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Anais do Conic-Semesp. Volume 1, 2013 - Faculdade Anhanguera de Campinas - Unidade 3. ISSN 2357-8904

TÍTULO: ANÁLISE COMPARATIVA DA DOENÇA PERIODONTAL INDUZIDA EM RATOS CONTROLES E DIABÉTICOS NA UTILIZAÇÃO DO EXTRATO DE PRÓPOLIS

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO

CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE

ÁREA:

SUBÁREA: ODONTOLOGIA

SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE ANHANGUERA - UNIDERP

INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): THAIS MUNHOS CHICHARO

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): BEATRIZ KEIKO MYIASATO DE SOUZA, LEDA MÁRCIA ARAÚJO BENTO

ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): GUILHERME APARECIDO MAIDANA DA SILVA, LUCAS MUNHOS CHICHARO

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ANÁLISE COMPARATIVA DA DOENÇA PERIODONTAL INDUZIDA EM RATOS CONTROLES E DIABÉTICOS NA UTILIZAÇÃO DO EXTRATO DE

PRÓPOLIS

RESUMO

O Diabetes Melito é uma doença crônica que influencia negativamente na doença periodontal, aumentando sua gravidade. Indivíduos diabéticos com periodontite apresentam pior controle metabólico, sendo a terapia periodontal suficiente para melhorá-lo. A utilização de fitoterápicos pode auxiliar no controle do biofilme subgengival, por apresentar ação anti-inflamatória, antimicrobiana, cicatrizante do tecido ósseo, entre outras, o própolis seria um fitoterápico auxiliar no controle da doença periodontal. Tendo como objetivo verificar o efeito do enxague bucal com o extrato de própolis no controle da progressão da doença periodontal em ratos diabético, espera-se como resultado da pesquisa a redução da progressão da doença periodontal após 30 dias de tratamento com o extrato de própolis.

INTRODUÇÃO

O Diabetes Melito é uma doença crônica caracterizada pela deficiência na secreção ou ação da insulina, que induz a múltiplas anormalidades sistêmicas e bucais (ALVES et al., 2007; VIEIRA et al., 2011; TOMITA et al., 2002). Dentre as complicações bucais da diabetes, a doença periodontal é considerada a mais importante e a sexta complicação clássica. A diabetes influencia negativamente na doença periodontal, aumentando sua agressividade. Além disso, indivíduos diabéticos com periodontite apresentam pior controle metabólico, pois ocorre aumento da resistência tecidual à insulina (ALMEIDA et al., 2006; FERREIRA, 2010; VERARDI et al., 2009).

A doença periodontal é a destruição dos tecidos de proteção e suporte dos dentes, tendo como principal fator etiológico o biofilme dental (VIEIRA et al., 2011; ALMEIDA et al., 2006; VERARDI et al., 2009; MAEHLER et al., 2010; RODINI, 2005). A manutenção da saúde dos tecidos periodontais é capaz de melhorar o controle metabólico de diabéticos (ALVES et al., 2006). Porém, se não for realizada corretamente, ocorre a recolonização da região tratada. Assim,

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a utilização de fitoterápicos auxiliam em um melhor controle do crescimento do biofilme dental subgengival em pacientes com periodontite (JUIZ et al., 2010). A própolis é extraída de flores, plantas, pólen e exsudato de árvores, pelas abelhas (TORRES et al., 2000; LUSTOSA et al., 2008; PEREIRA et al., 2002; SOUSA et al., 2007). Sua coloração pode ser amarelo, castanho, marrom esverdeado ou negro (NOGUEIRA et al., 2007). E tem sido bastante estudada e utilizada na fabricação de cosméticos e alimentos, tendo seu princípio ativo presente em vários produtos como os cremes para pele e as pastas dentifrícias. Isso ocorre por apresentar propriedades terapêuticas como, antimicrobiana, bactericida, bacteriostática, fungicida, fungistática, antiviral, antitumoral,

anti-inflamatória, antiflogística, antialérgica, bioestimuladora, dermatoplástica,

atividade citotóxica, anestésica, cicatrizante do tecido ósseo, cartilaginoso e polpa dental (GERALDINI et al., 2000; SIMÕES et al., 2007; MENEZES, 2005; SOUSA, 2006).

