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PROGRAMA NOTA FISCAL GAÚCHA: A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA CONTABILIDADE

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

PROGRAMA NOTA FISCAL GAÚCHA: A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA

CONTABILIDADE

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

Maicy Tramontina Pozzati Precila Garlet Stefanello

Santa Maria, RS, Brasil.

2014

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PROGRAMA NOTA FISCAL GAÚCHA: A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA CONTABILIDADE

Maicy Tramontina Pozzati Precila Garlet Stefanello

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Maria como requisito

parcial para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis

Orientadora: Profª. Ms. Ana Paula Fraga

Santa Maria, RS, Brasil.

2014

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Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Sociais e Humanas

Curso de Ciências Contábeis

A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova o Trabalho de Conclusão

PROGRAMA NOTA FISCAL GAÚCHA: A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA CONTABILIDADE

elaborado por

Maicy Tramontina Pozzati Precila Garlet Stefanello

como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis

COMISSÃO EXAMINADORA:

Ana Paula Fraga, Ms. (UFSM) (Presidente/Orientadora)

Antônio Reske Filho, Ms. (UFSM)

Gésiner Manhago, Ms. (UFSM)

Santa Maria, 13 de janeiro de 2014.

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AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Deus pelo dom da vida e por guiar nossos passos para mais esta conquista.

Agradecemos especialmente aos nossos pais, aos irmãos, aos familiares, aos professores, aos amigos, aos colegas de trabalho e de faculdade, pela força, paciência e compreensão durante todo o período da faculdade.

A nossa orientadora, Ms. Profª. Ana Paula Fraga, pelo apoio, dedicação e carinho conosco.

(5)

RESUMO

Trabalho de conclusão de Curso Curso de Ciências Contábeis Universidade Federal de Santa Maria

PROGRAMA NOTA FISCAL GAÚCHA: A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA CONTABILIDADE

AUTORAS: MAICY TRAMONTINA POZZATTI E PRECILA GARLET STEFANELLO ORIENTADORA: ANA PAULA FRAGA

Data e Local da Defesa: Santa Maria, Janeiro de 2014.

O programa Nota Fiscal Gaúcha - NFG visa através da distribuição de prêmios, incentivar os consumidores a solicitar a inclusão do CPF na emissão do documento fiscal no momento que efetua suas compras, cujo objetivo principal é aumentar a arrecadação de ICMS. O programa NFG trouxe algumas exigências para as empresas, tais como, fixar o cartaz do programa no estabelecimento informando que é participante, solicitar ao cidadão se deseja incluir o CPF no documento fiscal, bem como, enviar um arquivo para a SEFAZ contendo informações referentes às operações. Nesse sentido, o trabalho apresenta um estudo do nível de percepção dos profissionais da área contábil, atuantes nos escritórios de contabilidade de Santa Maria – RS, em relação ao programa NFG e através da pesquisa buscou-se analisar nível de percepção dos profissionais, acerca do tema, os benefícios esperados, as dúvidas, as dificuldades e como orientaram seus clientes na implantação do programa. Os pesquisados acreditam que o programa objetiva inibir a sonegação fiscal por parte das empresas, contando com a participação do cidadão como seu principal agente fiscalizador. Verificou-se que o nível de preparo e percepção dos pesquisados é bom e que utilizaram o portal da SEFAZ para embasar suas pesquisas e que os maiores beneficiados pelo programa são as entidades sociais. Os profissionais sentem dificuldades em transmitir seu conhecimento, pois os empresários muitas vezes não estão suscetíveis às mudanças e ainda, não cumprem as exigências do programa, pois acreditam que não vão sofrer as penalidades.

Palavras-chave: Programa NFG. Percepção. Profissionais.

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ABSTRACT

Course Conclusion Work Course of Accounting Science Federal University of Santa Maria

“NOTA FISCAL GAÚCHA”: THE ACCONTANCY PROFESSIONAL’S POINT OF VIEW

AUTHORS: MAICY TRAMONTINA POZZATTI AND PRECILA GARLET STEFANELLO

ADVISOR: ANA PAULA FRAGA

Date and Location of Presentation: Santa Maria, January 2014.

The program Nota Fiscal Gaucha – NFG aims through the prizes distribution, to encourage the consumers to request the inclusion of their CPF at the time of invoice issue when they are shopping, thus increasing the ICMS revenue. The program NFG brought some requirements for companies such as placing the program poster at the store making the customer aware that the company is participating, requesting to the customer wishes to have the CPF included in the invoice as well as sending a file to the SEFAZ containing the transaction records. With this purpose, this research presents a survey of the perceptions of the NFG Program by professionals that work in accountancy business in Santa Maria-RS and the expected benefits, doubts, difficulties and how they guided their customers throughout the program implementation. The participants believe that the program aims to avoid companies’ tax evasion, counting on the tax payer to be the main fiscals. It has been verified that the preparation level and perception of the researched professionals is good and they accessed the SEFAZ website to build up a solid base for their researches being the public sector the biggest benefited from this practice. The professionals find difficulties in sharing their knowledge as very often the businessmen are not open for changes and they still are not complying with the program requirements since they believe that they will not suffer penalties.

Key-words: NFG Program, Perception, Professionals.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Programa NFG-DESKTOP. ... 466

Figura 2 – Importação do arquivo ECF através do NFG-DESKTOP. ... 466

Figura 3 – Verificação de inconsistências do arquivo ECF através do NFG-DESKTOP. ... 477

Figura 4 – Validação do arquivo ECF através do NFG-DESKTOP. ... 48

Figura 5 – Tela de digitação das notas fiscais manuais no NFG-DESKTOP. ... 499

Figura 6 – Programa de Transmissão Eletrônica de Documentos – TED para a SEFAZ. ... 50

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Tipo de empresa contábil dos escritórios ... 588

Gráfico 2 – Tempo de atuação no mercado ... 599

Gráfico 3 – Número de funcionários dos escritórios ... 599

Gráfico 4 – Número de clientes dos escritórios ... 60

Gráfico 5 – Número de clientes credenciados no programa NFG ... 60

Gráfico 6 – Número de clientes credenciados de ofício pela SEFAZ ... 61

Gráfico 7 – Regime de tributação dos clientes dos escritórios ... 61

Gráfico 8 – Ramo de atividade dos clientes dos escritórios ... 62

Gráfico 9 – Documentos fiscais utilizados pelos clientes ... 622

Gráfico 10 – Formas de obtenção do conhecimento sobre a NFG ... 633

Gráfico 11 – Onde os contadores obteram as informações sobre a NFG para orientar os clientes ... 644

Gráfico 12 – Competência da entrega dos arquivos ... 655

Gráfico 13 – Quem efetua a entrega dos arquivos da NFG? ... 666

Gráfico 14 – Investimentos realizados pelos escritórios para se adequar à NFG ... 677

Gráfico 15 – Investimentos realizados pelos clientes para se adequar à NFG ... 677

Gráfico 16 – O entendimento dos responsáveis pela empresa acerca do programa NF ... 688

Gráfico 17 – Inserção do CPF no documento fiscal ... 699

Gráfico 18 – Quanto ao cadastro das empresas no Portal da NFG... 699

Gráfico 19 – Motivos pelo qual aguardaram o credenciamento de ofício... 70

Gráfico 20 – Benefícios da NFG para as empresas na visão dos contabilistas ... 70

Gráfico 21 – Benefícios da NFG para os cidadãos na visão dos contabilistas ... 711

Gráfico 22 – Benefícios da NFG para as entidades na visão dos contabilistas ... 722

