, goleiro e pivô, visando a educação física escolar.
O
BJETIVOS
E
SPECÍFICOS
Identificar as particularidades dos sistemas defensivos e ofensivos do ■
handebol.
Introduzir noções de fundamentos esportivos relacionadas às posições do ■
goleiro e do pivô.
Identificar os principais jogos pré-desportivos e suas aplicações em educação ■
física escolar, visando o aprendizado dos sistemas defensivos e ofensivos. Analisar métodos de ensino das habilidades esportivas necessárias para ■
o ensino dos sistemas defensivos e ofensivos da modalidade esportiva handebol.
E
MENTA
Sistemas ofensivos e defensivos. Tática de jogo. Indicações de conteúdos ■
da modalidade nos diversos ciclos da escolarização. Jogos pré-desportivos. Trabalho do pivô e do goleiro. Regras básicas e possibilidades de adaptação aos objetivos propostos.
REPRESENTAÇÃO
GRÁFICA UTILIZADA
Bola 1. ... Trajetória da bola 2. ... Trajetória do jogador 3. ... Jogador com a bola4. ... Jogador em movimento
5. ... Jogador saltando
6. ... Jogador fazendo giro
7. ... Trajetória da bola indo e voltando
8. ... Trajetória do jogador indo e voltando
9. ...
Jogador correndo de costas
10. ... Bola demonstrada abstratamente
11. ...
Representação dos lados: D (direito); E (esquerdo); F (frente); C (costas) 12.
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undamentos do Handebol II
S
istemas Defensivos
CONSTANTINO RIBEIRO DE OLIVEIRA JÚNIOR
FLÁVIO GUIMARÃES KALINOWSKI
MARCUS WILLIAM HAUSER
O
BJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Ao término desta unidade você será capaz de: Compreender a função da tática de jogo; ■
Conhecer os sistemas táticos defensivos. ■
R
OTEIRO DE ESTUDOS
SEÇÃO ■ 1: Tática geral SEÇÃO ■ 2: Tática defensivaSEÇÃO 3: Transição ataque e defesa/defesa ataque e exercícios ■
UNID
Universidade Aberta do Brasil
PARA INÍCIO DE CONVERSA
Como visto no livro de Fundamentos do Handebol I, você, como futuro profissional de educação física, atuará na área da licenciatura e sua responsabilidade dentro da escola será muito mais que ensinar gestos técnicos das modalidades esportivas. Além de formar cidadãos, no tempo e espaço destinado à aula de Educação Física, você terá a responsabilidade de ser o interlocutor para que seus alunos compreendam a lógica do handebol. Agora centrando atenção aos aspectos táticos da modalidade.
Neste início de conversa, você será instigado a pensar no papel que a tática ocupa nas relações entre indivíduos, grupos e na sociedade como um todo. Mesmo tendo como foco desta unidade instigar você a compreender o papel do termo “tática” no handebol, cabe destacar que a tática está envolvida no seu cotidiano. Pois, a cada momento as relações entre indivíduos, entre grupos e no seio da sociedade estão permeadas de decisões que levam em consideração o cenário. Sendo assim, ter consciência sobre o que ocorre no seu entorno, permite a você definir a melhor tática para agir no momento adequado. Portanto, esta unidade apresentará a função da tática defensiva no trabalho com o handebol.
Os assuntos tratados nesta unidade, composta de três seções, partem da lógica de que uma equipe adversária deve ser impedida de concretizar seu objetivo. Ou seja, marcar o gol. Para que isso ocorra, a equipe, na posição defensiva, deve identificar a estratégia adversária e assim, identificando, deve lançar mão de recursos individuais, de grupo e de equipe para frustrar o plano adversário e recuperar a posse de bola.
Ou seja, você terá contato com alternativas táticas de jogo na defesa.
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undamentos do Handebol II
SEÇÃO 1
TÁTICA GERAL
Lugar e preferência. Esses dois termos já foram apresentados a vocês em outras disciplinas de seu curso. “Lugar” aqui se refere ao ponto em que você se encontra para que faça suas escolhas. “Preferência” diz respeito às escolhas feitas por vocês para que se possa avançar frente a uma decisão a ser tomada.
Pois bem. Nesta disciplina, entende-se como lugar o espaço em que você estuda para conquistar a licença para atuar como professor no ensino formal. Preferência seria o termo para designar a seleção de informações e conteúdos vinculados aos aspectos táticos da modalidade em questão.
VOCÊ PODE SE PERGUNTAR: AONDE SE QUER CHEGAR COM ESSA
ARGUMENTAÇÃO INICIAL?
No entendimento de que você terá um universo muito mais amplo a estudar do que o limite dos conteúdos apresentados nesta unidade. Na compreensão de que os aspectos táticos a serem vistos aqui possuem um recorte específico, que tem como finalidade inseri-lo na discussão sobre o tema. Como exemplo, você poderá ler nas argumentações iniciais de Simões (2008). Para este autor, os aspectos táticos ligados aos aspectos defensivos devem ser vinculados a “diferentes postos específicos defensivos” (SIMÕES, 2008, p. 18). Ele vai além. Propõe a ideia de que “todas as intervenções técnicas e táticas têm sua essência a partir da posição base” (Ibidem).
Universidade Aberta do Brasil As argumentações iniciais de Simões são mais específicas. Para ele, “muitos profissionais vivem em função da aplicação de exercícios encontrados em livros e apostilas” (Ibidem). Como proposta a essa situação, interpretada por nós como uma ação de simples reprodução de informações, Simões propõe em seu livro a discussão conceitual dentro de esquema, articulado numa perspectiva “conceitual, referencial e operacional no qual os exercícios obedecem a certas regras de verificação” (Ibid, p. 19).
Você pode depreender do contexto apresentado por Simões algumas situações. Entre elas, a de que a investigação individual para aprofundar informações contidas em livros e apostilas é essencial para que você construa uma bagagem teórica sobre o tema em foco. Ao mesmo tempo, coloca em alerta a situação de que não basta ter a informação e reproduzi-la. A compreensão (tanto sua quanto a dos alunos que você irá trabalhar) é essencial para que em situações vivenciadas na quadra, indivíduos, grupo e equipe possam agir de acordo com sua autonomia e leitura do contexto vivenciado. Contexto este que é mais complexo do que se poderia imaginar.
Diferentes postos específi cos defensivos? Posição base?
Ok. Alerta dado! Mas começar por onde?
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undamentos do Handebol II
Essa é uma preocupação interessante. Interessante pelo fato de que já lhe foi alertado que para pertencer a uma determinada área ou grupo, você necessita decifrar e compartilhar determinados códigos (postos específicos, posição base, etc.). No caso desta disciplina, o básico sobre a tática deve ser trabalhado. Portanto, a preferência se manifesta neste contexto. Entre a vasta bibliografia existente, optou-se, nesta unidade, recorrer como fonte principal às informações contidas na obra de Martini (1983).
