Nota-se que as opiniões se invertem quando questionados quanto aos benefícios que o programa traz para os cidadãos. Nesse caso, 64% acreditam que o programa traz benefícios aos cidadãos e 36% desacreditam nessa possibilidade, conforme ilustra o gráfico 21.
Gráfico 21 – Benefícios da NFG para os cidadãos na visão dos contabilistas
Fonte: coleta de dados, 2013.
Os que se demonstraram favoráveis aos benefícios aos cidadãos disseram que dentre os motivos estão o desconto no IPVA, à participação em sorteios, a prática de atos de cidadania em prol da sua comunidade através dos valores destinados para entidades sociais, uma forma de educação fiscal, uma forma do cidadão agir como fiscalizador impedindo a sonegação do imposto, pois o consumidor pode se certificar de que as empresas estão contribuindo com seus impostos para melhorias no município, no estado e país.
Para os que discordam que o programa traz benefícios aos cidadãos, os principais motivos para serem desfavoráveis são o medo de serem fiscalizados pela RFB pelo cruzamento do montante de suas compras com seus salários, ou seja, para eles, foi criada uma ferramenta na qual o fisco controla todos os seus gastos, a grande maioria dos cidadãos não usa e nem sabe que existe acreditam que falta maior divulgação para a adesão.
Quanto aos benefícios trazidos pelo programa NFG para as entidades sociais, 86% dos pesquisados acreditam que sim, o programa agrega benefícios às entidades e aos seus projetos sociais e 14 acreditam que não, conforme demonstra o gráfico 22.
64%
36%
Sim Não
Gráfico 22 – Benefícios da NFG para as entidades na visão dos contabilistas
Fonte: coleta de dados, 2013.
Os que responderam que o programa traz benefícios afirmaram que através do cadastro feito por cada cidadão e com a inclusão do CPF, a entidade social receberá recursos, isso possibilita que várias outras pessoas que dependem de apoio sejam ajudadas.
Os 14% que desacreditam nos benefícios para as entidades sociais alegam desconhecer se elas recebem o retorno prometido e afirma que o retorno financeiro às entidades deveria ser maior.
Em relação ao nível de percepção dos pesquisados, quanto ao programa NFG pode-se concluir que 82% possuem um bom conhecimento acerca do tema, 14% declaram ter um nível ótimo de conhecimento e 5% conhecem superficialmente o assunto, conforme demonstrado no gráfico 23.
Gráfico 23 – Nível de conhecimento dos contabilistas sobre o programa NFG
Fonte: coleta de dados, 2013.
86%
14%
sim não
82%
14%
4%
0%
Bom Ótimo Superficial Nenhum
Conforme a visão geral dos participantes da pesquisa, o programa NFG se relaciona com a redução da sonegação fiscal, visando principalmente o aumento da arrecadação aos cofres públicos. Existem pontos favoráveis, desfavoráveis e questões que precisam ser melhoradas conforme ilustrado no gráfico 24.
Gráfico 24 – Visão geral dos contabilistas sobre o programa NFG
Fonte: coleta de dados, 2013.
Os 50% dos participantes da pesquisa, relacionam o programa NFG com a redução da sonegação fiscal tanto por parte das empresas que deverão se adequar às exigências, quanto para os consumidores no sentido de fiscalizar as empresas e também de controlar seus próprios gastos, pois poderão ser realizados cruzamentos entre as notas cadastradas no programa e a sua renda.
Os pontos favoráveis do programa NFG, que corresponde ao percentual de 18% dos pesquisados, apesar de se tratar de um programa novo, só começa a colher resultados após o credenciamento de ofício das empresas, e após uma campanha junto a população para criar nos cidadãos o hábito de inserir seu CPF.
Os demais 18%, que corresponde aos pontos desfavoráveis, dizem que a NFG é mais um programa do governo para ter um maior controle tanto na pessoa física quanto na jurídica.
Argumentam que é um pouco complicado para as empresas pequenas se adequarem em razão dos custos de aquisição de máquinas de ECF ou de programas específicos para gerar informação solicitada, além do que, as empresas já estão sobrecarregadas de obrigações e esta é mais uma que não dá retorno nenhum para o empresário.
50%
14%
18%
18%
Redução da sonegação fiscal Programa necessita de melhorias
Pontos favoráveis Pontos desfavoráveis
Os 14% restantes, conforme o gráfico 24, acreditam que seja uma boa iniciativa, mas que o programa precisa ser melhorado para ser mais eficaz seja qual for a intenção do governo estadual.
5 CONCLUSÃO
A fim de atender as necessidades do mercado de trabalho, os profissionais da área contábil devem se atualizar constantemente para enfrentar e se adaptar a todas as mudanças que vem acontecendo no “mundo contábil”. A Nota Fiscal Gaúcha é mais um programa novo, que impôs outra postura dos contadores e empresários, pois trouxe novas obrigações para ambos.
