PERFIL ANTROPOMÉTRICO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES PARTICIPANTES DO PROGRAMA ESCOLA COM SAÚDE, CUIABÁ MT

Texto

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE NUTRIÇÃO

PERFIL ANTROPOMÉTRICO DE CRIANÇAS E

ADOLESCENTES PARTICIPANTES DO PROGRAMA

ESCOLA COM SAÚDE, CUIABÁ – MT

MARIELLY RODRIGUES DE SOUZA

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE NUTRIÇÃO

PERFIL ANTROPOMÉTRICO DE CRIANÇAS E

ADOLESCENTES PARTICIPANTES DO PROGRAMA

ESCOLA COM SAÚDE, CUIABÁ – MT

MARIELLY RODRIGUES DE SOUZA

Trabalho de Graduação apresentado ao Curso de Nutrição da Universidade Federal de Mato Grosso como parte dos requisitos exigidos para obtenção do título de Bacharel em Nutrição, sob orientação da Profª. M. Sc. Patrícia Simone Nogueira

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RESUMO

Nota-se que, em todo o mundo, o desenvolvimento precoce do excesso de peso tem aumentando de forma preocupante entre crianças e adolescentes. O Brasil destaca-se por ser o país que mais aumentou os índices de sobrepeso e obesidade na população infanto-juvenil. O objetivo do estudo foi avaliar o perfil antropométrico de crianças e adolescentes atendidos pelo Programa Escola com Saúde, da região norte de Cuiabá – Mato Grosso. Estudo transversal, com 4308 crianças e adolescentes com idade entre 3 e 17 anos. Para a avaliação do perfil antropométrico foram utilizados os índices antropométricos: peso para idade (P/I), estatura para idade (E/I), peso para estatura (P/E) e índice de massa corporal para idade (IMC/I), expressos em escore-Z de acordo com as curvas da OMS. Para a análise dos dados utilizou-se medidas de frequência e de associação (razão de prevalência, IC95%). Observou-se aumento de risco de sobrepeso, sobrepeso e obesidade nas crianças e adolescentes. 15,1% das crianças com menos de 5 anos de idade apresentaram risco de sobrepeso, entre as crianças da faixa etária de 5 a 9 anos, 12,5% apresentaram sobrepeso e 8,3% obesidade e quanto aos adolescentes 16,7% apresentaram sobrepeso e 8,4% obesidade. A prevalência de excesso de peso foi maior no sexo masculino em todas as faixas etárias, porém não houve associação significativa. Obtiveram-se taxas maiores de crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade do que com magreza, ou seja, essa população segue a tendência de transição nutricional vivenciado no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: perfil antropométrico; crianças; adolescentes; Programa Escola com Saúde.

ABSTRACT

It is noted that, throughout the world, the early development of excess weight has increased in a worrying way among children and adolescents. Brazil stands out as the country that has increased the rates of overweight and obesity in the child and adolescent population. The objective of this study was to evaluate the anthropometric profile of children and adolescents attended by the School Health Program in the northern region of Cuiabá - Mato Grosso. A cross-sectional study with 4308 children and adolescents aged 3 to 17 years.For the evaluation of the anthropometric profile we used the anthropometric indices: weight for age (P / I), height for age (I / I), weight for height (P /E) and body mass index for age, Expressed in Z-score according to WHO curves. For data analysis, it was used measures of frequency and association (reason for prevalence, IC95%).It was observed an increased risk of overweight, overweight and obesity in children and adolescents. 15.1% of children under 5 years of age presented a risk of overweight, among children aged 5 to 9 years, 12.5% were overweight and 8.3% were obese, and 16.7% were adolescents overweight and 8.4% obesity.The prevalence of overweight was higher among males in all age groups, but there was no significant association. There were higher rates of overweight and obese children and adolescents than with leanness, that is, this population follows the nutritional transition trend experienced in Brazil.

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AGRADECIMENTOS

A Deus, pelo dom da minha vida, pela eterna proteção, por todo amor, sabedoria, conhecimento e discernimento, pois sem Ele nada faria.

Aos meus pais, Luciano e Marineuza, pelo exemplo de caráter, determinação e humildade. Por se abdicaram de muitos projetos pessoais para que eu tivesse a oportunidade de estudar e de ter uma boa formação profissional. Por terem me dado forças e serem minha maior inspiração.

A minha irmã Luciana, ao meu cunhado Alessandro, e aos meus sobrinhos Guilherme e Bianca, por me incentivarem e sempre estarem presentes em minha vida, alegrando meus dias com simples gestos de carinho e palavra amiga, meus sinceros agradecimentos.

A toda minha família, em especial ao meu vozinho Antônio (in memorian), a minha vozinha Zelita e ao meu padrinho Delcino, por toda força, incentivo e apoio.

Aos meus amigos do Grupo de Oração São José, Ronilda e Thyago, por sempre intercederem pelos meus estudos em suas orações.

A minha grande amiga Deuzilene, por todo companheirismo e por todos os momentos de aprendizagens e alegrias que vivenciamos juntas durante esses anos.

A professora M. Sc. Patrícia Simone Nogueira, minha orientadora, por toda transmissão de conhecimento, paciência e valiosa orientação e amizade.

A todos do grupo de pesquisa Segurança Alimentar e Nutricional, em especial a professora Drª. Maria Silvia Amicucci Soares Martins e a professora Drª. Lenir Vaz Guimarães, por todo acolhimento, aprendizagem, incentivo e amizade.

A Secretaria Municipal de Saúde, por ter disponibilizado os dados antropométricos das crianças e dos adolescentes e a Secretaria Municipal de Educação.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ... 8

2.1 OBJETIVO GERAL ... 11

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 11

3. REVISÃO DE LITERATURA ... 12

3.1 PROGRAMA ESCOLA COM SAÚDE ... 12

3.2 FASES PRÉ-ESCOLAR, ESCOLAR E ADOLESCÊNCIA ... 13

3.3 AVALIAÇÃO NUTRICIONAL ... 14

4. MATERIAL E MÉTODOS ... 17

4.1 DELINEAMENTO, LOCAL E POPULAÇÃO DE ESTUDO ... 17

4.2 COLETA DOS DADOS ANTROPOMÉTRICOS ... 18

4.3 VARIÁVEIS DO ESTUDO ... 20

4.4 PROCESSAMENTO DOS DADOS E ANÁLISE ESTATÍSTICA ... 20

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 22

6. CONCLUSÃO ... 32

ANEXO ... 39

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1. INTRODUÇÃO

O Brasil vivencia um período caracterizado como transição nutricional, de maneira que diversos fatores contribuíram para a ocorrência dessa transição, entre eles, a urbanização, a melhoria nas condições de vida da população e mudanças no estilo de vida, como o aumento do fornecimento de energia pela dieta e redução na prática de atividades físicas (KRINSKI et al., 2011). Em menos de duas décadas, a população brasileira passou de um quadro de desnutrição grave para uma epidemia de obesidade (WHO, 2000; COUTINHO et al., 2008).

De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, nas últimas décadas houve redução da desnutrição infantil no Brasil. De 1974-1975 para 2008-2009 a prevalência de déficit de altura em crianças com idade entre 5 e 9 anos diminuiu de 29,3% para 7,2% no sexo masculino e de 26,7% para 6,3% no sexo feminino. Em relação ao déficit de peso foi observada prevalência relativamente baixa nos três inquéritos estudados, Estudo Nacional da Despesa Familiar (ENDEF), Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN) e POF, as prevalências estimadas foram superiores a 5% em 1974-1975, baixaram para cerca de 2% em 1989 e aumentaram para cerca de 4% em 2008-2009.

