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Breves considerações a elephantiase dos gregos

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(1)

ItR EVES CONSIDERA ÇÕ ES (

A ELEPHANTIASE DOS GREGOS ,

SOBRE S

APRESENTADAA'FACULDADE DE MEDICINA DO UIO DE JANKIItO. ESUSTENTADAEMI DEDEZEMBRO DE1840

.

1*0R

Bernardin» Antonio Alves jflaeliado

.

NATURALDA VILLADAESTRELLA,RIO DE JANEIRO, FILHO LEGITIMO DE

FRANCISCO ALVES MACHADO; E DOUTOREMMEDICINA.

Adhuc suL 'iceUs est.

Pheeiro

.

R I O D E J A N E I R O

,

TYPOGRAPHIARua dosDO BRASILCiganos

DE, nJ

. .

#JG

.

5

.

DAROCHA,

IMG

.

(2)

FACULDADE DE MEDICINA

D O R I O D E J A N E I R O

DIRECTOR

O SR. DR

.

JOSE’ MARTINS DACRUZJOBIM . Leutes iiroprletarlos

.

OsSRS

.

DRS

.

l

.

° ANNO

.

Franciscode Paula Cândido,examinador

.

.

.

Francisco FreircAUetnSo

PhysicaMedica.

Botanica Medica, eprincipios elementare«deZo

-

logia. 2

.

°ANNO

. 1

J.FiccnteTorres Homem José MaurícioNunes Garcia

3

.

°ANNO

.

José Maurício Nunes Garcia /,.de A . P

.

daCunha,examin. .

4

.

° ANNO. Luis Franscisco Ferreira Joaquim JosédaSilva João JosédeCarvalho,presidente.

5.°ANNO

.

Cândido Barges Monteiro FranciscoJulioXavier

6

.

° ANNO

.

1

Chimica Medica,cprincipios elementaresde Mi

-

neralogia.

Anatomia geralodescriptiva

.

Anatomia geralc descriptiva. Physiologia.

Pathologin externa

.

Pathologia interna

.

Pharmacia,Materia Medica,especialmenteaBra

-

sileira,Therapculica eArtede formular.

í

Operações,Anatomia topographicaeApparelhos.

$Partos,Moléstiasdas mulherespejadaseparidas c (> demeninosrccem

-

nnscidos.

Thomas Gomes dos Santos José Martins da Crus Jobim

ao1

.

"Manoel F

.

P

.

deCarvalho 5ao G

.

c de ValladãoPimentel, examin..

.

Hygiene eHistoriada Medicina. Medicina Legal

.

Clinicaexterna eAnatomia pathologica respectiva. ClinicainternacAnatomiapathologicarespectiva.

lentessubstitutos

.

FranciscoGabriel da RochaFreirc,examin..

.

.?

_

AntonioMaria de MirandaCastro $

José Bento da Rosa Antonio FelizMartins D.Marinhodo AsevedoAmericano Luis da Cunha FeijA

dasScienciasacceasorias.

:

Secção Medica

.

^

Secção Cirúrgica.

Secretario

.

Luiz Carlos da Fonseca,

A Faculdadenãoapproxa

i/uc lhesão apresentadas

.

nem dcsapprova asopiniõesemittidas nasThese*

(3)

AO MED PAV E A’ MINHA WAV ,

A MINHAS IRMAAS E AOS MEUSCUNHADOS

,

AOS JIEIS PARENTESE AOSMEUS AMIGOS

.

O

.

D. C

.

Bernardino Antonio

Alves

Machado .

(4)

liiuwKS e

()

\ Sini : n \

(O

oi ; s

sonnI

A ELEPIIANTIASE DOS GREGOS.

HISTORIA

.

Ayafoxra

-

Glcp/tauliase

-

èumtermo ainbiguo,quesent* para designar duas moléstias differentes

.

Os Gregos foram os primeiros que a empregaram,designan

-

dogcrahnenlecomella uma moléstia tuberculosa da pelle,quedesfigurava oindi

-

víduo,apontodelheimprimir umaspectosimilhante ao do dépliante

.

I)avam

-

Ihc alguns,porém,diversaaccepção, em que significava que esta terrível affccção ex

-

cede tanto«is outrasmoléstiasna extensãodeseushorrores,e na dillicuidade da cura, como excede odépliante na grandeza aquantos animaes na terra pizam

.

Mais tarde os medicos Arabes

,

ou antes os seus traductorcs,serviram

-

sc da

mesmaexpressãoparadenominar inchações,maisoumenosinformes, deumadas partesdocorpo,e principalmentedaspernas

,

que algumasvezes chegam a um desenvolvimento enorme

.

Para evitar a confusão,que necessariamente deviam trazer comsigo sentidos tãodiversos

,

ligadosauma só palavra, que comprchendia moléstiasdistinctes

,

forçosofoi lançarmãodeappdlidos,queservissem paradiscriminai

-

as,

.

Passan

-

do asegundaaserchamada

-

Ghphanliase dos Arabes;

-

a primeiraconservou o

nomedeseus inventores

-

Elvpfumiiasc dos Gregos

. -

Algunsautoresainda a chamam

-

Leontiase

, -

por causa dasiinilhança,quetem as pregasc rugas da frontedoelcphantiacocom oaspecto de leão; c outros

-

Salyriase

-

ousejapor umasupposta inclinaçãoa repetir frequentemente a copula,

porqueacòr rubra e luzidia dorostoécomparáveládo indivíduo que aucio

-

samciiteprocuraosprazeresdeVenus, oque aarte antiga nos representa na physionoiniado libidinoso Satyro,

Com otitulode lepra tuberculosaéque ocelebre dcrmologofiancez,Mr

.

Ali

-

berl

,

a faz entrarnaordem das dermatoses leprosas

,

como primeira cspccic do genero

-

elephantia

. -

ou

I

(5)

2 llltKVKS CONSIItUHM/tllS

Muitos,oprincipalmontenitre nós, aindaanpellidai»

-

.l/tf/yj/«V/,

-

da palavT

.

i

grega «;

(c'

rr

, que significa fórma; como se disséssemosmoléstia quealtera a

forma :ctambémma! deS

.

fatzaro,porse julgar serestaa moléstia de quesof

-

friao mendigodaGseriptura,eda qualserestabeleeu comu

-

sunjeclumbula.

-

Separatraçarahistoriada elcpliantiasedosG regos,qui/.ermosremontarásua origem,innumerasdifficuldadesencontraremos; perdidos vagaremos pela noite dostempos ;multiplicados cgrossosvolumes teremos que compulsar;pois que semconta são os autoresque sobrecilatemcscripto, sendomuitoscomplctameu- teestranhosú artede curar.

