QUINTA REUNIÃO DA COMISSÃO ELEITORAL DO SINDIJUS-PR - 06/10/2020
Às 8 horas e trinta minutos do dia seis de outubro de dois mil e vinte, teve início a quinta reunião da Comissão Eleitoral do SINDIJUS-PR, com a seguinte ordem do dia: a) leitura da Ata da reunião anterior; b) decisão sobre regularização de documentos solicitados e recebidos; c) decisão sobre pedidos de impugnação e, d) registro de recebimento de defesa quanto a não comprovação de condições de elegibilidade. Presentes à reunião os integrantes da Comissão Eleitoral Rutierre Marcos Ferreira Coutinho, Simone Regina Checchi, Vandré Alexandre Benedito da Silva, Giuliana Alboneti, Edson Cruz, Aline Prá Claudino e Carolina Barbieri Brito Nadolny. Ato seguinte foi procedida a leitura da Ata da reunião anterior, em que após efetuadas as correções e registro dos nomes dos presentes, foi aprovada por unanimidade. Em seguida, no item “b” da pauta, após debates sobre as irregularidades apontadas por ambas as Chapas nas Fichas de Qualificação e docs. apresentados, inclusive quanto à documentação adicional apresentada pela Chapa 1 no prazo estatutário, foi ofertado este 1º acordo: as CHAPAS 1 e 2 aceitam a falta de documentação e de informações nas Fichas de Qualificação da Chapa contrária como meras irregularidades formais, dando por regular também a documentação de Ernaldo Melek da Chapa 2, e a Comissão Eleitoral passou à discussão de elegibilidade do Art. 82. do Estatuto para os Candidatos Dan Júnior Alves, Liliane Flores de Freitas Gonçalves e Juares Neckel dos Santos. A reunião foi interrompida por cerca de 20 minutos, para que as representantes Carolina e Aline conversassem com suas Chapas. Na sequência, a representante Aline apresentou a proposta da Chapa 2: "Para aceitação das irregularidades documentais: 1) A Chapa 1 e a Comissão Eleitoral devem garantir Dan Júnior Alves como Coordenador da Chapa 2; Dan não é inelegível. O que a Chapa 1 questionou foi a condição dele como candidato a Coordenador Geral, e isso não é condição de elegibilidade do Art. 70 do Estatuto; as Contrarrazões demonstram a possibilidade de Dan obter liberação sindical uma vez eleito; 2) A Comissão Eleitoral deve analisar a Impugnação apresentada por duas Servidoras [Isabel Ferreira de Oliveira e Vivian Beraldo] neste quesito: no momento da inscrição, a Chapa 1 deixou de especificar os nomes dos componentes da Direção Executiva, o que é requisito essencial pra existência da Chapa, cf. § 1.º do Art. 76." Carolina, Representante da Chapa 1, contra ofertou a aceitação de Dan Júnior Alves na Coordenação da Chapa 2 desde que essa Chapa aceitasse a listagem dos Membros da Executiva pela Chapa 1. A reunião foi interrompida novamente, para que a representante Aline conversasse com a Chapa 2 sobre essa 2ª proposta de acordo. No retorno à reunião, as representantes das Chapas 1 e 2 acordaram: 1) Chapas 1 e 2 aceitam a falta de documentação e de informação nas Fichas da Chapa contrária como meras irregularidades formais; 2) Chapa 1 aceita Ernaldo Melek como candidato na Chapa2; 3) Chapa 1 aceita Dan Júnior Alves como coordenador geral da Chapa 2; e 4) a Chapa 2 aceita a listagem dos componentes da Direção Executiva da Chapa 1. Desta forma foram indeferidos por unanimidade os pedidos referentes a documentação, pois não é uma questão de inelegibilidade contida no Art. 82. Em relação ao item “d” da pauta, foi apresentado o recurso referente ao pedido de registro da candidatura de Liliane Gonçalves pela chapa 2. A defesa foi apresentada por Aline Pra Claudino, representante da referida chapa que sustentou a permanência de Liliane Gonçalves, alegando que “o vínculo entre filiação e desconto da mensalidade pelo Tribunal de Justiça
