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Henry Petry Junior RELATOR

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Academic year: 2021

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Apelação Cível n. 2011.050060-7, de Guaramirim Relator: Des. Henry Petry Junior

APELAÇÃO CÍVEL E PROCESSUAL CIVIL. SEGURO DE VIDA. AÇÃO DE COBRANÇA. IMPROCEDÊNCIA NA ORIGEM. -AUXÍLIO-DOENÇA. CONCESSÃO POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO TEMPORÁRIO. INVALIDEZ TOTAL E PERMANENTE NÃO COMPROVADA. - SENTENÇA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.

- A percepção do auxílio-doença, ao contrário do que decorre da aposentadoria por invalidez concedida pelo INSS, pressupõe possibilidade de recuperação. Logo, não há se falar em condenação da seguradora se, além da natureza e fins desse benefício, as provas coligidas são categóricas ao atestar a transitoriedade das lesões e a cobertura é para invalidez permanente.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível n. 2011.050060-7, da comarca de Guaramirim (1ª Vara), em que é apelante Atanásio Safanelli, e apelada Liberty Seguros S/A:

A Quinta Câmara de Direito Civil decidiu, por votação unânime, conhecer do recurso e negar-lhe provimento. Custas legais.

O julgamento, realizado nesta data, foi presidido pelo Excelentíssimo Senhor Desembargador Monteiro Rocha, com voto, e dele participou o Excelentíssimo Senhor Desembargador Odson Cardoso Filho.

Florianópolis, 28 de junho de 2012.

Henry Petry Junior RELATOR

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RELATÓRIO 1. A ação

Atanásio Safanelli ajuizou ação de cobrança em face de Liberty Seguros S/A. aduzindo ter contratado seguro de vida, cujo capital segurado para invalidez permanente total ou parcial por doença corresponde a R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais).

Alegou que após contratar o seguro foi acometido pelas patologias 'discopatia degenerativa avançada L5-S' e 'discopatia degenerativa C5-C6', conforme exame médico realizado em janeiro de 2007, culminando com a decretação da sua invalidez permanente para o trabalho.

Diante desses fatos, postulou a indenização devida junto à seguradora, a qual negou o pedido, sob o argumento de que não ocorreu a perda definitiva da existência independente do segurado.

Arguiu não constar na apólice que o segurado, para o recebimento da garantia contratada deveria perder a existência independente. Assim, entendendo ser devida a indenização securitária contratada, pleiteou a procedência dos pedidos com a condenação da ré ao pagamento do valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais), correspondente à indenização prevista na apólice, acrescido de correção monetária e juros moratórios, bem como às custas processuais e honorários advocatícios. Ao final, pugnou a concessão da gratuidade da justiça e o deferimento dos pedidos.

Deferida a benesse almejada (fl. 21), a ré foi citada (fl. 23), apresentando resposta na forma de contestação (fls. 27/48). Inicialmente, defendeu que o autor não apresenta a invalidez total e permanente e que não houve a perda definitiva da sua existência independente. Aduziu sobre a necessidade da realização de perícia e a impossibilidade da inversão do ônus da prova. Para o caso de restar condenada, pleiteou o estabelecimento da verba honorária em 15% e a fixação do termo inicial dos juros de mora na data citação e da correção monetária no momento em que a ação foi ajuizada. Por último, pugnou o indeferimento do pleito exordial.

Impugnação à contestação às fls. 98/102.

Realizada audiência (fl. 115), a togada a quo indeferiu a produção da prova pericial, uma vez que desnecessária em face da perícia médica ultimada pelo INSS que culminou com aposentadoria por invalidez do autor. Determinou, no prazo de 15 (quinze) dias, a apresentação da documentação que comprova a concessão do benefício previdenciário ao demandante.

No petitório de fl. 118 houve a juntada dos documentos pelo autor atinentes ao auxílio-doença previdenciário (fls. 119/121) deferido.

Agravo retido interposto pela ré contra o interlocutório que indeferiu a realização de perícia médica (fls. 124/128).

Após, sobreveio decisão judicial. 1.1. A sentença

No ato compositivo da lide (fls. 140/141), prolatado em 28/02/2011, o magistrado Gustavo Schwingel julgou improcedente o pedido inaugural condenando o

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autor ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, ficando tais encargos sobrestados por conta da assistência judiciária concedida.

1.2. O recurso

Irresignado com o comando sentencial, o autor apelou (fls. 145/153). Inicialmente, alegou não ter recebido o manual do segurado, onde constariam as condições gerais da apólice do seguro, e que a apólice em questão, em momento algum, condiciona o recebimento da garantia contratada à perda da existência independente do segurado. No mérito, alegou, em suma, que faz jus ao recebimento da indenização correspondente, uma vez que a documentação médica que instrui os autos demonstram sua invalidez. Ao fim, pleiteou o provimento do recurso.

Com as contrarrazões de fls. 159/164, ascenderam os autos. Distribuídos em 04/07/2011, vieram-me conclusos.

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VOTO

2. A admissibilidade do recurso

Satisfeitos os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. 2.1. O mérito

Cuida-se de apelação interposta por Atanásio Safanelli buscando a reforma da sentença de improcedência dos pedidos formulados na ação de cobrança movida em desfavor de Liberty Seguros S/A.

Ao decidir a lide, o togado a quo, decidiu pela inexistência da alegada invalidez permanente e total do autor, condenando-o, por fim, ao pagamento das despesas processuais.

Irresignado, o segurado apelante defendeu que sua invalidez foi atestada por médico contratado pela apelada no percentual de 76% a 100%, sendo devida a indenização postulada.