Daqui nasce a grande confusãocembaraços em quese\étodo aquelle queal

-

gumtempoquizerconsagrar ao estudo da historiacbibliographe desta moléstia. Kmquasitodasasobras,que pude consultar, vem Moysés apontado comoo primeiroque alguma cousa escreveu sobroa elcpliantiase dos Gregos,nos capítulos 8o. c1!i\do Lcvitico. Masoinspiradode Deusnão mencionanasuadescripção os caracteres salientes,que boje reconhecemosnamorphéa;eassimMr. Dezei

-

meris(1 )eoutrospensam quea moléstiadosHebreus,eda qual tambémsolfrcu seu legislador, eraantesalepraalplios, o que secomprovacomos1res signaes. pelos quaes os sacerdotesHebreusreconheciamqueoindivíduo estavaaffectado de semelhante mal:l.°, manchaesbranquiçada (2) ,queaugmentavadeexten- são;2.°, polios esbrampiiçadosno ponto manchado; 3.% depressão dapelle nesse mesmoponto

.

Entretanto osautoresquasi geralmenteaflirinamqueaelcpliantiase c suapro- pagaçãoforam os motivos daexpulsãodos Hebreus dos domíniosdeOcchorim.

Ghegados á terra da promissão, com elleschegaseumal, sendo desdeentão accusadosdeo haveremtransiniltidoaseusnovosvisinhos, e comespecialidade aos Pheniciose Tyrios

.

Muitosescriptores, porém,duvidamdetal transmissão,

altendendo ás poucas relaçõesque tinham os Judeus com ospovosvisinhos. eobservandoporoutroladoquea moléstia parece ter sidoreconhecidanaSyria, antes da chegada de Moysés á Palestina. Assim Michaelis (3)sustenta ser a elcpliantiase o que levou Job a fazer suas queixasimmortaes. Verdadeéque Hensler (/\) impugnaoparecer de Michaelis,produzindo comoprovaque,sendo Job tão minuciosona exposiçãodeseusmales,entretanto nãofalia emtubércu

-

los, e quedasua leitura se pódcdeprcheuder,pelocontrario,seraIeucia ou lepra branca a moléstia,que o atormenta c desfigura. Observarei, porém,quea mesma duvida nasce do livro de Moysés,equeMr.Dezeiincrisprovouexubc

-

íI)Histoireeibibliographie de1’elephantiasis des Grecs

.

Itcperl.general dos»sciencesmod.

(l) l) MCilrnot

.

ms*

.

on recherches sur Ia nature,lescauseset de les diets de la lepra

.

((3I))IulrodVom

.

Abendlin lib

.

äJobindischem

pagAuzntxc

.

117

.

in Mitlclnttcr

.

Hamburgo

1700

.

(6)

SOIIHE A KI

.

EIII ANTIASEDOSOUIKIOS

.

3

rantemente que na moléstia dos Hebreussc não ejicontrnmoscaracteres qne hoje distinguem a morphea

.

Assim pois osargumentos doHcnslcr não abalama judiciosa opinião dos autoresque absolvem opovodeIsraeldainculparãode

haveremtransmitlidoaseusvisinliosamais terríveldas moléstiasdepelle

.

Esta é íinalmcnte lambem a opinião admittida esustentadapelo nosso mui distincto medico,o Sur

.

Dr

.

Soares

.

Meirelies(I )

.

Sejaporémoquefòr

.

a expulsãodosHebreus nãoeximiu oEgyptodoflagcllo que o assolava;poisquecontinuoua ser a terraprcdilcctadetodas«xsaffccções dermatosas,cpartieularmente daelephantiase

,

que Lucrccio(2) considera como peculiarao Egypto,nequeprtrlereausquum

.

OsTyriosc Plienicios eram llagelladospela elephantiase,c aaffecção que Hippocrates denomina

molestiu duPíieniciu

noíimdo segundolivro dos seus porrhclicos é, segundoa interpretaçãodeGalenoede muitos outros

,

a elephan

-

tiasedos Gregos

.

Galeuo (3) tracta da elephantiase como de uma moléstiaendémicaemAlexan

-

dria,o que elle attribueámáalimentaçãoeaosardoresdoclima

.

Aristoteles (á),cmsuasviagens ao Oriente,observou uma moléstia,áqual dá<» nomedesafyria

,

c pela sua descripçãofacilmenteseconhece ser a moléstia,cuja historianosoccupa

.

Sendonatural da Syria

,

Arcbigeno pôde

,

desde os primeirosannosdesua practica

,

estudar bem a morphéa,dando

-

nos delia umabella descripção,cuja conservaçãosedeveá compilaçãodeAetius(5); poisque a scienciatemde deplorar a perda da excellente obra de Arcbigeno

.

Cœ lius Aurelianus (<>), q"eexerceu a medicina nas costasda Africa

,

teve milhares de occasions ainda de observar a morphéa, e penaéque também se perdesse a maior partedo capitulo que á morphéa consagroueste autor,tão conhecido pela verdadeeforçadosuasdescripções

.

Não são só os autoresantigosquedenunciam a maiorpartedos payzcs da AsiaedaAfica comofócos daelephantiase;autoridadesmais recentes appoiame corroboramessa mesma opinião

.

Foi na Asia que Pokocke(7) observou a morphéa;('

.

loyer (8) ePontius (9)

(( 2 )I)TDissertation

.

Lucretii Carisurfhutoire de 1

Deroruinnaturaelephanti,lib

. .

isisIV

. .

Paris

1827

.

(3) Deartecurativa ad Ulauconem

.

( 1)Degeneral,animal

.

Í5)Aetii,Tetrab

.

IV,sermo1

.

(6)Domorbis acutisetchronicis,lib

.

IVcap

.

I

.

(7)Adescription of theeast,oud othercountries

.

(8)Kpkem

.

(ierro

.

(!l)Histoiregeneraledesvoyagea,t

.

31

.

(7)

BREVESCONSIDERAÇfiES

a conheceram cm Java;Robinson na India ( I):Larrey

,

acompanhando eito deNapoleão,viuno Egypto centaresdeinorphcticos

,

e

allumas

observaçõe

-

desta moléstiavemconsignadasiiasuaobrade cirurgia

.

Winterbolton(2) dizqueaclcpliantiscémuicoinmumnacostadaAfrica

.

Eintiin a morphéa émuitofrequenteem Mídagascar,emAngola, cmMalabar, em Bengala, etc

. ,

etc

.

,comoo pjefóra d;duvidaoSur

.

Dr

.

Soares de Míirelles nasua citadathese

.

