TRILHANDO AS HISTÓRIAS CONSTITUCIONAIS BRASILEIRAS.
Adimar Garcia Machado1.
Este trabalho tem como objetivo incentivar o estudante do ensino fundamental e médio a conhecer melhor o documento mais relevante do nosso país, a Constituição Federal, ou seja, o documento maior de uma nação, de onde emanam todos os ordenamentos jurídicos para dirigir o país. Entender os procedimentos para sua elaboração, os momentos históricos de nosso país onde houve a necessidade de uma nova Carta Constitucional, o que diferencia uma Constituição Promulgada de um Documento Constitucional Outorgado.
Também não podemos negar que a intenção desse estudo é de que o aluno desenvolva o raciocínio com uma leitura interessante, e gradativamente compreender o porquê da necessidade de uma nação em lutar pela democracia.
No primeiro momento, vamos abordar o surgimento do território brasileiro, com o tratado de Tordesilhas, uma linha vertical dividindo interesses portugueses dos espanhóis, em 1494, onde pela primeira vez, surge uma cartografia, melhor dizendo, o primeiro marco histórico e político do nosso país. Logo a seguir, vamos estudar a chegada dos primeiros portugueses em terras brasileiras, em 1500.
No momento posterior o capitulo vai reservar uma passagem interessante, onde despertará a necessidade de uma ocupação nesta terra tão valorosa, com tantas riquezas; madeiras, mineração e terra fértil. Vamos abordar o segundo marco histórico político de nosso Brasil, o novo mapa geopolítico com divisões em linhas horizontais, resultando em 15 lotes, que ganhou o nome de “Capitanias Hereditárias”.
No terceiro Capitulo, será explanado a passagem de uma fase pré-colonial para uma nova fase, o pré-colonialismo, uma interessante passagem, que designamos como o embrião de uma Constituição.
Em seguida, vamos apresentar o capitulo titulado como o momento decisivo de nossa história, momento relevante na formação política e econômica do Brasil colonial.
No quinto capitulo a influência dos afrodescendentes em nossa formação cultural e econômica.
No sexto capitulo, passaremos a abordar, a expansão das terras brasileiras, com o titulo do capitulo, as novas terras.
Nesta mesma esteira, vamos abordar um assunto interessante, o caminho do ouro, como sétimo capitulo.
No seguinte capitulo veremos o Bloqueio Continental, fato esse, que, trouxe grande contribuição para emancipação política do Brasil.
Nono capitulo, a administração portuguesa sediada na cidade do Rio de Janeiro, como o centro das atenções. E adiante iniciamos o segundo passo de uma Constituição, como décimo capítulo.
Décimo primeiro capítulo, considerando o retorno da corte para Portugal e a difícil missão de D. Pedro I em proclamar a separação da colônia Brasil de Portugal e com o advento da proclamação da independência, iniciamos o estudo da primeira carta constitucional, nesse momento, o país tem o seu primeiro ordenamento jurídico, não mais sob a tutela da corte portuguesa, importante atentar para a este momento, onde tentamos explicar o que significa uma Constituição outorgada em uma sociedade.
No décimo segundo capitulo, relatamos uma fase de impopularidade do governo de D. Pedro I, consequentemente o seu retorno para Portugal e como herdeiro do trono permanece em território brasileiro o seu filho Pedro de Alcântara, com apenas cinco anos de idade, período em que ficou conhecido como “Governo Regencial”, e com o “Golpe da maioridade” o Brasil passa a ser governado pelo mais jovem imperador e vive o mais longo período de governo na história política brasileira, permanecendo como chefe de Estado por um período de 49 anos (1840 – 1889 ).
Menciona nos dois capítulos seguintes, o “Parlamentarismo no Brasil” e a modernização do país, somada com a insatisfação das sociedades cafeeiras e as pressões internas (questão militar, religiosa e militar) e externas (Inglaterra) para por fim ao tráfico de escravos, D. Pedro vive momentos
comprometida, e idade avançada, consequentemente, o advento de uma revolução, é a queda da Monarquia. No capítulo seguinte, passa a ser um Estado republicano federativo e a sua consolidação.
No 16º capitulo, trilha pela segunda carta Constitucional elaborada, desta vez, por uma Comissão de Constitucionalistas brasileiros e com a participação do povo, uma Constituição Promulgada, participativa e voltada a interesses da sociedade.
Não obstante, veremos um longo período de um governo republicano oligárquico, onde no décimo sétimo capitulo, a queda dos militares e a posse do primeiro presidente civil; Dr. Prudente de Moraes. inicia uma nova república, conhecida como a República do café-com-leite, face ao acordo entre dois estados; São Paulo e Minas Gerais, em um revezamento na presidência do Brasil, pela primeira vez o poder do governo é descentralizado, e temos uma ampla autonomia para os estados federativos e o povo comparece as urnas para o voto.
Adiante, enfrentamos uma nova revolução, a necessidade de modificações na vida política social, econômica e política, colocam em xeque as oligarquias cafeeiras (os barões do café) e eclode a Revolução de 30, que marcou a história da sociedade brasileira, trilhamos pela terceira carta constitucional.
A Carta Constitucional Promulgada de 1934, novo ordenamento jurídico é elaborado para atender os clamores da sociedade que permaneceu três décadas sob dependência de um sistema de governo, de interesses das sociedades cafeeiras, de uma monocultura e com poucos investimentos internos. Nasce um estadista polemico “Getulio Vargas”, que permaneceu por quase duas décadas no comando da nação.
Na segunda fase de seu governo convoca uma comissão para elaborar a terceira Constituição Federal, que ficou conhecida como a “Constituição Polaca” caminhamos ao encontro de uma constituição imposta, é o primeiro momento de ditadura que vivemos na República brasileira, que vai durara 15 anos.
Não podemos deixar de lado o momento histórico no contexto mundial do segundo conflito, que pela repercussão vai ganhar o nome de segunda
governo que se arrastava concentrado nas mãos de um ditador à quinze anos, e vive um novo momento é a redemocratização do país e trilhamos para a 5ª Constituição Federal, a carta constitucional de 1946.
