UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas
RELATÓRIO FINAL DE ESTÁGIO
Mestrado Integrado em Medicina
Estágio Profissionalizante de 6º ano
Ano Letivo 2018-2019
GLOSSÁRIO
EP – Estágio Profissionalizante
ECD – Exames Complementares de Diagnóstico TEAM – Trauma Evaluation and Management HBA – Hospital Beatriz Ângelo
SU – Serviço de Urgência BO – Bloco Operatório CE – Consulta Externa
HSM – Hospital de Santa Marta
CHULC – Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central CHPL – Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
HIPEC – Hyperthermic Intraperitoneal Chemotherapy IFE – Internos de Formação Específica
HD – Hospital de Dia
USF – Unidade de Saúde Familiar CA – Consulta Aberta
HDE – Hospital Dona Estefânia
RPPM – Rutura Prematura Pré-termo de Membranas APPT – Ameaça de Parto Pré-Termo
TMS - Transcranial Magnetic Stimulation
SCOPE – Standing Committee on Professional Exchange
ÍNDICE
1. Introdução……….……….………..3
2. Descrição das Atividades Desenvolvidas………..4
2.1. Estágios parcelares………..4
2.1.1. Cirurgia Geral……….4
2.1.2. Medicina Interna……….4
2.1.3. Saúde Mental………5
2.1.4. Medicina Geral e Familiar………...5
2.1.5. Pediatria………6
2.1.6. Ginecologia e Obstetrícia………..6
2.2. Estágio Clínico Opcional – Neuropsiquiatria………..7
3. Elementos Valorativos………..7
4. Reflexão Crítica Final………..8
1. INTRODUÇÃO
O 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da NOVA Medical School - Faculdade de Ciências Médicas pretende que o aluno termine a formação pré-graduada dotado de um núcleo de conhecimentos e competências que lhe permita aprender autonomamente ao longo da carreira médica. Para tal, deve ser adquirida uma base de conhecimentos sólida e coerente, associada a um adequado conjunto de valores, atitudes e aptidões que lhe permita tornar-se um médico fortemente empenhado na arte da Medicina, nas suas bases científicas, princípios éticos e humanistas, num contínuo aperfeiçoamento ao longo da vida, de modo a promover a saúde e o bem-estar da comunidade que serve 1.
Assim, o plano curricular do 6º ano integra um Estágio Profissionalizante, organizado em seis Estágios Parcelares em sistema de rotação nas áreas clínicas da Medicina, Cirurgia, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Medicina Geral e Familiar e Saúde Mental.
Na expectativa de experienciar de forma frutuosa o último ano do curso, defini alguns objetivos, que refletem aqueles enunciados nas Unidades Curriculares dos Estágios Parcelares e no Core Graduates
Learning Outcomes Project 1: (1) consolidar conhecimentos e ser capaz de os usar com eficácia na análise e solução dos problemas clínicos mais comuns; (2) aperfeiçoar a colheita de dados anamnésicos, exame físico, solicitação de exames complementares de diagnóstico, discussão diagnóstica, orientação terapêutica e recomendação de medidas preventivas e promotoras de saúde; (3) treinar procedimentos essenciais ao exercício profissional futuro; (4) desenvolver técnicas de comunicação efetiva com doentes e famílias, segundo o método clínico centrado na pessoa, assim como com o pessoal médico e restantes profissionais envolvidos na prestação de cuidados de saúde; (5) investir na autoaprendizagem e explorar oportunidades para adquirir experiência e formação em investigação; e (6) aplicar os princípios éticos a todos os aspetos da prática médica e adotar um comportamento profissional a nível pessoal e interpessoal.
O presente relatório visa descrever e analisar o trabalho realizado no decorrer dos estágios parcelares, estando dividido em Introdução, na qual exponho os principais objetivos pretendidos; Descrição das
Atividades Desenvolvidas, na qual descrevo sumariamente os estágios parcelares frequentados, assim
como o estágio clínico opcional e outros elementos curriculares valorativos; Reflexão Crítica Final, na qual examino o cumprimento dos objetivos e faço uma apreciação retrospetiva acerca da globalidade do ano letivo; e uma secção de Anexos, onde exponho o cronograma dos estágios frequentados, bem como as atividades extracurriculares desenvolvidas.
