APRESENTAÇÃO
PALEO RJ/ES 2017 VESTIU
A CAMISA DO # UERJResiste
Por Hermínio I. de Araújo Júnior
ELEIÇÕES DO NÚCLEO
RJ/ES DA SBP 2018
Por Fernando Souza BarbosaMINHA EXPERIÊNCIA
COMO MÃE E CIENTISTA
Por Thaísa Araújo
DIÁRIO DE UM
PALEONTÓLOGO
Nº 19-21, set de 2017 - jun de 2018
ISSN 2318-7298
Paleonotícias On-line nº 19-21 Set de 2017 - Jun de 2018 ISSN 2318-7298
Rio de Janeiro Núcleo RJ/ES
Sociedade Brasileira de Paleontologia Biênio 2018-2020
Corpo Editorial
Hermínio Ismael de Araújo-Júnior
UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Lílian Paglarelli Bergqvist
UFRJ- Universidade Federal do Rio de Janeiro
Dimila Mothé
UNIRIO- Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Antonio Carlos Sequeira Fernandes
Museu Nacional- Universidade Federal do Rio de Janeiro
Fernando Henrique de Souza Barbosa
UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Rodrigo Giesta Figueiredo
UFES- Universidade Federal do Espírito Santo
Edição e Diagramação Márcia A. dos Reis Polck
ANM - Agência Nacional de Mineração Com colaboração de:
Rafael Costa da Silva
CPRM- Serviço Geológico do Brasil E-mail: [email protected]
SUMÁRIO
EXPEDIENTE
PÁG.
3PÁG.
9APRESENTAÇÃO
PALEO RJ/ES 2017 VESTIU
A CAMISA DO # UERJResiste
Por Hermínio I. de Araújo Júnior
ELEIÇÕES DO NÚCLEO
RJ/ES DA SBP 2018
Por Fernando Souza Barbosa
MINHA EXPERIÊNCIA
COMO MÃE E CIENTISTA
Por Thaísa Araújo
DIÁRIO DE UM
PALEONTÓLOGO
PÁG.
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4PÁG.
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NÚCLEO SBP RJ/ES NÚCLEO SBP RJ/ES No Brasil: XI Simpósio de Paleontologia de Vertebrados 16 a 20 de julho de 2018 Terezina - PI http://xisbpv.org/ 8 t h G e o s c i e n c e E d u c a t i o n Organization – IGEO / 8º Simpósio Nacional de Ensino e História de Ciências da Terra 22 a 27 de julho de 2018 Campinas - SP http://www.ige.unicamp.br/geoscied2018 70ª Reunião Anual da SBPC 22 a 28 de julho de 2018 Maceió - AL http://ra.sbpcnet.org.br/maceio/49º Congresso Brasileiro de Geologia / 9º Simpósio do Cretáceo do Brasil / VII Simpósio de Vulcanismo e
Ambientes Associados 20 a 24 de agosto de 2018 Rio de Janeiro - RJ https://www.49cbg.com.br/ IV Simpósio Brasileiro de Paleontologia de Invertebrados 08 a 10 de outubro de 2018 Rio de Janeiro - RJ https://sites.google.com/prod/view/4sbpi 2018/ No Exterior: IV Congresso Latinoamericano de Paleontologia e 6º Congresso Latinoamericano de Paleontologia de Vertebrados
Villa de Leyva, Boyacá - COLOMBIA 20 a 25 de agosto de 2018
https://viclpv.com/
EVENTOS
APRESENTAÇÃO
Por Hermínio Ismael de Araújo-Júnior
UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
2017: um ano duro para a Ciência brasileira! Cerca de 44% dos recursos destinados ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) foram cortados. A Ciência brasileira foi para o CTI! Pesquisas, universidades, conhecimento... cortes, cortes e mais cortes. Mesmo agonizando, a Ciência brasileira avançou! Seguindo o mesmo caminho, a Paleontologia brasileira também sofreu diversos cortes, especialmente no que diz respeito ao financiamento de projetos de pesquisa e extensão e à manutenção de bolsas de pesquisa. Experimentamos o amargo sabor do desrespeito à vida científica e acadêmica. Ainda assim, tivemos um ano de importantes descobertas paleontológicas, eventos científicos de qualidade e a divulgação científica através dos mais diferentes canais de comunicação.