Em 1964, a história social e política brasileira vivem momentos dramáticos é o golpe militar de 64, como ficaram conhecido, os militares assumem o poder e instaura um governo autoritário é o retorno da ditadura, desta vez extremamente nas mãos de uma junta militar. O país trilhando para o 6º texto constitucional de 1967, elaborado por uma comissão de governos militares, sem a participação da sociedade.
No seguinte capitulo, mencionamos um texto constitucional, que seria apenas um complemento, ou seja, uma emenda constitucional, mas pela sua extensão, ficou considerada como a 7ª Constituição outorgada no dia 22 de outubro de 1969, que abriu espaço para a redemocratização da história social e política brasileira. Período que ficou marcado como anos de chumbo, assim trilhamos para a sétima constituição brasileira.
A partir da década de oitenta, realmente trilhamos para um Brasil novo, é o retorno da democracia, e finalmente, no dia 05 de outubro de 1988, sob a proteção de DEUS, foi promulgada pelo Congresso Nacional brasileiro a Constituição da República Federativa do Brasil, intituladas conhecida como a CONSTITUIÇÃO CIDADÃ.
Nesse breve escorço acreditamos em novos horizontes em uma leitura simples e de linguagem apropriada para os alunos do ensino fundamental e médio, a conhecerem as históricas modificações políticas, sociais, econômicas e culturais, trilhando nas histórias das constituições brasileiras.
I - O TRATADO DE TORDESILHAS.
A chegada de Cristóvão Colombo ao novo continente, é o nosso ponto de triagem, imaginamos nesse contexto, ou seja, nesta situação, onde existiam duas nações, consideradas as maiores potencias em navegações do “mundo ocidental”, e que para tanto, estas duas nações dominavam os caminhos marítimos. Poderia surgir a pergunta; mas como isso era possível ainda no século XV? Então, parece que meio confuso, mas ainda naquela época já existia universidade para estudos aprofundados sobre as grandes navegações, a Escola de Sagres com sede em Lisboa, era o centro das atenções destas aventuras desbravadoras, logicamente, estamos falando de, Espanha e Portugal, duas nações, as maiores do mundo europeu.
O conflito em torno das terras recém descobertas, a América, é pacificado com a criação do Tratado de Tordesilhas, pactuado entre o D.João III, Rei de Portugal, e D. Felipe III, da Espanha. Vale a pena frisar, que este documento foi sancionado em 1494, dividindo assim as terras do novo continente americano em duas partes, leste e oeste, as que ficassem ao leste pertenciam à Portugal e ao oeste à Espanha. Então, pode, se observar que antes de Pedro Álvares Cabral chegar com a sua expedição em terras brasileiras, pelos meados do mês de abril de 1500, já não era novidades, pois, tinham conhecimento dessas terras e suas delimitações, pelo “Tratado de Tordesilhas”.
As novas terras de posse portuguesa, agora já demarcadas, ao oeste, pela linha divisória do Tratado de Tordesilhas e ao leste pelo o oceano atlântico. Portugal dá inicio a uma fase, como se fosse uma gestação, onde em breve, nasceria uma nação forte, hoje denominada República Federativa do Brasil. Vamos passo-a-passo, trilhando para as histórias Constitucionais brasileiras.
II - AS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS.
Vale comentar, o fato de que, pela primeira vez, uma expedição portuguesa chega a estas terras recém descobertas, sob o comando de Pedro Álvares Cabral, como já é de conhecimento de todos, no ano de 1500, fato esse é que comemoramos no dia 21 de abril, um fato histórico que consideramos como a descoberta do Brasil, e a outros pensadores que afirmam ser o dia da invasão das terras brasileiras, pois já existiam naquelas terras milhões de pessoas, não sabemos na verdade quem era mais índio. Fato esse, que até meados de 1530, nessas terras eram cometidos dos mais atos desumanos e degradantes que na realidade possa imaginar, um verdadeiro vale tudo, logicamente, a lei do mais cruel, que sobrou até para o meio ambiente, como a exploração e o comércio de madeiras ricas em matérias-primas usadas para a tintura de tecidos.
Diante de tanta cobiça pelas terras descobertas e suas riquezas, era necessário ocupar as terras de verdade, caso contrário, seria invadido, essa moleza chamou a atenção de corsários franceses, holandeses, ingleses e outros, pois, o novo mundo estava com a sua faixa litorânea praticamente desprotegida. Assim, o rei português, não pensou duas vezes, e enviou uma expedição colonizadora para combater os corsários e iniciar a administração das terras, o responsável por esta missão primordial foi comandado por Martim Afonso de Sousa, que deu conta do recado, fundando a primeira vila, isso ocorreu em 1532, que logo ganhou o nome de “Vila de São Vicente”.
Para dar continuidade à colonização, o rei D. João III, dividiu o território em 15 lotes, que iam da faixa litorânea até a linha do Tratado de Tordesilhas, este conjunto de lotes ganhou o nome de “Capitanias Hereditárias, o rei abriu mão de sua soberania e transferiu através da expedição de cartas de doação poderes para os novos proprietários, que eram conhecidos como capitães-mores, ou donatários, considerados autoridades máximas nas capitanias, deviam obediências apenas as ordens advindas da Corte Real, vale frisar, que as capitanias eram transmitidas aos filhos mais velhos dos donatários, porém, as terras das capitanias continuavam pertencendo a Portugal.
III - O EMBRIÃO DE UMA CONSTITUIÇÃO.
Neste momento, podemos fazer uma reflexão, na primeira fase observamos o primeiro documento emanado pelos europeus, o Tratado de Tordesilhas, necessário para pacificar os conflitos entre Portugal e Espanha, em seguida surgem as “Capitanias Hereditárias”, o território brasileiro pela primeira vez tem uma divisão em 15 fatias. Agora deixamos de falar em uma fase pré-colonial, onde não havia povoamentos, normas e regras, períodos estabelecidos entre 1494 até aproximadamente 1532. É a partir do final desta fase, que iniciamos a colonização do Brasil, a fase de colonização, onde é fundado o primeiro povoado, a vila de “São Vicente”, onde foram construídas as primeiras casas, capelas e o primeiro engenho destinado à produção de açúcar.
