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PROCESSO Nº TST-ARR A C Ó R D Ã O (8ª Turma) GMDMC/Sc/gl/gc

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A C Ó R D Ã O (8ª Turma)

GMDMC/Sc/gl/gc

A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DA RECLAMANTE. 1. NULIDADE POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL.

Não se divisa nulidade do acórdão regional por negativa de prestação jurisdicional quando o julgador se manifesta, com fundamentos jurídicos pertinentes, a respeito das questões invocadas pela parte. A mera objeção aos interesses da parte não dá azo à arguição de nulidade do julgado. Não se caracteriza, nesse contexto, hipótese de prestação jurisdicional incompleta. Incólumes os arts. 93, IX, da CF e 832 da CLT. 2. DIFERENÇAS DE SOBREAVISO E DE

RESERVA. Segundo o Tribunal de origem,

a reclamante alegou genericamente a incorreção do pagamento das parcelas “sobreaviso” e “reserva”, sendo certo que os contracheques juntados pelas reclamadas denunciaram o pagamento mensal de tais rubricas e que a autora não especificou a incorreção havida a ensejar as diferenças que entendia devidas. Assim, diante desse contexto, não se evidencia a existência de salário complessivo e, como consequência, contrariedade à Súmula nº 91 do TST ou violação dos arts. 444 da CLT e 23, 25 e 26 da Lei nº 7.183/1984. Agravo de

instrumento conhecido e não provido. B) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DAS RECLAMADAS. DIFERENÇAS SALARIAIS. ACÚMULO DE FUNÇÕES.

Constatada a possível violação do art. 456, parágrafo único, da CLT, dou provimento ao agravo de instrumento a fim de determinar o processamento do

recurso de revista. Agravo de

instrumento conhecido e provido. C) RECURSO DE REVISTA. DIFERENÇAS SALARIAIS. ACÚMULO DE FUNÇÕES. Segundo

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inexistindo cláusula expressa,

entende-se que o empregado se obriga a todo e qualquer serviço compatível com a sua condição pessoal. Com efeito, o fornecimento de refeições e bebidas aos passageiros se insere nas atribuições inerentes dos comissários de bordo, pouco importando se realizado a título gratuito ou mediante pagamento pelos usuários do transporte aéreo, não havendo falar em acúmulo de funções pela venda dos referidos produtos. Recurso

de revista conhecido e provido.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso de Revista com Agravo n° TST-ARR-10858-28.2014.5.01.0073, em que é Agravante e Recorrido LAURA DE CASTRO BRUM e são Agravados, Recorrentes e Recorridos GOL LINHAS AÉREAS INTELIGENTES S.A. e WEBJET LINHAS AÉREAS

S/A.

O Presidente do TRT da 1ª Região denegou seguimento aos recursos de revista interpostos pela reclamante e pelas reclamadas – Gol Linhas Aéreas S.A. e Webjet Linhas Aéreas S/A.

Inconformadas, as partes interpuseram agravos de instrumento – fls. 727/743 (reclamante) e 745/752 (reclamadas).

Foram apresentadas contrarrazões ao recurso de revista e contraminuta ao agravo de instrumento, às fls. 762/766 e 775/779.

Desnecessária a remessa dos autos ao Ministério Público do Trabalho, na forma do art. 95 do RITST.

É o relatório.

V O T O

A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DA RECLAMANTE.

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I – CONHECIMENTO

Conheço do agravo de instrumento, porque satisfeitos

os pressupostos de admissibilidade.

II – MÉRITO

1. NULIDADE POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL.

Por meio das razões de fls. 671/676, a reclamante argui a nulidade do acórdão regional por negativa de prestação jurisdicional.

Afirma que, nos declaratórios (transcritos no recurso de revista), requereu a manifestação do Regional sobre o fato de que a reclamada não comprovou a quitação correta dos períodos de sobreaviso. Nesse sentido, afirma que a Corte a quo não se pronunciou sobre a sistemática de pagamento das parcelas de sobreaviso através das rubricas “SAV KM Diúrno Comtes” ou “SAV KM Noturno Comtes”, devidamente impugnada pela autora. Assevera, ainda, que não houve manifestação do Tribunal de origem sobre a norma coletiva, a qual explicita que as horas de reserva devem ser remuneradas em separado e, portanto, não estão quitadas pela remuneração ordinária recebida pelo aeronauta. Explicita que a CCT da categoria traz limite mensal de sobreaviso de 54 horas e não de 60, remuneradas a base de 1/3 do valor da hora normal e não com base em “quilômetro de voo”.

