_______________________________________________________________________________________________________________N Novas Leituras 9 | Guia do Professor
TESTE N.° 1
ESCOLA: ___________________________________________________________________
TESTE DE PORTUGUÊS
Ano: 9.° | Turma: __________ Data: ___ / ___ /20___ GRUPO I
Parte A
Lê o texto com atenção. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado. O elefante da gula
Alexandre Pais
De Isabel Jonet só conheço, e por ler e ouvir dizer, o seu trabalho à frente do Banco Alimentar. Chega para a admirar, até porque sofro do mal nacional do egoísmo e terei de aprender a olhar menos para o meu umbigo.
A verdade é que sei bem o que é a miséria, pois frequentei o primeiro ciclo escolar, há mais de meio século, na Beira Alta, e fiquei marcado pelo que vi. Numa turma de vinte e tal alunos, só cinco ou seis andavam calçados, o que significava que a maioria percorria quilómetros, em pleno inverno, por caminhos de cabras e pelo meio das matas, com os pés nus, carregados de frieiras e de feridas. Alguns chegavam à escola em jejum e assim se aguentavam até a uma espécie de almoço, quase sempre de broa, dura de dias, e batatas cozidas. Outros comiam de manhãzinha, em casa, bocados de pão regados com vinho tinto, as tenebrosas sopas de cavalo cansado. A fruta comum eram umas maçãs pequenas e desenxabidas, que caíam das árvores e se davam aos porcos. Muitos amigos meus vestiam uns trapos e lembro-me de ver, nos pátios de entrada das suas habitações, estrumeiras a céu aberto, retretes comuns de galinhas, porcos e seres humanos, das quais emanava um cheiro nauseabundo.
Não sei se Isabel Jonet viu, na recente viagem à Grécia, imagens que apontem para um iminente regresso de tempos semelhantes àqueles em que Portugal vegetava, nos anos 50, uma situação de efetiva miséria. Porque a realidade atual é diferente. Mesmo as pessoas que sobrevivem a
custo e que nada têm, que se podem considerar como os novos miseráveis de uma Europa que falhou nas promessas de bem-estar e nas expectativas que criou, jamais voltarão a misturar-se com os animais, por muito que Merkel e a sua gente não se importassem com isso. O limiar da pobreza está hoje mais acima.
Quem vive além das suas possibilidades e vai ter de mudar de hábitos é certa classe média deslumbrada que se deixou levar pela febre consumista e pela inveja social, sem se esforçar por gerar os proventos que lhe permitam recorrer à necessidade de adquirir para ser. São esses que não vão poder comer bife todos os dias e que terão de fechar a torneira quando lavarem os dentes. Não por culpa da troika, mas pelo elefante branco1 da gula: comer mais do que se precisa, gastar mais do que se ganha, parecer mais do que se é.
Isabel Jonet foi pouco hábil na forma como tocou num tema delicado, com tantas suscetibilidades em alta, tantos nervos em franja. Mas não merecia ler o que se escreveu nas redes sociais. Porque enquanto os inúteis e os selvagens lavam frustrações e a desancam, ela mantém de pé uma obra de solidariedade e cidadania sem a qual a vida de muitos portugueses seria bastante pior. Chapeau2.
In Sábado, de 15 a 21 de novembro de 2012
________________________________________ VOCABULÁRIO
1coisa grande e vistosa, mas que não tem qualquer utilidade ou valor; 2Tiro-lhe o chapéu. _____________
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Novas Leituras 9 | Guia do Professor
35 5 55 50 45 20 15 10 25 40 30
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. Para responderes a cada item, seleciona a afirmação adequada ao sentido do texto. 1.1. A expressão “olhar menos para o meu umbigo” (linhas 4-5) significa:
a) andar menos de cabeça baixa. b) preocupar-se menos com o umbigo.
c) pensar menos em si próprio como centro do mundo. d) ser mais confiante nas suas capacidades.
1.2. Na expressão “Mesmo as pessoas que sobrevivem a custo […]” (linhas 30-31), a palavra sublinhada pode ser substituída por:
a) até. b) também. c) realmente. d) igualmente.
1.3. A afirmação “[…] terão de fechar a torneira quando lavarem os dentes” (linhas 44-45) pretende denunciar:
a) a falta de consciência ecológica. b) o desperdício de água.
c) os gastos económicos supérfluos.
d) o pouco cuidado na lavagem dos dentes.
1.4. A expressão “elefante branco da gula” (linha 46) contém uma: a) personificação.
b) metáfora. c) hipérbole. d) comparação.
1.5. O pronome relativo “a qual” (linha 55) refere-se: a) a Isabel Jonet.
b) à obra de Isabel Jonet.
c) à obra de solidariedade e cidadania. d) à vida de muitos portugueses.
2. Seleciona a opção que corresponde à única afirmação falsa, de acordo com o sentido do texto. a) o pronome “outros” (linha 16) refere-se a “alunos”.
b) o pronome “que” (linha 20) refere-se a “maçãs pequenas e desenxabidas”. c) o pronome “lhe” (linha 42) refere-se a “certa classe média”.
d) o pronome “esses” (linha 43) refere-se a “proventos”.
Novas Leituras 9 –ASA
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Parte B
Lê o excerto de Meu Pé de Laranja Lima de José Mauro de Vasconcelos.
Glória me chamara muito cedo. – Deixe ver as unhas.
Mostrei as mãos e ela aprovou. Agora as orelhas.
Ih! Zezé.
Me levou no tanque, molhou um pano com sabão e foi esfregando a minha sujeira.
Nunca vi uma pessoa dizer que é um guerreiro Pinagé e viver sempre sujinho! Vá se calçando que eu procuro uma roupinha decente pra você.
Foi na minha gaveta e remexeu. E remexeu mais. E quanto mais remexia menos achava. Todas as minhas calcinhas ou eram furadas, rasgadas, remendadas ou cerzidas.
Não precisava nem contar para ninguém. Só vendo essa gaveta a pessoa descobria o menino terrível que você é. Vista essa, está menos ruim.
E fomos nós embora para a descoberta “maravilhosa” que eu ia fazer.
Chegamos perto da Escola e uma porção de gente levava menino pela m.o para matricular. Não vá fazer papel triste e nem esquecer de nada, Zezé.
Ficamos sentados numa sala cheia de meninos e todos espiavam uns para os outros. Até que veio a nossa vez e entramos na sala da diretora.
Seu irmãozinho?
Sim, senhora. Mamãe não pôde vir porque trabalha na cidade.
Ela me olhou bastante e os olhos dela ficavam grandes e pretos porque os óculos eram muito grossos. Gozado é que ela tinha bigode de homem. Por isso é que ela devia ser diretora.
Ele não é muito pequenininho?
– É franzino pra idade. Mas já sabe ler. – Que idade você tem, menino?
– Dia vinte e seis de fevereiro fiz seis anos, sim, senhora. – Muito bem. Vamos fazer a ficha. Primeiro a filiação.
Glória deu o nome de Papai. Quando chegou o nome de Mamãe ela falou só: Estefânia de Vasconcelos. Eu não aguentei e soltei a minha correção.
– Estefânia Pinagé de Vasconcelos. – Como é?
Glória ficou meio corada.
– É Pinagé. Mamãe é filha de índios.
Fiquei todo orgulhoso porque eu devia ser o único que tinha nome de índio naquela Escola. Depois Glória assinou um papel e ficou parada, indecisa.
– Mais alguma coisa, moça?
– Eu queria saber a respeito dos uniformes… A senhora sabe… Papai está desempregado e somos bastante pobres.
E aquilo foi comprovado quando ela mandou que eu desse uma volta para ver o meu tamanho e número e acabou vendo os meus remendos.
Escreveu um número num papel e mandou a gente lá dentro procurar Dona Eulália.
Dona Eulália também se admirou com o meu tamanho e o menor número que tinha, me fazia parecer um pinto calçudo.
