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A maneira inesperada do agir de Deus

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Academic year: 2021

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3º DOMINGO DO TEMPO COMUM - 22/01/2017

“A maneira inesperada do agir de Deus”

Leituras: Isaías 8, 23b-9,3; Salmo 26 (27), 1.4.13-14; Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 1, 10-13.17; Mateus 4, 12-23 ou Mt 4, 12-17 (mais breve).

COR LITÚRGICA: VERDE

Animador: Nesta Eucaristia recordamos o chamado feito aos primeiros discípulos.

Mas o chamado de Jesus não é só para Pedro e André, Tiago e João, mas para todos nós. Todos somos chamados a deixar tudo para seguir Jesus, anunciar a Boa Nova e fazer gestos de salvação. Somos também chamados a nos converter porque o Reino de Deus deve ser construído. Todos nós somos “pescadores” para tirar nossos irmãos e irmãs das ameaças do mal e da morte.

1. Situando-nos brevemente

No domingo passado, vimos e celebramos Jesus sendo apresentado por João Batista como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” e “batiza, no Espírito Santo”.

Cumpre-se nele plenamente a figura do Servo libertador sonhado pelo profeta Isaías.

Humildemente fazendo a vontade do Pai, Ele se sacrifica pelos pobres e, qual cordeiro, permite ser sacrificado na cruz pela causa da justiça divina em prol dos pequenos.

Este é o seu Espírito: solidariedade para com os pobres e injustiçados, até a morte.

Neste Espírito, pela sua ressurreição ele mergulha (batiza) o mundo, para que o mundo, por sua vez, mergulhados neste seu Espírito, ressuscite para uma nova vida, de fraternidade e de paz.

Hoje, Deus nos dá a graça de estarmos de novo aqui, para ouvir a sua Palavra e celebrar a nossa Páscoa, a fim de sairmos daqui fortalecidos e dispostos a frutificar em boas obras pelo mundo afora. “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”, dissemos logo no início da celebração.

2. Recordando a Palavra

O Evangelho de hoje começa noticiando a prisão de João Batista. O profeta anunciador da vinda de Jesus foi parar na cadeia. E agora entra Jesus em cena, não na Judeia (onde João Batista foi preso), mas na Galileia, conforme a profecia de Isaías, que ouvimos na primeira leitura (Is 8, 23b-9,3). Cumpre-se nele então a antiga profecia. Na Galileia, “o povo que vivia nas trevas viu brilhar uma grande luz; e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz” (Mt 4,16). Era Jesus! Por isso que, agora, o próprio Jesus – e não mais João Batista – começou a pregar dizendo: “Convertam-se, porque o Reino dos Céus está próximo” (v.17). Diz o

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Evangelho que “Jesus andava por toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo” (v.23). Por isso que cantamos hoje o Salmo 26, com este significativo refrão: “O Senhor é minha luz e salvação. O Senhor é a proteção da minha vida” (v.1a.c.).

Outro detalhe: Jesus faz questão de não trabalhar só. Vindo de Deus, que só age em comunidade – Pai e Filho e Espírito Santo -, Ele faz questão de chamar gente para formar com Ele uma equipe de convivência e ação. Começa chamando dois irmãos pescadores (Simão e André): “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens”

(v.18-19). Aos poucos, esta equipe se amplia para doze e, depois mais ainda, para setenta e dois, e assim vai, até nós hoje, aqui reunidos! Fazemos parte da equipe de Jesus, trabalhando com ele por uma boa qualidade de vida da sociedade e do nosso planeta.

E para que nosso trabalho comunitário com Jesus seja de fato frutuoso, o apóstolo Paulo nos exorta hoje, como ouvimos na segunda leitura, a sermos todos concordes uns com os outros. Nada de divisões entre nós! (1Cor 1,10-13.17).

3. Atualizando a Palavra

Deus é surpreendente. Ele intervém onde e quando e do modo que menos se espera.

