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2 - Citada, contesta a R., dizendo, no que ora interessa,

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Cópias da sentença do 12.° Juízo Cível do Tribunal da Comarca de Lisboa e dos acórdãos do Tribunal da Relação de Lisboa e do Supremo Tribunal de Justi- ça proferidos no processo de registo de modelo in- dustrial n.° 20 143.

I - Relatório

1 - Postejo - Pré-Fabricados de Cimento, L.da, veio propor a presente acção declarativa, com processo ordiná- rio, contra Préfabe - Sociedade de Pré-Fabricados de Cimentos, S. A., com os sinais dos autos, alegando, em resumo, que:

1.1 - A A. é uma empresa que se dedica, desde 1987, ao fabrico e comercialização de postes de betão armado para redes eléctricas, bem como a todo o tipo de material em cimento armado e não armado, manilhas e restantes acessórios;

1.2 - A R. também se dedica ao fabrico e comercia- lização de postes de betão armado para linhas eléctricas desde 1973;

1.3 - Em 28 de Janeiro de 1988 a R. Préfabe deposi- tou, no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o pedido de modelo industrial n.° 20 143, destinado a poste de betão armado em formato de U, o qual foi concedido por despacho de 31 de Julho de 1991, publicado no Bole- tim da Propriedade Industrial, de 31 de Janeiro de 1992; 1.4 - O referido modelo não tem, porém, qualquer novidade, já que é fabricado e comercializado em Portu- gal pela R., pela A. e por outras sociedades que se dedi- cam à mesma actividade;

1.5 - Os postes de formato em U são fabricados e comercializados pela R. desde de 1973, pela A. desde 1987, pela sociedade PED desde Fevereiro de 1986, pela sociedade Posterede desde Maio de 1986 e pela Cimentorre desde Janeiro de 1988;

1.6-O pedido de registo do modelo industrial em causa foi depositado apenas em 28 de Janeiro de 1988; 1.7-A Sociedade Portuguesa Cavan, S. A., apresen- tou também, em Fevereiro de 1990, os pedidos de mode- lo industrial n.os 20 948 e 20 949 para os referidos postes, que, depois de devidamente reclamados pela ora A., fo- ram recusados por falta de novidade;

1.8 -A falta de novidade do modelo industrial em apre- ço é causa de nulidade ou de, pelo menos, anulabilidade do depósito e título respectivo, nos termos dos artigos 69.°. n.° 3, e 70.° do antigo CPI, a que correspondem hoje os artigos 32.°, 33.° e 34.° do actual CPI.

Conclui pela procedência da acção, pedindo que se declare nulo ou que se anule o depósito do modelo indus- trial n.° 20 143 e respectivo título, com todas as conse- quências legais.

2 - Citada, contesta a R., dizendo, no que ora interes- sa, que:

2.1 - Para a manutenção do registo, não interessa a novidade que o modelo em causa tenha agora mas sim a que tinha e foi apreciada no momento da concessão;

2.2 - Os postes de betão que a R. fabricava anterior- mente eram diferentes do modelo cujo registo veio pedir e obteve;

2 . 3 - A A. fabrica postes desde 1987, copiando os modelos e a tecnologia da R. Conclui pela improcedência da acção.

3 - A A. apresentou réplica para responder à excep- ção de caducidade suscitada pela R. na contestação.

4 - Proferido despacho saneador, no qual foi julgada improcedente a excepção deduzida, elaborou-se a especifi- cação e questionário, que sofreram reclamação, desatendi- da pelo despacho a fl. 246.

5 - Procedeu-se à realização da audiência de discus- são e julgamento, com a observância do formalismo le- gal, como da acta de fls. 254 e seguintes se alcança, sen- do julgada a matéria de facto pela forma consignada a fl. 257.

6 - As partes apresentaram alegações de direito, por escrito, mantendo a posição dos articulados.

II - Validade e regularidade da instãncia

A instância mantém-se válida e regular, não existindo questões prévias de que importe conhecer.

III - Fundamentação 1 - Factualidade assente:

1.1 - A A. dedica-se, desde a sua constituição em 1987, ao fabrico e comercialização de postes em betão armado para redes eléctricas, bem como a todo o tipo de material em cimento armado, manilhas e restantes acessó- rios - alínea A) da especificação;

1.2-A R. dedica-se ao fabrico e comercialização de postes de betão armado para linhas eléctricas, desde

1973-alínea B) da especificação;

1.3-Em 28 de Janeiro de 1988 a R. requereu, no INPI, o depósito do modelo industrial n.° 20 143, destinado

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a «poste de betão armado em forma de U», o qual foi concedido por despacho de 31 de Julho de 1991, publica- do no Boletim da Propriedade Industrial. n.° 7/1991, de 31 de Janeiro de 1992, conforme documentos de fl. 16 a fl. 19, que aqui se dão por integralmente reproduzidos- alínea C) da especificação;