O número condensado (19-21) do Boletim Paleonotícias Online traz alguns relatos de atividades e eventos científicos ocorridos ao longo de todo o ano de 2017 e nos primeiros meses de 2018, com foco nas atividades realizadas com o apoio da comunidade paleontológica dos estados do RJ e ES e do Núcleo RJ/ES da Sociedade Brasileira de Paleontologia. São apresentados relatos da realização da PALEO RJ/ES 2017, da Eleição para Diretoria do Núcleo RJ/ES da SBP, a homenagem da Comissão Organizadora da PALEO RJ/ES 2017 ao Prof. Ismar de Souza Carvalho (UFRJ), o relato da participação da aluna Thaísa Araújo e sua filha em evento científico de Paleontologia na Argentina e, por fim, a importância das bases de dados em Paleontologia, com ênfase na relevância da Base PALEO da CPRM.
Como Presidente da Comissão Organizadora da PALEO RJ/ES 2017, descrevi a experiência da realização do evento na UERJ, uma das instituições mais afetadas pela crise brasileira. Apesar da crise que abateu a Universidade nos últimos anos, a PALEO RJ/ES 2017 sagrou-se como um momento de celebração para a comunidade paleontológica do RJ por congregar tantos pesquisadores e alunos. Um dos recordes de público das PALEOs RJ/ES: 138 participantes! O paleontólogo Fernando Henrique Barbosa descreveu todo o processo eleitoral do Núcleo RJ/ES da SBP, o qual culminou com a eleição da chapa única inscrita, composta por Hermínio Ismael de Araújo Júnior (UERJ; Presidente), Lílian Paglarelli Bergqvist (IGEO-UERJ; Vice-Presidente), Dimila Mothé (UNIRIO; 1ª Secretária), Antonio Carlos Sequeira Fernandes (Museu Nacional-UFRJ; 2º Secretário), Fernando Henrique de Souza Barbosa (UERJ; 1º Tesoureiro), Rodrigo Giesta Figueiredo (UFES; 2º Tesoureiro) e Márcia Aparecida dos Reis Polck (ANM; Diretora de Publicações). A Diretoria tomou posse no dia 18 de maio de 2018 no Salão Nobre do Museu de Ciências da Terra, da CPRM, e ficará à frente do Núcleo RJ/ES até meados de maio de 2020.
Na 3ª nota, a aluna Thaísa Araújo, estagiária do Laboratório de Mastozoologia (LAMAS) da UNIRIO, descreveu a experiência única de participar de um evento científico de Paleontologia na Argentina acompanhada de sua filha. Em seu conto, podemos sentir um pouco “a dor e a delícia” de ser Mãe (no caso da Thaísa, Mãe Paleontóloga)!
Por fim, o paleontólogo Rafael Costa da Silva, da CPRM, descreveu em sua clássica sessão “Diário de um Paleontólogo” a importância das escalas e da contextualização na pesquisa paleontológica. O pesquisador deu ênfase à importância das bases de dados científicos, chamando a atenção para a grande quantidade de dados paleontológicos disponíveis na Base PALEO, da CPRM.
Desejamos a todos uma excelente leitura!
Por Hermínio I. Araújo-Júnior; Luzia Antonioli; Lélia M. A. Kalil Thiago & Fernando H. S. Barbosa
UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Embalada pelo tema #UERJResiste, a Reunião Anual Regional da Sociedade Brasileira de Paleontologia – Núcleo RJ/ES 2017, PALEO RJ/ES 2017, foi organizada pelos paleontólogos do Departamento de Estratigrafia e Paleontologia (DEPA), da Faculdade de Geologia (FGEL) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), especificamente pelos pesquisadores Hermínio Ismael de Araújo Júnior, Luzia Antonioli, Lélia Maria de Araújo Kalil Thiago e Fernando Henrique de Souza Barbosa. O evento ocorreu nos dias 1º e 2 de dezembro na Capela Ecumênica da UERJ, e contou com palestras, apresentações de trabalhos orais e em painel, excursão e confraternização. Ao todo, 138 inscritos estiveram presentes no evento, incluindo pesquisadores e alunos de graduação, pós-graduação e ensino médio. Participaram pesquisadores dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Goiás.