1
2. DESCRIÇÃO DAS ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS
2.1. ESTÁGIOS PARCELARES
2.1.1. CIRURGIA GERAL
HOSPITAL BEATRIZ ÂNGELO; 10/09/2018 a 02/11/2018O ano letivo teve início com o estágio de Cirurgia Geral que decorreu no Hospital Beatriz Ângelo, num período de 8 semanas, sob tutoria do Dr. Diogo Albergaria e regência do Professor Doutor Rui Maio. A primeira semana foi dedicada a sessões teórico-práticas e ao curso Trauma Evaluation and Management (vide Anexos), seguindo-se duas semanas de um estágio opcional em Íntima relação com a cirurgia, no meu caso na Unidade de Cuidados Intensivos e Intermédios e uma semana destinada ao Serviço de Urgência (S.U.). Nas 4 semanas destinadas ao estágio prático de Cirurgia integrei a equipa cirúrgica do tutor, especializada em cirurgia colo-rectal, e a atividade clínica dividiu-se pelo Bloco Operatório (B.O.), Consulta
Externa (C.E.) e Enfermaria. No B.O. assisti a um total de 6 cirurgias tendo participado no ato cirúrgico
como 2ª ajudante numa pequena cirurgia (colocação de cateter venoso totalmente implantável); na C.E. assisti a um total de 38 consultas pré e pós-operatórias e realizei exame físico quando se revelava oportuno; no internamento médico-cirúrgico participei na observação e acompanhamento dos doentes e respetivainterpretação de ECD, discussão terapêutica, cuidados e prognóstico e apresentei duas histórias clínicas. No estágio opcional em Medicina Intensiva assisti diariamente às reuniões clínicas; realizei alguns procedimentos práticos, como gasimetrias em linha arterial e laringoscopia; compreendi como se procede à otimização dos parâmetros de ventilação mecânica e assisti a manobras de reanimação; e na vertente de
S.U. e Pequena Cirurgia pratiquei suturas e desinfeção de feridas. O estágio terminou com o Mini-Congresso de Cirurgia do HBA, no qual apresentei um caso clínico acompanhado no estágio:
adenocarcinoma mucinoso do apêndice submetido a quimioterapia intraperitoneal (HIPEC) subsequente.
2.1.2. MEDICINA INTERNA
HOSPITAL DE SANTA MARTA; 5/11/2018 a 11/01/2018O estágio decorreu no HSM – CHULC, num período de 8 semanas, sob tutoria da Dr.ª Teresa Garcia e regência do Professor Doutor Fernando Nolasco. A atividade clínica desenvolveu-se essencialmente na
Enfermaria e no Serviço de Urgência do Hospital de São José. As minhas funções em enfermaria consistiam
na observação diária dos doentes que me eram atribuídos, procedendo ao exame físico; solicitação e interpretação de exames complementares de diagnóstico; ponderação diagnóstica e terapêutica; redação de diários clínicos; otimização e instituição terapêutica; realização de procedimentos práticos, como gasimetrias arteriais, punções venosas, eletrocardiograma, medição de glicémia e INR capilar; redação de notas de alta; realização de pedidos de observação por especialidades; discussão diária dos doentes com a equipa médica e comunicação de situações clínicas a doentes e familiares. Acompanhei a evolução em
internamento de um total de 24 doentes, com uma média de idades de 81 anos e motivos de internamento mais frequentes acidente vascular cerebral, infeções respiratórias e infeções do trato urinário. Para além disso, apresentei casos clínicos relevantes na visita médica semanal orientada pelo Prof. Doutor António Sousa Guerreiro, diretor de serviço; frequentei semanalmente as sessões clínicas do serviço, ministradas por IFEs; e apresentei, em conjunto com os meus colegas, um trabalho subordinado ao tema “Tuberculose - o desafio diagnóstico e terapêutico”, a propósito de um caso de tuberculose pericárdica acompanhado em enfermaria que suscitou valiosas discussões entre a equipa.