– O único é esse, mas está grande. Que menino miudinho!… – Eu levo e encurto.
Saí todo contente com dois uniformes de presente. Imagine a cara do Minguinho quando me visse de roupa nova e de aluno.
Com o passar dos dias eu contava tudo para ele. Como era, como não era. […]
E vieram as novidades. As brigas. As descobertas de um mundo onde tudo era novo. 10
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45 40 35 30 25 20 15 _____________ _____________________________________________________________________________________________________________________________________
In Meu Pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos, Dinapress, 2011
Responde, de forma completa e bem estruturada, aos itens que se seguem.
3. Indica o acontecimento retratado no excerto e os preparativos da irmã do Zezé para o mesmo. 4. Diz a que se refere o narrador com a expressão “descoberta ‘maravilhosa’” (linha 13), salientando
o seu estado de espírito.
5. Explica o sentido da expressão “Não vá fazer papel triste” (linha 15), evidenciando a intenção da irmã de Zezé ao usá-la.
6. Transcreve duas expressões do texto que comprovem a afirmação da irmã do Zezé “somos bastante pobres” (linha 37).
7. “Eu não aguentei e soltei a minha correção.” (linha 28)
7.1. Explica a afirmação do narrador, salientando a importância que o mesmo atribui à “correção” que fez.
8. Indica o(s) aspeto(s) comum(ns) entre o texto de José Mauro de Vasconcelos e o da Parte A.
GRUPO II
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. “– Nunca vi uma pessoa dizer que é um guerreiro Pinagé e viver sempre sujinho! Vá se calçando que eu procuro uma roupinha decente pra você.” (linhas 7-8)
1.1. Transforma o discurso direto em discurso indireto. 2. “[…] e entramos na sala da diretora.” (linha 17) 2.1. Classifica o tipo de sujeito na frase.
2.2. Identifica a função sintática desempenhada pela expressão sublinhada. 3. “Depois Glória assinou um papel […]” (linha 34)
3.1. Reescreve a frase anterior na forma passiva.
3.2. Transcreve o complemento agente da passiva da frase que construíste.
4. Transcreve dois exemplos que comprovem que o texto da Parte B pertence à variedade brasileira. Justifica a tua resposta.
5. “Gozado é que ela tinha bigode de homem.” (linha 21) 5.1. Classifica a oração sublinhada na frase.
6. “Com o passar dos dias eu contava tudo para ele.” (linha 47)
6.1. Reescreve a frase anterior, transformando o modificador destacado numa oração subordinada adverbial temporal.
7. “[…] os olhos dela ficavam grandes e pretos porque os óculos eram muito grossos.” (linhas 20-21) 7.1. Reescreve a frase iniciando-a pela locução conjuncional “Uma vez que…”.
GRUPO III
O 1.º Ciclo é um período muito importante no percurso escolar dos alunos.
Escreve um texto narrativo bem estruturado, com um mínimo de 180 e um máximo de 240 palavras, em que relates um episódio que se tenha passado na escola, no 1.º Ciclo, e que te tenha marcado.
O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma de desenvolvimento e uma de conclusão. Antes de redigires o teu texto, aponta em forma de tópicos as ideias que queres apresentar. _____________
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No final, relê com atenção o texto que escreveste, verifica se respeitaste a tua planificação e procede a ajustes e/ou correções que consideres necessários.
TESTE N.° 2
ESCOLA: ___________________________________________________________________
TESTE DE PORTUGUÊS
Ano: 9.° | Turma: __________ Data: ___ / ___ /20___
GRUPO I Parte A
Lê o texto com atenção.
Nelma Viana Jornalista
Eu, idiota, me confesso
A inveja é uma coisa feia. Foi assim que aprendi a não desejar o que não me fosse atribuído por direito e/ou mérito. E foi também assim que me consegui enganar ao acreditar que aquilo que sentia quando praguejava contra a sorte alheia era só um desabafo inofensivo contra a minha falta da mesma. Com o tempo percebi que não, que era inveja pura e dura e que isso, que é senão uma azia sentimental agudíssima, era uma coisa muito pouco nobre de se sentir.
Mas como eu, pessoalmente, nunca aspirei ao sangue-azul, acolhi a minha limitação o melhor que pude. Não sem antes me ter massacrado com um ou outro episódio de vergonha: começou com a Barbie princesa da vizinha aos sete anos e prolongou-se até à fase adulta com a Bimby1. A minha inveja, que é só
minha, não afeta ninguém em particular, não é direcionada a nenhum utilizador da Bimby, antes a
todos os que têm uma em casa.
Futilidades!, dirá o leitor. E eu até assino por baixo, mas vendo bem as coisas, a tendência é querer e invejar aquilo a que ainda não se conseguiu deitar a mão porque o resto, o que importa mesmo, que para mim (orgulhosamente) são a família e os amigos, não entram neste campeonato. Não se inveja ninguém porque tem um amigo mais bem educado, ou mais boémio, ou mais inteligente do que nós. E a família, já se sabe, não se escolhe, pelo que o assunto nunca será para aqui chamado. A inveja é palpável e estupidamente material.
E sim, gostava de fazer parte do grupo de pessoas que conseguem levar a vida sem nunca projetar comparações idiotas, sem nunca querer para si, só de vez em quando, aquela restiazinha de sorte que premeia sempre a pessoa ao lado. Por isso mesmo,
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Novas Leituras 9 | Guia do Professor
25 20 10 5 35 30 15
eu, idiota, me confesso. In http://www.sabado.pt/Cronicas/Nelma-Viana/ cf.-idiota,-me-confesso.aspx (acedido em 01/12/20
VOCABULÁRIO
1eletrodoméstico que serve para cozinhar, cujo objetivo é preparar mais rapidamente as refeições, mantendo o sabor original dos alimentos
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. As afirmações apresentadas de A. a F. correspondem a ideias-chave do texto de Nelma Viana 1.1. Escreve a sequência de letras que corresponde à ordem pela qual essas ideias surgem no texto.
Começa a sequência pela letra C.
A. Com efeito, a inveja direciona-se para as coisas e não para as pessoas.
B. Na verdade, o que a autora inveja não é as pessoas, mas o que elas possuem. C. A inveja é um sentimento vergonhoso.
D. Consciente da sua condição, a autora acabou por aceitar que era invejosa. E. A autora considera idiota desejar a felicidade dos outros.
F. Não é a falta de sorte, mas a inveja, que leva a autora a cobiçar o que é dos outros. 2. Para responderes a cada item, seleciona a afirmação adequada ao sentido do texto.
2.1. Com a expressão “Mas como eu, pessoalmente, nunca aspirei ao sangue-azul” (linhas 10-11), a autora pretende:
a) reconhecer que nunca desejou uma transfusão de sangue para alterar a cor deste. b) ser alvo da inveja de outras pessoas.
c) evidenciar a sua modéstia.
d) mostrar que, apesar de ser contra a sua vontade, a sua condição social provém da nobreza. 2.2. Nas linhas 21-22, a expressão “deitar a mão” significa:
a) apanhar. b) roubar. c) sentir. d) ter.
2.3. “o assunto” (linha 27) tem a ver com: a) a família e os amigos.
b) a família. c) os amigo.
d) a inveja.
Novas Leituras 9 –ASA
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2.4. Na frase “[…] aquela restiazinha de sorte que premeia sempre a pessoa ao lado.” (linhas 33-34), a palavra que é:
a) uma conjunção coordenativa explicativa. b) uma conjunção subordinativa consecutiva. c) uma conjunção subordinativa comparativa. d) um pronome pessoal.
Parte B
Lê o excerto do conto “História Comum” de Machado de Assis. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.
Sou um simples alfinete vilão1, modesto, não alfinete de adorno, mas de uso, desses com que as mulheres do povo pregam os lenços de chita, e as damas de sociedade os fichus2, ou as flores, ou isto, ou aquilo. Aparentemente vale pouco um alfinete; mas, na realidade, pode exceder ao próprio vestido. Não exemplifico; o papel é pouco, não há senão o espaço de contar a minha aventura.
