Notas sobre Geometria Espacial e Descritiva
0.1
Preliminares sobre Geometria Espacial e Descritiva
Considerando a geometria do plano e o desenho geom´etrico plano totalmente conhecidos e explo-rados, passaremos ao espa¸co euclidiano tridimensional e sua representa¸c˜ao atrav´es de desenhos no plano.
Mas n˜ao vamos apresentar nenhum tratamento axiom´atico rigoroso, como num curso de Fun-damentos da Geometria. Um dos estudos axiom´aticos mais bem elaborados ´e encontrado na obra The Foundations of Geometry de David Hilbert(1862 - 1943), que pode ser obtida gratuitamente em http://www.gutenberg.org/etext/17384 (texto em inglˆes)
Neste contexto, que deve ser complementada com a leitura e exerc´ıcios de Matem´atica do Ensino M´edio, volume 2, da Cole¸c˜ao Matem´atica Universit´aria, vamos abordar a Geometria Descritiva, concebida por Gaspar Monge (1746-1818) e aplicar na obten¸c˜ao de modelos geom´etricos em cartolina atrav´es de planifica¸c˜oes.
Para isso, al´em das contru¸c˜oes com r´egua e compasso, vamos explorar o uso de alguns softwares de Geometria Dinˆamica como o GeoGebra e o Cabri-G´eom`etre(2D e 3D) dentro do contexto de Geometria Descritiva, ao mesmo tempo que exploramos o estudo da Geometria Espacial.
0.1.1 Introdu¸c˜ao intuitiva `a Geometria Descritiva
Introduziremos aqui alguns elementos da Geometria Descritiva (GD) para podermos formalizar os conceitos geom´etricos no decorrer das pr´oximas sec¸c˜oes.
A Geometria Descritiva, elaborada por Gaspar Monge, utiliza o plano para descrever e estudar os elementos espaciais, assim como com a planta e as vistas frontal e/ou lateral o engenheiro civil pode passar todas as informa¸c˜oes sobre as medidas de uma casa (antes da era CAD, a partir da ´
epoca da revolu¸c˜ao francesa quando ela foi concebida, para fins militares).
Mas como se sabe, uma vista (uma proje¸c˜ao) n˜ao fornece todos os elementos espaciais. Assim, s˜ao utilizadas pelo menos duas proje¸c˜oes ortogonais em dois planos de proje¸c˜ao, tamb´em ortogonais entre si, chamados convenientemente de Plano Horizontal (PH) e Plano Vertical (PV), em alus˜ao
ao ch˜ao e um pared˜ao (muro do fundo do terreno, por exemplo).
A intersec¸c˜ao entre os dois planos ´e chamada de Linha de Terra (LT).
Ent˜ao cada ponto P de uma figura no espa¸co ´e projetado ortogonalmente nesses dois planos, gerando as proje¸c˜oes P1 no PH e P2 no PV.
As duas proje¸c˜oes s˜ao analisadas simultaneamente num mesmo plano, fazendo um movimento de rota¸c˜ao em torno da LT para que PV e PH fiquem no mesmo plano. Convencionamos que o PH ´
e girado at´e coincidir com o PV.
Existe uma conven¸c˜ao tamb´em sobre o sentido desse giro, que depende da conven¸c˜ao sobre diedros definidos por PH e PV. Supondo que o observador se encontra no interior de uma sala de aula, que o ch˜ao ´e o PH, e que a parede da lousa ´e o PV, se o espa¸co da sala est´a no primeiro diedro, o espa¸co atr´as da lousa ´e o segundo, abaixo dela o terceiro, e abaixo da sala o quarto diedros. Assim, o sentido do giro ´e convencionado como sendo a que leva o ch˜ao da sala ao reflexo da parede da lousa, abaixo do solo. Ou equivalentemente, o giro que derruba a lousa para tr´as. Se utilizarmos um sistema de coordenadas cartesianas ortogonais Oxyz, com o plano Oxy representando o PH e o plano Oxz representando o PV, o primeiro diedro ´e o de y > 0 e z > 0 e o giro, faz o semiplano horizontal anterior y > 0, z = 0 coincidir com o semiplano vertical inferior y = 0, z < 0. A LT seria o eixo Ox, representada na ´epura no sentido da direita para a esquerda do seu desenho.
Claro, que em escalas devidamente ajeitadas para a folha de desenho. O desenho simultaneo das duas proje¸c˜oes no plano ´e chamada ´epura.
