Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina

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Texto

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Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina

ACÓRDÃO N.

29036

PETIÇÃO N. 172-13.2013.6.24.0000 - CLASSE 24 - AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO DE DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA - 18a ZONA ELEITORAL - JOAÇABA (CATANDUVAS)

Relator: Juiz Ivorí Luis da Silva Scheffer Requerente: Monalisa Ruaro

Requerido: Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB)

PETIÇÃO. AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO DE DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA.

CONEXÃO.

Ainda que os mandatários pertençam ao mesmo partido político e invoquem semelhantes motivos para se desfiliar, não se caracteriza conexão entre processos propostos por vereadores de municípios diversos, pois cada julgamento depende da análise do caso concreto, não havendo que se proferir, necessariamente, decisões uniformes.

DIRETÓRIO ESTADUAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. O TSE firmou o entendimento de que nas ações que tratam de perda de mandato por desfiliação partidária o diretório municipal e o diretório estadual possuem legitimidade concorrente.

Se não há órgão de direção municipal anotado no Tribunal Regional Eleitoral deve o diretório estadual ser citado para contestar a ação de justificação de desfiliação partidária.

GRAVE DISCRIMINAÇÃO PESSOAL.

Não é suficiente para comprovar a ocorrência de grave discriminação pessoal a declaração unilateral subscrita por suposto presidente de agremiação partidária, cujo órgão de direção não foi anotado no Tribunal Regional Eleitoral, mormente quando desacompanhada de qualquer outra prova.

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A C O R D A M os Juízes do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, à unanimidade, em julgar improcedente o pedido, nos termos do voto do Relator, que fica fazendo parte integrante da decisão.

Sala de Sessões do Tribunal Regional Eleitoral. Florianópolis, 27 de janeiro de 2014.

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Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina

PETIÇÃO N. 172-13.2013.6.24.0000 - CLASSE 24 - AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO DE DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA - 18a ZONA ELEITORAL - JOAÇABA (CATAN DUVAS)

R E L A T Ó R I O

Monalisa Ruaro, vereadora do Município de Catanduvas, propôs Ação de Justificação de Desfiliação Partidária em face do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) (fls. 2/11).

Sustentou que vem sofrendo perseguição e grave discriminação pessoal do presidente da agremiação partidária municipal (art. 1o, § 1o, IV, da

Resolução TSE n. 22.610/2007), que teria minado o seu espaço político interno, impedindo-a dessa forma de implementar projetos e ideias, por falta de apoio das lideranças. Alegou, também, a sua exclusão das tratativas e das reuniões deliberativas da agremiação, o que demonstraria a impossibilidade da sua convivência política com o PSDB de Catanduvas. Asseverou, por fim, que, conforme declaração subscrita pelo Presidente da Comissão Executiva Municipal, Adair Dalapria (fl. 17), o Diretório Municipal do PSDB reconhece a procedência do pedido desta ação, pelo que renunciaria ao direito de contestá-la.

Requereu: [a] a concessão de medida liminar - em face do risco de perder o direito de se candidatar ao pleito de 2014, já que precisava filiar-se a outro partido até o dia 5/10 de 2013 - , a fim de que se reconhecesse a grave discriminação pessoal e, por consequência, a desfiliação do PSDB, sem a perda do seu atual mandato eletivo; [b] a dispensa da citação do PSDB municipal, nos termos do disposto no § 1° do art. 214 do CPC, ou, se esse não fosse o entendimento, a citação da referida agremiação partidária; [c] a intimação do Ministério Público para se manifestar no prazo de 48 horas; [d] e, ao final, a procedência da presente ação, com o reconhecimento da justa causa para a desfiliação do PSDB. Trouxe os documentos das fls. 12/23.

O pedido de liminar foi deferido (fls. 26/27), a fim de que a vereadora pudesse mudar de partido, sem prejuízo do mandato até o julgamento desta ação, e, como não havia órgão de direção municipal do PSDB válido registrado neste Tribunal, determinou-se a citação do órgão de direção estadual da grei partidária.

