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Modelo de campo de fase para crescimento dendrítico com

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Academic year: 2018

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DEPARTAMENTO DE F´ISICA

PROGRAMA DE P ´OS-GRADUAC¸ ˜AO EM F´ISICA

FRANCISCO LEANDRO DE OLIVEIRA RODRIGUES

MODELO DE CAMPO DE FASE PARA CRESCIMENTO DENDR´ITICO

COM HETEROGENEIDADES

(2)

MODELO DE CAMPO DE FASE PARA CRESCIMENTO DENDR´ITICO COM HETEROGENEIDADES

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em F´ısica da Universidade Federal do Cear´a, como requisito parcial para a obten¸c˜ao do T´ıtulo de Doutor em F´ısica.

´

Area de Concentra¸c˜ao: F´ısica da Mat´eria Condensada.

Orientador: Prof. Dr. Murilo Pereira de Al-meida.

Coorientador: Prof. Dr. Raimundo Nogueira da Costa Filho.

(3)

Gerada automaticamente pelo módulo Catalog, mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a)

R613m Rodrigues, Francisco Leandro de Oliveira.

Modelo de campo de fase para crescimento dendrítico com heterogeneidades / Francisco Leandro de Oliveira Rodrigues. – 2017.

91 f. : il.

Tese (doutorado) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Ciências, Programa de Pós-Graduação em Física , Fortaleza, 2017.

Orientação: Prof. Dr. Murilo Pereira de Almeida.

1. Crescimento dendrítico. 2. Heterogeneidades. 3. Modelo de campo de fase. I. Título.

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MODELO DE CAMPO DE FASE PARA CRESCIMENTO DENDR´ITICO COM HETEROGENEIDADES

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em F´ısica da Universidade Federal do Cear´a, como requisito parcial para a obten¸c˜ao do T´ıtulo de Doutor em F´ısica.

´

Area de Concentra¸c˜ao: F´ısica da Mat´eria Condensada.

Aprovada em 17/08/2017.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Murilo Pereira de Almeida Universidade Federal do Cear´a (UFC)

Prof. Dr. Raimundo Nogueira da Costa Filho Universidade Federal do Cear´a (UFC)

Prof. Dr. Cl´audio Lucas Nunes de Oliveira Universidade Federal do Cear´a (UFC)

Prof. Dr. Jo˜ao Cl´adio Nunes Carvalho Instituto Federal do Cear´a (IFCE)

Prof. Dr. Luis Eduardo Araripe

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Ao professor Murilo, pela orienta¸c˜ao e total disponibilidade do seu laborat´orio.

Ao professor Raimundo, pela coorienta¸c˜ao nesses ´ultimos anos, onde me foram dadas valiosas orienta¸c˜oes para o desenvolvimento do trabalho.

Ao professor Marceliano por ter me ajudado a implementar as heterogeneida-des ao problema da pesquisa e pelo grande amigo que tem sido.

Ao professor Cl´audio Lucas, por ter me dado suas sugest˜oes para uma poss´ıvel melhora do trabalho. Ao Diego Rabelo por ter me disponibilizado o cluster do grupo GTMC e por ter me ensinado os comandos b´asicos para o uso do mesmo.

Aos colegas do curso, M´arcio Melo, Neudson, Maur´ıcio de Sousa, Valdenir, Wanessa Fa¸canha, Adriano Furtado e Cristiano, pessoas que levo como amigos, al´em do departamento de F´ısica.

Aos professores da UVA, Everasmo, Delano, Valmir, Oz´orio e M´arcio Feij˜ao.

Aos professores da UNINTA, Beto, Wictor, Raquel, C´ıntia, Ronald, Emma-noel, Diego, Francinalda e Batista, pelo constante apoio e amizade.

Aos professores do IFCE, em especial, ao professor Nunes pela receptividade e paciˆencia.

Aos meus amigos, M´ario, Lyz e M´arcio Melo, sempre dando for¸ca para alcan¸car meus objetivos e por terem me socorrido em um momento cr´ıtico.

`

A minha fam´ılia, por aturar os meus defeitos e me socorrer nos momentos de angustia. `A Jane, Maria Clara e Enzo, que al´em de agradecer, pe¸co desculpas por minha ausˆencia, seja devido ao doutorado ou por outros motivos.

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Na solidifica¸c˜ao de um metal, o avan¸co da interface se d´a de forma anisotr´opica. Esse processo ocorre quando um fluido ´e sub-resfriado abaixo do seu ponto de solidifica¸c˜ao, onde o cristal nucleado cresce sem uma dire¸c˜ao preferencial, formando padr˜oes microes-truturados. Para este tipo de fenˆomeno ´e dado o nome de crescimento dendr´ıtico. Nesse trabalho mostramos que atrav´es da inser¸c˜ao de bloqueios nos s´ıtios do dom´ınio, com espa¸camento regular e aleat´orio, essa anisotropia ´e quebrada. Ou seja, a estrutura deixa de conter sua estrutura ramificada, tendendo, cada vez mais, a uma estrutura circular. Conseguimos verificar tamb´em que a estrutura de crescimento dendr´ıtico, sem bloqueios, cresce com o tempo de acordo com uma equa¸c˜ao polinomial de segundo grau. Todavia, ao se aumentar a quantidade de bloqueios no dom´ınio, esse crescimento tende a obedecer a uma equa¸c˜ao de primeiro grau, ou seja, o per´ımetro passa a crescer linearmente com o tempo. Al´em disso, no processo de bloqueio aleat´orio a semente de solidifica¸c˜ao p´ara de crescer no tempo, caso que n˜ao ocorre no bloqueio regular.

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In the solidification of a metal, the interface advances anisotropically. This process occurs when a fluid is subcooled below its solidification point, where the nucleated crystal grows without a preferred direction, forming microstructured patterns. This type of phenomenon is called dendritic growth. In this work we show that through the insertion of blocks in the domain sites, with regular and random spacing, this anisotropy is broken. That is, the structure no longer contains its branched structure, tending more and more to a circular structure. We also verified that the dendritic growth structure, without blocks, grows over time according to a second degree polynomial equation. However, by increasing the number of blocks in the domain, this growth tends to follow a first-degree equation, ie, the perimeter starts to grow linearly with time. In addition, in the random blocking process the solidification seed stops growing in time, in which case it does not occur in regular blocking.

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Figura 1 – Reperesenta¸c˜ao esquem´atica da interpreta¸c˜ao f´ısica da vari´avel de campo de faseψ. A regi˜ao interfacial e seu movimento durante a solidifica¸c˜ao s˜ao

representados por uma onda amortecida que representa a probabilidade de encontrar um ´atomo em um local particular. (Figura adaptada da referˆencia [3].). . . 14 Figura 2 – Esquema de alguns poss´ıveis padr˜oes formados em interfaces de

mo-vimento gerados por instabilidades.A fun¸c˜ao U(x, t) representa a de-forma¸c˜ao de uma interface que sofre quebras de simetria devido a per-tuba¸c˜oes, gerando a forma¸c˜ao de padr˜oes. . . 19

Figura 3 – Efeito do termo n˜ao linear,β, na equa¸c˜ao SKS: (a) β = 1, (b) β = 0.1 e (c) β= 0.01. Observe que a amplitude do estado estacion´ario n˜ao linear (eixo vertical) cresce com a diminui¸c˜ao de β. . . 21 Figura 4 – Diagrama de estabilidade dos estados prim´arios e secund´arios da equa¸c˜ao

SKS (Referˆencia [7]). . . 22 Figura 5 – Evolu¸c˜ao temporal de um estado comNc = 54 e α= 0.24 na presen¸ca de

um ru´ıdo gaussiano com amplitude ǫ= 1.10−5

. . . 23 Figura 6 – C´elula de Hele-Shaw com ´oleo. . . 24

Figura 7 – Rede quadrada 10×10, onde os s´ıtios ocupados s˜ao representados pela cor branca e os s´ıtios vazios pela cor preta. Nessa rede um cluster perfaz um caminho de s a t. . . 30 Figura 8 – Rede unidimensional de tamanho L = 20, onde os quadrados brancos

representam os s´ıtios ocupados e os quadrados pretos representam os s´ıtios vazios. . . 31 Figura 9 – Probabilidade P∞ ∼(p−pc)

β

de um s´ıtio pertencer a um cluster perco-lante. . . 34

Figura 10 –Arranjo de ´atomos: (a) estado s´olido (b) estado l´ıquido e (c) estado gasoso. 36 Figura 11 –Curvas isob´aricas da varia¸c˜ao da energias livre de Gibbs das fases s´olida,

GS, e l´ıquida, GL, respectivamente, em fun¸c˜ao da temperatura. . . 37 Figura 12 –Curva do diagrama de fases . . . 38

(10)

Figura 17 –Par´abola de Ivantsov. . . 43 Figura 18 –Diferen¸ca entre as interfaces do (a) M´etodo de Interface Aguda e (b)

Modelo de Campo de Fase. . . 45 Figura 19 –Gr´aficos da fun¸c˜ao de po¸co duplo (a esquerda) e da fun¸c˜ao de interpola¸c˜ao

(a direita). . . 48 Figura 20 –Solidifica¸c˜ao isot´ermica de uma frente planar de um componente com

superf´ıcie de entropia isotr´opica em unidades de tempo. . . 49 Figura 21 –Solidifica¸c˜ao isot´ermica de um n´ucleo s´olido de um componente com

su-perf´ıcie de entropia isotr´opica em unidades de tempo. . . 50 Figura 22 –Simula¸c˜ao do crescimento dendr´ıtico em 2400 passos de tempo. . . 53