Gráfico 23 – Nível de conhecimento dos contabilistas sobre o programa NFG ... 72

Gráfico 24 – Visão geral dos contabilistas sobre o programa NFG ... 733

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LISTA DE QUADRO

Quadro 1 - Dígito que estabelece o prazo de entrega. ... 50

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LISTA DE SIGLAS

CAGED - Cadastro Central de Empregados e Desempregados CC-e - Carta de Correção eletrônica

CIAP - Controle de Créditos de ICMS do Ativo Permanente CF/88 - Constituição Federal de 1988

CFC - Conselho Federal de Contabilidade

CGC/TE - Cadastro Geral de Contribuintes do Estado do Rio Grande do Sul CNPJ - Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas

COFINS - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social CONFAZ - Conselho de Política Fazendária

COREDE - Conselho Regional de Desenvolvimento CPF - Cadastro Nacional de Pessoa

CTN/09 - Código Tributário Nacional

CRC-RS - Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul CSLL - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido

CT-e - Conhecimento de Transporte Eletrônico

DACON - Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DANFE - Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica

DCTF - Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DEFIS - Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais

DIPJ - Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica DIRF - Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte

ECD - Escrituração Contábil Digital ECF - Emissor de Cupom Fiscal EFD - Escrituração Fiscal Digital

EFD-Contribuições - Escrituração Fiscal Digital das Contribuições EFD ICMS/IPI - Escrituração Fiscal Digital

EFD-IRPJ - Escrituração Fiscal Digital do Imposto de Renda e-LALUR - Livro de Apuração do Lucro Real Eletrônico

eSocial - Sistema de Escrituração Fiscal Digital das Obrigações Fiscais, Trabalhistas e Previdenciárias

FCONT - Controle Fiscal Contábil de Transição FGTS - Fundo de Garantia de Tempo de Serviço GIA - Guia de Informação e Apuração do ICMS

GIA-SN - Guia de Informação e Apuração do ICMS - Simples Nacional GMA - Guia Informativa modelo A

GMB/GIÃO - Guia Informativa modelo B

ICMS - Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços IE - Imposto sobre Exportação

IESP - Índice de Equilíbrio Sócio-populacional IGF - Imposto sobre Grandes Fortunas

II - Imposto sobre Importação IN - Instrução Normativa

IOF - Imposto sobre as Operações Financeiras IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados

IPTU - Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana IPVA - Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores IR - Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza IRPJ - Imposto de Renda Pessoa Jurídica

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ITBI - Imposto sobre a Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis ITCMD - Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações ISSQN - Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza

ITR - Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural LALUR - Livro de apuração do lucro real

NF-e - Nota Fiscal Eletrônica NFG - Nota Fiscal Gaúcha

NFG-DESKTOP - Programa transmissor dos arquivos da NFG NFP - Notas Fiscais de Produtores

PAC 2007-2010 - Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal

PGDAS-D - Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional – Declaratório

PIS/PASEP - Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público

PVA - Programa Validador e Assinador SEFAZ - Secretaria da Fazenda Estadual

SEFIP - Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social SINIEF - Sistema Nacional Integrado de Informações Econômico-Fiscais

SINTEGRA - Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais SPED - Sistema Público de Escrituração Fiscal Digital

SRF - Secretaria da Receita Federal do Brasil RAIS - Relação Anual de Informações Sociais

RICMS/RS - Regulamento do ICMS e sobre a Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação

RFB - Receita Federal do Brasil RIPI/2010 - Regulamento do IPI

RIR/99 - Regulamento do Imposto de Renda RS - Rio Grande do Sul

TED - Transmissão Eletrônica de Documentos UPF – Unidade Padrão da Federação

(12)

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

... 12

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

... 15

2.1 A evolução da contabilidade ... 15

2.1.1 História da contabilidade no mundo ... 15

2.2 Tributos federais, estaduais e municipais... 17

2.2.1 Tributos: imposto, taxa e contribuição de melhoria ... 17

2.2.2 Impostos federais, estaduais e municipais ... 18

2.2.2.1 Impostos federais ... 18

2.2.2.2 Impostos estaduais ... 21

2.2.2.3 Impostos municipais ... 22

2.3 Declarações de competência federal e estadual ... 23

2.3.1 Principais declarações na esfera federal ... 25

2.3.2 Principais declarações de competência estadual ... 34

2.4 Documentos digitais NF-e e DANFE ... 37

2.5 Nota fiscal gaúcha ... 38

2.5.1 NFG para os cidadãos ... 39

2.5.2 NFG para as entidades ... 42

2.5.3 NFG para as empresas ... 44

3 METODOLOGIA

... 52

3.1 Características da pesquisa... 52

3.2 População alvo e seleção da amostra ... 54

3.3 Plano, limitações e instrumento de coleta de dados ... 55

3.4 Elaboração dos dados e forma de análise dos resultados ... 56

4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

... 58

4.1 Perfil da empresa contábil em relação às atividades prestadas: ... 58

4.2 Implantação do programa NFG ... 63

4.3 Entrega dos arquivos do programa NFG ... 64

4.4 Benefícios e dificuldades trazidos pelo programa NFG ... 70

5 CONCLUSÃO

... 75

REFERÊNCIAS

... 79

APÊNDICES

... 86

ANEXOS

... 93

(13)

1 INTRODUÇÃO

A evolução da contabilidade desde os primórdios até a era digital com o SPED, além das outras obrigações cobradas a nível federal, estadual e municipal, proporciona ao fisco maior controle sobre as operações das empresas, nesse sentido, o estado do Rio Grande do Sul instituiu o programa Nota Fiscal Gaúcha – NFG, cujo principal objetivo é diminuir a sonegação fiscal.

O referido programa foi instituído pela Lei Estadual nº 14.020, publicada no Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul em 25 de junho de 2012, que versa sobre o Sistema Estadual de Cidadania Fiscal e o Programa de Cidadania Fiscal. Sendo o objetivo do Sistema Estadual de Cidadania Fiscal, o fomento da cidadania fiscal integrando programas, projetos e ações que visem à valorização socioeconômica do tributo, onde sua integração com os cidadãos, entidades públicas e privadas, contará com o Portal da Cidadania Fiscal.

No que diz respeito ao Programa de Cidadania Fiscal, a referida lei dispõe que:

Art. 4º Fica instituído o Programa de Cidadania Fiscal, vinculado à Secretaria da Fazenda, no âmbito do Sistema Estadual de Cidadania Fiscal, com o objetivo de fomentar a cidadania fiscal e aumentar a arrecadação, mediante o estímulo à emissão de notas fiscais e a participação dos cidadãos na definição da destinação dos recursos do Programa.

O Programa de Cidadania Fiscal, também denominado Nota Fiscal Gaúcha – NFG foi instituído pela Lei 14.020 e conforme a mesma prima por aumentar a arrecadação de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS do Estado, através de incentivo à emissão de documentos fiscais e de sensibilização e participação dos cidadãos na aplicação de recursos públicos.

Para participar do Programa, os cidadãos devem efetuar o cadastramento no site específico da Secretaria da Fazenda Estadual - SEFAZ e preencher os dados cadastrais solicitados, escolher as entidades sociais que serão beneficiadas e cadastrar senha para acesso do perfil. Após o cadastramento, os cidadãos podem solicitar a inclusão do número do Cadastro Nacional de Pessoa Física - CPF na emissão do documento fiscal no ato de suas compras nos estabelecimentos credenciados, que deverão estar identificados através do cartaz do programa.

No que se refere às obrigações das empresas, para torná-las participantes do programa, o sócio, o representante legal ou o contador deve fazer o cadastro através do site da SEFAZ.

