T6: A Teoria Cinética dos Gases
• Número de Avogadro
• Gases Ideais
• Pressão, Temperatura e Energia Cinética Média
• Livre Caminho Médio
• Distribuição das Velocidades Moleculares
• Calores Específicos Molares de um Gás Ideal
• Graus de Liberdade
• Expansão Adiabática de um Gás Ideal
Curso de Física Básica – Fluidos, Oscilações e Ondas, Calor – H. Moysés Nussenzveig
Número de Avogadro
Termodinâmica (fenomenologia) variáveis macroscópicas
( p, V, T )
Lei Zero: equilíbrio térmico, temperatura
Primeira Lei:
ΔE
int= E
int,f− E
int,i= Q − W
Teoria Cinética dos Gases: estudo dos gases do ponto de vista molecular Quantidade de uma substância:
1mol=número de átomos em uma amostra de 12g de 12C Número de Avogadro:
N
A= 6,02 × 10
23mol
−1n = N NA
número de mols da amostra
n :
número de moléculas da amostra
N :
n = Mam
M = Mam mNA
massa da amostra
M
am:
massa molar
M :
massa molecular
m :
Hipóteses básicas:
1. O gás é constituído de um número muito grande de moléculas idênticas (1 mol do gás contém 6,02 X 1023 moléculas).
2. O tamanho de uma molécula de gás é desprezível comparado com a distância média entre as moléculas.
3. As moléculas estão em movimento constante em todas as direções.
4. As forças de interação entre as moléculas são de curto alcance, atuando somente durante as colisões.
5. Tanto as colisões entre as moléculas como as colisões entre as moléculas e as paredes do recipiente são perfeitamente elásticas.
Gases Ideais
Gás ideal: baixa densidade
Lei dos Gases Ideais:
pV = nRT
p : pressão absoluta temperaturaT : n : número de mols
volume
V :
constante dos gases ideais
R = 8,31 J/mol K :
Lei de Boyle:
O volume de uma dada quantidade de gás, a temperatura constante, varia inversamente com a pressão.
Lei de Charles:
A pressão constante, o volume de um gás é diretamente proporcional à temperatura absoluta.
pV = nRT = N
NA RT = N RNA T = NkT Outra forma:
constante de Boltzmann
k = R
NA = 1,38 × 10−23J/K :
Um estado de equilíbrio termodinâmico fica caracterizado por qualquer par das variáveis
p, V, T
.Expansão isotérmica de um gás ideal
p
V i
f
Vi Vf
isoterma (T constante)
pV = nRT → p = nRT V W = ∫
Vf
Vi
p dV = nRT ∫
Vf Vi
dV
V = nRT ln (
V
fV
i)
expansão
V
f> V
i:
compressão
V
f< V
i:
Considerando um processo isobárico (pressão constante):
W = pΔV = p(V
f− V
i) = nRT
f− nRT
i= nRΔT
Partimos da lei dos gases ideais:
Trabalho:
Pressão, temperatura e velocidade quadrática média
Vamos considerar n moles (N=nNA moléculas) de um gás ideal, a uma temperatura T, ocupando um volume V=L3. As paredes do recipiente são lisas e as colisões das moléculas com as paredes do recipiente são elásticas.
A transferência de momentum linear para a molécula é:
Δp = pf − pi = − mvx − mvx = − 2mvx
A transferência de momentum linear para a parede é:
Δp = pf − pi = mvx − (−mvx) = 2mvx
Seja o intervalo entre duas colisões sucessivas da molécula com a parede de referência. Assim:
Δt
Δt = 2L vx
A taxa de transferência de momentum linear para a parede é (pela 2a lei de Newton):
Δp
Δt = 2mvx
2L/vx = = mvx2
L = Fx
Curso de Física Básica – Fluidos, Oscilações e Ondas, Calor – H. Moysés Nussenzveig
Considerando agora N=nNA moléculas temos para a pressão:
p = Fx
L2 = 1 L2 (
mvx12
L + mvx22
L + mvx32
L + … + mvxN2
L ) = m L3
N=nNA
∑i=1
vxi2 Vamos agora considerar a média:
N=nNA
∑i=1
vxi2 = N=nN∑A
i=1
(vx2)med = nNA(vx2)med
Mas: (v2)med = (vx2)med + (vy2)med + (vz2)med; (vx2)med = (vy2)med = (vz2)med → (vx2)med = 1
3 (v2)med Assim: p = m
L3
nNA(v2)med
3 = nmNA(v2)med
3V = nM(v2)med 3V
Definindo a velocidade quadrática média
v
rms como: vrms = (v2)med a pressão fica: p = nMvrms23V
Usando a lei dos gases ideais temos: pV = nRT → nRT
V = nMvrms2
3V → vrms = 3RT M
Concluímos que a pressão está relacionada com o valor médio da transferência de momentum linear nas colisões das moléculas do gás com as paredes do recipiente.
