Educação Inclusiva: a Diversidade
faz parte da vida
O papel do professor
como protagonista do
processo inclusivo
Angélica Aparecida Malvão Carolina Arantes P. Barcellos Valéria Aparecida de Freitas
A discussão estabelecida entre os defensores das correntes de inser-ção de alunos com necessidades educacionais especiais no ensino regular – A Educação Inclusiva – já dura quase uma década no Brasil. O assunto cria inúmeras polêmicas, afeta os professores da Educação Especial e do Ensino Fundamental, assim como os pais de crianças com algum tipo de necessidade especial e todos os profissionais da área educacional.
A Educação Inclusiva vem crescendo muito e está baseada no pres-suposto de que toda criança tem direito à educação de qualidade, mas os sistemas educacionais precisam mudar para responder às necessidades dos educandos.
Sendo assim, escolhemos o tema “Educação Inclusiva: a diversidade faz parte da vida” para este estudo, dando enfoque ao “papel do pro-fessor como protagonista do processo inclusivo”, pois ele é o agente do processo educativo, e estará diariamente em contato com as crianças que apresentam necessidades educacionais especiais.
Uma proposta de Educação Inclusiva envolve, portanto, uma escola que se identifica com princípios educacionais humanistas e cujos profes-sores têm um perfil que é compatível com esses princípios. Dentro dessa
INTRODUçãO
resumo
O objetivo deste estudo foi analisar o papel do professor no processo de inclusão, para um grupo de edu-cadores, e para tanto foi realizada uma entrevista com professores que lecionam em classes regulares das séries iniciais do Ensino Funda-mental. Os participantes relataram suas dificuldades no processo in-clusivo e reconheceram que esse despreparo se deve ao fato de haver uma falha em seus cursos de formação acadêmica.
Palavras-Chave
Educação Inclusiva - Diversidade - Professor.
abordagem, tentaremos responder a pergunta maior desta pesquisa: “Qual é o papel do professor no processo de inclusão?”.
As escolas precisam reconhecer e celebrar a diversidade de alunos e suas diferenças individuais, dando oportunidade para que todas as crianças aprendam de maneira significativa.
A perspectiva de educação para todos constitui um grande desafio. Enfrentar esse desafio é condição essencial para atender às expectativas de democratização da educação em nosso país.
Diante dessa perspectiva, cabe ao professor refletir sobre sua prática docente, reconhecendo que já não existem mais salas de aula homogê-neas, onde todos os alunos aprendem da mesma maneira. O conheci-mento é individual e precisa ser construído dentro de uma abordagem diversificada, garantindo a aprendizagem de cada aluno.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais preconizam a atenção à di-versidade da comunidade escolar e baseiam-se no pressuposto de que a realização de adaptações curriculares podem atender às necessidades particulares de aprendizagem dos alunos. Consideram que a atenção à diversidade deve se concretizar em medidas que levam em conta não só as capacidades intelectuais e os conhecimentos dos alunos, mas também, seus interesses e motivações.
A inclusão de alunos que apresentam necessidades educacionais especiais nas escolas regulares implica na modernização e na reestrutu-ração das condições atuais do ensino, em especial, no que diz respeito às práticas didático-pedagógicas.
O movimento nacional para incluir todas as crianças na escola e o ideal de uma escola para todos vêm dando novos rumos às expectativas educacionais para os alunos com necessidades especiais.
Nessa perspectiva, o objetivo desse trabalho é analisar o papel do professor no processo de inclusão, para um grupo de educadores, visan-do contribuir para a participação efetiva visan-dos professores na Educação Inclusiva.
Nossa proposta é oferecer aos educadores reflexões que visam colaborar com a sua atuação docente, pressupondo que o processo de aprendizagem deve atender à diversificação de necessidades dos alunos na escola.
A Educação Inclusiva implica na convicção de que o aluno e a escola devem se aprimorar para alcançar a eficiência da educação, a partir da interatividade entre esses dois atores do processo educativo.
Mantoan (2005a) relata que a história da Educação Especial no Brasil inicia-se no século XIX, quando os serviços dedicados a esse segmento de nossa população, inspirados por experiências norte-americanas e européias, foram trazidos por alguns brasileiros que se dispunham a organizar e implementar ações isoladas e particulares para atender pes-soas com deficiências físicas, mentais e sensoriais. Essas iniciativas não estavam integradas às políticas públicas e foi preciso o passar de um século, aproximadamente, para que a Educação Especial passasse a ser um dos componentes de nosso sistema educacional.