Além disso, a mesma deve orientar os consumidores sobre a opção de inclusão do número do

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CPF no ato da emissão da nota fiscal, bem como, é de sua responsabilidade a transmissão dos arquivos contendo documentos fiscais em que os CPFs foram informados.

As empresas participantes do programa devem ser contribuintes de ICMS e estabelecidas no Rio Grande do Sul - RS, o que reforça sua responsabilidade social com o Estado e com a sociedade gaúcha, incentivando as vendas do comércio formal. Dessa forma, constituindo-se em mais uma obrigação a ser cumprida por parte das empresas e dos respectivos contadores que as representam.

Desde a entrada em vigor da NFG, no início de 2013, de acordo com um cronograma de credenciamento, gradativamente as empresas são obrigadas a se cadastrarem e se submeterem à legislação que trata da NFG. Ocorre que esse processo, pelos mais variados motivos, não tem sido totalmente assimilado, principalmente pelo próprio empresário. Em perdurando por muito tempo essa dúvida, pode ocorrer, à revelia do empresário, o credenciamento de ofício.

Diante do exposto, movidas pela intenção de conhecer o real motivo pelo qual os empresários protelam e até resistem ao credenciamento, a presente pesquisa investigou o nível de percepção dos profissionais da área contábil de Santa Maria - RS em relação ao programa NFG e como estão orientando seus clientes para atender as exigências legais.

Pois, parte-se da premissa que os escritórios contábeis são prestadores de serviços contratados pelas empresas participantes e são detentores do conhecimento técnico e daí surge a necessidade desses profissionais buscarem aperfeiçoamento sobre o tema, pois devem informar às empresas sobre os procedimentos a serem adotados e se preparar para cumprir as obrigações legais do programa.

Em face da problemática dessa nova realidade imposta pelo fisco estadual, a pesquisa teve como principal objetivo averiguar o nível de percepção dos profissionais Santa Maria - RS, em relação ao programa NFG e também o impacto na sua implantação. Como objetivos específicos, o estudo buscou pesquisar a bibliografia e apresentar a legislação e as normas que envolvem o tema NFG, aplicar questionários, para que se identifique o nível de percepção dos profissionais e quais as ações movidas no intuito de orientar seus clientes, e analisar os resultados obtidos para identificar os entraves, bem como, os benefícios por eles encontrados.

A realização desta pesquisa justifica-se pela abrangência do tema NFG no âmbito social, empresarial e contábil, pois o programa objetiva inibir a sonegação fiscal por parte das empresas, contando com a participação do cidadão que exigindo o CPF na nota fiscal, influenciará diretamente para o aumento na arrecadação do Estado, e ainda, exercerá sua cidadania pelo fato de destinar uma parte do imposto arrecadado para as entidades sociais

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cadastradas no programa. Além disso, justifica-se pela importância de conhecer as práticas adotadas pelos profissionais contábeis de Santa Maria na implantação e nas adequações requeridas pelo programa tanto para os contadores quanto para as empresas, para que dessa forma se verifique se a legislação, ora vigente, se faz cumprir. Dessa forma, também se pretende colaborar com material para futuras pesquisas, pois se trata de um tema novo e pouco pesquisado.

O presente trabalho está dividido em cinco capítulos, sendo o primeiro, uma breve introdução e contextualização da temática, problemática, objetivos propostos e a justificativa para a realização da pesquisa.

O segundo capítulo, discorre sobre a revisão bibliográfica e os conceitos abordados de forma a compor o arcabouço teórico que balizou a pesquisa.

O terceiro capítulo enfatiza a metodologia empregada no desenvolvimento do estudo, detalhando cada ponto importante para a sua aplicação e tabulação.

Seguindo este pensamento, o quarto capítulo relata os resultados obtidos e as discussões, de maneira que, encerrando a pesquisa, o quinto capítulo explicita as conclusões obtidas e as recomendações consideradas relevantes.

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2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Neste capítulo, estão abordadas as teorias, conceitos e definições que serviram como suporte para o entendimento e desenvolvimento da pesquisa acerca do tema proposto.

2.1 A evolução da contabilidade

Neste capítulo, pretende-se apresentar um breve histórico sobre a evolução da contabilidade, abordando os principais períodos da história ao longo do tempo.

Sá (1997, p. 15) enfatiza que, “a Contabilidade nasceu com a civilização e jamais deixará de existir em decorrência dela; talvez, por isso, seus progressos quase sempre tenham coincidido com aqueles que caracterizam as da própria evolução do ser humano”. Dessa forma desde a simplicidade dos primeiros registros até a sofisticação alcançada nos dias atuais, houve um grande processo de evolução da ciência contábil.

2.1.1 História da contabilidade no mundo

Segundo Iudícibus (1997), a contabilidade talvez seja tão antiga quanto à origem do homem pensante. Sá (1997) descreve que os períodos evolutivos de nosso conhecimento podem ser classificados em: intuitivo primitivo, racional-mnemônico, lógico racional, literatura, pré-científico, científico, filosófico normativo.

Conforme Iudícibus (1997), historiadores remontam os primeiros sinais objetivos de contas há aproximadamente 4.000 anos a.C. no período racional-mnemônico, que surge com o estabelecimento de métodos de organização de informação na Mesopotâmia e no Egito, onde os registros eram feitos em plaquetas de argila com escrita cuneiforme para controle das riquezas, com critérios simbólicos que mais tarde seriam base para a criação das moedas.

Segundo Sá (1997, p. 25) “cerca de 2.000 anos antes de Cristo, a Mesopotâmia já adotava o Razão, tinha muitas demonstrações e sumários de fatos patrimoniais, possuía orçamentos evoluídos de receita e despesa pública, cálculos de custos e já produzia balanços de qualidade”. Entretanto, segundo o mesmo autor, antes disso o homem primitivo, ao inventariar o número de instrumentos de caça, aos contar seus rebanhos, ao contar suas ânforas de bebidas, já estava praticando uma forma rudimentar de contabilidade cerca de 20 mil anos atrás no período intuitivo primitivo, que Sá (1997, p. 20) define como sendo “as

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mais antigas manifestações do pensamento contábil, as contas primitivas, ou seja, as que identificam os objetos (geralmente por figuras) e as quantidades desses mesmos objetos (geralmente por riscos ou sulcos) como meios patrimoniais”.

Sá (1997, p. 16) destaca que, “o período lógico racional: preocupou-se com a evidência de causa e efeito dos fenômenos organizados em sistemas primários; deu origem à Partida Dobrada, desenvolvido na Idade Média da Humanidade, iniciou-se, segundo provas a partir da segunda metade do século XI”. Hendriksen e Breda (1999) evidenciam que, um dos primeiros registros de um sistema completo de partidas dobradas é de 1340 foi encontrado nos arquivos municipais de Gênova, Itália. Segundo os autores:

O primeiro codificador da contabilidade foi o frei franciscano chamado Irmão Luca Pacioli, que passou a maior parte de sua vida, como professor e estudante nas universidades de Perúgia, Florença, Pisa e Bolonha. [...]O livro escrito por Pacioli era intitulado Summa de arithmetica, geométrica, proportionietproportionalitá.

Apareceu em Veneza em 1494 [...] Summa era principalmente um tratado de matemática, mas incluía uma seção sobre o sistema de escrituração de partidas dobradas, denominada Particularis de computiset Scripturis. Esta seção foi o primeiro material publicado que descreve o sistema de partidas dobradas, e apresentava o raciocínio em que se baseavam os lançamentos contábeis.

(HENDRIKSEN; BREDA, 1999, p. 39).