A distˆancia do ponto P ao PV ´e chamado afastamento do ponto e ´e representado na ´epura pelo segmento P0P1, onde P0 ´e o ponto na LT tal que as proje¸c˜oes P1 e P2 est˜ao na linha perpendicular
`
a LT por P0 (na verdade, ´e a proje¸c˜ao ortogonal de P sobre a LT). O afastamento ´e positivo no
primeiro e quarto diedros (y > 0) e nesse caso, P0P1 fica “abaixo” da LT.
A distˆancia de P ao PH ´e a cota de P , e ´e representado na ´epura por P0P2. A cota ´e positiva
no primeiro e segundo diedros (z > 0), com o segmento representado “acima” da LT.
Dependendo da situa¸c˜ao, ´e desej´avel mais uma proje¸c˜ao num plano perpendicular ao PH e PV, que chamaremos de Plano de Perfil (PP) ou, plano da 3a. vista, onde estar´a a proje¸c˜ao P3 de P . No
sistema Oxyz, seria o plano Oyz. Para representar esse plano PP simultaneamente com PH e PV, convenciona-se fazer o giro em torno de P V ∩ P P que seria Oz, no sentido de “abrir” o primeiro
octante. Nesse movimento, a cota n˜ao ´e alterada, e portanto, P3P2 deve ser paralelo `a LT. E a
distˆancia de Oz a P3 ´e o afastamento de P , com crescimento da esquerda para a direita. Ou seja,
para a constru¸c˜ao de P3 dados P1 e P2 na ´epura, construimos uma linha auxiliar t paralela `a LT
por P2, uma linha auxiliar paralela `a LT por P1 at´e encontrar Oz em P1∗, que ´e rotacionado em 90◦
no sentido antihor´ario em torno de O, at´e P13 na LT, de forma que OP13 representa o afastamento
de P . A proje¸c˜ao P3 fica representada na intersec¸c˜ao de t pela uma paralela por P13 a Oz.
0.1.2 Alguns elementos da Geometria Espacial
Vamos enumerar alguns fatos da Geometria Espacial Euclidiana, para podermos explicar os elemen-tos da Geometria Descritiva. Muielemen-tos deles s˜ao axiomas em qualquer texto de Geometria. Vamos supor tamb´em que o aluno j´a tenha sido apresentado `as no¸c˜oes geom´etricas do espa¸co em momento anterior. Para a leitura n˜ao ficar mon´otona, introduzimos como exerc´ıcio a utiliza¸c˜ao do software Cabri3D: construir cada objeto e situa¸c˜ao descrita abaixo.
1. Dois pontos distintos determinam uma ´unica reta. Pontos situados numa retas s˜ao ditos colineares.
Dados 3 pontos colineares, um est´a entre os outros dois. (resultado da Geometria da Plana, que diferencia uma reta de uma circunferˆencia)
Dados 2 pontos A e B, o segmento AB deve conter todos os pontos da reta por A e B que est˜ao entre A e B. O segmento ´e fechado se cont´em os pontos A e B, e aberto se n˜ao os cont´em. A e B s˜ao chamados extremidades do segmento.
2. Trˆes pontos n˜ao colineares determinam um ´unico plano. Pontos situados num plano s˜ao ditos coplanares.
Valem todos os resultados da Geometria Plana dentro de cada um dos planos do espa¸co.
Por exemplo: uma reta contida num plano, divide o plano em 2 semiplanos. Em geral a defini¸c˜ao de semiplano exclui a reta (semiplano aberto) que a definiu. Dados dois pontos A e B sobre um plano α e n˜ao pertencem `a reta r ⊂ α, ent˜ao:
• A e B pertencem a um mesmo semiplano de α relativamente a r, se o segmento AB n˜ao intercepta r.
• A e B est˜ao em semiplanos opostos de α relativamente a r, se o segmento AB intercepta r.
3. Existem 4 pontos n˜ao coplanares no espa¸co.
Isto implica na existˆencia de pontos al´em do plano.
4. Posi¸c˜oes relativas entre duas (portanto distintas) retas do espa¸co:
(a) concorrentes quando se interceptam segundo um ponto. (b) paralelas se forem coplanares e n˜ao se interceptarem.
(c) reversas se n˜ao forem coplanares.