A logomarca oficial da PALEO RJ/ES 2017 foi elaborada pelo Prof. Hermínio Ismael de Araújo Júnior e faz alusão à tocha da logomarca da UERJ, símbolo maior da Universidade e de sua resistência ao longo de sua história. A tocha da PALEO RJ/ES 2017 também tem uma conotação paleontológica, simbolizando fósseis de gastrópodes nerineídeos e foraminíferos b e n t ô n i c o s , m u i t o c o m u n s n a s b a c i a s sedimentares brasileiras.
Ao todo, 37 trabalhos fizeram parte da programação científica da PALEO RJ/ES 2017, dos quais 14 foram apresentados oralmente e 23 sob a forma de painel. Entre os trabalhos apresentados, foram premiados como melhores trabalhos orais os trabalhos “Paleohistological characterization of
Paleo RJ/ES 2017
vestiu a camisa do # UERJResiste
anterior haemal archs of Maxakalisaurus topai Kellner et al., 2006 and Gondwanatitan faustoi Kellner & Azevedo, 1999 (Titanosauria: Neosauropoda)”, de autoria de Brum et al., e “Relation between maxila post-orbital blade and preopercular length in Paleopterygian fishes: an evolutionary approach”, de Figueroa & Gallo; e como trabalhos em painel, “A new look at the position of certain Cretaceous clupeomorph fishes”, de autoria de Figueiredo et al., e “Estudo de palinofácies do poço 9-FBA-83-BA - Formação Pojuca, Cretáceo Inferior, Bacia do Recôncavo”, de Leal et al.
O evento ganhou destaque pelas excelentes palestras ministradas pela Dra. Kátia Leite Mansur, a qual detalhou a importância da preservação do acervo paleontológico em sua palestra “Rochas e Fósseis: Porque e Como Conservar”, e pelo Dr. Ismar de Souza Carvalho, c u j a p a l e s t r a i n t i t u l a d a “ P a t r i m ô n i o Paleontológico do Brasil Central” abordou o registro fossilífero de uma região brasileira ainda pouco conhecida do ponto de vista paleontológico. Na ocasião, o Prof. Ismar de Souza Carvalho foi homenageado pela Comissão Organizadora pela sua importância no cenário paleontológico nacional e internacional, a qual muito orgulha a comunidade paleontológica do Rio de Janeiro. Sua homenagem foi elegantemente apresentada pelo Prof. Antonio Carlos Sequeira Fernandes, amigo de longa data do homenageado.
Foto de Letícia Paiva Belfort
Foto de Letícia Paiva Belfort
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NÚCLEO SBP RJ/ES
No dia 2 de dezembro, a Profa. Kátia Mansur coordenou a excursão de campo ao Centro Histórico do Rio de Janeiro, com o objetivo de a p r e s e n t a r a d i v e r s i d a d e g e o l ó g i c a e paleontológica representada nas fachadas de prédios do Rio de Janeiro. A excursão, conhecida por muitos geocientistas do Rio de Janeiro, abrilhantou a PALEO RJ/ES 2017 por apresentar uma nova perspectiva de ensino e pesquisa para a Paleontologia carioca, com foco no Geoturismo Urbano.
Foram apoiadores do evento o Núcleo RJ/ES da Sociedade Brasileira de Paleontologia, o Núcleo RJ/ES da Sociedade Brasileira de Geologia, o Programa de Pós-graduação em Análise de Bacias e Faixas Móveis da UERJ, o periódico Anuário do Instituto de Geociências e o Instituto Virtual de Paleontologia da UERJ.