1.4-A A. requereu em 15 de Dezembro de 1987, no INPI, o depósito do modelo industrial n.° 20 037, destina- do ao mesmo tipo de poste, ao que a R. se opôs e que veio a ser recusado, por falta de novidade, conforme cer- tidão de fls. 55 e seguintes, que se dá por integralmente reproduzida-alínea D) da especificação;

1.5 - A A. fabrica e comercializa os postes referido no n.° 1.3 [alínea c)] desde 1987 - alínea E) da especificação; 1.6-A Sociedade Portuguesa Cavan, S. A., requereu em 17 de Fevereiro de 1989, no INPI, o depósito dos modelos industriais n.os 20 948 e 20 949, a que a A. se opôs e que vieram a ser recusados por despachos de 14 de Novembro de 1995, por falta de novidade, conforme o teor das certidões de fl. 221 a fl. 231, que se dão por reproduzidas - alínea F) da especificação;

1.7 - Desde 1973, a R. Préfabe fabrica e comercializa, em Portugal, postes em betão armado, para linhas eléctri- cas, com secção de formato em U, também designados «postes tipo U», sendo que, a partir de data indeterminada de 1987, a R. introduziu algumas modificações naquele formato, dando um aspecto angular às extremidades das abas dos postes, em vez da anterior forma arredondada, e substituindo o perfil boleado do seio -alma do poste- por um contorno de linha trapezoidal resposta ao que- sito 1.°;

1.8 - A Sociedade Portuguesa Cavan, S. A., tem vin- do a comercializar os referidos postes fabricados pela R. - resposta ao quesito 2.°

2 - Análise jurídica:

A A. pretende a anulação do título de depósito do modelo industrial n.°20 143, destinado a «poste de betão armado em forma de U», reproduzido a fl. 17, registado pela R. em consequência de pedido formulado em 28 de Janeiro de 1988, invocando falta de novidade daquele modelo, porquanto o mesmo já vinha sendo fabricado e comercializado pela R. desde 1973 e pela A. desde 1986, para além de outras firmas.

Em primeiro lugar, importa precisar que, atenta a data dos factos, é aplicável ao caso o regime previsto no Có- digo da Propriedade Industrial aprovado pelo Decreto n.° 30 679, de 24 de Agosto de 1940, então em vigor.

Segundo o artigo 40.° do sobredito Código, consideram- -se modelos industriais os moldes, formas, padrões, rele- vos e demais objectos que sirvam de tipo na fabricação de um produto industrial, definindo-lhe a forma, as dimen- sões, a estrutura ou a ornamentação. Nestes modelos é protegida apenas a forma sob o ponto de vista geométrico ou ornamental.

E de acordo com o artigo 43.° do mesmo Código, só gozam de protecção legal os modelos novos ou os que, não o sendo inteiramente, realizem combinações novas de elementos conhecidos, ou disposições diferentes de elemen- tos já usados, que dêem aos respectivos objectos aspecto geral distinto. Por sua vez, o artigo 51.° considera nova o modelo que, antes do pedido do respectivo depósito, ain- da não foi divulgado dentro ou fora do País, de modo a poder ser conhecido e explorado por peritos na especiali- dade, não se considerando novo o modelo que seja utili-

zado de modo notório ou por qualquer forma caído no domínio público.

Finalmente, o artigo 69.°, n.° 3, do predito Código pre- vê a anulação dos títulos de depósito dos modelos que não contenham novidade, a qual só pode ser decretada por sentença judicial (artigo 70.°).

Assim sendo, ao interessado que pretenda obter tal anu- lação incumbe provar a falta de novidade do modelo, como facto constitutivo que é do direito potestativo de anula- ção, em conformidade com o estatuído no artigo 342.°, n.° 1, do Código Civil.

Perante o quadro jurídico traçado, cumpre apreciar a situação fáctica dada como assente.

Dúvidas não há de que estamos em presença de um modelo industrial consistente numa forma que serve de tipo à fabricação de postes de betão armado para redes eléctri- cas. E está em causa a protecção dessa forma sob o ponto de vista geométrico-postes de tipo U.

Questão controvertida é a de saber se o referido mode- lo revestia novidade aquando do pedido de depósito, para efeitos de registo, em 28 de Janeiro de 1988.

Como já foi referido, a A. defende tese negativa, sus- tentando que o referido modelo já era fabricado e comer- cializado anteriormente, quer por ela quer pela própria R. e por outras sociedades.

A R. pugna por tese contrária, argumentando que o modelo depositado para registo se apresenta distinto do anteriormente fabricado e comercializado, em face de al- terações então por si introduzidas no formato do poste.

Da factualidade assente decorre, com relevo para a questão, que a A. fabrica e comercializa, desde 1987, postes do mesmo tipo do registado - alíneas C) e E) da especificação.