A Educação Especial se estruturou segundo modelos assistencia-listas e segregativos, ou seja, pela segmentação das deficiências, fato que contribuiu para que a formação escolar e a vida social das crianças e jovens com deficiência acontecessem, ainda na maioria dos casos, em um mundo à parte.
A evolução dos serviços de Educação Especial caminhou de uma fase inicial, eminentemente assistencial, visando apenas ao bem estar da pessoa com deficiência, para uma outra, em que foram priorizados os aspectos médico e psicológico, como salienta Sassaki (1997), ou seja, as pessoas portadoras de deficiência eram expostas à discriminação e freqüentemente declaradas como doentes; o modelo médico na defici-ência designava o papel desamparado e passivo desses pacientes, sendo considerados dependentes do cuidado de outras pessoas, incapazes de trabalhar, levando vidas inúteis.
Mantoan (2005b) ainda ressalta que em um momento seguinte houve a inserção da Educação Especial em nosso sistema geral de ensino, pois na década de 60 houve o crescente número de instituições espe-cializadas, tais como: escolas especiais, centros de habilitação, centros de reabilitação, oficinas protegidas de trabalho, clubes sociais especiais, associações desportivas especiais, criadas concebendo a idéia de proteger o diferente para assim reintegrá-lo ao convívio social.
Portanto, a prática da integração da pessoa com necessidades especiais, surgida nos anos 60 e 70 era baseada no modelo médico/ clínico da deficiência; neste modelo os educandos com necessidades especiais precisavam modificar-se (habilitar-se, reabilitar-se, educar-se) para tornarem-se aptos a satisfazerem os padrões aceitos no meio social, familiar, escolar, profissional, recreativo e ambiental. Durante a década de 70, segundo a autora, por todo o mundo ocidental, um amplo
mento de alargamento da escolaridade obrigatória a todas as crianças fez com que os diferentes países prestassem uma atenção particular à organização dos seus serviços de Educação Especial, chamando para si a responsabilidade de garantirem também às crianças com deficiências um processo educativo adaptado às suas necessidades individuais.
Paula (2004) aponta que o marco relevante nessa nova abordagem da deficiência, tendente a modificar não só o sistema das classificações, mas também, e sobretudo, a prática da integração, foi o Warnock Report, relatório britâncio publicado em 1978 e realizado por uma comissão dirigida por Mary Warnock, encarregada de elaborar propostas para a melhoria da educação de jovens com deficiências. É este relatório que introduz, pela primeira vez, o conceito de “aluno com necessidades educativas especiais”.
Esse conceito é bastante amplo e enfatiza aspectos instrumentais e funcionais, ou seja, o que se pode fazer para receber e tratar esse aluno no ambiente escolar comum, da melhor forma possível.
De acordo com esse conceito e efeitos da sua educação, as crianças e jovens com dificuldades especiais, ou com necessidades educativas es-peciais são aqueles que requerem educação especial e serviços específicos de apoio para a realização total do seu potencial humano. Eles podem ser muito diferentes dos outros por terem atraso mental, dificuldades de aprendizagem, desordens emocionais ou comportamentais, incapa-cidades físicas, problemas de comunicação, autismo, lesões cerebrais, deficiência auditiva ou visual, ou mesmo dotes e talentos especiais, no caso dos superdotados. São exatamente essas diferenças que devem ser levadas em conta, para que eles possam freqüentar a escola comum.
Paula (2004) declara que a partir de meados da década de 70 e clara-mente assumida nos anos 80, surge uma filosofia de Integração Educativa como opção principal da grande maioria dos países, defendendo-se que o ensino das crianças e jovens com dificuldades especiais deve ser feito, pelo menos tanto quanto possível, no âmbito da escola regular. A prática da inclusão vem da década de 80, porém consolidada nos anos 90, segue o modelo social da deficiência, segundo o qual a nossa tarefa consiste em modificar a sociedade (escolas, empresas, programas, serviços, am-bientes físicos, etc) para torná-la capaz de acolher todas as pessoas que apresentem alguma diversidade, portanto, estamos em uma sociedade de direito para todos.
Ferreira (2005) escreve que o marco histórico da inclusão foi em junho de 1994, com a Declaração de Salamanca, Espanha, realizada pela Unesco na Conferência Mundial sobre Princípios, Políticas e Práticas
Educacionais Especiais, representando 88 governos e 25 organizações internacionais.
O movimento pela inclusão no Brasil cresceu e gerou diversas discus-sões sobre a estrutura do ensino atual. Como qualquer cidadão, todas as crianças e adolescentes com necessidades especiais têm o direito de estudar. E é exatamente para assegurar esse direito que surge a chamada Educação Inclusiva.