O período da literatura, conforme Sá (1997) se definiu a partir do século XV, difundindo-se através de livros, copiados de manuscritos, para ensinar a escrituração contábil e trazer inovações e avanços sem abandonar bases de aritmética e da técnica comercial. O período pré-científico compreende desde o fim do século XVI até o início do século XIV, Sá (1997, p. 16) define “como ocorre à formação das primeiras teorias empíricas, abrindo caminho para a lógica do conhecimento contábil que transcendeu a simples informação”.

O período científico começa nas primeiras décadas do século XIX, segundo Sá (1997, p. 16) “é a época em que se passou a estudar a essência dos fenômenos patrimoniais, de suas relações, ou seja, o que significavam os fatos informados e relativos ao patrimônio”.

O período filosófico-normativo, a partir da década de 50 do século XX até os dias atuais que segue os avanços da tecnologia da informação, conforme Sá (1997, p. 16) é o período “em que a preocupação de normalizar as informações e de penetrar na interpretação conceptual definiu bem as áreas da informação disciplinada e do entendimento profundo e holístico dos fenômenos patrimoniais”.

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2.2 Tributos federais, estaduais e municipais

O foco da presente pesquisa é o programa nota fiscal gaúcha – NFG, conforme a lei n.

14.020, de 25 de junho de 2012, que é baseado na introdução do número do CPF do consumidor na nota fiscal e, sendo que a nota fiscal é um instrumento usado para auferir faturamento, por parte da empresa, que é base para o cálculo e a cobrança de impostos. Isto posto percebe-se a necessidade de retomar os conceitos acerca dos impostos existentes e suas competências evidenciando o imposto ao qual programa se refere, uma vez que, é objetivo manifesto do programa aumentar a arrecadação do ICMS do Estado, por meio de incentivo à emissão de documentos fiscais e de sensibilização e participação dos cidadãos na aplicação de recursos públicos.

2.2.1 Tributos: imposto, taxa e contribuição de melhoria

Em se tratando da temática que envolve o tributo, nada mais sensato que buscar sua definição oficial. Segundo o Código Tributário Nacional de 2009 – CTN/09 em seu artigo 3º:

“Tributo é toda a prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”.

Uma vez definido o que é o tributo, vale ressaltar que existem diferentes tipos de tributo, conforme prevê o art. 145, da Constituição Federal de 1988 – CF/88: impostos, taxas e contribuições de melhorias e, determina que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios têm o poder de instituí-los. Ou seja, a CF/88 não cria impostos, mas prevê a quem delegar essa função.

As principais diferenças entre os impostos, taxas e contribuições de melhorias estão relacionadas à sua vinculação. Segundo Alexandre (2009) os impostos, por definição, são tributos não vinculados que incidem sobre a manifestação de riqueza do sujeito passivo e devem contribuir respectivamente com a União, com os Estados e com o Município. Já as taxas e contribuições de melhoria têm caráter retributivo, no sentido de oferecer uma contraprestação e são tributos vinculados a uma atividade estatal, endossado pelo art. 145, II da CF/88 que diz que para a cobrança de uma taxa o Estado deve exercer poder de polícia ou disponibilizar ao contribuinte um serviço público específico. Já a contribuição de melhoria depende de uma anterior atividade estatal, sendo necessário que o ente federado realize uma obra da qual decorra valorização imobiliária.

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Em seus artigos 148 e 149, a CF/88, versa sobre a instituição dos empréstimos compulsórios e das contribuições sociais de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, sequencialmente. E conforme Duarte (2011, p.

98): “[...] os tributos no Brasil dividem-se em: impostos, taxas, contribuições parafiscais, contribuições de melhorias e empréstimos compulsórios”.

2.2.2 Impostos federais, estaduais e municipais

Com o programa nota fiscal gaúcha espera-se, dentre outros resultados, o aumento na arrecadação do ICMS e consequentemente, o aumento na arrecadação aos cofres públicos. Por ser o ICMS um imposto e tratar-se do aumento de sua arrecadação, o principal motivo que levou o Estado do Rio Grande do Sul a incentivar a implantação do programa NFG é que se tratando do referencial teórico da pesquisa, serão abordados somente os tributos, nesse caso, os impostos no âmbito federal, estadual e municipal.

2.2.2.1 Impostos federais

A união conforme previsto no art. 153 da CF/88, possui competência ordinária para instruir sete impostos, quais sejam: o imposto sobre importação – II; o imposto sobre exportação – IE; o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza – IR; o imposto sobre produtos industrializados – IPI; o imposto sobre as operações financeiras – IOF; o imposto sobre a propriedade territorial rural – ITR; e o imposto sobre grandes fortunas – IGF.

O II é de competência da União, o seu fato gerador é à entrada do produto estrangeiro no território nacional. Como base de cálculo utiliza-se o preço do produto e, o contribuinte desse imposto, é o importador ou o arrematante, no caso de tratar-se de produtos apreendidos ou abandonados. Conforme destaca Alexandre (2009), por possuir função econômica e regulatória, esse imposto não precisa obedecer ao princípio da anterioridade previsto na CF/88.

O IE é um imposto com finalidade regulatória, pois é utilizado com a intenção de desestimular a exportação de determinado produto nacional. É de competência da União, seu fato gerador é à saída do produto do território nacional, o exportador é considerado o contribuinte.

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Tanto o imposto que incide sobre a importação quanto o imposto que incide sobre a exportação, no que se refere às alíquotas, podem ser alteradas a qualquer tempo pelo Poder Executivo, por meio do ato infralegal.

O IR tem finalidade fiscal e é a fonte de maior arrecadação da União. Incide sobre a renda e os proventos tratando-se de pessoas físicas. Em outras palavras, “incide basicamente sobre os vencimentos percebidos pelos trabalhadores e a renda dos profissionais liberais”.

(DUARTE, 2011, p. 105).

No caso das pessoas jurídicas, o imposto denomina-se: imposto de renda pessoa jurídica – IRPJ, sua incidência se dá sobre os lucros auferidos pelas empresas.

O fato gerador é a renda que “compreende o produto do capital (como os rendimentos obtidos de uma aplicação financeira), do trabalho (como o salário recebido pelo empregado) ou a combinação de ambos (como o pró-labore recebido pelos sócios de uma sociedade empresária)” (ALEXANDRE, 2009, p. 535) e os proventos que, por exclusão, compreendem todos os acréscimos patrimoniais que não se enquadram como renda. Portanto, sua base de cálculo é o montante real, arbitrado ou presumido da renda ou dos proventos tributáveis e delega-se a figura de contribuintes aos possuidores dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis.

Trata-se de um imposto com efeito de redistribuição de renda, pois os menos favorecidos (os que menos, ou nada contribuem) são os maiores usuários dos serviços, tais como, saúde e educação, financiados com recursos advindos do recolhimento desse imposto.

Suas alíquotas são progressivas e variáveis para pessoa jurídica e física, especificamente no caso da pessoa física, levam em conta faixas de incidência trabalhando inclusive com a possibilidade de a renda ser tão baixa a ponto de ser isento dessa tributação. (ALEXANDRE, 2009)

Além de estar previsto na CF/88, o IR é regulamentado pelo Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99, instituído pelo Decreto n. 3.000, de 26 de março de 1999.

O IPI é cobrado sobre a industrialização do produto, porém existem outros fatos considerados geradores: a saída do produto do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial; ou o desembaraço aduaneiro do produto industrializado importado conforme versa o art. 46, do CTN/09.

Ressalvando-se que para efeitos legais entende-se por produto industrializado: aquele resultante de qualquer operação que modifique sua natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. (DUARTE, 2011).