OBJETIVOS

O objetivo geral é verificar o efeito do enxague bucal com o extrato de própolis no controle da progressão da doença periodontal em ratos diabéticos.

E o objetivo específico, realizar análise dos resultados histológicos e morfológicos do tecido periodontal, análise microscópica das células inflamatórias.

METODOLOGIA

Foram utilizados 18 ratos machos da linhagem Wistar (200 g), distribuídos em grupos: Grupo controle com doença periodontal que receberam enxague com soro fisiológico, Grupo diabético com doença periodontal que receberam enxague com soro fisiológico e Grupo diabético com doença periodontal que receberam enxague com extrato de própolis, durante 30 dias. A diabetes foi induzida por injeção intraperitoneal com estreptozotocina (Sigma®, St. Louis) na concentração de 55 mg/Kg, sendo a mesma aferida antes e após a indução e por todo o tratamento com tiras de Accu-Chek Active®. Para a indução da doença periodontal (Figura 1) os animais foram anestesiados com Ketamina (0,08 ml/100

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g) e Xilazina (0,04 ml/100 g), sendo induzida com instrumentos odontológicos adaptados, colocando uma ligadura com fio de algodão número 24 da marca Corrente, no primeiro molar inferior esquerdo do animal.

Os animais foram mantidos em gaiolas plásticas individuais, forradas com maravalha, água e ração foram monitorados diariamente. Ao término do período estabelecido, foi feita a primeira leitura da glicemia, retirando-se uma gota de sangue da veia da cauda colocando sobre fitas reagentes da marca ACCU CHEC e a leitura será processada em aparelho especifico (GLUCOMETER). Os animais que apresentaram valores iguais ou superiores a 300 mg/dl de sangue foram separados e identificados para dar andamento aos grupos experimentais.

Para análise macroscópica foi utilizada uma máquina fotográfica da marca Samsung de 14.2 Mega Pixels. E para análise histológica foi realizado todo o processamento das lâminas, e as mesmas foram analisadas em microscópio. Pesquisa autorizada pelo Comitê de Ética no Uso de Animais da Anhanguera Educacional – CEUA/ESA - em 13/02/2012 por meio do parecer: 2677/2012.

DESENVOLVIMENTO

Aproximadamente 75% dos pacientes diabéticos possuem doença periodontal, com aumento de reabsorção alveolar e alterações inflamatórias gengivais (SONIS, 1996). A diabetes influencia negativamente na doença periodontal, aumentando sua agressividade, além de fazer com que esses indivíduos diabéticos apresentem pior controle metabólico (ALMEIDA et al., 2006; FERREIRA, 2010; VERARDI et al., 2009). A manutenção da saúde dos tecidos periodontais é capaz de melhorar o controle metabólico de diabéticos (ALVES et al., 2006). Porém, se não for realizada corretamente, ocorre a recolonização da região tratada, podendo ser utilizado como coadjuvante os fitoterápicos no controle do crescimento do biofilme dental subgengival (JUIZ et al., 2010).

A investigação científica da eficiência do extrato de própolis no enxague bucal, em ratos com a doença periodontal, pode ser uma opção de baixo custo para o controle desta doença entre os pacientes. Deve-se salientar que a iniciação científica é um instrumento que permite introduzir os estudantes de graduação na pesquisa científica e torna-se um instrumento de formação de recursos humanos qualificados, os quais terão oportunidade de buscar uma visão holística da sua

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área de formação e consequentemente para a atual globalização das áreas de conhecimento e ainda na utilização sustentável de fitoterápicos.