não faz sentido, nem está de conformidade com a norma estatutária. Esta inclui entre os direitos dos servidores filiados o de “usufruir os serviços prestados pelo Sindicato” (inciso VI do artigo 6º). Não há nenhuma ressalva ali, nem mesmo para essa faculdade de caráter predominantemente assistencial. Note-se que a única restrição em torno do assunto (direitos dos filiados) é dada pelo parágrafo único do referido dispositivo, vinculado diretamente ao inciso VII (solicitações à Diretoria sobre a administração do Sindicato). Quanto aos demais, não se impõe nenhuma exigência, não se estabelece nenhum prazo, o que leva a concluir que, para que adquira a filiação, basta ao interessado preencher e assinar a ficha respectiva, fornecida pela entidade de classe.”. Complementando que “Não haveria, consequentemente, por que condicionar o marco da sindicalização a um impulso burocrático do Tribunal de Justiça – o órgão empregador –, consistente na implantação de desconto em folha de pagamento individual. Essa exigência, que resultou no indeferimento da inscrição de uma das candidaturas que formam a Chapa 2, subtrai, ainda que temporariamente, o direito de participação plena de servidores na vida sindical. Mais do que isso, afronta o princípio da isonomia, uma vez que o desconto em folha, operado por unidade patronal, não é o meio exclusivo de repasse da contribuição. O artigo 8º, parágrafo único, estabelece que, “na hipótese de
impossibilidade de desconto direto em folha de pagamento, a Diretoria Colegiada poderá emitir carnês ou boletos bancários especiais de cobrança, receber o valor da mensalidade mediante débito em conta bancária do filiado, desde que haja autorização específica, individualmente ou por decisão de Assembleia Geral para esse fim, ou ainda poderá pagar a mensalidade na secretaria do Sindijus-PR”. Isso quer dizer que o meio de quitação da mensalidade sindical não é único, de acordo com o Estatuto. Razão pela qual a representante da chapa 2 entende que “para não ferir o pressuposto da igualdade, por conseguinte, só há um meio de fixar o início da filiação: a data do aceite, pelo trabalhador, das regras especificadas na ficha de adesão, fornecida pela entidade de classe. Note-se, também, que o artigo 70 fala em 365 dias de inscrição. Inscrição é a data do preenchimento da ficha, assim como acontece com a data de inscrição de candidaturas”. Após amplo
debate foi deferido o pedido de registro de candidatura de Liliane Flores de Freitas Gonçalves, integrante da chapa 2, por 6 Votos a 1, reconhecendo-se a data da ficha de sindicalização como vínculo sindical e consequente início da contagem de tempo de sindicalização. Em seguida, no mesmo ponto de pauta foi deferido o pedido de registro de candidatura de Juares Neckel dos Santos por cinco votos a dois. Em seguida, referente ao pedido da Chapa 2, de fornecimento do banco de dados dos sindicalizados e sindicalizadas do SINDIJUS-PR, após amplo debate foi INDEFERIDO por seis votos a 1, em consideração ao disposto no artigo 5º, “X”, da Constituição Federal, na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, Lei 13.709/2018, bem como o artigo 11 da Lei 10.406/2002, Código Civil. Segue no final da ata o parecer juridico. A representante da chapa 2 solicitou o registro da presente manifestação em ata, conforme segue: "À Comissão Eleitoral deve garantir
a isonomia de condições das Chapas. Negar o pedido de listagem de servidores, com email e telefone é privilegiar a Chapa 1, que já está na atual Direção do Sindicato e que já tem acesso de todos esses dados. Ainda, com base no art. 2°, III, do Estatuto sindical que afirma o seguinte: O SINDIJUS-PR tem por finalidade (...) atuar na defesa e manutenção das instituições democráticas’, aliado à Isonomia entre as chapas, no processo eleitoral. Ao fazer a análise do pedido à luz da Lei de Acesso de Dados, o Parecer do Dr. Ludimar Rafanhim parte do princípio que os dados vão ser divulgados indevidamente pelas Chapas e, por essa razão, orienta o indeferimento do pedido. O pedido de disponibilização desses dados dos filiados deveria ser analisado tão-somente pela garantia da isonomia de condições das Chapas". Ato contínuo foi aprovada por
unanimidade a proposta apresentada por Rutierre Coutinho de garantir de forma igualitária o envio de material uniforme de campanha das chapas concorrentes para a rede de e-mails do sindicato. Em seguida, relativo aos procedimentos necessários para a organização da eleição na modalidade virtual, a chapa 2 apresentou pedido de realização de Assembleia geral da categoria para definir sobre a realização do processo eleitoral na modalidade virtual, com manifestação da Representante da Chapa 2 que expressa o que segue: “Sabemos que o Estatuto é claro sobre as formas de votação. Mas os encaminhamentos precisam