A POF 2008-2009, também detectou declínio de déficit de peso entre os adolescentes. De 1974-1975 a 2008-2009, a prevalência de déficit de peso diminui de 10,1% para 3,7%, no sexo masculino, e de 5,1% para 3,0%, no sexo feminino (BRASIL, 2010a). A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) realizado no ano de 2015, em adolescentes escolares com idade entre 13 e 17 anos, indicou pequena frequência de desnutrição entre os escolares, sendo a prevalência de baixo peso de 3,1% (BRASIL, 2016).

Enquanto a prevalência de déficit de peso diminui, ocorre o aumento da prevalência do sobrepeso e obesidade em todos os grupos etários, e com isso há também um crescimento no número de morbidades associadas a este distúrbio, como diabetes mellitus, hipercolesterolemia, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e síndrome metabólica (KRINSKI et al., 2011).

Nota-se que, em todo o mundo, o desenvolvimento precoce do excesso de peso tem aumentando de forma preocupante entre crianças e adolescentes. O Brasil destaca-se por ser o país que mais aumentou os índices de sobrepeso e obesidade na população infanto-juvenil (MACHADO et al., 2011; COELHO et al., 2012).

Segundo NG et al. (2014), a prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes que moram em países em desenvolvimento é de 12,9% para os meninos e 13,4%

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para as meninas. Na comunidade Europeia, é previsto que o número de crianças com sobrepeso aumente aproximadamente 1,3 milhões ao ano e com obesidade 0,3 milhões. Dentre as crianças obesas mais de um milhão apresentarão diversas doenças crônicas, entre elas, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e hipercolesterolemia, e mais de 1,4 milhões estarão em estágios iniciais de desordem no fígado (BUTTRISS, 2002; JACKSON-LEACH, LOBSTEIN, 2006).

No Brasil, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, a prevalência de excesso de peso em adolescentes foi de 20,5% e de obesidade foi de 4,9% (BRASIL, 2010a). A PeNSE realizada em 2009, com estudantes do 9° ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas, verificou que 23,0% dos estudantes adolescentes apresentaram excesso de peso e 7,3% obesidade (BRASIL, 2010b). Já, a PeNSE de 2015 verificou que 23,7% dos escolares apresentaram excesso de peso, o que corresponde um total estimado de 3 milhões de escolares (BRASIL, 2016).

Em Cuiabá, essa mesma pesquisa constatou que 15,5% de estudantes de escolas públicas estavam com sobrepeso e 5,6% dos escolares de escolas públicas e privadas apresentaram obesidade (BRASIL, 2010a). RODRIGUES et al. (2012) realizaram um estudo com 1139 escolares com idade entre 14 e 19 anos do ensino médio de escolas públicas e privadas de Cuiabá/Mato Grosso e constataram que 17% dos escolares estavam com excesso de peso.

A escola é o ambiente que o indivíduo em suas duas primeiras décadas de vida permanece por mais tempo, portanto a mesma tem um papel fundamental na prevenção de problemas alimentares e nutricionais, como a obesidade, pois o espaço escolar possibilita a inserção de educação alimentar e nutricional em seu currículo e pode estimular a prática regular de atividades físicas (FERNANDES et al., 2009).

Além disso, o ambiente escolar pode ser um espaço que proporciona o desenvolvimento de programas de promoção e educação em saúde, sendo assim, ela se torna uma forte e importante aliada do setor saúde (VASCONCELOS e CORDEIRO, 2013).

A escola diferencia-se das demais instituições, pois por meio dela é possível a construção de conhecimentos resultantes do confronto dos diferentes saberes: tanto aqueles contidos nos conhecimentos científicos veiculados pelas diferentes disciplinas; como aqueles trazidos pelos professores, estudantes e seus familiares, além dos divulgados pelos meios de comunicação (BRASIL, 2009a).

Considerando a importância do cenário escolar na promoção de hábitos saudáveis e na prevenção de doenças, a Prefeitura Municipal de Cuiabá implantou no âmbito do Sistema

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Único de Saúde (SUS) por meio do Decreto nº 4.684, de 20 de junho de 2008, o Programa Escola com Saúde, a institucionalização desse Programa fundamentou-se no Programa Saúde na Escola (PSE), sendo este, instituído pelo Governo Federal por meio do Decreto nº 6.286 de 5 de Dezembro de 2007.

O Programa Escola com Saúde é desenvolvido conjuntamente entre as Secretárias Municipais de Educação e Saúde e tem como finalidade contribuir para a formação integral dos estudantes e promover a saúde dessa população. Esse programa tem como objetivo: reforçar a prevenção de agravos à saúde, fortalecer a intersetorialidade entre as redes públicas municipais de saúde e de educação, promover a cultura da prevenção e promoção a saúde no âmbito escolar e reduzir as vulnerabilidades no campo da saúde que comprometam o pleno desenvolvimento escolar (PREFEITURA DE CUIABÁ, 2008).

A relevância deste trabalho parte da necessidade de se avaliar o perfil antropométrico de crianças e adolescentes de escolas públicas da regional norte de Cuiabá (Mato Grosso), atendidas pelo Programa Escola com Saúde e o presente estudo pretende contribuir com dados que possam subsidiar a elaboração de políticas públicas e ações que visem minimizar os riscos de desenvolvimento de obesidade, de desnutrição e suas consequências na saúde da população.

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2. OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

Analisar o perfil antropométrico de crianças e adolescentes atendidos pelo Programa Escola com Saúde, da região norte de Cuiabá – Mato Grosso.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Caracterizar a população estudada, segundo sexo, idade e ano cursado;

 Estimar a prevalência de baixo peso, sobrepeso e obesidade;

 Estimar a prevalência de baixa estatura e estatura adequada para idade em crianças e adolescentes;

 Verificar a associação entre excesso de peso e o sexo, segundo o indicador antropométrico Índice de Massa Corporal (IMC) para idade.

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3. REVISÃO DE LITERATURA

3.1 PROGRAMA ESCOLA COM SAÚDE

O Programa Escola com Saúde teve origem a partir do PSE. O PSE surgiu como resultado do trabalho integrado entre os Ministérios da Saúde e Educação com a finalidade de contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública através de ações de promoção, prevenção, e atenção à saúde, e tentativa de trabalho intersetorial entre saúde e educação (BRASIL, 2009).

O PSE está organizado em áreas temáticas, sendo elas, Avaliação Clínica e Psicossocial; Ações de Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças e Agravos; Educação Permanente e Capacitação de Profissionais da Educação e da Saúde e de Jovens para o Programa Saúde na Escola; Monitoramento e Avaliação da Saúde dos Estudantes; Monitoramento e a Avaliação do PSE (BRASIL, 2013).

Em relação ao Programa Escola com Saúde que é desenvolvido em toda rede municipal de educação de Cuiabá, é uma parceria entre a Secretaria de Saúde e a Secretaria de Educação e seguia os princípios do SUS, contemplando ações individuais e coletivas de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de crianças e adolescentes (PREFEITURA DE CUIABÁ, 2008; PREFEITURA DE CUIABÁ, 2010).

O programa tem como diretrizes:

Reforçar a prevenção de agravos à saúde;

Fortalecer a relação institucional entre as redes públicas municipais de saúde e de educação;

Promover a cultura institucional da prevenção no âmbito escolar;

Enfrentar as vulnerabilidades, no campo da saúde, que possam comprometer o desenvolvimento escolar;

Promover a comunicação entre escolas e unidades de saúde, assegurando a troca de informações sobre as condições de saúde dos estudantes de 0 a 14 anos;

Contribuir com informações básicas de saúde pública repassada aos trabalhadores da educação (PREFEITURA DE CUIABÁ, 2008a).

