Domínio público internacional e as
fronteiras marítimas do Brasil
Prof. Dr. Marcus Maurer de Salles
SUJEITOS DE DIREITO INTERNACIONAL
1. Estado
2. Organizações internacionais
O ESTADO NA ORDEM INTERNACIONAL
• 1. Elementos físicos
– a. Domínio público internacional
– b. Território e fronteiras marítimas
• 2. Elementos pessoais
– a. O nacional e o estrangeiro
Plano de aula
1. DOMÍNIO PÚBLICO INTERNACIONAL
A) Zonas polares B) Espaço aéreo
C) Espaço extra-atmosférico
2. FRONTEIRAS MARÍTIMAS BRASILEIRAS
A) Águas Interiores B) Mar Territorial C) Zona Contígua
D) Zona Econômica Exclusiva E) Plataforma Continental F) Alto Mar
1. DOMÍNIO PÚBLICO INTERNACIONAL
A) Zonas polares
B) Espaço aéreo
1. Domínio público internacional
A) Zonas polaresInteresse nas zonas polares
- Delimitação geográfica (navegação marítima e aérea) - Exploração econômica (caça, pesca e minerais)
- Preservação ambiental (geleiras, espécies em extinção)
Pólo Norte
- Ausência de massa terrestre
- Estados árticos: Estados Unidos, Canadá, Islândia, Dinamarca, Noruega e Rússia
- Ilhas povoadas são extensão dos territórios árticos - Escassez de recursos naturais
- Rota marítima e aérea
1. Domínio público internacional
Pólo Sul
- Ilha de 15 milhões de km²
- Único espaço terrestre internacional - Riqueza de recursos minerais
Tratado da Antártica - 1961
- Domínio da humanidade - Liberdade científica
- Não-militarização
- Preservação de recursos biológicos - Renovação em 1992 até 2042
1. Domínio público internacional
B) Espaço aéreoSoberania sobre o espaço aéreo
- A soberania estatal também se exerce no espaço acima do território incluindo o mar territorial.
- Acesso ao espaço aéreo depende de autorização expressa.
- Não existe direito de passagem inocente, a não ser que acordado pelos Estados.
Principais tratados
- Convenção de Paris – 1919 - Convenção de Chicago – 1944
1. Domínio público internacional
As cinco liberdades do ar
- Sobrevôo
- Escalas técnicas
- Embarcar quando o destino é o Estado de nacionalidade da aeronave
- Desembarcar quando oriundo de Estado de nacionalidade da aeronave
- Embarcar e desembarcar a qualquer Estado signatário da convenção
1. Domínio público internacional
C) Espaço extra-atmosféricoDelimitação do espaço
- Espaço cósmico ou sideral
- Prolongamento do espaço aéreo
Tratado de Nova York – 1967
Princípios reguladores das atividades dos Estados na exploração e uso do Espaço Cósmico, inclusive a Lua, e demais Corpos Celestes
- Os corpos celestes não podem ser objeto de apropriação. - Proibição de despejo de satélites desativados.
- Domínio da humanidade - Não-militarização
2. FRONTEIRAS MARÍTIMAS
A) Águas Interiores
B) Mar Territorial
C) Zona Contígua
D) Zona Econômica Exclusiva
E) Plataforma Continental
2. FRONTEIRAS MARÍTIMAS
Repartição jurídica do mar
- ¾ da superfície terrestre coberta de água
- 300 milhões de metros quadrados
- Diversidade jurídica das águas
- Convenção da ONU sobre o Direito do Mar
- Objetivo de uniformizar o tratamento jurídico
do mar
2. Fronteiras Marítimas
A) Águas interiores
Artigo 8º
- Águas situadas no interior da linha de base do mar
territorial fazem parte das águas interiores do
Estado.
Composição
- Mar aberto dentro da linha de base
- Rios, lagos, baias e golfos
2. Fronteiras Marítimas
Regulamentação
- Soberania absoluta do Estado
- Parte interna do domínio marítimo do Estado
- Não existe direito de passagem inocente
2. Fronteiras Marítimas
B) Mar territorial
Artigo 2º
- Faixa de água adjacente à linha costeira do Estado
- Parte externa do domínio marítimo do Estado
- Zona intermediária entre o Alto Mar e a terra
firme
- Extensivo ao espaço aéreo sobrejacente, ao leito
do mar e ao subsolo.