Tinha-me comprado uma triste mucama3. O dono do armarinho vendeu-me, com mais onze irmãos, uma dúzia, por não sei quantos réis; coisa de nada. Que destino! Uma triste mucama. Felicidade, — este é o seu nome, — pegou no papel em que estávamos pregados, e meteu-o no baú. Não sei quanto tempo ali estive; saí um dia de manhã para pregar o lenço de chita que a mucama trazia ao pescoço. Como o lenço era novo, não fiquei grandemente desconsolado. E depois a mucama era asseada e estimada, vivia nos quartos das moças, era confidente dos seus namoros e arrufos; enfim, não era um destino principesco, mas também não era um destino ignóbil.
[…] Na véspera do dia em que se deu a minha aventura, ouvi falar de um baile no dia seguinte, em casa de um desembargador4 que fazia anos. As senhoras preparavam-se com esmero e afinco,
cuidavam das rendas, sedas, luvas, flores, brilhantes, leques, sapatos; não se pensava em outra coisa senão no baile do desembargador. Bem quisera eu saber o que era um baile, e ir a ele; mas uma tal ambição podia nascer na cabeça de um alfinete, que não saía do lenço de uma triste mucama?
— Certamente que não. O remédio era ficar em casa.
— Felicidade, diziam as moças, à noite, no quarto, dá cá o vestido. Felicidade, aperta o vestido. Felicidade, onde estão as outras meias?
— Que meias, nhanhã5?
— As que estavam na cadeira... — Uê! nhanhã.! Estão aqui mesmo.
E Felicidade ia de um lado para outro, solícita, obediente, meiga, sorrindo a todas, abotoando uma, puxando as saias de outra, compondo a cauda desta, concertando o diadema daquela, tudo com um amor de mãe, tão feliz como se fossem suas filhas. E eu vendo tudo. O que me metia inveja eram os outros alfinetes. Quando os via ir da boca da mucama, que os tirava da toilette6, para o corpo das moças,
dizia comigo, que era bem bom ser alfinete de damas7, e damas bonitas que iam a festas.
In Obra Completa, “História Comum”, Machado de Assis, Nova Aguilar, 1994 25 20 15 10 5 _____________ _____________________________________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________ VOCABULÁRIO
1de origem plebeia; que não tem descendência nobre; 2 xailes; 3nome (no Brasil e em África) da escrava ou criada
negra que servia especialmente a senhora e que, às vezes, era ama de leite; 4 juiz do Tribunal da Relação; 5tratamento carinhoso que se dá às meninas; 6vestuário e adereços combinados com algum cuidado, para usar em
determinada ocasião; 7senhoras; mulheres nobres
Responde, de forma completa e bem estruturada, aos itens que se seguem.
3. Classifica o narrador quanto à presença, justificando a tua resposta.
4. Caracteriza a personagem principal, fundamentando a tua resposta no texto.
5. “[…] não era um destino principesco, mas também não era um destino ignóbil.” (linha 12) 5.1. Explicita o sentido desta afirmação, começando por identificar de que destino se trata. 6. Identifica o sentimento que domina o “alfinete”, no último parágrafo, e a razão do mesmo.
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3. Testes de Avaliação| Novas Leituras
7. O texto de Machado de Assis e o da Parte A falam sobre diferentes tipos de inveja.
7.1. Defende este comentário, indicando as semelhanças entre os dois textos. Justifica a tua res-posta com expressões do texto da Parte B.
GRUPO II
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. Associa cada elemento da coluna A ao único elemento da coluna B, de modo a identificares a função sintática desempenhada pela expressão sublinhada em cada frase.
2. A mucama é estimada pelas moças.
2.1. Reescreve a frase anterior na ativa.
3. Reescreve as frases, substituindo as expressões sublinhadas pelo pronome pessoal adequado. a) “[…] as mulheres do povo pregam os lenços de chita.” (linha 2)
b) “[…] não há senão o espaço de contar a minha aventura.” (linhas 4-5) c) “[…] dá cá o vestido.” (linha 19)
4. Transforma cada par de frases simples numa frase complexa, utilizando conjunções das subclasses indicadas entre parênteses.
a) As senhoras preparam-se com esmero e afinco. O baile era muito importante. (conjunção subordinativa consecutiva)
b) As moças e a mucama eram amigas. A mucama não foi ao baile. (conjunção subordinativa concessiva)
5. A mucama a quem o dono do armarinho vendeu o alfinete era confidente dos namoros das moças.
Novas Leituras 9 –ASA
Coluna B 1. complemento direto 2. complemento indireto 3. modificador 4. predicado 5. predicativo do sujeito 6. sujeito 7. vocativo Coluna A
A. “Tinha-me comprado uma triste mucama.” (linha 6)
B. A mucama pegou nos alfinetes e meteu-os no baú.
C. “Felicidade, aperta o vestido.” (linhas 19)
D. Felicidade sorria a todas as moças sem se lamentar.
5.1. Transcreve a oração subordinada que integra a frase complexa anterior e classifica-a.
GRUPO IV
Tal como a inveja, há sentimentos ou características que depreciamos nas pessoas.
Escreve um texto de opinião, de 180 a 240 palavras, que pudesse ser divulgado num jornal escolar, no qual apresentes o sentimento e/ou a característica que menos aprecias nas pessoas, fundamentando devidamente o teu ponto de vista.
O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma parte de desenvolvimento e uma parte de conclusão.
Antes de redigires o teu texto, aponta em forma de tópicos as ideias gerais que queres apresentar. No final, relê com atenção o texto que escreveste, verifica se respeitaste a tua planificação e procede a ajustes e/ou correções que consideres necessários. Novas Leituras 9 –ASA
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TESTE N.° 3
ESCOLA: ___________________________________________________________________
TESTE DE PORTUGUÊS
Ano: 9.° | Turma: __________ Data: ___ / ___ /20___
GRUPO I Parte A
Lê o texto com atenção.
É certo também que [Gil Vicente] alcançou nas cortes de D. Manuel e de D. João uma situação de prestígio e talvez de valimento que lhe permitiu certas liberdades e audácias, aliás acordes com o ambiente intelectual renovador e agitado do primeiro terço do século XVI a que o nosso País não escapou. Foi aquela situação privilegiada que tornou possível a Gil Vicente pregar aos frades de Santarém um sermão, em 1531, em que os censurava por terem alarmado a população da cidade fazendo-lhe crer que o terramoto ocorrido em fevereiro daquele ano fora uma manifestação da ira de Deus por se consentirem em Portugal os cristãos-novos. Neste sermão explicou Gil Vicente aos frades que o terramoto era um fenómeno natural, e que os Judeus deviam ser convertidos sem violência, pela persuasão.
Gil Vicente soube aproveitar a sua situação na corte para uma crítica atrevidíssima de diversos vícios sociais, especialmente relativos à nobreza e ao clero. Mas fazia-o aparente ou realmente de acordo com o rei, a quem interessava por vezes castigar certos abusos, e que, frequentemente, por virtude da sua política de concentração do poder eclesiástico na família real, de apropriação dos rendimentos eclesiásticos e de reforço da autoridade real em face da autoridade da Santa Fé, entrou em conflito com o clero. A Exortação da Guerra é representada com o fim bem específico de conseguir fundos para a expedição de Azamor e de obrigar o clero português a ceder o terço dos seus rendimentos para a “guerra santa”, direito que o rei D. Manuel alcançara enviando para esse fim ao Papa a famosa embaixada de Tristão da Cunha. Mas a
crítica de Gil Vicente vai, naturalmente, muito além das intenções do rei, que lhe serviam de ocasião.
A carreira teatral de Gil Vicente termina em 1536 com a representação da Floresta de Enganos. Depois da sua morte, a corte manteve fielmente o valimento que lhe dera em vida, e os seus autos continuaram a ser representados (não todos certamente). A viúva de D. João III protegeu contra a inquisição a publicação completa das suas obras, em 1562, sob o tíulo Copilação de todalas obras de Gil Vicente.