É nesta ocasião oportuna que surgem o embrião da Constituição Brasileira, ou seja, o resquício das normas para a organização e administração das novas terras; a carta de doação das Capitanias e a carta de Forais, embora, de uma forma imposta, evidentemente.
O primeiro, constava às obrigações e direitos dos Donatários, como obrigações; os donatários eram governadores de suas capitanias, mantinham sobre elas poderes soberanos, apenas estavam proibidos de vendê-las ou subdividi-las; tinha o direito de defender militarmente as Capitanias, aplicar a justiça estabelecida pelo rei, cobrar impostos, escravizar índios para trabalho nas suas Capitanias, fundar povoamento e as demais parte de administração.
No segundo documento, como se fosse um código tributário, a carta de forais, constava todos os impostos devidos ao rei de Portugal a titulo de usufruto das Capitanias e dos valores arrecadados de sua administração, bem como as formas de pagamento. Cabe salientar, que entre os donatários não figuravam pessoas de renome, como aqueles da nobreza ou comerciantes importantes, pois, nesse período, o mundo novo não oferecia atrativo relevante na economia, e não contavam com recursos do governo, apenas recursos próprios, tornando uma aventura arriscada, onde poucos prosperaram.
IV - MOMENTO DECISIVO DE NOSSA HISTÓRIA.
Ao decidir colonizar as terras brasileiras, o rei de Portugal, D. João III, teve de enfrentar três problemas: escolher um produto, conseguir dinheiro e decidir qual seria a mão de obra empregada na produção.
O produto escolhido foi à cana de açúcar, o investimento inicial foi com dinheiro emprestado de banqueiros dos holandeses e italianos, em pouco tempo os senhores do engenho produziam açúcar com recursos próprios, a mão de obra, inicialmente utilizou-se a dos índios, capturados e postos a trabalhar como escravos até o século XVI.
Vale ressaltar, com a introdução da cana-de-açúcar, os indígenas começaram a ser vistos como obstáculo à ocupação da terra e passaram a ser duramente combatidos pelos colonizadores, assim, poucas capitanias tiveram o sucesso esperado. Diante do fracasso da maioria das capitanias (apenas Pernambuco, São Vicente e Bahia prosperaram), o rei de Portugal decidiu aumentar seu controle sobre o Brasil criando o governo-geral.
Para esta missão enviou para o Brasil colonial o primeiro governador-geral, Tomé de Sousa, em Março de 1549 e permaneceu até 1553. O segundo foi Duarte da Costa que estendeu até 1558 e por final, Mem de Sá que governou até 1572, época em ocorreu o seu óbito.
Após o óbito de Mem de Sá, o território brasileiro foi dividido em dois governos; governo do norte, com capital em Salvador e governo do sul, com capital no Rio de Janeiro, que durou seis anos.
Em 1621, o território sofre nova mudança, desta vez, o território colonial foi dividido em duas áreas administrativas; Estado do Maranhão, com capital em São Luis (Grão-Pará e Maranhão, com capital em Belém), que mais tarde passaria a se chamar Estado do e Estado do Brasil, com capital em Salvador.
Também criou as câmaras municipais, órgãos encarregados de administrar as vilas e cidades brasileiras, os ocupantes desses cargos ganharam o nome de “vereadores”, na escolha, não bastava apenas possuir riqueza exigia-se a naturalidade portuguesa.
V – OS AFRODESCENDENTES E A SUA CONTRIBUIÇÃO
.No inicio do século XVII, o uso da mão de obra indígena entrou em queda, e então os africanos começaram a ser trazidos para o Brasil. Não podemos ignorar que temos uma história de muita luta, é difícil vencer todas as suas passagens em um breve estudo. Relevante é dar um mergulho em algumas delas, e não poderia relegar neste estudo a participação dos africanos em nossa história socioeconômica e cultural.
Fazemos menção com tristeza, da maneira a qual foram utilizados nos primórdios do mundo do trabalho escravo, ou seja, dos tratamentos degradante e desumano, foram mercadorias valiosas no comércio do trafico para o Brasil, em substituição aos trabalhos braçais dos índios, os africanos foram trazidos para as atividades açucareiras, e em um segundo momento, após a descoberta da mineração, foi intensificada a comercialização de escravos, desta vez, a situação dos escravizados eram mais degradantes, pois, permanecia longo tempo dentro dágua, na extração de pedras preciosas; ouro, diamante, o que resultava em uma morte precoce, duravam pouco tempo, no máximo 25 anos de idade, pois ingressavam cedo no trabalho, aos 12 anos de idade aproximadamente, e os demais sobreviventes tinham os restos de seus dias doentes e exercendo atividades domésticas, tanto homens como mulheres.
Para o historiador João José Reis, enquanto durou o tráfico, as Américas receberam cerca de 15 milhões de africanos; 40% deles, 6 milhões, foram trazidos para o Brasil.
Esses africanos trouxeram consigo não apenas sua força de trabalho, mas também suas culturas, que hoje fazem de nosso modo de viver, pensar e sentir.
Assim, podemos registrar as contribuições de todo este processo de trabalho escravo em lucro para os cofres reais, mas podemos mencionar com alegria a presença dos afrodescendentes em nosso meio e a sua transformação em nossa formação cultural, inegável é o prestígio da cultura africana nos costumes, na língua e na culinária brasileira.
Gilberto Freyre que foi o autor de “Casa Grande & Senzala” (1933), que demonstrou as características da colonização portuguesa, a formação da
sociedade agrária, o uso do trabalho escravo e, ainda, como a mistura das raças ajudou a compor a sociedade brasileira.
“Era um novo jeito de falar, um jeito de andar, um novo jeito de comer [...]. A culinária da senzala aproveitava as sobras de carnes da casa-grande, usava o aipim indígena e as verduras, misturava aos temperos africanos, principalmente o dendê e a pimenta malagueta. Surgiram a feijoada, a farofa, o quibebe, o vatapá. Alimentos que combinavam com a dureza do trabalho no cativeiro. As crenças e magias trazidas pelos portugueses eram transformadas em feitiçarias nas mãos dos africanos. Aos negros feiticeiros recorriam os senhores brancos idosos à procura de afrodisíacos; as jovens sinhás, que não conseguiam engravidar[...].”
