PROVA PRÁTICA
PEÇA PROCESSUAL (Valor: 30,00 pontos)
A empresa VELOCITÁ TRANSPORTES LTDA recebeu do Município de Belo Horizonte permissão para prestar serviços de transporte coletivo denominado táxi-lotação, a fim de suprir a deficiência das empresas concessionárias de transporte público.
A permissão foi dada por 05 anos, a partir de 2010. Após o fim do prazo, os serviços continuaram a ser prestados.
Em meados de 2016, o Ministério Público de Minas Gerais e o Município de Belo Horizonte firmaram um Termo de Ajustamento de Condutas cujo objetivo é extinguir as permissões.
Em 15/6/2017 o Município extinguiu a permissão, por ato do SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SERVIÇOS URBANOS DE BELO HORIZONTE-MT, sem que fossem indicados os motivos dessa decisão.
Diante disso, a empresa impetrou Mandado de Segurança com Pedido Liminar contra ato indigitado coator do Secretário Municipal, objetivando a suspensão do ato que extinguiu a permissão da Impetrante.
Na inicial, a Impetrante argumenta que a extinção da permissão não foi precedida de contraditório e ampla defesa, bem como os veículos, apesar de possuírem mais de 10 anos, estão em perfeita condições de trafegabilidade. Aduz, ainda, que simultaneamente à permissão, vigora a concessão de transporte público coletivo e há vários ônibus também estão em condições irregulares, mas, apesar disso, o Município não exerce com o mesmo rigor a fiscalização das concessionárias, como o faz em relação às permissionárias.
A tutela provisória foi concedida, nestes termos:
Entendo que existe risco de dano grave ou de difícil reparação aos usuários do Transporte Público do Município de Belo Horizonte, com a suspensão imediata dos serviços prestados pela Impetrante, pois indubitavelmente causariam desordem no transporte coletivo e no já conturbado transito urbano, acarretando prejuízos aos passageiros atendidos pelo serviço. Ademais, deve-se registrar que o serviço prestado pela Impetrante é devidamente regulamentado no âmbito municipal pela Lei n° 5.999/2001. Deste modo, in casu, além da existência de diploma normativo regulamentar a ser cumprido, há um interesse maior a ser observado, qual seja, da população belo-horizontina, que será beneficiada com a continuidade dos serviços de transporte coletivo nas linhas atendidas pela Impetrante, até a ulterior decisão de mérito da presente demanda.
Diante do exposto, CONCEDO A LIMINAR para determinar à Autoridade Impetrada a imediata suspensão do ato administrativo, que extinguiu a permissão da empresa Impetrante e a Ordem de Serviço Operacional da linha, e determino, por consequência, que a Autoridade Impetrada restabeleça imediatamente a Permissão bem como a referida ordem de
serviço, retornando as atividades da Impetrante ao mesmo itinerário até o julgamento final da presente ação.
Expeça-se mandado.
Notifique-se a autoridade coatora para, no prazo de 10 (dez) dias, prestar as informações que entender conveniente (art. 7º, I, da Lei nº. 12.016/2009), devendo ser cumprido, ainda, o disposto no art. 7º, II, da Lei nº. 12.016/2009.
Após, remetam-se os autos ao representante do Ministério Público, também pelo prazo de 10 (dez) dias (art. 12, da Lei nº. 12.016/2009), expirado o qual, com ou sem o parecer, venham conclusos para sentença (art. 12, parágrafo único)
(...)
PROVA PRÁTICA – PARECER (VALOR: 20 PONTOS)
O Prefeito do Município de Belo Horizonte pretende apresentar, à Câmara Municipal, uma proposta de Emenda à Lei Orgânica do Município de Belo Horizonte e submeteu a respectiva minuta à apreciação da Procuradoria Geral do Município.Na qualidade de Procurador do Município, elabore parecer jurídico analisando a possibilidade de serem realizadas as seguintes alterações na Lei Orgânica do Município de Belo Horizonte, constantes da minuta apresentada pelo Prefeito Municipal:
I) Modificação do § 3º do art. 105: (5,0 pontos) “Art. 105.
§ 3º – Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores, não se aplicando a essas eleições o art. 14, § 7º, da Constituição Federal.”
II) Acréscimo do inciso XIII ao caput do art. 110: (5,0 pontos) “Art. 110.
XIII – deixar de tomar as providências necessárias para assegurar a revisão geral anual referida no art. 37, X, da Constituição Federal.”
III) Acréscimo do parágrafo único ao art. 189: (5,0 pontos) “Art. 189.
Parágrafo único – A região metropolitana de Belo Horizonte compreende os municípios que lhe sejam contíguos, bem como os que sejam limítrofes a estes últimos e que possuam população superior a 100 mil habitantes.”
IV) Acréscimo do § 5º ao art. 193: (5,0 pontos) “Art. 193.
remunerado de passageiros com uso de motocicletas exigirá qualificação especial, na forma da lei.”
PEÇA PROCESSUAL ESPELHO DA RESPOSTA Pontuação máxima Pontuação atribuída Endereçamento ao Presidente do Tribunal de Justiça (art. 1.016, caput,
CPC)
1,0 Nome Indicação correta da peça: AGRAVO DE INSTRUMENTO 1,0
Nome das partes (art. 1.016, I, CPC) 1,0
Indicação das peças obrigatórias e facultativas
a) petição inicial, que também ensejou a decisão agravada (art. 1.017 I);
b) decisão agravada (art. 1.017 I);
c) certidão de intimação ou documento equivalente (art. 1.017 I); d) procuração outorgada ao advogado da Agravada e menção à dispensa da procuração ao Procurador do Município (art. 1.017 I). e) declaração de inexistência de contestação (art. 1.017 II)
1,0 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 Demonstração do cabimento do RAI (art. 1.015, I) 1,0 RAZÕES RECURSAIS:
I – Razões de anulação
A decisão é nula, na medida em que, viola o art. 489, § 1º, do CPC: § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:
(...)