In Teatro de Gil Vicente, António José Saraiva, Manuscrito Editores, 1984 10
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20 15
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. Assinala verdadeiro (V) ou falso (F) nas afirmações seguintes, de acordo com o sentido do texto
2. Seleciona a única opção em que a palavra que é uma conjunção subordinativa.
a) “[…] uma situação de prestígio e talvez de valimento que lhe permitiu certas liberdades e audácias […].” (linhas 1-2)
b) “Neste sermão explicou Gil Vicente aos frades que o terramoto era um fenómeno natural […].” (linhas 7-8)
c) “[…] a crítica de Gil Vicente vai, naturalmente, muito além das intenções do rei, que lhe serviam de ocasião.” (linhas 18-20)
d) “[…] a corte manteve fielmente o valimento que lhe dera em vida […].” (linhas 3 -24)
Parte B
Lê o excerto da cena do Frade do Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.
Vem um FRADE com ũa Moça pela mão, e um broquel1 e ũa espada na outra, e um casco2
debaixo do capelo3; e, ele mesmo fazendo a baixa4, começou de dançar, dizendo:
__________________________________ VOCABULÁRIO
1pequeno escudo; 2capacete; 3capuz; 4trautear a música de uma “dança baixa”; 5não vos faziam lá posição,
reparo
V F
a) Gil Vicente era protegido pelo rei D. Manuel e por D. João.
b) Graças ao seu talento, Gil Vicente tecia críticas audazes à corte.
c) Segundo os frades de Santarém, o terramoto de 1531 foi um castigo divino.
d) Gil Vicente insurgiu-se contra os facto de os cristãos-novos serem convertidos à força.
e) Apenas a nobreza e o clero eram alvo da crítica de Gil Vicente.
f) O rei considerava abusivas as críticas efetuadas por Gil Vicente.
g) A Exortação da Guerra visava que o clero também financiasse a “guerra santa”.
h) A representação das peças de Gil Vicente perdurou na corte mesmo após a sua morte.
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3. Testes de Avaliação| Novas Leituras 9 s 9
Frade Tai-rai-rai-ra-rã; ta-ri-ri-rá;
ta-rai-rai-rai-rã; tai-ri-ri-rã; tã-tã; ta-ri-rim-rim-rã. Huha!
Diabo Que é isso, padre? Que vai lá? Frade Deo gratias! Som Cortesão. Diabo Sabês também o tordião? Frade Porque não? Como ora sei! Diabo Pois, entrai! Eu tangerei
e faremos um serão.
Essa dama, é ela vossa?
Frade Por minha la tenho eu,
e sempre a tive de meu.
Diabo Fezestes bem, que é fermosa!
E não vos punham lá grosa5
no vosso convento santo?
Frade E eles fazem outro tanto! Diabo Que cousa tão preciosa…
Entrai, padre reverendo! 5
15
10
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Novas Leituras 9 | Guia do Professor
__________________________________ VOCABULÁRIO
6acordo, contrato
Responde, de forma completa e bem estruturada, aos itens que se seguem.
3. Ao contrário das outras personagens, o Frade chega feliz ao cais. 3.1. Enuncia o modo como o Frade expressa a sua alegria.
3.2. Comenta o comportamento desta personagem, tendo em conta a sua condição social.
4. Explicita o sentido da expressão “Gentil padre mundanal” (verso 24), identificando o recurso e ex-pressivo empregue pelo Diabo.
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Novas Leituras 9 –ASA
60 65 30 25 20 45 40 35 50 55
Tornou a tomar a Moça pela mão, dizendo:
Frade Vamos à barca da Glória.
Começou o Frade a fazer o tordião e foram dançando até o batel do Anjo desta maneira:
Frade Ta-ra-ra-rai-rã; ta-ri-ri-ri-ri-rã;
tai-rai-rã.; ta-ri-ri-rã; ta-ri-ri-rã. Huhá!
Deo gratias! Há lugar cá pera minha reverença? E a senhora Florença polo meu entrará lá!
Parvo Andar, muitieramá!
Furtaste o trinchão, frade?
Frade Senhora, dá-me a vontade
que este feito mal está. Vamos onde havemos d’ir, não praza a Deos com a ribeira! Eu não vejo aqui maneira senão enfim… concrudir.
Diabo Haveis, padre, de viir. Frade Agasalhai-me lá Florença,
e compra-se esta sentença e ordenemos de partir.
Auto da Barca do Inferno, Gil vicente, in Teatro de Gil Vicente, edição de Ant. José. Saraiva, Portugália, s/d
Frade Pera onde levais gente? Diabo Pera aquele fogo ardente
que nom temestes vivendo.
Frade Juro a Deos que nom t’entendo!
E este hábito no me val?
Diabo Gentil padre mundanal,
a Berzabu vos encomendo!
Frade Ah, Corpo de Deos consagrado!
Pela fé de Jesu Cristo,
que eu nom posso entender isto! Eu hei-de ser condenado?
Um padre tão namorado e tanto dado à virtude? Assi Deos me dê saúde, que eu estou maravilhado!
Diabo Não curês de mais detença.
Embarcai e partiremos: tomarês um par de remos.
Frade Nom ficou isso n’avença.6 Diabo Pois dada está já a sentença! Frade Par Deos! Essa seri’ela!
Não vai em tal caravela minha senhora Florença. Como? Por ser namorado e folgar com ũa mulher se há um frade de perder, com tanto salmo rezado? […]
3. Testes de Avaliação| Novas Leituras 9
5. “E não vos punham lá grosa / no vosso convento santo?” (versos 14-15) 5.1. Esclarece o objetivo da pergunta do Diabo.
5.2. Comprova que a resposta do Frade vai ao encontro da intenção crítica de Gil Vicente.
6. Esclarece o motivo pelo qual o Frade fica espantado com a intenção do Diabo de o levar na sua barca.
7. Comenta o silêncio do Anjo perante o Frade, relacionando-o com o papel do Parvo nesta cena.
GRUPO II
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. Lê os versos seguintes.
a) “Por minha la tenho eu” (verso 11) b) “Um padre tão namorado” (verso 30)
1.1. Explicita a alteração a nível fonético que as palavras “la” e “namorado” sofreram na sua evolução
até os nossos dias.
1.2. Indica os processos fonológicos na evolução dessas palavras. 2. Transcreve do texto da Parte B dois arcaísmos.
3. “tomarês um par de remos.” (verso 36)
3.1. Forma um verbo a partir da palavra sublinhada.
3.2. Classifica a palavra que formaste quanto ao seu processo de formação. 4. “Não vai em tal caravela / minha senhora Florença. (versos 40-41)
4.1. Identifica a função sintática desempenha pelos elementos destacados na frase. 5. O Frade estava tão enamorado que levou a Florença com ele.
5.1. Classifica a oração sublinhada na frase anterior.
GRUPO III
Durante a nossa vida, conhecemos pessoas cuja primeira impressão nem sempre corresponde à opinião que, posteriormente, formamos sobre elas.
Escreve um texto narrativo, correto e bem estruturado, de 180 a 240 palavras, em que relates uma situação real ou imaginária idêntica à apresentada acima.
Na tua narrativa, deves incluir a descrição dessa pessoa.
Lembra-te de que, no final, deves reler com atenção o texto que produziste, verificar se obedeceste
à planificação que fizeste, se há erros ortográficos ou sintáticos e proceder às correções que entenderes necessárias.
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Novas Leituras 9 | Guia do Professor
TESTE N.° 4
ESCOLA: ___________________________________________________________________
TESTE DE PORTUGUÊS
Ano: 9.° | Turma: __________ Data: ___ / ___ /20___
GRUPO I Parte A
Lê o texto com atenção. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado. Ao passo que Molière nos revela
predominante-mente os tipos psicológicos, como o Hipócrita, o Ava-rento, o Ciumento, o Doente Imaginário, etc., Gil Vicente apresenta-nos tipos sociais, como o Frade, o Fidalgo, a Alcoviteira, o Escudeiro, a Menina Burguesa. Os tipos psicológicos, como o Velho Enamorado, são exceções no teatro vicentino.