As ações prioritárias realizadas pelo programa são: avaliação clínica, avaliação nutricional, promoção da alimentação saudável, avaliação oftalmológica, avaliação da saúde e higiene bucal, avaliação psicossocial, atualização e controle do calendário vacinal, prevenção de uso do álcool e drogas, promoção da saúde sexual e da saúde reprodutiva e educação e m saúde (PREFEITURA DE CUIABÁ, 2008a).

Em 2010, a equipe de atuação do programa era composta por 1 médico, 1 nutricionista, 2 técnicos de enfermagem, 1 técnico administrativo, 1 oficineiro e 4 psicólogas

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clínicas, em 2016 essa equipe foi reduzida para 1 nutricionista, 1 enfermeiro, 1 psicólogo e 1 técnico administrativo. No ano de 2009 o programa foi desenvolvido em 47 creches e 98 escolas de ensino fundamental e atendeu aproximadamente uma população de 46 mil crianças com faixa etária entre 0 a 14 anos (PREFEITURA DE CUIABÁ, 2010).

Em relação ao estado nutricional das crianças e adolescentes atendidos pelo programa, os resultados encontrados apontam para a necessidade de manter a vigilância do estado nutricional dos escolares, e intensificar as ações educativas para melhorar a qualidade de vida dessa população (PREFEITURA DE CUIABÁ, 2010).

3.2 FASES PRÉ-ESCOLAR, ESCOLAR E ADOLESCÊNCIA

A fase pré-escolar é o período de vida entre 2 e 6 anos e é caracterizado por fatos biológicos que influenciam as necessidades nutricionais das crianças (BARBOSA, 2005). As necessidades nutricionais dos pré-escolares são elevadas, porém eles possuem uma capacidade gástrica menor do que um adulto e por isso devem consumir menores porções mais vezes ao dia. Pelo fato de apresentarem um menor interesse pelos alimentos essas crianças acabam ficando expostas a receberem menos nutrientes do que o necessário e isso pode acarretar em prejuízos no crescimento e desenvolvimento da criança (VITOLO, 2003).

A fase escolar corresponde à faixa etária de 7 a 9 anos (OMS, 1995). Nessa fase ocorre uma repleção energética, em que há uma maior velocidade de ganho de peso para que o organismo se adapte ao estirão pubertário, que é o ganho acelerado de crescimento linear na adolescência. Para esse aumento de reserva energética, a criança modifica seus hábitos alimentares e apetite, desse modo, ela aumenta o consumo de alimentos energéticos (VITOLO, 2003).

A adolescência é a fase em que ocorre a transição entre a infância e a vida adulta e é marcada por intensas modificações físicas, psíquicas, comportamentais e sociais (CURRIE et al., 2012). Os limites etários que definem este período são 10 e 19 anos, sendo subdividido em duas fases: a primeira que ocorre dos 10 aos 14 anos de idade (designada de puberdade e é marcada pelo estirão de crescimento, o aumento rápido da secreção de vários hormônios e o aparecimento dos caracteres sexuais secundários) e a segunda (dos 15 aos 19 anos de idade e é caracterizada pela desaceleração desses processos até a parada total do crescimento) (OMS, 1995; GARCIA et al., 2003; RODRIGUES, 2013).

Cerca de 50% do peso corporal e 20-25% da estatura de um indivíduo são adquiridos na adolescência, e um determinante significativo da variabilidade desse processo em uma

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população é a nutrição. Quantidades insuficientes de nutrientes pode inibir a secreção de hormônios gonadais, contribuindo para o retardamento do início do desenvolvimento da puberdade, o que pode comprometer o ganho estatural. É de extrema importância realizar o monitoramento do crescimento e desenvolvimento dos adolescentes, pois isso contribui para a elaboração de ações destinadas a esse grupo (SINGULEM et al., 2000).

É na adolescência que grande parte das características ou dos hábitos referentes ao estilo de vida do adulto são adquiridos (SILVA e MURA, 2014), pois este é o momento que os adolescentes vivenciam para a adoção de práticas, comportamentos e ganho de autonomia, e também de exposição a muitas situações que envolvem riscos para a saúde (BRASIL, 2011). A Organização Mundial de Saúde (OMS) ressalta que a adolescência é um período de alta vulnerabilidade nutricional, por vários motivos, sendo os principais o aumento das necessidades nutricionais para o crescimento e desenvolvimento, pelas mudanças no padrão alimentar e nos comportamentos relacionados ao estilo de vida (OMS, 2005).

3.3 AVALIAÇÃO NUTRICIONAL

A avaliação do estado nutricional tem como objetivo verificar o crescimento e as proporções corporais em um indivíduo ou em uma população e visa implantar atitudes de intervenções quer seja curativa ou preventiva (SIGULEM et al., 2000).

O método que vem sendo mais utilizado para o diagnóstico nutricional é a avaliação do estado nutricional por meio de valores antropométricos, pois ela apresenta facilidade de execução, baixo custo e inocuidade. A antropometria consiste na avaliação das dimensões física e da composição global do corpo humano (SIGULEM et al., 2000).

Os valores antropométricos representam, no nível individual ou de populações, o grau de ajustamento entre o potencial genético e os fatores ambientais favoráveis e nocivos ao crescimento. Por meio dos dados de peso e altura, em função da idade e do sexo da criança são calculados índices antropométricos que quando comparados com padrões de referência predizem o estado nutricional da criança (SIGULEM et al., 2000).

Dentre as medidas que possibilitam o diagnóstico mais preciso do quadro nutricional de crianças e adolescentes encontram-se o peso e a estatura (DAMACENO et al., 2009). O peso corporal em crianças é uma medida sensível de crescimento e pode detectar agravos nutricionais precocemente. Diferente do peso, a estatura é afetada mais lentamente, é cumulativa, progressiva e não sofre regressões e por isso é a base para a avaliação do crescimento linear do indivíduo. Ainda que relativamente insensível às deficiências

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nutricionais de curta duração, a estatura reflete o estado nutricional de longa duração (SILVA e MURA, 2014).

Os dados são analisados por meio de índices antropométricos, que avaliam o crescimento e o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Um índice é a combinação de um ou mais parâmetros para descrever algum aspecto do estado nutricional, são medidas físicas observadas e comparadas com valores de referência, expresso em tabelas e curvas da Organização Mundial da Saúde (WHO, 2006; WHO, 2007) e do Ministério da Saúde.

Os índices antropométricos adotados pela Vigilância Nutricional segundo as recomendações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde para crianças são peso por idade, estatura por idade, peso por estatura e IMC por idade; e para adolescentes são IMC por idade e estatura por idade. Os índices antropométricos apresentam relações entre si, porém cada um reproduz uma diferente combinação de processos biológicos (WHO, 2006; BRASIL, 2011).

O índice estatura para idade (E/I) é o percentual de estatura alcançada pelo sujeito, em função do que deve ter em determinada idade, portanto espelha o crescimento linear da criança e do adolescente e reflete desnutrição de longa duração, pois sofre poucas variações em curtos intervalos de tempo. A baixa estatura para a idade pode indicar um processo patológico, como o “retardo de crescimento”, que consiste no fato do indivíduo não atingir seu potencial de crescimento, por má nutrição ou condições deficientes de saúde a longo prazo (SILVA e STURION, 1998; MATOS, 2013; SILVA e MURA, 2014).