O programa NFG foi criado pela lei estadual n. 14.020, de 25 de junho de 2012, porém o credenciamento das empresas ocorreu efetivamente entre março e novembro de 2013, e hoje todas as empresas que possuem inscrição estadual encontram-se inscritas no programa, pois quem não obedeceu ao cronograma de credenciamento foi automaticamente cadastrado de ofício pela SEFAZ. Como obrigações o programa instituiu que deve ser realizado o cadastro das empresas nos prazos estabelecidos e fazer a entrega dos arquivos via NFG-DESKTOP, além disso, as empresas devem oferecer para o cidadão a inclusão do CPF no documento fiscal e fixar o cartaz do programa.
O presente trabalho de conclusão de curso buscou discutir o tema com a intenção de verificar não somente o nível de percepção dos profissionais da área contábil de Santa Maria - RS em relação ao programa NFG, mas também como orientaram seus clientes para atender as exigências legais e o impacto na sua implantação.
Conclui-se que o nível de preparo e percepção dos pesquisados é bom, e que, a maioria não participou de cursos de capacitação sobre o tema, assim, utilizaram-se do Portal da SEFAZ, ou do Portal da NFG, como principal instrumento para embasar suas pesquisas e buscar as informações para orientar seus clientes.
Devido ao alto índice de credenciamentos de ofícios por parte da SEFAZ, as empresas já se encontram cadastradas no programa e, embora, os profissionais contábeis demonstraram ter um bom conhecimento sobre o programa NFG, 68% de seus clientes encontraram dificuldades em se adaptar às exigências impostas, mas as colocaram em prática.
Com isso, foi possível inferir que apesar de preparados, os profissionais da área contábil, ainda sentem dificuldades em transmitir seus conhecimentos aos responsáveis pelas empresas e fazer com que eles compreendam e executem o que versa a lei, pois estes, muitas vezes não estão suscetíveis às mudanças.
Mas independente disso, o programa NFG trouxe algumas obrigações e, para seu descumprimento, algumas penalidades, por esse motivo, os empresários devem cumprir o que
determina a legislação, mas conforme foi verificado na pesquisa, alguns escritórios responderam que seus clientes não estão cumprindo as exigências do programa, pois acreditam que não vão sofrer penalidades, inferem que não serão fiscalizados e tão pouco serão penalizados, exatamente o oposto do que se verificou, pois o ato da SEFAZ, de enviar as cartas de credenciamento de ofício para as empresas dando ciência tanto das obrigações quando das penalidades pelo descumprimento destas, é um indicativo de que a SEFAZ irá fiscalizar intensivamente o programa.
As ações movidas com a intenção de orientar seus clientes estão principalmente relacionadas ao cumprimento das exigências legais impostas pelo programa. Existe a preocupação por parte do contabilista em atender às exigências técnicas do programa, para isso, prestou consultorias aos clientes com objetivo de instruí-los e posteriormente, se houver necessidade, o escritório contábil envia uma notificação formal com as informações do programa e alerta sobre as penalidades isentando-se de toda e qualquer responsabilidade.
Um ponto polêmico é justamente a quem compete a obrigação de enviar os arquivos com as informações à SEFAZ: ao empresário ou ao contador da empresa.
Sob o ponto de vista de 64% dos escritórios participantes, a competência sobre entrega dos arquivos gerados, com os documentos fiscais que contém o CPF do consumidor, é dos seus clientes, embora isso não se verifique na prática, pois, a maioria dos escritórios contábeis efetua a entrega dos arquivos dos seus clientes e não consideram isso como um serviço à parte fazendo parte, assim, dos honorários cobrados.
No que se refere à sistemática que envolve o programa NFG, verificou-se que no geral, os escritórios contábeis não encontraram dificuldades para entregar os arquivos via NFG-DESKTOP. Os que encontraram alguns empecilhos estão relacionados ao não recebimento das informações dos clientes em tempo hábil, aos diferentes prazos para entrega seguindo o oitavo dígito do CNPJ e, aos problemas nas adequações dos softwares dos clientes.
A pesquisa revelou que não houve investimentos significativos por parte dos escritórios contábeis, bem como dos seus clientes, para se adequar ao programa NFG, uma vez que, não houve exigências por parte da SEFAZ, para que os clientes adotassem um modelo específico de documento fiscal, em detrimento aos que já vinham utilizando observando que, a maioria já utiliza os modelos ECF e D-1 e também pelo fato de o NFG-DESKTOP estar disponível gratuitamente no portal da NFG.