Por sua vez, da resposta ao quesito 1.° resulta que a R. fabrica e comercializa, desde 1973, postes do tipo U, mas que, desde data indeterminada de 1987, introduziu modi- ficações naquele formato, que consistiram na angulação das extremidades das abas do tipo de poste e na substituição do perfil boleado do respectivo seio para um contorno trapezoidal.

Será discutível se essas alterações induzem novidade no formato do poste, de modo a torná-lo distinto do que vi- nha sendo anteriormente fabricado. Porém, a A. não fez - como lhe competia - prova cabal da exacta feição do formato substituído, em termos de possibilitar a sua com- paração.

De qualquer modo, o certo é que quer a A. quer a R. vêm fabricando e comercializando, desde 1987, postes do formato do registado, como se alcança da matéria dada como assente na alínea E) da especificação e na resposta ao quesito 1.° E note-se que é a própria R. a confessá-lo quando, no artigo 7.° da contestação, afirma que a A. fa- brica postes desde 1987, copiando os modelos e a tecnologia da R.

Tais factos só podem significar, em nosso modesto entendimento, que o modelo registado já se encontrava divulgado de modo a poder ser conhecido e explorado antes do pedido de depósito formalizado pela R. em 28 de Janeiro de 1988, carecendo, por conseguinte, de novi- dade nos termos do artigo 51.°, a contrario sensu, do CPI então em vigor.

Reconhecida, assim, a falta de novidade do modelo industrial em questão, há que operar a anulação do título de depósito ao abrigo do preceituado nos artigos 69.°, n.° 3, e 70.° do mencionado Código.

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IV - Decisão

Pelo exposto, julgo a acção provada e procedente e, em consequência disso, reconheço a falta de novidade do modelo industrial n.° 20 143, reproduzido a fl. 17, e de- creto a anulação do respectivo título e depósito.

Custas pela R. Registe e notifique.

Transitada em julgado a presente decisão, extraia e re- meta ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial cer- tidão da sentença para os efeitos do artigo 70.°, § único, do CPI de 1940.

Lisboa, 21 de Maio de 1998. - O Juiz de Direito, (As- sinatura ilegível.)

Acordam no Tribunal da Relação de Lisboa: I

Postejo - Pré-Fabricados de Cimento, L.da, intentou a presente acção declarativa, com processo ordinária, no Tribunal Cível da Comarca de Lisboa (distribuído ao 12.° Juízo), contra Préfabe - Sociedade de Pré-Fabricados de Cimento, pedindo que seja declarado nulo ou anulado o depósito do modelo industrial n.° 20 143 e respectivo títu- lo.

Alegou, em resumo, que:

A A. é uma empresa que se dedica, desde 1987, ao fabrico e comercialização de postes de betão armado para redes eléctricas, bem como a todo o tipo de material em cimento armado e não armado, manilhas e restantes aces- sórios.

A R. também se dedica ao fabrico e comercialização de postes de betão armado para linhas eléctricas desde

1973.

Em 28 de Janeiro de 1988 a R. depositou, no Institu- to Nacional da Propriedade Industrial, o pedido de mo- delo industrial n.° 20 143, destinado a poste de betão armado em formato de U, o qual foi concedido por des- pacho de 31 de Julho de 1991, publicado no Boletim da Propriedade Industrial. n.° 7/1991, de 31 de Janeiro de

1992.

O referido modelo não tem, porém, qualquer novidade, já que é fabricado e comercializado em Portugal pela R., pela A. e por outras sociedades que se dedicam à mesma actividade.

Quando a A. fez o depósito do modelo industrial n.° 20 037 para esse mesmo tipo de poste, a R. veio recla- mar com base na mesma argumentação de que se fabrica- va há muito os aludidos postes, tendo o modelo sido re- cusado.

A Sociedade Portuguesa Cavan, S. A., apresentou tam- bém, em Fevereiro de 1990, os pedidos de modelo indus- trial n.os 20 948 e 20 949 para os referidos postes, que, após terem sido reclamados pela A., foram recusados por falta de novidade.

A falta de novidade do referido modelo industrial é causa de nulidade ou, pelo menos, anulabilidade do depó- sito e título respectivo, face ao disposto nos artigos 69.°, n.° 3, e 70.°, do antigo CPI.

Na contestação, a R. defendeu-se, por excepção, dizen- do que o direito de pedir a anulação do registo em causa já precludiu; e, por impugnação, alegando que, para a ma-

nutenção do registo, não interessa a novidade que o mo- delo em causa tenha agora mas sim a que tinha na altura da concessão. Não é verdade o que a A. aduz na petição, porquanto os postes de betão que a R. fabricava anterior- mente eram diferentes do modelo cujo registo veio pedir e obteve.

Concluiu pela procedência da excepção, ou, quando assim se não entenda, a acção deve ser julgada improce- dente.

Na réplica, a A. concluiu pela improcedência da excep- ção.

No saneador, julgou-se improcedente a excepção deduzida pela R.

Além disso, organizou-se a especificação e o questio- nário.