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso;
Apesar de mencionar os dois requisitos para a concessão da tutela provisória / medida liminar, quais sejam a relevância dos fundamentos da impetração (fumus boni iuris) e a possibilidade do ato impugnado resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida (periculum in mora), discorre apenas sobre o segundo e sem relevar o primeiro.
Ademais, deixou de considerar argumentos capazes de modificar o entendimento, violando, assim, o inciso IV do art. 489, § 1º, do CPC: IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador;
15,00 3,0
II – Razões de reforma a) Inadequação da via eleita.
Necessidade de dilação probatória. A causa de pedir está baseada nas condições de trafegabilidade dos veículos da Impetrante, ou seja, a inicial reconhece que os veículos possuem mais de 08 anos, porém possuem condições de trafegar, o que depende de prova.
O mesmo ocorre com a alegação de que há ônibus irregulares, contudo nenhum deles foi apreendido nem a concessão foi extinta
b) Natureza da autorização. Ato unilateral e precário.
A permissão é unilateral e precária, isto é, pode ser revogada a qualquer tempo
JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO (Manual de Direito Administrativo, Ed Atlas, 26 edição, p. 1172 / 1173) ensina que:
4.1.Autorização de Uso
Autorização de uso é o ato administrativo pelo qual o Poder Público consente que determinado indivíduo utilize bem público de modo privativo, atendendo primordialmente a seu próprio interesse.
Esse ato administrativo é unilateral, porque a exteriorização da vontade é apenas da Administração Pública, embora o particular seja o interessado no uso. É também discricionário, porque depende da valoração do Poder Público sobre a conveniência e a oportunidade em conceder o consentimento. Trata-se de ato precário: a Administração pode revogar posteriormente a autorização se sobrevierem razões administrativas para tanto, não havendo, como regra, qualquer direito de indenização em favor do administrado.
4.2.Permissão de Uso
Permissão de uso é o ato administrativo pelo qual a Administração consente que certa pessoa utilize privativamente bem público, atendendo ao mesmo tempo aos interesses público e privado.
12,0 4,0
O delineamento jurídico do ato de permissão de uso guarda visível semelhança com o de autorização de uso. São realmente muito assemelhados. A distinção entre ambos está na predominância, ou não, dos interesses em jogo. Na autorização de uso, o interesse que predomina é o privado, conquanto haja interesse público como pano de fundo. Na permissão de uso, os interesses são nivelados: a Administração tem algum interesse público na exploração do bem pelo particular, e este tem intuito lucrativo na utilização privativa do bem. Esse é que nos parece ser o ponto distintivo. Quanto ao resto, são idênticas as características. Trata-se de ato unilateral, discricionário e
precário, pelas mesmas razões que apontamos para a autorização de
uso.
Sem destaques originais c) ilegalidade da prestação
De acordo com a Constituição Federal:
Art. 175 - Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos
Portanto, o serviço prestado pela Impetrante não possui amparo legal.
4,0
Tutela recursal antecipada / Efeito suspensivo
Deve-se atribuir efeito suspensivo ao Recurso (art. 1.019, I, CPC) considerando que a probabilidade do direito do Agravante é manifesta (anulação da decisão, inadequação da via eleita e natureza da autorização, ilegalidade da prestação do serviços), conforme demonstrado nas razões recursais.
Além disso, há perigo de dano irreparável decorrente do desequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão de transporte público. Isso porque, a manutenção dos serviços, pela Impetrante e outras empresas de táxi-lotação, impactarão o contrato de concessão de transporte público existente e válido no Município. Consequentemente, haverá desequilíbrio econômico-financeiro da concessão o que acabará onerando os cofres municipais.
Requerimentos:
a) intimação do agravado (art. 1.019, II, CPC); b) oitiva do MP (art. 1.019, III, CPC);
c) atribuição de efeito suspensivo ao recurso (art. 1.019, I, CPC), de modo que seja mantido o desconto pelos dias não trabalhados até o fim da greve.
3,0
Pedidos:
a) confirmação da tutela antecipada recursal, para permitir o desconto imediatamente;
b) reforma da decisão para declarar legal os descontos.
2,0 Total 30,00 PARECER ESPELHO DA RESPOSTA Pontuação máxima Pontuação atribuída I) O STF já decidiu que as hipóteses de inelegibilidade reflexa (art. 14,
§ 7º, CF/88) se aplicam também nas eleições suplementares (RE 843455/DF). Portanto, a modificação proposta é incompatível com a CF/88.
5,0
II) A competência para dispor sobre crimes de responsabilidade (infrações político-administrativas) é privativa da União, conforme consta da Súmula Vinculante 46 (“A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento são de competência legislativa privativa da União.”).
5,0
III) A competência constitucional para criar regiões metropolitanas é dos Estados-Membros, que o fazem mediante lei complementar (art. 25, § 3º, CF/88).
5,0 IV) A competência para legislar sobre transporte remunerado de
passageiros com uso de motocicletas é privativa da União, por se tratar de tema relativo a trânsito e transporte (art. 22, XI, CF/88), conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (ADI 3679/DF).
5,0