No seu conjunto, portanto, este teatro dá-nos um espelho satírico da sociedade portuguesa, que interessa duplamente como depoimento acerca desta sociedade e como expressão da ideologia do seu autor.
Gil Vicente fala e observa da corte onde se encontra instalado e que lhe impõe dadas condições. Assim é que os seus autos cavaleirescos refletem a mentali-dade típica da nobreza palaciana congregada nos se-rões do Paço – em contradição com a inspiração realista e plebeia1 do resto da sua obra. Assim é, também, que
o elogio das guerras ultramarinas, a exaltação do espírito de cruzada, na Exortação da guerra, no Auto da Fama e noutras obras, se integra dentro da orientação política
e ideológica da corte portuguesa. Dependente do Rei,
Gil Vicente servia a sua orientação política, por vezes
de maneira bem imediata, como na citada Exortação da Guerra, em que o clero português é cen-surado por se recusar a entregar as tenças dos rendimentos eclesiásticos que o Papa concedera à Coroa para custear2 a guerra em África.
Por outro lado, porém, Gil Vicente observa a realidade sob um ângulo que não é propriamente o do Paço. Isto possibilita a largueza, a diversidade e a relativa objetividade do seu depoimento, que não chega todavia a alcançar a amplidão e a crueza do que nos oferecera, quase um século antes, Fernão Lopes.
A sátira vicentina está cheia de duplicidades. Vemo-lo atacar violentamente a nobreza, e ao mesmo tempo exalçar os ideais típicos da mesma nobreza; vemo-lo elogiar a corte em termos encarecidos e simultaneamente mostrar a corrupção, a venalidade e o espírito de rapina que a __________________________________ 5 10 25 20 15 30
VOCABULÁRIO
1popular, 2financiar
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3. Testes de Avaliação| Novas Leituras 9
caracterizam; vemo-lo atacar os Judeus, e por outro lado apresentar no palco os aspetos simpáticos da
sua vida, e defendê-los até, em carta a D. João III, contra as perseguições incitadas pelo clero de Santarém. A mesma duplicidade deve explicar peças como o Juiz da Beira, em que se atribuem a um
juiz
su-postamente boçal3 e mentecapto4 sentenças paradoxais, condenado instituições que estavam fora de
toda a discussão. A parvoíce do juiz serve de escudo à sabedoria das suas sentenças radicais.
Por estas razões, a interpretação do conjunto da sátira vicentina é extremamente complexa, e deve tomar em conta os subentendidos, a intenção profunda dos paradoxos, as limitações que o autor procurava iludir.
In História Ilustrada das Grandes Literaturas. Literatura Portuguesa I, António José Saraiva, Editorial Estúdios Cor, 1966
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. As afirmações apresentadas de A. a H. correspondem a ideias-chave do texto transcrito.
1.1. Escreve a sequência de letras que corresponde à ordem pela qual essas ideias surgem no texto. Começa a sequência pela letra C.
A. Ainda que sujeito a condicionantes, Gil Vicente retrata a mentalidade da corte.
B. Gil Vicente faz a apologia da guerra de cruzada de acordo com a ideologia defendida pelo rei. C. As personagens de Gil Vicente caracterizam tipos sociais.
D. A obra de Gil Vicente deve ser interpretada à luz dos sentidos implícitos que o dramaturgo se viu obrigado a usar.
E. A obra de Gil Vicente espelha a sociedade da época, mas também a ideologia do dramaturgo.
F. Não é só a mentalidade palaciana, mas também a do povo que servem a crítica vicentina. G. Gil Vicente denuncia os vícios das classes sociais, mas também enaltece as suas qualidades. H. Não obstante a sua fidelidade ao rei, Gil Vicente é objetivo na crítica que tece à corte. 2. Seleciona a única opção cuja frase contém o pronome pessoal átono o.
a) “Os tipos psicológicos, como o Velho Enamorado, são exceções no teatro vicentino.” (linhas 5-7)
b) “Por outro lado, porém, Gil Vicente observa a realidade sob um ângulo que não é pro-priamente o do Paço.” (linhas 26-27)
c) “Vemo-lo atacar violentamente a nobreza, e ao mesmo tempo exalçar os ideais típicos da mesma nobreza […]” (linhas 30-31)
d) “[…] a interpretação do conjunto da sátira vicentina é extremamente complexa […].” (linha 38)
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35
VOCABULÁRIO
3grosseiro, 4insensato; néscio
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Novas Leituras 9 | Guia do Professor
Parte B
Lê a cena dos Cavaleiros do Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.
Vêm quatro Cavaleiros cantando, os quais trazem cada um a Cruz de Cristo, pelo qual Senhor e acrecentamento de Sua santa fé católica morreram em poder dos mouros. Absoltos a culpa e pena perprivilégio que os assi morrem têm dos mistérios da Paixão d’Aquele por Quem padecem, outorgados por todos os Presidentes Sumos Pontífices da Madre Santa Igreja. E a cantiga que assi
cantavam, quanto a palavra dela, é a seguinte:
Novas Leituras 9 –ASA
Dia. Entrai cá! Que cousa é essa?
Eu nom posso entender isto!
Cav. Quem morre por Jesu Cristo
não vai em tal barca como essa! Tornam a prosseguir, cantando, seu caminho direito à barca da Glória, e, tanto que chegam, diz o Anjo:
Anjo Ó cavaleiros de Deos,
a vós estou esperando, que morrestes pelejando por Cristo, Senhor dos céos! Sois livres de todo o mal, mártires da Madre Igreja, que quem morre em tal peleja merece paz eternal.
E assi embarcam.
Auto da Barca do Inferno, Gil vicente, in Teatro de Gil Vicente, edição de Ant. José. Saraiva, Portugália, s/d
35 30 15
105
Cav. À barca, à barca segura,
barca bem guarnecida, à barca, à barca da vida! Senhores que trabalhais pola vida transitária,
memória, por Deos, memória deste temeroso cais!
À barca, à barca, mortais, barca bem guarnecida,1 à barca, à barca da vida! Vigiai-vos, pecadores, que, despois da sepultura, neste rio está a ventura de prazeres ou dolores! À barca, à barca, senhores, barca mui nobrecida, à barca, à barca da vida!
E passando per diante da proa do batel dos danados assi cantando, com suas espadas e escudos, disse o Arrais da perdição desta maneira:
Dia. Cavaleiros, vós passais
e nom preguntais onde is?
1.º Cav. Vós, Satanás, presumis?2 Atentai com quem falais!
2.º Cav. Vós que nos demandais?
Siquer3conhecê-nos bem. Morremos nas Partes d’Além, e não queirais saber mais
__________________________________ VOCABULÁRIO
1provido do que é necessário; 2estais cheio de presunção, de vaidade?; 3ao meno
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3. Testes de Avaliação| Novas Leituras 9
Responde, de forma completa e bem estruturada, aos itens que se seguem.
3. Indica os elementos cénicos dos Cavaleiros e a sua simbologia.
4. Comenta a forma como os Cavaleiros reagem à interpelação do Diabo. 5. “à barca, à barca da vida” (verso 3)
5.1. Esclarece de que barca se trata, identificando o recurso expressivo presente no verso. 6. Explicita de que forma a cantiga dos Cavaleiros sintetiza a moralidade do Auto da Barca do Inferno.
7. Interpreta as palavras do Anjo à luz da ideologia política da época.
8. Explicita o motivo que terá levado Gil Vicente a apresentar os Cavaleiros apenas no final do auto.
GRUPO II
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. Indica os processos fonológicos sublinhados que ocorreram na evolução para o português atual das palavras a seguir indicadas.
a) “dolores” > dores
b) “nobrecida” > enobrecida 2. “neste rio está a ventura” (verso 13)
2.1. Tendo em conta que, à semelhança do nome “rio”, a forma verbal rio provém do mesmo étimo latino, classifica-as quanto à sua origem e evolução.
