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Artigo
original
Literacia
em
saúde,
dos
dados
à
ac¸ão:
traduc¸ão,
validac¸ão
e
aplicac¸ão
do
European
Health
Literacy
Survey
em
Portugal
Ana
Rita
Pedro
a,∗,
Odete
Amaral
be
Ana
Escoval
aaDepartamentodePolíticaseGestãodeServic¸osdeSaúde,EscolaNacionaldeSaúdePública,UniversidadeNovadeLisboa,Lisboa,
Portugal
bUnidadedeEnfermagemdeSaúdePública,FamiliareComunitária,EscolaSuperiordeSaúdedeViseu,InstitutoPolitécnicodeViseu,
Viseu,Portugal
informação
sobre
o
artigo
Historialdoartigo: Recebidoa6dejaneirode2016 Aceitea18dejulhode2016 On-linea19deoutubrode2016 Palavras-chave: Literaciaemsaúde Estudosdevalidac¸ão Questionários
r
e
s
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m
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Nosúltimosanos,diferentesestudostêmdemonstradoqueumnívelinadequadode lite-raciaemsaúdepodeterimplicac¸õessignificativasnosresultadosemsaúde,nautilizac¸ão dosservic¸osdesaúdee,consequentemente,nosgastosemsaúde.Oconceitodeliteracia emsaúdeevoluiudeumadefinic¸ãomeramentecognitivaparaumadefinic¸ãoqueengloba ascomponentespessoalesocialdoindivíduo,assumindo-secomoacapacidadedetomar decisõesfundamentadasnoseudia-a-dia.
Opresenteestudo transversal analíticoteve como objetivotraduzir e validarparaa populac¸ãoportuguesaoEuropeanHealthLiteracySurvey(HLS-EU).
OHLS-EU-PTfoiaplicadoemtodooterritórionacional,incluindoasregiõesautónomas, atravésdeinvestigadoresdeumaredeacadémica.Arecolhadedadosfoirealizadapor entrevistapresencial.Aamostrafinal ficouconstituídapor1.004indivíduoscomidades ≥16anos.
Esteestudodisponibilizouoinstrumentodeavaliac¸ãodoníveldeliteraciaparaasaúde emPortugal,tãoimportantenagestãodasaúde.
OHLS-EU-PTapresenta-secomouminstrumentoadequadoparaaferironíveldeliteracia emsaúdedapopulac¸ãoportuguesaeevidenciapropriedadespsicométricascomparáveisàs versõesutilizadasnosoutrospaíses.
EmPortugal,61%dapopulac¸ãoinquiridaapresentaumníveldeliteraciageralemsaúde problemáticoouinadequado,situando-seamédiados9paísesem49,2%.
Relativamenteàdimensãocuidadosdesaúde,apenas44,2%apresentaumnível sufici-enteouexcelentedeliteraciaemsaúde.Noquerespeitaàprevenc¸ãodadoenc¸a,cercade 45%dosinquiridosrevelaterumnívelsuficienteouexcelentedeliteraciaemsaúde, com-parativamentecomamédiados9países,quenestadimensãoapresentaovalorde54,5%. Nadimensãopromoc¸ãodasaúde,60,2%dapopulac¸ãoauscultadaapresentaumnívelde literaciaemsaúdeproblemáticoouinadequado,sendoqueamédiasesituanos52,1%.n
∗ Autorparacorrespondência.
Correioeletrónico:[email protected](A.R.Pedro). http://dx.doi.org/10.1016/j.rpsp.2016.07.002
0870-9025/©2016OsAutores.PublicadoporElsevierEspa ˜na,S.L.U.emnomedeEscolaNacionaldeSa ´udeP ´ublica.Este ´eumartigoOpen Accesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Assim,considera-sefundamentaleurgenteaconcec¸ãoeimplementac¸ãodeuma estra-tégianacionaldeliteraciaemsaúde.
©2016OsAutores.PublicadoporElsevierEspa ˜na,S.L.U.emnomedeEscolaNacionalde Sa ´udeP ´ublica.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Health
Literacy,
from
data
to
action:
Translation,
validation
and
application
of
the
European
Health
Literacy
Survey
in
Portugal
Keywords:
HealthLiteracy Validationstudies Surveys
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Inthelastfewyears,severalstudieshaveshownthatinadequatehealthliteracylevelscan havesignificantimplicationsinhealthoutcomes,intheuseofhealthcareservicesand, consequently,inhealthcosts.Theconceptofhealthliteracyhaschangedfromapurely cognitivedefinitiontoadefinitionthatincludesthepersonalandsocialcomponentsofthe individual,assumingtheabilitytomakeinformeddecisionsintheireverydaylife.
Thisanalyticalcross-sectionalstudyaimedtotranslateandvalidatetheEuropeanHealth LiteracySurvey(HLS-EU)tothePortuguesepopulation.
TheHLS-EU-PThasbeenappliedthroughoutthecountry,includingtheautonomous regi-ons,throughresearchofanacademicnetwork.Datacollectionwasconductedbypersonal interview.Thefinalsamplewascomposedof1004individualsaged≥16years.
ThisstudyprovidedtheassessmenttoolofliteracylevelforhealthinPortugal,so impor-tantinhealthmanagement.
TheHLS-EU-PTisanadequateinstrumenttomeasurethehealthliteracylevelsof Por-tuguesepopulationandshowscomparablepsychometricpropertiestoversionsusedinthe othercountries.
InPortugal,61%ofthesurveyedpopulationhasgeneralhealthliteracylevelproblematic orinadequate,reachingtheaverageoftheninecountriesin49.2%.
ConcerningtheHealthcaredimension,only44.2%haveasufficientorexcellentlevelof healthliteracy.Intermsofdiseaseprevention,about45%ofrespondentsrevealasufficient orexcellentlevelofhealthliteracy,andtheaveragestandsat54.5%.InHealthPromotion dimensionabout60.2%oftheauscultatedpopulationhasanhealthliteracylevel problema-ticorinappropriate,andtheaveragestandsat52.1%.
Therefore,itisfundamentalandurgenttodesignandimplementaNationalStrategyfor HealthLiteracy.
©2016TheAuthors.PublishedbyElsevierEspa ˜na,S.L.U.onbehalfofEscolaNacional deSa ´udeP ´ublica.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Enquadramento
Duranteasúltimasdécadastemcrescidoointeressena litera-ciaemsaúdeenquantoconceitofundamentalparaumpapel maisativoporpartedoscidadãosemmatériadesaúdeede cuidadosdesaúde1–3.
O conceito de literacia em saúde surge em 1974 num artigo intitulado «Health education as social policy», inti-mamenteligado àsquestões de promoc¸ãode saúde4, mas
atualmenteassume-setambémcomoferramenta fundamen-tal para «navegar» nos sistemas de saúde, cada vez mais complexos5.
O conceito literacia em saúde, ao longo dos últimos anos, tem ganho destaque na agenda europeia para a saúde6–8,evidenciando-seemdiferentespublicac¸õesoficiais
deorganizac¸õespolíticaseuropeias,comosejamoWhitePaper
intituladoTogetherforHealthdaComissãoEuropeia9,oVilnius
DeclarationonSustainableHealthSystemsforInclusiveGrowthin
Europe10,oHealth2020strategyoftheWorldHealthOrganization11
e oHealth literacy:the solidfacts12, da Organizac¸ãoMundial
deSaúde(OMS),baseadonosresultadosdoestudoEuropean Health LiteracySurvey (HLS-EU)13, financiadopela Comissão
Europeia.
TambémemPortugalapromoc¸ãodaliteraciaemsaúdedos cidadãostemsido,nasúltimasdécadas,identificadacomoo caminhoparaamelhoriadoscuidadosdesaúdeeassumida como umapreocupac¸ãonadefinic¸ãodepolíticasdesaúde, contemplada inclusivamente no Plano Nacional de Saúde (PNS)2012-201614.
Apesardoconceitotersidoutilizadopelaprimeiraveznos anos70,foisomentenofinaldadécadade90quesurgiram asprimeirasdefinic¸õesdoconceitoe,desdeentão,estetem vindo aevoluir. Evoluiude umadefinic¸ãorelacionadacom desempenhodedeterminadastarefas,numaperspetiva com-pletamenteindividual,paraumconceitoquecontemplanão sóacomponentepessoal,mastambémacomponentesocial do indivíduo, assumindo-se como a capacidade de tomar
decisõesfundamentadasnoseudia-a-dia,assumindoas res-ponsabilidadesdessasdecisões.
Assim,em1998,aOMS definiuliteraciaemsaúdecomo oconjuntode«competênciascognitivas esociaisea capa-cidadedos indivíduos para acederem à compreensão eao usodainformac¸ão,deformaapromoveremanterumaboa saúde»15.
Noanoseguinte,umrelatóriodoCouncilofScientificAffairs da AmericanMedical Association,datadode 1999,refere-se à literaciaemsaúdecomo«acapacidadedelerecompreender prescric¸ões,bulasdemedicamentos,eoutrosmateriais essen-ciaisrelacionadoscomasaúderequeridosparacomsucesso serpossívelofuncionamentocomodoente»16.
SãoKickbuschetal.,em2005,queacrescentamàdefinic¸ão acomponentesocialedevidaemsociedade,definindo lite-racia em saúde como «a capacidade para tomar decisões fundamentadas,nodecursodavidadodia-a-dia,emcasa,na comunidade,nolocaletrabalho,nautilizac¸ãodeservic¸osde saúde,nomercadoenocontextopolítico.Éumaestratégia decapacitac¸ãoparaaumentarocontrolodaspessoassobre asuasaúde,acapacidadeparaprocurar informac¸ãoepara assumirasresponsabilidades»5.