RESULTADOS

A utilização de fitoterápicos auxilia em um melhor controle do crescimento do biofilme dental subgengival em pacientes com periodontite (JUIZ et al., 2010). A própolis tem sido bastante estudada e utilizada por apresentar propriedades terapêuticas como a atividade antimicrobiana, bactericida, bacteriostática, fungicida, fungistática, anti-inflamatória, antialérgica, bioestimuladora, anestésica, cicatrizante do tecido ósseo, cartilaginoso e polpa dental (GERALDINI et al., 2000; SIMÕES et al., 2007; MENEZES, 2005; SOUSA, 2006).

Por apresentar propriedades benéficas a própolis foi utilizada para auxílio no controle da doença periodontal, podendo ser favorável para a diminuição da inflamação e destruição dos tecidos, que é causada pela doença e agravada pela Diabetes Melito.

Ao analisar de forma macroscópica da mandíbula dos ratos diabético com doença periodontal que receberam enxague com o extrato de própolis, comparada com a mandíbula dos ratos controle diabético com doença periodontal que receberam enxague com soro fisiológico, pode-se perceber que o desenvolvimento da doença periodontal ocorreu igualmente nos dois grupos, porém observa-se a diferença no tecido gengival.

Este tecido apresenta-se com maior destruição na mandíbula dos ratos controle e com grande acúmulo de biofilme dental. A gengiva apresenta aspecto edemaciado, estando fora do padrão de normalidade (figura 2).

Já na mandíbula dos animais que receberam enxague com extrato de própolis, o tecido gengival apresenta menor destruição, tendo regularidade da borda e menor acúmulo de biofilme dental. Além disso, o tecido gengival apresenta características dentro do padrão de normalidade, não estando edemaciado e com aspecto em forma pontilhada, “casca de laranja” (figura 3).

Ao realizar a análise histológica do material, podemos observar que no Grupo controle com doença periodontal (figura 4) que recebeu enxague com soro fisiológico houve destruição do osso alveolar causada pela ação dos osteoclastos e macrófagos. Há também, uma grande quantidade de infiltrado inflamatório crônico formado por linfócitos e plamócitos, muito característico em leões de

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doenças periodontais. Além disso, a presença de vaso sanguíneo com grande quantidade de hemácias na região de ligamento periodontal, mostrando a congestão vascular, caracterizando um processo inflamatório causado pela doença.

No grupo diabético com doença periodontal que recebeu enxague com soro fisiológico (figura 5), podemos observar a grande quantidade de células inflamatórias crônicas e presença de congestão vascular, com grande quantidade de vasos sanguíneos. A presença de grande destruição óssea alveolar também foi existente. Assim, a grande quantidade de população celular do infiltrado inflamatório e a presença de vaso congesto, demonstram a presença da instalação e da agressão da doença periodontal.

E no grupo diabético com doença periodontal que recebeu enxague com extrato de própolis (figura 6) foi observada a presença de vasos congestos, porém em menor concentração que nos demais grupos. Além disso, o processo de reabsorção do osso alveolar e a quantidade de infiltrado inflamatório crônico foi diminuída. Caracterizando a diminuição do processo inflamatório causado pela doença periodontal devido ao uso do extrato de própolis.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por apresentar propriedades benéficas a própolis pode auxiliar no controle da doença periodontal, e ser favorável para a diminuição da inflamação e destruição dos tecidos, que é causada pela doença periodontal e agravada pela Diabetes Melito.

Ao analisar de forma macroscópica as mandíbulas dos ratos nos três grupos, pode-se perceber o desenvolvimento da doença periodontal, porém observa-se a diferença no tecido gengival e na progressão da doença. A partir dos resultados macroscópicos podemos concluir que a ação antiinflamatória do extrato de própolis ocorreu de forma adequada, sendo confirmada através da análise histológica das células inflamatórias.

Por conseguir um resultado positivo no controle da doença periodontal, o extrato de própolis pode ser uma opção de baixo custo para os pacientes diabéticos.

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ANEXOS

Figura 1 – indução da doença periodontal com fio de algodão número 24 no primeiro molar inferior esquerdo.

Figura 2 – Primeiro molar inferior esquerdo com doença periodontal no animal controle diabético com doença periodontal.