A A. apresentou reclamação contra o questionário, a qual foi indeferida.

Após a audiência de julgamento, o tribunal colectivo respondeu à matéria de facto quesitada, pela forma que consta de fl. 257 a fl. 258. Na leitura das respostas aos quesitos, as partes delas não reclamaram.

Ambas as partes apresentaram alegações de direito. Na sentença, a acção foi julgada procedente e, conse- quentemente, reconheceu-se a falta de novidade do mode- lo industrial n.° 20 143, reproduzido a fl. 17, decretando- -se a anulação do respectivo título e depósito.

Inconformada, a R. interpôs recurso dessa sentença, que foi admitido como apelação.

Conclusões da alegação da apelante:

1 - No julgamento da matéria de facto ficou provado em resposta ao quesito 1.° que a partir de data indeter- minada de 1987 a apelante introduziu alguma modifica- ções naquele formato, dando um aspecto angular às extre- midades das abas dos postes em vez da anterior forma arredondada e substituindo o perfil boleado do seio - alma do poste-por um contorno de linha trapezoidal.

2 - Aquelas modificações introduzidas conferiram no- vidade ao formato do poste.

3 - A A. não fez prova da exacta feição do formato substituído do poste em termos de possibilitar a sua com- paração.

4 - A sentença recorrida, reconhecendo a falta de no- vidade do modelo industrial, não obstante as modificações introduzidas pela apelante nos formatos dos postes, fez incorrecta interpretação dos factos provados e, consequen- temente, errada aplicação do direito ao ter julgado proce- dente a acção.

Nestes termos, concluiu que deve ser dado provimento ao recurso, revogando-se a sentença recorrida.

Contra-alegou a apelada, sustentando, em conclusão, que deve ser negado provimento ao recurso, mantendo-se a sentença recorrida.

II Factos provados:

1 - A A. dedica-se, desde a sua constituição, em 1987, ao fabrico e comercialização de postes em betão armado para redes eléctricas, bem como a todo o tipo de material em cimento armado, manilhas e restantes acessórios - alí- nea A).

2 - A R. dedica-se ao fabrico e comercialização de postes de betão armado para linhas eléctricas desde

1973 - alínea B).

3 - Em 28 de Janeiro de 1988 a R. requereu, no Ins- tituto da Propriedade Industrial, o depósito do modelo industrial n.° 20 143, destinado a «poste de betão armado

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em forma de U», o qual foi concedido por despacho de 31 de Julho de 1991, publicado no Boletim da Proprieda- de Industrial. n.° 7/1991, de 31 de Janeiro de 1992, con- forme documentos de fl. 16 a fl. 19-alínea C).

4-A A. requereu em 15 de Dezembro de 1987, no Instituto da Propriedade Industrial, o depósito do modelo industrial n.° 20 037, destinado ao mesmo tipo de poste, ao que a R. se opôs, e que veio a ser recusado, por falta de novidade, conforme certidão de fls. 55 e segs. - alí- nea D).

5 - A A. fabrica e comercializa os postes referidos - alínea C) - desde 1987 - alínea E).

6 - A Sociedade Portuguesa Cavan, S. A., requereu em 17 de Fevereiro de 1989, no Instituto da Propriedade Industrial, o depósito dos modelos industriais n.° 20 948 e 20 949, a que a A. se opôs, e que vieram a ser recusados por despachos de 14 de Novembro de 1995, por falta de novidade, conforme o teor das certidões de fl. 221 a fl. 231 - alínea F).

7 - Desde 1973, a R. Préfabe fabrica e comercializa, em Portugal, postes em betão armado para linhas eléctri- cas, com secção de formato U, também designados «pos- tes tipo U», sendo que, a partir de data indeterminada de 1987, a R. introduziu algumas modificações naquele for- mato. dando um aspecto angular às extremidades das abas dos postes, em vez da anterior forma arredondada, e subs- tituindo o perfil boleado do seio -alma do poste - por um contorno de linha trapezoidal -resposta ao quesito 1.° 8 - A Sociedade Portuguesa Cavan, S. A., tem vindo a comercializar os referidos postes fabricados pela R. - resposta ao quesito 2.°

III

O âmbito do recurso está, objectivamente, delimitado pelas conclusões da alegação da apelante (artigos 660.°, n.°2, 684.°, n.° 3, e 690.°, n.° 1, do CPC). Por consequência, só das questões postas nessas conclusões há que conhecer.

Tais conclusões reconduzem-se à seguinte questão decidenda: saber se as modificações introduzidas pela R., a partir de data indeterminada de 1987, no poste de betão armado para linhas eléctricas, designado «poste tipo U», conferiram novidade ao modelo respectivo.

Em 28 de Janeiro de 1988 a R. requereu, no Instituto da Propriedade Industrial, o depósito do modelo industrial n.° 20 143, destinado a «poste de betão armado em forma de U», o qual lhe foi concedido por despacho de 31 de Julho de 1991 (publicado no Boletim da Propriedade In- dustrial. n.° 7/91, de 31 de Janeiro).