2.1.3. SAÚDE MENTAL
CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE LISBOA; 21/01/2019 a 15/02/2019O estágio parcelar de Saúde Mental decorreu durante 4 semanas no CHLP, sob orientação do Dr. Rafael Costa e regência do Professor Doutor Miguel Talina. As atividades tiveram lugar no Hospital de Dia (H.D.) do CHPL, Consulta Externa e Serviço de Urgência no HSJ. Aprendi sobre as indicações para frequentar o H.D., um serviço de internamento parcial indicado para doentes em fase de recuperação de episódio agudo a necessitar de cuidados diários, e assisti às consultas de triagem, reuniões comunitárias e reuniões clínicas, que contam com a participação de médicos, enfermeiros, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Na Consulta Externa contactei com a multiplicidade de patologia enquadrada nos vários grupos nosológicos psiquiátricos, destacando-se uma maior frequência de perturbações do humor. No S.U. contactei com patologia psiquiátrica em fase de agudização e assisti à atuação e respetiva administração de fármacos em contexto de urgência, indicados em caso de agitação psicomotora ou comportamento impulsivo/agressivo. Apesar do estágio ter sido maioritariamente observacional, considero que consolidei conhecimentos ao nível da psicopatologia, abordagens terapêuticas e relação médico-doente.
2.1.4. MEDICINA GERAL E FAMILIAR
USF NOVO MIRANTE; 18/02/2019 a 15/03/2019O estágio decorreu na USF Novo Mirante durante um período de 4 semanas, sob orientação da Dr.ª Erica Frias Vicente e regência da Professora Doutora Maria Isabel Santos. Assisti a consultas de Saúde do Adulto,
Diabetes, Planeamento Familiar, Saúde Infanto-Juvenil, Saúde Materna e Consulta Aberta (C.A.). A C.A.
foi o único momento em que pude conduzir consultas, permitindo-me destrinçar problemas urgentes, treinar exame físico dirigido e o raciocínio clínico. A heterogeneidade de prestação de cuidados pelo médico de família permitiu-me contactar com uma vasta multiplicidade de problemas clínicos, aprofundar conhecimentos relativos à medicina preventiva e perceber aspetos relacionados com a prescrição/renovação de baixas, atestados médicos e referenciação para especialidades. Pude, ainda, participar nas várias vertentes dos cuidados de saúde primários prestados pela USF, nomeadamente consultas de enfermagem, técnicas de espirometria, rastreio de retinopatia diabética e realização de visitas domiciliárias.
2.1.5. PEDIATRIA
HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA; 18/03/2019 a 12/04/2019O Estágio Parcelar de Pediatria teve lugar no HDE e duração de 4 semanas, sob orientação da Dr.ª Mafalda Paiva e regência do Professor Doutor Luís Varandas. A equipa médica que a tutora integra dedica a sua atividade clínica a Cuidados Paliativos Pediátricos, destinados ao acompanhamento de crianças com doença crónica complexa, através de consultas programadas, apoio domiciliário, hospital de dia e internamento. Destaco o acompanhamento da Unidade Móvel de Apoio Domiciliário (UMAD) que providencia cuidados de saúde personalizados no domicílio, com elevado impacto na qualidade de vida desta população vulnerável. Adicionalmente, frequentei as consultas de várias subespecialidades médicas pediátricas (Otorrinolaringologia, Neurologia, Endocrinologia, Gastroenterologia e Cardiologia), nas quais contactei com a patologia mais frequente e aprofundei conhecimentos relativos ao diagnóstico e terapêutica nas diferentes áreas. Ao longo das 4 semanas contactei com um total de 71 crianças, em contexto de consulta,
serviço de urgência e internamento; pude treinar o exame objetivo quando se revelava oportuno e
comunicar com os familiares, permitindo-me desenvolver aptidões na relação médico-doente e obter uma visão bastante abrangente da especialidade.