Agora é aguardar as novidades da próxima PALEO RJ/ES, a qual terá lugar na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em Vitória/ES, no final de novembro. Nos vemos em Vitória! Nº 19-21, Set 2017 - jun 2018
Foto de Letícia Paiva Belfort Foto de Letícia Paiva Belfort Foto de Letícia Paiva Belfort
Foto de Letícia Paiva Belfort Foto de Letícia Paiva Belfort
Foto de André Pinheiro
Homenagem ao Professor Ismar Carvalho
Era uma bela manhã de um dia ameno em 1985 quando um jovem de sotaque lusitano bateu às portas do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional. Trazia consigo uma bagagem cultural elevada obtida ao longo de três anos nos corredores e salas do curso de geologia da Universidade de Coimbra. De comportamento educado e muito entusiasmado pelos estudos de geologia e paleontologia que pretendia desenvolver no Brasil trazia, nas mãos, um chumaço de folhas de fotocópias de livros e artigos sobre icnologia, tema que desejava pesquisar no Brasil e que se tornaria futuramente num dos seus principais tópicos de estudos paleontológicos, além de outros grupos de fósseis em geral; teve início, assim, uma parceria de 32 anos de pesquisas icnológicas e o começo de uma carreira acadêmica que o tornou um dos mais conhecidos e respeitados profissionais no campo da Paleontologia e da Geologia do Brasil.
Natural de Resende, no estado do Rio de Janeiro, o jovem de sotaque lusitano iniciou seus estudos em geologia ao matricular-se em 1979 no curso de Graduação em Geologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, curso que terminou por concluir na mais famosa universidade portuguesa, a secular Universidade de Coimbra, situada na encosta que se descortina às margens do Mondego. Retornando ao Brasil, e aos poucos perdendo o sotaque e o jeito de falar lusitano, em 1986 matriculou-se no curso de mestrado em geologia do Instituto de Geociências da UFRJ onde, sob a orientação do reconhecido paleontólogo ítalo-brasileiro Giuseppe Leonardi, desenvolveu uma dissertação cujo tema compreendia as pegadas de dinossauros e rastros de invertebrados da Bacia de Sousa e arredores, dando continuidade aos estudos de seu orientador. Não satisfeito, e agora já como docente concursado da UFRJ, iniciou seu doutorado em 1989, sob a orientação da Dra. Maria Antonieta da Conceição Rodrigues, professora da UFRJ e de nacionalidade portuguesa, mas sem sotaque lusitano, tendo por tema os conchostráceos da mesma bacia que estudou no mestrado, a Bacia de Sousa. O jovem, agora Mestre e Doutor em Geologia, e com sotaque já definitivamente carioca, concluiu sua
formação acadêmica com um Pós-doutorado na Universidade Estadual Paulista, Campus de Rio Claro, de 1998 a 1999; entretanto, ainda insatisfeito com sua formação acadêmica, e como resultado dos trabalhos que vinha desenvolvendo no campo da Divulgação da Ciência, em 2009 e 2010, cursou uma especialização neste tema na Fundação Oswaldo Cruz. Creio que, então, ficou satisfeito.
Paralelamente, sua carreira deslanchava. Como docente da UFRJ, lecionou e ainda leciona disciplinas nos cursos de graduação e pós-graduação, como Geologia das Bacias Sedimentares, Paleontologia, Icnologia, Geologia do Brasil, Métodos Curatoriais em Paleontologia, Geologia Histórica, entre outras. Além de lecionar, procurou atuar tanto na área administrativa como na pesquisa.
Na primeira, participou de atividades em conselhos internos, comissões e consultorias, incluindo como membro do Conselho de Relações Internacionais da UFRJ desde 2013, e eleito por duas vezes desde o final de 2010 como Diretor do Instituto de Geociências da UFRJ, cargo que ainda ocupa gerindo-o com inigualável maestria.
Como pesquisador nato, sempre procurou incentivar seus colegas e alunos na pesquisa da geologia e paleontologia do Brasil, atividade acadêmica que lhe rendeu grandes frutos e resultou na apresentação e publicação de inúmeros artigos expressos pelos seguintes números: oito livros publicados como autor ou organizador, 76 capítulos de livros, 151 artigos c o m p l e t o s e m p e r i ó d i c o s n a c i o n a i s e internacionais, 46 artigos completos e 339 resumos em anais de eventos científicos, 346 textos em jornais e revistas de divulgação e 230 apresentações de trabalhos técnicos, números que totalizam uma invejosa produção científica de 1.196 itens.