Nesta acção, a A. pretende que seja declarada a nuli- dade desse modelo industrial e do respectivo título com o fundamento de que o modelo industrial em causa não contém qualquer novidade (artigos 69.°, n.° 3, e 70.° do CPI de 1940).

Pelo contrário, a R. veio argumentar que o modelo cujo registo pediu e obteve é diferente do poste de betão que anteriormente estava a fabricar.

Com efeito, provou-se que, na altura acima referida, a R. introduziu algumas modificações no formato do «poste tipo U», dando-lhe um aspecto angular às extremidades das abas do poste, em vez da anterior forma arredondada, e substituindo-lhe o perfil boleado do seio - alma do pos- te -, por um contorno de forma trapezoidal.

Pergunta-se, em resultado dessas modificações, se se pode falar no surgimento de um modelo novo de poste de betão.

À data do pedido de depósito do referido modelo in- dustrial (28 de Janeiro de 1988) estava em vigor o CPI de 1940, pelo que é à luz das normas desse Código que deve ser resolvida a questão posta.

Segundo a noção legal dada pelo artigo 40.° desse Código, consideram-se modelos industriais os moldes, for- mas, padrões, relevos e demais objectos que sirvam de tipo na fabricação de um produto industrial, definindo-lhe a forma, as dimensões ou a ornamentação. Nestes modelos é protegida apenas a forma sob o ponto de vista geomé- trico ou ornamental (§ único).

Conforme o artigo 43.° desse Código, só gozam de protecção legal os modelos novos e os que, não o sendo, realizem combinações novas de elementos conhecidos ou disposições diferentes de elementos já usados que dêem aos respectivos objectos aspecto geral distinto.

Por outro lado, depreende-se do artigo 50.° do mesmo Código que a alteração dos elementos essenciais de um modelo depositado implicará sempre um novo depósito. No caso vertente, para que se pudesse formar um mo- delo novo de poste de betão a partir do poste que era fabricado e comercializado pela R. era necessário que ela tivesse alterado os seus elementos essenciais.

Ora, isso não se demonstrou. Na verdade, afigura-se- -nos que as modificações descritas na resposta ao quesito 1.°, que a R. introduziu no «poste tipo U», na altura refe- rida, são insuficientes para se poder concluir que as mes- mas configuram alterações dos seus elementos essenciais, dando origem, desse modo, a um modelo novo de poste. A prova da novidade do modelo recai sobre a R., nos termos do artigo 342.°, n.° 2, do Código Civil, em virtude de se tratar de prova de factos impeditivos ou modifica- tivos do direito invocado pela A. nesta acção.

Em todo o caso, dir-se-á que, na sua contestação, a R. nem sequer chegou a alegar que o modelo registado era um modelo novo. Apenas alegou (no artigo 6.° daquele articulado) que o modelo registado era diferente do que, anteriormente, fabricava. Ora, e salvo o devido respeito, modelo diferente não significa, necessariamente, que seja um modelo novo ou que seja globalmente distinto para o efeito de protecção legal (artigo 43.° do CPI de 1940). Portanto, a ré apelante não demonstrou, como lhe com- petia, que o modelo industrial depositado em apreço con- tém novidade em relação ao «poste tipo U», a despeito das modificações neste introduzidas.

Acresce, por outro lado, que, conforme dispõe o arti- go 51.° do CPI de 1940: «É novo o desenho ou modelo que, antes do depósito, ainda não foi divulgado dentro ou fora do País, de modo a poder ser conhecido e explorado por peritos na especialidade.»

Ora, provou-se que, desde 1987, a A. fabrica e comercializa postes do formato registado («poste de betão armado em forma de U») e que a R. fabrica e comercializa, desde 1973, postes desse tipo, tendo-lhe introduzido, a partir de data indeterminada de 1987, as modificações acima descritas.

Decorre daí que o modelo de poste em causa já estava divulgado antes do pedido de depósito do modelo indus- trial n.° 20 143 [alínea c)], de modo a poder ser conheci- do e explorado por peritos da especialidade, falhando, assim, no caso vertente os pressupostos da novidade do modelo previstos naquele normativo.

Decidiu-se bem, na sentença sob recurso, ao anular o respectivo título e depósito, por ausência de novidade do modelo industrial em apreço (artigos 69.°, n.° 3, e 70.° do referido Código).

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Neste sentido, o Acórdão do STJ de 9 de Janeiro de 1979, publicado no Boletim do Ministério da Justiça, n.° 283.°, p. 314 (citado nos autos).

Improcedem, pois, as conclusões. IV

Nestes termos, acorda-se em negar provimento ao re- curso e em confirmar a douta sentença recorrida.

Custas pela apelante.

Lisboa, 13 de Abril de 2000. - (Assinaturas ilegíveis.)