Não procurarei mais provar aquillo de que ninguém duvida; e étempodc passarmos á segunda parte desta historia,eanalysarmos a epocha do appareci

-

mentodamorphianaEuropa

.

Plínio(3)nos affirmaqueaelephantiase só foiconhecida naItalia, depois da expedirãodePompeuãAsia

.

SegundoLucrecio(h )

,

era desconhecidanotempo da republica

.

Plutarebo(5)a fazapparecer notempocm queAsclepiades floresceu em Roma: ora todos sabem que este medicoviveu 70ou 60annosantesdc Christo,equea expediçãodePompeu tevelugar 73 annos antes da éra ebristã

.

Assim temos trezautoridades muireconnnendaveis queconcordam nesteponto da historia

.

Lltimamente porém,Mr

.

Dczeiineris (d) escrevequea elephantiase era sem duvida conhecida na Italia antesdaquellaépocha,e,parafundamentarestaidea, noscitaosseguintesversosdacomediade Plauto intitulada

Mi/csgloriosus:

Ihrus meus e/ep/uinliscorio circum tcctus est

,

Aonsuo

,

neguehabet plussapienthcquamlapis

.

Consultando asobras de vários clássicos,c entre outras o« Magnum lexicon novissimumLatinumetLnsitamnnEmmanuelisJozephi Ferreira»vim no co

-

nhecicoma significaçãmentodequoodePlauto

serempregavatolo

,

insensatoaphrase

.

Esta

interpretaelephantisçãcoriooparece ser confircircum tegi

— -

mada pelas palavras

negue habet plussapienthr quam lapis

.

Alémdisso,não

é de presumir que a elephantiase, objecto de horror c de lastima

,

emtodos os tempos,c que aindamaiso deveria ser naquellaépocacmque,dadomesmoque fosseconhecida (oqua se nega), seriaexcessivaineute rara na Italia

,

fosse por Plautoescolhidacomocousadigna depromoveroriso,eservir dedivertimento popular

.

4

oi*xer

-

(t)Transact,oftlioined

.

nulciriirg.soci

.

ty ofL

.

n

-

lon

.

Vol.X.

(•J)Accountofthe nataroof Africains inSiera

-

Leono

.

(3) l'liniiSecunëi Hutoriœmundi

.

(4)Obracitada

.

(6) Proposdo table,lib

.

VIII, que*.0

.

',trad

.

dAinyU

.

05)Obracitada.

(8)

SÜIIREA Ll

.

tüMlAtWlASE l»OSGKEGOS

.

6

Assim poiscontinuarei aadoptai*aopiniãodaquelles queinarcaiii oprazo<lo apparecimento(la morphéaliaItalia noscculo que precedeuáéracluisla

.

Felizmenteporômfoiali curta a duraçãodetão funestomal

.

Amoléstia nãoachou na Italia as condiçõespliysicas quefavorecem seudosinvolviineiilo e algunsannos depois desua invasão,vemos Celso(1)faliar deliacomodeuma moléstiachronicaquasidesconhecida na ltalia

.

Mais tarde cila reapparcceentre as terríveisconsequências dadecadênciado império romano edainvasão dosBarbaras,quecomeçandonoanuo2(50daéra christã, foiopreludiodocompleto desmoronamentodoimpério,que se realisou, no occidente, no ineiadodoséculo quinto

.

Km todo estetempoas guerrasconti

-

nuas,impedindoque secuidasse da hygiene publica,amiséria, a corrupção de costumes,esobre tudo a emigração constantedospovosdaAsia cdaAfrica en

-

raizaramaclcpbauliasc naEuropa

.

Rotharis

,

rei dosLombardos, alcançando muitasvictorias sobre os Gregos,

toma

-

lhes variaspraçasecidades,mas tevedepois deverseus domí niosinfes

-

tados pelamorphia de que felizmenteunialei(2) sá bia e rigorosa fez diminuir os progressos,conseguindoporIhn sua completa extineção

.

Leis analogas foram promulgadas cmFrança(757);poröm não se obtendo deliastodos os bons resultadosalcançados naLombardia,Garlos

-

.Magno se viu obrigado (780) a activai*asmedidas tomadaspor Pepino

-

o

-

Breve

.

Achavam

-

seas cousas nesteponto, quando um zelo ardente

,

dispcrlado pelos acontecimentosdo Oriente epela propaganda dosPapas,levou os ebristãos do scculoXIáousadaempreza deresgataroslugares sanctiflcados pela Cruzdallc

-

dempção cpeloTumulo deJcsus

-

Ghristo

.

A Europaféodal armou-scde toda a parte;milhares decavalheirostomaramacruz com seusvassallos,e votaram

-

sea

esta sagradamissão

.

Ghegadosa aquellasregiões calidas c pantanosas,privados de todos oscom

-

modos davida e muitasvezesmesmodonecessário,são assaltados detodasas moléstias que ahi reinam; atéque

,

derrotados e fugitivos, voltam aseus lares trazendo consigo o vestigio deseus sacrifícios

.

As diversas moléstias depelle, cspecialmcnte a cicphantiase,setornaram desfarle emextremo familiares em quasi todosos pontos daEuropa

.

Debalde se empregamoscuidadosos maisminuciosos para impediro estabele

-

cimentodo mal

.

Eem'vãoqueseconstruem casasdestinadas aconservar em sequestro os doentes nacionaes,tendo

-

seacrueldadedeobrigar os extrangeiros a voltaraseuspayzes

.

marlyrisados,durantesua viagem, jápor seussolfrimeutos,

jápelo ascoehorrorcom quelodos procuramevilal

-

os

.

0mal fazsempreseus exotica

(1)DoTOmod

.

,lib

.

Ill,cap.27

.

(2) Codigodc lets dos Lombardos,publicadocm22do novembro deCi:)

-

(9)

n MIEVESCONSIDERAÇÕES

terríveisestragos

,

elodososcscriptores da épocha nosiraramoinedoidioquadro denumerosasfamílias, de povoações imeirasassoladaspela morpliéu

.

'rinhacniliinaolcpliantiase chegadoaseuapogôu;conformeaordemnatural das cousas,teve de declinar, imitando nisto a sortedetodas as grandes potências destemundo

.

O considerávelmelhoramento,quese foi introduzindonascondiçõesda exis

-

tênciasocialdospovos daEuropa,devia inlluir sobre asuaexistência plivsica e trazeressebcnetico resultado

.

Ofeodalismo 6substituído pelaacçâoprovidente

etutelarda realeza;o desiuvolvimentolivre das villas ecorporaçõesíuuuicipaes fazrenascera industria e afugenta a miséria

.