Aduz, ainda, que requereu a manifestação do Regional quanto ao fato de que após 12 horas de descanso, fora da base, a autora ficava à disposição das reclamadas, não constando das escalas nenhuma informação em relação ao reconhecimento do sobreaviso nesses períodos. Aponta violação dos arts. 5º, XXXV, e 93, IX, da CF e 832 da CLT.

Ao exame.

Nos termos da Súmula nº 459 do TST, não viabiliza o conhecimento da revista a alegação de violação do art. 5º, XXXV, da CF, quanto à preliminar em epígrafe.

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Para se configurar a nulidade da decisão por negativa de prestação jurisdicional é imprescindível haver demonstração de que o julgador se recusou a se manifestar sobre questões relevantes à solução da controvérsia.

O Regional adotou os seguintes fundamentos: “Das diferenças de sobreaviso e reserva:

Persegue a trabalhadora as horas prestadas em sobreaviso e reserva, asseverando, genericamente, incorreção no seu pagamento.

Não vinga a tese recursal.

Compulsando os elementos dos autos, notadamente, os contracheques de ids. d68e885, 2a34d97, 6ae8e48, 8ffcfd8, 7d890eb, constato que a ré pagava mensalmente as verbas referentes às horas de sobreaviso e reserva.

Com efeito, competia à autora especificar quantas horas de sobreaviso e reserva cumpria em suas escalas sem que houvesse o pagamento da contraprestação correspondente, ônus do qual não se desincumbiu.

Nego provimento.” (fl. 489)

Na decisão de embargos de declaração, o Regional assim se manifestou:

“MÉRITO Recurso da parte Mérito:

Da medida obreira:

Pacífica a jurisprudência pretoriana no sentido de que, se as razões expostas pelo acórdão embargado bastam para fundamentar a conclusão, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os diversos argumentos expostos pelas partes.

Posta tal premissa, tem-se que a decisão hostilizada adotou tese explícita para negar provimento ao pleito obreiro de horas de sobreaviso e reserva.

Vale transcrever excerto do guerreado acórdão, verbis: (...)

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Se os embargantes entendem que a decisão vergastada encontra-se em dissonância com a prova nos autos, manifestam mero inconformismo a desafiar recurso próprio.

De tudo se permite concluir que os embargantes, de forma iniludível, investem contra o mérito da decisão, contudo, por via inadequada, impondo-se às medidas intentadas o destino da rejeição.” (fls. 519/520) Da leitura das decisões acima transcritas verifica-se que o Regional manifestou-se sobre as questões controvertidas e, mediante decisão fundamentada, expôs as razões de seu convencimento.

Com efeito, conforme registrado na decisão recorrida, aquela Corte verificou que a reclamante alegou genericamente a incorreção do pagamento das parcelas “sobreaviso” e “reserva”. Consignou, ainda, que a prova produzida denunciou o pagamento mensal das parcelas e que a reclamante não especificou o equívoco no pagamento dessas rubricas, ônus que o Tribunal de origem atribuiu à autora.

Logo, diante disso, a ausência de manifestação do Regional sobre a sistemática de pagamento das parcelas “sobreaviso” e “reserva”; a previsão em norma coletiva da categoria do pagamento da rubrica “reserva” em separado; o limite mensal trazido pela norma coletiva ao pagamento de sobreaviso e a respectiva base de cálculo; o direito ao recebimento de sobreaviso nos períodos de escala; e a necessidade de a reclamada comprovar que quitou corretamente as rubricas não implica em negativa de prestação jurisdicional, justamente em razão da impugnação genérica da reclamante quanto à forma de pagamento dessas verbas e da existência de comprovantes mensais de quitação do sobreaviso e da reserva, sem indicação pela reclamante de diferenças não quitadas.