Citada, a direção estadual do PSDB afirmou que causou espanto a alegação de grave discriminação pessoal feita pela vereadora, pois, como única eleita pela agremiação no Município de Catanduvas, Monalisa Ruaro seria a maior liderança da agremiação na localidade. Sustentou que há fortes indícios de que o presidente do PSDB no município, Adair Dalapria, sofreu intimidação para que assinasse a declaração já referida, e que o pedido em questão soma-se a cinco pedidos idênticos, oriundos de diversos municípios, todos contendo declarações de igual teor ao da que fundamenta o presente requerimento. Aduziu, ainda, que todas as ações foram subscritas por advogados pertencentes ao mesmo escritório de advocacia, de responsabilidade de advogado que deixou o PSDB para compor o PR e que tem "ligação pessoal e familiar com o Presidente Estadual da referida sigla em Santa Catarina", e que eles estariam tentando promover o crescimento do partido

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PETIÇÃO N. 172-13.2013.6.24.0000 - CLASSE 24 - AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO DE DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA - 18a ZONA ELEITORAL - JOAÇABA (CATANDUVAS)

burlando a legislação. Asseverou que a autora não produziu nenhuma prova da grave discriminação pessoal e nunca relatou os fatos a qualquer liderança estadual ou nacional do PSDB. Requereu fosse o pedido julgado improcedente, bem como fosse a autora condenada, nos termos dos arts. 16 e 17 do CPC, por litigância de má-fé e ao pagamento de multa e honorários de sucumbência (fls. 31/34). Foram apresentados os documentos das fls. 36/41.

O Diretório Estadual do Partido da Social Democracia Brasileira apresentou reconvenção, com fundamento no art. 315 e seguintes do Código de Processo Civil, que foi indeferida de plano. Determinei, também, que a requerente informasse se houve desfiliação, a data em que ela ocorreu e o nome do partido para o qual migrou, a fim de que o novo partido fosse chamado a integrar a lide (fls. 55/56).

Monalisa Ruaro informou, à fl. 59, que permanecia no PSDB.

Foi realizada audiência para a oitiva de testemunha arrolada pela grei partidária (fls. 78/79).

O PSDB apresentou alegações finais às fls. 85/90, reiterando os termos da contestação e asseverando haver conexão entre esta ação e as Petições n. 174-80, 179-05, 178-20, 175-65, 176-50, 173-95 e 171-28, porquanto trata-se de ações de justificação de desfiliação partidária propostas por vereadores do PSDB, promovidas pelo mesmo escritório de advocacia, sendo idênticas e requerendo julgamento simultâneo, nos termos do disposto nos arts. 103 e 105 do CPC, a fim de evitar-se decisões contraditórias e de punir-se a conduta dos vereadores por "ação orquestrada com o intuito de burlar a legislação eleitoral vigente".

Em suas alegações finais, Monalisa Ruaro suscita, preliminarmente, a ilegitimidade passiva do diretório estadual do PSDB para contestar ação, baseando-se na jurisprudência dos Tribunais Eleitorais. No mérito, rechaça os argumentos da agremiação, reprisando os termos da petição inicial (fls. 92/103).

O Procurador Regional Eleitoral opinou pela improcedência do pedido de declaração de justa causa para a desfiliação partidária (fls. 104/108).

V O T O

O SENHOR JUIZ IVORÍ LUIS DA SILVA SCHEFFER (Relator): Inicialmente, necessário examinar a preliminar de conexão, suscitada pelo requerido.