Sua seriedade como pesquisador levou ao seu reconhecimento pelas agências de fomento, aprovando seus pedidos de financiamento de projetos, convidando-o a participar de suas comissões e conselhos e concedendo-lhe bolsas de pesquisa relevantes como a de Bolsista de Produtividade do CNPq, atualmente Nível 1A, e Cientista de Nosso Estado, da FAPERJ. Membro do Corpo Editorial e consultor ad-hoc de diversos periódicos, dedica-se com especial atenção ao Anuário do Instituto de Geociências da UFRJ, atualmente classificado como B1 na Tabela da CAPES.
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NÚCLEO SBP RJ/ES
nem todas foi possível aqui mencionar em virtude de seu extenso currículo, fica muito difícil indicar a de sua maior preocupação. Neste caso, entretanto, é digna de nota a sua preocupação com a formação de pessoal nos diversos campos da geologia e da paleontologia, orientando trabalhos de conclusão na graduação, dissertações de mestrado e de doutorado na pós-graduação e supervisão de pós-doutorandos, ao mesmo tempo que participava de bancas examinadoras de muitos outros trabalhos de conclusão e, também, de concursos públicos que abriam novas chances e oportunidades para os novos doutores que se formavam. Aliás, a essa altura do campeonato, o nosso jovem já não estava mais tão jovem assim e, o seu linguajar, mais que carioca.
Sei que está difícil para a presente plateia descobrir o nome do homenageado da Paleo2017 do Núcleo RJ/ES da Sociedade Brasileira de Paleontologia; então, darei uma última “dica”. Como segunda preocupação do nosso agora jovem de meia-idade, está, em minha humilde opinião, o seu papel agregador, e para isto dou dois rápidos, mas significativos exemplos.
O primeiro, ocorrido quando de sua passagem na presidência da Sociedade Brasileira de Paleontologia, e como bom vascaíno eu era o
vice, foi a criação da Revista Brasileira de Paleontologia, principal órgão atual de divulgação da Paleontologia brasileira. Dentro do mesmo espírito à frente da SBP, foi a criação das reuniões anuais de final de ano conhecidas como PALEO, u m s u c e s s o a b r a ç a d o p o r d o c e n t e s , pesquisadores, alunos e interessados na paleontologia por todo o Brasil.
O segundo, visando preencher uma lacuna desde o esgotamento dos livros do saudoso paleontólogo Josué Camargo Mendes, foi a elaboração de um livro didático de Paleontologia elaborado com a participação de colegas paleontólogos das mais diversas especialidades. Já na sua 3ª edição com três volumes, a obra “Paleontologia”, editada pela Interciência, é utilizada em vários cursos de graduação em geociências.
Finalizando, antes que o ex-jovem atinja a terceira idade, creio não haver mais dúvidas sobre o nome de nosso homenageado. Errou que pensou em Raimundo Nonato, pois o nosso ilustre homenageado é o Prof. Dr. ISMAR DE SOUZA CARVALHO, a quem peço a todos que o saudem com uma salva de palmas.
Muito obrigado.
Antonio Carlos Sequeira Fernandes (MN/UFRJ)
Nº 19-21, Set 2017 - jun 2018
Por Fernando de Souza Barbosa
UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
No dia 18 de maio de 2018 ocorreu o Processo Eleitoral para a Diretoria do Núcleo Rio de Janeiro/Espírito Santo da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP), no Museu de Ciências da Terra (MCTer), Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Na oportunidade ocorreu a apuração dos votos digitais e presenciais que levou à vitória da chapa única, presidida pelo Dr. Hermínio Ismael de Araújo Júnior, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
A chapa recebeu 11 votos, elegendo o paleontólogo Dr. Hermínio Ismael de Araújo Júnior, que comandará a diretoria do Núcleo RJ/ES no próximo biênio 2018-2020. Houve 01 voto nulo. Além do Dr. Hermínio Ismael (presidente), a chapa vencedora do processo eleitoral é composta pelos paleontólogos Dra. Lílian Paglarelli Bergqvist (vice-presidente, IGEO/UFRJ), Dra. Dimila Mothé (1º Secretária, UNIRIO), Dr. Antônio Carlos Sequeira Fernandes (2º Secretário, UFES), Dr. Fernando Henrique de Souza Barbosa (1º Tesoureiro, UERJ), Dr. Rodrigo Giesta Figueiredo (2º Tesoureiro, MN/UFRJ) e Dra. Márcia Aparecida dos Reis Polck (Diretora de Publicações, ANM).