Dadas duas retas distintas no espa¸co, se estas forem coplanares, podem ser concorrentes ou paralelas (Geometria Plana Euclidiana), mas surge uma outra possibilidade: as retas podem n˜ao ser coplanares (reversas). E como duas retas concorrentes s˜ao coplanares, as retas reversas s˜ao tamb´em disjuntas. Ou seja, para duas retas r e s no espa¸co, r ∩ s = ∅ pode resultar em retas paralelas (coplanares) ou reversas (n˜ao coplanares). Cuidado!
5. Se uma reta intercepta um plano em mais de um ponto, a reta est´a inteiramente contida no plano.
Isto nos leva `a seguinte classifica¸c˜ao:
6. Posi¸c˜oes relativas entre uma reta e um plano no espa¸co:
(a) a reta ´e paralela ao plano se n˜ao intercepta o plano.
Neste caso, a reta ´e paralela a uma fam´ılia de retas no plano.
(b) a reta e o plano s˜ao concorrentes num ponto, ou a reta ´e transversal ao plano, se a reta intercepta o plano num ´unico ponto.
(c) a reta est´a contida no plano se todos os pontos da reta forem pontos do plano.
7. Um plano no espa¸co determina dois semiespa¸cos abertos (sem incluir o plano) e disjuntos. Dados dois pontos A e B no espa¸co n˜ao pertencentes ao plano α, ent˜ao:
• A e B pertencem a um mesmo semiespa¸co relativamente a α se o segmento AB n˜ao intercepta α.
• A e B est˜ao em semiespa¸cos opostos relativamente a α se o segmento AB intercepta α. 8. Dois planos distintos no espa¸co ou s˜ao paralelos ou s˜ao concorrentes segundo uma reta. (axi-oma relativo a espa¸cos tridimensionais — num espa¸co 4-dimensional, dois planos poderiam se interceptar num ponto!)
Isto fornece as poss´ıveis posi¸c˜oes relativas entre dois planos: ou s˜ao coincidentes, ou paralelas, ou concorrentes segundo uma reta.
Como construir um plano paralelo a um plano α dado? Supondo que o plano paralelo β deve passar por um ponto B fora de α, construa duas retas r e s concorrentes em B e paralelas a duas retas r0 e s0 em α. Mostre que o plano das retas r e s ´e o plano β procurado. Al´em disso, ´e ´unico contendo B e paralelo a α.
Verdadeiro ou falso? “Para que um plano β seja paralelo a um plano α ´e necessario e suficiente que β contenha um par de retas concorrentes paralelas a um par de retas concorrentes de α”. 9. Dados dois planos paralelos α k β, se um terceiro plano γ ´e concorrente com o primeiro (r = γ ∩ α), este ser´a concorrente com o segundo (s = γ ∩ β) e as duas retas ser˜ao paralelas entre si (r k s).
Demonstra¸c˜ao: `E claro que, se γ ∩ β = s, ent˜ao r k s, pois, se n˜ao o for e existir B ∈ r ∩ s, teremos B ∈ r ∩ s = (γ ∩ α) ∩ (γ ∩ β) = γ ∩ (α ∩ β), o que ´e um absurdo, pois α ∩ β = ∅. Mostremos ent˜ao que γ intercepta β. Para isso, considere uma reta t em α, concorrente com r em A. Ent˜ao podemos construir em β uma reta t0 paralela a t (exerc´ıcio). O plano de t e t0 intercepta o plano γ segundo uma reta u (por quˆe?) e portanto, nesse plano, temos as retas paralelas t e t0 interceptando a reta u, j´a que t intercepta u em A (por quˆe?). O ponto
B = t0∩ u est´a na intersec¸c˜ao γ ∩ β (por quˆe?).
Uma das consequˆencias em GD ´e que dado um plano α n˜ao paralelo ao PH, todas as retas horizontais (paralelas ao PH) deste plano α ser˜ao paralelas entre si, j´a que o as retas horizon-tais do plano s˜ao retas contidas em planos paralelos ao PH, paralelos entre si. Em particular, se h ´e uma dessas retas, h k sα, onde sα = α ∩ P H.
Analogamente, num plano α n˜ao paralelo ao PV, todas as retas paralelas ao PV (retas frontais do plano) s˜ao paralelas ao tra¸co tα= α ∩ P V .
Outra consequˆencia ´e que retas paralelas r e s se projetam ortogonal num plano π em retas paralelas r0 k s0, ou coincidentes (r0 ≡ s0), ou como dois pontos (r0 e s0 s˜ao pontos). O ´
ultimo caso pressup˜oe conhecido que se uma reta ´e perpendicular a um plano, todas as retas paralelas tamb´em o ser˜ao (exerc´ıcio de perpendicularismo). Nos outros casos, considere os planos contendo as retas e as retas projetantes. Estes planos podem ser coicidentes ou paralelos (por quˆe?), e as intersec¸c˜oes com o plano π podem portanto coincidir ou serem paralelas, respectivamente.