O índice peso para idade (P/I) define a massa corporal em relação à idade. É um indicador de estado nutricional no momento da avaliação. Um baixo peso para idade pode indicar um processo normal ou patológico e é influenciado pela estatura da criança. O peso possibilita intervenção precoce, pois é uma medida que pode sofrer alterações significativas em um curto intervalo de tempo. Embora o peso seja uma medida facilmente obtida ele não é capaz de distinguir a desnutrição atual da pregressa. É um indicador que oferece informações limitadas sobre a composição corporal, e seu coeficiente de correlação declina a partir da puberdade, perdendo seu valor (SINDULEM et al., 2000; SILVA e MURA, 2014).

O índice peso por estatura (P/E) é o percentual de peso alcançado pelo indivíduo, em função do que deve ter em relação à sua estatura. Esse índice dispensa a informação da idade e é utilizado para identificar o emagrecimento ou o excesso de peso da criança, entretanto necessita de medidas complementares para um diagnóstico preciso, pois existem crianças que podem ser desnutridas ou obesas devido às características genéticas (ROSSI et al., 2008; BRASIL, 2011; SILVA e MURA, 2014).

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O Índice de Massa Corporal para idade (IMC/I) expressa a relação entre o peso da criança e sua estatura ao quadrado relacionado à idade (BRASIL, 2011). O IMC apresenta uma boa correlação com a gordura corporal, principalmente a gordura interna, que está associada a fatores de risco para desenvolvimento de doenças crônicas. Porém esse índice não distingue a massa gorda da massa magra e isso dificulta a diferenciação do sobrepeso com excesso de gordura daquele com hipertrofia muscular. Entretanto estudos epidemiológicos tem demonstrado boa correlação com a massa gorda (SILVA e MURA, 2014).

A utilização de indicadores antropométricos pode indicar o risco de mortalidade infantil associado à deficiência alimentar, como também estimar a obesidade, que poderá contribuir para o aparecimento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) decorrentes do consumo excessivo de alimentos (MONTARROYOS; COSTA; FORTE, 2013). Porém esses indicadores não têm a capacidade de detectar deficiências específicas tais como: deficiência de ferro, de cálcio, de vitamina A, entre outras, fazendo-se necessário nestes casos, a complementação com exames laboratoriais específicos para conclusão diagnóstica (SIGULEM et al., 2000).

Para a classificação do diagnóstico nutricional das crianças e adolescentes são utilizadas curvas de referência, as curvas utilizadas no Brasil são propostas pela Organização Mundial de Saúde (WHO 2006; 2007). Para se estabelecer uma comparação de um conjunto de medidas antropométricas com um padrão de referência várias escalas podem ser utilizadas, entre elas estão o percentil e o escore Z (SIGULEM et al., 2000).

O escore Z é um termo estatístico e quantifica a distância do valor observado em relação à mediana dessa medida ou o valor que é considerado normal nessa população, em termos práticos o escore z significa o número de desvios-padrão que o dado obtido está afastado de sua mediana de referência (SIGULEM et al., 2000; BRASIL, 2011).

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4. MATERIAL E MÉTODOS

4.1 DELINEAMENTO, LOCAL E POPULAÇÃO DE ESTUDO

O estudo se caracteriza como do tipo transversal de base populacional escolar realizado com dados antropométricos secundários de crianças e adolescentes de escolas municipais da região norte da cidade de Cuiabá, estado Mato Grosso, atendidas pelo Programa Escola com Saúde.

A cidade de Cuiabá é dividida em quatro regiões, sendo elas, norte, sul, leste e oeste. A região norte de Cuiabá possui uma área territorial de 30,70 Km2, com uma população residente de 113.774 habitantes, é constituída pelos bairros: Jardim Florianópolis, Jardim Vitória, Novo Paraíso, Nova Conquista, Primeiro de Março, Três Barras, Morada da Serra, Morada do Ouro, Paiaguás e área de expansão urbana (BRASIL, 2009c). A rede municipal de educação da região norte possui 15 escolas, sendo que, 10 participaram do estudo, pois essas foram as visitadas pelo programa no ano de 2014 (BRASIL, 2017).

O quadro 4 dispõe sobre as escolas incluídas no presente estudo e seus respectivos anos de ensino.

Quadro 4. Escolas Municipais da região norte da cidade de Cuiabá atendidas pelo Programa

Escola com Saúde e seus respectivos anos de ensino. Cuiabá-MT, 2014.

Escolas Ano

EMEB Antônia Tita Maciel de Campos 1º ao 9º

EMEB Dep. Ulisses Silveira Guimarães 1º ao 9º

EMEB Dr. Fábio Firmino Leite Jardim I ao 3º

EMEB Lenine Povoas Jardim I ao 6º

EMEB Orzina de Amorim Soares Jardim I ao 4º

EMEB Prof. Firmo José Rodrigues Jardim I ao 6º

EMEB Prof. Rafael Rueda Jardim I ao 6º

EMEB Profª Pedrosa de Morais e Silva Jardim I ao 3º

EMEB Celina Fialho Bezerra Jardim I ao 6º

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4.2 COLETA DOS DADOS ANTROPOMÉTRICOS

Os dados antropométricos foram coletados no ano de 2014 pela equipe do Programa Escola com Saúde.

O peso foi aferido por meio de uma balança digital de marca Bioland® (modelo EB9015), com precisão de 100 g e capacidade de 150 Kg. A balança foi ligada antes do indivíduo ser colocado sobre ela. Quando a balança zerava, a criança e o adolescente foram colocados no centro do equipamento, descalços, eretos, com os pés juntos e os braços estendidos ao longo do corpo, e mantinham-se parados nessa posição. A leitura foi realizada após o valor do peso estar fixado no visor e o mesmo foi anotado na ficha antropométrica (ANEXO 1). Os participantes foram pesados uma única vez (BRASIL, 2011).

Para a mensuração da estatura foi utilizado o estadiômetro compacto da marca WiSO medical (modelo E210), com extensão de até 210 cm. A medida foi realizada uma vez, no momento da realização, a criança e o adolescente estavam descalços, com a cabeça livre de adereço e posicionados no centro do equipamento, mantinham-se de pé, ereto, com os braços estendidos ao longo do corpo, com a cabeça erguida, olhando para um ponto fixo na altura dos olhos. Encostaram os calcanhares, as panturrilhas, os glúteos, as escápulas e parte posterior da cabeça (região do occipital) na parede. Quando não foi possível encostar esses cinco pontos, foram posicionados no mínimo três deles. As pernas ficaram paralelas e os pés formaram um ângulo reto com as pernas. Em seguida, a parte móvel do equipamento foi abaixada e fixada contra a cabeça, com pressão suficiente para comprimir o cabelo. A criança e o adolescente eram retirados somente quando o avaliador tinha certeza de que os mesmos não se moveram. Posteriormente o avaliador realizava a leitura da estatura sem soltar a parte móvel do equipamento e anotava o resultado na ficha antropométrica (ANEXO 1) (BRASIL, 2011).

Os índices utilizados para a classificação do estado nutricional das crianças foram: peso para idade, estatura para idade, peso para estatura e IMC para idade e dos adolescentes foram: IMC para idade e estatura parar idade.

Os quadros a seguir apresentam os pontos de cortes, recomendados pelo Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), das classificações do estado nutricional de crianças e adolescentes, respectivamente.

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Quadro 1. Classificação do estado nutricional de crianças menores de cinco anos para cada

índice antropométrico, de acordo com o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), do Ministério da Saúde, Brasil.

