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P06 JOÃO LORIN

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Academic year: 2021

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(1)

O INFINITO

ATUAL É REAL?

João Henrique Lorin Unespar/Campo Mourão Uel/Londrina

(2)

Em 1925, David Hilbert profere uma palestra intitulada

“Sobre o Infinito”

(3)

É importante estudar o conceito de infinito?

Considerando nossa contemporaneidade

(4)

 Nós sabemos diferenciar os conceitos de infinito

enquanto processo, e de infinito enquanto objeto, que

denominados respectivamente por infinito potencial e

infinito atual?

 Nós sabemos dar o tratamento adequado ou fazemos

esta diferenciação quando vamos ensinar conceitos

matemáticos que precisam do conceito de infinito?

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 Desde o ensino fundamental até a universidade o conceito de infinito permeia o currículo escolar, como por exemplo:

 Geometria Euclidiana (retas, planos, espaço) – Funções -

Conjuntos Numéricos - Dízimas infinitas - Séries e Sequências infinitas (a soma dos termos de uma PG infinita com razão entre zero e um) - Geometria hiperbólica (plano hiperbólico) - Geometria Projetiva (o ponto de fuga) – Cálculo Diferencial e Integral.

 Podemos nos indagar quando que se estabelece a diferença entre os dois conceitos, e de que modo é feita esta diferenciação.

(6)

Vamos revisitar um episódio histórico como ponto de

partida para a discussão a respeito da diferenciação entre

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Mas porquê este problema (paradoxo de Aquiles) gerou

tanta discussão na matemática durante anos?

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100 m 10 m 1 m (largada)   1   2   •   •   •  

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Podemos escrever a distância percorrida por 

Aquiles em cada instante formando a 

seguinte sequência: 

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 Esta sequência pode ser caracterizada como uma  Progressão Geométrica!

 É possível somar os termos de PG? Sim, pois a  razão entre os termos está entre zero e um!

 Deste  modo,  para  resolver  é  “simples”...  Basta  “somar”  os  espaços  percorridos  por  Aquiles  ORAS!

(12)

PG:(100, 10, 1, 1/10, 1/100, 1/1000, ...)

A soma dos termos de uma PG infinita, 

com 0 < r < 1  é: 

Logo, a distância percorrida = 

100+10+1+1/10+1/100+1/1000+... =  =  .

 

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= (1000/9) m

 

(largada)

 

R esultado Anacr ô nico

 

Será que Zenão e seus contemporâneos não eram

espertos suficientes para chegar a este resultado?

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 Uma investigação histórico-filosófica deve-se preocupar  em  não  cometer  anacronismo  sob  o  risco  de  se  cometer imprecisões de interpretação. 

 Deste  modo,  faremos  um  breve  recorte  histórico  afim  de  explicar  a  mudança  da  concepção  filosófica  a  respeito do infinito e possivelmente, entender por quais  motivos os paradoxos de Zenão assombrou os filósofos  gregos. 

(15)

O  infinito  surgi  como  uma 

categoria  filosófica  na  obra 

de  Aristóteles,  mas  não 

ainda  como  um  “objeto 

matemático”.  O  caráter 

potencial 

do 

infinito 

prevalece  na  concepção 

aristotélica.  

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 1º  -    Como  substantivo,  aparecendo  apenas  em  contos  dos tipos mitológicos, teológicos ou metafísicos: "Infinito"  pertence ao reino dos deuses. 

Vamos começar com uma análise gramatical dos papéis que a palavra "infinito" assume na cultura grega.

(17)

 2º -  Como um adjetivo que descreve um substantivo, ele  só  é  usado  quando  este  tem  as  características  de  um  absoluto,  como  o  Universo,  o  Ser,  espaço  ou  tempo.  Aristóteles  só  usa  esta  forma  ao  negar  sua  real  (física)  existência,  uma  vez  que  o  conceito  abarca  um  infinito  real que a filosofia aristotélica realista não permite. 

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 3º - Como um advérbio, ou seja, é utilizado para qualificar  as  ações  (mentais),  como,  por  exemplo,  para  estender,  subdividir,  para  continuar,  para  somar,  para  aproximar,  etc. Este uso do infinito tem a ver com o que chamamos  de  infinito  potencial,  isto  é,  quando  o  processo  em  questão pode ser continuado indefinidamente.

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Na matemática grega, o infinito só poderia existir como no  terceiro  caso;  o  seu  papel  como  um  adjetivo  ou  como  substantivo  é  excluída  por  razões  filosóficas  que  negam  a  existência ideal ou real de "objetos infinitos". 

A  infinidade  como  advérbio  está  ligada  a  um  processo,  e,  por  conseguinte,  a  sua  presença  não  pode  ser  expressa,  mas antes está subjacente ao modus operandi.