Al´em disso, dados r1 e r2numa ´epura, n˜ao perpendiculares `a LT, temos uma ´unica reta r que
pode ser representada por r1 e r2 na ´epura, pois os planos α contendo r1 (no PH, no espa¸co)
e a dire¸c˜ao de proje¸c˜ao, e β contendo r2 e a dire¸c˜ao da proje¸c˜ao, s˜ao planos distintos, n˜ao
paralelos, que se interceptam segundo r. (Se r1 for perpendicular `a LT, necess´ariamente r2
tamb´em deve ser perpendicular `a LT ou ser um ponto. Analogamente, se r2 for perpendicular
`
a LT, r1 ´e perpendicular `a LT ou deve ser um ponto (exerc´ıcio de perpendicularismo))
Veja no livro-texto outros resultados e exerc´ıcios de pontos, retas e planos.
10. Dois planos concorrentes α e β determinam 4 diedros no espa¸co, sendo que cada diedro ´e delimitado por dois semiplanos, um determinado por r = α ∩ β em α e o outro, determinado por r em β.
Quando estes 4 quatro diedros s˜ao “congruentes” os planos s˜ao perpendiculares entre si. Mas quando dois objetos s˜ao “congruentes”?
congruentes se existe um movimento r´ıgido que leva um no outro.
Mas como n˜ao o fizemos, vamos introduzir perpendicularismo de outra forma, aproveitando os conhecimentos de Geometria Plana.
Lembramos que duas retas concorrentes s˜ao perpendiculares entre si se formam 4 ˆangulos iguais (90 graus ou reto ou π/2 radianos) no plano das retas. Duas retas no espa¸co s˜ao ortogonais se forem perpendiculares ou, caso n˜ao sejam concorrentes, forem paralelas a duas retas perpendiculares.
11. Uma reta r ´e perpendicular a um plano α se for perpendicular a todas as retas de α concor-rentes com r.
Ou, uma reta r ´e perpendicular a um plano α se for ortogonal a todas as retas de a.
Essa defini¸c˜ao n˜ao ´e muito pr´atica na verifica¸c˜ao de perpendicularismo. Mas o Teorema a seguir (demonstra¸c˜ao no livro-texto) resolve o problema:
12. Teorema:Uma reta r ´e perpendicular a um plano α se, e somente se, r for ortogonal a duas retas de α concorrentes em A = r ∩ α.
(Sugest˜ao: Numa das partes da demonstra¸c˜ao (qual?), considere as retas s e t em α, passando por A, perpendiculares a r. Considere uma reta u qualquer de α, passando por A. Para mostrar que r tamb´em ´e perpendicular a u, escolha uma reta l que intercepta s, u e t segundo pontos S, U e T , respectivamente, com U entre os outros dois pontos. Escolha pontos A1
e A2 em r, sim´etricos em rela¸c˜ao a A. Por congruˆencias de triˆangulos 4A1RT ∼= 4A2RT ,
donde 4A1RU ∼= 4A2RU e, portanto, A1U ∼= A2U , donde r ⊥ u. Preencha os detalhes)
Este teorema explica por que o m´etodo de erguer uma casa com as paredes previamente constru´ıdas no ch˜ao (com ˆangulos devidamente retos na quina do ch˜ao) funciona.
Citando, se for o caso, os resultados da Geometria Euclidiana Plana, mostre que:
a) dados uma reta r e um ponto A fora de r, existe uma ´unica reta s no espa¸co, paralela a r e passando por A.
b) dados uma reta r e um ponto A, existe um ´unico plano α passando por A e perpendicular `
c) duas retas perpendiculares a um mesmo plano s˜ao coicidentes ou paralelas entre si. Ou seja, existe uma ´unica dire¸c˜ao perpendicular a um plano.
d) dois planos perpendiculares a uma ´unica reta s˜ao paralelos ou coincidentes.
13. Dois planos α e β s˜ao perpendiculares entre si se s˜ao concorrentes e, no plano γ perpendicular `
a intersec¸c˜ao r = α ∩ β, determinam duas retas perpendiculares entre si.