De2005aestaparteoutrasdefinic¸õestêmsido preconi-zadas17–25,no entanto,nenhumaserevela tãocompletae
integradoracomoadeKickbuschet al.5,peloquecontinua
aseradefinic¸ãomaisutilizadaemtrabalhosacadémicos. DeacordocomNutbeam25,aliteraciaévistausualmente
como sendoconstituída por2elementos fundamentais, as tarefas(tasks)eascompetências(skills).Aliteraciabaseadanas tarefasrefere-seàmedidadeacordocomaqualoindivíduo conseguerealizardeterminadas tarefas,como lerumtexto básicoouescreverfrasessimples.Poroutrolado,aliteracia baseada em competências centra-se no nível de conheci-mentoecompetênciasqueaspessoasdevemterpararealizar taistarefas.
Omesmoautor considera 3tiposou níveisde literacia, designadasdefuncional(oubásica),interativa (comunicaci-onal)ecrítica2.
- Literaciafuncional/básica:competênciassuficientesparalere escrever,permitindoumfuncionamentoefetivonas ativi-dadesdodia-a-dia.
- Literacia interativa/comunicativa:competências cognitivas e de literacia mais avanc¸adas que, em conjunto com as capacidadessociais,podemserusadasparaparticiparnas atividadesnodia-a-dia,paraobterinformac¸ãoe significa-dosapartirdediferentesformasdecomunicac¸ãoeaplicar essanovainformac¸ão.
- Literacia crítica: competências cognitivas mais avanc¸adas que,juntamentecomascapacidadessociais,podemser uti-lizadasparaanalisarcriticamenteainformac¸ãoeusaresta informac¸ãoparaexercermaiorcontrolosobreassituac¸ões davida.
A importância da literacia em saúde como tema de investigac¸ãotemsido destacadanumconjuntodeestudos, quesugerequeestapodedesempenharumimportantepapel namanutenc¸ãooumelhoriadacondic¸ãodesaúde,equepode serumelementopreditorpoucoexploradodedesigualdades emsaúde26–28.
Para além de a literacia em saúde desempenhar um papel fundamentalnatransic¸ãodomodelobiomédicopara o«collaborativemanagement»(modelocolaborativo)29,osseus
impactes incluem um melhor estado de saúde, a reduc¸ão dos custos de cuidados de saúde, o aumento do conheci-mentoemsaúdeeautilizac¸ãomenosfrequentedosservic¸os desaúde30–33.DeacordocomBaker34,35,estesresultadosem
saúdesãoconsequênciadaaquisic¸ãodenovos conhecimen-tos,deatitudesmaispositivas,deumamaiorautoeficáciaede comportamentosdesaúdepositivosassociadosaumamaior literaciaemsaúde.
Nosúltimosanos,váriosestudostêmdemonstradoqueum nívelinadequadodeliteraciaemsaúdepodeterimplicac¸ões significativas,tantonasaúdeindividualcomocoletiva,ena gestãodosrecursosegastosemsaúde35–39.
Literaciaemsaúdeeresultadosemsaúde
A relac¸ão entre o nível de literacia e estado de saúde da pessoa está bem documentada na literatura científica35–39
– os indivíduos com baixa literacia em saúde apresentam menorprobabilidadede:(i)compreenderinformac¸ãoescrita eoralfornecidapelostécnicosdesaúde;(ii)seremcapazesde navegarpelosistemadesaúdeparaobterosservic¸os neces-sários;(iii)realizarosprocedimentosnecessários;e(iv)seguir indicac¸õesprescritas.
Comoconsequência,sabe-sehojeemdiaqueumnível ina-dequadodeliteraciaemsaúdeacarretamuitoscustosparao sistema40–43.
Umaliteraciaemsaúdeinadequada(quandocomparada comumaliteraciaemsaúdeadequada)estáfortementeligada aumbaixoconhecimentooucompreensãoquerdosservic¸os de prestac¸ãode cuidados,querdosprópriosresultadosem saúde,epoderáestartambémassociadaaumaprobabilidade elevadadehospitalizac¸ão,umaelevadaprevalênciae severi-dadedealgumasdoenc¸as crónicas,piorescondic¸ões gerais desaúde,eumabaixautilizac¸ãodeservic¸osdeprevenc¸ãoe rastreiodedoenc¸a44,45.
Umnívelbaixoliteraciaemsaúdetemvindoaser iden-tificado emdiversos estudos como um fator de risco para diversasdoenc¸as46,nomeadamente:obesidade(umnívelde
literacia emsaúde inadequadotem sido associado a valo-ressuperiores deíndicedemassacorporal)47,48, diabetes49,
doenc¸ascardiovasculares50ecancro51.Níveisadequadosde
literaciaemsaúdeparecemresultaremmelhoriasnacondic¸ão desaúdedaspessoas.
Estudosrecentesdestacamarelac¸ãoentreumnível inade-quadodeliteraciaetaxasdemortalidademaiselevadas,sendo queoriscodemortalidadenosidososéclaramentesuperior empessoascomumabaixaliteraciaemsaúde50.Osmotivos
paraestarelac¸ãocentram-semuitonumamenorcapacidade queosidosostêmparatomarosmedicamentoscorretamente, numamenorcapacidadedeinterpretarosrótuloseas men-sagensdesaúdeenaexistênciadepiorescondic¸õesdesaúde geralnestegrupopopulacional52.
Aliteraturaapontaparaqueosidosos,osdoentes cróni-coseaquelesqueprecisamdetomarmedicac¸ãoregularmente (tidoscomogruposmaisvulneráveis),sejamosmaisafetados pelosinadequadosníveisdeliteraciaemsaúdeeemquem
sefazem sentirmaisosefeitosdeinadequadaliteracia em saúde50,52.
Contudo,aliteraturatambémapontaparaqueosefeitosde uminadequadonívelde literacia emsaúdenosresultados desaúdepodemseratenuadosatravésdeapoiosocialoupelas característicasdoprópriosistemadesaúde52.
Aliteraturaanalisadasobreintervenc¸õesdepromoc¸ãode literaciaparamelhorarresultadosemsaúdedemonstraque existemváriasintervenc¸õescomresultadossignificativos.Os programasde autogestãodesaúdeparecemserefetivosna reduc¸ãodaprevalênciadealgumasdoenc¸as,eo desenvolvi-mentodealgumasplataformase/oumateriaisespecíficospara promoc¸ãodaliteraciaemsaúdesãoefetivoseconstituem-se estratégiaseficientesparaaautogestãodedoenc¸ascrónicas, nomeadamentediabetes,obesidade,asmaehipertensão,ena adesãoàterapêutica53–57.
Literaciaemsaúdeeutilizac¸ãodosservic¸osdesaúde
Deacordocomaliteratura,umnívelinadequadodeliteracia emsaúdeestáfortementeligadoaumbaixoconhecimento oucompreensãoquerdosservic¸osdeprestac¸ãodecuidados, querdosprópriosresultadosemsaúde,epoderáestartambém associadoaumaprobabilidadeelevadadehospitalizac¸ão58–
com períodos mais longos de internamento, maisexames de diagnóstico e baixa adesão à terapêutica medicamen-tosa – uma elevada prevalência e severidade de algumas doenc¸as crónicas,piores condic¸ões geraisde saúde,euma desvalorizac¸ãodosservic¸osdeprevenc¸ãoerastreio44,45,59.De
acordocomoInstituteofMedicine(IOM),dosEstadosUnidos daAmérica (EUA),estátambémnegativamenterelacionado comaautogestãodedoenc¸ascrónicascomosejamadiabetes, ahipertensãoarterial,aasma,asdoenc¸ascardiovasculares eo vírus da imunodeficiência humana (VIH)/sida; ecom a automonitorizac¸ãodesaúde33.
DeacordocomumestudolevadoacabopelaWorldHealth Communication Associates, cerca de 90% dos adultos norte--americanostemdificuldadescomomodocomoainformac¸ão desaúdeéfacultada,eamaiorianãoconseguereconhecere compreenderosfatoresderisco,agiremconformidadecom ainformac¸ãodisponibilizadaou«navegar»noseusistemade saúde60.
UmestudodesenvolvidonaMedicareconcluiuquesãoos idososqueapresentaramníveisdeliteracia emsaúdemais baixo,noquedizrespeitoàutilizac¸ãodosservic¸osdesaúde61.
Comoreferidoanteriormente,oproblemadeumnívelde literacia emsaúde baixoafeta váriosaspetosdoscuidados desaúde,particularmente no dizrespeitoàmedicac¸ão eà adesãoà terapêutica.Estudos recentesdestacam arelac¸ão entreumnível inadequadode literacia emsaúdee confu-sõesnoquedizrespeitoàtomademedicamentosprescritos pelomédico,errosnamedicac¸ão,umanãocompreensãodos folhetosinformativos33,62,63.
Podem ser prescritos medicamentos, mas sem a capa-cidadede compreender as instruc¸ões de toma, aspessoas frequentementecometemerrosnatomadosmedicamentos, quepodemsergraves,oquelevaaumanãocorretaadesãoà terapêutica33.
Poucos doentes percebem na íntegra para que serve a medicac¸ãoquetoma,comoatomar,quaisasinterac¸õesque
algumas combinac¸ões de medicamentos podem ter e fei-tosadversosdessamedicac¸ão.Abibliografiadisponívelsobre o tema estárepleta de exemplosde «gaps»entre oque os doentesdeveriamsabereaquiloquerealmentedemonstram saber,noquedizrespeitoàmedicac¸ãoquetomam33,64.Uma
das estratégiasquetemvindoaseradotada paramelhorar aadesãoàterapêutica ediminuirestaslacunas passapela promoc¸ãodaliteraciaemsaúde,porformaadarcompetências àpessoaparaparticiparativamentenadecisãosobrea tera-pêuticaafazer.Estudosquetêmvindoaserdesenvolvidosno domíniodaadesãoàterapêuticademonstramqueaspessoas pretendemcadavezmaissentir-separteintegrantena ges-tãodasuasaúde,desejandotermaisinformac¸ãoetornar-se elementoativonainterac¸ãocomosprofissionaisdesaúde65.