O movimento da Educação Inclusiva fez aflorar a defesa dos direitos das pessoas com deficiência, dando visibilidade para sua situação de exclusão no processo educacional. Dessa forma, os avanços mostram que os sistemas educacionais estão em processo de transformação e refletem uma nova visão do direito à educação que começa a transpor a concepção tradicional de ensino, alterando as concepções sobre a educação das pessoas com deficiência, exigindo uma mudança na for-mação de professores e um planejamento para organização dos recursos necessários para efetivar a Educação Inclusiva.
A inclusão é uma proposta, um ideal. Se quisermos que nossa sociedade seja acessível, que delas todas as pessoas com necessidades especiais possam participar em igualdade de oportunidades, é preciso fazer desse ideal uma realidade a cada dia (PAULA, 2004).
A ação de cada um de nós, das instituições e dos órgãos, deve ser pensada e executada no sentido de divulgar os direitos, a legislação e implementar ações que garantam o acesso de todos.
Apesar de assegurada em lei, a Educação Inclusiva ainda é pouco praticada no nosso país, pois exige um novo padrão de escola. É preciso não só modernizar os aspectos estruturais, mas também aperfeiçoar as práticas pedagógicas e aliar-se à comunidade para atender às diferentes condições dos indivíduos.
Sabemos que mudar o contexto atual de uma hora para outra é impossível. A inclusão é um processo e envolve mudanças em todos nós, por isso é um trabalho longo e desafiador.
No país inteiro vem acontecendo uma série de discussões a respeito do que seria a inclusão e o sistema de ensino tentando se adaptar a essa nova realidade.
Paula (2004) comenta que a Educação Inclusiva embora tenha sido bandeira da Educação Especial, não implica somente em incluir a pessoa com necessidade especial no sistema regular de ensino. Diz respeito a um sistema educacional que dê respostas educacionais com qualidade ao conjunto das pessoas.
Por se tratar de um processo relativamente novo, causa muitos medos e resistências entre os pais, educadores e educandos. A inclusão nunca poderá ser realizada de maneira impositiva porque cairíamos nos modelos de tirania desrespeitando o momento de cada um.
Para que uma criança “especial” possa ser incluída numa situação em que todos a considerem “normal” e, que a sua auto-estima seja aumentada, em que se desenvolvam relações interpessoais e interações com seus colegas (com ou sem dificuldades especiais) é necessário de-senvolver estratégias adequadas e devidamente planejadas.
Todas as pessoas com necessidades especiais têm o direito de usufruir de condições de vida o mais comum ou normal possíveis, na sociedade em que vivem. Significa dar à pessoa oportunidades, garantindo seu direito de ser diferente e de ter suas necessidades reconhecidas e atendidas pela sociedade, em especial, pelas escolas do nosso sistema educacional.
Frente ao exposto no levantamento teórico, as temáticas da inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais nas classes de ensi-no regular ocuparam ensi-nossas reflexões e agora neste estudo de pesquisa científica tomam força e corpo.
A proposta metodológica para o alcance de nossos objetivos é de caráter bibliográfico e também, qualitativo. Para Rampazzo (1998), a pesquisa bibliográfica faz parte de qualquer pesquisa, em qualquer área; supõe e exige o levantamento da situação em questão a partir de uma fundamentação teórica. A pesquisa qualitativa, por sua vez, busca uma compreensão particular daquilo que estuda; o foco da atenção é centralizado no específico, almejando sempre a compreensão dos fenô-menos e não a explicação dos mesmos. Esse tipo de pesquisa valoriza o ser humano.
O local escolhido para a realização de nossa pesquisa foram duas escolas da Rede Municipal, uma do município de Guaratinguetá e uma
escola da cidade de Lorena, Estado de São Paulo, ambas localizadas na zona rural dos municípios mencionados, sendo constituídas por classes das séries iniciais do Ensino Fundamental (1ª à 4ª série).
Solicitamos a participação de dez professores que lecionam em classes regulares do Ensino Fundamental, das séries iniciais. Esses pro-fessores têm entre 30 e 45 anos de idade, sendo todos do sexo feminino com formação universitária.
Mediante essa solicitação, enviamos uma carta de apresentação às escolas, pedindo autorização para a realização da pesquisa, ao mesmo tempo, deixando explícitos os aspectos éticos desse trabalho: contrato de sigilo entre os envolvidos, garantindo o anonimato entre as partes.
Como instrumento e procedimento desse trabalho de pesquisa foi elaborado um questionário com cinco (05) questões que por sua amplitude buscaram compreender o papel do professor frente ao tema estudado (em anexo).