Figura 23 –Solidifica¸c˜ao isotr´opica com temperatura constante em 600 passos de tempo. 54 Figura 24 –Curvas de varia¸c˜ao do per´ımetro em fun¸c˜ao tempo para o processo de

solifica¸c˜ao. A figura superior mostra que a taxa de varia¸c˜ao do per´ımetro cresce de forma quadr´atica para o caso de solidifica¸c˜ao anisotr´opica

en-quanto que a figura inferior, para o caso solidifica¸c˜ao isotr´opica e isot´ermica, a a taxa de varia¸c˜ao cresce forma linear. . . 55 Figura 25 –Posi¸c˜ao do parˆametro de ordem em dado ponto do dom´ınio. . . 57 Figura 26 –Representa¸c˜ao de uma m´ascara associada ao operador ˜F . (Neste caso,

os pontos das fronteiras do dom´ınio est˜ao bloqueados.) . . . 57 Figura 27 –Representa¸c˜ao de bloqueios distribu´ıdos aleatoriamente ao longo no dom´ınio. 58 Figura 28 –Solidifica¸c˜ao dendr´ıtica com barreiras aleat´orias ao longo do dom´ınio e

em 2200 passos de tempo. . . 58

Figura 29 –Representa¸c˜ao dos pontos bloqueados (em preto) no dom´ınio. . . 58 Figura 30 –Solidifica¸c˜ao dendr´ıtica com barreiras aleat´orias ao longo do dom´ınio e

em 2100 passos de tempo. . . 58 Figura 31 –Neutraliza¸c˜ao de crescimento dendr´ıtico a partir do bloqueio do dom´ınio

com espa¸camento regular. . . 59 Figura 32 –Per´ımetro×tempo do crescimento dendr´ıtico com bloqueios. . . 60 Figura 33 –Varia¸c˜ao dos coeficientes de uma fun¸c˜ao quadr´atica com varia¸c˜ao do

espa¸camento regular entre os bloqueios. . . 61

Figura 34 –Probabilidade de bloqueio do dom´ınio. . . 62 Figura 35 –Avan¸co do crescimento dendr´ıtico com o dom´ınio bloqueado de forma

(11)

Observe que h´a uma transi¸c˜ao de perfil quadr´atico para linear entre p=

10−3

ep= 10−2

. . . 65 Figura 37 –Curvas do parˆametro parab´olico (a2) versus probabilidade de bloqueio

(p). Na figura de cima temos p variando de 0,002 `a 0.009 e na figura de baixo p variando de 0,02 `a 0.09. Observe que em ambos os casos, o

parˆametro parab´olico cai de forma abrupta, o que implica na transi¸c˜ao da taxa de crescimento do per´ımetro. . . 65 Figura 38 –Parˆametro parab´olico a2 versus probabilidade de obst´aculos p plotado

em escala log-log (a2 p−α

). Para p 0.04 o expoente α = 1.464 e

α = 0.077 para p < 0.04. . . 66 Figura 39 –´Area m´edia da estrutura dendr´ıtica em fun¸c˜ao da probabilidade de

blo-queio, p. . . 66 Figura 40 –Diagrama de fases no plano campo aplicado contra a temperatura para

(12)

1 INTRODUC¸ ˜AO . . . 13

2 FORMAC¸ ˜AO DE PADR ˜OES . . . 17

2.1 Sele¸c˜ao de Estado atrav´es da Equa¸c˜ao Estabilizada de Kura-mato Sivashinsk com Ru´ıdo . . . 18

2.2 Instabilidade de Saffman Taylor . . . 24

2.2.1 Instabilidade de Saffman Taylor em uma camada porosa . . . 25

3 PERCOLAC¸ ˜AO . . . 29

3.1 Grandezas Importantes em teoria de Percola¸c˜ao . . . 31

3.2 Probabilidade de Percola¸c˜ao em uma Rede Infinita (P∞) . . . 33

3.3 Expoentes Cr´ıticos e Universalidade . . . 34

3.4 Considera¸c˜oes . . . 35

4 SOLIDIFICAC¸ ˜AO . . . 36

4.1 Solidifica¸c˜ao Direcional . . . 39

4.1.1 Equa¸c˜oes Fundamentais . . . 40

4.2 Solidifica¸c˜ao Dendr´ıtica . . . 42

4.2.1 Par´abola de Ivantsov . . . 42

5 MODELO DE CAMPO DE FASE . . . 45

5.1 Solidifica¸c˜ao Isot´ermica de um Componente com Superf´ıcie de Entropia Isotr´opica . . . 47

5.2 Crescimento Dendr´ıtico . . . 49

5.2.1 Modelo de Ryo Kobayshi . . . 51

5.2.1.1 Simula¸c˜ao Num´erica . . . 53

5.2.1.2 Caso Isotr´opico com Temperatura Constante . . . 53

6 CRESCIMENTO DENDR´ıTICO EM UM MEIO HETEROGˆENEO 56 6.1 Constru¸c˜ao do Operador de Congelamento . . . 56

6.2 Heterogeneidade Regular do Dom´ınio . . . 57

6.3 Heterogeneidade Aleat´oria do Dom´ınio . . . 60

7 CONSIDERAC¸ ˜OES FINAIS . . . 67

APˆENDICE A -- PAR ˆAMETRO DE ORDEM . . . 68

APˆENDICE B -- MODELO DE CAMPO DE FASE PARA O PROBLEMA DE SOLIDIFICAC¸ ˜AO DIRECIONAL . . . 70

(13)

APˆENDICE D -- TRABALHOS PUBLICADOS EM EVENTOS 84

(14)

1 INTRODUC¸ ˜AO

O processo de solidifica¸c˜ao, transforma¸c˜ao de um estado l´ıquido para um estado s´olido, geralmente ´e considerado como um dos m´etodos mais importantes na fabrica¸c˜ao de materiais e com implica¸c˜oes fundamentais durante a fundi¸c˜ao de metais. Esse processo tem possibilitado o aperfei¸coamento e o desenvolvimento n˜ao somente dos produtos, mas

dos pr´oprios processos em si. Dentre esses, podemos citar a fundi¸c˜ao, a soldagem e o lingotamento cont´ınuo de a¸cos e ligas n˜ao ferrosas na industria metal´urgica, t´ecnicas de purifica¸c˜ao e de crescimento de monocristais, como o arseneto de g´alio e outros materiais utilizados em microeletrˆonica [1, 2].

´

E importante ter em mente que podemos obter as propriedades desejadas de um dado material uma vez que a solidifica¸c˜ao pode ser controlada atrav´es de um ajuste cuidadoso das grandezas envolvidas como tempo e temperatura. Por exemplo, quando se utiliza arrefecimento for¸cado versus arrefecimento livre, podemos obter os mais diferentes

resultados. Todavia, pelo motivo da solidifica¸c˜ao ser um processo de natureza ativa e dinˆamica, ocorrem diversos fenˆomenos que, se n˜ao forem devidamente compreendidos e controlados, podem comprometer a qualidade final do material. Dessa forma, quer os processos ocorram em escala laboratorial ou industrial, a tentativa de simul´a-los e

pre-ver antecipadamente o comportamento das grandezas que os influenciam apresentam dois aspectos importantes. Um deles, de car´ater pr´atico, visa otimizar a qualidade e as pro-priedades do produto final bem como reduzir os gastos gerados pelo m´etodo de tentativa e erro. O outro aspecto, de car´ater te´orico, visa compreender melhor os mecanismos

en-volvidos na transforma¸c˜ao de fases e as rela¸c˜oes entre as grandezas relevantes ao processo em quest˜ao.

Na solidifica¸c˜ao de metais e suas ligas a estrutura dendr´ıtica ´e uma carac-ter´ıstica microestrutural muito frequente. O seu crescimento n˜ao ´e somente um dos

pro-blemas mais fundamentais da solidifica¸c˜ao, mas tamb´em ´e de grande relevˆancia como precursor de fenˆomenos mais complexos de solidifica¸c˜ao (como por exemplo, segrega¸c˜ao e contra¸c˜ao), que ocorrem durante a fundi¸c˜ao de metais. Essa estrutura dendr´ıtica cresce at´e que toda a fase l´ıquida se transforme totalmente em fase s´olida. Essas propriedades

tem sido atribu´ıdas a uma complexa intera¸c˜ao entre processos de difus˜ao, curvatura da interface, anisotropia e amplifica¸c˜ao de ru´ıdos, ocorrendo em diferentes escalas dimensi-onais. O estudo desses dendritos, seu tamanho, forma e velocidade de crescimento s˜ao muito importantes industrialmente porque eles determinam a qualidade dos materiais.

(15)

carac-terizada por um conjunto de rela¸c˜oes matem´aticas que descrevem, por exemplo, a difus˜ao, o transporte das impurezas e as condi¸c˜oes de contorno da interface. Estas condi¸c˜oes s˜ao comumente expressas pelo modelo de interface acentuada, tamb´em conhecida como

pro-blema de Stefan. Todavia, s˜ao encontradas limita¸c˜oes nesse modelo tais como a de n˜ao poder descrever muitas classes de fenˆomenos, pois necessitaria de uma simula¸c˜ao num´erica extremamente dif´ıcil. O aspecto mais complicante nesse modelo ´e o de se considerar uma descontinuidade na transi¸c˜ao s´olido-l´ıquido. Para contornar esses problemas, foi

desenvol-vido o Modelo de Campo de Fase, que vem se tornando padr˜ao nos trabalhos relacionados `as Ciˆencias dos Materiais. Nesse modelo, a interface s´olido-l´ıquido ´e definida como uma espessura que pode ser determinada utilizando um parˆametro de ordem, ψ, onde a sua varia¸c˜ao significa a transi¸c˜ao entre os estados l´ıquido e s´olido. A partir da fase l´ıquida,

por exemplo, ψ = 0, h´a uma transforma¸c˜ao para o estado s´olido, o que corresponde a

ψ = 1.

Figura 1: Reperesenta¸c˜ao esquem´atica da interpreta¸c˜ao f´ısica da vari´avel de campo de fase ψ. A regi˜ao interfacial e seu movimento durante a solidifica¸c˜ao s˜ao representados por uma onda amortecida que representa a probabilidade de encontrar um ´atomo em um local particular. (Figura adaptada da referˆencia [3].).

Uma poss´ıvel interpreta¸c˜ao f´ısica deψ pode estar relacionada com a densidade atˆomica do material e esta ´e apresentada como uma oscila¸c˜ao no s´olido, cuja amplitude est´a relacionada com a localiza¸c˜ao dos ´atomos nos planos cristalogr´aficos. Na transi¸c˜ao

s´olido-l´ıquido essa amplitude ´e diminu´ıda at´e atingir um valor constante no l´ıquido, onde a estrutura cristalogr´afica ´e inexistente, por issoψ = 0 (Ver Figura 1 ). A regi˜ao interfacial e seu movimento durante a solidifica¸c˜ao s˜ao representados por uma onda amortecida que representa a probabilidade de encontrar um ´atomo em um local particular. `A esquerda da

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a ausˆencia de localiza¸c˜ao de ´atomos em locais espec´ıficos.