(Gilberto Freyre. Casa-grande &Sentinela.)
VI
– AS NOVAS TERRAS.
Apesar da existência do Tratado de Tordesilhas, os lusos brasileiros avançaram pelas terras, que pertenciam aos espanhóis, e necessário foi a legalização desses territórios, que o Rei de Portugal, através de uma série de acordos internacionais pacificou e ambos foram integradas ao Brasil, entre os acordos podemos destacar; Tratado de Utrecht , firmado entre Portugal e França em 1713, limites entre o Brasil e a Guiana Francesa, Tratado de Madri, entre Portugal e Espanha em 1750, limitava a posse de terras no Rio Grande do Sul. Tratado de Santo Ildefonso (1777) Portugal e Espanha renegociam terras no Rio Grande do Sul e o Tratado de Badajós, onde pacificam as divergências de terras no Rio Grande do sul entre Portugal e Espanha em 1801. Dessa maneira definia-se o novo território da América portuguesa, chamado de Brasil.
VII – O CAMINHO DO OURO.
O contrabando de ouro aumentava, e o governo português apertava o cerco e para dificultar o desvio dessa riqueza mineral, criou em 1719, as Casas de Fundição, locais onde o ouro bruto era transformado em barras, selado e quintado, ou seja, a quinta parte, a titulo de impostos, que cabia ao rei português já era separado. Das Casas de Fundição, o ouro era seguia para o a Provedoria da Fazenda Real órgão responsável pelo recolhimento do ouro na colônia Brasil de onde era levado para o Rio de Janeiro sob escolta dos Dragões da Capitania de Minas Gerais, onde estavam ancorados no porto da
praça XV, e conduzidos sob forte segurança pela esquadra da marinha portuguesa até Lisboa metrópole de Portugal, onde era recolhido nos cofres reais. Vale frisar, que, é sabido que dos cofres reais todo o ouro eram embarcados para Londres capital da Inglaterra, para pagamento das altas dividas contraídas pela corte, pois, a nobreza viva de luxo e para satisfazerem seus desejos adquiriam produtos caríssimos de origem britânica.
Fato relevante, cerca de 50 % do total de ouro obtido no Brasil entre 1720 e 1797, por exemplo, foi gasto para pagar as mercadorias que Portugal comprava da Inglaterra. Dessa forma, o ouro brasileiro acabou contribuindo para que a Inglaterra liderasse a Revolução Industrial no século XVIII.
VIII - O BLOQUEIO CONTINETAL.
Do mesmo modo nos referimos aos franceses, destaque maior nas atitudes de Napoleão ao decretar o Bloqueio Continental, obrigando todas as nações a fecharem os seus portos para a os navios de sua rival Inglaterra, soberana e imbatível, a rainha dos mares. Nesse contexto, não vamos nos aprofundar, mas apenas ao importante para o nosso estudo, é a vinda da família real para o nosso país, sob proteção da esquadra inglesa. A desobediência de Portugal custou a invasão de seu território pelo exército de Napoleão, aproximadamente 23 mil soldados.
Cabe destacar, que nesta época, século XIX, a família real transfere a sede do reino português para a cidade do Rio de Janeiro, é o marco inicial da emancipação política do Brasil.
Deste modo, D. João e a sua corte, aproximadamente 15 mil pessoas, desembarcaram em janeiro de 1808, em Salvador, e após alguns dias, seguiram para a cidade de Rio de Janeiro, onde se estabeleceram definitivamente transformando o Brasil na metrópole do reino português, como sede oficial da residência da família real, foi designada a Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão, que nos dias atuais foi tombado como patrimônio histórico brasileiro.
IX- O CENTRO DAS ATENÇÕES.
A vinda da família real modificou profundamente a situação do Brasil. Nosso país, de simples Colônia intitulada Estado, e por outros considerado erroneamente de Vice-Reino, passava desta categoria para sede da monarquia. Isto implicaria numa reorganização administrativa, através do qual viriam transferidas para o Rio de Janeiro as secretárias de Estado, tribunais e outras repartições do Governo, antes estabelecidas em Lisboa, bem como na adaptação de outras instituições que aqui existiam.
A Cidade do Rio de Janeiro, antes pacata, torna-se barulhenta: sua população, de uma hora para outra, vê acrescida de cerca de 15 mil pessoas vinda de Portugal em companhia da Família Real; o comércio ambulante, representado por negros carregando samburás, apregoando em voz alta seus produtos; carros de duas rodas puxados por bois e carregados de mercadorias, cortavam as ruas de lado a lado, estas ruas começavam a ser calçadas com lajedos iguais aos de Lisboa; assim, começa a se expandir o espaço urbano, com aterros de lagoas e pantanais circunvizinhos, constroem-se edifícios públicos e novas residências particulares.
As habitações, de um modo geral, escuras e mal arejadas, com as rótulas (espécies de grades fechadas) coloniais. Estas rótulas permitiam às senhoras da época ver a rua sem serem vistas pelos que nela passavam. A iluminação era feita por lamparinas de ferro ou metal, alimentadas com óleo de baleia, era a mais comum, já os mais ricos, que desejavam demonstrar tal destaque, usavam candelabros com velas de cera.
O largo do Paço (hoje, Praça XV), tornou-se o centro das atenções da vida política e militar do país; o Palácio da Quinta da Boa Vista passou a ser o local das audiências diplomáticas e residência oficial da Família Real, estima-se que nessa época a cidade tinha aproximadamente 100 mil habitantes e para cada 30 afrodescendentes, havia uma só pessoa branca.
Um simples povoado a sede do reino português, uma metrópole, o centro das atenções; Rio de Janeiro, neste momento, o Brasil, está sendo regido por uma Constituição especificamente com interesses de Portugal, e assim, iniciam-se a administração por D. João VI.