Aliteraturaevidenciaaindaqueasestratégiasdepromoc¸ão da literaciaemsaúdenosentidodepromoverdisgnósticos precocesdedeterminadasdoenc¸as,nomeadamenteocancro, têm vindoaaumentareatornar-se maisefetivasaolongo dosúltimosanos,comespecialenfoquenorastreiodo can-crocoloretal,cancrodemamaedecolodoúteroecancroda próstata66,67.
Literaciaemsaúdeecustosparaosistema
Abasedeevidência pararelacionaronível deliteraciaem saúdeeoscustosparaosistemadesaúdeéaindalimitada, peloqueédifícildeterminarcomprecisãoocustodaliteracia emsaúde,querdopontodevistaindividualquerdopontode vistadosistemacomoumtodo.
Contudo,ecomoconsequênciadoanteriormenteexposto, quesetraduzessencialmentenumautilizac¸ãoineficientedo sistemadesaúde,sabe-sehojeemdiaqueumnívelbaixode literaciaemsaúdeacarretamuitoscustosparaosistema40–43.
Um estudolevado acabo pelaAmerican Medical Associa-tionapontaparaqueocustodeumabaixaliteraciaemsaúde representeumaperdaeconómicade73milmilhõesdedólares poranoaosEUA43.Estima-seaindaqueestatenhaumcusto
nacional,nosEUA,entreos100-200milmilhõesdedólares anuais68,69.
Atravésdeumarevisãosistemáticadaliteratura,naqual foramanalisadososcustosassociadosainadequadosníveis deliteraciaemsaúde,Eichlerconcluiuque,aoníveldo sis-tema,oscustosadicionaissãoequivalentesacercade3-5% do orc¸amento total da saúde70 e que, ao nível individual,
cadapessoacomumnívelbaixoníveldeliteraciaemsaúde gasteentre143-7.798dólaresamaisporanoemcuidadosde saúde.
Os problemas de saúde relacionados com a obesidade nos EUAsomam9,1%dosgastosclínicos, cercade147 mil milhõesdedólares–asdespesas-extraconsumidasno trata-mentodadiabetesedeoutrasdoenc¸asmaiscomunsnuma populac¸ão com excesso de peso poderiam ser direciona-das para intervenc¸ões de promoc¸ão de literacia emsaúde. Istopodetraduzir-senumapoupanc¸asignificativadegastos naprestac¸ãodecuidadosporque,emmédia,umobeso con-somemais1.400dólaresporanodoqueumapessoacomo pesoadequado71.
NãoháaindaevidênciaemPortugalsobreaquestãodos custosindividuaiseparaosistemadeinadequadosníveisde literaciaemsaúdedapopulac¸ão.Contudo,sabe-seque,sendo
assituac¸õesdeevoluc¸ãoprolongada–comoocancro,a diabe-teseasdoenc¸ascardiovasculares–asmaisprevalentesemais dispendiosasparaosistemadesaúde,aliteraciaemsaúde podeassumiraquiumpapelcentralnaprevenc¸ãodestasena adesãoaplanosdetratamento,umavezdiagnosticadas.
Especialmentenosúltimos5anos,asinstituic¸ões, nome-adamenteasautoridadesdesaúde,têmvindoainvestirem programasdegestãoda doenc¸a,nomeadamentedadoenc¸a crónica,paramelhoraraqualidadedaprestac¸ãodecuidados ereduzircustos.
Aindaem2011,oDecreto-Lein.◦124/2011de29de dezem-bro,veiodeterminarqueosprogramasdesaúdeprioritários a desenvolver pela Direc¸ão Geral de Saúde (DGS) seriam: (i)ProgramaNacionalparaaDiabetes,(ii)oPrograma Naci-onal para a Infec¸ão VIH/sida, (iii) o Programa Nacional paraaPrevenc¸ãoeControlodoTabagismo,(iv)oPrograma NacionalparaaPromoc¸ãodaAlimentac¸ãoSaudável,(v)o Pro-gramaNacionalparaaSaúdeMental,(vi)oProgramaNacional paraasDoenc¸asOncológicas,(vii)oProgramaNacionalpara asDoenc¸asRespiratóriase(viii)oProgramaNacionalparaas Doenc¸asCérebro-cardiovasculares.
Maisrecentemente,noprimeirosemestrede2016,o Des-pachon.◦6401/2016de16demaiodeterminouque,noâmbito doPNS, odesenvolvimento de programas de saúde priori-tários deveriamdecorrer nasseguintesáreas:(i) prevenc¸ão e controlo do tabagismo, (ii) promoc¸ão da alimentac¸ão saudável, (iii) promoc¸ão da atividade física, (iv) diabetes, (v) doenc¸as cérebro-cardiovasculares, (vi) doenc¸as oncoló-gicas, (vii) doenc¸as respiratórias, (viii) infec¸ão VIH/sida e tuberculos,(ix)hepatitesvirais,(x)prevenc¸ão econtrolode infec¸õese de resistência aos antimicrobianos, e(xi) saúde mental.
Assim, destaca-se o facto de os programas seleciona-doscomoprioritáriosestaremmaioritariamenterelacionados comdoenc¸ascrónicasoucomosseusfatoresderisco,oque demonstraaimportânciaqueestesproblemasdetêmanível nacional.
Reconhecendo a importância que a literacia em saúde podeternesteâmbito,foiimplementado,tambémem2016,o ProgramaNacionaldeEducac¸ãoparaaSaúde,Literaciae Auto-cuidadosquepretendereforc¸aropapeldocidadãonosistema desaúdeportuguêsefazerdainformac¸ão,doconhecimento edadecisãoinformada,veículosprivilegiadosdessereforc¸o.
Contudo,éaindainsuficienteaevidênciadisponívelque relacioneoscustosassociadosàimplementac¸ãodestes pro-gramasfaceàreduc¸ãodegastosemelhoriadecuidadosque proporcionam.
Medironíveldeliteraciaemsaúde
Tendoemconsiderac¸ãooimpactedosníveisdeliteraciana saúde individual, coletiva e na utilizac¸ão dos recursos de saúdedisponíveis, tornou-seimperativoodesenvolvimento deinstrumentosdediagnósticodoníveldeliteraciaemsaúde daspopulac¸ões72–74.
Umavezqueaspessoasqueapresentamníveisdeliteracia emsaúde inadequadosmostram dificuldades significativas no que diz respeito à compreensão de prescric¸ões médi-cas, instruc¸ões relacionadas com a saúde e mesmo com amonitorizac¸ãodeparâmetrosbiométricos,equerevelam
ainda taxas de hospitalizac¸ão maiselevadas, maiores cus-toscomcuidadoscomsaúdeepiorestadogeraldesaúde,a avaliac¸ãodoníveldeliteraciaemsaúdeéumaspeto funda-mentalparaasaúdepública75.
Dadaacomplexidadedoconceitoliteraciaemsaúdeea suaevoluc¸ãoconcetual, naliteraturaestãodescritosvários instrumentosquesepropõeaavaliaroníveldeliteraciaem saúde76–88.Osinstrumentosmaisamplamenteutilizadossão
oTestofFunctionalHealth LiteracyinAdults(TOFHLA)easua versãoreduzidaS-TOFHLA,oRapidEstimateofAdultLiteracyin Medicine(REALM)eoNewestVitalSign(NVS)34,89,90.
Contudo, estes instrumentos, como se têm centrado principalmente na avaliac¸ão de competências cognitivas (capacidade deler e,emalguns casos, de usarnumeracia, nomeadamenteparacalculardosagensparaatomade medi-camentos)para aferirosníveisdeliteracia daspopulac¸ões, revelam seraindainsuficientespara amedic¸ãodograu de literaciaemsaúdedeumaformaquecorresponda satisfatori-amenteàdefinic¸ãomaisatual.
Àsemelhanc¸adeoutrospaíseseuropeus,desdecedo Por-tugalsentiuanecessidadedeconheceroníveldeliteraciaem saúdedapopulac¸ão,tendoparaoefeitoincluídonumestudo deliteraciaemgeralalgumasquestõesrelativasàsaúde.Esta primeira contribuic¸ãoefetivaparaaferironívelde literacia anívelnacional remontaa1995,erevelouníveisde litera-ciaemsaúdebaixosoumuitobaixos91.Esteestudorevelou
também que sãoidosos, desempregadose domésticasque apresentamníveismaisbaixosdeliteracia.
Em2014,quase20anosapósestaprimeirainiciativa,foi aplicadoemPortugaloHLS-EU13que,porseruminstrumento
deavaliac¸ãomultidimensional,permitiuperceber,deforma concertada,acapacidadedaspessoasacederem, compreen-derem,analisaremeutilizaremainformac¸ão desaúdenos domíniosdautilizac¸ãodoscuidadosdesaúde,dapromoc¸ão dasaúdeeprevenc¸ãodadoenc¸a.
Seguidamente, apresentam-se o instrumento, a sua validac¸ãoparaPortugaleosprincipaisresultados.
EuropeanHealthLiteracySurvey
Tendo emconta a necessidade de desenvolver um instru-mentoquefossecapazdeaferirosníveisdeliteraciaemsaúde deumaformamaispróximaàsdefinic¸õesatuaisdoconceito, umgrupodeperitoseuropeus,coordenadospelaUniversidade de Maastricht, juntou-se e deu origem aoconsórcio Health LiteracySurvey-EU, quevisa o desenvolvimento,validac¸ãoe aplicac¸ãonosdiferentespaísesdeumquestionárioque conse-gueaferirosníveisdeliteraciadasaúdedapopulac¸ãodeforma muito próxima às definic¸ões mais recentes do conceito13.
Oobjetivofinaldesteprojetofoifazerodiagnósticodosníveis deliteraciaemsaúdedassuaspopulac¸õesepoder compará--losentresi,utilizandoosseusresultadoscomo suporteàs iniciativas de promoc¸ão de literacia em saúde, tornando--as mais dirigidas e adequadas às necessidades reais das populac¸ões.Naprimeirafase,integraramesteprojetopaíses comoaEspanha,aGrécia,aHolanda,aIrlanda,aAlemanha, aBulgária,aPolóniaeaÁustria.