3. Os Cavaleiros dirigiram-se diretamente à barca do Anjo.
3.1. Indica a função sintática desempenhada pela expressão sublinhada na frase. 4. “Quem morre por Jesu Cristo / não vai em tal barca como essa.” (versos 28-29) 4.1. Classifica a oração sublinhada na frase anterior.
5. Os Cavaleiros morreram na Guerra Santa. O Anjo embarcou os Cavaleiros para o Paraíso. 6.1. Transforma as frases simples anteriores numa frase complexa de acordo com o sentido do
texto.
Evita repetições desnecessárias.
GRUPO III
Ainda que vários séculos separem o Auto da Barca do Inferno do tempo presente, aquele mantém-se perfeitamente atual.
Escreve um texto argumentativo, de 180 a 240 palavras, que confirme a afirmação anterior, com base em acontecimentos da atualidade.
20
O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma parte de desenvolvimento e uma parte de conclusão.
Antes de redigires o teu texto, aponta em forma de tópicos as ideias gerais que queres apresentar.
No final, relê com atenção o texto que escreveste, verifica se respeitaste a tua planificação e procede a ajustes e/ou correções que consideres necessários.
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TESTE N.° 5
ESCOLA: ___________________________________________________________________
TESTE DE PORTUGUÊS
Ano: 9.° | Turma: __________ Data: ___ / ___ /20___
GRUPO I Parte A Lê o texto com atenção.
Viajar nos Livros
Dia Internacional do Livro Infantil
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3. Testes de Avaliação| Novas Leituras 9
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. Para responderes a cada item, seleciona a afirmação adequada ao sentido do texto. 1.1. A expressão “duravam eternidades” (linhas 5-6) contém uma:
a) ironia. b) hipérbole. c) metáfora. d) personificação.
1.2. Na frase “[…] nem se sonhava com vídeos ou jogos […]” (linha 7), a expressão sublinhada pode ser substituída por:
a) nem se desejava. b) nem se gostava de. c) nem havia.
d) nem se previa haver.
1.3. Na frase “E desde então aprendi que se pode viajar de muitas maneiras […].” (linhas 14-15), a expressão sublinhada é uma oração:
15 10 5
Era uma vez um tempo em que ainda não havia vacinas (ou havia muito poucas), e os meninos aguentavam semanas na cama, sem poderem ir à escola, desembaraçando-se alegremente de papeiras, varicelas, tosses convulsas e gripes que duravam eternidades. Era também um tempo em que ainda não havia televisão, nem se sonhava com víeos ou jogos de computadores. Num tempo desses fiz a minha provisão de sonho e aventura: durante uma pneumonia, curada a papas de linhaça, li A Ilha do Tesouro e Moby Dick.
Por isso até. hoje esses livros têm cheiro, o cheiro inconfundível dos remédios para sempre colado à ideia do cheiro do rum, da estalagem do Capitão Benbow, ou do convês do “Pequod”. E desde então aprendi que se pode viajar de muitas maneiras, com a companhia que quisermos, durante o tempo que entendermos. Basta um livro nas nossas mãos para que mundos verdadeiros e mundos imaginados se estendam à nossa frente, sem fronteiras, sem pas-saportes, sem horários de chegada ou de partida. In-felizmente a literatura portuguesa não é muito rica em livros de viagens. Fizemo-nos ao mar – e dessa aventura demos conta n ‘Lusíadas; perdemo-nos por desvairadas terras – e dessa aventura demos conta na Peregrinação. Depois cansámo-nos um pouco…
Esta seleção de livros é, como todas, subjetiva. De um modo mais ou menos abrangente, todos incidem sobre o tema da viagem. E todos têm um final comum: viajar.
É bom, porque existe um lugar (ou um sonho, ou alguém) a que vale a pena regressar.
Alice Vieira http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Portugues/livro/promocaoLeitura/ accoesPromocaoLeitura/diasMundiais/Documents/viaj_livros.pdf 30 25 20
a) subordinada adjetiva restritiva. b) subordinada adjetiva explicativa. c) subordinada substantiva completiva. d) subordinada substantiva relativa. 1.4. Na linha 21, a palavra “rica” significa:
a) abundante. b) opulenta. c) rara. d) valiosa.
1.5. O complexo verbal “demos conta” (linha 23) pode ser substituído por: a) apercebemo-nos.
b) notamos. c) narramos. d) consideramos.
1.6. A afirmação “[…] cansámo-nos um pouco…” (linha 25) pretende salientar que: a) as viagens cansam.
b) é cansativo ler os livros de viagens. c) narrar as viagens é cansativo.
d) não se fez mais nada digno de relato.
1.7. A locução “ou… ou” (linha 30) apresenta uma ideia de: a) adição. b) alternativa. c) conclusão. d) oposição. ______________________________________________________________________________________________________ __
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Parte B
Lê o excerto de Os Lusíadas de Luís de Camões. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.
___________________________________________________________________________ VOCABULÁRIO
1a ermida de Nossa Senhora de Belém; 2penso; 3dificilmente contenho as lágrimas; 4receia
Responde, de forma completa e bem estruturada, aos itens que se seguem.
2. Situa o excerto transcrito na estrutura interna da obra a que pertence. 3. Identifica o narrador e classifica-o quanto à presença.
4. “Que apenas nos meus olhos ponho o freio” (estância 87)
4.1. Identifica o recurso expressivo no verso transcrito, evidenciando o seu valor expressivo. 5. As personagens intervenientes no momento da ação narrado formam dois grupos distintos: aqueles
que partem e aqueles que ficam.
5.1. Identifica as personagens de cada um dos grupos.
5.2. Enuncia os sentimentos manifestados por aqueles que ficam e as causas dos mesmos. 6. Comenta a atitude dos navegadores nos últimos quatro versos da estância 88.
GRUPO II
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. Transforma em discurso indireto a frase a seguir apresentada. Vasco da Gama garantiu:
– Vamos fazer esta viagem em nome da pátria e seremos bem-sucedidos. 2. Os marinheiros que partiram de Belém despediram-se comovidos da multidão. 2.1. Transcreve a oração subordinada que integra a frase anterior e classifica-a.
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3. Testes de Avaliação| Novas Leituras 9
3. Transforma cada par de frases simples numa frase complexa, utilizando conjunções e locuções conjuncionais das subclasses indicadas entre parênteses.
a) A multidão sentia-se triste e receosa. A viagem era longa e perigosa. (locução subordinativa causal) 89
87 Em tão longo caminho e duvidoso
Por perdidos as gentes nos julgavam, As mulheres cum choro piadoso,
Os homens com suspiros que arrancavam. Mães, Esposas, Irmãs, que o temeroso Amor mais desconfia4, acrecentavam
A desesperação e frio medo
De já nos não tornar a ver tão cedo.
In Os Lusíadas, Luís de Camões edição de A. J. da Costa Pimpão, MNE-IC, 2000 Partimo-nos assi do santo templo1
Que nas praias do mar está assentado, Que o nome tem da terra, pera exemplo, Donde Deus foi em carne ao mundo dado. Certifico-te, ó Rei, que, se contemplo2
Como fui destas praias apartado, Cheio dentro de dúvida e receio,
Que apenas nos meus olhos ponho o freio3.
A gente da cidade, aquele dia,
(Uns por amigos, outros por parentes, Outros por ver somente) concorria, Saudosos na vista e descontentes. E nós, co a virtuosa companhia De mil Religiosos diligentes,
Em procissão solene, a Deus orando, Pera os batéis viemos caminhando. 88
b) O capitão sentia-se muito comovido. Os seus olhos estavam marejados de lágrimas. (conjunção subordinativa consecutiva)
4. Completa cada uma das frases seguintes com a forma do verbo apresentado entre parênteses, no tempo e no modo indicados.