Em relação a forma de pensar dos profissionais acerca do tema, é notório que em termos gerais, os pesquisados acreditam que o programa objetiva inibir a sonegação fiscal por
parte das empresas, contando com a participação do cidadão como seu principal agente fiscalizador. Como contraponto, existe a preocupação no sentido de que, a SEFAZ obterá uma base de dados, das compras realizadas pelas pessoas físicas, e das operações realizadas pelas pessoas jurídicas, que futuramente poderão ser disponibilizadas à RFB que fará um cruzamento eletrônico de dados com as declarações de impostos de renda dos cidadãos e as declarações enviadas pelas empresas.
Ao analisar os resultados obtidos, na concepção dos profissionais contábeis pôde-se identificar os entraves, bem como, os benefícios referentes ao programa NFG.
Quanto às empresas, a maioria dos pesquisados acredita que não existe benefícios e sim, o aumento das obrigações acessórias endereçadas ao fisco, além das dificuldades no entendimento por parte do representante da empresa.
Já para os cidadãos, na visão dos profissionais da área contábil, há duas vertentes, os que acreditam nos benefícios usam o argumento das premiações e da redução no valor do IPVA, outro ponto, é que com a inserção do CPF na nota o cidadão está evitando a sonegação de imposto e colaborando para o aumento da arrecadação aos cofres públicos. Por outro lado, os que se opõem, acreditam que haverá um maior controle fiscal do cidadão a partir do CPF na nota e, alegaram que as pessoas não estão aderindo pela falta de divulgação do programa na mídia.
A maioria dos pesquisados, acredita que os maiores beneficiados com o programa NFG são as entidades sociais, pois, estimulam a consciência solidária dos cidadãos, que destinam recursos para os projetos sociais das entidades que escolheram no momento do cadastro, possibilitando que várias pessoas que precisam de ajudam sejam atendidas.
Conclui-se que a entrega dos arquivos do programa NFG é mais um item da vasta lista das obrigações acessórias que as empresas estão obrigadas. Os escritórios contábeis, por serem os detentores da qualificação técnica, devem ter meios para controlar e qualificar essas informações, para que, em consonância com as demais declarações já enviadas, sejam coesas entre si, gerando informações únicas que após um possível cruzamento eletrônico dos dados não gerem futuras divergências, daí a importância de que todas as obrigações acessórias que competem à empresa sejam feitas de forma adequada e com informações únicas, para que não incorram em erros, e futuras penalidades.
Sobre o programa NFG conclui-se que seus pontos fortes são: a diminuição das vendas informais corroborando para a questão justa do tributo, pois não havendo sonegação evita-se a concorrência desleal entre as empresas. Por fim, estimula o cidadão a exercer a cidadania através da destinação de uma parcela da arrecadação para as instituições assistenciais.
Quanto aos pontos negativos do programa conclui-se que ele cria mais uma obrigação acessória a ser cumprida tanto para as empresas quanto para o escritório, nesse sentido, poderia ser fixado um prazo único para a entrega dos arquivos. Porém o mais relevante é que, ele não dá o retorno esperado através dos sorteios para os cidadão ao contrário do que acontece em outros estados, que utilizam programas semelhantes, como o estado de São Paulo que adota o programa nota fiscal paulista, que reverte uma fração de 30% da arrecadação de ICMS diretamente para todos os consumidores inscritos através de depósitos bancários, sorteios ou em forma de descontos no pagamento dos impostos.
É um programa inovador que poderá a longo prazo ser positivo para todos, governo, empresas e sociedade mas que depende da colaboração principalmente dos cidadãos e das empresas para atingir seus objetivos, quais sejam, diminuir a informalidade e consequentemente aumentar a arrecadação do ICMS no Rio Grande do Sul.
No decorrer da pesquisa foram identificadas algumas limitações, principalmente quanto à demora no retorno dos questionários. Outra limitação visualizada diz respeito ao direcionamento da pesquisa, que foi realizada somente com os profissionais de escritórios de contabilidade, mas também se faz necessário conhecer a percepção dos profissionais da contabilidade que trabalham dentro das empresas, bem como a visão dos proprietários das empresas.
Apesar das limitações apresentadas, com o presente estudo pode-se concluir que foram alcançados os objetivos propostos. Esta pesquisa contribuiu para a construção do processo de educação dentro da instituição de ensino, pois complementa as teorias estudadas ao longo da trajetória acadêmica, e também, contribui para que os profissionais da área contábil possam avaliar de maneira mais sistemática sua percepção sobre o programa NFG.
E como foi mencionado nas limitações, sugere-se a aplicação de novas pesquisas nesta área, abordando a percepção dos profissionais que atuam internamente nas empresas e dos seus proprietários.
Conclui-se que por ser um tema atual, com poucas pesquisas desenvolvidas, o programa NFG é um assunto que não esgotou possibilidades de estudos no meio acadêmico.
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