Verifica-se, portanto, que a decisão recorrida não está maculada pela falta de prestação jurisdicional, na medida em que o Tribunal de origem fundamentou sua conclusão no exame do conjunto fático e probatório produzido, analisando a questão controvertida à luz da legislação de regência e dos argumentos trazidos pelas partes oportunamente. A mera objeção aos interesses da parte não dá azo à arguição de nulidade do julgado.

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Não se caracteriza, nesse contexto, hipótese de prestação jurisdicional incompleta. Incólumes os arts. 93, IX, da CF e 832 da CLT.

Nego provimento.

2. DIFERENÇAS DE SOBREAVISO E RESERVA.

Conforme transcrição do acórdão regional em tópico anterior, aquela Corte negou provimento ao recurso ordinário da reclamante, mantendo a decisão de origem que indeferiu a condenação das reclamadas ao pagamento de diferenças das parcelas “sobreaviso” e “reserva”.

Contra essa decisão, insurge-se a reclamante (fls. 676/684). Afirma, para tanto, que a remuneração do aeronauta, como é o caso, é calculada com base nas disposições legais e convencionais, tendo como valor mínimo o salário garantia equivalente a 54 horas, pagas independentemente do número de horas voadas no mês, acrescidas das horas em que permaneceu em reserva ou em sobreaviso, considerando, para tanto, as escalas de voo da autora. Assevera que as reclamadas jamais remuneraram as horas de sobreaviso e de reserva, bem como que não consta das escalas nenhuma indicação de quitação de reserva/sobreaviso.

Sustenta, ainda, que há contracheques nos quais não há registro de pagamento das parcelas sobreaviso e reserva.

Segundo entende, a controvérsia também reside nos parâmetros adotados pelas reclamadas para o pagamento das horas das referidas rubricas, mormente porque o pagamento da verba “reserva” é efetuado por rubrica específica a fim de não caracterizar salário complessivo, nos termos da norma coletiva.

Refuta a licitude da quitação das parcelas por “quilômetro de voo”, bem como a base de cálculo adotada.

Aponta violação dos arts. 444 da CLT e 23, 25 e 26 da Lei nº 7.183/1984 e contrariedade à Súmula nº 91 do TST e traz arestos a confronto de teses.

Ao exame.

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Segundo o Tribunal de origem, a reclamante alegou genericamente a incorreção do pagamento das parcelas “sobreaviso” e “reserva”, sendo certo que os contracheques juntados pelas reclamadas denunciaram o pagamento mensal de tais rubricas e que a autora não especificou a incorreção havida a ensejar as diferenças que entendia devidas, por ser fato constitutivo de seu direito.

Assim, diante desse contexto, não se evidencia a existência de salário complessivo e, como consequência, contrariedade à Súmula nº 91 do TST, ou violação dos arts. 444 da CLT e 23, 25 e 26 da Lei nº 7.183/1984.

Nego provimento.

B) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DA RECLAMADA.

I – CONHECIMENTO

Conheço do agravo de instrumento, porque satisfeitos

os pressupostos de admissibilidade.

II – MÉRITO

DIFERENÇAS SALARIAIS. ACÚMULO DE FUNÇÕES.

O Regional adotou os seguintes fundamentos: “Do acúmulo de funções:

Persegue a autora o pagamento de diferenças salariais decorrentes do exercício concomitante das funções de "comissária de voo" e "vendedora".

Assiste-lhe parcial razão.

Lançando luzes sobre a hipótese em baila, constato que a comercialização de produtos realizada pela autora não se insere no rol das atribuições das comissárias de voo, conforme se constata da "Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho", verbis:

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"5111-05 - Comissário de voo (Aeromoça, Comissário de bordo, Inspetor de bordo)

Descrição Sumária - Checam equipamentos e instalações das aeronaves, trens e embarcações; prestam serviços aos usuários de transportes aéreos, ferroviários e fluviais; demonstram aos passageiros os procedimentos de segurança e emergência; servem refeições preparadas e bebidas; orientam usuários sobre procedimentos de segurança e promovem o entretenimento e o bem-estar dos usuários.

Controlam a entrada e a saída de alimentos e materiais de limpeza; zelam pela manutenção da limpeza.