ser deliberados em Assembleia. Então, meu encaminhamento é de que a Comissão Eleitoral solicite à Direção do Sindicato a convocação de Assembleia para tratar da ELEIÇÃO VIRTUAL, com a urgência que o caso requer. A CHAPA 2 É A FAVOR DA ELEIÇÃO VIRTUAL, MAS ENTENDE QUE ISSO DEVE SER DELIBERADO POR ASSEMBLEIA A SER CONVOCADA COM URGÊNCIA. Sobre a votação por Correspondência, essa deve se ater aos casos dos Arts. 94 a 100 do Estatuto (Comarcas com até 5 Servidores + Aposentados)." . Sobre este
aspecto foi recuperada a decisão da ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO DIA 14/08/2020, que ELEGEU A PRESENTE COMISSÃO ELEITORAL E APROVOU O REGIMENTO ELEITORAL onde consta, em seu artigo 23, que
“na impossibilidade de eleições presenciais por motivo de força maior, considerando, inclusive, a pandemia do coronavírus, o pleito poderá ser realizado por meio virtual, com avaliação e deliberação da Comissão Eleitoral. § 1º - Caberá à comissão eleitoral adotar todas as medidas necessárias à realização do pleito eleitoral de forma eletrônica e, se necessário, submeter ao referendo da Assembleia geral da categoria” .
Também o estatuto da entidade, em seu artigo nº 65, § 3º prevê, na alínea “a” a realização do pl eito na modalidade “correspondência e eletrônica”. Assim, tendo previsão estatutária e tendo havido apreciação do processo eleitoral eletrônico pela categoria em assembleia, considerando as condições de conhecimento desta Comissão e o atual estágio de desenvolvimento tecnológico, bem como a interatividade da categoria, esta Comissão Eleitoral deliberou, por seis votos a um, pela desnecessidade de realização de nova assembleia da categoria para consultar sobre a realização destas eleições por meio virtual. Em seguida foi apresentado o orçamento das três empresas com condições de oferecer serviços e sistema para realização das eleições na modalidade eletrônica. Sobre auditoria iniciou-se o debate, sem posição da CE, como
manifestação da representante da chapa 2 que expressa o que segue: "como não tenho conhecimento
suficiente pra tratar desse assunto hoje, quer dizer, se a Auditoria é ou não essencial, tenho que levar isso e mais os Orçamentos apresentados hoje ao conhecimento da CHAPA 2. E que quanto à AUDITORIA, as Chapas é que não têm o dinheiro que o Sindicato possuem para bancar esse serviço, que não são empresas/entidades com CNPJ". Registrado a presença dos advogados das chapas 1 e 2, sendo eles: Dra.
Nanci Stancki da Luz e Dr. Hamilton Maia da Silva Filho; bem como dos/as empregados/as do SINDIJUS-PR responsáveis pelo encaminhamento administrativo e operacional das decisões desta CE, sendo eles Pâmela Mendes Leony, jornalista; Jennifer Fernandes da Silva, secretária; e Ludimar Rafanhim, advogado. Assim sendo, nada mais havendo, foi lavrada a presente Ata que vai assinada por todos (as).
06 de outubro de 2020.
Comissão Eleitoral do SINDIJUS-PR
PARECER
CONSULENTE: Comissão Eleitoral do
Sindijuspr-Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Paraná
2020 e Direção da própria entidade
CONSULTADO: Ludimar Rafanhim, assessor jurídico
do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Paraná
OBJETO DA CONSULTA: Possibilidade de
fornecimento às chapas concorrentes às eleições de 2020
relação de endereços eletrônicos (E-MAILS) e números
telefônicos dos filiados à entidade sindical.
EMENTA: fornecimento de endereços eletrônicos e
números de telefones para as chapas concorrentes ao pleito
de 2020 – inteligência do artigo 5º, V e X da Constituição
Federal, artigos 3º, 5º I e II e 11 da Lei 13709/2018,
artigos 186 e 187 do Código Civil – impossibilidade de
fornecimento sob pena de responsabilização de dirigentes
sindicais, funcionários e membros da comissão eleitoral –
requerimentos que devem ser indeferidos – orientação que
deve ser transmitida para a direção sindical e
funcionários da entidade.