Acordam no Supremo Tribunal de Justiça:

No 12.° Juízo Cível de Lisboa, Postejo - Pré-Fabri- cados de Cimento, L.da, intentou a presente acção ordi- nária contra a ré Préfabe - Sociedade de Pré-Fabricados de Cimento. S. A., pedindo que seja declarado nulo ou anulado o depósito de modelo industrial n.° 20 143 e res- pectivo título, destinado a poste de betão armado em formato de U. que a ré efectuou no Instituto Nacional da Propriedade Industrial em 28 de Janeiro de 1988 e que lhe foi concedido, por despacho de 31 de Julho de

1991.

Para tanto, alega que o referido modelo registado não tem qualquer novidade, já que, para além de ser fabricado e comercialízado pela ré, também o é pela autora desde

1987 e ainda por outras sociedades.

A ré contestou, dizendo que, para a manutenção do registo, não interessa a novidade que o modelo em causa tenha agora mas a que tinha na altura da concessão.

Acrescenta que os postos que a ré fabricava anterior- mente eram diferentes do modelo cujo registo veio a pe- dir e a obter.

Saneado, condensado e instruído o processo procedeu- -se a julgamento, que culminou com a prolação de sen- tença, onde se decidiu julgar a acção procedente e, consequentemente:

Reconhecer a falta de novidade do modelo industrial n.° 20 143, reproduzido a fl. 17;

Decretar a anulação do respectivo título e depósito. Apelou a ré, mas a Relação de Lisboa, através do seu Acórdão de 13 de Abril de 2000 (fls. 291 e segs.), ne- gou provimento à apelação e confirmou a sentença re- corrida.

Ainda inconformada, a ré pede revista, em cujas alega- ções conclui:

1) O acórdão recorrido entendeu que, estando em causa saber se determinadas mutações de um modelo industrial, cujo registo fora concedido, eram ou não idóneas para lhe conferir novidade, era sobre a ré que recaía o ónus da prova; 2) Mas não é assim, porquanto a concessão do de-

pósito do modelo industrial em questão implica presunção jurídica de novidade, nos termos do artigo 46.° do CPI de 1940 (aqui aplicável), o que dispensa a ré de fazer a prova desse facto (arti- go 350.°, n.° 1, do CC);

3) Por isso, não impendia o ónus de qualquer prova sobre a ré, sendo a autora que tinha de destruir a prova resultante da presunção, se quisesse ver triunfar a sua tese;

4) Sem embargo, a ré ainda trouxe aos autos prova de modificações que efectuou no modelo do poste em referência, que consistiram em dar aspecto regular às extremidades das abas, em vez da an- terior forma arredondada, e em substituir o perfil boleado do seio - alma do poste - por um con- torno de linha trapezoidal;

5) A autora não refutou a existência do elemento da novidade do modelo registado, mediante prova do contrário;

6) Foram violados os artigos 342.°, n.° 1, e 350.°, n.° 1, do CC e 44.°, 46.°, 52.° e 54.° do Código da Propriedade Industrial de 1940;

7) Deve conceder-se a revista, revogar-se o acórdão recorrido e absolver-se a ré do pedido.

A autora contra-alegou em defesa do julgado. A Relação considerou provados os factos seguintes:

1) A ré Préfabe dedica-se ao fabrico e comercia- lização de postes de betão armado para linhas eléctricas desde 1973;

2) Desde 1973 a ré fabrica e comercializa, em Por- tugal, postes em betão armado para linhas eléc- tricas, com secção de formato em U, também designados por «postes de tipo U», sendo que, a partir de data indeterminada de 1987, a ré intro- duziu algumas modificações naquele formato, dando um aspecto angular às extremidades das abas dos postes, em vez da anterior forma arre- dondada, e substituindo o perfil boleado do seio - alma do poste - por um contorno de linha trapezoidal;

3) A autora dedica-se, desde a sua constituição, em 1987, ao fabrico e comercialização de postes em betão armado para redes eléctricas, bem como a todo o tipo de material em cimento armado, ma- nilhas e restantes acessórios;

4) A autora requereu em 15 de Dezembro de 1987, no Instituto da Propriedade Industrial, o depósito do modelo industrial n.° 20 037, destinado ao mesmo tipo de poste, ao que a ré se opôs e que veio a ser recusado, por falta de novidade, nos termos da certidão a fls. 55 e segs;

5) Em 28 de Janeiro de 1988, a ré Préfabe reque- reu, no Instituto Nacional da Propriedade Indus- trial, o depósito do modelo industrial n.° 20 143, destinado a poste de betão armado em forma de U, cuja configuração consta de fl. 17 (publica- do no Boletim da Propriedade Industrial, n.° 3/ 1989; Diário da República, de 4 de Outubro de 1989), o qual foi concedido, por despacho de 31 de Julho de 1991 (publicado no Boletim da Propriedade Industrial, n.° 7/1991; Diário da República, de 31 de Janeiro de 1992);

6) A autora fabrica e comercializa os postes referi- dos na alínea C) da especificação desde 1987: 7) A Sociedade Portuguesa Cavan, S. A., requereu em 17 de Fevereiro de 1989, no Instituto da Pro- priedade Industrial, o depósito dos modelos indus- triais n.os 20 948 e 20 949, a que a autora se opôs, e que vieram a ser recusados por despacho de 14 de Novembro de 1995, por falta de novidade; 8) A Sociedade Portuguesa Cavan, S. A., tem vin-

do a comercializar os referidos postes fabricados pela ré.