2.1.6. GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
MATERNIDADE ALFREDO DA COSTA; 22/04/2019 a 18/05/2019O Estágio Parcelar decorreu na Maternidade Alfredo da Costa ao longo de 4 semanas, sob tutoria da Dr.ª Celina Ferreira, Dr.ª Carla Leitão (Ginecologia), Dr.ª Marta Melo (Obstetrícia) e regência da Professora Doutora Teresinha Simões. Na vertente de Ginecologia frequentei o Bloco Operatório, onde assisti a 4 procedimentos cirúrgicos (drenagem e excisão de endometriomas e quistos peritoneais (1); histerectomia abdominal com anexectomia bilateral (2); polipectomia total por histeroscopia (1)); assisti e auxiliei a realização de histeroscopias diagnósticas e terapêuticas e assisti a consultas na área da ginecologia (ginecologia geral, menopausa e oncologia ginecológica), nas quais pude efetuar exame objetivo ginecológico e colheita de colpocitologia. Quanto à vertente de Obstetrícia, frequentei o Serviço de
Medicina Materno-fetal, tendo observado um total de 15 grávidas, cujas patologias mais frequentes
versaram pré-eclâmpsia, insuficiência cervical, RPPM, APPT e hemorragia do 3º trimestre; a consulta de
gravidez de alto risco e o Bloco Operatório, onde assisti a um total de 5 cesarianas, tendo participado no
ato cirúrgico como 2ª ajudante em duas delas. Para além do supracitado, frequentei o Serviço de Urgência por 3 ocasiões e a atividade repartiu-se pelos gabinetes de admissão, bloco de partos e bloco operatório. Nos gabinetes de admissão observei um total de 17 mulheres, cujos principais motivos de recorrência ao S.U. foram aumento da contratilidade uterina, algias pélvicas e dismenorreia.
2.2. ESTÁGIO CLÍNICO OPCIONAL
NEUROPSIQUIATRIA – CENTRO CLÍNICO CHAMPALIMAUD; 19/05/2019 a 31/05/2019
No âmbito da Unidade Curricular Opcional, decidi propor-me à realização de um estágio clínico em Neuropsiquiatria no Centro Clínico da Fundação Champalimaud, sob tutoria do Prof. Doutor Albino Maia. Assisti a consultas de psiquiatria, reuniões clínicas, administrativas e de investigação e pude contactar com a vertente de investigação clínica e translacional na Unidade de Neuropsiquiatria. Nesta última, psiquiatras e psicólogos trabalham em conjunto com investigadores do Champalimaud Neuroscience Programme nas áreas da saúde mental e comportamental. Neste contexto, pude contactar com o trabalho que está a ser desenvolvido no âmbito da obesidade e comportamento alimentar e assistir ao simpósio “Obesity at the interface of Neuroscience and Physiology”. Presenciei, ainda, sessões de rTMS (Repetitive Transcranial
Magnetic Stimulation), uma técnica ainda pouco comum em Portugal, usada para tratamento de patologia
psiquiátrica em caso de resistência ou intolerância a terapêutica farmacológica. O contacto com este tratamento inspirou a realização, a par com a colega Carolina Santos, de um relato de caso denominado “Intermittent theta burst stimulation (iTBS) on bipolar depression: a case report of acute and maintenance efficacy”, a ser submetido na Ata Médica Portuguesa (vide ANEXOS).