Vale lembrar, que, tudo isso teve um preço, a Família Real e sua comitiva, estima-se em 15 mil pessoas, deixaram suas terras sob proteção da marinha inglesa (rainha dos mares), pois Portugal representava um ponto de apoio para o comércio Inglês, assim, foi assinada uma Comissão Secreta em 22 de outubro de 1807, entre D. João VI e Jorge III da Inglaterra, estabelecendo entre outras medidas, a instalação da sede do governo português no Brasil, noticia que entusiasmou os negociantes ingleses, tão prejudicados com o Bloqueio Continental.
Chegando à Bahia, D. João VI assinou a Carta Régia de 28 de janeiro de 1808, abrindo os portos brasileiros ao comercio com as nações amigas, este Decreto foi uma verdadeira carta de alforria econômica para o Brasil, ocasionando a quebra do pacto colonial, onde o Brasil só poderia comprar ou vender produtos para Portugal.
Não parando por ai, D. João, foi fundo, e na cidade do Rio de Janeiro criou o Banco Central do Brasil, fundou o Jardim Botânico, Organizou a academia Militar, Escola de Belas Artes, a Biblioteca Nacional, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, permitiram a criação de jornais e edição de livros que anteriormente eram proibidos, outros. Vale destacar, que dois jornais desta época ainda circulam; o jornal do Comércio e o jornal A Gazeta do Rio de Janeiro, editados desde 1808.
Com todo este desenvolvimento, poucos são favorecidos, porém, a maioria da população é que contribui com o seu trabalho e com a sobrecarga de cobrança de impostos, varias manifestações e revoltas se promovem em varias partes do Brasil, reivindicando a independência de algumas províncias das garras da corte. Em contrapartida, Portugal está insatisfeito com abertura dos portos para o livre comércio do Brasil com outros paises, que ocasionou um enorme prejuízo para os seus cofres, e exigem o retorno do rei D. João VI e sua família.
Diante da pressão portuguesa e as constantes manifestações províncias, contra o seu governo, D. João, decide em 26 de abrilo de 1821, retornar para Portugal, mas deixa o seu filho D. Pedro I, como príncipe regente, com o objetivo de manter uma autoridade e evitar a independência de algumas províncias e assim, manter o reino, mesmo em Portugal.
X - O SEGUNDO PASSO DE UMA CONSTITUIÇÃO.
Neste capitulo, passaremos a analisar um momento muito relevante para a historia das constituições brasileira, pois já abordamos o tema o embrião de uma constituição, onde podemos observar que para ocupar o território brasileiro a expedição enviada pelo rei D.João III, com a criação das Capitanias Hereditárias, foram expedidas duas cartas; a carta de doação das terras aos donatários e as cartas de forais, que estabeleciam todos os impostos devidos ao rei e as suas formas de quitação.
Sob a autoridade conferida aos possuidores destes documentos, por um longo período, as terras brasileiras ficaram administradas por estes documentos, como se fosse uma constituição outorgada, ou seja, imposta pelo rei de Portugal, conferindo todos os poderes aos donatários. Óbvio, que, ainda não se pensava que estas terras sairiam das posses portuguesas, então vamos considerá-las como uma fonte, que vai abrir as trilhas para o nosso estudo das constituições brasileiras.
Nesta reviravolta, estamos diante de um reino dividido, pois Portugal está livre do exército de Napoleão, e os portugueses querem que tudo retorne como dantes, mas não é bem assim, agora temos universidades, temos jornais, temos recursos próprios, estamos com o livre comércio, e o Brasil caminha para um segundo passo para a sua constituição.
D.Pedro I, que reina no Brasil, resolve não obedecer as ordens emanadas de Portugal e decide permanecer definitivamente no Brasil, contrariando a corte portuguesa que exige o seu retorno e obediências a Portugal. Neste contexto, no dia 7 de setembro de 1822, o rei D. Pedro I declara a separação definitiva do Brasil com Portugal, definindo como inimigas as tropas portuguesas enviadas de Lisboa sem o seu consentimento.
Proclamada a independência do Brasil e coroado o imperador, já era hora de se garantir seu reconhecimento pelo conjunto das nações, ao mesmo tempo em que era urgente a elaboração de uma constituição do novo país.
XI – A PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO LUSO-BRASILEIRA.
Em 25 março de 1824, a Constituição foi, finalmente, elaborada, porém vale alertar que, anterior a esta data, tinha sido elaborado um projeto de Constituição pelos deputados responsáveis para essa missão, mas não contavam com a reação do rei, que ao observar no projeto que os seus poderes estavam limitados, de imediato, mandou fechar a assembléia e cassou o mandato de todos os deputados constituintes, e designou 10 homens de sua confiança, todos brasileiros natos, criando um Conselho de Estado responsável para elaborar a constituição.
O Conselho de Estado nomeado pelo imperador trabalhou durante quarenta dias até concluir o texto final do anteprojeto constitucional. Esse documento foi enviado à apreciação das diversas Câmaras Municipais e, de modo geral, foi aceito.
D. Pedro I decidiu, então outorgar a nova Constituição Federal de 1824 à nação brasileira pelo Decreto de 25 de março de 1824. Essa Constituição é um marco histórico, tendo em vista ser a primeira vez em que o Brasil trilha pelos ordenamentos jurídicos próprios, mas com ressalvas, pois, quando nos referimos a uma Constituição Outorgada, isto importa em dizer que nesse período a nação brasileira não participou da sua elaboração, para melhor entender o que representa uma Constituição outorgada, é saber que este documento constitucional foi elaborado por um conselho de indivíduos sem a opinião ou consulta popular, onde a sociedade não tem representatividade, considerando-se uma Constituição Federal imposta, onde o a concentração dos poderes está nas mãos de uma só pessoa, o governador.