Forma¸c˜oes indesejadas podem ocorrer durante o processo de solidifica¸c˜ao de um material. Toda a heterogeneidade surgida na estrutura interna durante o arrefecimento ´e

chamada de defeito de solidifica¸c˜ao . Essas heterogeneidades podem ser de natureza f´ısica (poros) ou qu´ımica (segrega¸c˜ao). A presen¸ca de poros, por exemplo, pode ser causada pela presen¸ca de bolhas de gases dissolvidos por metais em estado l´ıquido e s˜ao aprisionadas dentro da pe¸ca met´alica. Ao se solidificarem, os metais l´ıquidos reduzem as condi¸c˜oes

de solubilidade do g´as, formando bolhas que podem ficar aprisionadas. A modelagem de heterogeneidades pela presen¸ca de gases ´e desenvolvida na literaturara pelo crescimento de bolhas a partir de l´ıquidos super-saturados e a partir de escoamento de fluidos em meios porosos[4, 5].

Visando ao que foi exposto, esse trabalho tem como finalidade fazer um estudo de crescimento de solidifica¸c˜ao dendr´ıtica com a presen¸ca de heterogeneidades porosas e para tal foi utilizado o Modelo de Campo de Fase. Para isso, usaremos o modelo sugerido por Ryo Kobayashi que descreve o crescimento dendr´ıtico verificado no processo de

soli-difica¸c˜ao. Baseado em seu trabalho, simulamos os crescimentos anisotr´opico e isotr´opico no processo de solidifica¸c˜ao e, ent˜ao, verificamos como se d´a a taxa de crescimento das estruturas de solidifica¸c˜ao ao longo do tempo. No caso anisotr´opico o per´ımetro da es-trutura cresce com o tempo seguindo uma equa¸c˜ao quadr´atica. J´a no caso isotr´opico o

per´ımetro da estrutura evolui no tempo de forma linear. Posteriormente a isso, ´e intro-duzido heterogeneidade ao dom´ınio atrav´es de um artif´ıcio num´erico, como ser´a discutido mais a frente. Interpretamos essas heterogeneidades como poros de g´as e das quais foram distribu´ıdas tanto de forma regular como aleat´oria ao longo do dom´ınio. Em ambos os

casos foi verificado que, conforme aumenta-se a quantidade de bloqueios (ou heterogenei-dades) ao longo do dom´ınio, a taxa de crescimento transita de um perfil quadr´atico para linear.

No Cap´ıtulo 2 fazemos um estudo quanto a forma¸c˜ao de padr˜oes, onde

dis-cutimos dois casos t´ıpicos. O primeiro caso discutido ´e a equa¸c˜ao SKS com ru´ıdo, um modelo te´orico em que discutimos a transi¸c˜ao de estado dentro da banda de Eckhaus. O segundo caso trata-se da instabilidade de Saffman-Taylor, um fenˆomeno de instabilidade ocorrido entre dois fluidos imisc´ıveis. Nesse processo discutimos em quais condi¸c˜oes s˜ao

formadas essas instabilidades e os padr˜oes formados.

Um estudo sobre percola¸c˜ao ´e discutido no Cap´ıtulo 3, onde definimos esse fenˆomeno e discutimos as grandezas relevantes. Uma grandeza caracter´ıstica do processo de percola¸c˜ao ´e o parˆametro cr´ıtico, onde relacionamos os diferentes valores para diferentes

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probabilidade de percola¸c˜ao, expoentes cr´ıticos e universalidade e expomos como essas grandezas tˆem rela¸c˜ao com as transi¸c˜oes de fase.

Como se d´a o processo de solidifica¸c˜ao ´e descrito no Cap´ıtulo 4, onde falamos

rapidamente sobre as fases da mat´eria e a sua rela¸c˜ao com o arranjo atˆomico. Falamos sobre as transi¸c˜oes de fase de primeira e segunda ordem e as suas rela¸c˜oes com a energia livre de Gibbs, entropia e calor latente. Posteriormente a isso, tratamos dos fenˆomenos de solidifica¸c˜ao direcional e solidifica¸c˜ao dendr´ıtica.

No Cap´ıtulo 5 definimos o Modelo de Campo de Fase e atrav´es do mesmo fize-mos a simula¸c˜ao de solidifica¸c˜ao isot´ermica de um componente com superf´ıcie de entropia isotr´opica para os casos de uma frente planar e de um n´ucleo s´olido. Logo ap´os, trata-mos do problema proposto por Ryo Kobayashi sobre o crescimento dendr´ıtico usando o

Modelo de Campo de Fase. Realizamos a simula¸c˜ao do caso mais geral do crescimento anisotr´opico com uma equa¸c˜ao de evolu¸c˜ao da fase acoplada com uma equa¸c˜ao de evolu¸c˜ao de temperatura. Depois, simplificamos o problema tratando o sistema como isot´ermico e isotr´opico. Para isso, dispensamos a equa¸c˜ao de evolu¸c˜ao de temperatura e fizemos a

fun¸c˜ao de anisotropia constante. Para ambos os casos obtemos as taxas de crescimento, onde verificamos que no caso anisotr´opico a taxa de crescimento segue um perfil quadr´atico e no caso isotr´opico segue um perfil linear.

No Cap´ıtulo 6 adicionamos heterogeneidades ao crescimento dendr´ıtico.

Inici-almente as heterogeneidades s˜ao adicionadas de forma regular e posteriormente s˜ao colo-cadas de forma aleat´oria. Em ambos os casos as taxas de crescimento s˜ao obtidas para an´alise, onde verificamos que o aumento dessas heterogeneidades interferem na taxa de crescimento da estrutura de solidifica¸c˜ao, transitando de um perfil quadr´atico para linear.

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2 FORMAC¸ ˜AO DE PADR ˜OES

Padr˜oes s˜ao sistemas dinˆamicos e fora do equil´ıbrio e, por isso, sujeitos a gradi-entes de campos termodinˆamicos. Esses campos interagem atrav´es de rela¸c˜oes n˜ao lineares e definem, dessa forma, um novo estado. O surgimento de novos estados dependem de mudan¸cas de um mais parˆametros de controle e, em alguns casos, no n´ıvel macrosc´opico,

impulsionam o surgimento de estruturas auto-organizadas. Efeitos importantes podem ocorrer nessas estruturas quando pequenas pertuba¸c˜oes, externas ou internas, s˜ao am-plificadas na presen¸ca de n˜ao-linearidades. Em fun¸c˜ao disso, ´e necess´ario um rigoroso controle de seus parˆametros para que se possa diferenciar a sua dinˆamica intr´ınseca das

influˆencias externas.

De forma grosseira, podemos dizer que padr˜oes consistem em sistemas de “forma sem a fˆorma”. N´os, os seres vivos, por exemplo, somos uma amostra dessa auto-organiza¸c˜ao. Somos o resultado de intera¸c˜oes microsc´opicas em um sistema com simetria

inicial esf´erica e que se reorganiza em uma estrutura ramificada e, portanto, nada seme-lhante `a forma original. Desse modo, a informa¸c˜ao sobre a forma que o ser vivo adquire durante seu desenvolvimento no ´utero (a evolu¸c˜ao do padr˜ao) est´a nas intera¸c˜oes mi-crosc´opicas das partes desse ser e entre esse ser e o meio que o cerca. Enxergar um ser

vivo como padr˜ao ´e apenas uma maneira diferente de abordar o fenˆomeno vida. Contudo, essa abordagem pode trazer novas informa¸c˜oes para a vasta cole¸c˜ao de conhecimentos que possu´ımos sobre os seres vivos. De forma mais t´ecnica, temos que os padr˜oes na natureza s˜ao estados estacion´arios de sistemas fora do equil´ıbrio. Pelo estudo da sele¸c˜ao de tais

estados estacion´arios, tamb´em estaremos estudando o fenˆomeno de forma¸c˜ao padr˜ao na presen¸ca de ru´ıdo.

Todos os sistemas reais est˜ao sujeitos a algum tipo de ru´ıdo estoc´astico, po-dendo ter consequˆencias muito interessantes. Por exemplo, um sistema evoluindo em

dire¸c˜ao ao equil´ıbrio vai, por fim, chegar at´e um estado de equil´ıbrio estacion´ario ´unico, que ´e o estado de energia livre m´ınima. Caso o sistema evolua de forma determin´ıstica, esse ficar´a preso no primeiro m´ınimo local encontrado, significando que seu estado final depende de seu estado inicial. Contudo, se o ru´ıdo estoc´astico estiver presente, o sistema

evoluir´a de forma a escapar de qualquer m´ınimo local, indo em dire¸c˜ao ao estado de menor energia livre m´ınima absoluta. Ou seja, embora possa haver v´arios estados corresponden-tes a energia livre m´ınima local, o sistema, na presen¸ca de um ru´ıdo estoc´astico, evoluir´a at´e atingir o estado de energia livre m´ınima absoluta. Essa situa¸c˜ao ´e consistente com a

(19)

Em muitos casos, o papel do ru´ıdo n˜ao ´e bem compreendido, e ,por muitas ve-zes, ignorado em sistemas fora do equil´ıbrio com a alega¸c˜ao de que ´e t˜ao pequeno que pode ser desprezado. Todavia, em alguns casos, o efeito do ru´ıdo tem sido abordado, tanto no

ˆambito experimental como te´orico, na estabilidade do estados (ou padr˜oes) estacion´arios. Dito isso, sabe-se que a evolu¸c˜ao temporal de muitos sistemas fora do equil´ıbrio pode ser descrita por uma equa¸c˜ao potencial tipo Langevin, como segue

∂ψ ∂t =−

δF(ψ)

δψ +η(r, t). (2.1)

Nessa equa¸c˜ao,η(r, t) ´e um ru´ıdo gaussiano comhη(r, t)i= 0 ehη(r, t)η(0,0)i= 2ǫδ(r)δ(t), onde ǫ ´e a amplitude do ru´ıdo. Um sistema em que a evolu¸c˜ao ser´a descrita por (2.1) ir´a atingir o estado estacion´ario m´ınimo absoluto F(t) quando t → ∞ , onde, o ru´ıdo estoc´astico nessa equa¸c˜ao ´e essencial para a sele¸c˜ao de um estado estacion´ario ´unico. Uma exigˆencia ´e que a amplitude do ru´ıdo, ǫ, n˜ao seja t˜ao grande. Al´em do mais, a

sele¸c˜ao de um estado de equil´ıbrio ´unico ocorre somente no limite termodinˆamico, quando a probabilidade de equil´ıbrio ´e ´unica.