Esta maneira de agir de Deus – através dos profetas dos apóstolos e até mesmo do próprio Jesus – é a característica primordial da Palavra que hoje ouvimos. Neste sentido, ouçamos na íntegra uma oportuna reflexão do nosso irmão biblista e teólogo franciscano, de saudosa memória, Frei Raul Ruijs:

1. Novos rumos. A ação de Deus na história é sempre atual e fortemente carregada de sentido. É justamente por isso que hoje ela nos comunica um profundo sentido de libertação e salvação. Libertação de tudo aquilo que nos amarra e impede de sermos livres para Deus, e salvação no sentido de que a atuação de Deus através de seu Filho Jesus Cristo abre nossos olhos, descortina novos caminhos e novas perspectivas de vida nova, e nos faz verdadeiros filhos da luz.

2. A luz brilha nas trevas ... Imaginemos uma situação de trevas, de escuridão completa assim como um curto-circuito na fonte elétrica de uma cidade. São momentos angustiantes e carregados de tensão e medo, pois todos se sentem inseguros diante do que poderá vir a acontecer. A expectativa é geral e movem-se esforços para se sair da situação. O momento em que volta a força geradora da luz, é sempre uma alegria e tudo volta à harmonia de antes....

O profeta Isaías proclamou e o evangelista repete: “O povo que caminhava na escuridão viu uma grande luz, e a luz brilhou sobre os que vivem na região escura da morte”. Esta luz que brilha nas trevas é Jesus Cristo. O brilho de sua luz entre nós é sempre motivo de alegria e de júbilo. Porque a humanidade vivia em uma escuridão tremenda, muito mais espessa do que aquela da falta de luz elétrica. É uma escuridão espiritual, que atinge as consciências, os modos de pensar e de agir; uma escuridão que é abusada por toda forma de exploração, roubo, opressão, humilhação e de tudo mais que não suporta a claridade da luz (Ef 5, 8-14).

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É nesta escuridão que brilha a luz de Cristo. Esta luz transforma a realidade existencial humana, tirando-nos do jugo do pecado e da morte, e colocando-nos na fonte de vida nova, iluminada pelo ‘Sol da Justiça que traz a salvação’ (Ml 4,2). Graças a Cristo ‘a luz do mundo’ (Jo 8,12;9,5) e o ‘Sol da Justiça’ toda a criação foi renovada e conduzida para o seu vigor e harmonia original.

Esta luz de Cristo é, para nós cristãos, a razão e o sentido de nosso viver. Sem a luz de Cristo nos é impossível viver em harmonia, pois nos perdemos na escuridão, nossos caminhos se separam, os tornamos divididos, cada um para o seu lado, insensatos e incapazes para o amor, a compreensão e o perdão que plenificam a vida.

Isto São Paulo percebeu na comunidade jovem de Corinto. Receberam a luz de Cristo.

Mas pouco depois também entre eles o egoísmo e a rivalidade, fontes de divisão e discórdia, quebraram a unidade da comunidade, fazendo surgir a divisão do grupo cristão.

Também no nosso mundo de hoje, apesar de se dizer cristão, percebe-se claramente a luta entre grupos humanos e classes sociais, provocadas por interesses egoísticos e opressores. Estes são provenientes da luta “surda” e “cega” pelo poder; poder este que é buscado a preço de vidas humanas. Poder econômico, político, cultural e religioso acumulado em detrimento das massas marginalizadas e espoliadas de responsabilidades e bens.

É nesse clima que brilha a luz de Cristo, como um clarão que abre os olhos; e em que ressoa a voz de Cristo sobre a vinda do Reino de Deus, como um brado de libertação e um apelo à conversão e mudança de vida.

3. Onde brilha a luz de Cristo? Para iniciar a pregação da Boa-Nova da vinda do Reino, Jesus escolheu uma região pobre e humilde, “atrasada”, bem no interior do país, longe da capital, do templo, das autoridades. Procurou as regiões e ambientes onde havia gente que estava sofrendo e necessitada. Ele não se dirigiu àquela pequena porcentagem das elites do povo que não precisava de nada e estava convencida de que vivia “muito bem de vida”, em prosperidade material. Jesus comoveu-se de compaixão com os noventa e nove, por cento das camadas populares que “estavam enfraquecidos e abatidos como ovelhas sem pastor” (Mt 4,23-25 e 9,36).