Essa escolha se dá pelo fato de que se entende que essa obra permite uma descrição detalhada sobre a tática e seus princípios. Porém, fica a ressalva de que a busca por autores mais recentes permitirá a você a complementação sobre o assunto tratado. Essa descrição detalhada lhe permitirá conhecer, ao menos, os aspectos básicos necessários para um aprofundamento futuro.
O que é tática? Existe diferença entre tática geral e defensiva?
O entendimento sobre o termo pode ser resgatado por meio de Fernandes (1996, p. 594) que o apresenta como “a arte de dispor e ordenar as tropas em posições e terrenos favoráveis para o combate”.
O conceito apresentado serve para que você se inspire para pensar o handebol. Dispor e ordenar as tropas. No caso do handebol, foi visto no primeiro livro que a equipe no terreno de jogo é composta por sete jogadores. Ou seja, a “tropa” seria a sua equipe. E o terreno a ser utilizado seria a quadra, e o combate entre duas “tropas” seria a sua equipe e a adversária.
Mas como dispô-los e ordená-los para colocá-los em situações favoráveis de combate?
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Martini (1983) utiliza de conceito mais específico de tática relacionada ao handebol tendo por base Harre e Mahlo e apresenta princípios gerais a serem considerados para que se possa responder a questão formulada no destaque anterior. Para ele, tática seria
[...] o conjunto dos processos de ataque e de defesa individuais e de equipe, que são utilizados com base nas regras de jogo, no modo de luta do adversário e nas várias situações de jogo e com a ajuda das quais deve ser baseada a concepção de confi guração do jogo para conseguir resultado ótimo (Ibid., p. 117).
O conceito de processos técnicos foi apresentado na disciplina de Fundamentos do Handebol I. Ou seja, seria um recurso para entender os fundamentos do handebol de forma isolada ou em conjunto com outros fundamentos. Daí a divisão entre processos técnicos simples e complexos.
Também as regras do jogo foram exploradas por você tanto no livro didático quanto nas aulas práticas. Neste livro, cabe reconhecer como se estrutura o modo de luta do adversário em situações variadas de jogo. As configurações de jogo veremos com relação à lógica de trabalho a ser implementada de acordo com as idades dos alunos. Justamente por pensar em aluno é que se entende o conceito de tática de Martini como adequado. Por quê? Pelo fato de se pensar em resultado ótimo.
Lembre-se da diferença que se apresentou entre rendimento ótimo e máximo. Com base em Kirsch, Koch e Oro (1983) visualizou-se, no primeiro livro, de que o rendimento máximo se refere à lógica
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undamentos do Handebol II
aquele em que se procura cumprir com os objetivos determinados e, por meio desta ação, busca-se uma otimização da prática.
Considere essa ideia de resultado ou rendimento ótimo. Com base nele, pense nas possibilidades de se entender o jogo na lógica dos princípios táticos gerais propostos por Martini (1983, p. 117)
Jogar taticamente disciplinado; Auxílio mútuo;
Preparação e execução no momento exato; Criação de superioridade numérica;
Antevisão das ações dos jogadores da sua equipe e dos adversários.
Pense essas situações no contexto das aulas práticas feitas por você na disciplina de Fundamentos do Handebol I. Como pensar em jogar taticamente disciplinado? A ideia de transição seria um exemplo. Quem não tem ideia do que acontece em quadra, corre para o ataque num momento em que sua equipe ainda está defendendo e precisando do seu auxílio. Portanto, ter a leitura adequada do jogo prevê compreender a tática para ser disciplinado no jogo.
Com essa disciplina não se quer dizer que o aluno não possa ser criativo e autônomo. Deve sim usar a criatividade, no entanto, tendo a leitura sobre tudo que ocorre no terreno de jogo.
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O auxílio mútuo é um dos princípios mais importantes. Tanto no ataque quanto na defesa, sem a utilização do mesmo o jogo se tornaria individualizado ao máximo. Nesse contexto, o drible acabaria sendo um dos principais fundamentos. Porém, como visto, o passe e a recepção são dois processos técnicos importantíssimos no jogo. E para a boa execução dos mesmos, o auxílio entre jogadores torna-se essencial.
São diversas as situações em que o auxílio é requisitado tanto na defesa quanto no ataque. Por isso, a necessidade de amarrá-lo com outro princípio que seria a preparação e execução no momento exato e a superioridade numérica. Caso não exista comunicação entre os pares, não haverá auxílio nem coordenação de movimentos para se preparar uma ofensiva ou defensiva. A superioridade numérica é um princípio pelo qual os jogadores conseguem sobrepor sua tática frente ao adversário, sempre dominando melhor o espaço de jogo.
Qual é a situação em que você terá melhor possibilidade de êxito?
Marcando dois adversários ou tendo o auxílio de um colega para marcar um oponente?
Daí a ideia de auxiliar e criar a superioridade numérica num determinado espaço.
Entre os princípios elencados por Martini (1983) você encontrará a necessidade de antevisão das ações dos jogadores da sua equipe e dos adversários. Não existe como auxiliar o colega, criar superioridade numérica, preparar e executar ações em momentos exatos se você não estiver atento para o que ocorre no terreno de jogo.
Para demonstrar a importância deste princípio, basta relembrá-lo de que na execução dos fundamentos técnicos você foi alertado para a utilização do recurso da visão periférica. Ao mesmo tempo em que a visão está focada na recepção de uma bola, a atenção está situada no entorno. Ao primeiro sinal de movimentação do jogador oponente, você se deslocará para auxiliar seu colega para que ocorra o passe e a recepção sem
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undamentos do Handebol II
passando a bola. Ao perceber a movimentação do colega e do adversário, o passe pode ser acelerado ou retardado, conforme a necessidade. Daí a importância em ficar atento para essa movimentação.
Para encerrar esta seção, basta lembrá-lo de que a compreensão sobre a tática está inserida numa lógica de ação que envolve indivíduo, grupo e equipe. Essa distinção será explorada adiante.
SEÇÃO 2
TÁTICA DEFENSIVA
Você inicia essa nova seção com o objetivo de compreender o que vem a ser a tática defensiva. Antes, porém, faz-se necessário discutir sobre os motivos que levaram a decisão de iniciar esta unidade pela lógica da tática defensiva.
Nas aulas práticas da disciplina de Fundamentos do Handebol I, você trabalhou os movimentos no terreno de jogo. Esses movimentos são considerados a base para o desenvolvimento do jogo. Portanto, tanto o “sprint”, como a parada brusca, a mudança de direção simples ou dupla, a corrida para trás, corrida lateral, como as corridas em curva são movimentações no terreno de jogo sem ou com bola que podem ser utilizadas tanto para o ataque quanto para a defesa.
Marcar é uma ação que nem sempre é privilegiada nas aulas práticas. Existe preferência pelos praticantes do handebol em atacar. Seja pelo fato de estar de posse de bola, seja pela possibilidade imediata de se marcar um gol. De qualquer forma, marcar não tem sido a preferência de muitos durante o jogo.
Vale salientar que no momento em que você pensar a metodologia e o planejamento do ensino do handebol, você precisa entender que na bibliografi a da área do handebol se afi rma que a parte defensiva deve ser privilegiada depois que se domine os elementos do ataque.