3. ELEMENTOS VALORATIVOS
Fui membro da equipa de redação da Revista FRONTAL desde 2015, tendo, no presente ano letivo, tomado parte na organização do evento “Choque Frontal – Inteligência Artificial em Medicina”. Entre 2015 e 2016 participei no projeto de voluntariado continuado da AEFCM “Saúde Porta a Porta”, que visa dar apoio domiciliário a idosos que vivem em situações carenciadas ou de isolamento social. Em 2018 frequentei o programa Erasmus+ na Università La Sapienza (Roma), enriquecedor por ter aprendido uma nova língua e contactado com o sistema de saúde italiano nos vários estágios clínicos que frequentei. Antes do início do ano letivo realizei um estágio internacional em Neurologia no KBC Rijeka Hospital (Croácia), ao abrigo do programa de intercâmbios SCOPE-IFMSA. Ao longo deste ano frequentei alguns cursos e conferências: Trauma Evaluation and Managment (TEAM); XX Congresso Anual da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica (APNEP); 8ª Reunião de Imunoalergologia de Lisboa; Portugal e-Health Summit 2019; Encontro de Arte e Terapia. No âmbito do estágio opcional de Neuropsiquiatria no Centro Clínico Champalimaud frequentei o Simpósio “Obesity at the interface of Neuroscience and Physiology” e fui co-autora de um relato de caso, cujo abstract se apresenta em anexo. (vide ANEXOS)
4. REFLEXÃO CRÍTICA FINAL
Findo o ano letivo, importa tecer algumas considerações face ao trabalho desenvolvido no Estágio Profissionalizante e à bagagem de ensinamentos que este me proporcionou. Considero terem sido cumpridos, com sucesso, a maioria dos objetivos inicialmente propostos, em particular a consolidação de conhecimentos e aquisição de competências técnicas que me permitirão iniciar com maior segurança e autossuficiência a futura carreira profissional.
Particularizando cada Estágio Parcelar cito, de seguida, os aspetos mais valorativos e os menos bem conseguidos. O estágio parcelar de Cirurgia Geral tem uma estrutura que felicito, iniciando-se com uma semana de reforço de conhecimentos teórico-práticos, seguindo-se o contacto com o serviço de urgência, um serviço opcional e as várias vertentes da Cirurgia Geral. Nesta última, pude consolidar conhecimentos relativos à abordagem do doente pré e pós-cirúrgico e contactar com técnicas cirúrgicas. Ressalvo, no entanto, que o grande número de estudantes e o rácio tutor-aluno 3:1 condicionou a minha participação em bloco operatório. O mini-congresso foi um momento de valiosas aprendizagens e permitiu o treino de metodologias de comunicação em público.
O Estágio Parcelar de Medicina Interna foi, sem dúvida, o mais exigente mas o mais recompensador. A integração como elemento da equipa, a disponibilidade para esclarecimentos e o apoio concedido permitiram-me a aquisição gradual de confiança e equilibrar a autossuficiência com a identificação de vulnerabilidades pessoais de perícia e conhecimento, de forma a salvaguardar o melhor interesse dos doentes a meu cargo. A discussão de casos, apresentação de doentes em reunião e participação em decisões clínicas fortaleceram o treino de raciocínio clínico e permitiram-me importantes aprendizagens relativas à ponderação de pedidos de exames complementares de diagnóstico e orientação terapêutica. Destaco, ainda, o desenvolvimento de técnicas de comunicação eficaz com doentes e familiares, assim como com os restantes profissionais de saúde.
Em oposição, o estágio de Saúde Mental foi essencialmente observacional devido às particularidades da especialidade. Frequentando um Hospital de Dia ambicionava poder assistir a intervenções psicossociais, o que não me foi concedido. Ainda assim, pude perceber a dinâmica de trabalho interdisciplinar entre os vários técnicos nas reuniões em que participei. Apesar de não ter tido oportunidade de realizar entrevista clínica e avaliação do estado mental, considero que melhorei a minha perceção sobre como desenvolver com sucesso a relação médico-doente. Sendo uma das minhas áreas de interesse para o futuro, as falhas identificadas conseguiram ser colmatadas pelo estágio opcional em Neuropsiquiatria no Centro Clínico Champalimaud, no qual o contacto com consulta foi mais frequente, permitindo-me consolidar conhecimentos relativos a psicopatologia e psicofarmacologia e desenvolver habilidades comunicacionais.
Apesar da sua curta duração, foi um estágio particularmente gratificante, no qual pude cumprir o objetivo de me familiarizar com o trabalho de investigação e estrear-me em publicação científica na instituição de referência que é a Fundação Champalimaud.