EuropeanHealthLiteracySurvey–Portugal
Dada a relevância da problemática e da necessidade pre-mente de elaboraro diagnóstico de literacia emsaúdeem
Portugal,aEscolaNacionaldeSaúdePúblicadaUniversidade Novade Lisboaestabeleceuum acordocom os mentorese com a coordenadoradoprojeto europeu,de forma ater a autorizac¸ãoeoapoionecessáriosaodesenvolvimentodo pro-jetoestabeleceuumaparceriacomaDGS/PNS,nosentidode setrasporosresultadosdoestudoparaarealidadenacional eparaasdecisõesestratégicasnodomíniodasaúdepública, econsolidou umarededecolaborac¸ãoacadémicanacional, designadacomo«RedeAcadémica»,constituídapor12 esco-lasdesaúdeaonívelnacionaleregiõesautónomas:(i)Escola NacionaldeSaúdePúblicadaUniversidadeNovadeLisboa;(ii) CentrodeInvestigac¸ãoemCiênciaseTecnologiasda Saúde daUniversidade deÉvora;(iii)EscolaSuperiorde Saúdedo InstitutoPolitécnicodePortalegre;(iv)EscolaSuperiorde Tec-nologiasdaSaúdedoInstitutoPolitécnicodoPorto;(v)Escola SuperiordeSaúdedoInstitutoPolitécnicodeVianado Cas-telo;(vi)EscolaSuperiordeSaúdedoInstitutoPolitécnicode Viseu;(vii)EscolaSuperiordeSaúdedoInstitutoPolitécnico de Beja; (viii) Centro de Estudos e Investigac¸ão em Saúde daUniversidade deCoimbra;(ix)EscolaSuperiorde Tecno-logiasdaSaúdedoInstitutoPolitécnicodeLisboa;(x)Escola SuperiordeEnfermagemde AngradoHeroísmoda Univer-sidade dosAc¸ores;(xi) CentrodeCompetênciaTecnologias daSaúdedaUniversidadedaMadeira;e(xii)EscolaSuperior deSaúdedaUniversidadedoAlgarve.
Odesenvolvimentodeuma«RedeAcadémica»desta natu-reza,com aparticipac¸ãode escolasdesaúdedediferentes pontos do país, possibilitou a recolha de dados ao nível micro,permitindoconhecerascaracterísticase especificida-desdaspopulac¸õesepossibilitandodirecionarasintervenc¸ões adesenvolverparaasreaisnecessidadesdaspopulac¸ões.
Para além desta mais-valia, a colaborac¸ão destas esco-lascomexperiênciareconhecidanodomíniodaliteraciaem saúderevela-semuito importantena partilha de experiên-ciasemétodos,estimulandoapossibilidadedebeneficiarem mutuamentedeaprendizagenseinstrumentos,nãosópara oprojetoemcurso,mastambémparainvestigac¸õesfuturas, consolidandodestaformaacolaborac¸ãointerescolas.Esta ini-ciativatambémsetraduznumainfluênciaefetivanosentido dacriac¸ãodenúcleoslocaisdedesenvolvimentodeiniciativas depromoc¸ãoeanálisedeliteraciaemsaúdedeâmbitolocal. Destaparceriaresultouoprimeiroestudonacionaldeliteracia emsaúde,comumaamostrade1.004indivíduos.Esteestudo permitiuacomparac¸ãodosresultadosemPortugal comos resultadosdospaísesondeomesmoquestionáriofoiaplicado. Permitiusobretudoperceberacapacidadedaspessoas acede-rem,compreenderem,analisaremeutilizaremainformac¸ão desaúdeparatomaremdecisõesinformadasquelhes permi-tammanterumaboacondic¸ãodesaúde,prevenirdoenc¸ase procurartratamentoadequadoemcasodedoenc¸a.
Plano
de
investigac¸ão
e
métodos
Objetivosdoestudo
Oestudoaquidescritotem2objetivosfundamentais:(i) tradu-zirevalidarparaPortugaloHLS-EU;e(ii)fazerodiagnósticodo níveldeliteraciaemsaúdedapopulac¸ãoportuguesapassível desercomparadocomodeoutrospaíseseuropeus,deforma
adirecionarealinharmelhorasestratégiaseintervenc¸õesde literaciaemsaúdeaserdesenvolvidasnãosóaonível nacio-nal,mastambémaoníveleuropeu.
Caracterizac¸ãodoinstrumento
OHLS-EUéuminstrumentoparaavaliaronívelliteraciaem saúde.Aopc¸ãopeloreferidoinstrumentodeavaliac¸ãofoi efe-tuadaapósumarevisãodaliteraturarelativamenteàtemática eporformaapossibilitarainclusão dePortugal no consór-cioHealthLiteracySurvey-EU,coordenadopelaUniversidadede Maastricht.
Tendo emconsiderac¸ãooprocesso deoperacionalizac¸ão adotadonaconcec¸ãoedesenvolvimentodoquestionário,cujo detalhepoderáserconsultadoemSørensen etal.92,apesar
doreferidoinstrumentoaferirporautopercec¸ão,assume-se que esteefetivamente avalia o nívelde literacia emsaúde equesegueatendênciadescritanaliteraturaparaavaliareste tipodequestõessubjetiva6.
Esteinstrumentoécompostopor47questões,desenhadas deacordocomummodeloconceitualqueintegra3domínios muitoimportantes dasaúde–cuidadosdesaúde(16 ques-tões),promoc¸ãodasaúde(16questões)eprevenc¸ãodadoenc¸a (15 questões)–e4níveisdeprocessamentoda informac¸ão –acesso,compreensão,avaliac¸ãoeutilizac¸ão–essenciaisà tomada de decisão (fig. 1). Acombinac¸ão destes domínios comosníveisresultanumamatrizdeanálisedeliteraciaem saúdecom12subíndices(fig.2)quesãooperacionalizadasnas 47questõesdoinstrumento.Pretende-seque,atravésdeuma escalade4valores(muitofácilaomuitodifícil),oindivíduo refiraograudedificuldadequesentenarealizac¸ãodetarefas relevantesnagestãodasuasaúde93.
Importatambém referirqueesteéuminstrumentoque medeliteraciaemsaúdeporautopercec¸ão.
Adaptac¸ãoevalidac¸ão
Paraatraduc¸ão,adaptac¸ãoevalidac¸ãodoinstrumento HLS--EU-PT, seguiu-se uma metodologia composta por 2 fases complementares:traduc¸ãoeadaptac¸ãoculturaldo questio-nárioevalidac¸ãoestatística.
A adaptac¸ão transcultural foi realizada com o objetivo de obter um instrumento equivalente ao desenvolvido no paísdeorigem;assegurando-seaequivalênciadeconteúdoe semântica.Paraestaadaptac¸ãofoiusadoométodo traduc¸ão--retroversão deHilleHill94.Oprocesso foidesenvolvidode
acordocomosseguintespassos:traduc¸ãopeloinvestigador responsável esimultaneamenteportradutorindependente; confrontodasversõesparaelaborac¸ãodaprimeiraversãoem português;retroversãoportradutorindependente,não conhe-cedordaversãoinicialemlínguainglesa;confrontodeversões (originaleretrovertida)porgrupodeperitos,comoobjetivo deavaliaraidentidadedoconteúdodositens;eadaptac¸ãoe correc¸ãodostermostécnicosporummédico.
Seguindo-se arealizac¸ão deumpré-teste paraavaliara adequac¸ão e compreensão dos itens da versão traduzida, adequac¸ão dométododerecolha dedadoseelaborac¸ão da versãofinal.Destemodo,etambémparadetetarproblemas deambiguidadeoudedificuldadedecompreensão,opré-teste foirealizadocomumaamostrade250indivíduosportugueses,
Life course Situational determinants Access Knowledge competence motivation Understand Appraise Apply Healthcare Disease prevention Health promotion Population level Equity Participation Health behavior Health service use Health costs Health outcomes Empowerment Sustainability Personal determinants Societal and e v ironmental deter minants Individual level Health information
Figura1–Modeloconcetual.
(Fonte:Sørensen,93,2012).
comidade≥16anos,abordadosaleatoriamentenaruae inqui-ridosporentrevistapresencial,seguindoospassosdescritos nopontorecolhadedados.Dasuaanáliseresultouum con-juntodealterac¸õespoucosignificativasrelacionadascom a interpretac¸ão de palavras concretas. Para a integrac¸ão dos resultadosdopré-testenaredac¸ãodaversãofinaldo instru-mento,utilizou-se atécnica defocus group, tendosidoeste painelcompostopor12peritosemquestõesrelacionadascom literaciaemsaúdeeparticipac¸ãodocidadão.
Amostra
Àsemelhanc¸adaaplicac¸ãodoHLS-EUnospaísesque inte-graram o estudo numa fase inicial, para o HLS-EU-PT foi selecionadaumaamostradeconveniênciadecercade1.000 indivíduos,recolhidanoespac¸opúblico,emdiferenteslocais e em diferentes períodos do dia. Tendo em conta que a populac¸ãoportuguesaéde10.626.008indivíduose,porforma arespeitarumadistribuic¸ãogeográficaequitativa,aamostra
foicalculadadeacordocomadensidadepopulacionaldas uni-dadesterritoriaisparafinsestatísticos(NUT),especificamente asregiõesdaNUTII–regiãoNorte(n=349),Centro(n=224), Algarve(n=44),LisboaeValedoTejo(n=265),Alentejo(n=73), RegiãoAutónomadosAc¸ores(n=23)eRegiãoAutónomada Madeira(n=16)–eestratificac¸ãoporgênero;perfazendouma amostratotalde1.004indivíduoscomidades≥16anos(sendo 60%dosexofeminino).