1.DA CONSULTA E DA RESPOSTA
Consultam-me a Comissão Eleitoral do Sindicato dos
Servidores do Poder Judiciário do Paraná e Direção
Sindical sobre o atendimento de pedido formulado junto à
referida Comissão por concorrentes ao pleito 2020 quanto
ao fornecimento do endereços eletrônicos e números
telefônicos dos filiados à entidade sindical para que as
informações sejam usadas durante a campanha eleitoral.
As eleições do Sindicato são reguladas pelo Estatuto
da entidade.
É certo que o Estatuto, em seu artigo 74, parágrafo
2º, assegura igualdade de condições entre as chapas
concorrentes.
§ 2º. A Comissão Eleitoral garantirá igualdade de
condições às chapas e candidaturas inscritas
durante o processo eleitoral, cuidando de impedir
a utilização de materiais e das instalações do
Sindicato em benefício de qualquer dos
concorrentes.
Da mesma forma, garante que o Sindicato publique
informativo com as propostas das chapas e seja feita ampla
publicidade do processo eleitoral.
O Estatuto garante o fornecimento da relação dos
sindicalizados para todas as chapas, conforme artigo 81.
Art. 81. No período de 15 (quinze) dias após o
término do prazo para o registro de candidaturas,
a Comissão Eleitoral fornecerá a cada chapa
registrada relação dos sindicalizados em
condições de votar.
Parágrafo único. A lista definitiva dos eleitores
será entregue às chapas 20 (vinte) dias antes das
eleições
Da mesma forma, O Regimento Eleitoral assegura o
fornecimento de etiquetas de uma mala direta dos filiados
a serem usadas pelas chapas.
Art. 11. A Comissão Eleitoral fornecerá um
conjunto de etiquetas impressas com o endereço
dos sindicalizados para cada uma das chapas,
sendo de integral responsabilidade política e
econômica das chapas o envio de materiais de
propaganda aos sindicalizados.
Quanto ao fornecimento de endereços eletrônicos e
números de telefones dos filiados, a situação é diversa,
pois são informações muito pessoais e que foram fornecidas
exclusivamente para o Sindicato, ficando as mesmas sob sua
guarda e responsabilidade.
O artigo 5º, X, da Constituição Federal
assegura a inviolabilidade da intimidade das pessoas, sob
pena de indenização pelo dano moral decorrente de sua
violação. In verbis:
X - são invioláveis a intimidade, a vida
privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização pelo dano
material ou moral decorrente de sua violação;
A proteção da intimidade e imagem do indivíduo é
também preceito constitucional, previsto no artigo 5º:
V - é assegurado o direito de resposta,
proporcional ao agravo, além da indenização por
dano material, moral ou à imagem;
Não bastassem os dispositivos constitucionais para
preservar a intimidade e vida privada das pessoas
naturais, em 2018, foi aprovada a Lei 13709 que “dispõe
sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios
digitais, por pessoa natural ou por pessoa jurídica de
direito público ou privado, com o objetivo de proteger os
direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e o
livre desenvolvimento da personalidade da pessoa
natural.” É a lei geral de proteção de dados, que entrou
em vigor no dia 14 de agosto de 2020.
Vejamos o contido nos artigos 3º, 5º, 11 e 42 da Lei
Geral de Proteção de Dados.
Art. 3º Esta Lei aplica-se a qualquer operação de
tratamento realizada por pessoa natural ou por pessoa
jurídica de direito público ou privado,
independentemente do meio, do país de sua sede ou do
país onde estejam localizados os dados, desde que:
I - a operação de tratamento seja realizada no
território nacional;
II - a atividade de tratamento tenha por objetivo
a oferta ou o fornecimento de bens ou serviços ou o
tratamento de dados de indivíduos localizados no
território nacional; ou
III - os dados pessoais objeto do tratamento
tenham sido coletados no território nacional.
§ 1º Consideram-se coletados no território
nacional os dados pessoais cujo titular nele se
encontre no momento da coleta.
§ 2º Excetua-se do disposto no inciso I deste
artigo o tratamento de dados previsto no inciso IV
do caput do art. 4º desta Lei.