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No entanto, existem alguns ditos populares que apontam que a defesa é o melhor ataque. No caso do handebol, defender é uma ação que tem sua definição em dois momentos do jogo:
a) no início dele, após o sorteio, em que uma equipe inicia com posse de bola ou;
b) no momento em que se perde a posse de bola.
Qual momento seria esse?
Você cometeu uma infração e o árbitro apita. Nesse momento, você já não possui a posse de bola e toda ação individual volta-se para a recuperação dessa bola.
A ideia é a de que uma partida será iniciada e sua equipe não venceu o sorteio. Por esse motivo, você iniciará na defesa e sua equipe terá dois objetivos. Primeiro, evitar que a equipe adversária faça um gol e, segundo, tomar a posse de bola do adversário.
Nesse contexto, quais são os conceitos que você deve dominar para alcançar esses dois objetivos?
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undamentos do Handebol II
lembrar o conceito trabalhado na primeira seção, referente ao conceito geral de tática. Principalmente ao que se refere à ocupação do terreno de jogo.
Para atender a ementa desta disciplina e pensar numa sequência de apresentação da tática defensiva no sentido de auxiliá-lo na compreensão de sua utilização, nesta seção serão utilizados Martini (1983) e Ehret et.al. (2002).
Martini (1983, p. 152) apresenta a tática defensiva como “todas ações individuais, de tática de grupo e de equipe, na luta com o ataque adversário”. Desta citação fica a necessidade de compreender quais seriam as ações individuais, de grupo e de equipe necessárias para se constituir uma defesa eficiente.
Mas antes de você usar o filtro acima, cabe apresentar o que Martini estabelece como as bases da tática defensiva: “Segurança de um equilíbrio defensivo; Recuperar a tempo para a defesa; Distribuir os adversários; Ataque firme adversário que está de posse da bola” (1983, p. 152).
Porém, como realizar essas ações e em que momento?
Os conceitos apresentados como base levam em consideração o desenvolvimento do jogo como um todo. Como a proposta é pensar no início do jogo, você pode recorrer para Ehret et. al (2002, p. 65) quando é apresentado a estrutura metodológica da tática de defesa no treinamento infanto-juvenil.
Na proposta de Ehret et. al (2002), a lógica de utilização do handebol é apresentada numa cultura alemã. Naquele espaço, o treinamento considera três momentos. O primeiro chamado de “Formação básica”, o segundo de “Treinamento de base” e o terceiro de “Treinamento de construção”.
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Essa lógica é apresentada no volume um de publicação deste autor, com a preocupação em trabalhar crianças de seis (6) a dez, onze/12 anos, iniciando com a lógica de domínio dos elementos ofensivos para depois trabalhar os defensivos. No entanto, a lógica defensiva segue um padrão que vai da marcação individual na quadra toda, delimitando posteriormente para a metade da quadra e por fim próximo à área de goleiro. Essa direção permitirá a construir uma “pré-forma da marcação zona e combinada”. Essa é a ideia para trabalhar a redução de espaço de marcação até chegar à lógica de que cada jogador é responsável pela marcação de seu oponente numa área delimitada.
A lógica do treinamento de base também se divide em dois momentos. No primeiro, existe a preocupação em variar a marcação individual e num segundo, a defesa configurada como “defesa 1:5 (defesa 3:3 individual combinada com defesa por zona como por exemplo na defesa 3:0+3)” (EHRET et. al. p. 65). Essa proposta é trabalhada no volume dois e pretende trabalhar com jovens de 13/14 anos.
Já o treinamento de construção é utilizado para designar a defesa chamada de 3:2:1 em relação à bola, ofensiva e defensiva e com transição de 4:2 para 6:0. Defesa 6:0 e variações de acordo com o jogo. Essa proposta está detalhada no volume três e prevê o trabalho com alunos entre 15/16 e 17/18 anos.
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undamentos do Handebol II
Pois, as nomenclaturas foram inseridas anteriormente para instigá-lo a pensar como se constrói a configuração da defesa no handebol a partir da divisão dos jogadores no terreno de jogo. Trataremos desta informação mais à frente. Cabe agora pensar na lógica da tática defensiva por meio dos filtros individual, grupo e equipe.
TÁTICA DEFENSIVA INDIVIDUAL
O que signifi ca essas nomenclaturas apresentadas nessa sequência?
O que vem a ser a tática defensiva individual?
Novamente recorra a Martini. Para este autor, significa a “capacidade de o jogador se opor ao adversário atacante” (1983, p. 153). Tecnicamente foi verificado que essa oposição deve ser feita de acordo com as regras. Ou seja, deve-se utilizar o tronco para desviar ou bloquear a passagem do adversário. Para que o aluno consiga acompanhar seu oponente deve-se dominar a posição base e as técnicas de deslocamento lateral.
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Lembrando-se da posição base:
Posição adequada que permita deslocar-se rapidamente em qualquer direção. Pés paralelos (com pequeno afastamento - largura dos ombros), apoio na planta dos pés, pernas semifl exionadas, palmas das mãos para frente e à altura dos ombros. Pequeno desequilíbrio do corpo à frente, tronco ereto.
E os deslocamentos?
Manter um dos pés no solo. Não saltar e utilizar passadas curtas e rápidas.
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undamentos do Handebol II
Em outras palavras, a marcação individual permite um confronto direto com o adversário em que a preocupação central é evitar que esse adversário auxilie o colega de equipe dele, que não recepcione a bola e de preferência que não se desloque livremente para onde quiser.
Mas como conseguir êxito nestas tarefas? Martini (1983, p. 153) fala em princípios a serem seguidos. São eles:
- Defensor entre o adversário e o gol;
- Observar seu adversário para reagir de acordo com a situação; - Observar tudo a sua volta;
Dos três princípios apresentados destaca-se o primeiro. Essa é uma situação em que muitas crianças têm dificuldade em entender. A bola parece exercer um fascínio na criança e até em adultos. No momento da marcação, muitas vezes, o olhar do defensor está voltado para a bola e o posicionamento como princípio da marcação individual é esquecido. Aqui duas dicas são importantes:
a) manter-se entre o adversário e a baliza defensiva;
b) utilizar a visão periférica para observar tudo em volta. Lembre-se que os princípios táticos gerais serão alcançados por meio destas ações.
Ehret (2002) apresenta outras habilidades táticas importantes para uma marcação individual. Seriam elas, a ideia de perturbar a recepção do adversário, de tal forma que a tarefa de se colocar entre a linha de passe seria uma ação importante. Parece contraditório com o que se apresentou com base em Martini (1983). Porém, não o é. Colocar-se na linha de passe pode ser feito sem perder o posicionamento de marcação. Como? Aproximando do seu oponente, bloqueando sua passagem com o tórax e utilizando os braços para atrapalhar a recepção. Ou ainda, executar a ação de interceptação da bola no momento exato, procurando realizar bloqueios no arremesso do adversário.
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Os bloqueios defensivos podem ser baixos, médios e altos, dependendo dos arremessos executados. A ilustração anterior demonstra um bloqueio alto.