Figura 3 – Primeiro molar inferior esquerdo de animal com diabete e doença periodontal que recebeu enxague com extrato de própolis.

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Figura 4 – Grupo controle com doença periodontal que recebeu enxague com soro fisiológico. (A: reabsorção óssea, B: congestão vascular e C: infiltrado

inflamatório crônico)

Figura 5 – Grupo diabético com doença periodontal que recebeu enxague com soro fisiológico. (A: congestão vascular e B:infiltrado inflamatório crônico)

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Figura 6 – Grupo diabético com doença periodontal que recebeu enxague com extrato de própolis. (A: reabsorção óssea, B: congestão vascular e C: infiltrado

inflamatório crônico)

FONTES CONSULTADAS

ALMEIDA, R. F.; PINHO, M. M.; LIMA, C.; FARIA, I.; SANTOS, P.; BORDALE, C. Associação entre doença periodontal e patologias sistêmicas. Ver Prot Clin Geral, v. 22, p. 379-390, 2006.

ALVES, C.; ANDION, J.; BRANDÃO, M.; MENEZES, R. Mecanismos patogênicos da doença periodontal associada ao diabetes melito. Arq Bras Endocrinol Metab, v. 51, n. 7, p. 1050-1057, 2007.

FERREIRA, F. F. Importância do tratamento periodontal em pacientes com diabetes mellitus na atenção básica. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família, Universidade Federal de Minas Gerais, 2010.

GERLDINI, C. A. C.; SALGADO, E. G. C.; RODE, S. M. R. Ação de diferentes

soluções de própolis na superfície dentinária – avaliação ultra-estrututal.

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JUIZ, P. J. L.; ALVES, R. J. C., BARROS, T. F. Uso de produtos naturais como coadjuvante no tratamento da doença periodontal. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 20, n. 1, p. 134-139, 2010.

LUSTOSA, S. R.; GALINDO, A. B.; NUNES, L. C. C.; RANDAU, K. P.; NETO, P. J. R. Própolis: atualizações sobre a química e a farmacologia. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 18, n. 3, p. 447-454, 2008.

MAEEHLER, M.; DELIBERADOR, T. M.; SOARES, G. M. S.; GREIN, R. L.; NICOLAU, G. V. Doença periodontal e sua influência no controle metabólico do diabete. RSBO, v. 8, n. 2, p. 211-218, 2010.

MENEZES, H. Própolis: uma revisão dos recentes estudos de suas propriedades farmacológicas. Arq. Inst. Biol., v. 72, n. 3, p. 405-411, 2005.

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RODINI, C. O. Doença periodontal inflamatória induzida por ligadura: caracterização microscópica e estudo da presença de mastócitos e das enzimas óxido nítrico sintase induzível (iNOS) e metaloproteinase -2 e -9. Dissertação apresentada à Faculdade de Odontologia de Bauru (Nível Mestrado), 2005.

SIMÓES, C. C.; ARAÚJO, D. B.; ARAÚJO, R. P. C. Estudo in vitro e ex vivo da ação de diferentes concentrações de extratos de própolis frente aos microrganismos presentes na saliva de humanos. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 18, n. 1, p. 84-89, 2008.

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SONIS, S. T. Princípios e prática de medicina oral. 2. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 491p. 1996.

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TOMITA, N. E.; CHINELLATO, L. E. M.; PERNAMBUCO, R. A.; LAURIS, J. R. P; FRANCO, L. J; GRUPO DE ESTUDOS DE DIABETES EM NIPO-BRASILEIROS. Condições periodontais e diabetes mellitus na população nipo-brasileira. Ver Saúde Pública, v. 36, n. 5, p. 607-613, 2002.

TORRES, C. R. G.; KUBO, C. H.; ANIDO, RODRIGUES, J. R. Agentes antimicrobianos e seu potencial de uso na Odontologia. Pós-Grad Ver Fac Odontol São José dos Campos, v. 3, n. 2, p. 43-52, 2000.

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Referências

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