Aqui começamos a trilhar nos caminhos das Constituições Brasileiras, porém, sempre com o pensamento de alguns historiadores, para melhor podermos estudar. A Constituição outorgada por D. Pedro I em 1824 foi, e ainda é considerada de tendência absolutista. As pessoas que a classificam assim, estão observando apenas o lado político da questão, particularmente o Poder Moderador, esquecendo-se que a Carta Magna apresentava centenas de artigos. A historiadora Andréa Slemian, estudiosa do período, chega a uma conclusão diferente dessa visão tradicional:
[...] a monarquia de D. Pedro foi, de fato, concebida como constitucional, ainda que nos moldes conservadores. Isso significa que não se deve entendê-la como simples perpetuação do Absolutismo, pois um sistema de controle das ações do governo e garantia de direitos aos cidadãos esteve previsto e foi, mesmo que a duras penas, instituído. Por mais estranho que possa parecer, a Constituição de 1824 foi vista pela Europa da época como um documento extremamente liberal, até mesmo radical para os monarquistas mais conservadores. [...] Liberal para os europeus, conservador para os americanos, a opinião acerca do regime de D. Pedro e da Constituição por ele outorgada variava da mesma forma que as opiniões políticas nesse tão conturbado período histórico. (SLEMIAN, Andréa. A invenção do Poder Moderador. Revista Historia Viva. Grandes Temas – a Herança Francesa. São Paulo: Duetto Editorial, edição especial temática, n. 9, [s.d.]. p.37.)
Uma das questões fundamentais que se apresentava naquele momento era a definição de quem poderia ser considerado “cidadão”. Como mostra a historiadora Keila Grinberg:
[A Constituição de 1824] considerou cidadãos todos os homens livres – libertos ou o que já nasce livres – nascidos no Brasil ou naturalizados brasileiros, com igual acesso aos diretos civis, e diferenciados apenas do ponto de vista dos direitos políticos. Isto porque, a partir do critério da propriedade, eram classificados como cidadãos passivos os que não tinham renda suficiente para ter direitos políticos, cidadãos ativos eleitores e elegíveis aqueles que, além de possuírem renda anual superior a 200 mil-réis, tinham nascido livres. [...] As dificuldades no exercício dos direitos civis e políticos durante o Império fizeram com que, durante muito tempo, se considerasse o conceito de cidadania inaplicável ao Brasil do século XIX, uma sociedade escravista e patriarcal que mantinha sem que a população reagisse.
(GRINBERG, Keila. Cidadania. In: VAINFAS, Ronaldo (Org.) Dicionário do Brasil Imperial (1822-1889). Rio de Janeiro. Objetiva, 2002, p.139-140.)
Para entender melhor, a Constituição de 1824, o voto era masculino e censitário, porque somente os homens que tivessem renda anual de no mínimo de 100 réis é que poderiam votar. Para ser candidato a deputado era preciso ter um a renda mínima de 400 reis, da mesma forma para a função de senador, que era necessário uma renda de 800 mil réis.
Os libertos, ou seja, os ex-escravizados, não podiam participar das eleições, sem contar que, tinham dificuldade até mesmo de andar pelas ruas, somente eram respeitados com apresentação da carta de alforria, ou seja, a sua carta de liberdade, de mesma forma as mulheres também ficavam excluídas.
O autoritarismo de D. Pedro I era duramente criticado em várias províncias brasileiras, um dos jornais da época, “A Sentinela da Liberdade” de Cipriano Barata, dizia: “[...] o poder moderador [...] é a chave mestra da opressão da nação brasileira”.
Organograma da Constituição de 1824: estrutura político-administrativa.
As características principais da primeira Constituição brasileira eram;
O sistema político era o de monarquia hereditária, constitucional e representativa.
A dinastia imperante era a do imperador na época, D. Pedro I.
O território estava dividido em províncias, que seriam governadas por um presidente, escolhido pelo Imperador.
A religião católica era a oficial. Os membros da igreja católica recebiam ordenados (salários) do governo, sendo quase considerados funcionários públicos, e o imperador nomeavam os sacerdotes para diversos cargos eclesiásticos, as demais religiões eram toleradas, mas não poderiam ter culto externo.
Eram quatro os poderes do governo: Moderador, Judiciário, Legislativo e Executivo.
PODER MODERADOR
PODER EXECUTIVO PODER LEGISLATIVO PODER JUDICIÁRIO
CONSELHO DE ESTADO ASSEMBLÉIA GERAL PRESIDENTES DE PROVÍNCIAS CONSELHOS PROVINCIAIS SENADO CÂMARA DOS DEPUTADOS SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA
O Poder Moderador era privativo do Imperador e seria usado para manter a harmonia entre os demais poderes, sendo necessário, para a sua aplicação, ouvir o Conselho de Estado. Podia dissolver a Câmara dos Deputados, convocar as Forças Armadas e nomear ministros, presidentes de províncias, autoridades da Igreja católica, senadores e juizes, enfim, tinha o direito de intervir em todos os outros poderes, porém antes deveria consultar o Conselho de Estado, órgão de aconselhamento político direto do imperador.
O Poder executivo era exercido pelo Imperador e seus ministros, sua função era administrar o país.
O Poder Legislativo seria exercido por duas casas: a Câmara dos Deputados e o Senado, sua função era elaborara, discutir e aprovar as leis. Os senadores eram nomeados, em caráter vitalício, ou seja, durava a vida toda, pelo Imperador, a partir de listas elaboradas em cada província. Os deputados eram eleitos para mandatos de quatro anos.
O Poder Judiciário era exercido por tribunais e juizes, sua função era fiscalizar a aplicação das leis. Os magistrados do Supremo Tribunal eram nomeados pelo Imperador.
As eleições eram de dois graus: no primeiro (eleitores de paróquia), O critério básico para a definição dos eleitores era o da renda (voto censitário); eleitores de primeiro grau deveriam ter como pré-requisito vinte e cinco anos de idade e uma renda superior a 100 mil réis anuais, sua função era eleger os eleitores de segundo grau e esses escolhiam os deputados e senador. Os eleitores de segundo grau deveriam ter uma renda mínima de 200 mil réis de renda anual, sua função era eleger os deputados e senadores.
Os candidatos a deputados deveriam comprovar uma renda anual mínima de 4000 mil réis e os candidatos a senador uma renda mínima de 800 mil réis, anual. Motivo de números reduzidos a participarem do poder político.