O domínio desses princípios é primordial para mais tarde obter êxito em outros sistemas, como seria o caso da marcação por zona.
Ainda sobre a marcação individual, Martini (1983, p. 153) aponta para tarefas a serem cumpridas quando do confronto com o oponente. Seriam elas:
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undamentos do Handebol II
Essas tarefas, de certo modo já foram comentadas na trajetória de construção desta seção. Destaca-se que para cumpri-las cabe lembrar que o espaço com maiores alternativas de jogo está na região central da quadra em relação às laterais. Por isso a necessidade de deslocar o adversário para as laterais. As possibilidades de remate dos adversários serão diminuídas com esta ação.
As informações que seguirão são tratadas com nomenclaturas diferentes. Porém, a orientação é a mesma. Martini (1983, p. 154) apresenta como “modalidades de marcação individual”. Ehret et.al. (2002) apresenta como “formas de defesa individual”. De qualquer forma, seguem as informações básicas. Para Martini, as modalidades seriam a marcação “apertada e de perto”; “a de vigilância” e a “marcação de interceptação”. Para Ehret et. al. o que delimitaria a forma seria a proximidade com a área de gol. Para ele, a defesa individual pode ser dividida na quadra toda, na própria quadra e próximo ao setor de área.
As formas de marcação de Ehret et. al. permitem a vivência de uma marcação bastante ofensiva, de tal forma que o adversário é pressionado a perder a posse de bola no seu campo defensivo. Porém, exige muita movimentação defensiva para acompanhar o marcador. Em termos de aprendizado, essa sequência (quadra toda, meia quadra e próximo à área) permite uma vivência de marcação pela qual as variações de marcação próximo a área serão bem dominadas.
Diminuir o espaço de movimento do adversário; Impedir o adversário de ir ao espaço livre; Impedir a recepção da bola, o passe e o remate; Jogar a bola para fora;
Obrigar o adversário a deslocar-se para locais desfavoráveis.
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Se criança é sinônimo de movimento, inverte essa lógica não é restringir possibilidades de vivências?
Martini (1983) apresenta outros elementos interessantes para pensar a marcação individual. A marcação apertada ou de perto pressupõe contato com o adversário. Tanto faz ser dentro dos nove metros ou numa marcação na quadra toda. O importante é saber que o marcador deve estar com uma grande flexão das pernas, pois estará numa posição base baixa; a base conquistada pelo afastamento lateral das pernas é maior que nas outras modalidades. Há necessidade de alerta o tempo todo. Já a marcação de vigilância pressupõe certa distância entre os oponentes, e a posição base é considerada média em relação a flexão das pernas. Por fim, a marcação de intercepção é aquela em que o marcador se coloca na linha de passe.
Qual a diferença entre esta modalidade de marcação e a linha de passe descrita anteriormente?
Como visto nas práticas da disciplina de Fundamentos do Handebol I, existe uma posição que um jogador se posiciona próximo a linha delimitadora da área do goleiro. Pois bem, esse jogador é chamado de pivô. E sua característica é a de jogar de costas para o gol. Neste sentido, o marcador se coloca ente ele e o colega que tentará o passe a esse
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undamentos do Handebol II
jogadores que se posicionam próximos as linhas laterais (próximas ao baliza defensiva) são as únicas em que o marcador não se posiciona entre o adversário e seu gol. Ainda neste livro, estaremos pormenorizando a posição do pivô no jogo de handebol.
Tenha como norte que a marcação individual é a que dá base para todas as outras formas ou sistemas de marcação.
TÁTICA DE GRUPO
Para falar de marcação, sobretudo pelo aprimoramento tático do jogo, os filtros selecionados para que você consiga entender o sistema defensivo passa pela lógica de compreender o trabalho em grupo.
Para que você se posicione quanto à nomenclatura, na disciplina de Fundamentos do Handebol I, você verificou que os fundamentos podem ser trabalhados enquanto processos técnicos simples ou complexos, na medida em que se articulam alguns processos (por exemplo, a recepção seguida de drible e o remate). Na medida em que se colocam de dois a quatro jogadores no terreno de jogo, e estes se ajudam mutuamente, toda a ação deve ser coordenada para que os princípios táticos gerais sejam utilizados.
Ou seja, as ações devem ser executadas no momento exato e, para isso, a observação de todos os jogadores é primordial. Para esse conjunto de ações, Martini (1982) chama de “tática de grupo na defesa”.
Trata da colaboração de dois a quatro jogadores. É a base da tática de defesa, pois na disputa direta com o adversário que leva a bola,
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No âmbito da defesa, nas principais ações táticas descritas por Martini encontram-se a “ajuda”, o “deslizamento”, a “blocagem dos remates à baliza”, a “colaboração com o guarda-redes” (termo usado para designar o goleiro), o “comportamento no grupo em igualdade e inferioridade numérica”.
Vamos nos ater a descrição de cada uma das ações proposta por Martini. Lembre-se de que a descrição dessas ações tem como objetivo aproximá-lo aos conceitos da área.
A alternativa, neste momento, será construir um cenário em que as ações serão colocadas no âmbito de defesa individual quadra inteira e meia quadra. No entanto, a ajuda descrita por Martini (1982) tem uma descrição de ações próximas à área de goleiro. Porém, o processo de desenvolvimento é o mesmo, independente da distância que o defensor esteja da sua área.
A ideia central é manter tão pequeno quanto possível os espaços abertos na defesa. Imagine a situação em que o atacante recebe um passe. O defensor que estava a certa distância, numa posição de vigilância, entra em contato direto com o atacante. Para isso, o mesmo se desloca em direção ao oponente. Na medida em que faz essa movimentação, abre-se um espaço no lugar em que ele partiu para o movimento. Pois é justamente esse espaço que será fruto de atenção dos colegas. Os mesmos, um de cada lado, movimentam-se para diminuir esse espaço, evitando que outro atacante ocupe aquele lugar.
estão sempre implicados apenas grupos de jogadores e o resto da equipe está pronta a entrar em ação (Ibid., p. 155-156).
Essa mesma ação próxima à área do goleiro serve para evitar que um jogador adversário, no caso o pivô, ocupe aquele espaço para receber a bola, girar e lançar a gol.
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O deslizamento seria outra ação tática para evitar que os atacantes se desmarquem. A lógica é combater uma ação de bloqueio. Bloqueio seria a ação de um atacante vir a construir uma barreira com o próprio corpo para auxiliar o colega a se desmarcar. Essa barreira é feita no marcador do colega. Na medida em que o atacante chega para “obstruir” a passagem do marcador, esse dá um passo à frente ou atrás para deslizar do indivíduo que tentou bloqueá-lo.
Dito de outra forma, o defensor pode sair de um bloqueio adversário deslizando pela sua frente ou por trás, acompanhando o oponente que ele estava marcando. Após esse deslizamento, o marcador volta-se ao seu oponente novamente.