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PETIÇÃO N. 172-13.2013.6.24.0000 - CLASSE 24 - AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO DE DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA - 18a ZONA ELEITORAL - JOAÇABA (CATANDUVAS)

teor, subscritas por advogados pertencentes ao mesmo escritório de advocacia -cujo responsável pertenceria ao PR e seria ligado ao presidente daquela agremiação no Estado de Santa Catarina -, baseadas em declarações semelhantes, e, dessa forma, seria necessária a reunião dos processos, por conexão, a fim de que decisões conflitantes não fossem proferidas e que fossem penalizados os vereadores requerentes, porque as ações teriam sido intentadas com o objetivo de burlar a legislação. Fundamenta o seu pedido nos arts. 103 e 105 do CPC.

Ainda que, em princípio, as circunstâncias relativas às ações em questão possam ser bastante semelhantes, entendo que não se há de necessariamente proferir decisões uniformes, pois em cada processo deverão ser examinadas as provas existentes a fim de determinar-se a relação existente entre o mandatário e a agremiação e se haveria ou não justa causa a legitimar a mudança de partido. Muito embora reconheça que a regra contida no art. 103 do Código de Processo Civil possa ser flexibilizada, entendo que neste caso não há necessidade de reunir os processos, pois o julgamento é colegiado, não havendo a possibilidade de que sejam proferidas decisões conflitantes. Além disso, eventual existência de má-fé no ajuizamento da ação deve ser analisada no caso concreto, não havendo ilicitude, em princípio, no fato de um mesmo escritório de advocacia ter promovido ações semelhantes ou no fato de um de seus advogados ser militante político ou possuir parentesco com presidente de agremiação partidária.

Portanto, além de não verificar preenchidos os requisitos legais para a reunião dos processos, reputo a providência totalmente desnecessária neste caso.

Assim, voto pela rejeição da preliminar de conexão.

2. A requerente suscita a prefaciai de ilegitimidade do órgão de direção estadual do partido para figurar no polo passivo da ação.

O parágrafo único do art. 11 da Lei n. 9.096/1995 estabelece que os partidos podem ser representados nos Tribunais Regionais Eleitorais pelos delegados credenciados pelos órgãos de direção estadual e nacional. Assim, em princípio, os órgãos de direção municipal dos partidos políticos não são admitidos a atuar perante o Tribunal Regional Eleitoral. Todavia, recentemente, exclusivamente para as ações que tratam da infidelidade partidária, vêm sendo aceitas as ações propostas por diretórios e comissões municipais, assim como as propostas em face desses órgãos.

Cito, nesse sentido decisão proferida pelo TSE no AgR-AC - Agravo Regimental em Ação Cautelar n. 45624 Montenegro/RS, Acórdão de 28/06/2012, Relator Min. Henrique Neves da Silva, cuja ementa diz o seguinte:

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PETIÇÃO N. 172-13.2013.6.24.0000 - CLASSE 24 - AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO DE DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA - 18a ZONA ELEITORAL - JOAÇABA (CATANDUVAS)

AÇÃO CAUTELAR. INFIDELIDADE PARTIDÁRIA. RECURSO ESPECIAL ADMITIDO. PRESSUPOSTOS PARA CONCESSÃO DA TUTELA DE

URGÊNCIA. PLAUSIBILIDADE. LIMINAR DEFERIDA.

1. Não há plausibilidade em relação à preliminar de ilegitimidade ativa. Os partidos políticos são representados pelos Diretórios Estaduais perante o

Tribunal Regional Eleitoral (Lei n° 9.096, de 1995, art. 11). Isso não impede, contudo, que o Diretório Municipal também possa propor a ação prevista na Res.-TSE n° 22.610, de 2007 quando o cargo almejado é municipal. Precedentes.

2. A legitimidade concorrente do Diretório Municipal e do Diretório Estadual para requerer o mandato municipal não implica na dobra do prazo previsto no art. 1° da Res.-TSE 22.610, de 2007.

(...)