A elaboração de entrevistas abertas foi realizada, porém devido ao limite de tempo, tanto das pesquisadoras quanto dos entrevistados, optou-se pela forma escrita. A análise dos dados obtidos foi feita dentro de uma abordagem qualitativa, voltada para a compreensão dos fenô-menos da pesquisa.
A participação dos educadores nesse trabalho foi imprescindível para que o mesmo se tornasse uma pesquisa qualitativa, permitindo a aproximação das concepções de profissionais da área educacional acerca do processo inclusivo de crianças com necessidades especiais.
A característica da pesquisa qualitativa visa à identificação de cate-gorias de respostas. Catecate-gorias são assim chamadas por dividir um todo em partes, dando origem às partes, colocando cada uma em seu lugar (RAMPAZZO, 1998).
Encontraram-se na análise realizada, as seguintes categorias: 1. postura positiva do educador frente à inclusão de crianças com
necessidades especiais;
2. justificativa da falta de estrutura física e humana das escolas;
AS ENTREVISTAS REALIzADAS COM OS EDUCADORES E
A ANáLISE DOS DADOS
3. justificativa quanto ao despreparo dos educadores;
4. crença na atitude do professor como fator indispensável para o sucesso de qualquer medida de inclusão;
5. abordagem de aspectos que contribuem para o processo de aprendizagem.
A categoria postura positiva dos educadores frente à inclusão
de crianças com necessidades especiais deixa claro que os professores
conseguem ter uma posição firme e clara, ao se falar do acesso dessas crianças à classe regular. Pode-se representar tal categoria com a fala do educador:
Sou sem dúvida nenhuma, totalmente a favor da inclusão, porque além dos direitos que as protegem, as crianças com necessidades educacionais especiais, só têm a cres-cer como pessoa e ajudar os ditos normais a crescres-cerem. (Educador C)
A categoria justificativa da falta de estrutura física e humana das
escolas ressaltou no estudo, podendo ser representada pela seguinte
fala do educador:
As escolas devem se preparar tanto no espaço físico como também humano. Devem adequar o ambiente para acolher as crianças especiais e principalmente, preparar os alunos para que ao receberem esses alunos especiais, não haja discriminação (Educador E).
A categoria justificativa quanto ao despreparo dos educadores manifesta uma atitude pessoal que esteve presente nas respostas dadas, como podemos verificar na fala seguinte:
Na minha opinião, os educadores não estão preparados para receber alunos de inclusão. Primeiramente, porque o nosso magistério falhou nesse aspecto. Só nos ensinou a trabalhar com crianças normais. Segundo, que há uma má vontade dos professores em querer se especializar para trabalhar com essas crianças. Claro, que não são todos os professores! (Educador B)
A categoria crença na atitude do professor como fator
presente nas respostas dadas de forma clara. A seguir, um exemplo que evidenciará tal fato:
O professor deve estimulá-la, dentro de seus limites, procu-rando ajudá-la a aumentar a sua auto-estima e a explorar o seu potencial. (Educador F)
A categoria abordagem de aspectos que contribuem para o
processo de aprendizagem manifesta a visão clara e objetiva de
edu-cadores frente à necessidade de mudança no atendimento pedagógico dos alunos. Essa postura é representada logo abaixo:
O educador pode contribuir fazendo cursos, dialogando com as famílias, sendo orientado por diferentes profis-sionais, envolvendo toda equipe pedagógica da escola e enfrentar a pressão dos pais. Muitos têm de aprender a lidar com o próprio preconceito. (Educador G)
Diante das informações fornecidas pelos educadores entrevistados, observa-se que todos já são atuantes no magistério. Acredita-se assim, que durante esse tempo de experiência, muitas diversidades foram en-contradas nas classes com relação ao potencial e às necessidades dos alunos.
A inclusão é um processo relativamente novo, e que ainda causa insegurança, medo e até mesmo resistência entre os pais, educadores e educandos.
Se o ambiente de inclusão escolar respeitar as diferenças e as pes-soas envolvidas estiverem informadas, o preconceito se dissolve. Caso contrário, encontraremos muitas dificuldades, e esta inclusão pode ser mal sucedida.
CONCLUSãO
Ao se olhar para o grupo de pessoas com necessidades especiais, essas diferenças ficam ainda mais evidentes. A presença dessas diferen-ças é resultado dos mitos e preconceitos existentes em nossa sociedade e levam a maioria das pessoas a atribuírem ao aluno especial a posição de inferior, de mais incapaz. Ao passo que a criança com necessidade especial, seja mental, física, auditiva, visual ou múltipla, é diferente, mas
não em sua capacidade e potencialidade e, sim, em suas necessidades. Atualmente, se tem falado e discutido muito sobre a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. Esse processo inclusivo só será efetivo quando houver a construção de um sistema educacional integrado. Um sistema capaz de atender às necessidades educacionais de todas as crianças.