Outra ação decorrente desta mesma situação é a chamada troca de marcação. A ação do bloqueio será tentada pelo atacante. No momento em que o marcador percebe a ação do seu adversário não tem mais tempo para fazer o deslizamento e acompanhar o adversário. Neste momento, o colega defensor que acompanhava o atacante que veiorealizar o bloqueio, troca a marcação, voltando-se para o atacante que se desmarcou. O primeiro defensor que recebeu o bloqueio passa a marcar o atacante que realizou esse bloqueio.
Não se perca:
O deslizamento é feito para que o defensor continue marcando o mesmo atacante que estava sob sua responsabilidade;
A troca de marcação é feita quando o bloqueio do atacante foi efi ciente e auxiliou ao companheiro atacante se desmarcar. Nesta ação existe a troca de marcação entre os defensores.
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A blocagem é um recurso utilizado pelos defensores para evitar que uma bola lançada chegue ao gol. Normalmente existe a ação de dois ou três jogadores que tentam blocar a bola por meio do levantamento dos braços, para interceptar uma bola lançada por cima da defesa. Martini (1982) enfatiza a necessidade de êxito nesta ação, pois se a bola passar pelos defensores, o goleiro terá dificuldades em defender, uma vez que sua visão quase sempre está encoberta.
A ideia de colaboração com o goleiro surge da necessidade do defensor tentar defender um dos lados do gol. A situação decorre da seguinte ação. Um atacante tenta lançar a bola no lado direito do gol. Os defensores estavam tentando uma blocagem do lado esquerdo. Tendo o goleiro percebido que a defesa estava fechando o lado esquerdo, sua atenção ficou concentrada no lado direito, o que aumenta, em muito, sua chance de defender o remate.
Na mesma situação, caso o atacante lance a bola no lado esquerdo, existe a possibilidade da defesa blocar parcialmente a bola. Essa ação diminuirá a velocidade da bola, permitindo ao goleiro reagir a tempo de evitar o gol.
Numa situação ou outra, a ação defensiva é central para que o goleiro possa aumentar sua chance de defender um remate.
Por fim, cabe apresentar a você algumas situações de jogo em que a ação do grupo está diretamente ligada ao contexto de igualdade ou de inferioridade numérica frente aos adversários.
Como proceder quando os atacantes fi cam em maior número que os defensores?
Quais ações devem ser desencadeadas quando existe a igualdade entre atacantes e defensores num determinado espaço?
Martini (1982) coloca algumas situações em que essa igualdade ou inferioridade pode surgir. Uma delas é o chamado contra-ataque. Essa ação será descrita como uma das fases do ataque contra uma defesa. De qualquer forma, quando ocorre esse contra-ataque, várias possibilidades
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O primeiro exemplo explorado por Martini (1982) é a situação de que existe uma igualdade de jogadores. Neste caso, a defesa pode e deve lançar-se numa marcação individual ou uma defesa à zona. Essa nomenclatura significa que cada jogador poderá marcar um adversário, ou cada jogador é responsável por um espaço na quadra (zona) e o jogador que entrar neste espaço será marcado.
Porém, a escolha por uma ou outra tem relação direta com o número de jogadores envolvidos na ação. Caso seja uma ação de dois atacantes contra dois defensores (2X2), a marcação individual é a mais indicada. Neste caso, duas possibilidades são exploradas por Martini. Uma delas é a de que os defensores conseguem parar o ataque. Outra seria o ataque passar pela marcação. Neste caso, os defensores correm em direção a sua área e tentam separar os dois atacantes.
Por que afastar os dois defensores?
Para que os mesmos não possam construir uma tática de equipe no ataque por meio de combinações táticas de base.
Caso tenham três atacantes envolvidos neste contra-ataque, Martini (1982, p. 158) propõe que os defensores se posicionem à frente de sua área de gol (numa zona) e executem a seguinte ação: “[...] tenta-se marcar o atacante do meio e desviar para fora os dois atacantes das pontas”.
Uma última situação seria o contra-ataque em que quatro atacantes disputam espaço com quatro defensores (4X4). Neste caso, recomenda-se que os quatro defensores dominem a área central à frente de recomenda-seu gol, numa tentativa de retardar os atacantes para que os demais defensores possam se posicionar na defesa. Essa situação é chamada por Martini de “temporária à zona”.
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Resumidamente, Martini apresenta três situações para que os defensores visualizem as ações a serem adotadas. São elas definidas também pelo contra-ataque em que o ataque encontra-se em superioridade de dois jogadores frente à inferioridade de um defensor (2X1); numa situação três atacantes contra dois defensores (3X2) e de quatro atacantes contra três defensores (4X2).
No primeiro caso (2X1), o defensor deve se preocupar em não ser ultrapassado. Lembre-se de que o defensor deve se posicionar entre o adversário e o seu gol. Mas nesse caso, ele deve se posicionar entre os dois atacantes (no sentido das linhas laterais) e entre os jogadores e seu gol (no sentido da linha de fundo). Martini descreve que se os atacantes passaram da linha central, o defensor deve simular ataque ao portador da bola e se dirigir numa marcação do outro atacante, no caso do primeiro segurar a bola na simulação do defensor. O defensor poderá interceptar um passe ou realizar uma falta que será suficiente para que sua equipe retome a posição de defesa.
Na situação de três contra dois (3X2), os defensores devem tentar forçar o ataque a rematar de média distância (9 metros). Essa tentativa se dá pela ação de marcação zona na frente de sua área.
Na última situação, tenta-se uma marcação na frente da área de goleiro. Faz-se uma marcação forte aos jogadores do centro e se sobrar algum jogador livre, este deve ser da lateral.
Com relação à tática de grupo, as ações descritas devem ser
Quais seriam as ações para se pensar numa situação de inferioridade numérica?
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de visualização das alternativas existentes. Somente vivenciando essas alternativas é que o jogador poderá fixar suas possibilidades e a partir daí ter autonomia para escolher a melhor opção.
TÁTICA DE EQUIPE
Nesta subseção você terá contato com o que pode se chamar de sistemas defensivos. A ideia da tática de equipe está centrada no fato de que todos os jogadores se auxiliam mutuamente no confronto com a equipe adversária.
Para se chegar nessa fase, cabe ressaltar que alguns autores exploram o que pode se chamar de fases defensivas. Outra opção de entrada na temática é definir as configurações que são obtidas por meio da distribuição e função de cada jogador no seu espaço de jogo.
A ideia será apresentar essas fases até chegar a um sistema zonal, bem como mostrar de que maneira você poderá identificar esse sistema, além de apontar a nomenclatura para cada posição em quadra.
Por onde começar?
Primeiro apresentando as três modalidades de defesa proposta por Martini (1982, p. 159). Para ele, uma equipe pode marcar individual, defesa à zona ou defesa mista.
Com relação à primeira, marcação individual, vale lembrar que se pode utilizar a quadra toda ou meia quadra. Na quadra toda, existe maior possibilidade do atacante se desmarcar em função do grande espaço
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existente para a marcação. Porém, é uma marcação agressiva e muito utilizada no mini-handebol, com crianças entre seis e oito anos. Já a marcação meia quadra começa o processo de restrição de espaço, no qual dificulta mais para os atacantes e a ideia de ajuda ao companheiro poderá existir. Também utilizado no mini-handebol, porém para crianças até 12 anos.