Antecipa-se, porém, que a insurgência recursal não merece provimento. Ab initio, imperioso asseverar que no caso vertente não houve concessão ao apelante, por parte do INSS, do benefício previdenciário de aposentadoria por invalidez, restando demonstrado, apenas, estar no gozo do benefício previdenciário auxílio-doença, conforme se extrai do voto prolatado na ação previdenciária n. 2006.72.95.014726-3, da relatoria juiz federal Guy Vanderley Marcuzzo (fls. 119/120).

Consabido que a reiterada jurisprudência desta Corte ressoa no sentido de que a invalidez total permanente reconhecida pelo INSS goza de presunção juris tantum de veracidade, sendo suficiente à comprovação do estado inválido que atinge o demandante. Isso porque é de comum conhecimento que tal benefício previdenciário apenas é concedido após exaustiva e detida perícia médica a atestar a incapacidade laborativa do trabalhador.

Contudo, tal presunção relativa não se aplica ao benefício auxílio-doença concedido ao apelante, uma vez que esta modalidade previdenciária não constitui prova suficiente para atestar o caráter permanente da incapacidade, pois em situações como esta os exames realizados pelo INSS apontam indícios de recuperação das lesões.

"É que o auxílio-doença, podendo ser transitório (Lei 8.213/91; Art. 59), não configura incapacidade permanente. Em regra, o segurado só tem ciência da incapacidade laboral, total ou parcial, mediante o conhecimento do laudo pericial." (REsp 202.846/SP, Rel. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/09/2004)

A calhar a doutrina de CARLOS ALBERTO PEREIRA DE CASTRO e JOÃO BATISTA LAZZARI:

"O auxílio-doença será mantido enquanto o segurado continuar incapaz para o

trabalho, podendo o INSS indicar processo de reabilitação profissional, quando julgar necessário.

[...]

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sua idade e sob pena de suspensão do benefício, a submeter-se a exame médico a cargo da Previdência Social, processo de reabilitação profissional por ela prescrito e custeado e tratamento dispensado gratuitamente [...]." (in Manual de direito

previdenciário. 8ª ed. Florianópolis: Conceito Editorial, 2007, p. 528)

Assim, como dito alhures, somente a aposentadoria por invalidez possui força suficiente para atestar a impossibilidade de recuperação das lesões do segurado.

Nesse sentido, extrai-se desta Corte de Justiça:

"APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA. SEGURO DE VIDA EM GRUPO.

AUSÊNCIA DE PROVAS DA INCAPACIDADE LABORATIVA. INVALIDEZ NÃO

COMPROVADA. LAUDO PERICIAL CONCLUSIVO. SENTENÇA DE

IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO."

(Apelação Cível n. 2010.076033-4, de Chapecó, rel. Des. JORGE LUIS COSTA BEBER, j. em 28/09/2011)

In casu, da leitura do decisum prolatado pelo magistrado federal (fl. 120) possível inferir que a invalidez enfrentada pelo autor não é total, tendo aquela Justiça assentado que "o autor faz jus ao restabelecimento do auxílio-doença pleiteado, uma vez que está incapaz para sua atividade de agricultor. [...] o requerente é pessoa ainda jovem, podendo (devendo) ser encaminhado ao programa de reabilitação do INSS a fim de aprender um ofício que lhe garanta o sustento."

De outro lado, impende dizer que o certificado de seguro acostado à fl. 12 não prevê cobertura para o caso de invalidez parcial; nele constando as seguintes coberturas securitárias: "Titular morte por qualquer causa; Titular indenização especial por acidente; Titular invalidez permanente e total parcial por acidente; Titular invalidez funcional permanente total por doença." (grifei)

Nesse tom, imperioso reconhecer, após a análise dos elementos autuados, que o apelante não faz jus à indenização postulada na exordial.

Há que se destacar, por oportuno, que a exigência contratual que condiciona o recebimento da indenização por 'invalidez funcional total e permanente por doença' à perda da existência independente do segurado (Cláusula 4.4.1. Das Condições Gerais - Liberty Vida Especial - fl. 64), é inválida, isso porque é flagrante a abusividade dessa exigência.

Nessa linha, mesmo reconhecendo que esta exigência torna inviável a concessão da cobertura securitária para a esmagadora maioria das hipóteses de incapacidade apresentadas pelos segurados em geral, de modo que tal desalinho deve ser coibido, frente à flagrante abusividade dessas cláusulas, nulas de pleno direito, consoante os ditames da legislação protetiva do consumidor (art. 51, IV), forçoso destacar que a decretação da invalidade da cláusula em nada muda o sentido desse aresto.

A propósito, assentou o togado a quo na sentença combatida: "Independentemente da celeuma sobre a legalidade da cláusula que estipula a perda da existência, denota-se pelo documento acostado pelo autor à fl. 120 de que na verdade o postulante não está aposentado por invalidez, mas recebendo auxílio-doença." (fl. 140)

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que pudesse evidenciar a alegada morbidez na sua forma permanente; destarte, considerando que a apólice de seguro (fl. 11/12) previa a cobertura para casos de "Invalidez funcional permanente total por doença" ao segurado e restando, esta, indemonstrada, não há se falar em direito do apelante ao recebimento da respectiva indenização securitária, devendo, por tais motivos, ser desprovido o recurso interposto.

3. A conclusão

Destarte, quer pelo expressamente consignado neste voto, quer pelo que do seu teor decorre, suplantadas direta ou indiretamente todas as questões ventiladas, deve o recurso ser conhecido e desprovido.

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