Neste cap´ıtulo apresentamos os fenˆomenos de forma¸c˜ao de padr˜oes fora do equil´ıbrio termodinˆamico. Inicialmente, iremos investigar a estabilidade de padr˜oes

esta-cion´arios em sistemas dissipativos fora do equil´ıbrio na presen¸ca de um ru´ıdo estoc´astico, escolhendo a equa¸c˜ao Estabilizada de Kuramato Sivashinsk (ou equa¸c˜ao SKS) com um ru´ıdo gaussiano branco. Depois ser´a abordado um exemplo cl´assico de forma¸c˜ao padr˜ao, comumente encontrado na natureza, a instabilidade de Saffman-Taylor, da qual gera

padr˜oes sobre certas condi¸c˜oes de instabilidade entre dois fluidos na interface.

2.1 Sele¸c˜ao de Estado atrav´es da Equa¸c˜ao Estabilizada de Kuramato Si-vashinsk com Ru´ıdo

A forma¸c˜ao de padr˜oes estruturais se d´a devido a quebra de certas simetrias iniciais do sistema. Em um experimento de laborat´orio, isso geralmente ocorre quando

um ou v´arios parˆametros de controle s˜ao conduzidos al´em de um certo limite. Por exem-plo, gera¸c˜ao de uma instabilidade prim´aria geralmente leva ao surgimento de uma rede peri´odica est´atica, causando uma quebra de invariˆancia de transla¸c˜ao. Instabilidades se-cund´arias tamb´em podem acontecer quando os parˆametros de controle s˜ao conduzidos

al´em dos limites secund´arios. Esses novos modos, correspondendo a novas quebras de si-metria podem oferecer uma dinˆamica mais complexa com a possibilidade de evoluir al´em de estados desordenados, onde a dinˆamica espacial e/ou temporal se tornam imprevis´ıveis. Com a finalidade de tentar deixar essas ideias mais claras, a Figura (2) ilustra

(20)

dinˆamica interfacial. A fun¸c˜ao U(x, t) representa a deforma¸c˜ao de uma interface, onde o m´aximo local pode denotar a posi¸c˜ao das c´elulas, bem como a sua forma particular em torno desse m´aximo pode imitar a forma dessas c´elulas. Uma interface plana inicial

(Figura (2.a)) torna-se inst´avel sob uma pertuba¸c˜ao e adota uma solu¸c˜ao peri´odica celular de comprimento de ondaλ (ou per´ıodo espacial). Logo, ´e gerada uma quebra de simetria de transla¸c˜ao inicial (Figura (2.b)), configurando, assim, uma instabilidade prim´aria. Essa estrutura pode, por sua vez, tornar-se inst´avel atrav´es de instabilidades secund´arias

causando a quebra de outras simetrias. Por exemplo, uma duplica¸c˜ao do per´ıodo espacial pode ser observado na Figura (2.c) em que, de duas em duas c´elulas, h´a um crescimento da amplitude, ou m´aximos locais. A forma desses m´aximos locais tamb´em pode mudar, passando de um modo sim´etrico para um modo antissim´etrico, causando uma quebra da

simetria da esquerda para direita1 (Figura 2.d). Al´em disso, pode ocorrer que tal modo

possa ser localizado somente para algumas c´elulas, conforme mostra a Figura (2.e).

Figura 2: Esquema de alguns poss´ıveis padr˜oes formados em interfaces de movimento gerados por instabilidades.A fun¸c˜aoU(x, t) representa a deforma¸c˜ao de uma interface que sofre quebras de simetria devido a pertuba¸c˜oes, gerando a forma¸c˜ao de padr˜oes.

Movimentos coletivos mais ou menos complexos surgem a partir dessas que-bras de simetria. Por exemplo, a duplica¸c˜ao espacial do per´ıodo pode estar associada a oscila¸c˜oes temporais de c´elulas fora de fase com os vizinhos mais pr´oximos, enquanto que

os modos que quebram a simetria por reflex˜ao est˜ao associados a movimentos de deslo-camento. A combina¸c˜ao desses movimentos podem levar a desordem espa¸co-temporal em um est´agio mais avan¸cado. Assim, h´a uma estreita rela¸c˜ao entre a forma local da interface e a dinˆamica de como a onda se desenvolve. Esta ´e a raz˜ao pela qual pensamos que estes

sistemas s˜ao particularmente adaptados para uma forma¸c˜ao de padr˜ao, ou seja, a cada passo no plano da interface b´asica h´a um direcionamento de modo a formar uma interface

(21)

cada vez mais complexa. Essa dinˆamica pode ser identificada frequentemente como uma quebra de simetria.

A equa¸c˜ao Estabilizada de Kuramato Sivashinsk (ou equa¸c˜ao SKS) ´e uma

equa¸c˜ao determin´ıstica com ingredientes essenciais de n˜ao linearidade, contendo uma banda de estados peri´odicos est´aveis, a banda de Eckhaus, e ´e uma das equa¸c˜oes n˜ao line-ares que tem uma maior variedade de instabilidades secund´arias e at´e mesmo terci´arias. Ao se escolher a banda est´avel de Eckhaus, a equa¸c˜ao SKS adicionada de um ru´ıdo

gaus-siano branco ´e colapsada para uma regi˜ao estreita, pr´oxima do centro da banda. Ent˜ao, utilizando essa equa¸c˜ao, nessa se¸c˜ao temos como objetivo estudar padr˜oes estacion´arios em sistemas dissipativos fora do equil´ıbrio na presen¸ca de um ru´ıdo estoc´astico. Em sua forma determin´ıstica, essa equa¸c˜ao ´e dada por,

∂u

∂t =−αu− ∇ 2u

− ∇4u+ (u)2, (2.2)

ondeu(x, t) ´e uma fun¸c˜ao escalar que descreve o perfil de interface de um sistema2, onde

o parˆametro de controle,α, ´e um mecanismo de estabilidade. De acordo com [6], os modos s˜ao linearmente est´aveis para α >1/4 e linearmente inst´aveis para α <1/4.

O termo n˜ao linear age como uma for¸ca restauradora que elimina a instabili-dade e atrav´es da superposi¸c˜ao de v´arios estados inst´aveis forma um estado estacion´ario n˜ao linear. Para verificarmos o efeito do termo n˜ao linear, (u)2, vamos reescrever a

equa¸c˜ao 2.2, colocando um fator multiplicativo,β, tal que

∂u

∂t =−αu− ∇

2u− ∇4u+β(u)2. (2.3)

A Figura (3) mostra as solu¸c˜oes num´ericas para diferentes valores de β. Conforme po-demos observar, a amplitude do estado estacion´ario n˜ao linear cresce com a diminui¸c˜ao desse β, como era de se esperar.

O diagrama de estabilidade dessa equa¸c˜ao ´e mostrada na Figura (4),onde a

linha cheia ´e uma curva neutra do modo do n´umero de onda, k. Abaixo dessa curva a solu¸c˜ao trivial (ou seja, u = 0) ´e inst´avel e cont´em as diferentes regi˜oes (ou dom´ınios) de instabilidade secund´aria. Temos, por exemplo, que as c´elulas est´aticas se encontram na regi˜ao situada entre c´ırculos abertos; as c´elulas oscilantes entre os c´ırculos fechados;

as c´elulas flutuantes entre os quadrados abertos e as c´elulas flutuantes e oscilantes nos quadrados fechados. Vamos verificar o efeito do ru´ıdo somente nas regi˜oes das c´elulas est´aticas, regi˜ao da banda est´avel de Eckhaus. Todos os estados dentro dessa banda s˜ao est´aveis diante de pequenas pertuba¸c˜oes, enquanto que aqueles estados fora desta banda

2Uma an´alise de estabilidade linear da equa¸c˜ao (2) em termos da solu¸c˜ao trivialu= 0 comδu

∼eλt+ikx

d´a a rela¸c˜ao de dispers˜aoλ=−α+k2

(22)

0 500 1000 Posição da rede i

-0,4 0 0,4

ui

(a)

0 500 1000

Posição da rede i -4

0 4

ui

(b)

0 500 1000

Posição da rede i -40

0 40

ui

(c)

Figura 3: Efeito do termo n˜ao linear, β, na equa¸c˜ao SKS: (a) β = 1, (b) β = 0.1 e (c)

β= 0.01. Observe que a amplitude do estado estacion´ario n˜ao linear (eixo vertical) cresce com a diminui¸c˜ao deβ.

s˜ao inst´aveis diante de pertuba¸c˜oes com grandes comprimentos de onda e decaem para dentro dessa banda, mas dependendo da forma exata da pertuba¸c˜ao.

Uma vez que qualquer sistema real ´e sujeito a uma variedade de pertuba¸c˜oes externas e internas, que vai desde flutua¸c˜oes t´ermicas `a vibra¸c˜oes geradas por uma porta

batida, ´e de interesse estudar as consequˆencias do ru´ıdo randˆomico nesses estados esta-cion´arios est´aveis. A melhor maneira de representar tais efeitos ´e atrav´es da adi¸c˜ao de um ru´ıdo gaussiano na equa¸c˜ao de evolu¸c˜ao determin´ıstica. Com isso, adicionando um ru´ıdo Gaussiano, ´e poss´ıvel estudar numericamente os efeitos dos estados estacion´arios celulares

da equa¸c˜ao SKS. Logo, a equa¸c˜ao de Langevin associada a Equa¸c˜ao (2.2) ´e dada por,

∂u

∂t =−αu− ∇ 2u

− ∇4u+ (u)2+η(x, t). (2.4)

ondehη(x, t)i= 0 ehη(x, t)η′

(x, t)i= 2ǫδ(xx′

)δ(tt′

). No contexto de crescimento irre-gular e instabilidades morfol´ogicas, essa equa¸c˜ao tem sido estudada em v´arios processos,

como o processo de eletrodeposi¸c˜ao [8, 9, 10] e da evolu¸c˜ao de uma superf´ıcie submetida a pulveriza¸c˜ao iˆonica [11, 12].