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Esse  tipo  de  modo  de  existência  do  infinito  (qualificando  uma ação) provoca mais uma maneira de pensar do que um  objeto matemático. 

O modo de pensar o infinito como processo, proporcionou a  origem de grandes resultados na matemática grega - como,  o  método  Eudoxus  -  mas  descartou  a  possibilidade  de  desenvolvimento para uma conceituação do infinito atual.

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No  entanto,  como  é  bem  conhecido,  o  infinito  potencial  subsiste dentro da matemática como o modus operandi que  constitui  o  núcleo  operatório  de  cálculo  padrão.  Esta  evolução  histórica  é  paralela  à  do  infinito  real  e  tem  suas  próprias características.

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Quais foram os fatores necessários para que se

pudesse introduzir o conceito de infinito atual (real) na matemática?

Acreditamos  que  além  de  uma  mudança  de  postura  filosófica  em  relação  ao  conceito  foi  necessário  criar  um  novo  objeto  matemático  para  que  se  pudesse  conceber  o  infinito em ato!

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Para  que  o  conceito  de  infinito  evoluísse  em  seu  estado  presente  na  matemática  do  século  21,  foi  primeiro  necessário  afastar-se  das  concepções  gregas,  deslocando  a ênfase para o segundo papel do infinito (como adjetivo). Para  que  isso  fosse  possível,  novos  objetos  (conceituais),  foram  concebidos.  Estes novos objetos são os

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BOLZANO: uma primeira tentativa de matematizar infinito

Bernard  Placidus  Johann  Nepomuk  Bolzano (Praga, República  Checa, 5  de  out. de 1781 —  Praga, 18  de  dez. de 1848)

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O trabalho de Bolzano - Os Paradoxos do Infinito (1851) -  "oficialmente" abriu a discussão a respeito da possibilidade  de  introduzir  o  infinito  em  matemática  como  objeto  de  estudo. Como já salientado, o passo decisivo a ser tomado  para este fim foi de conceber o infinito  como um atributo

de uma coleção,  e  não  como  um  substantivo  ou  um 

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Bolzano precisava de um novo conceito de infinito, afim de  resolver os seus paradoxos. Parte deste novo processo de  conceituação  apareceu  como  uma recusa em aceitar as

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Bolzano começou por considerar as objeções existentes, e  expressou  a  necessidade  de  uma  definição  do  termo  infinito.  Seu  objetivo  foi  estudar  os  paradoxos  e  mostrar  que a falta de precisão no uso do termo infinito resultou em  contradições aparentes.

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A discussão a respeito da existência mostra que, na visão  de  Bolzano,  se  a  matemática  for  tratada  com  conjuntos  abstratos,  os  critérios  de  validação  para  a  existência  dessas  coleções  infinitas  tinha  que  ser  nova,  isto  é,  baseada  principalmente  em  cima  de  sua  natureza  não  contraditória. Este foi um passo decisivo para abandonar a  validação empírica.

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A ideia principal a sustentar o novo nível de representação,  reside  no  fato  de  que  a  concepção  de  um  conjunto  que  resulta de um processo construtivo utilizando os elementos  é abandonada. 

Em  vez  disso,  Bolzano  adotou  um  conceito  sintético  de  conjunto;  isto  é,  um  conjunto  é  concebido  como  um  todo,  sem qualquer necessidade de se pensar em separado cada  elemento.  O  exemplo  dado  por  Bolzano  é  significativo  a  este respeito:

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[...] Posso pensar o conjunto, a multidão, ou se preferirem,  na  totalidade  dos  habitantes  de  Praga  ou  de  Pequim  sem  formar  uma  representação  separada  de  cada  habitante.  (Bolzano, 1851)

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Brilhantemente  Bolzano  sedimenta  o  caminho  para  o  estabelecimento do infinito atual (real) na matemática.

 Cria um novo objeto matemático (os conjuntos)

 Estabelece  relações  biunívocas  entre  conjuntos  infinitos  e seus subconjuntos próprios.

 Desenvolveu várias propriedades que Piaget chamou de 

intra-objeto,  dando  sustentação  para  o  surgimento 

posterior  das  relações  inter-objetos estabelecidas  por  Georg Cantor (1845 – 1918).

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A existência de diferentes infinitos era para ser o ponto de  partida para o desenvolvimento de um domínio operacional.  Bolzano  definiu  várias  operações  entre  conjuntos  infinitos  com base no critério de comparação que ele escolheu. No  entanto,  não  conseguiu  atingir  o  seu  objetivo  de  aritmetização infinito.