VALORES CRÍTICOS

ÍNDICES ANTROPOMÉTRICOS PARA MENORES DE 5 ANOS Peso-para-idade Peso-para-estatura IMC-para-idade Estatura-para-idade < Percentil 0,1 < Escore-z -3 Muito baixo peso para a idade Magreza acentuada Magreza acentuada Muito baixa estatura para a idade ≥ Percentil 0,1 e <Percentil 3 ≥ Escore-z -3 e < Escore-z -2 Baixo peso

para a idade Magreza Magreza

Baixa estatura para a idade ≥ Percentil 3 e <Percentil 15 ≥ Escore- z -2 e < Escore-z -1 Peso adequado para a idade Eutrofia Eutrofia Estatura adequada para a idade² ≥ Percentil 15 e ≤ Percentil 85 ≥ Escore- z -1 e ≤ Escore-z +1 Risco de sobrepeso Risco de sobrepeso > Percentil 85 e

≤ Percentil 97 e ≤ Escore-z +2 > Escore- z +1 > Percentil 97 e

≤ Percentil 99,9

> Escore- z +2

e ≤ Escore-z +3 Peso elevado para a idade¹

Sobrepeso Sobrepeso > Percentil 99,9 > Escore-z +3 Obesidade Obesidade Fonte: Adaptado de: (WHO, 2006)

¹Uma criança com classificação de peso elevado pode ter problemas de crescimento, mas o melhor índice para essa avaliaçã o é o IMC-para-idade (ou o peso-para-estatura).

²Uma criança classificada com estatura para idade acima 99,9 (Escore-z +3) é muito alta, mas raramente corresponde a um problema. Contudo, alguns casos correspondem a desordens endócrinas e tumores. Em caso de suspeita dessas situações, a criança deve ser referenciada para um atendimento especializado.

Quadro 2. Classificação do estado nutricional de crianças de 5 a 10 anos para cada índice

antropométrico, segundo recomendações do SISVAN, do Ministério da Saúde, Brasil.

VALORES CRÍTICOS

ÍNDICES ANTROPOMÉTRICOS PARA CRIANÇAS DE 5 A 10 ANOS Peso-para-idade IMC-para-idade Estatura-para-idade < Percentil 0,1 < Escore-z -3 Muito baixo peso para a idade Magreza acentuada

Muito baixa estatura para a idade ≥ Percentil 0,1 e <Percentil 3 ≥ Escore-z -3 e < Escore-z -2 Baixo peso

para a idade Magreza Baixa estatura para a idade ≥ Percentil 3 e

<Percentil 15

≥ Escore- z -2 e

< Escore-z -1 Eutrofia

Estatura adequada para a idade² > Percentil 15 e

< Percentil 85

≥ Escore- z -1 e ≤ Escore-z +1 ≥ Percentil 85 e

≤ Percentil 97 e ≤ Escore-z +2 > Escore- z +1 Sobrepeso Obesidade > Percentil 97 e

≤ Percentil 99,9 e ≤ Escore-z +3 > Escore- z +2 > Percentil 99,9 > Escore-z +3

Peso elevado

para a idade¹ Obesidade Grave Fonte: Adaptado de: (OMS, 2006)

1. Uma criança com a classificação de peso elevado para a idade pode ter problemas de crescimento, mas o melhor índice para essa avaliação é o IMC-para-idade.

Peso adequado para idade

(20)

2. Uma criança classificada com estatura para idade acima do percentil 99,9 (Escore-z +3) é muito alta, mas raramente corresponde a um problema. Contudo, alguns casos correspondem a desordens endócrinas e tumores. Em caso de suspeitas dessas situações, a criança deve ser referenciada para um atendimento especializado.

Quadro 3 - Classificação do estado nutricional de adolescentes para cada índice

antropométrico, segundo recomendações do SISVAN, do Ministério da Saúde, Brasil

VALORES CRÍTICOS ÍNDICES ANTROPOMÉTRICOS

IMC-para-idade Estatura-para-idade

< Percentil 0,1 < Escore-z -3 Magreza

acentuada1 Muito baixa estatura para a idade ≥ Percentil 0,1 e

<Percentil 3

≥ Escore-z -3 e <

Escore-z -2 Magreza Baixa estatura para a idade ≥ Percentil 3 e

<Percentil 15

≥ Escore- z -2 e <

Escore-z -1 Eutrofia

Estatura adequada para a idade² ≥Percentil 15 e ≤ Percentil 85 ≥ Escore- z -1 e ≤ Escore-z +1 > Percentil 85 e ≤ Percentil 97 > Escore- z +1 e ≤ Escore-z +2 Sobrepeso Obesidade > Percentil 97 e ≤ Percentil 99,9 > Escore- z +2 e ≤ Escore-z +3

> Percentil 99,9 > Escore-z +3 Obesidade Grave Fonte: Adaptado de (OMS, 2006)

1 Um adolescente classificado com IMC-para-idade abaixo do percentil 0,1 (Escore-z -3) é muito magro. Em populações saudáveis, encontra-se 1 adolescente nessa situação para cada 1000. Contudo, alguns casos correspondem a transtornos alimentares. Em caso de suspeita dessas situações, o adolescente deve ser referenciado para um atendimento especializado. 2 Um adolescente classificado com estatura-para-idade acima do percentil 99,9 (Escore-z +3) é muito alto, mas raramente corresponde a um problema. Contudo, alguns casos correspondem a desordens endócrinas e tumores. Em caso de suspeitas dessas situações, o adolescente deve ser referenciado para um atendimento especializado.

4.3 VARIÁVEIS DO ESTUDO

Este estudo foi composto por variáveis sociodemográficas e antropométricas. As variáveis sociodemográficas foram: gênero, idade e escolaridade e as variáveis antropométricas foram o peso e a estatura.

4.4 PROCESSAMENTO DOS DADOS E ANÁLISE ESTATÍSTICA

Após a entrega das fichas antropométricas pela Secretaria Municipal de Saúde, para validação e detecção de inconsistências os dados foram submetidos à dupla digitação no

(21)

formulário eletrônico do Google Forms e foram gerados em planilhas do programa Microsoft Excel 2010.

Para a classificação do perfil antropométrico das crianças com até 5 anos foi utilizado o programa WHO Anthro e para as crianças maiores de 5 anos e os adolescentes foi utilizado o programa WHO Anthro Plus.

As análises estatísticas foram realizadas no Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 17.0, no qual foram calculadas as medidas de frequências e as medidas de associação (razão de prevalência). Adotou-se intervalo de confiança de 95% e grau de liberdade = 1.

4.5 ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA

Trata-se de um estudo realizado com dados secundários, portanto não necessitou de apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos.

(22)

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Neste estudo foi investigado o perfil nutricional de 4308 crianças e adolescentes, sendo 2269 (52,7%) do sexo masculino e 2040 (47,3%) do sexo feminino. Em relação à idade da população estudada, 8,8% tinham menos que 5 anos, 63,8% tinham entre 5 e 9 anos e 27,4% tinham entre 10 e 17 anos. Quanto à escolaridade, a maior proporção (16,3%) estava cursando o 3º ano do ensino fundamental (Tabela 1).

Tabela 1. Características demográficas das crianças e adolescentes de escolas municipais da

região norte, Cuiabá – MT, 2014.

Variável N % Sexo Masculino 2269 52,7 Feminino 2040 47,3 Total 4309 100,0 Idade (anos) <5 378 8,8 ≥5 <10 2748 63,8 10-17 1183 27,4 Total 4309 100,0 Escolaridade Jardim I 394 9,1 Jardim II 524 12,2 1º Ano 643 14,9 2º Ano 577 13,4 3º Ano 704 16,3 4º Ano 390 9,1 5º Ano 382 8,9 6º Ano 347 8,1 7º Ano 131 3,0 8º Ano 131 3,0 9º Ano 86 2,0 Total 4309 100,0

Inicialmente serão apresentados os resultados relativos ao perfil antropométrico de crianças menores de 5 anos, tendo por base os índices antropométricos peso para estatura, peso para idade, estatura para idade e IMC para idade (Tabela 2).

