GERENCIAMENTO DE CURSOS A
DISTÂNCIA
Para citar este texto:
CARNEIRO, Luciana, Gerenciamento de Cursos EaD. Valinhos, p.9, 2012. Disponível em: <http://anhanguera.com>. Acesso em: 1 fev. 2012.
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Publicação: Abril de 2012
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DIRETORIA DE EXTENSÃO E PÓS-GRADUAÇÃO
Silvio Cecchi
Correspondência/Contato
Alameda Maria Tereza, 2000, Valinhos,
São Paulo, CEP. 13.278-181.
PREPARAÇÃO GRÁFICA
Lusana Veríssimo
AULA 2 – NECESSIDADES DE MERCADO E PUBLICO
ALVO
OBJETIVO
Nesta aula você terá a oportunidade de refletir um pouco sobre as
mudanças no mercado de trabalho e a necessidade de qualificação
profissional, bem como conhecer o perfil dos alunos que cursam um ensino
superior nos dias atuais.
1. INTRODUÇÃO
Foram muitas as transformações que ocorreram no ensino superior
brasileiro nas últimas décadas, e diversos incentivos governamentais têm
proporcionado um ensino superior mais democrático. Com o aumento da
demanda, o avanço tecnológico e impulsionado pelas mudanças no mercado
de trabalho, está surgindo uma maior diversidade nos cursos e carreiras.
E a busca por qualificação profissional é a realidade da maioria dos jovens e adultos, pois, com a maior exigência do mercado, todos reconhecem a importância de um curso de graduação ou pós-graduação, que pode representar um reconhecimento social e, principalmente, uma melhor oportunidade para a inserção no mercado de trabalho.
Ao gerenciar um curso superior de educação a distância, deve-se estar atento às necessidades do mercado e ao público que se pretende atingir com a proposta do curso.
2. NECESSIDADES DE MERCADO
A ampliação do acesso a esse nível de ensino ocorreu, principalmente, pelo crescimento do setor privado, pois foram realizadas diversas mudanças nas políticas educacionais que impulsionaram esse setor.
E com o mercado de trabalho cada vez mais globalizado e competitivo, e
uma tendência ao emprego de uma mão de obra qualificada, a educação a
distância assume um importante papel, devido a sua flexibilidade de horário e
local de estudo. No entanto, é fundamental que se tenha uma educação de
qualidade, que proporcione um desenvolvimento pessoal e profissional ao
aluno.
A educação a distância surgiu justamente pela necessidade de atender a
um público que precisava de formação e qualificação profissional e não podia
ou não tinha acesso ao ensino presencial. Aliada a novas tecnologias, essa
modalidade de ensino tem evoluído muito nas últimas décadas.
De acordo com Simons (2011), a educação a distância no país, desde
2003, tem um aumento no número de matrículas maior do que o ensino
presencial e tem sido usada como uma ferramenta de inclusão no ensino
superior. Esse crescimento acontece devido algumas das características da
EaD, como: flexibilidade de horário e local de estudo, utilização da internet e
novas mídias, pesquisa em redes virtuais como meios do processo de
aprendizagem.
Vive-se uma época em que as coisas acontecem rapidamente. Os profissionais enfrentam uma disputa acirrada por vagas no mercado de trabalho, que exige cada vez mais qualificação profissional. E justamente por causa da grande exigência de mercado, das atividades profissionais e dos apertados horários das empresas, existe uma maior demanda pelos cursos de graduação a distância oferecidos, principalmente, pelas instituições privadas. Esse tipo de curso é muito procurado por quem busca um crescimento profissional e valorização salarial.
A globalização de diversos setores sejam eles voltados para a comunicação, economia ou educação, leva a novos caminhos, tornando a atualização do conhecimento e, portanto, das competências uma realidade necessária (CAMPOS, 2009, P.271).
3. PÚBLICO ALVO
De acordo com os dados do censo da educação superior de 2010, divulgados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), o Brasil tem 6,5 milhões de universitários, sendo 6,3 milhões em cursos de graduação e 173 mil na pós-graduação. O crescimento das matrículas em 2010 foi de 7,1% em relação ao ano de 2009 e 110,1% de 2001 a 2010. Essa expansão pode ser atribuída a vários fatores, como a demanda, o crescimento econômico alcançado pelo Brasil, uma busca do mercado por mão de obra mais especializada e as políticas públicas de incentivo ao acesso e à permanência na educação superior (BRASIL, 2011).
A educação a distância (EaD) já responde por 14,6% das matrículas de
graduação no ensino superior do país, segundo dados do Censo da Educação
Superior de 2010. Segundo os dados do MEC, as matrículas continuam
concentradas (74%) nas instituições privadas, mas houve um crescimento de
12% no número de alunos nas instituições públicas.
Com relação à distribuição geográfica desses estudantes, Ferreira (2010) coloca que:
dos universitários estão na rede particular - é a área campeã em desigualdade entre universidades públicas e privadas. Já o Nordeste tem uma diferença bem menor, com apenas 67% dos estudantes em faculdades privadas”.
A partir desses dados, pode-se perceber que houve um aumento de instituições de ensino superior (principalmente privadas), e temos hoje mais facilidades para o acesso e o financiamento dos cursos, o que possibilita o ingresso de diversas classes sociais, diminuindo desta forma a estratificação social, e possibilitando a candidatos de diversas classes a realização do ensino superior.