Agem em situações de emergência.

Cumprem rigorosamente normas e procedimentos técnicos e de segurança a bordo".

Por óbvio, o produto das indigitadas vendas acresceu patrimônio à empresa aérea que, contudo, não remunerou a trabalhadora pela respectiva força dispensada.

Valho-me da contribuição intelectual do douto Des. Mário Sérgio Medeiros Pinheiro exarada em processo análogo de minha relatoria (recurso ordinário - TRT - 0010732-68.2014.5.01.0043), verbis:

"Empregado contratado para determinada função recebe remuneração convencionada que se presume proporcional à habilitação profissional, à quantidade e qualidade dos serviços que lhe são exigidos. Este é o caráter sinalagmático do contrato de trabalho que impõe a compatibilização dos interesses de modo que o empenho e esforço exigido do empregado não sejam superiores aos seus fins úteis. Do contrário, fica caracterizada a ofensa do princípio de proporcionalidade e equivalência das prestações. Com efeito, "a conexão e o equilíbrio entre fins e meios decorrem do caráter finalístico do direito" (Paulo Bonavides). Na hipótese em exame, sem prejuízo da função originária, outra tarefa passou a reclamar maior esforço e empenho do demandante. Por conseguinte, passou a exigir-lhe maior responsabilidade devido ao acúmulo de funções, tudo dentro da mesma jornada de trabalho. Entretanto, os maiores

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encargos e responsabilidades não tiveram compensação financeira, porque sem nenhuma vantagem salarial adicional ou de outra natureza. Ainda que não haja previsão legal ou convencional específica, entendo que o Poder Judiciário deve restabelecer a conexão e equilíbrio do contrato, estabelecendo um 'plus' de remuneração mais próxima do que seria o adequado. Do contrário, restaria caracterizada a desproporcionalidade entre o volume de trabalho exigido e a remuneração devida. O princípio constitucional da isonomia salarial (CF/88, art. 7º, XXX) não pode ser dissociado desta conexão e equilíbrio entre os serviços prestados e a contraprestação correspondente. Ademais, Código Civil de 2002 introduziu nos arts. 421 e 422 os princípios da 'função social dos contratos' e da 'equivalência material das prestações'. Estes, porque aplicáveis subsidiariamente (CLT, art. 8º), preconizam a realização e preservação do equilíbrio real de direitos e deveres no contrato, antes, durante e após sua execução, para harmonizar os interesses dos contratantes de modo que o interesse de um não possa sobrepujar-se ao do outro. É um desdobramento do princípio da proporcionalidade, para corrigir os desequilíbrios supervenientes à continuidade executiva do contrato, mormente aquele do tipo de trato sucessivo, como é o contrato de trabalho".

Dessarte, dou parcial provimento para julgar procedente em parte o pedido, e condenar a ré ao pagamento de diferenças salariais, no percentual de 40% do salário da obreira, no período de 01/10/2010 até 17/05/2013, a título de acúmulo de funções em razão das indigitadas vendas, e reflexos sobre férias acrescidas do terço constitucional, natalinas, FGTS e verbas resilitórias.” (fls. 489/490)

Sustentam as reclamadas (fls. 528/533) que não houve labor em situação de acúmulo de funções.

Alegam que a reclamante recebia remuneração variável como contraprestação pelo exercício da função de vendedora, bem como que o contrato de trabalho pressupõe dever geral de colaboração, obrigando o trabalhador ao exercício de todas as tarefas compatíveis com a sua

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condição pessoal. Nesse aspecto, entendem que a venda de produtos a bordo não alterou substancialmente o trabalho realizado pela reclamante, pois a trabalhadora apenas passou a vender os produtos que antes eram fornecidos gratuitamente.

Aduzem que a reclamante não comprovou ter sido admitida para o desempenho exclusivo de determinadas funções ou tarefas, sendo certo que a trabalhadora aceitou as alterações praticadas.

Apontam a inexistência de Plano de Cargos e Salários a justificar o pagamento suplementar em razão do desvio de função e refutam a existência de amparo legal ou contratual ao pagamento de plus salarial pelo acúmulo funcional.