Cessa inteiramente odelírio das cruzadas que haviaarruinado aEuropa; os po\os sóseoccupai» do que mais importa a seus melhoramentos

,

cosgovernos

,

tornando

-

se maisregulares,mais estáveiseesclarecidos

,

cntregam

-

sca coadjuvar seus esforços

.

Comoincremento progressivo dacivilisação,a elephanliase se foi tornando cadavezmaisraranaEuropa

.

Hoiïman

.

alludindoádiminuiçãoda morphéa

,

assimseexprime :«Quum untem hiesvenereainrudcrct europeusregiones,leprosas hicu/feelus ferepene dispu

-

ruit

,

sulteminter raríssimosreferlur

.

»

A explicaçãodeste trecho do autor citado seriadiflicil

,

senos nãorecordássemos deque esta epidemia desyphilis,segundo uns

,

oudescorbuto, comoquerem outros,tevelugar depoisque Vascoda Cama,dobrandoo Cabo da Boa

-

esperança

,

descobriunovocaminho para a India;eximindoospovosdaEuropada longae penosa peregrinação que,para chegarás riquezas dasíndias orieulaes

,

faziampelo Egypto,Syria c até

.

a*Persia,payzesque

,

comojá lizver

.

o a patriapredilecta das'mais atrozesmoléstias de pelle

.

*Assim se foi a Europa libertandoda grande forca do mal;este porém nunca largou de todo a suapreza;e aindahoje seencontraa elephanliase no meio dia Europa, e no norte de Ilollanda

.

E endcmica na Noruega,onde,sobreuma população de 200:000 habitantes

,

1

,

200 sãoelephanliacos(Lond

.

Mcd

.

Caz

.

7 de junho de18/i4)

.

Exemplos,posto queraros,se encontramem todos osoutros pontos da Europa

.

EoderécYalentim a dãocomofrequenteemVilrollcs, triste herançaqueumCoiran de Martigueslegouaseusdescendentes

.

Depois de havermos seguidoafatal moléstia na Asia,naAfrica e naEuropa; recolhamosáAmerica

,

cparticnlarmente ao Brasil,parao cumpreque agora nos

qual escrevo, possu ído do mais ardente desejo de lhe ser util

,

desejo que,com quanto seja superior ás minhashabilitações

,

serásempreo movei o mais pode

-

dosaclosde minha carreira

.

roso

Consultando diversas historias do nosso hemispbcrio, nada encontrei que pudesseaexistência da elephanliasenaAmerica, antes dodescobrimentoe provar

civilisação destaparledoinundo

.

Ora

,

estadescobertalevelugarnaepocha

.

em

(10)

SOBRE V KI

.

KPIIANTIARE BOSGRECOS

.

queaeleplianliase

.

hem«pu*tendessea diminuir,aindaexistiaeinquasi fodn "

pontos da Europa;egeralmente seacreditaaquique«HafoiimportadaJMI

.

Ias l í)desua excellent« novas regiões

.

Entretanto o Sur

.

Dr

.

iMeirelles,napagina

these, escreve o seguinte:« As tradições dos selvagens da Vmerica tendema provar que esta moléstia nella existia

,

jAantesdeseu descobrimentopelos Eu

-

ropeus

.

»

Procurei cuidadosamcnle os cseriptos

,

cm quetalasserçãoviesseconfirmada, edepois do uma ardua pesquisa (pois que o autor da mencionadathese não declarouasfontes,por onde pôdeobteressa preciosa relação) eis

-

aqui a opinião que colhi de quasi todos osautores,quena \mericatemtractado desta questão : Tomson (1) em Barbadas,Hillary (*2)na(iuadelupe

.

Bajon (3)e Bergeron í

'

i)

em Cayeuna,emui particularmente o Sur

.

Dr

.

Silva entre nós,sãounanimes emsustentarqueaclepliantiasceracompletamente desconhecida na America,antes desua descobertaccivilisação;e quesóappareccu,depoisdachegada do grande numerodeEuropeus,oumelhor,depoisqueforamimportados os Africanos

.

Nin

-

guém maisexplicito nestepontodoqueSchilling,(õ) distinctomedico deSurinam emcuja obra se lõmaspassagensseguintes:

« Lepram in Arabeset .Egyptos familiärem olim fuisse

,

ethodicadliucesse, constat

.

Inde paulatim manavit ad vicinos populos,infccitqueinprimis \hyssi

-

ciam et Æthiopiam, in quihus regionibus cu*li, aeris, et solis tcinpcriesbaud dissimilis est Arabiæ ; et binecum mancipiisafricains inAméricainpervenisse videtur

.

»

Ainda mais,o Sur

.

Dr

.

Silva,quesetem dadoáminuciosasindagações sobre este ponto, sustenta que entre os indígenas ainda bojesósão alíectadosdo mal aquelles, que tem crusado sua raça

.

Esta asserção é plenamente provada Schilling,e ó de sua citadaobra que tcxtualmcntctransladei o seguinte trecho :

« Endemicum Americæmorbumfuissenonputo

.

Nam,licetbodieipsiAbori

-

gines eo passim laborent

.

sunt tarnen integra*gentesab

atque in illis etianihendimus,quicum tribubus,quasjam atlingit,eos tantuminfectos essedepre

-

Ethiopibus corpora suainiscent,aliarumvc jiinguntur

.

»

Importada porém, sua propagação foi facil erapida

.

Ella se fezsentircm quasi todos ospontos dosolo Americano

.

por

eo prorsusimmunes;

rerumcommercio

(1)Remarkson thetropicaldiseases

.

baileis

008'

°

n lhcch

ngcs of

,

hoairond lhc «

»«omiuntepidemicaldiseasesin

( 3)Memoirepour servirùl'histoire doCayenne c de la Guyane tDDiaurt&tionsurle malrougeobservé àCayenne

.

(5) Befppracommcntationes

.

theisland cf Bar

(11)

MtEVES CONSIDERAÇÕES

Aos autores supracitadosaccrescentareinosFermin (1 )eNissaeus,(2)quea observaram em Surinam; Gazan nas Antilhas(3); c (’

.

ouzier na ilha Bour

-

bon (A)

.

FoinaNova Orleansquecontraint!amorphia o indivíduo

,

cujaobser

-

vaçãofoi tomada porMr

.

Raisin,c vemconsignadana obrade Rayer

.

Entre ospayzes avexadosporestacruelenfermidade figura desgraçadamente o Brasil,emquebemconsiderávelé ainda hojeonumero de elephantiacos

.