Seus primeiros colaboradores, Jesus não os procurou em Jerusalém, nas escolas dos rabinos ou na classe sacerdotal, mas entre os pescadores do Lago de Genesaré: gente simples, rude, leal. Homens fortes, trabalhadores mesmo, que souberam o que é lutar pela vida. Este procedimento de Jesus poderia ser um programa da pastoral, poderia ensinar que as verdadeiras renovações espirituais e materiais que atingem o povo e salvam não surgem das cúpulas, mas das bases.

Conclusão: Em Jesus Cristo, o mundo, as coisas e os homens adquiriram novo sentido, novo rumo e uma nova esperança. Porém, Ele exige de cada um de nós um empenho, um trabalho com nós mesmos. Convida-nos a uma mudança total e radical de nosso modo de ser, de pensar e de agir, para que possamos também ser luzes para o mundo, assim como Ele foi: um ser-para-os-outros e para Deus. Só assim é que o poder-dominação poderá ser transformado em poder-serviço. Somente através desta

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busca contínua no amor de Cristo teremos condições de caminhar unidos e de mãos dadas para a construção de um mundo mais humano e mais fraterno. Só assim é que as comunidades cristãs poderão se tornar bases de uma nova sociedade: “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13s), semente do Reino (R. Ruijs. A maneira inesperada do agir de Deus. In: VV.AA. A Mesa da Palavra. Ano A. Op. cit., p. 295-297).

4. Ligando a Palavra com ação litúrgica

Logo mais nos acercamos ao altar para celebrar a Ceia do Senhor. O Senhor Jesus, nas módicas espécies de pão e vinho, se faz pobre com os pobres e para os pobres.

Corpo entregue e Sangue derramado para a remissão dos pecados e transformação do mundo: eis a expressão sacramental máxima da vida nova que nos é dada pela Páscoa de Jesus e nossa. Por isso, concluímos nossa participação neste “mistério da fé” com esta oração: “Concedei-nos, Deus todo-poderoso, que, tendo recebido a graça de uma vida nova, sempre nos gloriemos dos vossos dons” (Oração depois da comunhão).

Que nesta Eucaristia nos leve à coragem de permitir-nos entrar no Reino dos Céus, no mistério do agir de Deus que a pessoa de Jesus perfeitamente representa, para sermos com Ele luz em meio às trevas do nosso tempo, e os pobres possam gloriar-se dos dons dos altos céus. Amém!

Oração dos fiéis:

Presidente: Imersos na luz de Cristo, pelo batismo, nos tornamos filhos da luz. Por isso elevemos ao Pai nossas preces.

1. Senhor, que enviastes Teu Filho Jesus como luz para iluminar o povo que vivia na escuridão, fazei que a Igreja possa iluminar nossa sociedade com a palavra e o testemunho. Peçamos:

Todos: Senhor, seja sempre a nossa luz.

2. Senhor, que sois a proteção de nossa vida, dai aos nossos governantes coragem para iluminar todos aqueles e aquelas que vivem na escuridão da exclusão e da marginalização. Peçamos:

3. Senhor, ajude na conversão de nossa comunidade para que o nosso testemunho alivie as enfermidades das pessoas, provocadas pelas trevas do erro. Peçamos:

4. Senhor, ficai sempre conosco para que possamos ter um testemunho vivo de fraternidade. Peçamos:

5. Senhor, ajudai nossos dizimistas, que com a sua ajuda material, são testemunho desta luz que vem de Ti. Peçamos.

(Outras intenções)

Presidente: Enviai Senhor, o vosso Espírito de verdade, para que tua Palavra converta nosso coração e renove nossa existência. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

III. LITURGIA EUCARÍSTICA

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ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS:

Presidente: Ó Deus, acolhei com bondade as oferendas que vos apresentamos para que sejam santificadas e nos tragam a salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

ORAÇÃO APÓS A COMUNHÃO:

Presidente: Concedei-nos, Deus todo-poderoso, que, tendo recebido a graça de uma nova vida, sempre nos gloriemos dos vossos dons. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA:

Presid.: O Senhor esteja convosco.

Todos: Ele está no meio de nós.

Presid.: Que o Senhor os guie no trabalho do anúncio da Palavra de seu Filho, cobrindo-os com sua bênção.

Todos: Amém.

Presid.: (despede a todos).

Referências

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