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Foi assim que a semente para uma tematização do infinito

real  apareceu,  embora,  de  fato,  naquele  momento,  o 

conceito  em  si  ainda  não  estava  totalmente  "tematizado".  Isso  porque  o  (a  epistêmica)  assunto  tratado  por  Bolzano  com  um  certo  "know-how"  em  situações  restritas 

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Georg  Cantor  ,  por  outro  lado,  baseia  o  seu  critério  de  comparação  acerca  da  existência  de  uma  relação  bijetora  entre  os  conjuntos  a  serem  comparados.  Portanto,  é  evidente  que  a  introdução  de  um  instrumento  de  comparação  externa  só  poderia  ser  alcançado  se  os  conjuntos fossem concebidos como separados, o que levou  à detecção de propriedades reflexiva, transitiva e simétrica  associadas a relação.

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O foco do estudo de Cantor foi a respeito das relações que  podem  ser  estabelecidas,  entre  conjuntos  diferentes.  Devido  a  isso,  pode-se  argumentar  que  o  trabalho  de  Cantor  apresenta  as  características  da  fase  inter-objetos  do desenvolvimento histórico do conceito.

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A  tradição  filosófica  de  tratar  o  infinito  pela  concepção  aristotélica  do  ser  em  potencial  foi  rompida  radicalmente  no  século  XX  por  Georg  Cantor  em  sua  teoria  dos  conjuntos.  Santos  (2008)  considerou  em  sua  tese  o infinito de

George Cantor: uma revolução paradigmática no desenvolvimento da matemática,  o  modo  de  conceber  o 

infinito depois da teoria de Cantor, como  uma  mudança  revolucionária  no  sentido  da teoria de Kuhn. 

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 Foi  preciso  criar  um  novo  objeto  na  matemática  (os  conjuntos) para dar sustentação ao conceito de infinito  atual.

 Existe uma diferenciação entre os infinitos.

 Nem  sempre  esta  diferenciação  entre  infinito  enquanto  potência  e  enquanto  objeto  foi  aceita  na  matemática  e  consequentemente  impedindo  de  resolver  certos  problemas na matemática (paradoxos de Zenão).

 Cantor  conseguiu  estruturar  um  novo  “ramo”  na  matemática que chamamos de “Teoria dos Conjuntos”.

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Voltamos a um questionamento inicial: Porque revisitar a  reconstrução epistemológica do conceito de infinito pode  ser importante? Como isso pode ajudar no ensino de conteúdos  matemáticos que por ventura o conceito de infinito  permeia?

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Um exemplo de dificuldade enfrentada por professores ao  lidar com os dois conceitos

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Buscar  um  panorama  epistemológico  do  conceito  de  infinito  potencial  e  infinito  atual  pode  ajudar  o  professor  não só a ter subsídios para argumentar com seus alunos,  como  também  entender  melhor  como  se  constituiu  esse  conceito tão complexo e importante da matemática.

Saber  os  obstáculos  epistêmicos  do  infinito  pode  ajudar  na  identificação  de  obstáculos  enfrentados  pelos  alunos  no decorrer do ensino e assim, buscar ou criar estratégias  de  abordagens  adequadas  para  a  superação  de  tais  obstáculos. 

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Pesquisas  que  apontam  obstáculos  na  compreensão  e  diferenciação dos conceitos de infinito real e infinito potencial.  Amadei  (2005)  em  “O Infinito um Obstáculo no Estudo da

Matemática”  apresentou  as  dificuldades  epistemológicas 

enfrentadas  na  construção  deste  conceito  e  as  sua  consequências para o seu ensino.

 Em sua tese “O Infinito e as Metáforas no Ensino de Cálculo”  Mometti  (2007)  defende  dentre  outras  ideias,  que  as  Metáforas  e  Montagens  Conceituais,  juntamente  com  a  História  e  a  Epistemologia  do  conceito  de  infinito,  podem  facilitar  a  aprendizagem  do  aluno  na  diferenciação  dos  conceitos de infinito. 

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 Sampaio  (2006)  e  (2009)  apresenta  concepções  de  infinito  dos  alunos  do  ensino  secundário  em uma cidade  de Portugal.

 No artigo “Teachers’ perceptions about infinity: a process

or an object?”  Kattou  Maria  et al  (2010)  apresenta  a 

percepção dos professores do ensino fundamental sobre  a  noção  de  infinito,  os  dois  aspectos  do  conceito,  como  um processo ou como um objeto.

 Silvia  Sbaragli  (2006)  em  seu  artigo  relata  como  os  equívocos  nas  explicações  dos  professores  podem  provocar  obstáculos  didáticos,  que  juntamente  com  os  obstáculos  epistemológicos,  dificultam  a  compreensão  deste conceito nos alunos.  (Itália)

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E para saber mais a respeito de estratégias didáticas para  superar  possíveis  obstáculos  no  ensino  de  conteúdos  matemáticos  que  necessitam  de  um  entendimento  do  conceito de infinito leiam a tese (Lorin, 2018).

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Referências

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