(23)

Figura 4: Diagrama de estabilidade dos estados prim´arios e secund´arios da equa¸c˜ao SKS (Referˆencia [7]).

diferen¸cas finitas com condi¸c˜oes de contorno peri´odicas. Discretizando (2.4), definimos

uji =u(xi, tj) com xi =i∆x e tj =j∆t, onde ∆x e ∆t s˜ao os respectivos passo espacial e temporal. A grade espacial de N pontos ´e classificada pelo sub´ındice 1 i N e o

n´umero de passos, M, no tempo ´e dado pelo sub´ındice 1j M. Impomos as condi¸c˜oes de contorno peri´odicas uji+N =uji e uma vez que n´os temos um valor inicial e uma deri-vada temporal de primeira ordem, especificandou(x, t = 0), completamos a defini¸c˜ao do problema. A equa¸c˜ao discretizada de Ito-Langevin correspondente a (2.4) ´e dada por [13]

uij+1 = uji + ∆tFij[u] +q2ǫ∆t

∆x η j i

Fij[u] = αuij (∆1x)2(u

j

i+1−2u

j i +u

j i−1)

−(∆1x)4(u

j

i+2−4u

j

i+1+ 6u

j i −4u

j i−1+u

j i−2)

+4(∆1x)2(u

j i+1−u

j i−1)

2,

(2.5)

ondeηij ´e um ru´ıdo gaussiano branco de variˆancia unit´aria comηij= 0 eηijηl

k

=δikδjl.

No sistema discreto, os n´umeros de onda adicionados s˜ao dados por k = 2πNc/Lx, onde Nc ´e um n´umero inteiro correspondente ao n´umero de c´elulas no padr˜ao e

(24)

t= 6×106∆t

0 500 1000

Posição da rede i -0,4 0 0,4 ui 55 Nc 0 150

Espectro de Potência

t= 3×106t

0 500 1000

Posição da rede i -0,4 0 0,4 ui 55 Nc 0 150

Espectro de Potência

t= ∆t

0 500 1000

Posição da rede i -0,4 0 0,4 ui 54 Nc 0 150

Espectro de Potência

Figura 5: Evolu¸c˜ao temporal de um estado com Nc = 54 e α = 0.24 na presen¸ca de um ru´ıdo gaussiano com amplitude ǫ= 1.10−5

.

α= 0.24 3 na presen¸ca de um ru´ıdo gaussiano com amplitude ǫ= 1.105

. Como se pode verificar na Figura (5), o estado passou deNc = 54 para Nc = 55.

Para diversos outros casos, como se pode verificar em [6], a banda Eckhaus de estados est´aveis espa¸cados periodicamente encolhe na presen¸ca do ru´ıdo. E mesmo que se espere que a banda est´avel se encolha de forma a tender para um dado ponto, nas simula¸c˜oes observa-se, na verdade, que ela s´o pode encolher em uma faixa estreita

na maioria dos casos. Al´em disso, existe uma limita¸c˜ao em se obter faixas mais estreitas para a obten¸c˜ao de uma regi˜ao de um ´unico estado. Isso ´e devido as limita¸c˜oes, tanto pelo grande tempo computacional exigido como pela ausˆencia de uma defini¸c˜ao adequada do valor da amplitude do ru´ıdo. Assim, o estudo fica limitado a uma amplitude de ru´ıdo ao

qual se pode observar claramente um padr˜ao peri´odico. E quanto mais distante das fron-teiras da banda de Eckhaus o n´umero de onda fundamental,q, for escolhido, mais est´avel ele ser´a. Assim, ´e necess´ario uma maior amplitude de ru´ıdo, ǫ, ou, equivalentemente, um maior tempo de simula¸c˜ao para destruir o estado e construir outro mais pr´oximo do

centro da banda. Outro parˆametro que influencia a estabilidade do sistema ´e o parˆametro

α. Quanto se decrescente o valor de α, dentro da banda est´avel de Eckhaus, o estado

3Para α= 0.24 a banda de Eckhaus em rela¸c˜ao ao n´umero de onda est´avel se encontra no intervalo

(25)

torna-se cada vez mais est´avel.

A equa¸c˜ao SKS ´e umas das equa¸c˜oes mais simples para descrever sistemas dissipativos e ´e ´util para descrever a solidifica¸c˜ao direcional4, por exemplo. Nesse processo

de solidifica¸c˜ao existe um estado estacion´ario simples em que a frente de solidifica¸c˜ao ´e plana e avan¸ca no material fundido a uma velocidade constante. Pela varia¸c˜ao de um parˆametro de controle, alcan¸ca-se um regime em que esse estado ´e linearmente inst´avel contra todas as pertuba¸c˜oes com n´umeros de onda em um dado intervalo. Nesse regime,

a frente se estabelece em uma forma celular espa¸cada onde h´a uma grande evidˆencia de que existe tal estado estacion´ario padronizado com cada n´umero de ondaq em um dado intervalo de instabilidade.

2.2 Instabilidade de Saffman Taylor

Quando um fluido preenche o espa¸co vazio em um meio poroso, este ´e direci-onado por press˜ao na dire¸c˜ao de outro fluido, formando uma interface entre eles. Esta interface ´e pass´ıvel de instabilidade se o fluido de condu¸c˜ao for o menos viscoso dos dois.

Caso ocorra essa instabilidade, o fluido de condu¸c˜ao avan¸ca em padr˜oes altamente rami-ficados, chamados deviscous fingering[14].

Embora j´a conhecido por engenheiros de minas, foram Saffman & Taylor (1958) que deram origem a primeira teoria e realizaram experiˆencias simuladas numa c´elula

de Hele-Shaw. Esta se trata de duas placas de vidro estreitamente espa¸cadas (Figura (6)). Sob condi¸c˜oes experimentais apropriadas na c´elula, a ´agua empurra um liquido de viscosidade mais elevada, revelando um estado similar aos dosviscous fingers[15, 16].

Figura 6: C´elula de Hele-Shaw com ´oleo.

4

(26)

2.2.1 Instabilidade de Saffman Taylor em uma camada porosa

Para verificar se uma superf´ıcie entre dois fluidos ´e est´avel ou inst´avel para pequenas varia¸c˜oes, consideraremos dois fluidos viscosos[16]. Esses s˜ao superpostos em um meio poroso e submetidos a um gradiente de press˜ao devido a a¸c˜ao da for¸ca da gravidade. Seja V a velocidade de escoamento na vertical para cima e a interface na

horizontal, ent˜ao a interface ´e est´avel para pequenas varia¸c˜oes se

(ρ2ρ1)g+V

µ2 k2 −

µ1 k1

>0, (2.6)

e inst´avel se

(ρ2ρ1)g+V

µ2 k2 −

µ1 k1

<0, (2.7)

onde o prefixo 1 refere-se ao fluido de cima (´oleo, por exemplo) e o prefixo 2 refere-se ao fluido de baixo(´agua).

Para provarmos essas equa¸c˜oes, consideramos que a posi¸c˜ao na vertical, se a

interface for est´avel, ´e dada por

y= V t

n , (2.8)

onde n´e a porosidade. Se a interface for perturbada, ent˜ao sua posi¸c˜ao ´e dada por

y = V t

n +η(x, t), (2.9)

onde η(x, t) ´e o termo perturbativo.

O movimento de um fluido em um meio poroso ´e governado pela lei de Darcy,

e afirma que a velocidade do fluido ´e dada por,

~v =k

µ∇(p+ρgh) =∇φ, (2.10)

onde h ´e o comprimento vertical sobre a horizontal e φ ´e o potencial de velocidade. A equa¸c˜ao da continuidade em um meio poroso ´e dada por,

∂ρ

∂t +∇ ·(ρ~v) = 0. (2.11)

Assumindo que os fluidos s˜ao incompress´ıveis e que o meio ´e de porosidade uniforme, essa ´e reduzida a forma,

∇ ·~v = 0. (2.12)

De acordo com a equa¸c˜ao (2.10), a equa¸c˜ao (2.12) pode ser escrita como,

(27)

ou seja, o potencial da velocidade ´e satisfeito pela equa¸c˜ao de Laplace. Dessa forma, ´e razo´avel assumir, por finalidade de an´alise matem´atica, que os dois fluidos s˜ao separa-dos por uma interface acentuada, atrav´es da qual a componente normal da velocidade ´e

cont´ınua.

Da continuidade da componente normal da velocidade, segue-se que os poten-ciais de velocidade para os fluidos de cima e de baixo em y= V t/n s˜ao iguais. Ou seja, para a primeira ordem de desvio, temos,

∂φ1

∂t |y=V t/n= ∂φ2

∂t |y=V t/n. (2.14)

De acordo com a equa¸c˜ao (2.10), as respectivas press˜oes do fluido de cima e de baixo s˜ao dadas por

p1 = µ1

k1

φ1ρ1gh (2.15a)

p2 = µ2

k2φ2−ρ2gh, (2.15b)

E pela equa¸c˜ao (2.13),temos que,

∇2φ1 = 0 para y > V t

n +η(x, t) e (2.16a)

∇2φ2 = 0 para y < V t

n +η(x, t). (2.16b)

Agora, examinaremos o fluxo b´asico uniforme, onde a interface ´e plana (ou seja, η = 0). Os potenciais s˜ao

φo1 =V y+f1(t) = k1

µ1(p

o

1 +ρ1gy), (2.17)

φo2 =V y+f2(t) = k2

µ2(p

o

2 +ρ2gy), (2.18)

onde f(t) ´e uma fun¸c˜ao arbitr´aria adicionada ao potencial, que n˜ao afeta o campo de velocidade. As press˜oes dos respectivos fluidos de cima e de baixo ficam,

po1 =

µ1V

k1 +ρ1g

y µ1f1(t)

k1 , para y >

V t

n e (2.19a)

po2 =

µ2V

k2 +ρ2g

y µ2f2(t)

k2 , para y <

V t

n . (2.19b)