A Medicina Geral e Familiar foi o estágio com o maior número de horas de contacto, fornecendo-me uma visão global da especialidade e das várias vertentes dos cuidados de saúde primários prestados pela USF, permitindo a identificação dos recursos existentes e a articulação dos cuidados prestados por diferentes profissionais. Retive aprendizagens sobre a abordagem centrada na pessoa, nomeadamente a importância do estabelecimento de uma relação de confiança sedimentada na continuidade dos cuidados e a incorporação dos valores e preferência dos doentes na tomada de decisões. Apesar de ter tido poucas oportunidades de conduzir a consulta, julgo que melhorei competências interpessoais ao nível da comunicação efetiva e abordagem do doente com múltiplos problemas ou queixas pouco específicas e pude aperfeiçoar componentes do exame físico no adulto, criança e grávida.
A Pediatria foi dos estágios mais completos que experienciei, devido à passagem por várias subespecialidades e ao contacto com um grande número de crianças. Pude obter uma visão ampla da patologia em idade pediátrica e treinar exame físico dirigido nas várias consultas. Por outro lado, o acompanhamento das atividades assistenciais da tutora na Equipa de Cuidados Paliativos Pediátricos possibilitou-me o contacto com familiares e crianças com doença crónica complexa, contribuindo para adquirir uma perspetiva abrangente dos serviços disponíveis e tecer reflexões relativas a decisões de fim vida, situações de obstinação terapêutica e importância da comunicação empática com os cuidadores que lidam diariamente com situações limitantes ou ameaçadoras da vida. Destaco, ainda, a participação nas diversas sessões formativas prestadas pelo hospital. Por último, o estágio parcelar de Ginecologia e
Obstetrícia constituiu um agradável remate do estágio profissionalizante. Após um contacto pouco
satisfatório no 4º ano do curso, pude experienciar um estágio muito completo nas duas vertentes da especialidade, com amplo lugar para o treino de procedimentos específicos e conduta em bloco operatório. Aperfeiçoei o processo de raciocínio clínico em contexto de urgência, consulta e enfermaria e consolidei conhecimentos relativos à abordagem, vigilância e tratamento das patologias ginecológicas e materno-fetais mais prevalentes.
A dedicação com que participei em cada Estágio Parcelar fez com que este fosse um ano de grandes aprendizagens mas também de importantes reflexões. Deparei-me diariamente com os desafios inerentes à prática médica, nomeadamente a sobrecarga dos serviços de saúde e a sofisticação tecnológica, tornando-se imperativo refletir sobre a humanidade da prestação de cuidados, que devem ter como fim último a promoção da saúde e autonomia do doente. Paralelamente, compreendi, tanto na vivência hospitalar como em projetos de voluntariado que frequentei, que o envelhecimento populacional e o número crescente de pessoas com doenças crónicas, comorbilidades e menor reserva funcional levantam questões complexas
relacionadas com o abandono, isolamento e dependência e sobrecarga de cuidadores informais. Acredito que o futuro do exercício da medicina passe pelo reforço das redes de cuidados em meio não-hospitalar, deixando como última sugestão para os futuros colegas o esforço pela descentralização do ensino para centros de saúde, hospitais distritais e equipas de apoio comunitário.
Concluo confiante no sucesso deste Estágio, fazendo um balanço globalmente positivo de um ano letivo que me proporcionou um crescimento que superou expectativas. Agradeço, por fim, a todos os que tornaram este percurso tão gratificante e me deram ainda mais certezas de que escolhi o caminho certo: aos professores, médicos e tutores por se prestarem a ensinar a arte de diagnosticar e tratar e pela transmissão de valores, experiências pessoais e incentivos; aos doentes por consentirem expor as suas fragilidades pela nossa formação; e aos colegas e família por tornarem mais fácil o que muitas vezes pareceu impossível.
“Know all the theories, master all the techniques, but as you touch a human soul be just another
human soul.”
Carl G. Jung
5. ANEXOS
I.
Cronograma dos estágios e sessões apresentadas
a)
Abstract “Intermittent theta burst stimulation (iTBS) on bipolar depression: a case report of acute and maintenance efficacy”II.
Estágio Clínico Internacional (IFMSA) – Neurologia (2018)
III.
Contrato Erasmus+ Università di Roma “La Sapienza” (2018)
IV.
Certificado: Membro da Comissão Organizadora da Revista FRONTAL
V.
Certificado: Projeto de Voluntariado Continuado “Saúde Porta a Porta” (2015-2016)
VI.