A província de Minas oíTcreccparticularmente uma grande quantidade destes hediondosenfermos,c foi nesta parte donossoimpério que estudaramamorphéa os Snrs

.

Drs

.

Mcircllese PaulaGandido

.

Ellagrassa de uma maneira analoga cmS

.

Paulo,cnem

-

umaprovíncia do império está exempta domal,setncxceptuara do Rio de janeiro comunicipio dacorte

.

Tudo poréminduz acrer quenãolongeestáo termodesta calamidade;eque apenasdevolvidos algunsannos,só se encontrarão vestígios que assignaiento desapparccimcnto da harpia africana

.

Sctivéssemosboas estatísticas

,

poderíamos pôr em toda a evidencia esta previsão;mas,na falta delias,appcllarcmos para a observaçãogeralmentefeitasobre agradualdiminuiçãodos morphelicos cm nosso payz

.

Já nas ruas epraças publicassenão mostra,como outr’ora,o avultado numerodaqucllcs infelizes

.

Nohospital dosLazarosa sua quantidade declina de annocm anno;omáximo dos enfermos em 1837montavaaliia 03;estenumero se foigraduahncnte reduzindo,eem184ó chegouapenasa 75

.

Basta de persisóestaobservação,paraque adoptemossemhesitação asideas dosSnrs

.

Drs

.

SilvaeMeirelles,e de quasi todasasnossasnotabilidadesmedicas

,

que unanimes acreditamque a morphéacmbreveteráde todo abandonado este payzaliás notávelpelas condicçõcsdesalubridade

,

com queodotouaProvidencia

.

O rápido crescimento denossacivilisação cindustria;osprogressosda hygiene publica c particular, que melhoram o aspecto denossascidades

,

c modificam os hábitosecostumes,embeneficio da existênciaindividual;aeducaçãomedica mais perfeita deumanova geraçãocheia deesperançascde futuro,e confiadaa mestres hábeis

,

cujasluzes,dillundidasemtodao parte,vão extinguir oserrosepracticas perniciosas dostempospassados;a totalcessaçãodotrafico de Africanos,que

,

de envolta comaignorância caimmoralidade

,

inoculam nossa bclla palria comos males de seu clima ingrato;estas e muitas outras consideraçõesnos mostramem perspective o proximo porvir,em quesercalisaráaquellaesperança

,

emqueo Brasil poder

-

se

-

á felicitar dever

-

sedesassombradodeumadasenfermidadesmais lastimáveis,queternaflfigido a raçahumana

.

s

( 1 )Traité

.

les maladieslesplus frequentesàSurinam.

(2)Dis»,dononnnlliainculonia Surinamcnsi obaervatismorbis

.

(3)Mem.surleclimat des Antilles;de la lepre,(inem.de la *oe.med.d'émulation , t

.

V

.

psg

.

|(

.

*2) (I)Des maladies lespluscommunesauxquelles sontsujetsleshabitantsdefile deRonrbon

.

(12)

KTIOLOCI

No cstudoda raorphéaoquemaisquetudomerecefixaraaltencão, óainda

-

gaçãodesuascausas, poisquenão sóellasnosoffcrecein uma fonte de preciosas inducções parao tratamentodamoléstia, comoainda nossuggerem oimportante conhecimentodasmedidascapazesdoimpedirouatalhar o seudesenvolvimento

.

Antesprevenirquecurar

,

taló oprincipio que,no estado actual dascieucia, devedominaro pensamentodomedico,principio que aexperiência tornou in

-

questionável,equechamaasiaadhosão de todosos espíritosrefiectidoseexemp

-

tosdesysteinaticas pretenções

.

No meioda luta viva, profunda,enunca inter

-

rompida, cm quese acham os systemas medicos, ora vencedores,ora vencidos depois de umreinado curtocephemero,cm quesópodem mostraroquantosão impotentes e ineflicazcs asdoutrinas exclusivas,nós esperamosqueellesserão um diasubstitu ídospelo eclectisino,oqual submettendo

-

osájoeiradarazãoe da ob

-

servação,eliminaráaparte doerro

.

ccolheráa verdade,que cada umdellespossa encerrar

,

cergueráo edifício solidoeperdurável damedicina sobre osdestroços dastheorias exageradasehypothelicas

.

Otempo,cm que esta nóva dirccçáo da scienciasehade completamente verificar,nãoestátalvez longe,siattendermos que essamesmaêa tendencia danossaepocha,não só emmedicina,como em quasi todos os ramosdosconhecimentos humanos

.

No entantodepositaremosprincipal

-

mente a nossafóna hygieneenos importantes recursos,que cila offerececomse

-

gurança,tantoparaa manutençãodasaude,comoparaocurativo das infermida

-

des,que,alTectando umamarcha chronica,minamsurdamente a vida, zombando daacção dosagentesdeumamedicinamaisactiva

.

Possuído d’estasideias, entrareinoexamedascausasdiversas,a quetemattribui

-

do a producção damorphéaos escriptores quescoccuparaindestedi ílicil objecto

.

Ainfluenciadosclimasquentes, e particularmentequando estes coincidemcom

(13)

1 0 WIEN ES.\MI>ERA(

,

OKH

tcrmiuspantanosos,«'«ladapor inuilos nulorcs, quer antigos, |«u«?r modernos, como cansa nnica«lamorphéa

.

Segundooutros,a máalimentaçãoéqueprincipalmente lhedáorigem

.

Cingiudo

-

sea estaopinião,oSur

.

I)r

.

Paula Cândido mcucionourecentemeiite,

emuniamemoriaporelleapresentada á Vcademia ImperialdeMedicina, certas substancias que,segundo a sua observação,inIInem mais immediatainentcsobre o apparccimeuto da moléstia em questão

.

Essassubstancias sereduzem ás seguin

-

tes:carnecgordura deporco,especialmoute sendo oanimal nutrido com pi

-

nhões;o uso direct«)d'estefructo,assimcomo do amendoim,cm menor escala, por sermaisraro,ecmgeral o uso de fruclos oleososcomococos, nozes,amên

-

doas,sapucaias etc

.

os mariscos,camarões

,

caranguejos e siris;os poisesecar

-

nes salgadas;as pimentas, ovinho ca cerveja; oannanaz, opecego, a laranga não madura; ouso excessivo do caféedo chá

.

Muitorespeito tributo aestestrabalhos tãoesclarecidos como conscenciosos, entretantonão julgo que as causas precedentes tenham o valor absoluto, «piese lhestemqueridodar

.

Aopiniãodos primeiros sobre a influencia dos climastorna

-

se contestávelaté

certoponto,siobservarmos«pieoslugaresmais pantanosos, eao mesmo tempo mui calidos da província do Rio de Janeirosãoalgumasvcz

.

csos pontos, emque aelephantiasc é raríssima

.