Direitos individuais garantidos:
Liberdade de crença religiosa;
Inviolabilidade do lar; proibição de prisão sem culpa formada; Igualdade de todos perante a lei;
Acesso de todos os cidadãos aos cargos públicos;
Abolição de açoites, torturas, marcas de ferro Quente e castigos cruéis; Direito de propriedade;
Liberdade de trabalho; Sigilo da correspondência; Instrução primária gratuita;
Garantias de cadeias limpas e arejadas, com separação dos condenados conforme a natureza de seus crimes.
XII - A IMPOPULARIDADE DE D.PEDRO I
.As criticas ao governo de D. Pedro I se intensificaram e um dos seus principais críticos o jornalista Libero Badaró, foi assassinado na cidade de São Paulo em 1830, e sua morte foi atribuída aos simpatizantes do rei, e isto gerou protestos em todo o país, no entanto o Imperador procurou recuperar o seu prestígio junto a população e a imprensa, mudou radicalmente o seu ministério e convocou um novo, desta vez, preenchido somente com integrantes do partido brasileiro, mesmo assim continuaram as criticas, assim, D. Pedro I, decidiu acabar com o novo ministério e formar outro, agora somente com seus amigos íntimos do partido português.
Desta vez diante de uma multidão de pessoas entre populares brasileiros e soldados, o Imperador não resistiu e renunciou ao cargo em 07 de abril de 1831, deixando o seu herdeiro, o filho de cinco anos de idade, Pedro de Alcântara, e retornou à Portugal.
Durante o período de 1831 a 1840, ficou conhecido com período regencial, quando o Brasil ficou governado por regentes, pois o menino Pedro de Alcântara não tinha idade suficiente para governar e segundo a Constituição de 1824, o governo deveria ser ocupado por três regentes até que o menino completasse os dezoito anos.
No entanto, durante as Regências a nação brasileira ficou perdida, e o Império seriamente ameaçado por manifestações de verdadeiras desordens, grupos descontentes com as regências lançaram na imprensa uma campanha para antecipar a maioridade de jovem Pedro de Alcântara que agora contava com quinze anos de idade. A campanha tinha um slogan „” salvar a nação”, e catavam pelas ruas;
“ Queremos D. Pedro II Embora não tenha idade A nação dispensa a lei E viva a maioridade.”
E em 23 de julho de 1840, a campanha foi vitoriosa e com quinze anos incompletos, Pedro de Alcântara foi aclamado D. Pedro II, o mais novo Imperador do Brasil e assim dá-se inicio ao segundo reinado no Brasil. Durante o longo reinado de D. Pedro II, considerado o maior em toda a história política do Brasil, que durou quarenta e nove anos, com a participação de dois partidos políticos os Liberais e os Conservadores, seus lideres eram grandes fazendeiros, pertenciam às elites e tinham interesses em manter a população excluídas da vida política nacional.
XIII - O PARLAMENTARISMO NO BRASIL
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Introduzido em 1847 um o novo sistema de governo o Parlamentarismo, onde D. Pedro II criou o cargo de presidente do Conselho de Ministro ou Primeiro Ministro, funcionava da seguinte forma, o Imperador nomeava o presidente do Conselho de Ministros, este escolhia um ministério e submetia-o à aprovação da Câmara dos Deputados, se o ministério fosse aprovado passava a governar.
Neste sentido, devido ao Poder Moderador, o Imperador estava com o poder acima da maioria, assim, nesse tempo imperial, ficou conhecido como parlamentarismo às avessas ou à brasileira, dizia-se que o Rei, reina, ri e rói: reina sobre o Estado, ri do Parlamento e rói o povo, (demitia o ministério - dissolvia a Câmara dos Deputados - Convocava novas eleições).
Nos sistemas parlamentaristas europeus, o Poder Legislativo tem força efetiva ao comando da nação, exemplo claro é a Inglaterra, que adota o Parlamentarismo, onde o rei reina, mas não governa, ficando ao cargo o governo pra o primeiro ministro.
XIV - UMA ECONOMIA CONSOLIDADA E A MODERNIZAÇÃO.
Durante o Segundo Reinado, a monocultura era predominante, o café liderava as exportações, considerado o produto da economia, deixando a produção do açúcar pra segundo plano entre os produtos de maior exportação. O café, uma planta nativa do leste da África (Etiópia), acredita-se que as primeiras mudas tenham entrado no Brasil por Belém, no Pará, em 1727. No inicio o cafeeiro era plantado no quintal das casas e servia apenas para consumo doméstico, a partir do século XIX, o hábito de beber café tornou-se moda na Europa e nos Estados Unidos, estimulando a formação de cafezais no Brasil.
Assim, em pouco tempo, o café tornou-se o produto brasileiro mais vendido no exterior e uma contribuição de forma definitiva para a modernização do país, vale destacar, a relevante participação deste cultivo, o Vale do Paraíba, onde ocorreu o avanço dos cafezais; a cidade de Campinas localizada na região oeste paulista, onde havia terra roxa, tipo ideal para o cultivo. Com a formação dessas fazendas, surgiu um grupo de ricos que ficou conhecido como “Oligarquia Cafeeira”, que exportava pelo porto de Santos e a cidade de Vassouras na região serrana, que exportava pelo porto do Rio de Janeiro.
Depois de 1844, duas medidas particularmente importantes colaboraram para incentivar as atividades industriais no Brasil, a primeira, a extinção do tráfico negreiro, em 1850, que liberou grande soma de dinheiro, antes destinada à compra de escravos, para ser aplicada em outras setores econômicos.
A tarifa alfandegária, que ficou conhecida como tarifa Alves Branco, foi o fator determinante, onde os produtos importados pagariam sessenta por cento de imposto sobre o seu valor, caso existisse no Brasil a fabricação de produtos semelhantes, não havendo fabricação do produto no Brasil a tarifa de
importação seria de trinta por cento. Vale frisar, que a tarifa normal, anteriormente, era cobrada quinze por cento. Fato, que reduziram as importações.