De fato, em se tratando de alegação de grave discriminação pessoal, excetuados os casos em que se alegue que a segregação tenha partido da direção estadual, é o órgão municipal quem possui maior conhecimento dos fatos e que, em regra, entendo, deveria ser citado. Todavia, no caso concreto, verificou-se que o PSDB de Catanduvas não possuía órgão de direção anotado neste Tribunal -situação que se verifica até a presente data, pois a vigência do diretório anotado expirou no dia 24/03/2013. Por essa razão, não havia como proceder a citação do órgão de direção municipal, razão pela qual chamou-se o diretório estadual para integrar a lide.

Registro que, muito embora conste dos autos uma ata de reunião do diretório municipal do PSDB, ocorrida em 24/03/2013, na qual teriam sido eleitos os membros da executiva do partido para 2013/2015, a constituição do órgão de direção municipal não foi comunicada a este Tribunal, como determina o parágrafo único do art. 10 da Lei n. 9.096/1995, inexistindo, perante este Tribunal, representante do PSDB de Catanduvas.

Por esses motivos, voto por afastar a preliminar de ilegitimidade passiva.

3. No mérito, trata-se de pedido de justificação de desfiliação partidária formulado pela vereadora Monalisa Ruaro do PSDB, agremiação pela qual foi eleita em 2012.

A requerente afirma que sofreu "perseguição e grave discriminação pessoal, que, diante do inegável poder e influência que o titular do cargo de presidente de partido exerce, minou seu espaço político interno e acarretou na indisposição e falta de apoio e respeito por parte das lideranças, o que vem

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PETIÇÃO N. 172-13.2013.6.24.0000 - CLASSE 24 - AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO DE DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA - 18a ZONA ELEITORAL - JOAÇABA (CATANDUVAS)

políticas junto à legenda". Sustenta que era excluída de reuniões deliberativas e não era convocada para quaisquer tratativas, inexistindo possibilidade de convivência política entre ela e o PSDB de Catanduvas.

Para comprovar o alegado, apresentou declaração, datada de 23/07/2013, subscritas por Adair Dalapria, suposto presidente do diretório municipal do PSDB (já que, apesar da ata que comprovaria a eleição, não houve anotação neste Tribunal do diretório eleito naquela data), com firma reconhecida por tabelião no dia 02/08/2013, nos seguintes termos:

O PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA DO MUNICÍPIO DE CATANDUVAS, com registro nesse Egrégio Tribunal Regional Eleitoral e com sede na cidade de Catanduvas, Santa Catarina, comparece, respeitosamente, por seu representante legal (documentos que comprovam a legitimidade legal anexos), à presença de Vossa Excelência, para expor o que segue:

1. A Vereadora MONALISA RUARO, eleita para o mandato 2013-2016 pelo PSDB de Catanduvas, expôs a direção municipal desta agremiação partidária o interesse em propor perante esse Egrégio Tribunal Regional Eleitoral/SC, Ação Declaratória de Existência de Justa Causa para fins de desfiliação partidária, com fundamento na grave discriminação pessoal que vêm sofrendo internamente.

2. Nesta oportunidade o PSDB declara reconhecer a procedência do pedido da Vereadora MONALISA RUARO, afirmando que, de fato, não existe possibilidade de convivência política entre a VEREADORA e o PSDB do Município de Catanduvas, em face da grave discriminação pessoal existente e, neste ato reconhecida, nos termos do inc. IV do § 1o do art. 1o da

Resolução TSE n. 22.610/2007.

3. Desta forma, em razão da presente declaração, devidamente firmada, desnecessária a citação do PSDB Municipal e o cumprimento do § 3o, do art.

1o, da Resolução TSE n. 22.610/2007, conforme jurisprudência dominante no

TSE.

4. Em face do exposto, a Direção Municipal do PSDB de Catanduvas, por sua Comissão Executiva, manifesta-se pela procedência da ação, e renuncia a qualquer direito de apresentar contestação.