O período do processo eleitoral destinado às candidaturas de chapas foi de 26/03/2018 a 09/04/2018, tendo apenas uma chapa candidata homologada no dia 10/04/2018. A votação ocorreu em duas etapas, por e-mail e presencial. No período de 10/04/2018 a 17/05/2018, os eleitores realizaram a votação, exclusivamente por meio digital, através do encaminhamento digital de cédulas de votação. Na data de 18/04/2018 ocorreu a votação presencial, apuração dos votos e, durante Assembleia Extraordinária, divulgação do resultado final do processo eleitoral para a Diretoria do Núcleo RJ/ES. Após a divulgação do resultado final, a Comissão elaborou e encaminhou uma ata
ELEIÇÕES DO NÚCLEO RJ/ES
DA SBP 2018
contendo resultado final da eleição à atual Diretoria da SBP.
A Comissão Eleitoral estabelecida como responsável por todo o processo eleitoral, de acordo com Estatuto da SBP, foi composta pelos paleontólogos Dr. Rafael Costa da Silva (CPRM; presidente), Dra. Maria Antonieta da Conceição Rodrigues (UERJ) e Dr. Sandro Marcelo Scheffler (MN/UFRJ). Para a função de fiscal do processo eleitoral, a chapa concorrente nomeou o Dr. Fernando Barbosa.
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NÚCLEO SBP RJ/ES
agradecer todos aqueles que me ajudaram durante a viagem e o tempo que estivemos na Argentina, pois cuidar de uma criança fora de casa não é fácil! Muito obrigada Alline Rotti por conseguir acalmar os ânimos da Isabela quando eu não conseguia, Helena Machado por ser muito paciente com minha filha, meu orientador Leo Avilla pelo carinho que tem com ela, é lindo de ver. E por fim, meus agradecimentos a Karoliny de Oliveira por ter topado essa jornada longa com a gente e ter me ajudado muito! Foi incrível.
Minha experiência como mãe e cientista
Por Thaísa AraújoUNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Viajar com criança é sempre um desafio, ainda mais viajar de ônibus até outro país. No começo a ideia de ir de ônibus pareceu tentadora devido ao custo, ir de avião é confortável e caro (crianças pagam no avião!). Por fim, passagens retiradas pelo programa ID Jovem, lá vamos nós para Foz do Iguaçu! A partir dali, eu, Karoliny de Oliveira e minha filha Isabela seguiríamos viagem até a cidade de Corrientes, na Argentina.
O que era para ter sido uma viagem de pouco mais de 24 horas se tornou um pesadelo de 53 horas de viagem apenas de ida!!! Saímos do Rio de Janeiro às 8 horas do dia 9 de maio e chegamos a Corrientes 14h do dia 11 de maio. Foi extremamente cansativo viajar com a Isabela no colo por mais de dois dias, teve momentos que deu vontade de chorar de tanto cansaço, pensei “Que loucura foi essa que me meti” e por fim, chegamos ao destino.
Ao chegar a casa, sedentas por um banho quente e uma comidinha caseira, eis que o chuveiro deu problema e não tinha absolutamente nada para comer. Mas tudo bem, pois tudo valeu a pena depois que o congresso começou. A recepção argentina foi ótima, todos muito simpáticos e prestativos. O congresso foi ótimo do início ao fim (Viva Argentina, menos no futebol). Além dela, um bebê muito fofo e quietinho estava lá para abrilhantar ainda mais o evento. A grande preocupação de uma mãe ao levar filhos para eventos que requer silêncio é se as pessoas vão se incomodar com a presença da criança e com os barulhos, risadinhas, burburinhos que elas fazem. Felizmente não tivemos nenhum problema, pelo contrário, a Isabela foi muito bem vinda e isso me deixou feliz, incentivada ainda mais a sempre levar ela comigo para qualquer lugar.