Art. 5º Para os fins desta Lei, considera-se:
I - dado pessoal: informação relacionada à pessoa
natural identificada ou identificável;
II - dado pessoal sensível: dado pessoal sobre
origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião
política, filiação a sindicato ou a organização de
caráter religioso, filosófico ou político, dado
referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou
biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural;
Art. 11. O tratamento de dados pessoais sensíveis
somente poderá ocorrer nas seguintes hipóteses:
I - quando o titular ou seu responsável legal
consentir, de forma específica e destacada, para
finalidades específicas;
A lei prevê ainda a responsabilização daquele que
estiver em posse dos dados e causar dano a outrem.
Art. 42. O controlador ou o operador que, em razão do
exercício de atividade de tratamento de dados
pessoais, causar a outrem dano patrimonial, moral,
individual ou coletivo, em violação à legislação de
proteção de dados pessoais, é obrigado a repará-lo.
Vejamos também o que dizem os artigos 186 e 187
do Código de Processo Civil sobre a responsabilização por
danos causados.
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão
voluntária, negligência ou imprudência, violar
direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de
um direito que, ao exercê-lo, excede
manifestamente os limites impostos pelo seu fim
econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons
costumes.
O segundo dispositivo dispõe ainda que o excesso no
exercício de um direito pelo seu titular também é
configurado como ato ilícito.
Ainda que o dano causado seja de âmbito
exclusivamente moral, permanece o dever de indenizar o
prejuízo causado, conforme artigo 927 do Código Civil:
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e
187), causar dano a outrem, fica obrigado a
repará-lo.
São no mesmo sentido os artigos 20 e 21 do Código
Civil Brasileiro.
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias
à administração da justiça ou à manutenção da
ordem pública, a divulgação de escritos, a
transmissão da palavra, ou a publicação, a
exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa
poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem
prejuízo da indenização que couber, se lhe
atingirem a honra, a boa fama ou a
respeitabilidade, ou se destinarem a fins
comerciais.
Art. 21. A vida privada da pessoa natural é
inviolável, e o juiz, a requerimento do
interessado, adotará as providências necessárias
para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta
norma.
Se forem fornecidos os dados pessoais dos
sindicalizados para as chapas usarem em suas campanhas,
Direção Sindical, funcionários do Sindicado e Comissão
Eleitoral poderão ser responsabilizados pelos próprios
filiados ou entidade que proteja direitos coletivos.
São muitos os artigos publicados alertando para os
cuidados que os sindicatos e associações precisam ter com
os dados de seus associados, inclusive o contido no link
a seguir.
file:///C:/Users/info/Downloads/Lei%20Geral%20de
%20Prote%C3%A7%C3%A3o%20de%20Dados%20nos
%20sindicatos%20e%20associa%C3%A7%C3%B5es_
%20prepare-se!%20(2).html
Vejamos um trecho das orientações contidas no link
mencionado.
“As entidades representativas de categoria deverão,
assim como as empresas dos mais diversos segmentos,
proteger todas as informações relacionadas aos seus
associados, bem como orientá-los sobre como
proceder com as novas regras. Algumas mudanças
serão necessárias para garantir a privacidade e,
para isso, o investimento em tecnologia é
fundamental.”
Está muito claro o contido na legislação e nas
interpretações da mesma.
Por outro lado, o sindicato pode intensificar sua
comunicação com a categoria divulgando as propostas das
chapas concorrentes.
2.CONCLUSÃO
Do contido na legislação analisada, deve-se concluir
pela impossibilidade legal do fornecimento dos endereços
eletrônicos e números telefônicos dos filiados ao
Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Paraná.
O fornecimento dos dados em questão poderá ensejar a
responsabilização da entidade como pessoa jurídica e de
seus gestores como pessoas físicas.
Conclui-se ainda que a Comissão Eleitoral precisa
alertar as duas chapas que esse abstenham do uso dos
dados, como forma de proteger a entidade e seus atuais e
futuros dirigentes.
Devem as chapas concorrentes buscar outras formas de
obtenção de contatos para comunicar-se durante a campanha.
O parecer é pelo indeferimento do pedido de
fornecimento de endereços eletrônicos e números
telefônicos dos filiados ao Sindicato dos Servidores do
Poder Judiciário do Paraná.
É o parecer.
Curitiba, 06 de outubro de 2020.
Ludimar Rafanhim
OAB/PR 33324
Presidente - Rutierre Marcos Ferreira Coutinho
Simone Regina Checchi
Vandré Alexandre Benedito da Silva
Edson Luiz da Cruz
Carolina Barbieri Brito Nadolny