Na marcação individual, exige-se muito trabalho de deslocamento lateral e existem seis disputas individuais no campo de jogo.
Martini (1982, p. 159) apresenta princípios da marcação individual: Ficar entre o adversário e a própria baliza;
Adversário deve sempre estar sob controle visual; Observar a bola e o jogo na totalidade;
Surpreender o atacante que escapou da marcação.
A segunda forma de marcação é a chamada marcação à zona. Na figura abaixo, você poderá entender a lógica deste tipo de marcação. Como o próprio nome diz, cada jogador defende uma determinada zona. Para configurar o tipo de marcação a ser utilizada, levam-se em conta algumas características.
Pense que a equipe adversária está bem distribuída na quadra, de tal forma que seus jogadores conseguem infiltrar nos espaços de defesa e finalizar a gol. Nesse caso, uma defesa que diminuísse os espaços seria mais adequada. Portanto, necessitaria de uma defesa com bastante amplitude e pouca profundidade.
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Para compreender a figura anterior, e ao mesmo tempo pensar numa defesa que tenha as características descritas, a primeira seta que aponta para as linhas laterais definiria a amplitude da defesa. Ou seja, se você distribuir os jogadores de tal forma que a configuração feita por eles se aproximar das linhas laterais você terá uma defesa com amplitude.
Ao mesmo tempo, olhe para as duas setas paralelas às laterais. Elas definem a profundidade da defesa. Ou seja, sai da linha de fundo em direção ao centro da quadra. Na trajetória destas setas, você pode observar que existem três linhas defensivas. A primeira que está situada entre os seis metros até próximo dos nove metros (pontilhada). Uma segunda linha que está situada entre os oito aos dez metros e uma terceira linha que vai aproximadamente aos treze metros.
Considere estas três linhas e compare em relação a seta que aponta para as linhas laterais. A primeira linha possui mais amplitude que as outras duas. A terceira linha possui mais profundidade que as outras duas. A segunda é uma linha intermediária.
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Pois bem, vamos pensar no primeiro exemplo dado sobre uma marcação que fechasse os espaços de infiltração. Nesse caso, você precisaria distribuir seus jogadores na primeira linha defensiva.
Que tipo de defesa zona eu obteria com essa distribuição? Fazendo isso, você teria uma marcação chamada 6:0. Mas por que 6:0?
Justamente pelo fato de ter a ação dos seis jogadores marcando na primeira linha defensiva. E feito isso, você terá a seguinte configuração:
Visualize como, neste sistema, os espaços perto da área ficaram restritos.
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Antes de detalhar alguns pontos desse sistema, você precisa entender que em cada um dos círculos representados na ilustração corresponde a um jogador. Esses jogadores são identificados pela sua posição. A nomenclatura para identificá-los segue a lógica da seta de profundidade. Ou seja, a linha de fundo e a baliza servem como referência para essa definição.
Considerando essa situação, você poderá visualizar que existem três postos de marcação de cada lado. Três à direita da baliza e três a esquerda da baliza. Portanto, em algumas referências, você encontrará a nomenclatura de marcados, posto um na direita ouna esquerda. Tratar-se-á de um marcador na lateral. Alguns autores o chamam de “extremo-direito” ou “extremo-esquerdo”.
A posição dois pode ser chamada também de “lateral- esquerdo” ou de “lateral-direito”. A posição três pode ser chamada de “central-esquerdo” ou “central-direito”.
Esta configuração é dada ao sistema 6X0. Segundo Martini (1982, p. 161), nas posições centrais colocam-se jogadores mais altos para tentar blocar remates em suspensão. Os jogadores baixos nas extremidades e os médios nas posições dois.
Outra informação com base em Martini (1982, p, 161) tem relação com regras a serem adotadas pelos jogadores nesse tipo de defesa.
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Resumidamente, existe a orientação de que a defesa deve se mover em direção a movimentação da bola no trabalho de ataque. Todos devem se mover ao mesmo tempo; quando um jogador adversário entra nas linhas dos nove metros (pontilhada), o jogador correspondente adianta a marcação e entra em contato com o mesmo. Os defensores de sua direita e da esquerda aproximam-se um do outro com deslocamentos laterais a fim de auxiliar na marcação (cobertura). Este mesmo atacante que entrou nos nove metros realiza um passe para seu colega na sua lateral. O marcador correspondente do atacante que recepcionará a bola adianta a marcação para entrar em contato com o mesmo. A cobertura deste marcador se dará pelo colega ao lado e pelo retorno do primeiro marcador à linha de seis metros. Esse retorno se dará em diagonal na direção em que a bola foi passada.
Outras indicações pertinentes de Martini: - Os marcadores extremos não abandonam seus postos junto aos seis metros;
-Os pivôs são marcados pelo lado contrário do braço de remate;
- Numa troca de posições dos atacantes, os defensores o acompanham até o limite do colega ao lado, quando haverá a troca de marcação;
- Jogadores que entrarem próximo aos seis metros deverão ser marcados com contato e se houver deslocamento, os defensores deverão avisar e passar a marcação para o vizinho.
Entre as principais desvantagens desse sistema estariam a fragilidade contra equipes que rematam de meia-distância; deixa os jogadores adversários livres para movimentação da bola, sendo, portanto,
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Com base nesse sistema de marcação zona, existem variações em que as principais características estão vinculadas com o fato da defesa se tornar mais agressiva em termos de tentativa de recuperação da bola. Para isso, existe uma redistribuição dos jogadores na segunda e na terceira linha defensiva. Quanto mais profunda as marcações, mais forte elas se tornam em relação a perturbar e induzir a erro a movimentação do ataque. Mais difícil torna-se o remate de meia distância, porém, mais frágil se torna a marcação junto aos seis metros. Ou seja, os pivôs começam a ter espaço para recepcionar e finalizar a gol.
Outra característica interessante é a possibilidade da marcação em profundidade proporcionar o contra-ataque, pois os jogadores mais velozes se posicionam na 2ª e 3ª linha.
Ao mesmo tempo, Martini elenca vantagens e desvantagens de outros sistemas de marcação. Veja o sistema 5:1.
Em termos de nomenclatura, veja que um dos jogadores assume a posição de “Defensor Avançado Central”. O outro jogador, na posição 3 permanece com “Central”. Entre as tarefas destinadas a esse sistema está o equilíbrio entre evitar remates de meia distância na região central e evitar passes ao pivô.
A movimentação do DAC varia entre se posicionar à frente (+ ou – 10 m.) na posição central e deslocar-se em diagonal para marcar os atacantes
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laterais direito e esquerdo (ou armadores direito e esquerdo). Quando desta ação, ele retorna para dentro dos nove metros. A movimentação só não fecha a base de um triângulo.
Quais seriam outros sistemas que trabalham na segunda linha de marcação?