No entanto, a Direção Estadual do PSDB contestou a ação, afirmando desconhecer grave discriminação pessoal em Catanduvas e que, pelo contrário, por ser a única vereadora eleita da agremiação no município, Monalisa seria a maior liderança do partido. No seu entendimento, esta ação, assim como a proposta por outros vereadores da agremiação de municípios diversos narrando idênticos fatos, não passaria de uma estratégia do presidente estadual do PR para incrementar os quadros daquela agremiação.

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PETIÇÃO N. 172-13.2013.6.24.0000 - CLASSE 24 - AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO DE DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA - 18a ZONA ELEITORAL - JOAÇABA (CATANDUVAS)

Em audiência, foi colhido o depoimento de Jorge Luiz Dresch (gravação fl. 79), que afirmou ser coordenador regional do PSDB, mas que nada sabia sobre a grave discriminação pessoal que a vereadora alega ter sofrido. Disse ele que a vereadora era amiga do Deputado Jorginho Mello, que deixou o PSDB e migrou para o PR.

Tenho que neste caso a vereadora não conseguiu comprovar ter sofrido grave discriminação pessoal. Na verdade, ela sequer indicou em que consistiriam os atos da presidência da agremiação que teriam "minado seu espaço político e acarretado indisposição e falta de apoio e respeito das lideranças do partido", o que a declaração também não traz. Registro que esse mesmo argumento, com texto idêntico, foi utilizado por Vereadora do Município de Anitápolis na Petição n. 174-80.2013.6.24.0000, da minha relatoria e também em julgamento nesta data, como justa causa para a desfiliação. Sem a narrativa de fatos que demonstrassem a segregação sofrida pelo mandatário, impossível a este Tribunal concluir se trata-se de motivo justificado para a desfiliação ou de mera disputa política ocorrida no interior da agremiação, comum à democracia partidária, mas que o TSE não tem considerado como permissivo para a desfiliação, conforme se verifica nas seguintes ementas:

A mera divergência entre filiados com propósito de ser alcançada projeção política não constitui justa causa para a desfiliação (TSE. Pet. n. 2.756, Min. José Delgado, DJ de 05.05.2008).

E

A disputa e a divergência internas fazem parte da vida partidária" (TSE. Agravo Regimental em Ação Cautelar n. 198.464, de 7.10.2010, Min. Arnaldo

Versiani Leite Soares).

A declaração unilateral, firmada por Adair Dalapria, é insuficiente, no caso concreto, para comprovar que houve discriminação pessoal grave ou que a agremiação concorda com a saída da vereadora, autorizando que permaneça no mandato. Isso porque não há como se afirmar, com absoluta certeza, que Adair representava o PSDB de Catanduvas na época em que subscreveu a indigitada declaração, já que sua escolha como presidente jamais foi comunicada pela agremiação a este Tribunal. A própria advogada de Monalisa, na audiência, questionou os motivos de o PSDB não ter realizado eleição no município, o que foi confirmado por Jorge Luiz Dresch. Além disso, nenhuma prova foi apresentada que corroborasse o teor da declaração por ele firmada, e o diretório estadual do partido contesta veementemente a existência de qualquer ato discriminatório, do qual não teria tomado conhecimento, afirmando que, pelo contrário, era a requerente a única vereadora do partido e principal liderança política no município.

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Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina

PETIÇÃO N. 172-13.2013.6.24.0000 - CLASSE 24 - AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO DE DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA - 18a ZONA ELEITORAL - JOAÇABA (CATAN DUVAS)

O TSE entende que "autorizada a desfiliação pelo próprio partido político, não há falar em ato de infidelidade partidária a ensejar a perda de cargo eletivo' (AgRREspe Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral n. 67303 -Madeiro/PI, Acórdão de 27/11/2012, Relator Min. José Antônio Dias Toffoli). No entanto, entendo que a hipótese destes autos é bastante diferente, pois a declaração foi assinada por presidente de órgão partidário não credenciado perante este Tribunal, contestada pelo diretório estadual, não existem outras provas e nem foi indicada, concretamente, em que consistiria a discriminação sofrida pela parlamentar.