Assimnavilla daEstrôlla cemtoda a freguezia de Inhomerimse dão as referidas circumstaucias

,

entretantonunca tive occasiãode vêr ali umsómorplictíco,nemmo consta que,aomenosn’estes12últimos anuos de látenha vindo algum paraohospital dosLazaros

.

Omesmo estou autorisado adizer a respeito doIguassú

,

c mesmo deMacacú Nesteslugares,ncni

-

uma me

-

didasetoma contra asinfluencias morbifleas;ascasassãoemgeral mal constru í

-

das;os riosdeixam,navasantedasmarés,grandeextensãodeterrenoconvertida em lodaçaes tremendos,queexhalamocheirode substancias anitnaes e vcgetacs queahiapodrecem

.

O sustento quotidiano consisteali emcarnessalgadas ou de porco,emfeijões,cpeixes,sendo muitoestimadosos crustáceos;

bem«piese achem reunidas n’aquellas localidades a maior parte das pretendidos causasde morphéa,écila ahi muirara

.

Aalimentaçãoanimal,esobre

-

tudo acarneegordura deporco,cuja abstinên

-

cia, aconselhadapor MoyséseimpostaporMafoma,foiprescripta porArchigeno, queprimeiro achou amalogiasanatómicas entre a eicphanliase e a lepra dos por

-

cos,temsido dadatambémcomocausa da morphéa

.

Mas será esta a causa da frequênciada elephantiasc«lehamuitoassignalada cmMalabar, ondeexistiam os sectários deZoroastro,que professavamabstinência completa dealimentos tira

-

dosdo reinoanimal? Não deveria ser excessivo o numerodemorpheticos napro

-

víncia do RioGrande«loSul ?

Os fruclosoleosos

,

comoamêndoas

,

nozeseazeitonas

,

sãotioconsumoem l

oi

e no entanto

,

(14)

SOBREA ELKNIANTIASE»OS UREflOS

.

11

quanto lásefara; tugal,onde aelcphantiasenão éentretanto mui frequente,

alemd*isso,grande uso dacarnedeporco, domilhodiversammle piepaiado,

dascastanhas,quehem analogassãoaosnossos pinhões

.

É dcobservaçãoconstanteque oemprego prolongadodegrande quantidade(!* amendoins,depccegos

,

deannana7

.

es

.

eespccialmcntede mangas,determina na pelleuaiprurido incomniodo, c muitasvezesdá lugara diarrheassanguinolen

-

tas:porém poderemos acaso dar ousod’estassubstanciascomo com

causa damor

-

lugares,ondetaesfructos phéa,quando se sabeque ella 6muicommumem

sào rarasvezesvistos,como na Noruega ? Oannanazeos côcosdeviam ser con

-

sumidosem grande copia pelos nossos indígenas,eapezard’isto ahistoria põe fóra de duvida que a elcphantiaselhesera desconhecida

.

()amendoim,deque apenas os pretosfazemuso,éestranhoáalimentação dasoutrasclasses, em que a morphéaexeroeasuaacçãofunesta

.

O pccegoéfructaexotica,quemuibem se aclimatouem nossasserras,masque sóultimamente tem produzido nasvi

-

sinhançasda cidade,caquisó chegam ás nossasmezas,depois deconvertidos em dòcc,emesmoassim não é muito commum o seuconsumo

.

Oabuso dovinho,dacerveja,e debebidasanalogas temproduzido males in

-

calculáveis ; ponhoentreestesnão se póde rasoavelmenteincluir amorphéa

.

Se assimfora

.

elladeveriaserendcmica na Inglaterra, onde tão avultado consumo se faz da cerveja, assim como emtodosos paizes de vinhasdaEuropa

.

Nem so digaque ainfluencia doclimafriooutemperadoa

.

norteceo eITeito dctaes bebi

-

das,poisque entreo grandenumerodeInglezes,Franccz

.

es

.

e Allemães residen

-

tesnoRiodeJaneiro,edosquaesamaxima parteconservaos pátrios costumes, não me constaque se tenham encontrado elcphantiacos

.

Nosnossos frequentado

-

resdetabernasseachammuitosatacados de elcphantiase«losArabes; raramente porém sevem morpheticos

.

O cháeo café,quefiguramcmtodosostractados depathologie,enchendo alonga lista dascausas dcumainfinidadedc moléstias,nãopodiam deixarde ser mencio

-

nadosnestaoccasião

.

Bemquereconheçaquão prejudicial é á saúde ccssivodi*similhantes bebidas,notareicomtudo que,haapenasmeioséculo, raronoBrasiloconsumodo chá, emuito maisainda o do café, e que,isso não obstante,consideráveleraentãoo numero dos morpheticos

.

Naopiniãodonosso distinctolente dePathologia interna,a syphilis inveterada tem grande partena producçãodamorphéa

.

Examesminuciososlhe tem revelado

«pie

.

na maiorparledosdoentes

.

se dáacircumstanciadcseremfilhos de philiticos

.

oudeteremsidoamamentados poramaspretas

,

quetinham solTridode syphilis,eparticularmentedcbobas

,

queoSur

.

Dr

.

Mcircllesapellida elcphantiase mediocre

.

Esta opiniãoétambeinpartilhada pelo muidignopresidente destathe

-

se

.

«pieteveabondade de relerir

-

mealgunsfactos seus

.

que provamexhubcranlc

-

mciitcestaverdade

.

ousoex

-

era

paes sy

-

(15)

nur,T ES C.ONSIIUKM.OI.S

J â alguusnulorestiiilimnentrevistoesta aléa :assim

imputa a morphéa&podridãodochymo

,

tendo esta originada pelacomipçûodo humorproli

/

ico

,

oudohomem

,

ondamul/ur,oude umbos

.

Adré(2) l

ario»iippôt»

\'2

, Constantino(J ; Africauo

aelepliauliase produzidapeloshumoresmelancholicoscorruptos,guéoucritlem no humor prolí fico

,

oupromu docoito,ou ohomem communtca á mulher

,

t

ricc

-

rcrsu

.

Aestesajuntareiaautoridade deDolaeus (3) ede Izaeus,(4) eujas

opiniõessão idênticas

.

Nemdeixarei defazerespecialmençãodocelebre Larrey, quetãode perto estudou a moléstia,c seudesenvolvimento

.

Surinam,teveamplotlicatropara o estudo da niorphéa,suppostonão sejaidêntica áque acabei de citar,muito della se aproxi

-

ma

.