Pois as alternativas seriam o 4:2, 3:3 e 1:5. Cada um deles possui características específicas na luta com a equipe adversária. Em linhas ge-rais, a defesa nesta linha aumenta a profundidade, diminui a amplitude (ou largura) facilita o contra-ataque. Ao mesmo tempo, deixa vulnerável a defesa em função de abrir mais espaços para infiltração e para a ação de um ou dois pivôs.
Em termos específicos, Martini nos apresenta as tarefas dos jogadores neste sistema. Para ele, os defensores das extremas possuem as mesmas funções dos outros sistemas, ou seja, marcar os extremos
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e deslocar-se para auxiliar os marcadores do posto 2. Os marcadores centrais marcam os pivôs e atacantes que infiltram. Entre as principais vantagens, esse sistema pode ser usado contra um ataque com dois pivôs (2:4), ao mesmo tempo em que cobre bem a zona central. Por outro lado, é uma defesa muito aberta, facilitando o jogo um contra um (1X1) e deixando as extremas com muito espaço.
A defesa 3:3 tem seus jogadores distribuídos em duas linhas defensivas e, de acordo com Simões (2008, p. 72), possui “o intuito de dificultar a circulação da bola, de impedir os arremessos de média e longa distância e de recuperar a posse de bola”. Esse tipo de defesa depende muito do trabalho de lateralidade de seus jogadores.
O sistema 1:5 é uma defesa muito agressiva em termos de atrapalhar a circulação da bola. Porém, você pode observar que é uma alternativa para início do trabalho zonal. Isso pelo fato de que ainda tem bastante espaço para a marcação, considerando a sequência do trabalho de marcação individual. A caracterização desse tipo de defesa é a seguinte:
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As marcações que são mais agressivas em termos de profundidade são as que marcam na terceira linha defensiva. Estas são caracterizadas por distribuição dos jogadores nas três linhas defensivas, de tal forma que tenta evitar a eficiência de uma equipe que tenha bom rendimento em remates de média e longa distância. Entre as configurações possíveis estariam o sistema 3:2:1 e o sistema 3:1:2.
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Entre as principais vantagens deste tipo de marcação, segundo Martini (1982), estaria a vigia do atacante por dois defensores, bem como a fácil adaptação do novo sistema de acordo com a movimentação do adversário. Tem amplitude e profundidade o que permite facilidade para a saída ao contra-ataque.
Entre as desvantagens estaria a necessidade de muita movimentação, em caso contrário, perde sua eficiência. Também é considerada fraca contra uma equipe que utilize bem dois pivôs.
Alternativa a esse sistema está o 3:1:2 que coloca dois marcadores na terceira linha e um na segunda, atuam de forma mais intensa na marcação dos armadores (ou laterais).
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Por fim, dentro da lógica dos sistemas de marcação, existe a modalidade de defesa mista. Outra designação seria “sistema defensivo combinado” como propõe Simões (2008, p. 72). A ideia desta modalidade é a de que em algum momento de um jogo um atacante está desequilibrando o jogo. Dito de outra forma, o jogador atacante está com alto índice de aproveitamento em termos de finalização e assistência. A defesa não consegue marcá-lo. A opção é deslocar um defensor para marcá-lo individualmente. Normalmente se usa a distribuição dos defensores na primeira linha e um na marcação individual. Caracteriza-se aí o sistema 5+1.
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Outra opção é disponibilizar dois defensores para a marcação individual. Aí será lançada mão do sistema 4+2 (SIMÕES, 2008, p. 73).
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Duas informações de Martini (1983) são relevantes para se fechar essa seção. A primeira delas está vinculada a situação em que a equipe defensora encontra-se em superioridade numérica. Isso pode ocorrer
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quando um jogador da equipe adversária foi excluído por dois minutos. O sistema 1:5 apresentado anteriormente poderia ser uma alternativa, pois cinco jogadores na segunda linha dão o combate e um jogador na primeira para realizar a cobertura.
Outra opção seria lançar mão de um sistema 5:1 para recuperação da equipe em caso de jogo intenso e ao mesmo tempo ser mais ofensivo para a retomada da bola. Pois como você teve oportunidade de ver, essa defesa possui amplitude e profundidade, o que permite um equilíbrio interessante entre infiltrações e remates.
Por outro lado, o que fazer quando a defesa está em inferioridade numérica?
O maior desafio é passar o tempo de exclusão de um membro da equipe sem tomar gol. O mais recomendável é fazer uma defesa 5:0. Com este sistema, abre-se mão de marcar lançamentos de média e longa distância e concentra a defesa para evitar infiltrações. Nesse sentido, o trabalho de equipe tem que ser redobrado, uma vez que o trabalho de deslocamento lateral tem que ser muito mais rápido para marcar e fazer a cobertura na ajuda ao colega.
SEÇÃO 3
TRANSIÇÃO ATAQUE E DEFESA/
DEFESA ATAQUE E EXERCÍCIOS
Nesta seção você terá contato com as possibilidades de conhecer o que vem a ser chamado de transição. Mas tomará consciência do processo complexo e contínuo que ocorre durante o jogo de handebol.
A primeira situação a ser visualizada é que no jogo de handebol existe a necessidade do jogador se manter atento para as transições que
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ocorrem durante a partida. Utilização dos princípios táticos gerais é condição ímpar para que se identifique uma clara oportunidade. Esteja o jogador no ataque ou na defesa.
Aliás, essa é uma condição essencial para se jogar o handebol. Pois, identificando uma clara oportunidade de infiltração, o jogador tem que reagir de imediato, caso contrário aquele espaço se fecha quando o marcador tem a percepção de que é necessário cobrir um espaço deixado. Existe uma expressão que diz o seguinte: “a janela fecha rápido, surgiu a oportunidade, tem que aproveitar”.
Pois bem, o que nesta seção será visto?
Pretende-se mostrar que a transição entre ataque e defesa e defesa ataque ocorre por fases, que podem passar de uma a outra ou simplesmente saltar fases.
Como esta unidade está centrada na defesa, você se aterá em algumas indicações de ações referentes ao processo de marcação. As fases de transição entre defesa para ataque serão vistas na unidade que aborda a tática do ataque.
Neste sentido, de imediato, recorremos a informações de Cuesta (2009). Numa palestra intitulada “Ataque, Defesa e Contra-ataque”, Cuesta apresentou uma estruturação da transição destes sistemas. O raciocínio de Cuesta passa pela construção dos conceitos e ações necessárias para o desenvolvimento do jogo.
Algumas situações apresentadas retomam o contra-ataque, até pelo fato de que a defesa age e reage frente à possibilidade do contra-ataque adversário. A função deste contra-contra-ataque é justamente conseguir realizar o gol antes da organização do sistema defensivo. Para isso, várias situações são estruturadas.
Para que você possa identificar o trabalho a ser realizado pela defesa, minimamente a estrutura do contra-ataque tem que ser dada. Para Cuesta, existem fases definidas e elas seriam a iniciação, a transição
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A iniciação do contra-ataque tem seu desenrolar no momento em que a equipe adversária perde o controle da bola. Porém, esse contra-ataque só terá possibilidade de início se houver o controle desta por parte da defesa.