A fim de que a press˜ao seja cont´ınua emy =V t/n para todot, n´os devemos ter

(28)

onde F1 eF2 s˜ao constantes e

µ1V

k1 +ρ1g

V

n −

µ1F1

k1 =−

µ2V

k2 +ρ2g

V

n −

µ2F2

k2 . (2.21)

Ent˜ao,

µ2F2

k2 −

µ1F1

k1 =−

V n µ2 k2 − µ1 k1

V + (ρ2ρ1)g

. (2.22)

Note que apenas a diferen¸ca que importa. Agora consideraremos pequenas pertuba¸c˜oes

na interface,

y = V t

n +η(x, t), (2.23)

onde,

η=aeiαx−iωt

(2.24)

´e pequeno. A solu¸c˜ao total fica

φ1 =V y+F1t+B1aeiαx−α(y−V t/n)−iωt

, para y > V t

n e (2.25a)

φ2 =V y+F2t+B2aeiαx−α(yV t/n)iωt

, para y < V t

n . (2.25b)

A condi¸c˜ao de contorno cinem´atica linearizada estabelece que a velocidade deve ser cont´ınua, ou seja,

n∂η ∂t =

∂φ1

∂t |y=V t/n = ∂φ2

∂t |y=V t/n. (2.26)

Ent˜ao,

−iωnaeiαx−iωt

=αaB1eiαx−iωt

=αaB2eiαx−iωt

, (2.27)

logo,

B1 =B2 = iωna

α . (2.28)

Agora requeremos a continuidade da press˜ao emy =V t/n+η,

−µ1k1

V η+ iωnη

α

−ρ1gη=µ2

k2

V ηiωnη α

−ρ2gη. (2.29)

Eliminandoη, temos,

iω = α

n

(ρ2−ρ1)g+V

µ2

k2 −

µ1

k1

µ2

k2 +

µ1

k1

. (2.30)

Claramente iω ´e real. E de acordo com a equa¸c˜ao (2.24), seiω >0, ou

(ρ2ρ1)g+V

µ2 k2 − µ1 k1

>0, (2.31)

(29)

taxa exponencial. E se iω <0, ou

(ρ2ρ1)g+V

µ2 k2 −

µ1 k1

<0, (2.32)

o fluxo ´e inst´avel para pequenas pertuba¸c˜oes, pois, agora, a amplitude de desvio aumenta a uma taxa exponencial.

Ent˜ao, os resultados (2.6) e (2.7) s˜ao verdadeiros para todos os tipos de per-tuba¸c˜oes. Eles tamb´em podem ser colocados como segue. Quando dois fluidos sobrepostos

(30)

3 PERCOLAC¸ ˜AO

Muitos sistemas f´ısicos, qu´ımicos, biomatem´aticos, econˆomicos, geol´ogicos, na ´area de explora¸c˜ao petrol´ıfera, entre outros s˜ao formados por um grande n´umero de ele-mentos que interagem entre si [17]. Estes sistemas possuem alta complexidade, se com-portam de forma n˜ao linear e s˜ao representados por modelos matem´aticos muitas vezes

sem solu¸c˜ao anal´ıtica sendo necess´ario, portanto, recorrer a simula¸c˜oes num´ericas para es-tudar e compreender estes sistemas. [18, 19].A teoria da percola¸c˜ao configura um modelo matem´atico que pode ser utilizado para representar esses sistemas de alta complexidade [17, 20]. ´E um ramo da teoria das probabilidades que trata das propriedades dos meios

aleat´orios, possui uma defini¸c˜ao simples em termos geom´etricos, apesar de n˜ao ter solu¸c˜ao anal´ıtica no caso geral e apresenta caracter´ısticas n˜ao triviais do ponto de vista da F´ısica, incluindo fenˆomenos cr´ıticos, fractalidade e a n˜ao linearidade [21].

A teria de percola¸c˜ao foi proposta pelos matem´aticos Broadbent e Hammersly

em 1957 para estudar a propaga¸c˜ao de fluidos em meios porosos. Considerando que o meio era constitu´ıdo de poros e de canais que os interligavam, foi suposto que os mesmos tinham disposi¸c˜ao espacial regular, na forma de uma rede, e que os poros seriam s´ıtios e os canais os elos que ligariam os s´ıtios vizinhos mais pr´oximos. Foi suposto que cada

canal estaria aberto ou fechado `a passagem de um certo fluido e que essa caracter´ıstica estaria atribu´ıda de forma aleat´oria a cada canal, independente dos demais, tendo uma probabilidade pdesse canal estar aberto e q =p1 do mesmo estar fechado.

Para termos um defini¸c˜ao mais clara sobre percola¸c˜ao, vamos considerar uma

rede finitaL×L. Cada s´ıtio da rede pode estar ocupado aleatoriamente com probabilidade 0p1 ou vazio com uma probabilidade p1. Assim, cada s´ıtio pode apresentar dois estados poss´ıveis:

• vazio, ou

• ocupado.

Dizemos que dois s´ıtios s˜ao vizinhos quando possuem um lado em comum na estrutura e ao conjunto de s´ıtios vizinhos chamamos de cluster. Na figura (7), por exemplo, temos uma rede quadrada 10×10 com um cluster de quadrados ocupados (representados pela

(31)

Figura 7: Rede quadrada 10×10, onde os s´ıtios ocupados s˜ao representados pela cor branca e os s´ıtios vazios pela cor preta. Nessa rede um cluster perfaz um caminho des a

t.

Sejapa probabilidade de um s´ıtio da rede estar ocupado ep1 a probabilidade dele estar vazio. Ent˜ao, para um p pequeno dificilmente haver´a um cluster de s´ıtios

ocupados que fa¸ca um caminho de um lado a outro da rede. Todavia, a medida que aumentamos o valor de p, clusters cada vez maiores v˜ao se formando at´e que para uma determinada concentra¸c˜ao, pc, surge um cluster que atravesse toda a rede, fazendo um caminho de um lado para outro. A esse valor cr´ıtico, pc, damos o nome de parˆametro cr´ıtico ou concentra¸c˜ao cr´ıtica. Na Tabela 1 temos valores depc para diferentes redes.

rede d pc

favo-de-mel 2 0,69604 quadrada 2 0,592746 triangular 2 1/2 diamante 3 0,430

cs 3 0,311608

ccc 3 0,2460

cfc 3 0,19924

hiperc´ubica 4 0,19689 hiperc´ubica 5 0,14080 hiperc´ubica 6 0,1090

Tabela 1: Parˆametros cr´ıticos para a percola¸c˜ao por s´ıtio e para diversas redes, incluindo as redes c´ubicas simples (cs), c´ubica de corpo centrado (ccc), e c´ubica de face centrada (cf c). Os erros nos valores num´ericos com ponto decimal s˜ao menores ou igual a 10−n

(32)

3.1 Grandezas Importantes em teoria de Percola¸c˜ao

A caracteriza¸c˜ao de um sistema percolativo ´e determinada pela distribui¸c˜ao dos tamanhos dosclusters. Essa distribui¸c˜ao ´e descrita pelo n´umero de clusters de tamanho

s. Para um melhor entendimento sobre essa e outras grandezas, vamos tratar um pouco

sobre a percola¸c˜ao em uma rede unidimensional (Figura 8).

Figura 8: Rede unidimensional de tamanhoL= 20, onde os quadrados brancos represen-tam os s´ıtios ocupados e os quadrados pretos represenrepresen-tam os s´ıtios vazios.

Considere clusters formados em uma rede unidimensional, onde cada s´ıtio pode estar ocupado com uma probabilidade p. Ent˜ao, a probabilidade de dois s´ıtios quaisquer estarem ocupados vale p2 e, seguindo essa conjectura, a probabilidade de s

s´ıtios estarem ocupados vale ps. Como a probabilidade de um s´ıtio qualquer estar vazio vale 1p, a probabilidade de um cluster de tamanho s existir vale (1p)2ps. Agora, se o sistema tem um tamanho maior que L (L > s+ 2) e desprezarmos os termos de fronteira, a probabilidade de umcluster de tamanhos existir ´eL(1p)2ps. Seja, ent˜ao,

Nsa quantidade declusters de tamanhosnessa rede unidimensional, que ´e definida como

Ns=L(1−p)2ps. Dessa forma, a quantidade de clusters de tamanhos ´e dada por

ns= (1−p)2ps. (3.1)

Temos que probabilidade de um s´ıtio qualquer pertencer aocluster de tamanhos ´e dada pelo produto nss, uma vez que ele pode estar em qualquer um dos s´ıtios do cluster. E, parap < 1 sempre haver´a pelo menos um s´ıtio vazio no limite em queL→ ∞, pois, pela

pr´opria defini¸c˜ao de probabilidade, o n´umero m´edio de s´ıtios ocupados ser´a Lp e s´ıtios vaziosL(1p). Isso implica que para qualquer valor dep <1 n˜ao haver´a umcluster que atravesse o sistema de ponta a ponta de modo quepc = 1. Desse modo, s´o h´a uma regi˜ao acess´ıvel para o caso unidimensional que corresponde ap= 1, pois n˜ao consideramos que

o valor p=pc = 1 seja uma regi˜ao.

Como a probabilidade de um s´ıtio pertencer a um cluster de tamanho s ´e dada por nss e todo s´ıtio ocupado deve pertencer a um cluster, mesmo que de tamanho unit´ario, temos que a soma das probabilidades dada pela rela¸c˜ao,

X

s

(33)

deve ser satisfeita. Esta equa¸c˜ao pode ser verificada utilizando a forma explicita obtida para ns (Equa¸c˜ao 3.1). Ou seja,

X

s

sns = (1−p)2 X

s

sps (3.3)

Temos quesps=p d/dp(ps). Assim, X

s

sns = (1−p)2

d dp

X

s

ps = (1p)2 d

dp

1 1p

=p. (3.4)

que ´e a solu¸c˜ao que procur´avamos1.