Enumerando as causasdamorphéa

,

ellese exprime de uma maneira bem po

-

sitiva :NequcomittendaestVenus; nam genius loci ad libidinem stimulât,cuiqiium iudulgeantetÆtbiopesetEuropœ i, àservisaddominosluespaulatim transfertur, eoque quideni frequentius

,

quo majoresteuropœarumfœminarumpenuria

.

EstaopiniãosolTre a mais vivacontestação daparte dosautoresfrancezes

.

que ultimnmenteescreveramsobreestaquestão;porémseusargumentos,bazeadosna distineçáode caracteres,que nem semprese dão, não podemobscurecero queella temde verdadeiroereal,em muitoscasos,taesquaes observaçõesbem feitas tem demonstrado

.

(’

.

outraaopinião citada allega

-

sc que lia differeneasentreas manchas elephan

-

tiacaseassyphiliticas

,

centre os tubérculos devidos auma ou a outra destas affccçõcs

.

Priíneiramente,para queuma moléstiase transforme emoutra, ou lhe désim

-

plesmenteorigem,não éessencial que sejamidênticososcaracteresdeumaedc outra

.

A primeira póde mudar da physionomia original, nesta transformação

,

e revestir

-

scde novoscaracteres

.

Ninguémignoracom cffeitoquea syphilis produz na pelleestragosconsiderá

-

veis; ninguémignoratambém que ella póde,dandooccasiãoa moléstias differentes

,

perdermuitos deseuscaracteresdistinctives,comoacontecearespeitoda syphilis e daplithysica causada por affecçõesvencreasrepetidas,entre

semelhança existe

.

O mesmosepódedizerarespeito das dòresosteocopasede outras affecções

.

Muitasvezessóos coinmemorativos nos revelam

lestiaédevidaáinfecçãovenerea

.

Differeneas bem notáveis se dãoainda entre os diversos phenomenos primitivos da syphilis,eninguémporcertoconfundirá blenoorrhagiasyphiliticacomumbubãovenereo

.

AopiniãodeSchiling,que

.

em

as quaesnem

-

uma

queumamo

-

uma

(l>Demorborumcopnitione,etcuratione.Cap

.

17

.

il)Opera omniaLXX

.

(4 )Kncyclopcdia Chirurgi*rationale.!

. .

V

.

cIX (I)Di lepraconiultatioiics.L.IV.Cap.11

.

(16)

I

.

i

SOBRE A r.I

.

l'IllANTIASEIMISGREGOS

.

Ocaractcrfundamental das mancliassyphiliticusó

.

para acscholamoderna, a còr decobre

.

Entre nôsnão poderáserdegrande auxilioesladistincção,quando opacienteforumpretoouumindígena

.

Poroutro lado,na elcpliantiaseseobser

-

vam asmais dasveses manchas dessacòr;c assim ,sequizessemosprocederpela distinceáodos signaes,estemethodo achar

-

se

-

ia sembasealgumas vezes,erever

-

teria quasisempre contraosquedelleseservemcmsuas argumentações

.

Pelo«pietocaámaioroumenordureza,aovolumeeácòrdostubérculos,são accidentes extremamente variaveis,eporisso não julgopoder

-

scfundarsobre

estascircumstanciasum diagnosticodifferencial

.

Avista pois dapouca consistência das objecçõesaque acabo de responder,con

-

tinuarei,emquanto aexperiencia propriaocontrario menão mostrar, aconsi

-

derar asyphiliscomoumadascausasdaelepbanliase;c aomesmotempo,lieiao ecleclismo queenunciei no começo desteartigo, não deixarei deconfessarque concorrememgraus diversos paraaproducçãoda mesmamoléstiaascausas, cuja influencia direclaeabsoluta recusei admittir,quandoconsideradasseparadamente

.

Uma má alimentação,principalmente a quefòrmuito excitante, arespiração de umarviciado,ousodebebidas alteradasem seus princí pios, ou contendo ele

-

mentosdeleterios, depõenaeconomiaogemien demuitasaffecções

.

Ocalorex

-

cessivo,excitando a pelle,chamaparaella a torrentedosfluidos, edetermina uma maior actividáde cmsuas funeções, principalmente na transpiração que éum dos meios deque anaturezalançamão paracxpellir os princípios raortifleos que tendamaalteraroestadonormal denossaeconomia

.

Osfluidos accumulados naperipheral docorpo, alterados emsua natureza, são porsi sóirritantes; se isto tiver lugareinumindividuoque tenha sidopreza deaffecçõesvencrcas, maximè asque se manifestam sob fôrma chronica na peile

,

ouque,tendo

-

as

soffridoseuspays,delles tenha herdado uma organisaçãodeteriorada,conceber

-

se

-

áfacilmente que tantascausas reunidas possauiatacar profuiidamentc os tecidos da pelle,e levarsuaperniciosa influencia atodosos systcmasdaeconomia

.

ora

Segundo Lorry (1), o poderoso influxo,que acarreta osfluidos do humanopara oexteriordomesmo, pôde fazel

-

oemtal escala,queobriguecorpoos

uma dilatação forçada;c uma vez operada taldilatação,muito difficil seráepieestesvasos possam reagir sobre os fluidos,estabelecendo

-

se

nação, a qual será auxiliada pela transpiração,cujocffeitoédiminuirpartede suafluidez

.

vasos a

asuaestag

-

\syphilis inveterada,tendo alteradoos vasoslymphaticos e diminu ído energia, seria,nesta thooria, maisumacausada parada d

dade da absorpção nesses vasos alterados,c aindamaisdilatadospela influencia sua fluidos

,

pela diflicul

-

OS

(I) l)imollisceUne« tiacUlu»

(17)

1h DllEVKS CONSIDERAÇÕES

«lo calor, « isto aponto <lemuitossiipporcmqueoscapillares lymphaticosche

-

gamandmittirsangue, oqueantes era incompativclcomasuatenuidade

.

Uma vezestabelecida a dilataçãodos vasos,segundoa theoria do autorcitado, as malhas da rôdeporelles formada se estreitariam

,

resultando dalii acompressão

«las papillas e extremidadesnervosas, a ponto «I«;nãopoderem transmittir aos centrosnervososasimpressõesquerecebem

.

Encarada a questão porestemodo

.

nãohaveria necessidade derecorrer,para explicar a insensibilidade,a umaalteraçãoprofundado*centrosnervosos,que deve preceder aos primeiros symptomasda moléstia, parapodermos attribuir estes ã influencia daquella

.

Tambémporestatheoriasepoderia explicar a razão porque a moléstiacomeça a manifestar

-

senos lugaresem queapelleémais rica de capillarcs; como o rosto, as orelhas, etc

.