Pretérito perfeito simples do indicativo
a) Os navegadores _______________ (obter) grande reconhecimento pelo seu feito heroico. b) A viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia _______________ (trazer) muitas
vantagens para Portugal.
Futuro simples do conjuntivo
c) Se os navegadores _______________ (ter) sorte, a viagem será bem-sucedida. b) Se os navegadores _______________ (regressar) sãos e salvos, a família ficará feliz. 5. Associa cada elemento da coluna A ao único elemento da coluna B, de modo a identificares a
função sintática desempenhada pela expressão sublinhada em cada frase.
6. Assinala a alínea em que a palavra para não é uma preposição. a) “Para os batéis viemos caminhando.” (estância 88)
b) Os navegadores preparam-se para a perigosa viagem.
c) A gente da cidade ocorreu à praia para se despedir dos navegadores. d) Depois de os marinheiros partirem, eles foram para casa.
GRUPO III
Na verdade, os homens partiam em busca de fortuna, deixando para trás a sua família. Escreve um texto de opinião, de 180 a 240 palavras, no qual te posiciones a favor ou contra a viagem
realizada pelos navegadores portugueses, fundamentando devidamente o teu ponto de vista. O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma parte de desenvolvimento e uma parte de conclusão.
Antes de redigires o teu texto, aponta em forma de tópicos as ideias gerais que queres apresentar.
No final, relê com atenção o texto que escreveste, verifica se respeitaste a tua planificação e procede
a ajustes e/ou correções que consideres necessários.
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Novas Leituras 9 | Guia do Professor
Coluna B
1. complemento agente da passiva
2. complemento direto 3. complemento indireto 4. complemento oblíquo 5. modificador 6. predicativo do sujeito 7. sujeito Coluna A
A. A gente da cidade despediu-se dos marinheiros.
B. Vasco da Gama sentia-se comovido.
C. Os religiosos acompanharam-nos até aos batéis.
D. Os navegadores partiram nesse dia.
E. Os navegadores eram apoiados pelo rei.
TESTE N.° 6
ESCOLA: ___________________________________________________________________
TESTE DE PORTUGUÊS
Ano: 9.° | Turma: __________ Data: ___ / ___ /20___
GRUPO I Parte A
Lê o texto com atenção. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.
A Viagem da Índia
As naus estavam finalmente aparelhadas, as guarnições a postos, as âncoras prontas a er-guer-se.
Fora ainda D. João II que as mandara construir; e o Príncipe perfeito, inspirando-se nos conselhos de Bartolomeu Dias e dos outros práticos, não se poupara a esforços para que elas fossem acabadas de uma maneira especialmente cuidada e forte, com madeiras de grande grossura, habilmente escolhidas e arrecadadas na Casa da Mina por pessoa de confiança, com a pregaria bem atacada, com o calafeto1 rigorosamente verificado e os aparelhos, o cordame2,
as velas tríplices por causa dos temporais.
Estavam prontas as naus heroicas, predestinadas, que agora simbolizavam todo o futuro, todo o sonho, toda a ansiedade de Portugal; as naus em que naquela manhã de 8 de julho de 1497, depois de ter passado a noite na capela do Restelo, vigiando e orando, Vasco da Gama devia embarcar com os seus companheiros em demanda do Oriente.
Todo o povo de Lisboa tinha acorrido à praia, a que a piedade de muitos, ainda no tempo do infante D. Henrique, pusera o pitoresco nome de Lágrimas; e na luz prestigiosa da manhã, toda em cintilas3 e irisados4 fulgores, toda em tonalidades do mais puro cristal, apenas lá
muito ao longe levemente empanada5 na bruma das serranias, o venturoso rei D. Manuel viera
também em triunfo, sob o pálio6, dizer o último adeus aos novos argonautas.
No calmo estuário do Tejo, tão predestinado para as gloriosas empresas e para as supremas consagrações, já o S. Gabriel, o S. Rafael, o S. Miguel e o Bérrio desfraldam as velas aos ventos e aos sonhos épicos; e, no meio da multidão – enquanto Vasco da Gama e os outros comandantes se afastam – as mãos agitam-se mais altas num frémito de ansiedade, as almas perturbam-se numa mais enternecida emoção e um velho de longas barbas alvejantes diz talvez em torno as proféticas palavras d’Lusíadas.
Enfim! Enfunadas as velas, já lá iam pelo mar fora, audazmente, na apoteose esplêndida do sol trespassando o azul, dourando a cidade e as águas; já lá iam em busca da morte, em busca da glória e das origens do sol, como aventureiros ousados de um novo, mais pulcro7
ideal – enquanto a multidão se dispersava, agora mais soturna, ainda em lágrimas, no angustioso presságio dos temporais, dos naufrágios, dos flagelos implacáveis do futuro…
In Quadros da História de Portugal, Chagas Franco & João Soares, Gradiva Publicações, 2010
___________________________________________________________________________ VOCABULÁRIO
1 vedação; 2cordas; 3brilhos; faíscas; 4brilhantes; coloridos; 5encoberta; 6espécie de dossel sustido
por varas, debaixo do qual vai o rei nos cortejos; 7belo; delicado
__________________________________________________________________________________________________________________
3. Testes de Avaliação| Novas Leituras 9
5
10
15
20
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. Para responderes a cada item, seleciona a afirmação adequada ao sentido do texto. 1.1. A palavra “aparelhadas” (linha 1) significa:
a) acabadas. b) ancoradas. c) encaminhadas. d) preparadas.
1.2. O ano “1497” (linha 10) reporta-se ao século: a) XIV.
b) XV. c) XVI. d) XVII.
1.3. O “S. Gabriel, o S. Rafael, o S. Miguel e o Bérrio” (linha 19) referem-se: a) ao nome dos comandantes das naus.
b) ao nome atribuído às naus.
c) aos santos que acompanhavam os navegadores. d) aos sacerdotes que viajavam com a tripulação.
1.4. A expressão “as mãos agitavam-se mais altas” (linha 21) contém uma: a) metáfora.
b) perífrase. c) personificação. d) sinédoque.
1.5. Na frase “já lá iam pelo mar fora” (linha 24), o sujeito é: a) as naus.
b) as velas. c) os argonautas. d) os sonhos épicos.
1.6. A palavra sublinhada na expressão “ainda em lágrimas” (linha 27) pode ser substituída por: a) agora. b) até agora. c) mais. d) também. ______________________________________________________________________________________________________ __
Parte B
Lê o excerto de Os Lusíadas de Luís de Camões. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.
A Tempestade
___________________________________________________________________________
Mas neste passo, assi prontos estando1,
Eis o mestre2, que olhando os ares anda,
O apito toca: acordam, despertando, Os marinheiros dũa e doutra banda, E, porque o vento vinha refrescando3,
Os traquetes das gáveas tomar manda4.
“– Alerta (disse) estai, que o vento crece5
Daquela nuvem negra que aparece!” Não eram os traquetes bem tomados, Quando dá a grande e súbita procela6.
“– Amaina (disse o mestre a grandes brados), Amaina7 (disse), amaina a grande vela!”
Não esperam os ventos indinados8
Que amainassem, mas, juntos dando nela, Em pedaços a fazem cum ruído
Que o Mundo pareceu ser destruído! O céu fere com gritos nisto a gente, Cum súbito temor e desacordo9;
Que, no romper da vela, a nau10 pendente
Toma grão suma11 d' água pelo bordo.
“– Alija12 (disse o mestre rijamente,
Alija tudo ao mar, não falte acordo13!
Vão outros dar à bomba, não cessando; À bomba, que nos imos alagando!”.