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Configura-se como contribuinte, a indústria ou equiparados legais, e do importador ou equiparados. Alexandre (2009) considera base de cálculo, o valor da operação e, no caso da importação, o valor da operação somado ao imposto de importação e demais despesas, suas alíquotas variam conforme essencialidade do produto sendo maiores nos mais supérfluos.

Ressalta-se que o Decreto n. 7.212, de julho de 2010, instituiu o regulamento do IPI – RIPI/2010 que normatiza a cobrança, a fiscalização, a arrecadação e administração do IPI.

O IOF possui “natureza ineludivelmente financeira [...] e finalidade extrafiscal, pois possibilita à União intervir no funcionamento do mercado financeiro”. (ALEXANDRE, 2009, p. 548). Portanto, é um instrumento de controle da política de crédito, de câmbio, de seguros e valores imobiliários.

O fato gerador desse imposto depende de qual operação ele se refere: nas operações relativas aos títulos imobiliários o fato gerador será a emissão, transmissão, pagamento ou resgate desses títulos. Nas operações de câmbio, a efetivação do pagamento ou quando colocado a disposição do interessado, tratando-se das operações de seguro considera-se fato gerador a efetivação pela emissão da apólice ou recebimento do prêmio e, nas operações de crédito, o fato gerador será a efetiva entrega (total ou parcial) do valor do objeto da operação.

(ALEXANDRE, 2009).

A competência é da União, considera-se contribuinte quem se beneficia da operação financeira e a base de cálculo é o valor operação em questão. As alíquotas são fixas, variáveis proporcionais, progressivas ou regressivas que podem ser alteradas a qualquer tempo pelo Poder Executivo. (DUARTE, 2011).

O ITR tem função extrafiscal, pois conforme a CF/88, suas alíquotas são fixadas com a intenção de desestimular a manutenção de propriedades improdutivas. Dessa forma, funciona como um instrumento auxiliar de disciplinamento do poder público e, o produto de sua arrecadação é dividido entre a União e o Município igualmente.

O contribuinte é o proprietário do imóvel e o tributo incide sobre a propriedade de imóvel localizada na zona rural do município. Para base do cálculo toma-se o valor da terra nua declarado pelo proprietário e tem alíquota progressiva que aumenta conforme a área do imóvel.

Quanto ao IGF existe previsão legal para a instituição do mesmo no art. 153, VII, da CF/88, porém conforme Alexandre (2009) a União não utilizou tal competência, de forma que este não foi efetivamente instituído no ordenamento jurídico nacional.

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2.2.2.2 Impostos estaduais

No que tange aos Estados, a CF/88 em seu art. 155, versa que eles têm competência para instituir três impostos: o imposto sobre transmissão causa mortis e doações – ITCMD; o ICMS e o imposto sobre a propriedade de veículos automotores – IPVA.

Segundo Alexandre (2009, p. 559):

Ressalvada a hipótese de Emenda à Constituição, não há qualquer possibilidade de os Estados instituírem outros impostos além dos três que lhes foram deferidos pela Carta Magna. Portanto, ao contrário da União Federal, que possui, as competências residual e extraordinária (CF, art. 154, I e II), a lista de impostos estaduais é exaustiva.

O ITCMD, de competência do Estado e do Distrito Federal, tem função fiscal, incide sobre heranças, legados ou doações e o lançamento do crédito tributário ocorre por declaração. O fato gerador desse imposto é a transmissão por causa mortis ou por doação de quaisquer bens ou direitos, a base de cálculo é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos, as alíquotas aplicadas variam entre 2% e 4% e o contribuinte é o herdeiro ou legatário, no caso de causa mortis e, no caso de transmissão por doação, o doador ou donatário dependendo da legislação do Estado. (ALEXANDRE, 2009).

O ICMS, “é o mais importante imposto estadual porque representa a maior parte da fonte de receita tributária, podendo chegar a 90% do total arrecadado”. (DUARTE, 2011, p.

108). Endossando essa premissa, “trata-se do tributo de maior arrecadação no Brasil” afirma Alexandre (2009, p. 565), sobre o ICMS.

A competência sobre esse tributo é estadual, tendo com fato gerador a circulação de mercadorias, prestação de serviços de transporte intermunicipal e interestadual e de serviços de comunicação. Tornando-se contribuinte quem promove a operação e a prestação de serviço objeto de incidência do imposto sendo à base de cálculo o valor delas, no que dizem respeito às alíquotas aplicadas, elas variam conforme o Estado e a natureza do produto.

Cabe ao Senado Federal fixar os limites das alíquotas, bem como, as reduções são condicionadas à aprovação de todos os Estados mediante convênio aprovado pelo Conselho de Política Fazendária - CONFAZ.

O IPVA tem finalidade fiscal, pois “tributa uma manifestação de riqueza do contribuinte com o objetivo de arrecadar recursos para os cofres públicos estaduais”.

(ALEXANDRE, 2009, p. 598). Conforme citado é de competência estadual, mas sua

(23)

arrecadação é divida uniformemente entre Estado e Município sede do emplacamento do veículo.

Para Alexandre (2009), o fato gerador é a propriedade do veículo automotor, consequentemente o contribuinte é o seu proprietário. A base de cálculo é o valor venal do veículo e a alíquota dependerá da espécie de veículo.

2.2.2.3 Impostos municipais

No mesmo viés dos demais impostos, em conformidade com o art. 156, da CF/88, os Municípios têm competência para instituir três impostos, são eles: o imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana – IPTU, o imposto sobre serviços de qualquer natureza – ISSQN e o imposto sobre a transmissão inter vivos de bens imóveis - ITBI. E da mesma forma que para os Estados, para os Municípios a lista de impostos municipais é exaustiva.

O IPTU tem função fiscal e constitui uma importante fonte de arrecadação para o município. É de competência municipal e sua incidência é sobre os imóveis localizados na área urbana – incide sobre a propriedade, o domínio útil e a posse - onde os contribuintes são os proprietários ou os titulares do domínio do uso desses imóveis. A base de cálculo é o valor venal do imóvel e as alíquotas sofrem diferenciação de acordo com o uso e a localização do imóvel. (DUARTE, 2011).

O ISSQN é de competência municipal, considera-se fato gerado os serviços prestados excetos aqueles tributados pelo Estado através do ICMS. O contribuinte é o prestador do serviço e a base de cálculo é o valor do serviço prestado sendo que a alíquota varia conforma a legislação municipal, sendo 5% o percentual máximo a ser cobrado fixado pela Lei Complementar n. 116 de 31 de julho de 2003.

Segundo Duarte (2011, p. 109):

Como regra geral, o ISSQN é recolhido ao município em que se encontra o estabelecimento do prestador. O recolhimento somente é feito ao município no qual o serviço foi prestado no caso de serviços caracterizados por sua realização no estabelecimento do cliente (tomador do serviço), por exemplo: limpeza de imóveis, segurança, construção civil e fornecimento de mão de obra.

O ITBI conforme previsto na CF/88, é dividido em dois impostos de transmissão, um estadual e outro municipal. Contudo:

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A atual atribuição constitucional de competência é precisa, de forma a evitar conflitos entre Estados e seus respectivos Municípios. Assim se a transmissão é a causa mortis, incide o ITCMD; se é inter vivos, deve-se verificar se ocorreu por ato oneroso ou a título gratuito (doação). No primeiro caso, incide o ITBI; no segundo o ITCMD. Em ambas as hipóteses a tributação tem finalidade fiscal. (ALEXANDRE, 2009, p. 608).