Recentemente, em ação de justificação de desfiliação partidária (Petição n. 162-66.2013.6.24.0000) que guardava algumas semelhanças com o processo em julgamento, considerei existente a justa causa. No entanto, naquele processo, além da declaração do órgão partidário que teria cometido a aventada discriminação, os conflitos internos e que realmente caracterizavam grave discriminação pessoal haviam sido narrados pela imprensa, estando fartamente comprovados nos autos (Acórdão n. 28.900, de 21/11/2013).

Neste caso, porém, apenas a declaração, firmada por pessoa que sequer figura neste Tribunal como presidente da agremiação no município, não é suficiente para autorizar que a vereadora permaneça no cargo ao deixar o partido.

Sobre o único ato discriminatório concretamente apontado, que seria a não convocação para reuniões partidárias, não se produziu nenhuma prova.

Em razão disso, deve ser julgada improcedente a ação.

Apesar de julgar improcedente o pedido, entendo que não deve ser aplicada à requerente sanção por litigância de má-fé, pois não estão configuradas as hipóteses previstas nos arts. 16 e 17 do CPC. Exerceu a requerente, apenas o direito de petição, não logrando, contudo, comprovar o alegado. Não evidencia má-fé, por si só, o fato de várias ações idênticas terem sido propostas pelo mesmo escritório de advocacia, nem o uso de petições com idêntico teor e acompanhadas de documentos semelhantes. Além disso, não se comprovou que a ação foi ajuizada em uma tentativa de burlar a legislação ou que a requerente pretendia migrar para o PR por ser amiga do Presidente Estadual da grei partidária. Descabe também, na Justiça Eleitoral, a condenação ao pagamento de honorários de sucumbência.

Ante o exposto, voto por julgar improcedente o pedido, declarando inexistir justa causa para a desfiliação da Vereadora Monalisa Ruaro do PSDB, e indeferir o pedido de aplicação de sanção por litigância de má-fé.

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PETIÇÃO N° 17213.2013.6.24.0000 AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO DE DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA

-CARGO - VEREADOR - PEDIDO DE CONCESSÃO DE LIMINAR - 18a ZONA ELEITORAL

-JOAÇABA (CATANDUVAS)

RELATOR: JUIZ IVORl LUIS DA SILVA SCHEFFER REQUERENTE(S): MONALISA RUARO

ADVOGADO(S): ARIANA SCARDUELLI; GISLAYNE MARIA RUIZ REQUERENTE(S): PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA ADVOGADO(S): NÍKOLAS SALVADOR BOTTÓS

REQUERIDO(S): PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA ADVOGADO(S): NÍKOLAS SALVADOR BOTTÓS

REQUERIDO(S): MONALISA RUARO

ADVOGADO(S): ARIANA SCARDUELLI; GISLAYNE MARIA RUIZ; JANICE BALDISSERA PRESIDENTE DA SESSÃO: JUIZ ELÁDIO TORRET ROCHA

PROCURADOR REGIONAL ELEITORAL: ANDRÉ STEFANI BERTUOL

Decisão: à unanimidade, afastar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgar improcedente o pedido de declaração de justa causa para a desfiliação partidária e indeferir o pedido de aplicação de sanção por litigância de ma-fé, nos termos do voto do Relator. Apresentaram sustentação oral os advogados Gislayne Maria Ruiz e Níkolas Salvador Bottós. Foi assinado o Acórdão n. 29036. Presentes os Juízes Eládio Torret Rocha, Vanderlei Romer, Paulo Marcos de Farias, Marcelo Ramos Peregrino Ferreira, Ivorí Luis da Silva Scheffer, Carlos Vicente da Rosa Góes e Hélio do Valle Pereira.

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