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Aspectos da Climatologia da Área Marítima Costeira do Brasil

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Academic year: 2021

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Aspectos da Climatologia da Área Marítima Costeira do Brasil

Silvia Regina Santos da Silva1, Natália Pereira Saraiva da Silva2, Fernanda Batista Silva3

1 Serviço Meteorológico Marinho - Centro de Hidrografia da Marinha, [email protected]. 2 Mestranda em Engenharia Oceânica - COPPE/UFRJ, [email protected]. 3 Serviço Meteorológico Marinho - Centro de Hidrografia da Marinha, [email protected].

RESUMO

Neste trabalho apresenta-se a climatologia de temperatura do ar, temperatura da superfície do mar e ventos para a área marítima costeira do Brasil elaborada a partir de dados do período de 1956 a 2006 do Banco Nacional de Dados Oceanográficos (BNDO), mantido pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN).

ABSTRACT

In this study it is presented the climatology for air temperature, sea surface temperature and winds for the coastal maritime area of Brazil compiled from data from the period 1956 to 2006 from the Banco Nacional de Dados Oceanográficos (BNDO) maintained by Directorate of Hydrography and Navigation (DHN).

Palavras-Chave: BNDO, climatologia, variabilidade sazonal e área marítima costeira brasileira.

1. INTRODUÇÃO

No que se refere à Segurança da Navegação, um dos aspectos primordiais é o conhecimento prévio das características climatológicas da região de interesse. Entretanto, a elaboração de uma climatologia para a área marítima brasileira não é tarefa fácil devido à escassez de dados observacionais. Uma importante fonte de dados é o Banco Nacional de Dados Oceanográficos (BNDO), mantido pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), o qual concentra, além de informações oceanográficas, dados meteorológicos provenientes de observações convencionais realizadas por navios da Marinha do Brasil (MB) desde 1956.

A área marítima de responsabilidade do Brasil, denominada METAREA V, pode ser

vista na figura 1 (maiores detalhes em

http://www.mar.mil.br/dhn/chm/meteo/info/transmissoes/apend1.htm). Nessa região, o Serviço Meteorológico Marinho (SMM), operado pela MB, é responsável por elaborar e divulgar previsões meteorológicas e avisos de mau tempo de forma a alertar o navegante sobre as principais situações que representam risco para a navegação.

Figura 1 – Área marítima de responsabilidade do Brasil – METAREA V.

O escoamento predominante na baixa atmosfera da METAREA V é consequência direta dos mecanismos da Circulação Geral da Atmosfera, tendo como características

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de Convergência Intertropical (ZCIT). Cabe ressaltar que tais sistemas apresentam variações sazonais significativas. Washington e Parkinson (1986) destacaram que, sazonalmente, todo o padrão tricecular move-se em direção ao norte durante o verão do Hemisfério Norte e em direção ao sul durante o inverno do Hemisfério Norte, à medida que a ZCIT se move em resposta às mudanças nos padrões de aquecimento solar. Embora os sistemas citados anteriormente afetem diretamente as condições de navegação na METAREA V, a maior parte dos eventos de mau tempo nas áreas oceânicas, com ventos fortes, é causada pela passagem de sistemas frontais e ciclones extratropicais associados. Trabalhos como Oliveira (1986) e Lemos e Calbet (1996) mostraram que os sistemas frontais atuam durante o ano todo sobre o Brasil com frequências maiores nas latitudes mais altas e menores nas latitudes mais baixas.

Em apoio às atividades marítimas da região, o presente trabalho visa à elaboração de uma climatologia de temperatura do ar, temperatura da superfície do mar e ventos para a METAREA V determinando os padrões de variabilidade sazonal de cada parâmetro.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

A METAREA V é subdividida em: área marítima costeira composta das subáreas ALFA (A), BRAVO (B), CHARLIE (C), DELTA (D), ECHO (E), FOXTROT (F), GOLF (G) e HOTEL (H) e área oceânica composta das subáreas SUL OCEÂNICA (S) e NORTE OCEÂNICA (N) (figura 1). Para a realização deste estudo, enfatizou-se a área marítima costeira para a qual os dados do BNDO, referentes ao período entre janeiro de 1956 a novembro de 2006, foram analisados por subárea e por mês. A separação e tabulação dos dados por área, mês e variável meteorológica de interesse foi realizada de forma automática pelo BNDO com uso da linguagem de programação Fortran.

A base de dados do BNDO compõe-se de observações meteorológicas convencionais efetuadas por navios da MB que atuaram na METAREA V desde 1956. Destaca-se que a distribuição dos dados é irregular, já que em algumas regiões houve um tráfego maior de navios que em outras áreas.

3. RESULTADOS

As figuras 2(a) e 2(b) apresentam a climatologia mensal de temperatura do ar e temperatura da superfície do mar para as subáreas ALFA a HOTEL.

Temperatura do Ar (ºC) 15 17 19 21 23 25 27 29 JAN FEVMA R ABR MA I JUN JUL AGO SET OU T NO V DEZ ALFA BRAVO CHARLIE DELTA ECHO FOXTROT GOLF HOTEL 2(a)

Temperatura da Superfície do Mar (ºC)

15 17 19 21 23 25 27 29 JAN FEVMA R ABR MA I JUN JULAGO SET OU T NO V DEZ ALFA BRAVO CHARLIE DELTA ECHO FOXTROT GOLF HOTEL 2(b)

Figuras 2(a) e 2(b) – Climatologia – Média Mensal – de Temperatura do Ar (ºC) e Temperatura da Superfície do Mar (ºC) para as subáreas ALFA a HOTEL.