Portanto, o ITBI tem competência municipal, o fato gerador constitui-se na transferência inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso. Seu contribuinte é qualquer das partes da operação tributada, sendo geralmente o adquirente do bem, a base de cálculo é o valor venal dos bens transmitidos e as alíquotas variam conforme a legislação municipal, enquanto o ITCMD é de competência do Estado. (CF/88, art. 155).

2.3 Declarações de competência federal e estadual

Os impostos trazem consigo além do caráter compulsório da prestação pecuniária, outras questões decorrentes que são as obrigações principais e as obrigações acessórias.

Em direito tributário, a obrigação pode assumir as três formas previstas pelos civilistas: a obrigação de pagar um tributo ou multa caracteriza-se como uma obrigação de dar (dinheiro); as obrigações de escriturar livros fiscais e de entregar declarações tributárias são obrigações de fazer; as obrigações de não rasurar a escrituração fiscal e de não receber mercadorias sem os documentos fiscais previstos na legislação são obrigações de deixar de fazer. (ALEXANDRE, 2009, p. 262).

Portanto, existem diferenças entre as obrigações principais e acessórias, pelo surgimento das obrigações principais entende-se que “ocorre quando surge o fato gerador, seu objeto é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Extingue-se com o crédito dela decorrente”. (DUARTE, 2011, p. 102). O que reforça Alexandre (2009, p. 264), quando diz que: “em resumo, ao afirmar que a obrigação tributária principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art. 113, § 1.º), o CTN/09 acabou por definir que tal obrigação é sempre de dar (dinheiro), jamais de fazer ou deixar de fazer algo”.

Sobre a questão da definição da obrigação principal, “em direito tributário, tanto um crédito quanto os respectivos juros e multas são considerados obrigação tributária principal”.

(ALEXANDRE, 2009, p. 263). De acordo com o autor, o próprio CTN/09 cita em dado momento que o imposto não pode ser sanção por ato ilícito, entretanto “a obrigação de pagar a multa tributária foi tratada pelo CTN/09 como obrigação tributária principal”.

(ALEXANDRE, 2009, p. 263).

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No que tange as questões referentes às obrigações acessórias vale ressaltar que seu conceito não está relacionado com o ato pecuniário de pagar (de dar dinheiro de forma compulsória), mas sim, com os atos de “fazer” e “deixar de fazer” conforme o § 2º, do art.

113 do CTN/09, tem por objetivo as prestações, positivas ou negativas, previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. De uma forma mais simples, trata-se de obrigações instrumentais criadas a partir das obrigações principais com objetivo de complementá-las, justificá-las, ou comprová-las ou, como sugere Alexandre (2009), em seu livro, tratam-se de simples deveres burocráticos que facilitam o cumprimento das obrigações principais.

Porém, as declarações acessórias deixam de ser simples devido a alguns fatores: como o número cada vez maior de declarações à que a empresa está obrigada a entregar, a crescente complexidade de cada uma delas, às dificuldades enfrentadas pela empresa em cumprir às adequações que algumas declarações exigem isso sem contar às multas a que se encontram sujeitas em caso de descumprimento de prazos de entrega e informações pela metade ou incorretas. As dificuldades existem também para os profissionais, ou escritórios contratados para auxiliar nas obrigações vinculadas com a contabilidade, trabalhistas e principalmente, nas obrigações tributárias de todas as espécies.

Sobre as obrigações acessórias, a fim de ratificar as dificuldades supracitadas, Duarte (2011, p. 110-111) diz que:

O fisco exige além do pagamento dos tributos, diversas declarações fiscais periódicas do contribuinte. Além das declarações requeridas pela Receita Federal do Brasil, listadas a seguir, há outras tantas exigidas pelos fiscos estaduais e municipais, atendendo às legislações do ICMS e do ISSQN.

Pessoa Jurídica - Arquivos digitais;

- DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais;

- DBF – Declaração de Benefícios Fiscais;

- DCIDE – Declaração CIDE-Combustíveis;

- DCP – Demonstrativo do Crédito Presumido;

- DCRE – Demonstrativo do Coeficiente de Redução do Imposto de Importação;

- DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais;

- DE – Demonstrativo de Exportação;

- DECRED – Declaração de Operações com Cartão de Crédito;

- DERC – Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais;

- DEREX – Declaração sobre a Utilização dos Resultados em Moeda Estrangeira Decorrentes do Rendimento de Exportação;

- DICNR – Declaração de Impostos e Contribuições Não Retenção;

- DIF – Bebidas;

- DIF – Cigarros – Declaração Especial de Informações Fiscais Relativas à Tributação de Cigarros;

- DIF – Papel Imune;

- DIMOB – Declaração das Informações sobre as Atividades Imobiliárias;

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- DIMOF – Declaração de Informações sobre as Atividades Financeiras;

- DIPI – Declaração do Imposto sobre Produtos Industrializados – Bebidas;

- DIPJ – Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (inclusive Imunes e Isentas);

- DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte;

- DISO – Declaração de Informações Sobre Obra;

- DITR – Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural;

- DMED – Declaração de Serviços Médicos e de Saúde;

- DNF – Demonstrativo de Notas Fiscais;

- DPREV – Declaração sobre a Opção de Tributação de Planos Previdenciários;

- DSPJ – Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (Simples e Empresas Inativas);

- DSTA – Declaração de Substituto Tributário do Setor Automotivo;

- DTTA – Declaração de Transferência de Titularidade de Ações;

- GFIP/SEFIP – Guia de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social;

- PAES – Declaração PAES – parcelamento especial;

- PERDCOMP – Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação;

- PERC – Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais;

- SINCO – Sistema Integrado de Coleta;

- SISOBRA-PREF – Sistema de Gerenciamento de Obras (módulo prefeitura);

- ZFM – Declaração – SISCOMEX Internação;

Existem além desses, as obrigações referentes às pessoas físicas que não serão aqui referendadas por não fazerem parte da temática proposta na presente pesquisa.

2.3.1 Principais declarações na esfera federal

Por se tratar de uma quantidade significante de declarações acessórias e cada uma delas possuir especificidades distintas foram aqui relacionadas somente às declarações que se interligam ao tema proposto pela pesquisa.

Na esfera federal o levantamento teórico-conceitual versará sobre as seguintes declarações: DIPJ, Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais - DEFIS, DACON, DCTF e dentro do projeto do Sistema Público de Escrituração Fiscal Digital - SPED:

Escrituração Contábil Digital - ECD, Escrituração Fiscal Digital – EFD ICMS/IPI, Escrituração Fiscal Digital das Contribuições - EFD-Contribuições, Controle Fiscal Contábil de Transição – FCONT, Escrituração Fiscal Digital do Imposto de Renda - EFD-IRPJ, Livro de Apuração do Lucro Real Eletrônico - e-LALUR e o recente eSocial.

A DIPJ trata-se de uma obrigação acessória instituída pela Instrução Normativa - IN da Secretaria da Receita Federal do Brasil - SRF n. 127/98, em substituição à antiga declaração de rendimentos. E “as informações contidas na DIPJ a serem remetidas pela internet num determinado ano-calendário se referem via de regra, ao ano-calendário imediatamente anterior”. (NEVES; VICECONTI; SILVA, 2009, p. 627).

(27)

O objetivo principal dessa declaração é demonstrar a apuração do IR e da contribuição social sobre o lucro líquido - CSLL, ela é, transmitida, anualmente, de forma eletrônica ao site da Receita Federal do Brasil - RFB, através da assinatura digital mediante a certificação digital do contribuinte. É obrigatória a todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, com exceção das pessoas jurídicas optantes pelo regime especial unificado de arrecadação de tributos e contribuições devidos pelas microempresas e empresas de pequeno porte (Simples Nacional), das empresas inativas de que trata a IN da RFB n. 1.306/2012 e dos órgãos, autarquias e fundações públicas. (NEVES; VICECONTI; SILVA, 2009).