A probabilidade de escolhermos um s´ıtio ocupado pertencente a um s´ıtio ocu-pado de tamanhos ´e dada por

ps=

sns P

ssns

, (3.5)

onde utilizamos a pr´opria defini¸c˜ao de probabilidade. Assim, o tamanho m´edio docluster

´e dado por

¯

S =X

s′

sps= P

s′s2ns

P s′sns

= (1−p)

2P

s′s2ps

p . (3.6)

Observe que novamente utilizando a Equa¸c˜ao 3.1. Nos ´ındices do somat´orio utilizamoss′

em vez desindicando que estamos excluindo osclustersde tamanho infinito, se houverem, pois essesclusters fazem as somas divergirem. Refazendo os mesmos procedimentos para se chegar da 3.3 na 3.4, temos

¯

S = (1−p)

2 p d dp 2X s

ps =

1 +p

1p

. (3.7)

Podemos perceber pela Equa¸c˜ao 3.6 que ¯S diverge a medida que nos aproximamos de

pc = 1. Esse mesmo tipo de comportamento ´e observado em dimens˜oes superiores. De forma geral, podemos dizer que ¯S diverge nas proximidades do ponto cr´ıtico como

¯

S ∼ |ppc| −γ

(3.8)

onde o expoente cr´ıtico, γ, vale a unidade no caso unidimensional. Mas, de um modo geral, emboraγ assuma outros valores em outras dimens˜oes, ¯S diverge assintoticamente2

nas proximidades do ponto cr´ıtico e segue uma lei de potˆencia de acordo com 3.8.

1No terceiro termo da igualdade usamos soma da s´erie geom´etrica infinita.

2Nesse contexto, quando usamos o simbolo

∼em uma express˜ao significa que a mesma se comporta

(34)

3.2 Probabilidade de Percola¸c˜ao em uma Rede Infinita (P∞)

Em uma rede infinita devemos considerar a possibilidade da ocorrˆencia de um cluster de tamanho infinito. Dessa forma, um determinado s´ıtio pode pertencer a um cluster finito, a um cluster infinito ou estar vazio. Ent˜ao, a probabilidade total deve ser

dada pela soma da probabilidade de um s´ıtio pertencer a umcluster finito e de tamanho

s,sns, com a probabilidade de pertencer a umcluster infinito,P∞, e a probabilidade dele estar vazio, q= 1p. Matematicamente, temos

∞ X

s

sns+P∞+q= 1, (3.9)

ou ainda,

∞ X

s

sns+P∞=p. (3.10)

Incrementando o valor de p a partir de zero, o modelo passa de um estado em que h´a somente clusters finitos (P∞ = 0) para um estado em que al´em de clusters finitos h´a

tamb´em a presen¸ca de um cluster infinito (P∞ 6= 0). A presen¸ca de uma cluster infi-nito caracteriza o modelo como estando em um estado percolativo, ou seja, em que h´a percola¸c˜ao. Em termos depc, temos que

 

P∞= 0, parap < pc

P∞>0, parap > pc.

(3.11)

A grandeza P∞, denominada de probabilidade de percola¸c˜ao de uma rede infinita ´e in-terpretada como a fra¸c˜ao de s´ıtios ocupados pertencentes aocluster de tamanho infinito.

A probabilidade de percola¸c˜ao, P∞, al´em de depender da concentra¸c˜ao, p, depende da dimens˜ao da rede.

A transi¸c˜ao de um sistema n˜ao percolativo para percolativo pode ser vista como uma transi¸c˜ao de fase, onde a probabilidade P∞ ´e an´aloga ao parˆametro de ordem

e pc ´e o parˆametro cr´ıtico que separa regi˜oes de estabilidade de duas fases diferentes. Para fazer de forma mais completa essa analogia, vamos considerar a transi¸c˜ao de fase magn´etica, como segue.

Alguns materiais a baixas temperaturas encontrados na natureza exibem

(35)

segue a lei de potˆencia m(T)(Tc −T)β. Ou seja, 

 

m(T) = 0, paraT > Tc

m(T)(Tc−T)β, paraT < Tc.

(3.12)

J´a em um sistema percolativo, como ilustra a Figura (9) , se p < pc, ent˜ao P = 0 e para

0 0,2 0,4 0,6 0,8 1

p 0

1

P ∞

Figura 9: Probabilidade P∞ ∼(p−pc) β

de um s´ıtio pertencer a um cluster percolante.

p > pc, P tem um comportamento semelhante ao da magnetiza¸c˜ao, tamb´em seguindo um lei de potˆenciaP∞ ∼(pc −p)β. De forma resumida,

 

P∞ = 0, parap < pc

P∞ ∼(pc −p)β, parap > pc.

(3.13)

3.3 Expoentes Cr´ıticos e Universalidade

Da mesma forma que γ descreve o comportamento cr´ıtico de ¯S associado a transi¸c˜ao de percola¸c˜ao, o expoente cr´ıtico β descreve o comportamento cr´ıtico de P∞. Apesar de modelos diferentes de redes de percola¸c˜ao implicarem a diferentes valores para

pc, os valores dos expoentes cr´ıticos permanecem os mesmos para todas essas redes, depen-dendo somente da dimens˜ao,d. Tal fenˆomeno ´e chamado de universalidade de expoentes cr´ıticos e serve para classificar transi¸c˜oes de fase em classe de universalidade.

Outro expoente cr´ıtico pode ser obtido atrav´es do comprimento de corre¸c˜ao ε

(36)

e definirmos o caso limiteg(0) = 1. Considerando o caso unidimensional e conjecturando que o s´ıtio ocupado e localizado em r perten¸ca ao mesmo cluster do s´ıtio localizado na origem, ent˜ao todos os s´ıtios entre a origem er tamb´em devem estar ocupados, de modo

que

g(r)pr. (3.14)

Sep < 1, g(r) decai exponencialmente com r a medida que este ´ultimo vai ao infinito 3.

Temos, ent˜ao que

g(r)exp

−r ε

, (3.15)

onde

ε= 1 lnp ∼=

1

ppc

. (3.16)

Essa ´ultima condi¸c˜ao s´o ´e satisfeita se p estiver nas proximidades de pc = 1, que ´e uma condi¸c˜ao que valida a expans˜ao ln(1 x) ∼= −x. Analogamente ao observado em ¯S, vemos que ε diverge nas proximidades em que p = pc. De maneira geral, temos que o comprimento de correla¸c˜ao tem a forma

ε=|ppc| −ν

. (3.17)

Na Tabela 2 temos os valores dos expoentes cr´ıticos discutidos para as dimens˜oes d= 2,

d= 3 e d= 4.

d γ β ν

2 43/18 5/36 4/3 3 1.80 0.41 0.88 4 1.44 0.64 0.68

Tabela 2: Valores dos expoentes cr´ıticos para a percola¸c˜ao nas dimens˜oes d= 2, d= 3 e

d= 4.

3.4 Considera¸c˜oes

Embora a obten¸c˜ao de grandezas de interesse tenha sido poss´ıvel para o caso de percola¸c˜ao em uma dimens˜ao, se deve ter em mente que essa ´e uma rar´ıssima exce¸c˜ao. Por conta disso, frequentemente temos que apelar para simula¸c˜oes computacionais, como

a t´ecnica de An´alise de Tamanhos Finito (do inglˆes, Finite Size scaling). Essa t´ecnica nada mais ´e do que uma an´alise num´erica sistem´atica de sistemas finitos que, atrav´es de extrapola¸c˜ao, obt´em o comportamento termodinˆamico de um sistema f´ısico com infinitos graus de liberdade4.

3Para verificar isso, basta perceber queg(r)

∝pr=erlnp e devidop <1, lnp <0.

(37)

4 SOLIDIFICAC¸ ˜AO

A baixas temperaturas grande parte dos materiais ´e ordenada na forma cris-talina, onde todos os ´atomos s˜ao arranjados regularmente, configurando um estado s´olido (Figura 10a) . Esta ´e a configura¸c˜ao de m´ınima energia de intera¸c˜ao, E, dos ´atomos ou mol´eculas. J´a em altas temperaturas os ´atomos se movimentam mais livremente,

aumen-tando sua energia de intera¸c˜ao e quebrando essa estrutura cristalina, como ´e o caso dos l´ıquidos (Figura 10b) e dos gases (Figura 10c). Ent˜ao, atrav´es desse aumento de energia de intera¸c˜ao, h´a um maior ganho de entropia, aumentando o estado de desordem.

(a) (b) (c)

Figura 10: Arranjo de ´atomos: (a) estado s´olido (b) estado l´ıquido e (c) estado gasoso.

A solidifica¸c˜ao ´e o processo de transforma¸c˜ao de uma fase l´ıquida em uma fase s´olida atrav´es de um super-resfriamento da solu¸c˜ao. Essa transforma¸c˜ao termodinˆamica

tende a ocorrer de forma espontˆanea, levando o sistema a uma condi¸c˜ao de menor energia livre e maior estabilidade; ou seja, o sistema passa a ter uma menor energia de intera¸c˜ao e uma menor entropia. O processo de transforma¸c˜ao de fase inicia-se com o surgimento de pequenas part´ıculas est´aveis da fase s´olida e completa-se com o crescimento dessas

part´ıculas at´e que haja o desaparecimento da fase l´ıquida. Esses processos s˜ao chamados respectivamente de nuclea¸c˜ao e crescimento. Transforma¸c˜oes que ocorrem por esses dois processos s˜ao chamados de Transi¸c˜oes de Fase de Primeira Ordem.

Uma Transi¸c˜ao de Fase de Primeira Ordem envolve duas fases distintas que

s˜ao separadas por uma fina interface. Cada fase ´e representada por uma energia livre que ´e uma fun¸c˜ao de temperatura, T, press˜ao, p, ou volume, V1, e composi¸c˜ao. No equil´ıbrio

1Para processos com press˜ao constante, a energia livre de Gibbs, G=E

(38)

Figura 11: Curvas isob´aricas da varia¸c˜ao da energias livre de Gibbs das fases s´olida,GS, e l´ıquida,GL, respectivamente, em fun¸c˜ao da temperatura.

o estado do sistema ser´a configurado na fase que tem menor energia livre. Pontos em que as duas energias livres se cruzam, s˜ao chamados de pontos de transi¸c˜ao. Vamos considerar uma transi¸c˜ao l´ıquido-s´olido, por exemplo. As curvas isob´aricas da Figura (11) mostram

a varia¸c˜ao da energias livre de Gibbs das fases s´olida,GS, e l´ıquida, GL, respectivamente, em fun¸c˜ao da temperatura. A baixas temperaturasGL> GS, mostrando que a fase s´olida ´e mais est´avel que a fase l´ıquida. Todavia, com o acr´escimo da temperatura GL decresce mais r´apido que GS devido ao alto valor da entropia do l´ıquido, SL, comparado com a entropia do s´olido,SS. O ponto de transi¸c˜ao dessas curvas ´e chamado de ponto de fus˜ao,

TM, onde a rela¸c˜ao

GL(TM) =GS(TM), (4.1)

´e satisfeita. Para temperaturasT > TM,GS > GLde tal forma que a fase l´ıquida torna-se mais est´avel que a fase s´olida.