Ao se pensar no modelo de uma escola inclusiva é importante se contemplar a situação dos recursos humanos, especificamente dos pro-fessores das classes regulares, que precisam ser efetivamente capacitados para transformar sua prática educativa. A formação e a capacitação do-cente impõem-se como meta principal a ser alcançada na concretização do sistema educacional que inclua a todos, verdadeiramente.
Nessa perspectiva, foi possível analisar dentro desta pesquisa junto a um grupo de educadores do Ensino Fundamental que eles não se sentem preparados para atuarem sozinhos num processo inclusivo, necessitando de apoio e orientação de profissionais especializados na área de aten-dimento pedagógico, psicopedagógico, psicológico, fonoaudiólogo e outros. Também reconhecem que esse despreparo se deve ao fato de uma falha em seus cursos de formação acadêmica, que não lhes ofereceram subsídios e informações a respeito de um trabalho junto a crianças com necessidades especiais.
A atitude do professor é um dos fatores que mais contribui para o sucesso de qualquer iniciativa de inclusão da criança com necessidade especial. A inclusão é um processo que tem como objetivo fornecer aos alunos com necessidades especiais uma educação com o máximo de qualidade e de eficácia, no sentido da satisfação das suas necessidades individuais.
Esse aspecto tem destaque neste estudo, quando os educadores entrevistados apontam que o papel do professor no processo de inclusão está relacionado ao comprometimento com seu trabalho, conhecendo as necessidades individuais de seus alunos e trabalhando essas diferenças na sala de aula. Cabe aos professores, segundo os participantes nesta pesquisa, dar oportunidades aos educandos com necessidades especiais de desenvolverem o seu potencial, atuando como mediadores no pro-cesso de aprendizagem.
É na pessoa do educador que se encontra o verdadeiro sentido da inclusão, não só do ponto de vista social, mas especialmente educacional. Cabe aos educadores uma mudança de postura, além da redefinição de seu papel diante da diversidade que encontra no âmbito escolar.
A inclusão não é algo impossível. Representa um desafio, que só será superado quando todos os profissionais do processo educativo se abrirem à mudança, revelando a necessidade de romper com a idéia preconcebida que muitos têm, que só educadores especializados podem trabalhar com alunos que apresentam necessidades educacionais especiais. O processo inclusivo não pode ser pensado como um trabalho concluído e individual e, sim, como um processo contínuo, interativo e cooperativo, no qual há a possibilidade de se partilhar experiências, tornando nossas escolas lugares privilegiados para se aprender sobre a inclusão, sendo possível discutir e construir saberes na diversidade.
1. Você é contra ou a favor a inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais nas classes regulares? Por quê?
2. Como as escolas do nosso sistema educacional podem se tornar espaços inclusivos?
3. Na sua opinião, os educadores estão preparados para receber alunos de inclusão? Comente.
4. Qual é o papel do professor no processo de inclusão de crianças com necessidades especiais?
5. Como o educador pode contribuir para o processo inclusivo das crianças com necessidades educacionais especiais?
QUESTIONáRIO PARA OS EDUCADORES
REFERêNCIAS
FERREIRA, W. B. Educação Inclusiva: será que sou a favor ou contra uma escola de qualidade para todos? Revista da Educação Especial, 2005, p. 40-46.
MANTOAN, M. T. E. A hora e a vez da Educação Inclusiva. Revista
______. O direito à diferença nas escolas. Pátio, ano VIII, n. 32, p. 13-15, 2005b.
PAULA, J. Inclusão: mais que um desafio escolar, um desafio social. São Paulo: Jairo de Paula, 2004.
RAMPAZZO, L. Metodologia científica: para alunos dos cursos de gra-duação e pós-gragra-duação. Lorena: Stiliano, 1998. p.55-56
SASSAkI, R. k. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 2.ed. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
The purpose of this study was to analyze the teacher’s role in the inclusion process with a group of educators, so we carried out a poll with teachers who teach in regular classes in the first years of elemen-tary schools. The participants reported their difficulty in acting on their own in an inclusive process and recognized that this inability is due to a deficiency in their courses of academic formation. The conclusion is that the inclusive process should be thought of as something continues, interactive and cooperative, where it’s possible to discuss and build up knowledge from the diversity.
ABSTRACT
Angélica Aparecida Malvão
Formanda do Curso de Pedagogia da Fatea.
Valéria Aparecida de Freitas
Formanda do Curso de Pedagogia da Fatea.
Carolina Arantes P. Barcellos