(6)

Na 1.ª instância a acção foi julgada procedente com base na seguinte argumentação:

É discutível se as alterações introduzidas pela ré, em 1987, induzem novidade no formato do poste, de modo a torná-lo distinto do modelo que vinha sendo anteriormen- te fabricado.

A autora não fez, como lhe competia, prova cabal da exacta feição do formato substituído, em termos de possi- bilitar a sua comparação.

De qualquer modo, quer a autora quer a ré vêm fabri- cando e comercializando, desde 1987, postes do formato do registado, como resulta da matéria da alínea E) da especificação e da resposta ao quesito 1.°

Tais factos só podem significar que o modelo regista- do já se encontrava divulgado, de modo a poder ser co- nhecido e explorado antes do pedido de depósito, forma- lizado pela ré em 28 de Janeiro de 1988, carecendo, por isso, de novidade.

No recurso de apelação, a ré pugna no sentido de ser reconhecido que as mencionadas alterações por ela introduzidas, no ano de 1987, conferiram novidade ao formato do poste.

Ao julgar o recurso, a Relação entendeu que o ónus da prova da novidade do formato incumbia à ré, não tendo esta demonstrado que o modelo industrial em apreço con- tenha novidade relativamente ao anterior poste em forma de U, a despeito das modificações neste introduzidas.

E como se provou que, desde 1987, a autora fabrica postes do formato registado (poste de betão armado em forma de U) e que a ré, desde 1973, também fabrica e comercializa postes desse tipo, tendo-lhe introduzido, a partir de data indeterminada de 1987, as modificações acima descritas, a Relação concluiu que o modelo do poste em causa já estava divulgado antes do pedido do depósito do modelo n.° 20 143, requerido pela ré, faltando, assim, no caso presente, os pressupostos da novidade do mode- lo, previstos no artigo 51.° do CPI de 1940.

Que dizer?

Atenta a data dos factos, é aplicável o regime previsto no Código da Propriedade Industrial, aprovado pelo De- creto-Lei n.° 30 679, de 24 de Agosto de 1940, então vi- gente.

São dele todas as disposições que, doravante, se vão enunciar (sem qualquer outra menção) e cujo conteúdo importa ter em conta para a decisão do recurso.

Assim, começaremos por referir que são considerados modelos industriais os moldes, formas, padrões, relevos e demais objectos que sirvam de tipo na fabricação de um produto industriai, definindo-lhe a forma, as dimensões, a estrutura ou a ornamentação - artigo 40.°

Nestes modelos é protegida apenas a forma, sob pon- to de vista geométrico ou ornamental - artigo 40.°, § único.

Só gozam de protecção legal os modelos ou desenhos novos e os que, não o sendo inteiramente, realizem com- binações novas de elementos conhecidos, ou disposições diferentes de elementos já usados, que dêem aos respecti- vos objectos aspecto geral distinto-artigo 43.°

Só é novo o desenho ou o modelo que, antes de pedi- do o respectivo depósito, ainda não foi divulgado dentro ou fora do País, de modo a poder ser conhecido e explo- rado por peritos da especialidade - corpo do artigo 51.° Não se considera novo o modelo ou desenho que, den- tro ou fora do País, já foi objecto de depósito anterior; o que tenha sido descrito em publicações de modo a poder ser conhecido e explorado por peritos da especialidade, e

o utilizado de modo notório ou por qualquer forma caído no domínio público - artigo 51.°, § 1.°

Como decorre da petição inicial, a acção funda-se na falta de novidade do modelo industrial n.° 20 143, de pos- te de betão armado em forma de U, com a configuração constante de fl. 17, fabricado pela ré, «por já há muito ser fabricado e comercializado, em Portugal, pela ré, pela autora e por outras sociedades que se dedicam à mesma actividade» (artigo 9.° da petição).

Ora, um primeiro aspecto a considerar é o de que estamos em presença de um modelo industrial consistente numa forma que serve de tipo ao fabrico de postes de betão armado para linhas eléctricas.

Não interessa a falta de novidade que o modelo desse poste, de betão armado, possa ter actualmente ou até na data da instauração da presente acção.