Energia cinética de translação
Para 1 molécula:
K = mv
22 → (K )
med= m(v
2)
med2 = mv
rms22
Mas:
v
rms2= 3 RT
M → (K )
med= m
2 3RT
M = 3 mRT
2M = 3 mRT
2mN
A= 3
2 kT
Para N moléculas:
E
int= N(K )
med= 3 NkT
2 = 3nN
AkT
2 = 3
2 nRT
A energia interna do gás ideal (monoatômico) depende apenas da temperatura T.
Desta forma, para um processo isotérmico (T=constante) temos que:
ΔE
int= 0 → Q = W
Livre caminho médio
Livre caminho médio : distância média percorrida pela molécula entre duas colisões sucessivas.
λ
Condição de colisão: os centros O e O’ estão a uma distância d, ou de forma equivalente, o centro O’ toca a superfície de uma esfera (de exclusão ou influência) de raio d.
Cilindro de colisão, varrido pelo centro O da esfera de exclusão de raio d. O volume de exclusão é:
Vexcl = 4π 3 d3
e é 8 vezes maior do que o volume efetivo V de uma molécula:
V = 4π
3 (d 2 )
3 = 1
8Vexcl
área da seção transversal do cilindro de colisão
σ :
σ = πd2
Curso de Física Básica – Fluidos, Oscilações e Ondas, Calor – H. Moysés Nussenzveig
deve aumentar a medida que que o diâmetro da molécula de exclusão e a densidade do gás diminuem. Assim propomos:
λ
λ ∝ 1
σρ = 1 πd2N/V
Vamos “esticar” o cilindro de colisão e contar o número de colisões que ocorrem no intervalo de tempo . Neste caso, o número de colisões é igual ao número de moléculas dentro do cilindro, dado por:
Δt
número de colisões = ρσvΔt = N
V πd2vΔt
Assim, o livre caminho médio é igual ao caminho percorrido pela molécula de exclusão no intervalo de tempo dividido pelo número de colisões neste mesmo intervalo de tempo:
Δt
λ = vmedΔt
πd2N/VvrelΔt = 1 2
1 πd2N/V
velocidade (média) em relação ao recipiente
velocidade relativa
vrel = 2vmed
A distribuição das velocidades moleculares
P(v) = 4π ( M
2πRT)
3/2 v2 exp
(− Mv2 2RT) Distribuição de Maxwell:
P(v) dv : fração de moléculas com velocidades entre e
v v + dv
∫
∞
0 P(v) dv = 1 Normalização:
vmed = ∫
∞
0 v P(v) dv = 8RT πM (v2)med = ∫
∞
0 v2 P(v) dv = 3RT
M → vrms = 3RT M vP = [ dP(v)
dv ]v=v
P
= 0 → vP = 2RT M Médias:
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Calores específicos molares de um gás ideal
Vamos considerar um gás ideal monoatômico (átomos). Para N átomos:
E
int= N(K )
med= 3 NkT
2 = 3nN
AkT
2 = 3
2 nRT
calor específico molar a volume constante
c
V:
T → T + ΔT p → p + Δp
V = constante → W = 0 Q = ncVΔT
Pela primeira lei:
ΔEint = Q − W =
V=cte⏟
Q → 3
2 nRΔT = ncVΔT → cV = 3
2 R = 12,5J/molK Para um gás ideal, qualquer processo: Eint = ncVT → ΔEint = ncVΔT
é a mesma para os 3 processos
indicados na figura e para qualquer outro processo que conecte as duas isotermas.
ΔE
intcalor específico molar a pressão constante
c
p:
T → T + ΔT
p = constante → W = pΔV = nRΔT V → V + ΔV
Q = ncpΔT Pela primeira lei:
ΔEint = Q − W → ncVΔT = ncpΔT − nRΔT → cV = cp − R → cp = cV + R
Graus de liberdade
átomo molécula diatômica molécula poliatômica
: número de graus de liberdade
f
cV = 2f R; Eint = ncVT = 2f nRTTeorema de equipartição da energia:
Toda molécula tem um certo número f de graus de liberdade, que são formas independentes pelas quais a molécula pode armazenar energia. A cada grau de liberdade está associada, em média, uma energia de 1/2 kT por molécula ou 1/2 RT por mol.
Mecânica quântica: quantização da energia
f = 3
f = 3 + 2
f = 3 + 2 + 2 T R V
OHS: E =
1/2RT
⏞mv2 2 +
1/2RT
mω2x2 2
Curso de Física Básica – Fluidos, Oscilações e Ondas, Calor – H. Moysés Nussenzveig
A expansão adiabática de um gás ideal
Como Q=0, a primeira lei, na forma diferencial, fica:
dEint = − pdV → ncVdT = − pdV → ndT = − pdV cV Usando a lei dos gases ideais temos:
pV = nRT → d(pV) = nRdT → pdV + Vdp = nRdT → ndT = pdV + Vdp
R = pdV + Vdp cp − cV Assim:
−pdV
cV = pdV + Vdp
cp − cV → pdV
cV + pdV
cp − cV = − Vdp
cp − cV → cp
cV pdV = − Vdp → γ dV
V + dp
p = 0 Integrando: γ ln V + ln p = constante′ → ln(pVγ) = constante′ → pVγ = constante