Conferências e cursos frequentados:
a) Curso Trauma Evaluation and Management (TEAM)
b) XX Congresso Anual da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica (APNEP)
c) 8ª Reunião de Imunoalergologia de Lisboa
d) Encontro de Arte e Terapia
e) Portugal e-Health Summit 2019
I. CRONOGRAMA DOS ESTÁGIOS E SESSÕES APRESENTADAS
ESTÁGIO PERÍODO LOCAL Coordenador(a) Orientador(a) APRESENTAÇÕES/
TRABALHOS REALIZADOS 1 º SEM ES TRE Cirurgia Geral 10/09/2018 a 02/11/2018 Hospital Beatriz Ângelo
Prof. Doutor Rui Maio
Dr. Diogo Albergaria
- História Clínica; - Apresentação de caso clínico e revisão do tema:
Pseudomyxoma Peritonei Medicina Interna 5/11/2018 a 11/01/2018 Hospital De Santa Marta Prof. Doutor Fernando Nolasco Dr.ª Teresa Garcia - Revisão do tema: Tuberculose - o desafio diagnóstico e terapêutico 2 º SEM ES TRE Saúde Mental 21/01/2019 a 15/02/2019 Centro Hospitalar Psiquiátrico De Lisboa Prof. Doutor Miguel Talina Dr. Rafael Costa - História Clínica Medicina Geral e Familiar 18/02/2019 a 15/03/2019 USF Novo Mirante Prof. Doutora Isabel Santos Dr.ª Erica Frias Vicente
- Poster informativo para
a USF: Resistência aos antibióticos Pediatria 18/03/2019 a 12/04/2019 Hospital Dona Estefânia Prof. Doutor Luís Varandas Dr.ª Mafalda Paiva - História Clínica - Revisão do tema: Enurese Noturna Ginecologia e Obstetrícia 22/04/2019 a 18/05/2019 Maternidade Alfredo da Costa Prof. Doutora Teresinha Simões Dr.ª Carla Leitão; Dr.ª Celina Ferreira; Dr.ª Marta Melo - Apresentação de caso clínico e revisão do tema: Depressão pós-parto Estágio Opcional Neuro psiquiatria 19/05/2019 a 31/05/2019 Centro Clínico Champalimaud Prof. Doutor Albino Maia Prof. Doutor Albino Maia - Case Report
“Intermittent theta burst stimulation (iTBS) on bipolar depression: a case report of acute and maintenance efficacy”
a) CASE REPORT |
“Intermittent theta burst stimulation (iTBS) on bipolar depression: a case
report of acute and maintenance efficacy”
Oliveira-Maia, Albino J.; Cotovio, Gonçalo; Oliveira, José; Silva, Daniel; Santos, Carolina; Andrade, Mariana
Abstract
The depression component of bipolar disorder has a significant burden in patients’ lives and involves a complex treatment, often with poor response to medication. Studies show that conventional repetitive transcranial magnetic stimulation (rTMS) may be an effective and safe alternative or add-on to medication in the treatment of bipolar depression, but there is no strong evidence regarding intermittent theta burst stimulation (iTBS), a highly efficient rTMS protocol, in patients with bipolar depression. In the case we present, a patient diagnosed with bipolar disorder with marked and treatment-resistant depressive symptoms, received a course of 30 daily iTBS sessions of left dorsolateral prefrontal cortex (LDLPFC) given over 7-8 weeks, succeeded by weekly maintenance sessions. Each session consisted of 3 bursts at 50 Hz followed by intermittent pulses at 5 Hz for a total of 600 pulses, 120% of motor threshold. Since her 10th session, the patient had maintained a positive trajectory, as confirmed by response rates over 50% on both BDI-II and MADRS during the maintenance sessions, with clear improvement on social, family, academic and professional functioning, improved humour and decreased frequency and intensity of suicidal thoughts. This case shows the potential benefit of iTBS of LDLPFC in improving depressive symptoms and overall daily functioning in patients with drug-resistant bipolar disorder and supports the importance of maintenance in iTBS treatment.