A entropiaS contribui menos que a entalpiaH =E+pV para baixas tempe-raturas, e assim o estado s´olido ´e obtido com um valor baixo deH (Figura 12). A altas temperaturas, por outro lado, a entropiaS tem uma contribui¸c˜ao dominante e consequen-temente uma menor energia livre de Gibbs, G; h´a, assim, um estado l´ıquido ou gasoso.

Al´em disso, como se pode verificar com a Figura (12), duas fases podem coexistir atrav´es de uma curva de coexistˆencia.

Um l´ıquido arrefecido ir´a se transformar em uma fase s´olida, embora que esse fenˆomeno n˜ao ocorra instantaneamente. As experiˆencias mostram que o l´ıquido ´e

super-resfriado por um longo tempo nas proximidades da temperatura de fus˜ao, TM. Nesse ponto, a temperatura para de aumentar e o calor perdido pelo sistema ´e utilizado para

para processos a volume constante minimizamos a energia livre de Helmholtz,H =E−T S, onde S´e a

(39)

Figura 12: Curva do diagrama de fases

alterar o estado da mat´eria de l´ıquido para s´olido. Uma vez que o calor perdido n˜ao apa-rece explicitamente como uma diminui¸c˜ao de temperatura, o chamamos de calor latente,

L. Observado no ponto de fus˜ao, o calor latente corresponde a diferen¸ca de entalpia entre

as respectivas fases l´ıquida e s´olida, ou seja

L=HL(T, p)HS(T, p). (4.2)

E, uma vez que as energias livres de Gibbs s˜ao iguais no ponto de fus˜ao, GS = HS −

TMSS =GL= HL−TMSL, o calor latente ´e proporcional a diferen¸ca de entropia ∆S =

SL−SS:

L=HL−HS =TM∆S. (4.3)

Al´em disso, tamb´em emTM h´a uma mudan¸ca na inclina¸c˜ao da curva de energia livre, tal que sua entropia, dada por

S = ∂G

∂T

p

, (4.4)

ter´a uma descontinuidade no ponto de transi¸c˜ao:

∆S =

∂GS

∂T

P

− ∂G∂TL P

T=TM

. (4.5)

A for¸ca motriz do crescimento da fase s´olida ´e dada pela diferen¸ca da energia livre de Gibbs da fase l´ıquida pela fase s´olida,

∆G=GL(T, p)GS(T, p). (4.6)

(40)

at´e a primeira ordem do sub-resfriamento ∆T =TM −T como segue,

∆G

∂GL ∂T P

(T TM)− ∂GS ∂T P

(T TM) =L ∆T TM

. (4.7)

Nesta ´ultima equa¸c˜ao usamos as rela¸c˜oes (4.3) e (4.5).

Em contraste com a transi¸c˜ao de fase de primeira ordem, a transi¸c˜ao de fase de segunda ordem tem tanto a energia livre quanto a entropia cont´ınuas. Al´em disso, as transi¸c˜oes normalmente ocorrem em um intervalo de temperatura em vez de um ´unico ponto.

Como j´a mencionado, no processo de nuclea¸c˜ao ´e exigido um super-resfriamento (∆T) do metal l´ıquido. Para isso, a amostra l´ıquida que inicialmente se encontra a uma temperaturaT acima da temperatura de fus˜aoTf (ou seja,T > Tf), deve ser resfriado at´e que a condi¸c˜ao T < Tf seja satisfeita. Esse super-resfriamento ´e necess´ario para romper a barreira de energia formada entre a interface s´olido-l´ıquido. Em tal processo de solidi-fica¸c˜ao, com o intuito de manter as condi¸c˜oes de equil´ıbrio termodinˆamico, se pressup˜oe que a transforma¸c˜ao ocorra da forma mais lenta quanto poss´ıvel. Mas, na pr´atica sabe-se que as velocidades de transforma¸c˜ao s˜ao bem maiores que as necess´arias para manter o

equil´ıbrio. Portanto, os processos de solidifica¸c˜ao em geral ocorrem fora das condi¸c˜oes de equil´ıbrio termodinˆamico e esse fato afeta diretamente na forma¸c˜ao da microestrutura, causando uma desestabiliza¸c˜ao da interface, gerando, como consequˆencia, protuberˆancias s´olidas que avan¸cam em dire¸c˜oes perpendiculares `as c´elulas, dando origem a uma

estru-tura ramificada, denominada estruestru-tura dendr´ıtica, que ser´a discutida com mais detalhes a frente. A solidifica¸c˜ao fora do equil´ıbrio come¸cou a chamar a aten¸c˜ao dos f´ısicos es-tat´ısticos no final dos anos 70, a parir do momento que este fenˆomeno passou a ser visto como uma subclasse de um problema geral de forma¸c˜ao padr˜ao em sistemas dissipativos

como, por exemplo, o caso do problema de convec¸c˜ao Rayleigh-B´enard encontrado na hidrodinˆamica e o problema de solidifica¸c˜ao direcional, discutido na pr´oxima se¸c˜ao.

4.1 Solidifica¸c˜ao Direcional

Com o intuito de exemplificar o problema de solidifica¸c˜ao direcional, considere o crescimento de uma solu¸c˜ao de liga cristalina colocada em uma c´elula de Hele-Shaw (Figura (13)). Um lado da c´elula permane quente enquanto o outro frio e a solu¸c˜ao ´e cristalizada direcionalmente quando a c´elula ´e empurrada para o lado frio com uma

(41)

o crescimento do cristal e ser´a essa difus˜ao de material que causar´a a instabilidade.

Figura 13: Crescimento direcional de uma solu¸c˜ao de cristal numa c´elula de Hele-Shaw. .

4.1.1 Equa¸c˜oes Fundamentais

Com a finalidade de encontrar as equa¸c˜oes fundamentais do crescimento dire-cional, considere o diagrama de fase de uma liga met´alica AB, conforme ´e mostrado na Figura (14), onde s˜ao adicionadosB ´atomos com uma concentra¸c˜aoc, a uma temperatura de fus˜ao, TM, a partir da redu¸c˜ao de A ´atomos puros. A uma temperaturaT, abaixo de

TM, a fase do cristal ´e est´avel quando a concentra¸c˜ao cfor menor que cS(T) e a concen-tra¸c˜ao do l´ıquido ´e est´avel quando a concenconcen-tra¸c˜aocfor maior quecL(T). E entre as duas concentra¸c˜oes, cS < c < cL, as fases cristal e l´ıquido co-existem. Dessa maneira, a linha formada pelo l´ıquido ´e aproximadamente dada por

TL =TM −mcL(T), (4.8)

ondem ´e a inclina¸c˜ao da curva. Isso significa que a temperatura do l´ıquido, TL, decresce a partir do material puro A `a uma temperatura de fus˜ao, TM, pelo acr´escimo de uma concentra¸c˜aocdeB ´atomos. A raz˜ao da concentra¸c˜ao entre essas duas fases co-existentes

´e definida como coeficiente de parti¸c˜ao (ou segrega¸c˜ao), k. Ou seja,

k = cS(T)

cL(T), (4.9)

e o intervalo de miscibilidade ´e dado por,

∆c=cL(T)−cS(T). (4.10)

(42)

Figura 14: Diagrama de fase em equil´ıbrio de uma c´elula bin´aria.

eixo vertical dessa figura representa, simultaneamente, a temperatura e a altura. A partir

da rela¸c˜ao (4.8) ´e poss´ıvel verificar que a temperatura na interface ´e dada por,

T0 =TM −mc∞/k. (4.11)

Considerando o caso em que o plano esteja emz = 0 ao mesmo passo que a concentra¸c˜ao do material seja considerada desprez´ıvel, a concentra¸c˜ao no cristal seriac0

S =c∞e assumindo que o equil´ıbrio local seja satisfeito na interface, a concentra¸c˜ao do l´ıquido nessa interface,

da rela¸c˜ao (4.9), ´ec0

L =c∞/k. ´

E criada uma diferen¸ca de concentra¸c˜ao na interface do l´ıquido, c0

L, e em um ponto distante da mesma,c∞. Essa diferen¸ca de concentra¸c˜ao segue da equa¸c˜ao de difus˜ao,

∂c ∂t =V

∂c

∂z +Dc∇

2c, (4.12)

ondeDc ´e a constante de difus˜ao qu´ımica e o primeiro termo do lado direito ´e relativo ao movimento conjunto da estrutura do laborat´orio com o cristal com uma velocidadeV.

Considerando o campo de difus˜ao adimensional2

u(x, z, t) = c−c∞ ∆c =

cc∞ (k−1

−1)c∞

, (4.13)

a equa¸c˜ao (4.12) pode ser reescrita como seque,

1

Dc

∂u ∂t =

2

lD

∂u ∂z +∇

2u, (4.14)

2Esta satisfaz a condi¸c˜ao de campo distanteu(x, z

→ ∞) = 0. E, para uma interface plana (ζ=κ=

Imagem

Figura 2: Esquema de alguns poss´ıveis padr˜oes formados em interfaces de movimento gerados por instabilidades.A fun¸c˜ao U (x, t) representa a deforma¸c˜ao de uma interface que sofre quebras de simetria devido a pertuba¸c˜oes, gerando a forma¸c˜ao de padr
Figura 3: Efeito do termo n˜ao linear, β, na equa¸c˜ao SKS: (a) β = 1, (b) β = 0.1 e (c) β = 0.01
Figura 4: Diagrama de estabilidade dos estados prim´arios e secund´arios da equa¸c˜ao SKS (Referˆencia [7]).
Figura 5: Evolu¸c˜ao temporal de um estado com N c = 54 e α = 0.24 na presen¸ca de um ru´ıdo gaussiano com amplitude ǫ = 1.10 − 5 .
+7

Referências

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