Amaiorpercentagemdaamostraapresentavaentreos 36-45 anos; como habilitac¸ões literárias, osecundário (36,3%); quasemetadeapresentavaoestadocivildesolteiro(49,6%); 53,9%sãocasaiscomfilhose40,9%daamostraencontra-se empregadaafull-time(tabela1).
Recolhadedados
Após o processo de traduc¸ão/retroversão que garantiu a equivalência semânticae culturalentreasversões original e em português e a realizac¸ão do pré-teste, obteve-se um
Literacia em saúde Cuidados de saúde
Prevenção da doença
Promoção da saúde 9) Capacidade de atualzação sobre questões de saúde 5) Capacidade de acesso a informação sobre fatores de risco 1) Capacidade de acesso a informação relacionada com problemas médicos ou clínicos
2) Capacidade de compreensão da informação médica e do seu significado
6) Capacidade de compreensão dos fatores de risco e do seu significado
10) Capacidade de compreensão da informação relacionada com a saúde e do seu significado
11) Capacidade de interpretação e de avaliação de informações sobre questões relacionadas com a saúde 7) Capacidade de interpretação e de avaliação de informações relacionadas com os fatores de risco 3) Capacidade de interpretação e de avaliação de informações médicas
4) Capacidade de tomar decisões informadas sobre questões médicas
8) Capacidade de julgar a relevância das informações sobre fatores de risco 12) Capacidade de formar uma opinião consciente sobre questões de saúde
Aceder/Obter informação relevante para a saúde
Compreender a informação relevante para a saúde
Apreciar/Julgar/Avaliar a informação relevante para a saúde
Aplicar/Utilizar a informação relevante para a saúde
Figura2–MatrizdossubíndicesdeliteraciaemsaúdebaseadasnomodeloconcetualdoHLS-EU,utilizadasnaconstruc¸ão
doquestionário.
Tabela1–Caracterizac¸ãodaamostra
Masculino Feminino Total
n % n % n % 385 39,6 588 60,4 973 100,0 Idade(anos) ≤25anos 106 36,1 171 38,1 277 37,3 26-35anos 50 17,0 53 11,8 103 13,9 36-45anos 52 17,7 85 18,9 137 18,4 46-55anos 37 12,6 85 18,9 122 16,4 56-65anos 31 10,5 36 8,0 67 9,0 66-75anos 11 3,7 15 3,7 26 3,5 ≥76anos 7 2,4 4 0,9 11 1,5 Estadocivil Solteiro 203 53,4 274 47,1 477 49,6 Casado/uniãofacto 150 39,5 257 44,2 407 42,3 Separado/divorciado/viúvo 27 7,1 51 8,7 78 8,1 Habilitac¸õesliterárias 1.◦ciclo 27 7,0 30 5,1 57 5,9 2.◦-3.◦ciclos 64 50,6 267 15,3 90 15,8 Secundário 148 38,6 204 34,8 352 36,3 Licenciatura 117 30,5 200 34,1 317 32,7 Mestrado/doutoramento 27 7,1 63 10,7 90 9,2 Agregadofamiliar Umindivíduo 90 23,6 91 15,5 181 18,7
Casalsemfilhos 39 10,2 61 10,4 100 10,3
Casalcomfilhos 199 52,2 323 55,0 522 53,9
Famíliamonoparental 26 6,8 56 9,5 82 8,5 Outros 27 7,1 56 9,5 83 8,6 Situac¸ãoprofissional Full-time 157 41,0 237 40,4 394 40,7 Part-time 24 6,3 24 4,1 48 5,0 Desempregado 29 7,6 50 8,5 79 8,2 Estudante 107 27,9 186 31,7 293 30,2 Reformado 32 8,4 38 6,5 70 7,2 Outro 34 8,9 51 8,7 85 8,7
instrumentoque,posteriormente,foisubmetidoatestesde validac¸ão.
Osdadosforamcolhidosentreosmesesdemarc¸oemaiode 2014comrecursoaentrevistapresencial.Oentrevistador inici-avaaentrevistacomumaintroduc¸ãoondeeramapresentados os objetivos e garantida a confidencialidade e anonimato. A aplicac¸ão doquestionário foi feita ao nível regional por entrevistadoresdecadaumadasinstituic¸õesparceiras,tendo sidoconstruídaumabasededadosconjunta.
Antesdopreenchimentodoquestionárioeapóso esclareci-mentodosobjetivosdoestudo,foientregueaosparticipantes umconsentimentoinformadoemduplicadoque,depoisde assinado,umficavaparaoindivíduoeoutroparao investiga-dor.
O instrumento HLS-EU original, como referimos ante-riormente, é constituído por 47 questões agrupadas em 3 domínios e 4 níveis de processamento da informac¸ão, permitindo categorizar grupos de literacia em saúde de acordocom pontosde corte.De modoagarantiro cálculo correto dos índices e assegurar a comparac¸ão entre eles, os 4 índices calculados foram uniformizados numa escala métrica variável entre 0-50, na qual o 0 é o mínimo pos-sível de literacia em saúde e o 50 o máximo possível de literacia em saúde. Para os 4 níveis foram identificados
os seguintes pontos de corte: scores iguaisou inferiores a 25 pontos=literaciaemsaúdeinadequada;scoresentre 25-33 pontos=literacia em saúde problemática; scores entre 33-42=literacia em saúde suficiente; e scores entre 42-50=literaciaemsaúdeexcelente.
Apósarecolhadosdados,otratamentoestatísticofoi rea-lizadoatravésdosoftwareSPSS(versão21.0).
Resultados
do
estudo
nacional
de
literacia
em
saúde
Validac¸ão
Consistênciainterna
Afiabilidadedoinstrumento,baseadanocoeficientedealfa
deCronbach,naescalade47itens,foide0,96.Osvaloresdo HLS-EU-PTparaaliteraciaemgeraleparaossubíndices, ana-lisadosindividualmente,sãoapresentadosnatabela2,sendo osvalorescomparadoscomosoutrospaíseseuropeusondeo estudofoirealizado.Analisandoatabela,verificamosqueos coeficientesdealfadeCronbachclassificam-sedemuitobons, oscilandoentre0,90-0,96,paraaversãoportuguesa.
Tabela2–AlphasdeCronbachparaossubíndices,porpaíseportotal
AlphadeCronbach AT BG DE(NRW) EL ES IE NL PL PT Total
Literaciaemsaúdegeral 0,96 0,97 0,96 0,97 0,96 0,97 0,95 0,98 0,96 0,96
Literaciaemcuidadosdesaúde 0,90 0,93 0,91 0,92 0,89 0,91 0,88 0,94 0,90 0,91
Literaciaemprevenc¸ãodadoenc¸a 0,90 0,93 0,91 0,92 0,89 0,91 0,87 0,94 0,90 0,91
Literaciaempromoc¸ãodasaúde 0,90 0,93 0,90 0,93 0,89 0,93 0,88 0,95 0,91 0,91
AT:Áustria;BG:Bulgária;DE:Alemanha;EL:Grécia;ES:Espanha;IE:Irlanda;NL:Holanda;PL:Polónia;PT:Portugal.
(AdaptadodeHLS-EUConsortium13,2012:pp.22)
Validadedecritério
Avalidadede critériofoi medidaatravésda correlac¸ãodos subíndicesentresi,através docoeficiente decorrelac¸ãode
Pearson,sendoquetodos osresultados obtidossesituaram abaixode0,85,oquesignificaanãoexistênciaderedundância (tabela3).
Médiaedesvio-padrão
Natabela4apresentam-seamédiaeodesvio-padrão(DP)dos níveisdeliteraciaemsaúde,apresentandotambémosvalores porsubíndices,permitindoacomparac¸ãocomoutrospaíses quevalidarameaplicaramoquestionário.
NíveisdeliteraciaemsaúdecomparandocomaEuropa
Literaciaemsaúdegeral
EmPortugal,cercade61%dapopulac¸ãoinquiridaapresenta umníveldeliteraciageralemsaúdeproblemáticoou inade-quado,situando-seamédiados9paísesem49,2%.Empior situac¸ãoqueosportuguesessóseencontramosbúlgaros,que revelamque62,1%dapopulac¸ãodestepaísapresentaníveis deliteraciaemsaúdeproblemáticosouinadequados.Nopolo opostoestáaHolanda,paísemqueestapercentageméde apenas28,7%(fig.3).
Literaciaemsaúdedecuidadosdesaúde
Énadimensãocuidadosdesaúdequesedestacamosvalores maispreocupantes,vistoser,dos9países,aqueleondese
veri-0% 10% Total AT BG DE EL ES IE NL PL PT 8,4% 30,1% 44,4% 17,0% 10,2% 34,4% 35,9% 19,5% 25,1% 46,3% 26,9% 1,8% 10,3% 29,7% 38,7% 21,3% 9,1% 32,6% 50,8% 7,5% 13,9% 30,9% 39,6% 15,6% 19,6% 34,1% 35,3% 11,0% 26,9% 35,2% 26,6% 11,3% 9,9% 33,7% 38,2% 18,2% 13,0% 36,2% 35,3% 15,5% 20% 30%
Excelente Suficiente Problemático
Níveis de literacia em saúde geral, por país e por total Inadequado
40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%
Figura3–Percentagensdosníveisdeliteraciaemsaúde
geral,porpaíseportotal.
PT(n=963)|AT(n=979)|BG(n=925)|DE(NRW)(n=1.045)| EL(n=998)|ES(n=974)|IE(n=959)|NL(n=993)|PL (n=921)|Total(n=8.757). 0% Total AT BG DE EL ES IE NL PL PT 10% 20% 30% 40%
Níveis de literacia em saúde de cuidados de saúde, por país e por total
50% 60% 70% 80% 90% 100%
Excelente Suficiente Problemático Inadequado
9,1% 35,1% 38,9% 16,9% 9,3% 2,7% 8,3% 9,5% 14,9% 12,6% 21,9% 17,9% 12,7% 26,8% 21,5% 24,6% 42,5% 28,2% 29,0% 26,9% 31,0% 29,9% 41,7% 45,3% 41,6% 37,3% 37,8% 37,4% 33,7% 38,5% 38,7% 22,3% 30,5% 25,5% 10,7% 19,2% 21,1% 17,4% 12,6% 18,7%
Figura4–Percentagensdosníveisdeliteraciaemsaúde
decuidadosdesaúde,porpaíseportotal.