Está prevista uma punição para a falta de apresentação ou apresentação fora dos prazos fixados pela RFB, onde as pessoas jurídicas sujeitarão à cobrança de multa de 2%

sobre o imposto devido informado na DIPJ, por mês-calendário ou fração por atraso, limitada a 20%, ou, multa de R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omissas.

(NEVES; VICECONTI; SILVA, 2009).

Conforme o disposto na IN da RFB n. 1.344/2013, as multas serão reduzidas a 50%

quando a declaração for apresentada depois do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício e a 75% se a declaração for apresentada no prazo fixado em intimação.

A DEFIS trata-se da declaração de informações socioeconômicas e fiscais, deve ser entregue anualmente pelas micro e pequenas empresas que optaram pelo regime de tributação simples nacional. Conforme o manual disponibilizado pela RFB no site do Simples Nacional (http://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/), a declaração deverá ser entregue eletronicamente à RFB até 31 de março do ano-calendário subsequente ao da ocorrência dos fatos geradores dos tributos previstos no simples nacional tanto pelas micro e pequenas empresas que estão em atividade ou inativas, quanto pelas que se encontra em situação especial de extinção, incorporação, fusão, ou cisão total ou parcial – para esses casos alteram- se as datas de entrega da DEFIS.

Diferentemente da DIPJ, a DEFIS não existe a necessidade de ser entregue por certificado e assinatura digital, embora a finalidade e o conteúdo delas sejam semelhantes, para ela basta criar um código de acesso no site do Simples Nacional. Em se tratando da entrega, a DEFIS deve ser preenchida com todas as informações socioeconômicas referentes à empresa e transmitida através do Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional – Declaratório - PGDAS-D, que objetiva declarar o valor mensal devido referente ao simples nacional e efetuar a DEFIS de toda empresa, conforme determina a Lei Complementar n. 123, de 2006, art. 25, caput e a Resolução CGSN n. 94, de 29 de novembro de 2011.

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O DACON foi instituído pela IN da SRF n. 387/2004 para substituir o demonstrativo de apuração da contribuição para PIS/PASEP não-cumulativo – DAPIS. Logo que passou a vigorar, em 2005, era entregue trimestralmente ou semestralmente conforme o caso, de 2006 a 2009 passou a ser entregue ou mensalmente ou por semestre e a partir da IN da RFB n.

1.015/2010 passou a ser mensal para o ano-calendário 2010 em diante.

É obrigatória a sua entrega para pessoas jurídicas, ou equiparadas submetidas à apuração da contribuição para PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social – COFINS, nos regimes cumulativos e não-cumulativos, incluindo às pessoas jurídicas que apuram a contribuição para PIS/Pasep sobre a folha de pagamento. O que significa dizer que estão obrigados a entregá-lo todas as empresas que são tributadas com base no lucro real e algumas isenta e imunes, por apurarem a contribuição para PIS/Pasep sobre a folha de pagamento e as exceções são: as empresas optantes pelo simples nacional, as empresas inativas, as isentas e imunes cujo valor mensal das contribuições a serem informadas seja inferiores a dez mil reais e os órgãos, autarquias e fundações públicos.

Sobre a apresentação e prazos dessa obrigação acessória a IN da RFB n. 1.015/2010 versa que o DACON deve ser elaborado mediante utilização do programa gerador disponível no site da RFB, a entrega é eletrônica e para sua apresentação é obrigatória a assinatura digital do demonstrativo mediante certificado digital válido. Quanto aos prazos, deverá ser apresentado até o 5º dia útil do 2º mês subsequente ao mês de referência, salvo exceções.

Para o descumprimento dessa obrigação está previsto na IN além de ser intimado a prestar esclarecimento e/ou a retificar o demonstrativo, a pessoa jurídica será multada conforme a IN da RFB n. 1.015/2010:

I – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, o na sua falta, da Contribuição para PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desse demonstrativo ou de entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento) daquele montante, observando o disposto no § 3º; e

II – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas.

O valor mínimo da multa será de R$ 200,00 (duzentos reais) para as pessoas jurídicas inativas e de R$ 500,00 (quinhentos reais) para os demais casos.

A DCTF é uma declaração acessória utilizada pela RFB para a obtenção de informações referentes ao crédito tributário e da forma que o contribuinte utilizou para pagá- lo. Ela contém informações relativas aos tributos e contribuições apurados pela pessoa jurídica em cada mês, os pagamentos, parcelamentos e as compensações de crédito.

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Conforme a IN da RFB n. 1.110, de 24 de dezembro de 2010, que versa sobre as normas disciplinadoras da DCTF para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2011 está obrigado a entregar mensalmente essa declaração, desde que possuam débitos a declarar: as pessoas jurídicas em geral e equiparadas, as isentas e imunes de forma centralizada pela matriz e ainda, as unidades gestoras de orçamento das autarquias e fundações instituídas e mantidas pela administração pública das três esferas e dos órgãos públicos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado e do Distrito Federal, bem como, os poderes Executivos e Legislativos municipais. Ainda devem declarar os consórcios que realizem negócios jurídicos em nome próprio.

A referida instrução normativa prevê casos em que os contribuintes estão dispensados da apresentação da DCTF são eles: empresas de pequeno porte e microempresas enquadradas no Simples Nacional, relativamente aos períodos abrangidos por esse regime; as pessoas jurídicas que se mantiveram inativas durante todo o ano-calendário ou durante o período compreendido entre a abertura da empresa e o encerramento do ano-calendário a que se referirem as DCTF, devendo ainda ser observado que não estão dispensadas da apresentação as pessoas jurídicas a partir do período, inclusive, em que praticarem qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial, desde que tenham débitos a declarar;

os órgãos públicos da administração direta da União que a partir de janeiro de 2012 devem cumprir outra obrigação específica e, por fim, as autarquias e fundações públicas federais de administração federal em relação aos fatos geradores que ocorrem até dezembro de 2011.

Existem ainda, outras hipóteses previstas de dispensa que não serão expostas nessa revisão.

Sobre a DCTF, cabe ainda ressaltar que deve ser elaborada através do programa específico disponibilizado pela RFB em seu site, bem como, sua transmissão é eletrônica e obrigatória a utilização da assinatura e cartão digital válidos. Quanto ao prazo de entrega, as pessoas jurídicas devem apresentá-la até o 15º (décimo quinto) dia útil do 2º (segundo) mês subsequente da ocorrência dos fatos geradores.

O SPED foi instituído através do Decreto n. 6.022 de 22 de janeiro de 2007, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal - PAC 2007-2010. O SPED teve entre outros os objetivos:

[...] a modernização da sistemática atual do cumprimento das obrigações acessórias, transmitidas pelos contribuintes às administrações tributárias e aos órgãos fiscalizadores, utilizando-se da certificação digital para fins de assinatura dos documentos eletrônicos, garantindo assim a validade jurídica dos mesmos apenas na sua forma digital. (PORTAL SPED, 2012).