O que releva é a novidade do modelo do poste, cuja . configuração consta de fl. 17, reportada à data de 28 de Janeiro de 1988, em que a ré requereu o seu depósito no Instituto da Propriedade Industrial, conforme flui do cita- do artigo 51.°

O conceito de novidade, embora de natureza jurídica, é integrado por elementos de facto que só às instâncias com- pete averiguar (Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 9 de Janeiro de 1979, Boletim. pp. 283-314).

Como resulta dos factos provados, a ré fabrica e comercializa postes de betão armado em forma de U para linhas eléctricas desde 1973.

Em 1987 a autora começou também a fabricar e a pro- duzir postes do mesmo formato.

Em 15 de Dezembro de 1987 a autora requereu o de- pósito do modelo industrial n.° 20 037 daquele formato de poste, com a configuração que consta de fl. 57, o qual veio a ser recusado, após oposição da ré, por falta de novi- dade.

Em data indeterminada do ano de 1987, a ré introduziu algumas modificações no formato do poste que vinha fa- bricando, dando um aspecto angular às extremidades dos postes, em vez da anterior forma arredondada, e substi- tuindo o perfil boleado do seio - alma do poste - por um contorno de linha trapezoidal.

Seguidamente, em 28 de Janeiro de 1988 a ré requereu o depósito do modelo industrial n.° 20 143, com a confi- guração que consta de fl. 17, que lhe foi concedido.

A concessão deste depósito implica mera presunção jurídica de novidade para o respectivo modelo industrial

desse poste da ré - artigo 46.°

Como é sabido, quem tem a seu favor uma presunção legal está dispensado de provar o facto a que ela conduz- artigo 350.°, n.° 1, do Código Civil.

Mas essa presunção legal de novidade pode ser ilidida mediante prova em contrário, por ser juris tantum - arti- go 350.°, n.° 2, do Código Civil.

Assim, por a ré gozar daquela presunção legal de novi- dade, apenas incumbe a esta alegar e provar o facto que serve de base à presunção, ou seja, que requereu o depó- sito do modelo industrial n.° 20 143 e que este lhe foi concedido.

A ré produziu tal prova.

Como bem observa Antunes Varela (Revista de Legis- lação e Jurisprudência, n.° 122, pp. 261-218), «à outra parte compete, para destruir a prova feita através da pre- sunção, fazer prova do contrário:

a) Ou do facto que serve de base à presunção; b) Ou do próprio facto presumido».

(7)

Quer dizer, contrariamente ao decidido pela Relação, é à autora que incumbe provar a falta de novidade do mo- delo industrial do poste, cujo depósito foi concedido.

Ora, a autora não logrou fazer a prova dessa falta de novidade.

Com efeito, não alegou nem provou a forma geométri- ca ou ornamental do primitivo poste fabricado pela ré, pelo que não há elementos para possibilitar a sua comparação, nem para se poder concluir se as alterações que nele fo- ram introduzidas lhe conferem ou não um aspecto geral distinto.

Depois, há ainda a ponderar que não está esclarecida a data do ano de 1987 em que a autora passou a fabricar o mesmo formato do primitivo poste, que a ré já vinha comercializando desde 1973, nem a partir de que momen- to exacto a mesma autora o passou a fabricar com as al- terações que a ré nele introduziu.

Por outro lado, apenas se apurou ter sido em data im- precisa do ano de 1987 que a ré procedeu às modifica- ções no formato do poste, cujo depósito foi obtido, o que significa que tal pode ter ocorrido só no mês de Dezem- bro.

Acresce que entre o final de Dezembro de 1987 e a data em que foi requerido o depósito só decorreram 28 dias.

Este pequeno lapso temporal de 28 dias é insuficiente, na falta de outros elementos, para se poder inferir, com segurança, que o dito modelo industrial n.° 20 143, com a configuração que consta de fl. 17, tenha sido divulgado, de modo a poder ser conhecido e explorado por peritos na especialidade, ou tenha sido utilizado de modo notó- rio, ou por qualquer forma tenha caído no domínio públi- co, antes de ser requerido o seu depósito.

Tanto mais que também não ficou apurado desde quan- do a Sociedade Portuguesa Cavan, S. A., comercializa os postes fabricados pela ré (resposta explicativa ao quesito 2:°) e que os quesitos 3.° a 7.° mereceram respostas nega- tivas.

Por isso, não tendo a autora ilidido a presunção de novidade do modelo industrial em questão, mediante pro- va em contrário, como lhe competia, terá de ver a acção improceder, pois a dúvida sobre a realidade de um facto resolve-se contra a parte a quem o facto aproveita - arti- go 516.° do CPC.

Daí que prevaleça a presunção legal de novidade, deri- vada da concessão do depósito, nos termos do menciona- do artigo 46.°

Termos em que concedem a revista e, consequen- temente, revogam o acórdão recorrido, julgando a acção improcedente e absolvendo a ré do pedido.

Custas pela autora recorrida, quer no Supremo quer nas instâncias.

Lisboa 7 de Novembro de 2000. - Azevedo Ramos (relator) - Silva Salazar - Pais de Sousa.

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