Essa viagem foi um grande desafio, algo que vai ficar na memória por longos anos. Foram 4.200 km no total, muitas histórias engraçadas, cansaço, lugares e comidas diferentes, frases do tipo “Eu nunca mais viajo de ônibus na minha vida” e outras “Acho que nem foi tão cansativo assim, podemos fazer a maior viagem do mundo de ônibus qualquer dia”. E para concluir, devo
DIÁRIO DE UM PALEONTÓLOGO
Fósseis ao longe
Por Rafael Costa da Silva Serviço Geológico do Brasil – CPRM
Uma das primeiras coisas que aprendi sobre levantar perfis geológicos no campo é: olhe de longe, depois de perto (depois de longe de volta e novamente de perto, e sucessivamente). Quando nos atemos demais aos detalhes, a visão geral pode passar despercebida. Igualmente importante é buscar por outros afloramentos ao redor daquele estudado, observar se há repetições de padrões ou novas características relevantes. O objetivo, é claro, é entender o fóssil em seu contexto, e nisso chegamos a uma das questões fundamentais da ciência, que consiste em delimitar um problema científico e abordar a escala adequada.
Pode parecer uma questão trivial a princípio, mas na prática pode ser muito difícil saber se estamos dando o peso adequado a um dado isolado, por exemplo, ou o quanto uma amostragem está suficientemente representativa do todo. A questão não é apenas científica mas também protocolar. É preciso dosar o tempo adequado para realizar a pesquisa, quantidade de dados que precisam ou que podem ser levantados
nesse período de tempo e até o orçamento necessário ou disponível.
A Paleontologia é uma ciência de escalas por excelência. Ela contempla múltiplos níveis de grandezas, desde o detalhe estrutural de um nanofóssil até a sua distribuição geográfica em nível global. Vai dos breves segundos em que uma pegada é produzida até as mudanças paleoambientais ao longo de centenas de milhões de anos. Da camada à bacia sedimentar. O mais interessante é que o processo científico é essencialmente o mesmo, o que muda é basicamente a técnica de estudo.
Por isso, abordar a escala adequada é uma questão especialmente importante para nós. Paleontólogos, especialmente os que trabalham com vertebrados, gostam da escala de indivíduos. Como muitas vezes um fóssil é o único indivíduo conhecido de uma determinada espécie, é comum h a v e r l o n g a s d i s c u s s õ e s s o b r e s u a s interpretações que seriam facilmente encerradas com uma amostragem maior. Também nos prendemos demais à escala de afloramentos. Já houve casos em que quebrei a cabeça tentando interpretar um determinado afloramento, quando bastava ver outro do lado para entendê-lo. De fato, é comum que os arredores de afloramentos clássicos e famosos por seus fósseis sejam frequentemente pouco conhecidos, ou ao menos pouco descritos na literatura.
mas sim de informações paleontológicas que fazem sentido dentro do seu contexto histórico e geológico. Essa é uma característica necessária ao sistema devido à alta volatilidade das interpretações taxonômicas, que se modificam em uma frequência e quantidade maiores do que a capacidade de atualização.
A fonte de informação pode ser oriunda de projetos executados pela CPRM, de coleções científicas ou de publicações técnicas e científicas. Os documentos, que são as unidades básicas, incluem uma série de campos de preenchimento que visam coletar o máximo possível de informação de diferentes tipos de fontes, respeitando as suas necessidades.