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O programa veio com as obrigações divididas em quatro pilares: a Nota Fiscal Eletrônica – NF-e e o Conhecimento de Transporte Eletrônico – CT-e, a ECD (ou SPED contábil), o SPED fiscal, que se subdivide em EFD-Contribuições, EFD ICMS/IPI e EFD- IRPJ, e o Sistema de Escrituração Fiscal Digital das Obrigações Fiscais, Trabalhistas e Previdenciárias - eSocial que é a escrituração que consolida as informações previdenciárias e trabalhistas. Os três primeiros já se encontram vigorando enquanto o eSocial ainda está em fase de implantação e passa a vigorar a partir de janeiro de 2014.

De forma pontual o SPED, objetiva, promover a integração dos fiscos; racionalizar e uniformizar as obrigações acessórias para os contribuintes e tornar mais célere a identificação de ilícitos tributários. O que está previsto na Emenda Constitucional n. 42, aprovada em 19 de dezembro de 2003, e retomada pelo PAC 2007-2010, que dentre as medidas anunciadas consta, no tópico referente ao Aperfeiçoamento do Sistema Tributário, a implantação do SPED e NF-e, no prazo de dois anos. (PORTAL SPED, 2012).

A ECD, parte integrante do projeto SPED, foi instituído pela IN da RFB n. 787, de 19 de novembro de 2007, e passou a ser obrigatória a determinadas pessoas jurídicas com relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2008. Inicialmente, só estavam obrigadas as pessoas jurídicas sujeitas ao acompanhamento econômico-tributário diferenciado e, posteriormente a obrigatoriedade estendeu-se às empresas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real - a partir de janeiro de 2009, ressaltando que as regras de obrigatoriedade não levam em consideração se a sociedade empresária teve ou não movimento no período. Para as empresas tributadas pelo lucro presumido a entrega é facultativa e dispensada para as empresas optantes pelo simples nacional.

O ECD tem por objetivo a substituição da escritura em papel pela escritura transmitida via arquivo validado e devidamente autenticação pelos órgãos de registro. Foi instituída para fins fiscais e previdenciários e deverá conter em versão digital os livros: diário e seus auxiliares, razão e seus auxiliares, balancetes diários, balanços e fichas de lançamentos comprobatórios dos assentamentos neles transcritos. (IN RFB 787/2007). Será transmitido até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao ano-calendário a que se refere, com a utilização do Programa Validador e Assinador – PVA disponível no Portal SPED. É importante evidenciar que o mesmo prazo de entrega não se aplica para pessoas jurídicas em situações de extinção, cisão, fusão ou incorporação.

O FCONT é uma escrituração das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que observa os métodos e critérios contábeis previstos pela legislação tributária.

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Sua utilização é necessária, e obrigatória, à realização dos ajustes efetuados no livro de apuração do lucro real - LALUR.

O FCONT faz parte do programa SPED, pois a partir do ano-calendário de 2010 é obrigatório a todas as pessoas jurídicas que apurem IRPJ com base no lucro real. O descumprimento dessa obrigação quer seja pela não entrega, ou pela omissão de informações e informações incorretas é passível de penalidades previstas na Lei n. 12.766/2012.

Via de regra, as penalidades de que tratam a lei são as multas que por apresentação espontânea serão de R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário ou fração se a pessoa jurídica, na última declaração apresentada tenha apurado lucro presumido ou, R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) para o caso de pessoas jurídicas que tenham apurado lucro real ou optado pelo auto arbitramento. Em caso de não atendimento à intimação da RFB para prestação de esclarecimentos ou apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital a multa é de R$ 1.000,00 (mil reais) por mês-calendário, bem como, pela apresentação de informações inexatas será aplicada multa de 0,2% não inferior à R$ 100,00 (cem reais) sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega perfazendo a receita decorrente da venda de mercadorias e serviços.

O FCONT, por tratar-se de um programa pelo qual será realizada a contabilização das contas patrimoniais e de resultado obrigado às empresas tributadas pelo lucro real, que tem o objetivo de reverter os efeitos tributários dos lançamentos que modifiquem o resultado segue o mesmo prazo fixado para a entrega da DIPJ.

Outra obrigação acessória integrante do Programa SPED que visa eliminar a redundância de informações existentes na escrituração contábil, no LALUR e na DIPJ é o e- LALUR. Trata-se do Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração do IR e da CSLL da pessoa jurídica tributada pelo lucro real (e-LALUR), instituído e regulamentado pela IN RFB n.

989/2009, obrigado às empresas optantes pelo lucro real.

O e-LALUR, ou melhor, a IN RFB n. 989/2009 nem chegou a vigorar e já foi revogada. No lugar do e-LALUR passou a existir a EFD- IRPJ.

A IN RFB n. 1.353/2013 institui e regulamenta a EFD-IRPJ e, conforme o Art. 2º versa: “a entrega da EFD-IRPJ, de que trata o art. 1º, será obrigatória para as pessoas jurídicas sujeitas a apuração do Imposto sobre a Renda pelo Regime do Lucro Real, Lucro Presumido, ou Lucro Arbitrado, e também para as pessoas jurídicas imunes e isentas.” (IN RFB 1.353/2013).

As pessoas jurídicas que apresentam a EFD-IRPJ estão dispensadas da escrituração do LALUR e da entrega da DIPJ para os fatos geradores a partir de 1º de janeiro de 2014. E

(32)

quanto aos prazos, deverá ser entregue até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao ano-calendário a que se refira.

Para as pessoas jurídicas que descumprirem essa obrigação, quer seja pela omissão, incorreção ou não apresentação há previsão de multas. Para a empresa que deixar de apresentar a EFD-IRPJ a multa é de R$ 1.500,00 para empresas optantes pelo lucro real ou arbitrado e R$ 500,00 para as empresas tributadas com base no lucro presumido, a multa de R$ 1000,00 é aplicada em casos de não atendimento à intimação feita pela RFB, ou ainda a multa de R$ 100,00 ou 0,2% sobre faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração (o que for maior) pela apresentação da declaração com informações inexatas ou omissas.

Em relação à entrega das informações, como os demais componentes do Programa SPED, será entregue em arquivo digital e segundo o Art. 5º da IN RFB n. 1.353/2013:

O Guia Prático da EFD-IRPJ, contendo informações de leiaute do arquivo de importação, regras de validação aplicáveis aos campos, registros e arquivos, tabelas de códigos utilizados e regras de retificação da EFD-IRPJ, será divulgado pelo Cofis por meio de Ato declaratório Executivo publicado no Diário Oficial da União (DOU).

O EFD ICMS/IPI é um arquivo digital, se constitui de um conjunto de escriturações de documentos fiscais e de outras informações de interesse dos fiscos das unidades federadas e da RFB, nele constam os registros de apuração de impostos referentes às operações e prestações praticadas pelo contribuinte (PORTAL SPED, 2012) perfazendo um dos componentes do Programa SPED.

O Convênio ICMS 143/2006 instituiu a obrigatoriedade da EFD para os contribuintes do ICMS ou do IPI, sendo que os mesmos podem ser dispensados, em casos de autorização pela unidade federada do contribuinte e pela SRF. A escrituração digital unifica as informações dos contribuintes do ICMS e IPI e substitui a escrituração física dos livros:

Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Inventário, Registro de Apuração do ICMS e do documento Controle de Créditos de ICMS do Ativo Permanente – CIAP, conforme previsão legal no Título I, Cap. LI, seção 1.0, Item 1.3, da IN DRP 45/98.

A empresa deverá, a partir de sua base de dados, gerar um arquivo digital de acordo com o leiaute regulamentado e estabelecido pelos órgãos competentes com as informações dos documentos fiscais. Esse arquivo deve ser submetido ao PVA fornecido pelo Portal SPED, o qual verifica a consistência das informações prestadas, assina utilizando a certificação digital e transmite.

Referências

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