(23)

Tabela 2. Perfil Antropométrico das crianças menores de 5 anos de idade da região norte,

segundo os índices antropométricos peso/estatura, peso/idade, estatura/idade e IMC/idade, Cuiabá – MT, 2014. Índices Antropométricos N % Peso/Estatura Magreza 5 1,3 Eutrofia 299 79,1 Risco de Sobrepeso 56 14,8 Sobrepeso 11 2,9 Obesidade 7 1,9 Total 378 100,0 Peso/Idade

Baixo peso para idade 7 1,9

Peso adequado para idade 357 94,4

Peso elevado para idade 14 3,7

Total 378 100,0

Estatura/Idade

Baixa estatura para idade 17 4,5

Estatura adequada para idade 361 95,5

Total 378 100,0 IMC/Idade Magreza 6 1,6 Eutrofia 296 78,3 Risco de Sobrepeso 57 15,1 Sobrepeso 10 2,6 Obesidade 9 2,4 Total 378 100,0

De acordo com a tabela 2, verifica-se que segundo o indicador peso para estatura, a maioria das crianças com idade <5 anos estava eutróficas (79,1%), porém 14,8% apresentaram risco de sobrepeso, 2,9% sobrepeso e 1,9% obesidade. Quando utilizado o índice IMC para idade foi observado valores de prevalência próximos aos anteriores, 78,3% eutróficas, 15,1% em risco de sobrepeso, 2,6% com sobrepeso e 2,4% com obesidade.

BARRETO et al. (2007) analisaram 3721 crianças com idade entre 2 e 6 anos da cidade de Natal e utilizaram como índice antropométrico o IMC/idade. A prevalência de risco de sobrepeso encontrada foi menor que a deste estudo (14,1%), porém em relação ao sobrepeso o estudo citado encontrou uma prevalência maior (12,4%).

(24)

frequentavam escolas públicas municipais da cidade de Cosmópolis (SP), também encontrou uma prevalência de sobrepeso maior do que a deste estudo (5,7%), para avaliação nutricional foi utilizado o índice peso/estatura.

Quanto ao extremo antropométrico, magreza, o resultado encontrado neste estudo quando utilizado o índice peso/estatura foi de 1,3%. Este resultado foi superior ao observado por BARBOSA (2005) em crianças de 4 a 6 anos de idade da Escola Municipal São Judas Tadeu na cidade de Uberaba, Minas Gerais, em que a prevalência de magreza foi 0,5%.

No Brasil, inquéritos nacionais realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como o Inquérito do Estudo Nacional de Despesa Familiar (ENDEF) (1975) e a Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN) (1989), demonstraram reduções significativas de desnutrição em crianças menores de cinco anos. Em 1975, a prevalência de desnutrição atingiu 18,4% das crianças do país, já em 1989, a prevalência foi de 7,1%, ou seja, houve uma redução de 11,3% em 14 anos. Os resultados demonstraram que a prevalência de risco de sobrepeso, sobrepeso e obesidade de pré-escolares são maiores que a de desnutrição, sendo essa uma característica da transição nutricional vivenciada nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Os estudos tem encontrado índices cada vez maiores para a prevalência de sobrepeso e obesidade. A OMS estima que 43 milhões de crianças menores de 5 anos estejam com sobrepeso ou obesidade em todo o mundo, sendo 35 milhões em países em desenvolvimento (WHO, 2015). De acordo com dados do National Center for Health Statistics (NCHS), uma em cada cinco crianças norte-americanas está com excesso de peso. Nos Estados Unidos (EUA), 20,6% das crianças com idade entre 2 a 5 anos foram avaliadas com excesso de peso, sendo 10,4% de sobrepeso propriamente (MARTINS et al., 2010).

O peso para idade é influenciado tanto pela estatura quanto pelo peso do indivíduo. A variação do peso, com relação à idade reflete deterioração ou melhora do estado de saúde mais rapidamente do que da altura para idade (WHO, 1995). Na tabela 2 é possível observar que 4,5% das crianças menores de 5 anos apresentaram déficit de altura para idade, 1,9% estavam com baixo peso para idade e 3,7% com peso elevado para idade.

Em relação ao déficit de altura para idade, a Pesquisa Nacional de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009 constatou que a maior prevalência de déficit de altura para idade foi encontrada na Região Norte (8,5%), seguida das Regiões Centro-Oeste (6,1%), Sudeste (6,1%) e Sul (3,9%). Ressalta-se que na Região Centro-Oeste, na qual a cidade de Cuiabá está localizada, a prevalência de déficit de altura encontrada nesse estudo (2,9%) foi menor que a da POF.

(25)

De acordo com NASCIMENTO et al. (2010), que realizaram um estudo analítico com comparação dos dados de crescimento de crianças de 3 a 6 anos de idade completos, matriculados em creches municipais da cidade de Taubaté nos anos de 1997 e 2007, as crianças analisadas em 2007 tiveram um aumento de estatura, alcançando uma média 1,4cm maior do que as de 1997. O aumento em estatura da população é atribuído a melhorias nas condições sanitárias, econômicas e sociais; o meio ambiente tem importante contribuição, atuando no aumento da disponibilidade de alimentos e possibilitando um maior acesso aos serviços essenciais (NASCIMENTO et al., 2010).

Esses resultados confirmam a progressiva queda da desnutrição no país, sendo este fato evidenciado também no município de Cuiabá. GUIMARÃES (2001) avaliou o estado nutricional de escolares da rede de ensino pública e privada da área urbana de Cuiabá-MT e verificou baixas prevalências de déficit nutricional grave (2,9%).

A prevalência de excesso de peso das crianças com menos de 5 anos de idade do sexo feminino foi de 78,1% e do sexo masculino foi de 81,5%, sendo que a prevalência nos meninos foi 1,04 vezes em relação as meninas. Porém verificou-se que não existe evidência de associação significativa entre excesso de peso e sexo das crianças (IC95% 0,94-1,16) (Tabela 3).

A prevalência de excesso de peso (sobrepeso e obesidade) no estudo de MATOS (2013), realizado em 24 creches públicas do município de Taubaté, também foi maior nos meninos, em três das regiões estudadas, sendo elas as regiões 1, 2 e 5. Na região 1 a prevalência de excesso de peso para as meninas foi de 9,5% e de 10,4% para os meninos, na região 2 6,6% das meninas e 10% dos meninos foram classificados com excesso de peso e na região 5 encontrou-se 14,3% das crianças do sexo masculino com excesso de peso e 5,1% do sexo feminino.

MÜLLER et al. (2014) estudaram 6397 crianças de 0 a 59 meses residentes em domicílios particulares nas zonas urbanas de 100 municípios de pequeno, médio e grande porte das 5 regiões geopolíticas do Brasil. Verificaram que a prevalência de excesso de peso foi maior no sexo masculino (12,8%) do que no sexo feminino (10,5), na análise bruta o desfecho foi 25% maior no sexo masculino.

(26)

Tabela 3. Prevalência, razão de prevalência (RP) e intervalo de confiança (IC) de excesso de

peso das crianças menores de 5 anos de idade da região norte, segundo a variável sexo e o índice antropométrico IMC para idade, Cuiabá – MT, 2014.

RP (IC95%) Com excesso de peso Sem excesso de peso Feminino 78,1 21,9 1,00 Masculino 81,5 18,5 1,04 (0,94 – 1,16)

Em relação ao perfil nutricional das crianças em idade escolar (entre 5 e 9 anos), foram utilizados três indicadores antropométricos, peso para idade, estatura para idade e IMC para idade.