E s s e s f a t o r e s e x p l i c a m v á r i a s características da base como:
- um documento pode conter apenas um exemplar de fóssil, quando se trata de uma ocorrência isolada ou de um exemplar tombado e numerado em coleção, ou pode conter diversos táxons da mesma localidade, quando a fonte não discrimina diferentes exemplares;
- um mesmo exemplar de fóssil pode estar presente em mais de um documento. Não se trata de redundância, mas de informações coletadas em fontes diferentes, geralmente de épocas distintas ou interpretadas por autores diferentes; Feita essa pretensiosa introdução,
aproveito para divulgar uma ferramenta de estudo com a qual tenho estado envolvido. A CPRM – Serviço Geológico do Brasil lançou esse ano o GeoSGB, sucessor do antigo Geobank com formas mais modernas de busca e apresentação dos dados. O GeoSGB é um sistema gerenciador via WEB que abrange diversas bases de dados temáticas, com possibilidade de consulta textual e espacial, downloads, cruzamento de dados, etc. Entre elas, inclui a Base PALEO, um sistema de informações paleontológicas que existe e vem sendo aprimorado desde a década de 1980 pela DIPALE - Divisão de Paleontologia da CPRM com o objetivo de registrar e compilar dados de ocorrências fossilíferas. A base foi elaborada a partir de sistemas computacionais simples disponíveis na época, tendo migrado ao longo do tempo para outros mais modernos. Desde então, tem crescido com a inclusão de informações provenientes de coleções e publicações indexadas, transformando-a na maior coletânea de dados paleontológicos do Brasil com mais de 30.000 documentos inseridos.
A Base PALEO consiste em um conjunto de registros de ocorrências fossilíferas provenientes de uma determinada fonte, organizados em documentos. Assim, a fonte de informação tem um caráter organizacional essencial e condicionante para a estrutura da base, visto que a mesma não representa um registro de fósseis,
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NÚCLEO SBP RJ/ES Nº 19-21, Set 2017 - jun 2018
são mais encontrados nas bordas das bacias e áreas menos vegetadas. Grande é a quantidade de ocorrências na plataforma continental, em parte devido à exploração de recursos minerais. Também estão disponíveis informações individuais de cada ocorrência, e a busca pode ser feita por diversos parâmetros como táxon, idade, tipo de ambiente, unidade litológica e outros. Claro que a base não representa toda a Paleontologia brasileira, mas é o melhor retrato feito até o momento.
Mais que isso, é uma ferramenta que permite obter informações paleontológicas em diferentes escalas, do fóssil à bacia sedimentar, de forma pontual ou em conjunto. As informações podem ser contextualizadas em diferentes níveis de complexidade, e a perspectiva é que novos dados e ideias possam emergir, ao longo do tempo, desse novo olhar da Paleontologia Brasileira.
O sistema está disponível gratuitamente em http://geosgb.cprm.gov.br/. Funciona melhor no Internet Explorer e por enquanto ainda está sendo testado e aprimorado, então problemas podem ocorrer. Pra quem está acostumado a fazer buscas no Google, há uma pequena curva de aprendizado a ser superada para melhor apreciar as funcionalidades do sistema, mas não é nada para quem já fez pesquisa nas fichas das bibliotecas.
- uma mesma fonte pode gerar diversos documentos, como é o caso de publicações que listam vários exemplares de fósseis numerados e depositados em coleções. Nesse caso, cada exemplar corresponderá a um documento;
- uma mesma localidade pode estar descrita em diferentes documentos quando as informações provém de fontes distintas.
C o m a c r e s c e n t e d e m a n d a n a espacialização de dados em bases geográficas consistentes a partir da sistematização em SIG, a Base PALEO passou a conviver com a problemática de conter grande parte de seu acervo desprovido de informações de georreferenciamento, já que grande parte dos dados são antigos e não são conhecidas as coordenadas da localidade de onde procedem. Nos últimos anos, a prioridade tem sido a inclusão de documentos georreferenciados, e o resultado começa a aparecer agora com o novo GeoSGB.
A primeira figura mostra a espacialização das ocorrências fossilíferas registradas na Base PALEO. Hoje, os dados georreferenciados representam pouco menos de um terço da base, com o restante disponível apenas de forma textual. Mesmo assim, a quantidade de informações impressiona. É possível vislumbrar os e s t a d o s q u e t i v e r a m p e s q u i s a s m a i s aprofundadas e numerosas, e quais áreas ainda são carentes de estudos. É nítido que os fósseis
Núcleo RJ/ES
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Presidente
Hermínio Ismael de Araújo-Júnior
UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro Vice-presidente
Lílian Paglarelli Bergqvist
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Dimila Mothé
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2º Secretário
Antonio Carlos Sequeira Fernandes
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1º Tesoureiro
Fernando Henrique de Souza Barbosa
UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro 2º Tesoureiro
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