Ivan Konstantinobich, Navio na tempestade, 1887 70
Correm logo os soldados animosos A dar à bomba; e, tanto que14 chegaram,
Os balanços que os mares temerosos Deram à nau, num bordo os derribaram. Três marinheiros, duros e forçosos, A menear o leme não bastaram;
Talhas15 lhe punham, dũa e doutra parte,
Sem aproveitar dos homens força e arte. Os ventos eram tais que não puderam Mostrar mais força d' ímpeto cruel, Se pera derribar então vieram A fortíssima Torre de Babel16.
Nos altíssimos mares, que creceram, A pequena grandura dum batel
Mostra a possante nau, que move espanto, Vendo que se sustém nas ondas tanto.
In Os Lusíadas, Luís de Camões edição de A. J. Pimpão, MNE-IC, 2000 73
71
72 74
VOCABULÁRIO
1vatentos à narrativa de Fernão Veloso; 2comandante de manobra; 3soprando; 4manda encurtar as velas
su-periores do mastro grande; 5aumenta de intensidade; 6tempestade; 7carrega, colhe; 8impetuosos,
enfurecidos;
9frenesi, nervosismo; 10de S. Gabriel; 11grande quantidade; 12lança carga ao mar; 13presença de espírito,
san-gue-frio; 14logo que; 15cordas que se prendem à cana do leme, para facilitar o governo da nau; 16torre que,
se-gundo a Bíblia, os hebreus construíram para chegar ao Céu, tendo sido castigados por Deus que fez com que o
povo falasse línguas diferentes e, como tal, não se entendesse
__________________________________________________________________________________________________________________
3. Testes de Avaliação| Novas Leituras 9
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
2. Situa o excerto de Os Lusíadas na estrutura interna da obra. 3. Atenta nas estâncias 70 e 71.
3.1. Transcreve das estâncias as expressões que ilustrem o crescimento gradual da tempestade. 3.2. Identifica, na segunda estância, uma personificação, evidenciando o seu valor expressivo. 3.3. Caracteriza a atitude da personagem individual, destacada na tripulação, face à tempestade. 4. Relê as estâncias 72 e 73.
4.1. Esclarece o estado de espírito dos marinheiros.
4.2. Explicita a atitude dos marinheiros perante as ordens do “mestre”.
5. Esclarece o sentido dos quatro primeiros versos da última estância, identificando o recurso expressivo
empregue na descrição da força dos ventos.
GRUPO II
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. “Não esperam os ventos indinados / Que amainassem” (estância 71)
1.1. Identifica a função sintática desempenhada pela expressão sublinhada.
1.2. Classifica a forma verbal “amainassem”, indicando pessoa, número, tempo e modo. 1.3. Classifica a oração introduzida pela conjunção subordinativa “que”.
1.4. Reescreve os versos anteriores na afirmativa, iniciando-os como a seguir se indica.
Oxalá os ventos indinados ___________________________________________________
2. “Três marinheiros, duros e forçosos, / A menear o leme não bastaram” (estância 73)
2.1. Reescreve o segundo verso, substituindo “o leme” pelo pronome pessoal adequado. Faz apenas as alterações necessárias.
2.2. Identifica a função sintática desempenhada pela expressão sublinhada. 3. Seleciona a alínea que te permite obter uma afirmação correta.
3.1. A frase em que a palavra que é um pronome é:
a) “Eis o mestre, que olhando os ares anda, / O apito toca” (estância 70) b) “– Alerta (disse) estai, que o vento crece” (estância 70)
c) “Não esperam os ventos indinados / Que amainassem” (estância 71)
d) “Em pedaços a fazem cum ruído / Que o Mundo pareceu ser destruído!” (estância 71)
GRUPO III
Os navegadores portugueses arriscaram a sua vida na descoberta do caminho marítimo para a Índia. Baseando-te em filmes/séries televisivas que tenhas visto ou em algum livro que tenhas lido,
escreve uma história real ou imaginária, de 180 a 240 palavras, em que alguém tenha arriscado a própria vida para alcançar um determinado objetivo.
Lembra-te de que deves situar a ação no tempo e no espaço, bem como apresentar as personagens
intervenientes.
O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma parte de desenvolvimento e uma parte de conclusão.
Antes de redigires o teu texto, aponta em forma de tópicos as ideias gerais que queres apresentar.
No final, relê com atenção o texto que escreveste, verifica se respeitaste a tua planificação e procede a ajustes e/ou correções que consideres necessários.
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Novas Leituras 9 | Guia do Professor
TESTE N.° 7
ESCOLA: ___________________________________________________________________
TESTE DE PORTUGUÊS
Ano: 9.° | Turma: __________ Data: ___ / ___ /20___
GRUPO I Parte A
Lê o texto com atenção.
Talvez, quem sabe?, a poesia seja alguma espécie obscura de religião
Manuel António Pina 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 A poesia é um mistério incompreensível. Porque
escrevem as pessoas poesia? E porque a leem ou ouvem outras pessoas? Eu sei que pode escrever-se poesia (o que quer que "poesia" signifique) por muitos motivos, nem todos respeitáveis.
Ao longo da História, a poesia tem servido um pouco para tudo, seja ut doceat, ut moveat aut delectet, que é como quem diz "para ensinar, comover ou deleitar" (a fórmula tem 500 anos e é de Rudolfo Agrícola) seja para enaltecer e louvar ou, se não para ganhar a vida, ao menos para fazer por ela.
Hoje, como provam os programas de Língua Portuguesa da Dra. Maria de Lurdes Rodrigues, a poesia é coisa perfeitamente dispensável no ensino e qual-quer telenovela comove e deleita mais gente que um poema de Cesário ou de Herberto; por outro lado, já ninguém encomenda um poema para eternizar os seus feitos (a verdade é que também faltam feitos que mereçam ser eternizados) nem nenhuma dama se deixa seduzir com protestos de amor decassilábicos e metáforas. Quanto a ganhar a vida estamos falados; com raras exceções, os livros de versos vendem umas poucas centenas de exemplares e só editores suicidas se metem em tal negócio. Há tempos, um editor punha a uma seleta audiência de poetas a seguinte pergunta: como se edita poesia e se tem uma pequena fortuna ao fim de uns anos? A resposta é: começando com uma grande fortuna. No entanto, continua a haver gente a escrever poesia e gente a editá-la. E gente a ler ou a ouvir poesia.
Na semana passada realizou-se em Maiorca o Festival de Poesia do Mediterrâneo (outro mistério:
poesia). Havia poetas catalães, castelhanos, asturia-nos, árabes, portugueses.
Na última noite, 500 ou 600 pessoas ouviram ler poemas em línguas que não conheciam. Muitas vezes (pelo menos no caso do árabe e do português) não fa-ziam a mínima ideia do que falavam os poetas. Mas es-cutavam como se participassem numa celebração cujo significado estivesse alám (ou aquém) das palavras.
Que procuravam ali aquelas pessoas? Só a “música das palavras”? Mas a poesia não é música, é um pouco menos e um pouco mais que música. é certo que tam-bém não é apenas sentido mas algo entre uma coisa e outra ou ambas ao mesmo tempo, “música do sen-tido”, como diz Castoriadis, e talvez, quem sabe?, al-guma forma de sentido que a música possa fazer. Como os outros, também eu escutava. Às vezes jul-gava reconhecer uma palavra e agarrava-me a ela como um náufrago até a perder algures fora e dentro de mim, ou percebia uma sonoridade dolorosa, uma inflexão irónica, uma inventiva (em árabe, meu Deus!, que mais podia eu perceber?), e isso me bastava para, por um momento, me sentir absurdamente feliz.
Talvez, quem sabe?, a poesia seja alguma espécie obscura de religião, talvez ela própria seja uma língua estrangeira falada em regiões distantes e interiores, talvez escrevendo poesia e lendo e ouvindo poesia es-tejamos perto de algo maior do que nós ou do nosso exato tamanho. Porque alguma razão há de haver para a persistência da poesia mesmo em tempos tão pouco gloriosos como os nossos.
In Visão, junho, 2007 http://visao.sapo.pt/persistencia-da-poesia=f692240