Cabe aqui você retomar todas as ações defensivas e ofensivas, técnicas e táticas, para visualizar a luta para retomada da posse de bola.
A transição do contra-ataque se dá na lógica do desenvolvimento do jogo. Têm-se o início desta fase no momento em que o jogador consegue controlar a bola e vai até o momento em que a equipe consegue vantagem frente à defesa adversária. Nesta transição são utilizados os processos técnicos como o passe, recepção, drible, fintas para se desmarcar. Essas situações são definidas por Cuesta (2009) como “qualidade de transição”.
A finalização seria a última etapa, pois inicia no momento em que a equipe adquiriu a vantagem e vai até o momento em que se aproveita desta vantagem e finaliza a gol. Também se considera a desistência de finalização para estruturar o ataque num sistema definido para que se possa novamente construir uma vantagem para tentativa de finalização.
Frente a essa descrição das fases do ataque, surge a sistematização para entendimento do retorno defensivo após perder a posse da bola, De qualquer forma, como já explorado nesta unidade, os objetivos deste momento seriam a recuperação da bola, bem como a tentativa de retardar o contra-ataque do adversário para que a defesa possa se recompor.
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Primeira ação é pensar em levar os adversários para zonas menos eficazes. O que seriam essas zonas menos eficazes? O desvio do adversário para as laterais da quadra.
O início do retorno defensivo é apresentado por Cuesta (2009) com o alerta para a necessidade da construção de uma mentalidade de defesa no sentido de “reagir” ao contra-ataque e de que parte dos jogadores tem a função de “correr para trás”. Essa corrida para trás tem o objetivo de ganhar o espaço no terreno de jogo e impedir uma finalização sem oposição. Mais. Tenta evitar a finalização e se não conseguir, ao menos, levar o adversário para uma zona desfavorável.
Quando se diz parte dos jogadores correr para trás é porque outros têm o objetivo de pressionar o que é chamado de “primeiro passe do goleiro”, seja curto ou longo. O que significa isso? Imagine uma finalização que foi para fora da baliza. O goleiro tem um tiro de meta e tentará repor a bola o mais rápido possível. Como ele tentará ganhar espaço em sua área para fazer o lançamento que iniciará o contra-ataque, um defensor deve tentar impedir esta ação.
Um passe curto tentará o contra-ataque saindo com um jogador próximo. Já o passe longo tenta surpreender a defesa com um jogador que correu para frente. Como tentar impedir isso? Por meio da ação do goleiro da equipe que está defendendo. Este deve se posicionar entre os 10/11 metros para dissuadir o passe longo. Se este ocorrer, o goleiro poderá interceptar esse passe. Caso a bola seja lançada direta a sua baliza, o
Quais ações seriam pertinentes para se atingir esses objetivos?
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Cabe aqui ressaltar que a mentalidade de retorno rápido deve ser implantado sempre, tendo em vista que a regra que permite a saída rápida também proporciona a possibilidade do contra-ataque.
Quais seriam outras fases e ações defensivas?
A fase de transição iniciaria pelo controle da bola por parte do time adversário. Nesse sentido, o defensor deve utilizar o recurso da falta. Como visto na disciplina de Fundamentos do Handebol I, a falta é um recurso técnico a ser utilizado no jogo. Neste caso, saber o momento de usar constitui num recurso tático. Ou seja, retardar o adversário por meio de uma falta no começo do contra-ataque. Porém, Cuesta alerta para o cuidado em não cometer faltas táticas passíveis de exclusão, o que prejudicaria o time,
Dois outros recursos são apresentados nessa transição: a interceptação e as dissuasões. O processo de interceptação pode ser trabalhado com exercícios que simulem a interrupção de passes e recepções. Portanto, todos os exercícios vistos até aqui, desde o Fundamentos do Handebol I servem para trabalhar essa ação. A dissuasão tem relação direta com ações que tentem fazer o adversário mudar de opinião sobre a ação do contra-ataque.
Outra ação que deve ser foco de exercícios é a recuperação (tomar) da bola no momento do drible. Normalmente, um dos jogadores pode não ter a opção do passe e assim tentará driblar até o campo adversário. Também, nesta transição da defesa para o ataque, existe a possibilidade de surpreender o adversário por meio de uma substituição. Como o jogador que entrará pode não estar no campo visual do atacante, este pode surpreender e tomar a posse de bola.
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Uma das últimas fases do retorno para a defesa seria a finalização. Essa fase se concretiza quando os jogadores estão próximos a sua área de gol. Como o processo de retorno à defesa nem sempre é tranquilo (em função da disputa com o adversário), a trajetória de corrida dos defensores nem sempre coincide com o espaço destinado a ele para marcação. Nesse sentido é que se propõe que os jogadores organizam uma “defesa temporária”.
Essa defesa temporária tem como objetivo dissuadir os atacantes de chegar a fase de finalização. Para tanto, Cuesta apresenta a preocupação que essa defesa deve ter no sentido de se posicionar entre os nove a dez metros e atacar os adversários. Dito de outra forma, ter uma defesa temporária ofensiva, pois se manter uma atitude passiva provavelmente perderá vantagens de espaço.
Com essa ação pretende-se provocar erros nas tomadas de decisões do adversário entre finalizar ou fazer um último passe.
As dissuasões devem ser interpretadas como formas de ataque ao jogador de posse de bola e tentar interceptar o passe feito para o próximo posto, como apresenta Cuesta. O que seria esse próximo posto? O jogador mais próximo ao de posse da bola.
Por fim, a recuperação para a defesa se concretiza com uma organização num dos sistemas defensivos apresentados. Claro que somente chegará a essa fase caso a defesa não tenha obtido êxito em nenhuma das outras fases no sentido de recuperação da posse de bola.
EXERCÍCIOS
A) Estando os alunos espalhados pela quadra, ao sinal, tomar posição de defensor e voltar à posição normal.
B) Estando os alunos espalhados pela quadra, deslocar-se lateralmente ao comando auditivo ou visual do professor.
C) Estando os alunos espalhados pela quadra, deslocar-se ao comando auditivo ou visual do professor, para a frente e para trás.
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D) Estando os alunos espalhados pela quadra, colocar um elemento que servirá de guia à frente do grupo, e estes deverão seguir os movimentos do guia.
E) Os alunos deverão correr à vontade pela quadra, ao sinal, realizar três deslocamentos para a direita e três para a esquerda.
F) Estando os alunos espalhados pela quadra, estes deverão realizar o deslocamento em forma de triângulo.
G) Estando os alunos em fileiras, realizar a movimentação lateral e corridas em diagonal.
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H) Estando os alunos em fileiras, realizar a movimentação lateral e corridas em diagonal, com a inserção de um oponente.
I) Estando os alunos em fileiras, correndo pela linha de 6 metros e retornar pela linha de 9 metros.
J) Estando os alunos em posição de defensores, realizar a técnica de defesa no salto do atacante, em variadas posições dentro da quadra.
- Todos os exercícios anteriormente vistos podem sofrer variações na utilização de materiais e nas formas de execução.