Fundamentam o recurso de revista em violação dos artigos 444, 456, parágrafo único, e 460 da CLT e em divergência jurisprudencial.

Ao exame.

O Regional condenou as reclamadas ao pagamento de diferenças salariais decorrentes do acúmulo das funções de comissária de bordo e vendedora. Entendeu a Corte de origem que a função de vendedora não se insere no rol das atribuições das comissárias de voo, função para a qual a reclamante foi contratada, bem como que as vendas realizadas a bordo resultaram em acréscimo patrimonial às empresas reclamadas, sendo certo que a autora não foi remunerada pela respectiva força dispensada. Extrai-se do acórdão regional que a reclamante laborava como comissária de bordo e também realizava vendas de produtos alimentícios a bordo das aeronaves.

É notória a concorrência no ramo dos serviços de transporte aéreo de passageiros, o que tem levado as empresas a diferenciar os produtos e serviços por elas disponibilizados. Nesse contexto, evidencia-se a redução de custos como uma tentativa de baratear ou de conter o aumento dos preços das passagens aéreas.

No âmbito desta Justiça especializada, devem ser analisados os efeitos de tais mudanças sobre as relações de trabalho entre as empresas e os aeronautas, aeroviários e outros prestadores de serviços.

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A concessão gratuita ou a venda de produtos alimentícios aos clientes é escolha comercial que se encontra dentro do regular exercício da livre iniciativa pelas empresas aéreas – arts. 1º, IV, e 170, caput, da CF/88.

Segundo o artigo 456, parágrafo único, da CLT, inexistindo cláusula expressa, entende-se que o empregado se obriga a todo e qualquer serviço compatível com a sua condição pessoal.

A Classificação Brasileira de Ocupações, citada no acórdão recorrido, é expressa ao inserir entre as atribuições dos comissários de bordo o serviço de refeições e bebidas preparadas, não havendo menção acerca da gratuidade ou da onerosidade dos produtos ofertados.

Com efeito, o fornecimento de refeições e bebidas aos passageiros se insere nas atribuições inerentes dos comissários de bordo, pouco importando se realizado a título gratuito ou mediante pagamento pelos usuários do transporte aéreo, o que, como dito, constitui uma opção comercial das empregadoras.

Desse modo, o Regional, ao condenar as reclamadas ao pagamento de diferenças salariais decorrentes do acúmulo de funções, aparentemente violou o disposto no art. 456, parágrafo único, da CLT, razão pela qual dou provimento ao agravo de instrumento.

C) RECURSO DE REVISTA I – CONHECIMENTO

Satisfeitos os pressupostos comuns de

admissibilidade, passo a examinar os específicos do recurso de revista.

DIFERENÇAS SALARIAIS. ACÚMULO DE FUNÇÕES.

Conforme consignado por ocasião da análise do agravo de instrumento, o recurso de revista alcança o conhecimento, porquanto evidenciada a afronta a dispositivo legal.

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Conheço por violação do art. 456, parágrafo único, da

CLT.

II – MÉRITO

DIFERENÇAS SALARIAIS. ACÚMULO DE FUNÇÕES.

Consequência lógica do conhecimento do recurso de revista por violação do art. 456, parágrafo único, da CLT é o seu provimento.

Assim, dou provimento ao recurso de revista para restabelecer a sentença que indeferiu a condenação das reclamadas ao pagamento das diferenças salariais por acúmulo de função. Custas inalteradas.

ISTO POSTO

ACORDAM os Ministros da Oitava Turma do Tribunal

Superior do Trabalho, por unanimidade: a) conhecer do agravo de instrumento da reclamante e, no mérito, negar-lhe provimento; b) conhecer do agravo de instrumento das reclamadas, e, no mérito, dar-lhe provimento para determinar o processamento do recurso de revista; e c) conhecer do recurso de revista das reclamadas, por violação do art. 456, parágrafo único, da CLT e, no mérito, dar-lhe provimento para restabelecer a sentença que indeferiu a condenação das reclamadas ao pagamento das diferenças salariais por acúmulo de função. Custas inalteradas.

Brasília, 17 de dezembro de 2019.

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)

DORA MARIA DA COSTA Ministra Relatora

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