PT(n=984)|AT(n=996)|BG(n=955)|DE(NRW)(n=1.041)|
EL(n=998]|ES(n=981)|IE(n=972)|NL(n=993)|PL
(n=946)|Total(n=8.866).
ficamospioresresultados.Apenas44,2%apresentaumnível suficienteouexcelentedeliteraciaemsaúde(fig.4).
Literaciaemsaúdedeprevenc¸ãodadoenc¸a
Noquerespeitaàprevenc¸ãodadoenc¸a,apenascercade45% dosinquiridosrevelaterumnívelsuficienteouexcelentede literaciaemsaúde,comparativamentecomamédiados9 paí-ses,que,nestadimensão,apresentaovalorde54,5%(fig.5).
0% 10% 20% 30% 40% 50%
Níveis de literatura em saúde de prevenção da doença, por país e por total
60% 70% 80% 90% 100% Total AT BG DE EL ES IE NL PL PT 11,1% 21,9% 31,8% 22,8% 11,9% 20,6% 30,1% 15,4% 14,9% 20,1% 35,6% 36,0% 25,7% 33,0% 37,0% 38,0% 37,5% 42,6% 36,9% 33,7% 35,7% 27,3% 22,5% 29,7% 41,4% 28,7% 24,7% 28,9% 30,2% 29,9% 14,4% 18,8% 30,0% 12,2% 13,7% 8,7% 9,9% 3,1% 13,9% 19,4%
Excelente Suficiente Problemático Inadequado
Figura5–Percentagensdosníveisdeliteraciaemsaúde
deprevenc¸ãodadoenc¸a,porpaíseportotal.
PT(n=988)|AT(n=982)|BG(n=925)|DE(NRW)(n=1.048)|
EL(n=993)|ES(n=986)|IE(n=948)|NL(n=996)|PL
r e v p o r t s a ú d e p ú b l i c a . 2 0 1 6; 3 4(3) :259–275
Tabela3–Coeficientesdecorrelac¸ãodePearsoninteríndices
GEN-HL HC-HL DP-HL HP-HL FHI UHI JHI AHI HC-FHI HC-UHI HC-JHI HC-AHI DP-FHI DP-UHI DP-JHI DP-AHI HP-FHI HP-UHI HP-JHI HP-AHI
GEN-HL 1,00 HC-HL ,914** 1,00 DP-HL ,934** ,803** 1,00 HP-HL ,917** ,727** ,783** 1,00 FHI ,918** ,841** ,847** ,841** 1,00 UHI ,902** ,857** ,822** ,801** ,779** 1,00 JHI ,909** ,806** ,887** ,816** ,774** ,733** 1,00 AHI ,900** ,800** ,818** ,857** ,742** ,771** ,760** 1,00 HC-FHI ,728** ,810** ,635** ,570** ,824** ,631** ,599** ,556** 1,00 HC-UHI ,759** ,864** ,644** ,587** ,668** ,844** ,619** ,617** ,632** 1,00 HC-JHI ,774** ,808** ,699** ,626** ,660** ,607** ,844** ,651** ,547** ,576** 1,00 HC-AHI ,720** ,776** ,625** ,582** ,576** ,714** ,555** ,779** ,435** ,609** ,506** 1,00 DP-FHI ,802** ,712** ,838** ,666** ,853** ,708** ,663** ,661** ,603** ,579** ,553** ,580** 1,00 DP-UHI ,696** ,626** ,733** ,566** ,597** ,806** ,533** ,614** ,449** ,550** ,403** ,637** ,636** 1,00 DP-JHI ,796** ,666** ,872** ,666** ,674** ,629** ,912** ,641** ,522** ,521** ,664** ,447** ,592** ,474** 1,00 DP-AHI ,685** ,549** ,727** ,595** ,562** ,527** ,634** ,734** ,440** ,410** ,551** ,379** ,448** ,347** ,582** 1,00 HP-FHI ,798** ,631** ,688** ,866** ,857** ,641** ,696** ,662** ,524** ,496** ,575** ,456** ,595** ,444** ,594** ,535** 1,00 HP-UHI ,784** ,633** ,678** ,829** ,665** ,834** ,660** ,687** ,476** ,526** ,518** ,543** ,555** ,516** ,560** ,541** ,639** 1,00 HP-JHI ,749** ,582** ,645** ,823** ,637** ,639** ,770** ,653** ,451** ,487** ,482** ,476** ,541** ,483** ,565** ,461** ,613** ,616** 1,00 HP-AHI ,729** ,575** ,606** ,819** ,611** ,585** ,620** ,845** ,443** ,449** ,499** ,476** ,530** ,465** ,507** ,443** ,568** ,544** ,593** 1,00
AHL:avaliaremliteraciaemsaúde;DP-HL:literaciaemprevenc¸ãodadoenc¸a;FHL:literaciaemsaúdefuncional;GEN-HL:literaciaemsaúdegeral;HC-HL:literaciaemcuidadosdesaúde;HP-HL: literaciaempromoc¸ãodasaúde;JHL:julgaremliteraciaemsaúde;UHL:compreenderemliteraciaemsaúde.
Tabela4–Médiaedesvio-padrãodossubíndicesdeliteraciaemsaúde,porpaíseportotal
Países
AT BG DE
(NRW)
EL ES IE NL PL PT Total
Índicedeliteraciageral
Média 32 30,5 34,5 33,6 32,9 35,2 37,1 34,5 31,5 33,5
DP 7,6 9,2 7,9 8,5 6,1 7,8 6,4 8 7 7,6
Índicedeliteraciaemcuidadosdesaúde
Média 32,8 32,8 34,8 34,1 33,2 36,3 38 35,4 32 34,4
DP 8,3 9,5 8,5 8,7 6,7 7,8 6,8 8,1 7,2 8,0
Índicedeliteraciaemprevenc¸ãodadoenc¸a
Média 32,6 30,4 35,8 34 33,2 35,1 37,7 34,1 31,8 33,9
DP 8,5 10,1 8,8 9,1 6,7 8,5 7,1 9 7,7 8,4
Índicedeliteraciaempromoc¸ãodasaúde
Média 30,5 27,9 32,9 32,7 32,2 34 35,7 33,8 31 32,3
DP 8,8 10,2 8,9 9,6 6,9 9,7 7,6 8,8 8 8,7
AT:Áustria;BG:Bulgária;DE:Alemanha;EL:Grécia;ES:Espanha;IE:Irlanda;NL:Holanda;PL:Polónia;PT:Portugal.
(AdaptadodeHLS-EUConsortium13,2012:pp.24)
0% 10% 20% 30% 40% 50%
Níveis de literacia em saúde de promoção da saúde, por país e por total
60% 70% 80% 90% 100% Total AT BG DE EL ES IE NL PL PT
Excelente Suficiente Problemático Inadequado
9,5% 18,4% 21,5% 22,2% 9,0% 15,3% 17,1% 10,1% 11,1% 14,9% 33,1% 27,4% 19,6% 30,3% 38,4% 34,2% 37,2% 42,2% 38,0% 30,3% 37,8% 29,0% 27,6% 23,2% 43,4% 29,1% 32,4% 28,2% 33,4% 31,6% 20,5% 28,0% 42,2% 20,2% 17,3% 13,3% 17,4% 8,8% 14,6% 22,4%
Figura6–Percentagensdosníveisdeliteraciaemsaúde
depromoc¸ãodesaúde,porpaíseportotal.
PT(n=995)|AT(n=951)|BG(n=902)|DE(NRW)(n=1.009)|
EL(n=994)|ES(n=953)|IE(n=961)|NL(n=976)|PL
(n=894)|Total(n=8.635).
Literaciaemsaúdedepromoc¸ãodasaúde
Noqueserefereàpromoc¸ãodasaúde,60,2%dapopulac¸ão auscultada apresenta um nível de literacia em saúde pro-blemático ou inadequado. Comparativamente, a Bulgária apresenta,nestadimensão,umníveldepromoc¸ãodasaúde problemáticoouinadequadode70,3%,sendoqueaIrlandae aHolanda,ospaísescomosmelhoresresultadosaestenível, apresentam40,6e36,3%,respetivamente.Amédiasitua-se nos52,1%(fig.6).
Aanálisedosresultadosdesteestudorevelatambémque existemproblemasdeliteraciaemsaúdequandoanalisados osgruposcomalgumascaracterísticassociaisespecíficas.Nos 4subíndicesdeliteraciaemsaúdeanalisados(capacidadede aspessoasacederem,compreenderem,analisaremeutilizarem a informac¸ãodesaúde),verifica-seumatendênciadecrescente dosseusníveisquandocruzadoscomosgruposetários–à medidaqueaidadeaumentaoníveldeliteraciaemsaúde diminui.
Poroutrolado,observa-setendencialmenteoinversono quedizrespeitoaoníveldeescolaridade–àmedidaqueo níveldeescolaridadeaumentaosníveisdeliteraciaemsaúde tendemasersuperiores.Sãotambémosdesempregadosque apresentam ospioresníveisde literaciaemsaúde,quando comparadoscomapopulac¸ãoativa.
Discussão
OHLS-EU-PTéoprimeiroestudoqueproporcionainformac¸ão sustentada sobre os níveis de literacia em saúde da populac¸ão portuguesa, comparável aosníveis dos 8países quefazempartedoconsórcioeuropeudeliteraciaemsaúde. À semelhanc¸a dosoutros países, a amostra foi construída tendoporbaseametodologiadoEurobarómetro13,16.