,nãoatacandoapelle do tronco senão no ultimo periodo

.

o «piemesmonemsempreacontece, conservando

-

se cila sãaeintactaem muitos casos

.

Masesta theoriatoda mechanica,

fundaou emconjecturas ouemprincípioscontestáveis,sópódeseracccita hypothèse

,

atéque indagações ulteriores venhamconfirmarseuvalor

.

Proseguindo naenumeração dascausasdamorphéa,devo fallar da hereditarie

-

dade desta moléstia ;mas sendoumfacto portodosreconhecido,nãomedemo

-

rareicmdemons!ral

-

acom os innumerosebomanalysndos casos,referidospelos Snrs

.

Drs

.

Silva, Meirclles, Paula Cândido,etodosos outros, tanto

como extrangeiros,que setemdedicadoaoimportante estudo desta moléstia

.

( )contagio tãotemidopelos antigos,é ainda bojeadmittido por autoridadesde grande peso;entretanto numerosíssimos sãoosfactosque destroem semelhante opinião,que aliás jáfoi victoriosamentc combatida pelobem conhecidoBernardino AntonioComes

.

eque se como uma

nacionaes

A maiorpartedosnossos medicos concordamnestaparte com oillustrenatu

-

ralista ;eas observaçõesde morphéaqueoSur

.

Dr

.

Silva,citanas suas licções de Pathologia interna,sãobastantes paradecidiraquestão

.

Kmalgunscasosde morphéa, quese temtornado públicos,equeporissojulgopoder reproduzil

-

os aqui, como o do Sur

.

Scvcrino JoséChaves

,

odoSur

.

Dr

.

Aquino,odeuma pessoa dafamíliado llltn

.

Sur

.

Raposo, e o demuitos outros,ncm

-

uinaprecau

-

ção foitomada para obviaro contagio,enempor issoellesemanifestou

.

( )hos

-

pitaldosLazaros meforneceu nova prova,ebem evidente,doque levodicto: os pregados que foramparaesteestabelecimento livres domal

.

ahi setem tido exemplos dellc,o «pie de certo não

traria

.

em man

-

seria concebível na hypothcsecon

-

\emestáisto emopposiçãocomaparte históricadestathese,comoá primeira

\ista poderia suppor

-

se

.

Referi na historia que amoléstiaseli/.era sentirnaKu

-

pela primeiravez, naoccasiãoeinquemilhares de indivíduos,querompu mor

-

ropa

,

nimm o exercito dePompeii,seforam subjeitaráinfluenciadascausasda

(18)

Sor,RL \ ELEPIIAMTIASEl>OSGREGOS

.

phéa,nos proprios llicatros dassuasdevastações

.

Maistardeomovimentoinvers«»

tevelugar:massas innuiueraveis de indivíduos,vindos «los fócos damoléstia, se espalharampela,então,desgraçada Europa;eocontagio dasyphilis

,

ahereditarie

-

dade da inorphéa

,

o dcsenvolvimcnlodoescorbutoede muitasoutrasaflecções serviram a prolongar alli

,

poralgum tempo

,

omal de que tractamos

,

atéqueas circumstancias mudaram

.

Além disso,a inorphéa é, na opiniãodemedicosde grandenota,entreosquaesmereceespecialmençãoonosso distinctoe respeitá

-

vel lente de Hygiene,umadasmoléstiasque,no seuentender,podem soffrer

.

em

tempoc circumstanciasdiversas,mudanças tãoconsideráveisque,tendo sidocon

-

tagiosas emumaepocha,emoutratenham perdidoestapropriedade

.

Einíim

,

nãoconcluireiesteartigo sem enumerarcertascircumstancias,quemais expõemoindiv íduo a ser accommcltido domai

,

comosejam;o sexo masculino

.

cmquemuito maiornumerodeenfermosse tem visto ; aadolescênciaeapassa

-

gem á idade adulta,periododa vida ,emquea influencia daafléceãohereditaria particularmente se faz sentir ;uma cór brilhantetranslúcidacoslábiosencarna

-

dos

,

acompanhando um grandedesenvolvimento dossystemasvasculares;aspro

-

fissõesque subjeitamos indivíduosaos rigoresdasestações e a duras privações; a miséria e a longacomitiva de tristesconsequências, que cilacostuma trazer apoz de si;íinahneute umacerta disposição organica do indivíduo,

estadoactual dasciencia,aindanão pode ser definidae explicada,equeé en

-

tretantoa

que, no mais enérgica de todasascausaspredisponontes para aproducçãoda moléstia, e sema qualcm vãoobrariamasqueacimamencionei

.

(19)

SYMPTOM VTOl

.

OGU

.

VJestaa partodoostudo do morphéa cm(picmais concordes sâoosescriptorcs, chegando muitosa serem verdadeiros plagiários deseus antecessores;porem,mes

-

mo na simples observaçãodosfactos, algumascontrovérsiasse temestabelecido

.

Assim como em physiologia,experiênciassobreummesmoobjecto dãoresultados differentese oppostos,segundo astheorias preconcebidas,quedominame cegam o experimentador;assim também em pathologia

.

cadaumvêascousasaseumo

-

do

.

easautopsias mostram nãopoucas vezesa um aquillo, que outro nos mes

-

míssimos casosnuncaviu

.

Dabivem que aestatística,com sua elasticidade conhecida,confirma benigna

-

mente as theorias as maisoppostas;c que baseando

-

sc nella, cada qual por sua vezexclama :contra fartosmiohaargumentos!

NaelcphantiasedosGregossepoderãoacharmuitos exemplos desta verdade

.

Alguns autores,apoiadosemlonga enumerosaclinica,dãoalibido inexplebilis comophcnoineno constanteda morphéa;outros, igualmente appoiados na expe

-

rience,affirmamjustamenteoopposto

.

Unsfazem a anasthesia companheira inseparável damorphéa; outrossusten

-

tam que rarasvezesse manifesta,equequanto tal accontcce,cilaéquem dáo nomeámoléstia

.

Os que collocaram aelcphantiasedosGregos nonumerodasmoléstias de pelle,

nuncaacharam lesõesnotáveisnoscentrosnervosos;aquellcsque fazema moléstia partir deumaalteraçãodo encephalo, virampelo contrario,sempre,eminnumcras autopsias

,

ocerehelloreduzidoaomais deplorável estado

.

Contradicçõesdesta ordem se encontram a cadapasso, emuito embaraçam ao inexperto

,

quesequizor guiar pelasdescripçõesdos autores

.

Desejandoevitaresteescolho, resolvi

-

meaescrever ávista dos fartos,epara

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