Com as medidas adotadas pelo governo e com o aumento do número de vagas, principalmente em
instituições privadas, é possível notar uma mudança no perfil dos alunos de ensino superior. Hoje, observando os dados dos últimos censos, percebe-se um crescimento de matrículas de alunos das classes C e D, que constituem a maioria da população brasileira, chegando às universidades.
Segundo a reportagem de Chiara (2010), o estudo feito a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que as classes C e D respondem por
72,4% dos estudantes universitários. Em 2002, a participação dos estudantes desses dois estratos sociais somava 45,3%.
O vídeo a seguir mostra uma reportagem sobre o aumento da classe D no ensino superior:
Estratificação social:
A estratificação social refere-se a um
arranjo hierárquico entre os indivíduos
em divisões de poder e riqueza em
uma
sociedade.
Consiste
na
separação da sociedade em grupos
de indivíduos (estratos sociais) que
apresentam características parecidas,
como por exemplo: negros, brancos,
católicos,
protestantes,
homem,
mulher,
pobres,
ricos
etc.
A
estratificação expressa desigualdades
Podem ser considerados estudantes de classe D aqueles com renda mensal familiar entre um e três salários mínimos (de R$ 510 a R$ 1.530). Os estudantes da classe C têm rendimento familiar entre três e dez salários mínimos. Já na classe A, a renda está acima de 20 salários mínimos (R$ 10.200) (CHIARA, 2010).
Os dados do censo de 2010 revelam que a educação superior brasileira é predominantemente formada por pessoas do sexo feminino. A idade média dos alunos de cursos presenciais é 26 anos, já o aluno da graduação a distância ingressa na educação superior mais tardiamente, possuindo em média 33 anos, o que indica que a modalidade a distância atende a um público com idade mais avançada.
Esse comportamento permite inferir que a opção da modalidade a distância proporciona o acesso à educação superior àqueles que não tiveram a oportunidade de ingressar na idade adequada nesse nível de ensino, ou ainda, que representa uma alternativa àqueles que já se encontram no mercado de trabalho e precisam de um curso de nível superior com maior flexibilidade de horários, ou, mesmo que se trata da opção por uma segunda graduação (BRASIL, 2011).
"Triplica o número de estudantes
da classe D nas universidades"
Fonte:
Outro dado importante do censo 2010 indica que, na modalidade presencial, a maioria dos alunos procura por cursos para obtenção do grau de bacharel, enquanto os alunos de ensino a distância concentram-se nos cursos de licenciatura.
Já em relação ao financiamento estudantil, os dados revelam que, de cada dez matriculados nas instituições privadas, três possuem bolsa de estudo. Mas nem todos os estudantes possuem acesso ao financiamento estudantil, existem os que têm a necessidade de trabalhar para pagar a faculdade, e isso faz com que a maioria prefira estudar à noite ou em meio período, para poder conciliar com o emprego.
Em geral, os alunos universitários estão mais concentrados no interior,
do que na capital, trabalham para sustentar a família e pagar os estudos,
preferindo os cursos noturnos e com maior flexibilidade de horários para
poderem conciliar com o emprego.
Se você analisar os dados dos últimos censos, verá que houve uma
expansão
e uma democratização do ensino superior brasileiro, mas ainda não
se conseguiu atingir de maneira significativa as classes C e D.
A expansão demonstra que houve um
aumento no número de matrículas, incluindo
EaD, no ensino superior nos últimos anos,
mas essa expansão da rede não conseguiu
ampliar significativamente o atendimento à
população em idade universitária.
Fonte:
http://revistaensinosuperior.uol.com.br/texto
4. VAMOS PENSAR?
Procure elaborar um texto dissertativo, abordando as seguintes questões: a que você atribui a expansão do ensino superior nos últimos anos? E por que ainda não houve um aumento significativo no atendimento à população em idade universitária?
5. PONTUANDO
• O ensino superior teve uma grande ascensão durante as últimas décadas, principalmente no setor privado.
• As mulheres são a maioria dos estudantes universitários.
• Os universitários da educação a distância são mais velhos, e é cada vez maior o número de estudantes que conciliam o estudo com o emprego.
• No ensino a distância, há maior procura é pelos cursos de licenciatura. • Já no ensino presencial, a maior procura é pelos cursos de bacharelado.
6. REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS
BRASIL. 2011. Censo da Educação Superior 2010 – MEC. Divulgação dos Principais Resultados do Censo da Educação Superior 2010. Outubro/2011. 24p.
CAMPOS, G. H. B. EaD: mediação e aprendizagem durante a vida toda. In: FREDERIC M; FORMIGA, M. M. M. (org). Educação a Distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. 461p.
CHIARA, M. de. O Estado de S. Paulo. 2010. Classe D já é o dobro da Classe A nas universidades brasileiras. Disponível em:
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,classe-d-ja-e-o-dobro-da-a-nas-universidades,45256,0.htm. Acesso em: 28 fev. 2012.
MARTINS, C. B. O ensino superior brasileiro nos anos 90. 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/spp/v14n1/9801.pdf. Acesso em: 08 mar. 2012.
MORAES, J. O. de; THEÓPHILO, C. R. Evasão no ensino superior: Estudo dos fatores causadores da evasão no Curso de Ciências Contábeis da Universidade
Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. 2006. Disponível em:
http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos32006/370.pdf. Acesso em: 27 fev. 2012.