As figuras 3(a) a 3(g) apresentam a climatologia, na forma de frequência percentual média anual, da direção do vento para as subáreas ALFA a HOTEL. Por apresentarem distribuições similares, as subáreas BRAVO e CHARLIE foram agrupadas numa única subárea.

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Área ALFA 14,06 23,64 14,53 8,51 14,60 13,11 7,00 3,99 N NE E SE S SW W NW 3(a) Área BRAVO/CHARLIE 10,68 23,97 23,82 10,46 12,92 9,80 7,47 4,07 N NE E SE S SW W NW 3(b) Área DELTA 15,90 28,23 19,65 11,57 11,81 6,06 3,26 3,00 N NE E SE S SW W NW 3(c) Área ECHO 9,43 32,93 19,77 10,17 1,57 1,04 1,34 23,29 N NE E SE S SW W NW ' 3(d) Área FOXTROT 8,01 38,58 38,35 1,78 0,52 0,93 0,56 9,77 N NE E SE S SW W NW 3(e) Área GOLF 8,48 42,94 37,00 6,01 0,81 0,83 0,95 2,54 N NE E SE S SW W NW 3(f) Área HOTEL 5,95 26,35 46,39 14,93 2,56 0,86 1,11 1,53 N NE E SE S SW W NW 3(g)

Figuras 3(a) a 3(g) – Climatologia – Frequência Média Anual (%) – da Direção do Vento para as subáreas ALFA a HOTEL.

As figuras 4(a) a 4(g) apresentam a climatologia mensal, na forma de frequência percentual, da intensidade do vento para as subáreas ALFA a HOTEL. Neste caso, também por apresentarem distribuições similares, as subáreas BRAVO e CHARLIE foram agrupadas numa única subárea.

Área ALFA 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

(% ) 01 a 05 nós 06 a 10 nós 11 a 15 nós 16 a 20 nós > 20 nós 4(a)

(4)

Área BRAVO/CHARLIE 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

(% ) 01 a 05 nós 06 a 10 nós 11 a 15 nós 16 a 20 nós > 20 nós 4(b) Área DELTA 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

(% ) 01 a 05 nós 06 a 10 nós 11 a 15 nós 16 a 20 nós > 20 nós 4(c) Área ECHO 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

(% ) 01 a 05 nós 06 a 10 nós 11 a 15 nós 16 a 20 nós > 20 nós ' 4(d) Área FOXTROT 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

JAN FEV NAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

(% ) 01 a 05 nós 06 a 10 nós 11 a 15 nós 16 a 20 nós > 20 nós 4(e) Área GOLF 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

(% ) 01 a 05 nós 06 a 10 nós 11 a 15 nós 16 a 20 nós > 20 nós 4(f)

(5)

Área HOTEL 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

(% ) 01 a 05 nós 06 a 10 nós 11 a 15 nós 16 a 20 nós > 20 nós 4(g)

Figuras 4(a) a 4(g) – Climatologia Mensal de Intensidade do Vento para as subáreas ALFA a HOTEL.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÃO

A análise dos dados mensais de temperatura do ar e temperatura da superfície do mar para a área marítima costeira indica que o maior afastamento do equador implica maior amplitude anual da temperatura. A variabilidade sazonal é claramente definida na área ALFA tornando progressivamente menor à medida que a latitude diminui. É interessante notar que as áreas BRAVO e CHARLIE apresentam curvas coincidentes uma vez que encontram-se na mesma faixa latitudinal.

Em relação à direção do vento, há o predomínio dos quadrantes NE e E nas áreas ALFA a ECHO o que se deve a influência da ASAS ao longo de todo o ano. A ocorrência das direções S e SW nas áreas ALFA a DELTA está relacionada aos sistemas frontais que atuam ao longo de todo o ano nessas subáreas. Nas áreas FOXTROT e GOLF, predominam ventos de direção E e SE que constituem os Ventos Alísios característicos dessas regiões. Na área HOTEL, com a maior parte de sua extensão ao norte do equador, é possível observar a influência dos Ventos Alísios de NE. De um modo geral, as faixas predominantes de intensidade do vento são 06 a 10 nós e 11 a 15 nós. Nas áreas FOXTROT e GOLF há um aumento da ocorrência de ventos entre 16 a 20 nós e maiores que 20 nós entre os meses de junho a novembro (dezembro no caso da área GOLF), indicando que nessas regiões os Ventos Alísios intensificam-se no inverno e primavera. Na área HOTEL observa-se que, com exceção dos meses entre maio e julho, a ocorrência de ventos maiores que 16 nós é de aproximadamente de 30% com intensificação entre dezembro e março (inverno no hemisfério norte). Dentre as áreas analisadas, a área ALFA apresenta a maior incidência de ventos com intensidade acima de 20 nós em razão da maior atividade de sistemas frontais e ciclones extratropicais nessa região.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

WASHINGTON, W. M.; PARKINSON, C. L. An Introduction to Three-dimensional

Climate Modeling. Mill Valley, CA: University Science Books, 1986. 422 p.

OLIVEIRA, A. S. Interações entre sistemas frontais na América do Sul e a convecção da

Amazônia. 115 p. Dissertação (Mestrado em Meteorologia) - Instituto Nacional de Pesquisas

Espaciais, São José dos Campos, SP. 1986.

LEMOS, C. F.; N. O. CALBET. Sistemas frontais que atuaram no litoral do Brasil (período 1987-95). Climanálise Especial – Edição Comemorativa de 10 anos. MCT/INPE/CPTEC. 1996. Disponível em <http://climanalise.cptec.inpe.br/~rclimanl/boletim/cliesp10a/14.html> Acesso em: 7 mar. 2010.

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