Tabela 4. Perfil Antropométrico das crianças com idade entre 5 e 9 anos da região norte,

segundo os índices antropométricos peso/idade, estatura/idade e IMC/idade, Cuiabá – MT, 2014.

Índices Antropométricos N % Peso/Idade

Baixo peso para idade 52 1,9

Peso adequado para idade 2481 90,3

Peso elevado para idade 215 7,8

Total 2748 100,0

Estatura/Idade

Baixa estatura para idade 49 1,8

Estatura adequada para idade 2699 98,2

Total 2748 100,0 IMC/Idade Magreza 68 2,5 Eutrofia 2108 76,7 Sobrepeso 343 12,5 Obesidade 229 8,3 Total 2748 100,0

A tabela 4 apresenta a avaliação do perfil antropométrico das crianças em fase escolar, segundo os índices peso para idade e estatura para idade. Verifica-se na tabela que a maioria das crianças encontrava-se eutrófica, pois 90,3% apresentaram peso adequado para idade e 98,2% não apresentaram déficit de crescimento. Observa-se também que entre essas crianças 7,8% estavam com peso elevado para idade. Esse percentual é confirmado quando utilizado o

(27)

IMC para idade, no qual a prevalência de sobrepeso foi de 12,5% e de obesidade 8,3 %. BERGAMASCHI e ADAMI (2015) realizaram um estudo com 498 escolares com idades entre 4 meses e 19 anos. As informações utilizadas foram procedentes da base de dados secundários por meio do Sisvan-Web. Quando empregado o índice peso para idade para a classificação do perfil nutricional de crianças maiores de 5 anos e menores de 10 anos, verificou-se que 85,6% apresentaram peso adequado para idade, prevalência menor do que a deste estudo, já a prevalência de peso elevado para idade foi maior (13,3%).

No que se refere à prevalência de sobrepeso e obesidade por meio do índice IMC/I encontrada neste estudo, CARVALHO et al. (2014) que analisaram 968 crianças, da Cidade de Carinhanha, Bahia, com idade entre 6 a 9 anos, encontraram valores inferiores, sendo eles 7,4% de sobrepeso e 5,8% de obesidade. Já BERGAMASCHI e ADAMI (2015) identificaram prevalência superior para sobrepeso (27,8%) e inferior para obesidade (7,2%).

De acordo com dados da POF (2008-2009), na faixa etária compreendida entre 5 e 9 anos foram encontrados 33,5% de sobrepeso e 14,3% de obesidade, resultados superiores ao do presente estudo (IBGE, 2010).

Esse elevado índice de sobrepeso e obesidade pode ser justificado devido ao processo de repleção energética que antecede o estirão pubertário, pois até os 10 anos as crianças preparam-se para um crescimento futuro, portanto podem apresentar um desvio para cima na curva normal de peso (DELWING et al., 2010). Entretanto, quando ocorre a progressão do aumento de peso conforme o aumento da idade, torna-se relevante, pois indivíduos obesos na infância apresentam elevado risco de permanecerem obesos na adolescência e na fase adult a (ARAÚJO et al., 2007; RAMIRES et al., 2014).

A baixa prevalência de déficit estatural encontrado nesse estudo (1,8%) foi também verificado por BERGAMASCHI e ADAMI (2015) que encontraram praticamente a mesma prevalência (1,81%). CARVALHO et al. (2014), verificaram que apenas 6 crianças (2,7%) encontravam-se com baixa estatura. Resultados inferiores foram encontrados por BRITO et al. (2013) que analisaram 458 escolares de Uberaba (MG) com idades entre 6 e 10 anos e verificaram a prevalência de baixa estatura para idade de 0,8%.

O déficit estatural vem apresentando redução na população infantil brasileira, o ENDEF realizada nos anos de 1974-1975 verificou uma prevalência de 28% de baixa estatura para idade, enquanto na POF de 2008-2009 essa prevalência caiu para 6,8%.

(28)

Tabela 5. Prevalência, razão de prevalência (RP) e intervalo de confiança (IC) de excesso de

peso das crianças com idade entre 5 e 9 anos da região norte, segundo a variável sexo e o índice antropométrico IMC para idade, Cuiabá – MT, 2014.

RP (IC95%) Com excesso de peso Sem excesso de peso Feminino 77,1 22,9 1,00 Masculino 81,1 18,9 1,05 (1,01 – 1,09)

A prevalência de excesso de peso quando utilizado o índice IMC para idade foi maior para o sexo masculino (81,1%) e foi de 1,05 vezes em relação ao sexo feminino, porém não apresentou associação significativa entre o indicador IMC para idade e sexo (IC95% 1,01 – 1,09) (Tabela 5).

Assim como no presente estudo, SOUZA et al. (2014) avaliaram 1187 alunos de escolas públicas da rede de ensino fundamental, na faixa etária de 6 a 14 anos de idade, residentes no município de Divinópolis (MG) e também constataram maior prevalência de excesso de peso no sexo masculino, 24,8% dos meninos encontravam-se com excesso de peso e 24,1% das meninas.

Resultado inverso foi encontrado por AZAMBUJA et al. (2013) que estudaram 939 alunos com idade entre 6 e 10 anos de escolas municipais do município de Cruzeiro do Oeste no estado do Paraná e verificaram maior tendência do gênero feminino referente ao excesso de peso, ou seja, as meninas apresentaram maior prevalência de excesso de peso (27%) do que os meninos (21,7%).

KRINSKI et al. (2011), que avaliaram 5883 escolares, sendo 2765 crianças e 3118 adolescentes, encontraram maior prevalência de excesso de peso para o sexo feminino (19,7%) do que para o sexo masculino (17,9%) e foi demonstrado associação significativa do estado nutricional com o gênero (p<0,01).

Segundo MALINA e BOUCHARD (2002) o fato dos meninos praticarem mais atividades de elevado gasto calórico, como por exemplo, as atividades de jogar bola, correr e saltar, pode ser uma explicação para o fato de apresentarem menor prevalência de excesso de peso. Já a maior prevalência de excesso de peso nas meninas, pode ser explicada devido a antecipação da maturação sexual, que acontece um ano mais cedo do que nos meninos.

No que se refere ao perfil nutricional dos adolescentes estudados, foram utilizados os índices estatura para idade e IMC para idade. Quanto ao índice estatura para idade foi

Prevalência (%) Sexo

(29)

observado que 97,6% dos adolescentes apresentaram estatura adequada para idade e 2,4% apresentaram déficit de crescimento (Tabela 6).

Tabela 6. Perfil Antropométrico dos adolescentes da região norte, segundo o índice

antropométrico estatura para idade e IMC para idade, Cuiabá – MT, 2014.

Índices Antropométricos N % Estatura/Idade

Baixa estatura para idade 28 2,4

Estatura adequada para idade 1155 97,6

Total 1183 100,0 IMC/Idade Magreza 48 4,1 Eutrofia 833 70,4 Sobrepeso 198 16,7 Obesidade 104 8,8 Total 1183 100

Assim como nesta pesquisa, os dados do Relatório do Estado Nutricional dos indivíduos, do ano de 2014, disponível no SISVAN demonstraram que a maioria (90,9%) dos adolescentes do município de Cuiabá apresentaram estatura adequada para idade e 9,10% apresentaram déficit estatural, ou seja, a prevalência de déficit de crescimento foi maior do que a encontrada no atual estudo (BRASIL, 2014).

RAMIRES et al. (2014) realizaram um estudo com 860 estudantes e também verificaram um elevado percentual de déficit estatural, 20,7% dos adolescentes com idade entre 15 e 19 anos apresentaram baixo crescimento para a idade.