Este estudo teve como objetivos fundamentais validar e adaptar culturalmente a versão original do HLS-EU para Portugale,combasenesteinstrumento,avaliaronívelde lite-raciaemsaúdedapopulac¸ãoportuguesa,tendoemcontaa suacapacidadeparaaceder,compreender,avaliareutilizar informac¸ãoreativaacuidadosdesaúde,prevenc¸ãodadoenc¸a epromoc¸ãodasaúde13.
Noâmbitodesteestudo,sãoaindadisponibilizadosas nor-masescoresautilizaraquandodaaplicac¸ãodoinstrumento versãoportuguesa(HLS-EU-PT),possibilitandoadefinic¸ãode 4níveisdeliteraciaemsaúde(inadequada;problemática; sufi-cienteeexcelente.).Ainterpretac¸ãodosresultadosdaescala devesernosentidodequequantomaiorapontuac¸ãoobtida, maioroníveldeliteraciaemsaúdeapresentadopelo indiví-duo.Apósaanálisedositens,forammantidasas47questões originais,peloqueoHLS-EU-PTseassemelhaemtermosde propriedadespsicométricascomaescalaoriginal.
OvalordoalfadeCronbachreveladogaranteafiabilidadeda escalaeécomparávelaoencontrado,querpelosautores ori-ginaisquerpelosautoresdasversõesdecadaumdospaíses participantesnoestudo,situando-seosvaloresentre0,90-0,96 noíndicegeraldeliteraciaemsaúdeenosrespetivos subín-dices.Omesmoacontecenoquedizrespeitoàvalidadede
critério,aferidaatravésdocoeficientedecorrelac¸ãode Pear-son,quesituatodos osresultadosobtidosabaixode0,85,o quesignificaque,apesarda dimensãodoquestionário,não existeredundância95.
Nasúltimasdécadas,temos assistidoaumaumentoda investigac¸ãoeevidênciacientíficasobreatemáticaliteracia emsaúde14.Comestegradualinteresse,edadaa
importân-ciadaavaliac¸ãodaliteraciaemsaúdenapopulac¸ãoemgeral eem grupos de risco, denotou-se uma crescentepesquisa deinstrumentosparamediraliteraciaemsaúde.Assim,os estudosreferentesàavaliac¸ãodaliteraciaemsaúdeem dife-rentespaíses,atravésdeuminstrumentocomumeadaptado culturalmente(HLS-EU),sãofundamentais,porformaa afe-rirosníveisdeliteracia emsaúdeda populac¸ãoemcausa, avaliaro diferencialque existe entre os paísesenvolvidos relativamenteaoscuidadosde saúde,prevenc¸ão dadoenc¸a epromoc¸ãodasaúdeecompará-losentresi.
Aevidênciacientíficatemdemonstradoqueosníveisde literaciaemsaúdevariamdeacordocomocontexto social ecultural.Assim,edeacordocomos dadosdatabela3, a médiadoíndicedeliteraciageralvariou entre30,5±9,2na Bulgária e 37,1±6,4na Holanda; sendo que Portugal foi o segundopaíscomumamédiamaisbaixa(31,5±7).De salien-tarquePortugalfoi,dos8paísesqueconstituemoconsórcio
HealthLiteracySurvey-EU,opaísqueapresentouamédiamais baixarelativamenteaosubíndicedeliteraciaemcuidadosde saúde(32±7,2);osegundoemrelac¸ãoaosubíndiceliteracia emprevenc¸ão da doenc¸a (31,8±7,7); eo terceiropaís com umamédiamaisbaixanosubíndiceliteraciaempromoc¸ãoda saúde(31±8,0).Estesíndicescomprovamquedeveseruma prioridadeparaaspolíticasdesaúdeavalidac¸ãodeste instru-mentoeasuaaplicac¸ãonapopulac¸ãoemgeraleemgrupos específicosparaadefinic¸ãoeimplementac¸ãodeestratégias baseadasnumdiagnósticodesituac¸ão.DeacordocomoPNS 2012-2016,apromoc¸ãodaliteraciaemsaúdeéumaprioridade nacional,poisconstituiumcaminhoparaamelhoriados cui-dadosdesaúde,melhoriadaqualidadedevidaedobem-estar individualepopulacional51.
OsresultadosobtidosnoestudoHLS-EU-PTsugeremqueos scoresdeliteraciaemsaúdedapopulac¸ãoportuguesavariam deacordocomas4competênciasbase–aceder,compreender, avaliareutilizar–eestefactoéconsistentecomosresultados dos8paísesparticipantesnoHLS-EU13.
Acresce o facto das dificuldades sentidas variarem de acordo com a dimensão específica. Por exemplo, aceder a informac¸ãodecuidadosdesaúdesuscitamaisdificuldadedo queacederainformac¸ãodeprevenc¸ãodadoenc¸a.Esta con-clusãotambéméapresentadanoestudoHLS-EU13.Istopode
evidenciarqueoníveldeliteraciaemsaúdepodevariarde acordocomadimensão,etantonoHLS-EUcomono HLS-EU--PTénotório.Contudo,nocasoportuguêsasdiferenc¸asnão sãograndes,adimensãoqueapresentamaiordiferenc¸aéa literaciaemcuidadosdesaúde,quandocomparadaà dimen-sãoliteraciaempromoc¸ãodasaúde.
DeacordocomMoritsugo,umníveldeliteraciaemsaúde inadequadonãoé exclusivamente umproblemaindividual masumproblemasistémico,noqualdeveserasseguradoque asestratégiasdeintervenc¸ãoeprogramasdoscuidadosde saúdeedasautoridadesdesaúdeestãoemconformidadeas necessidadesdacomunidade96.
De acordo ainda com o mesmo autor, o sistema de saúdetem umpapel fundamentalno desenvolvimentodas competências docidadão eda comunidade, no sentido da promoc¸ãodoseu níveldeliteracia emsaúde.Esta influên-ciadosistemadesaúdenapessoapodeseravaliadapelos servic¸osqueproporciona,pelaformacomoos profissionais de saúde interagem com as pessoas, pela facilidade com que as pessoas «navegam» dentro do próprio sistema, e pelossistemasdeapoioquetemdisponíveisparaajudaras pessoas na procura de informac¸ão e de respostas de que necessita96.
Umagrandedapartedaprevenc¸ãodadoenc¸acentra-sena responsabilidadequeosistemadesaúdeeosprofissionaisde saúdetêmnoprocessodecomunicac¸ão,paraqueaspessoas possamouvir,compreender,apreendereatuarcombasena evidênciadisponível,eassimpoderemtomarmelhores deci-sõesefazermelhoresescolhassobreasuasaúde.Istotorna-se aindamaiscríticoquandofalamosdeprevenc¸ãoegestãodas doenc¸ascrónicas96.
Aliteraturaapontaparaqueosistemadesaúdeprecisade sermaisproactivoemdarrespostaàsnecessidadesde litera-ciaemsaúdenoquedizrespeitoàutilizac¸ãodosservic¸osde saúde,direcionandomaisasintervenc¸õesparaosuprirdas necessidadesdoscidadãos97.
Destaca-setambémdesteestudoaexistênciadesubgrupos daamostraqueevidenciamníveismaisbaixosdeliteraciaem saúde(emtodasasdimensõesavaliadas),sugerindoa exis-tênciadegruposvulneráveis,comosejamosmaisvelhos,os menosescolarizadoseosdesempregadosereformados.Tendo emcontaascaracterísticassociodemográficasdapopulac¸ão portuguesa,estesdadossãomuitopreocupantes.
Quando falamosde escolaridade, énotóriaumarelac¸ão entreograudeescolaridadeeoníveldeliteraciaemsaúde, quanto maiselevado ograu deescolaridade, maioronível deliteraciaemsaúde.Eestefenómenoverifica-seemtodos ospaísesqueparticiparamnoestudo13.Apesardosesforc¸os
edossucessosobtidosaolongodaúltimadécada,Portugal contaaindacomtaxasdeanalfabetismoedebaixa escolari-daderelativamentealtas,sendo que,em2011,apopulac¸ão com 15 oumais anos semqualquer nível de ensino com-pletoconsideradoéde39,3%98.Contudo,esteindicador,tendo
emconta ofator geracional,deve serolhado em3 dimen-sões:populac¸ãocom65oumaisanoscomumaproporc¸ãode 32,3%,considerandoogrupoetáriodos35-64anosaproporc¸ão representava5,3%eapenas1,7%paraapopulac¸ãoentre15-34 anos98.
Relativamenteaoabandonoescolar,Portugalregistauma descidaacentuadaentre2004(39,3%)e2014(17,4%),sendoque amédiados28EstadosMembrodaUniãoEuropeia(UE-28) 11,1%,aAlemanhaapresentaumataxade9,5%,aÁustriade 7%,aBulgáriade12,9%,aEspanhade21,9%,aIrlandade6,9%, Grécia9%eaPolóniade5,4%98.
As taxas de escolaridade do nível de ensino superior (populac¸ão entre 30-34 anos) aumentaram de modo con-sistente, quer em Portugal quer em Espanha, no período 2004-2013.Onossopaísregistouumaumentomaisacentuado (passoude16,3%em2004para30,0%em2013),Espanha regis-touvaloressempresuperiores(passoude+-36%em2004para 42,3%em2013),mesmoemrelac¸ãoàUE-28(passoude+-26% em2004para36,9%em2013)98.
De acordo ainda com os dados do INE, no espac¸o de 10 anos, diminuiu fortemente a proporc¸ão dos jovensque saemdosistemadeensinocomtítulosescolaresmaisbaixos, até6anosdeescolaridade(osvalorescaemde34,6para11,3% entre 2001-2011) eeleva-se significativamente a proporc¸ão daquelesquesaemdaescolacomdiplomac¸ãointermédiae superior–de52,1para62,5%,nocasodospossuidoresde9-12 anosdeescolaridade;de13,3para26,3%,nocasodosquesaem dosistemacomtítulosdeensinomédio,pós-secundárioou superior.Apesardeoabandonoescolardesqualificado (aban-donoda escolasemconclusãoda escolaridade obrigatória) continuarafazerpartedopanoramaeducativoportuguês,é inegávelqueosjovensportuguesesdehojebeneficiamdeuma formac¸ãoescolarmaislongaemaisbem-sucedida98.