Mais geralmente, as medidas dos diedros determinados pelos planos α e β s˜ao determinadas pelos ˆangulos determinados em qualquer plano perpendicular a r = α ∩ β. Essas defini¸c˜oes logicamente independem do particular plano com as mesmas condi¸c˜oes tomado (Por quˆe?) 14. Teorema:Um plano β ´e perpendicular a um plano α se, e s´o se, β cont´em uma reta
perpen-dicular ao plano α (ou α cont´em uma reta perpendicular a β).
A demonstra¸c˜ao fica como exerc´ıcio. Com base no resultado acima, segue que o plano γ perpendicular a r = α ∩ β tanto citado anteriormente, ´e um plano simultaneamente perpen-dicular aos planos α e β.
EM GD, dado um ponto P no espa¸co, o plano γ contendo P e as projetantes ortogonais aos planos de proje¸c˜ao PH e PV, ´e simultaneamente perpendicular aos dois planos de proje¸c˜ao, j´a que cont´em uma reta perpendicular a cada um dos planos PH e PV. Isso implica que γ ´e perpendicular `a LT e determina a linha de chamada perpendiculares `a LT contendo P1 e P2,
na ´epura.
Al´em disso, planos α perpendiculares ao PV devem conter retas perpendiculares ao PV, in-cluindo o tra¸co sα = α ∩ P H se esta existir. Analogamente, planos perpendiculares ao PH
tˆem seu tra¸co tα= α ∩ P V perpendicular `a LT, quando existir.
15. Teorema: Sejam: α um plano, r uma reta perpendicular a α com r ∩ α = A, s uma reta de α passando por A, B um ponto de s distinto de A, t uma reta de α e perpendicular a s por B, u uma reta passando por um ponto D de r e por B. Ent˜ao, s e t s˜ao perpendiculares entre si, se, e somente se, t e u s˜ao perpendiculares entre si.
Este teorema (exerc´ıco do livro-texto) mostra que uma rota¸c˜ao de um segmento AB perpen-dicular a um eixo r paralelo (ou contido) a um plano de proje¸c˜ao (ortogonal) π resulta em proje¸c˜ao A0B0 perpendicular `a proje¸c˜ao r0 do eixo.
Este tipo de rota¸c˜ao ´e muito usado para obten¸c˜ao de Verdadeiras Grandezas (VG) de figuras planas: rotaciona-se a figura em torno de um eixo contido na figura e paralelo a um plano de proje¸c˜ao, at´e que a figura fique paralela ao plano de proje¸c˜ao. Assim, a figura rotacionada aparecer´a em VG na proje¸c˜ao. (M´etodo do Rebatimento e M´etodo da Rota¸c˜ao)
Al´em disso, retas r perpendiculares a um plano α dado na ´epura por seus tra¸cos (tα= α ∩ P V
e sα = α ∩ P H) s˜ao representados na ´epura por proje¸c˜oes perpendiculares aos tra¸cos do plano
(r1⊥ sα1 e r2 ⊥ tα2), j´a que r ⊥ sα e r ⊥ tα.
16. A distˆancia entre dois pontos A e B no espa¸co ´e a medida do comprimento do segmento AB (que depende da unidade de medida adotada).
Em GD, dado um segmento AB no espa¸co atrav´es de sua ´epura, se este n˜ao for paralelo a um dos planos de proje¸c˜ao, uma das formas de se achar a VG do segmento ´e construir um triˆangulo retˆangulo com um dos catetos sendo a proje¸c˜ao A1B1 e o outro cateto com a
diferen¸ca entre as cotas de A e B. A VG de AB ´e a hipotenusa do triˆangulo. Justifique. Qual seria a maneira an´aloga de se obter a mesma medida, usando a diferen¸ca de afastamentos? Outra forma de se obter essa medida ´e efetuar uma rota¸c˜ao do segmento em torno de um eixo e vertical (⊥ PH) ou de topo (⊥ PV). Se o eixo for vertical, a cota dos pontos rotacionados n˜ao se altera (por quˆe?) e no PH cada ponto descreve um arco de circunferˆencia centrado em e1.
Consequentemente, dada a ´epura de uma pirˆamide qualquer no espa¸co com base no PH (ou paralela ao PH), pode-se facilmente obter a VG de cada aresta lateral por rota¸c˜ao em torno do eixo vertical passando pelo v´ertice V at´e ficar paralela ao PV. Como a VG da base j´a aparece na proje¸c˜ao no PH, e como as faces laterais s˜ao triangulares, ficam todas as faces determinadas, possibilitando a constru¸c˜ao de sua planifica¸c˜ao.