- Extensão de 12 milhas náuticas
- 1 milha náutica=1.853 metros
2. Fronteiras Marítimas
Regulamentação
- Competência aduaneira e securitária
- Direito de passagem inocente desde que
contínua e breve
- Restrições ao direito de passagem inocente
(Navios de guerra e navios de pesca)
- Direito de passagem inocente não se aplica ao
espaço aéreo sobre o mar territorial
2. Fronteiras Marítimas
C) Zona contígua
Artigo 33
- 12 milhas náuticas seguintes ao mar territorial
- Fiscalização aduaneira e fiscal
- Fiscalização securitária
- Conservação e exploração das riquezas animais e
minerais
- Evitar e reprimir infrações às leis aduaneiras,
fiscais, sanitárias e de imigração.
2. Fronteiras Marítimas
D) Zona econômica exclusivaArtigo 55
- 188 milhas além do mar territorial - Zona contígua integra a ZEE
- Regulamentação distinta do mar territorial e do alto mar
Competências
- Soberania sobre a exploração econômica
- Regulamentar a investigação científica, a proteção ambiental, construções de estruturas marítimas
2. Fronteiras Marítimas
E) Plataforma continentalArtigo 76
- Planície submersa adjacente à costa - Extensão territorial de um Estado
- Menos de 200 metros de profundidade
- Limite externo máximo de 350 milhas náuticas
- Possibilidade de aumento da Plataforma Continental
Competência
- Mesma competência da ZEE
- Exploração de recursos naturais no leito do mar ou subsolo - Riquezas minerais, reserva biológica animal e vegetal
2. Fronteiras Marítimas
F) Alto Mar
- Águas além das 200 milhas
- Águas sobre a plataforma continental
Liberdades
- Navegação e sobrevôo
- Exploração dos recursos naturais
- Instalação de cabos e oleodutos
2. Fronteiras Marítimas
Limites a liberdade em alto mar
- Combate ao tráfico de pessoas (escravidão) - Combate a pirataria (saques e roubos)
Deveres dos Estados em alto mar
- Exercício da jurisdição em embarcações nacionais - Manter registro de embarcações nacionais
Fundos marinhos
- Leito do mar fora da soberania dos Estados - Patrimônio comum da humanidade
2. Fronteiras Marítimas
Plano de Levantamento da Plataforma Continental
Brasileira
- Origem na época da ditadura militar
- Expansão da Petrobras
- Programa de Governo instituído pelo Decreto nº
98.145, de 15 de setembro de 1989
- Propósito de estabelecer o limite exterior da nossa
Plataforma Continental além das 200 milhas
- Objetivo de exercer direitos de soberania para a
exploração e o aproveitamento dos recursos naturais
do leito e subsolo marinho.
2. Fronteiras Marítimas
LEPLAC na ONU
- Apresentação da proposta em 2004
- Comissão de Levantamento da Plataforma
Continental
Relatório da Comissão em 2007
2. Fronteiras Marítimas
Reflexos da LEPLAC
- Soberania
- 1º país a aumentar a Plataforma Continental - Criação de uma “Amazônia Azul”
- Científica
- Investimentos em pesquisas
- Identificação de recursos naturais
- Econômica
- Riquezas minerais (petróleo) - Riquezas animais (pesca)
Próximas aulas
O ESTADO NA ORDEM INTERNACIONAL
• 1. Elementos físicos
– a. Domínio público internacional
– b. Território e fronteiras marítimas
• 2. Elementos pessoais
– a. O nacional e o estrangeiro
3. REGIMES JURÍDICOS ESPECÍFICOS
A) Estreitos
B) Canais
C) Rios internacionais
D) Estados arquipélagos
E) Estados sem litoral
3. Regimes jurídicos específicos
A) Estreitos- Acidentes geográficos naturais que fazem comunicar dois mares entre si.
- Águas integrantes do mar territorial de um ou mais Estados. - Em tempos de paz, deve se permite o direito de passagem
inocente a todo e qualquer tipo de embarcação.
Exemplos
- Estreito de Corfu (Gra-Bretanha e Albania) - Estreito de Magalhães (Argentina e Chile)
3. Regimes jurídicos específicos
B) Canais
- Vias de passagem e comunicação construídas artificialmente pelo homem.
- Construção em território de um ou mais Estados.
- Em princípio, estão sujeitos a soberania exclusiva dos Estados. - Canais podem ser internacionalizados por força de tratados. - Não existe direito de passagem inocente.
Exemplos
- Canal de Suez (Egito) - Canal do Panamá
3. Regimes jurídicos específicos
C) Rios internacionais
Rios contíguos
- Separam Estados - Rio Paraná - Bacia do Prata- Caso das Papeleras (Mercosul)
Rios sucessivos
- Atravessam dois ou mais Estados - Rio Amazonas
3. Regimes jurídicos específicos
Relevância - Transporte fluvial - Geração de energia - Irrigação Principais regras- Não interferir nas fontes e afluentes - Não alterar nem danificar as margens - Não desviar nem represar a água
- Não impedir o direito de navegação - A pesca deve respeitar as fronteiras