Estesdados,seosníveisdeliteraciadependessemsomente daescolaridade,reforc¸ariamaideiaquedaquia10anos Por-tugaliria estar muito melhorposicionado face aosvalores identificadosem2014.Masseráquevai,setudooresto se mantiverigual?
Noquediz respeitoà idade, quandocorrelacionadas as curvas,àmedidaqueaidadeaumenta, oníveldeliteracia emsaúdetendeadiminuir,opanoramaportuguêstambém nãoémuito animador.Em2014,apopulac¸ãoresidenteem Portugalera constituídapor14,4% dejovens,65,3%de pes-soasemidadeativae20,3%deidosos.Relativamentea2013, Portugalapresentavaumadasestruturasetáriasmais enve-lhecidasentreaUE-28:aproporc¸ãodejovensatingiu15,6% naUE-28,quandoemPortugalerade14,6%,verificando-sea maiorproporc¸ãodejovensnaIrlanda(22,0%)eamaisbaixa naAlemanha(13,1%)99.
Aproporc¸ãodepessoascom65emaisanos,em2014,era 18,5%naUE-28e19,9%emPortugal,valorapenas ultrapas-sadopelaGrécia(20,5%),Alemanha(20,8%)eItália(21,4%);a proporc¸ãomaisbaixaverificou-senaIrlanda(12,6%).A Bulgá-riaapresentaumvalorsemelhanteaPortugaleosrestantes paísesondeoníveldeliteraciaemsaúdefoiavaliadotambém apresentamvaloresmaisbaixosqueamédiadaUE-28100.
Tendo emconta queo risco de mortalidadenos idosos é claramente superior em pessoas com uma baixa litera-ciaem saúde52 e relacionando-ocom a distribuic¸ão etária
portuguesa,verificamoscomalgumafacilidadequeestamos peranteumproblemasérioquedeverásertidoemcontana formulac¸ãodepolíticasdesaúde.
Aliteraturanãorefereasituac¸ãoperanteoempregocomo preditordoníveldeliteraciaemsaúde,contudo,combasenos resultadosobtidos,sãoosdesempregados,seguidosdos refor-madoseostrabalhadoresempart-timeque,porestaordem, apresentamosvaloresmaisbaixosdeliteraciaemsaúde.Num paíscujastaxas dedesempregoatingiram os17%em2013, apenasultrapassadopelaGrécia(27,5%),aEspanha(26,5%)e aCroácia(17,6%),noanocujamédiadaUE-28foi11%ea Ale-manhaeaÁustriaregistaramosvaloresmaisbaixos,5,4e5%, respetivamente,esteéumindicadorinquietantequemerece seraprofundadoemestudossubsequentes101.
De modo geral, olhando para as características demo-gráficas e socioeconómicas que se constituem indicadores preditoresdoníveldeliteraciaemsaúdedeumapopulac¸ão, eapesardesereconhecerumamelhorianestesaolongodos últimosanos,percebemosporqueéquePortugal,dos9países envolvidosnoestudo,édosqueapresentaospioresníveisde
literaciaemsaúde,sendoapenasultrapassadopelaBulgária. Nadimensãocuidadosdesaúdeémesmoopaíscomospiores resultados.
Nãonospodemosesquecerqueliteraciaemsaúdenãoé um problemaindividual isolado, é umdeterminante sisté-micoquedeveseranalisadosegundoumavisãoholística.Na definic¸ãodeprogramaseiniciativasdepromoc¸ãode litera-ciaemsaúde,háqueteremcontanãosóosaspetosligados diretamente àsaúde,mastambémos relacionadoscomas condic¸õesdevida.Omesmosedevefazerquandoseanalisam ediscutemdadosrelativosaosperfisdeliteraciaemsaúdedas populac¸ões,jáqueestessãofortementeinfluenciadospelos indicadoressociais,demográficoseeconómicos.
Odiagnósticodoníveldeliteraciaemsaúdedapopulac¸ão portuguesapermitedirecionarealinharmelhoraestratégiae intervenc¸õesdeliteraciaemsaúdeaseremdesenvolvidas.
Cadavezmais,asestratégiasdepromoc¸ãodaliteraciaem saúdedevemserincluídasnodiscursodasaúdeemtodosos níveis–internacional,nacionale,emparticular,aonívellocal –edevemserencaradascomoinvestimentossólidose susten-táveis,edesuporteàgestãoestratégicaeàdecisãopolíticana áreadasaúde.
O presente estudo, como qualquer investigac¸ão, apre-sentou algumaslimitac¸õescomunsno desenvolvimentode estudosdestanatureza,comosejamaextensãodo questio-nárioeorecursoadiferentesentrevistadoresnaaplicac¸ãodo instrumento.
Noâmbitodesteestudofoiutilizadaaversãode47itens doinstrumento,mastendoemcontaoscustosassociadosà aplicac¸ãodaversãoextensadoinstrumento,eporque,muitas vezes, a contenc¸ão de custos e de tempo se revela estra-tégiapredominantenodesenhodeestudosdestanatureza, considera-sequeautilizac¸ãodaversãoShortpoderáser,em algumassituac¸ões,umaalternativaválida,peloquesesugere um novoestudopara aplicac¸ãoda versão Shortdomesmo instrumento,com16itens.
Acrescenta-seofactodeaamostraestudadanãopoderser vistacomorepresentativadapopulac¸ãoportuguesa.Contudo, nãoseconsideraqueestaslimitac¸õestenhamumainfluência negativasignificativanosresultados,dadoqueosobjetivos
majordesteestudosãolevantarpistasparaestudosmais foca-dose aprofundadosemdeterminadas árease levantarum conjuntode questões muitoimportantes,que énecessário teremcontanodesenvolvimentodaspolíticasdesaúde,em especialnadefinic¸ãodasestratégiaslocaisdesaúde.
Conclusões
OHLS-EU-PTapresenta-secomouminstrumentoadequado paraaferironíveldeliteraciaemsaúdedapopulac¸ão portu-guesaeevidenciapropriedadespsicométricascomparáveisàs versõesutilizadasnosoutrospaíses.
Salienta-seaindaqueavalidac¸ãodeuminstrumentopara avaliaroníveldeliteraciaemsaúdenapopulac¸ãoportuguesa reveste-sedeparticularimportância,poispermitedirecionar emelhorarasestratégiaseintervenc¸õesdeliteraciaemsaúde aseremdesenvolvidas.
Com base nos dados apresentados, considera-se ainda queo HLS-EU-PTtemumgrandepotencial paraidentificar
indivíduosegrupospopulacionaiscomníveisdeliteraciaem saúdebaixos,possibilitandoumamelhoremaisdirecionada definic¸ãodeintervenc¸ões.
Considerandooníveldeliteraciaemsaúdeum determi-nantedesaúde,eporqueasuapromoc¸ãonãoocorreisolada docontexto,fazsentidoarealizac¸ãodeestudoscomointuito deassociaroutrosindicadores,comosejamogrupoetário,a escolaridadeeasituac¸ãofaceaoemprego.
Nasequência dojáanteriormente referido,o reconheci-mentodaliteraciaemsaúdecomocaminhoparaamelhoria doscuidados de saúdee dosníveis de saúde emPortugal nãoénovo14.Muitos esforc¸oseiniciativastêmvindo aser
desenvolvidasnesteâmbito,contudonãodeformaintegrada ecoordenada.Otrabalhodepromoc¸ãodeliteraciaemsaúde emPortugalestáfragmentado,osgruposdetrabalhoestão iso-ladosenãoexisteumaconcertac¸ãodeobjetivoseprioridades nacionais,nemtãopoucoumapartilhadeabordagens meto-dológicas e experiências. Como consequência, diminuem substancialmenteasoportunidadesdeinvestigadores, profis-sionaisdesaúde,organizac¸õesdesaúde,cidadãosedecisores políticostrabalharememconjuntodeformaconcertada,com trabalhosorientadossegundo prioridadesnacionais, apren-dendounscomosoutros,deacordocomassuascompetências evalências.
Assim,considera-sefundamentaleurgenteaconcec¸ãoe implementac¸ãode umaestratégianacional deliteracia em saúde.
Tendo em especial atenc¸ão que a literacia em saúde não é um problema individual, mas antes um problema sistémico96, que integra diferentes dimensões e
compe-tências, efundamentando-anumconjuntode documentos que visam a elaborac¸ão de estratégias de atuac¸ão nestes domínios17,102–106,propõe-sequeumaestratégianacionalde
literacia em saúde, abrangente e consistente, deva ter em contaosseguinteseixosestratégicos: incluiraliteracia em saúde no próprio sistema; assegurar o acesso e gestão de informac¸ão eficiente; assegurar uma comunicac¸ão efetiva; integraraliteraciaemsaúdenaeducac¸ão;egarantira susten-tabilidadedasiniciativasdepromoc¸ãodeliteraciaemsaúde.
Conflito
de
interesses
Osautoresdeclaramnãohaverconflitodeinteresses.
Agradecimentos
Os autores agradecem a todos os representantes das instituic¸õesquecompõema«RedeAcadémica»acolaborac¸ão nesteestudo: AnaPires,Carlos Pereira,CarlaNunes, Cláu-diaQuaresma,CarlotaVieira,DulceCruz,FilipeNave,Helena Jardim,Luis Miguel Gomes,Manuel Lopes, Felismina Men-des, Victor Assunc¸ão, Pedro Lopes Ferreira, Mara Rocha, Rafaela Sousa e Rui Pimenta. A todos os investigado-res/entrevistadoresque colaboraram narecolha dosdados. Agradecem também a Constantino Sakellarides e a Isabel Andradeoapoionarevisãodoartigo.
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