Resultado mais próximo ao encontrado neste estudo foi verificado por CARVALHO et al. (2014), que avaliaram 860 crianças e adolescentes de Maribondo, município do semiárido nordestino, mas especificamente no estado de Alagoas, e constataram que 97,3% dos adolescentes estavam com peso adequado para idade e 2,7% com baixa estatura para idade.

Quando os adolescentes foram avaliados pelo índice IMC para idade, verificou-se que 70,4% apresentaram peso adequado, 16,7% estavam com sobrepeso e 8,8% com obesidade, ao realizar a somatória dos percentuais de sobrepeso e obesidade, tem-se que 25,5% dos adolescentes estavam com excesso de peso (Tabela 6).

De acordo com o Relatório do Estado Nutricional dos indivíduos, do ano de 2014, disponibilizado pelo SISVAN, 67,4% dos adolescentes do município de Cuiabá – MT

(30)

estavam eutróficos, percentual menor do que o encontrado nesse estudo, 18,2% estavam com sobrepeso e 7,2% com obesidade (BRASIL, 2014).

Quanto à prevalência de excesso de peso segundo a variável sexo, os adolescentes do sexo masculino apresentaram maior prevalência de excesso de peso do que os do sexo feminino, 75,7% e 73,1% respectivamente, sendo que a prevalência para os meninos foi de 1,04 vezes em relação as meninas, porém não houve associação significativa entre excesso de peso e sexo (IC95% 0,97 – 1,11) (Tabela 7).

FERNANDES et al. (2009) realizaram um estudo com 1779 adolescentes da cidade de Presidente Prudente (SP), de ambos os sexos, e idade compreendida entre 11 e 17 anos e constataram que o sexo masculino apresentou maior prevalência de excesso de peso (26,7%) do que o sexo feminino (19,6%). Outro estudo que verificou maior prevalência de excesso de peso nos meninos foi o de CASTILHO et al. (2014), que avaliaram 3130 alunos de escolas públicas e particulares da cidade de Campinas (SP), no qual o sexo feminino apresentou 32,7% e o sexo masculino 37,5%.

Tabela 7. Prevalência, razão de prevalência (RP) e intervalo de confiança (IC) de excesso de

peso dos adolescentes da região norte, segundo a variável sexo e o índice antropométrico IMC para idade, Cuiabá – MT, 2014.

RP (IC95%) Com excesso de peso Sem excesso de peso Feminino 73,1 26,9 1,00 Masculino 75,7 24,3 1,04 (0,97 – 1,11)

A PeNSE realizada, em 2015, com escolares do 9º ano do ensino fundamental, constatou que 25,1% dos adolescentes com idade entre 13 e 15 anos estavam com excesso de peso. Na PeNSE de 2009 o indicador de excesso de peso foi menor (23,2%) (BRASIL, 2016).

O excesso de peso em crianças e adolescente pode estar relacionado às transformações referentes à adoção de estilo de vida observado em grandes centros. Estudos alertam que existe um elevado risco de adolescentes tornarem-se adultos obesos (LINDSAY et al., 2013; CHAGAS et al., 2013).

Além disso, na adolescência os hábitos sofrem influências de amigos e da mídia, tornando-se assim uma fase de difícil adoção de hábitos alimentares saudáveis e de práticas de atividades físicas. Tanto as crianças quanto os adolescentes estão cada vez mais expostos a

Prevalência (%) Sexo

(31)

dietas com excesso de gorduras e pobres em frutas e vegetais, havendo uma relação positiva entre horas gastas com atividades sedentárias (computador, videogame e televisão) e o desenvolvimento da obesidade (CHAGAS et al., 2013).

O Relatório de Consumo Alimentar por período, fase do ciclo da vida (de 2008 a 2014), disponibilizado pelo SISVAN, apresenta que 13% dos adolescentes do município de Cuiabá consomem alimentos não saudáveis 3 vezes por semana, entre esses alimentos estão: batata frita, batata de pacote, hambúrguer e embutidos, bolachas recheadas, salgadinhos de pacote e refrigerante (BRASIL, 2014). Portanto a elevada prevalência de sobrepeso e obesidade nessa população pode estar relacionada ao elevado consumo de alimentos não saudáveis.

No presente estudo, apesar de não haver diferenças significativas, observou-se maior tendência do gênero masculino ao excesso de peso em todas as faixas etárias para o indicador IMC/idade, condizendo com os dados da POF (2008 – 2009), que apresentou o fato dos meninos serem alvos de mais preocupação, pois ao longo do tempo a frequência de obesidade tem aumentado nesse grupo.

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6. CONCLUSÃO

 A população estudada caracteriza-se como a maioria do sexo masculino, crianças com idade entre 5 e 9 anos e cursando o 3º ano do ensino fundamental.

 Em relação ao baixo peso, as crianças menores de 5 anos apresentaram 1,3% de magreza, quando analisadas pelo índice peso/estatura, 1,6% pelo índice IMC/idade e 1,9% pelo índice peso/idade. Nas crianças com idade entre 5 e 9 anos a prevalência de baixo peso foi de 1,9% pelo índice peso/idade e 2,5% pelo IMC/idade. 4,1% dos adolescentes apresentaram magreza.

 A prevalência de sobrepeso nas crianças menores de 5 anos de idade foi de 2,9% quando utilizado o índice peso/estatura, 2,6 % pelo IMC/idade e 3,7% pelo índice peso/idade. 7,8% e 12,5% das crianças com idade entre 5 e 9 anos apresentaram sobrepeso pelos índices peso/idade e IMC/idade respectivamente. Em relação aos adolescentes, 16,7% apresentaram sobrepeso.

 A prevalência de obesidade nas crianças menores de 5 anos foi de 1,9% em relação ao peso/estatura e 2,4% pelo IMC/idade. Nas crianças da faixa etária de 5 á 9 anos a prevalência foi de 8,3% e para os adolescente foi de 8,8%.

 A prevalência de baixa estatura para idade foi de 4,5% nas crianças menores de 5 anos de idade, 1,8% nas crianças com idade entre 5 e 9 anos e 2,4% nos adolescentes.

 A prevalência de estatura adequada para idade foi de 95,5% nas crianças menores de 5 anos, 98,2% nas crianças com idade entre 5 e 9 anos e 97,6% nos adolescentes.

 No que se refere ao excesso de peso, foi verificada maior prevalência no sexo masculino em todas as faixas etárias, porém não apresentou associação significativa.

 As crianças e adolescentes obtiveram maior prevalência de sobrepeso e obesidade do que de magreza, ou seja, essa população segue a tendência de transição nutricional vivenciada no país.

 Os resultados desta pesquisa são importantes, pois proporcionam aos profissionais de saúde visualizarem o perfil antropométrico dos escolares frente à transição nutricional, possibilitando a elaboração e implantação de estratégias de promoção de saúde, voltadas ao estímulo a uma nutrição adequada para a população escolar.

 Diante disso, a escola é um espaço estratégico para a realização de práticas de educação alimentar nutricional, contribuindo para a formação de hábitos alimentares saudáveis que perpetuarão ao longo da vida desses indivíduos.

(33)

7. REFERÊNCIAS

ARAÚJO, V. C. et al. Prevalência de excesso de peso em adolescentes brasileiros: um estudo de revisão sistemática. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, Londrina, v. 12, n. 3, p. 52-60, 2007.

AZAMBUJA, A. P. O. et al. Prevalência de sobrepeso/obesidade e nível econômico de escolares. Rev Paul Pediatr, v. 31, n. 2, p. 166-71, 2013.

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