Neste contexto, a modernização nos transportes e nas comunicações, figura em destaque, foi o Barão de Mauá, que investiu na construção da primeira ferrovia brasileira, ligando Guanabara (cidade do Rio de Janeiro) a Petrópolis, que no final do Império, já contava com aproximadamente 1500 km de em fase de construção, a construção de uma rede telegráfica de, aproximadamente 1000 km, ligando as províncias do país e a instalação de um cabo submarino intercontinental, ligando a Europa e o Brasil.
Índices de desenvolvimento econômico da década de 1860.
62 - empresas;
14 - agências bancárias;
20 – companhias de navegação; 8 - companhias de mineração
3 – companhias de transportes urbanos; 8 – estradas de ferro.
XV – UM BRASIL REPÚBLICANO.
O império enfrenta uma crise e consequentemente, tenta superar, mas, diante das pressões abolicionistas, D. Pedro II, por um lado cede, sancionando em primeiro momento, sob forte pressão da Inglaterra que mantinha inabalável sua violenta ação contra o trafico negreiro, isto é, a utilização da mão de obra escrava, tendo em vista, em plena revolução industrial, declarando guerra, se necessário fosse para acabar com este comércio. Neste sentido, O imperador brasileiro, sanciona em 1850 a Lei Eusébio de Queiros, que proibia o tráfico negreiro e autorizava a expulsão dos traficantes do país.
Em 1871, sancionaram a Lei do Ventre Livre, que declara livres todos os filhos de escravos nascidos no Brasil. Assim, afirmou Darci Ribeiro, libertávamos também os donos dos escravos da onerosa obrigação de
alimentar os filhos de escravos, que seriam “livres”. Logo, outra lei sancionada, desta vez, declarava livres os escravos com mais de 60 anos, o que significava libertar os donos de escravos da obrigação de sustentar alguns raros negros velhos que conseguiram sobreviver à rude e desumana exploração de seu trabalho, isto em 1885, Lei dos Sexagenários.
Com leis desse tipo, que eram soluções absolutamente ineficazes para a escravidão, os proprietários de escravos conseguiram ganhar tempo a adiar, ao máximo, a abolição. Somente em 1888, com a Lei Áurea promulgada pela princesa Isabel, no dia 13 de maio, a escravidão foi extinta no Brasil.
Não bastasse, existiam outras situações, que culminaram na queda do Império, por exemplo; a questão religiosa, onde a igreja católica era submissa ao Estado, às questões políticas internas, a questão militar, após a guerra do Paraguai, onde o imperador não reconhecia a importância do exercito, e as duras punições aos oficias, considerados indisciplinados, por alguns políticos e ministros.
A república foi instaurada, restava, porém, consolidá-la. Para tal, era necessário afastar do país o Imperador e foi este o assunto que preocupou os republicanos. O decreto da proclamação da República, às três horas da tarde do dia 15 de novembro de 1889 e foi entregue ao imperador D. Pedro II, pelo Major Sólon de Sampaio Ribeiro, juntamente com o ato de banimento da família real.
D. Pedro II só leu o documento após a retirada de Major Sólon. Eis o que dizia nos seus trechos finais, a mensagem assinada pelo Marechal Deodoro da Fonseca:
“Em face desta situação preza-nos dizer-vo-lo e não o fazemos se não em cumprimento do mais custoso dos deveres, a presença da família imperial no país, ante a nova situação que lhe criou a resolução irrevogável do dia 15, seria absurda, impossível e provocadora do desgosto que a salvação pública nos impõe a necessidade de evitar. Obedecendo, pois, às exigências do voto nacional, com todo o respeito devido a dignidade das funções públicas que acabais de exercer, somos forçados a notificar-vos que o Governo Provisório espera do vosso patriotismo o sacrifício de deixardes o território brasileiro, com a vossa família, no mais breve
possível. Para esse fim, se vos estabelece o prazo máximo de vinte e quatro horas, que contamos não tentareis exceder...”
D. Pedro II concordou logo com a imposição que lhe fazia o Governo Provisório republicano, passando-lhe a seguinte declaração:
“A vista da representação escrita, que me foi entregue hoje, às três horas da tarde, resolvo cedendo o império das circunstâncias, partir com toda a minha família amanhã, deixando esta pátria, de nós estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de meu entranhado amor e dedicação, durante quase meio século em que desempenhei o cargo de chefe de Estado. Ausentando-me, pois, com todas as pessoas da minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo ardentes votos por sua grandeza e prosperidade, Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889. D. Pedro de Alcântara.”,
No entanto, Pedro II, desejando evitar derramamento de sangue, aceitou a nova imposição do Governo Provisório e embarcou juntamente com a sua família no dia 17 de novembro de 1889, somente a partir desse momento que ficou consolidada a República no Brasil.
Entre os três atos do Governo Provisório, podemos destacar; a grande naturalização, pelo qual, passavam a ser brasileiros todos os estrangeiros que estivessem no Brasil e que não manifestassem o desejo de manter a sua primitiva nacionalidade; pensou ainda na bandeira e nas armas para a República que acabara de nascer, e assim, definido no dia 19 de novembro, que ficou conhecido como o dia da bandeira.
Porém, com a república, mudou a forma de governo, mas a estrutura social e econômica não foi alterada, a sociedade dominante eram as mesmas e os pobres continuaram os mesmos, vale frisar, que os dois primeiros presidentes foram militares; o primeiro que governou no período de 1889/1891, foi o Marechal Deodoro da Fonseca, logo substituído pelo marechal Floriano Peixoto que governou até 1894.
XVI – A SEGUNDA CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA -
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DA REPÚBLICA DOS ESTADOS
UNIDOS DO BRASIL – PROMULGADA EM 24/02/1891.
Vale ressaltar, que, no primeiro aniversário da República no Brasil, reuniram-se na Cidade do Rio de Janeiro, a Assembléia Constituinte, com o propósito de elaborar o documento constitucional, sendo que, considerado o primeiro de uma forma democrática, diferente da anterior, que era uma Constituição Outorgada, desta vez, trata-se de uma Constituição Promulgada.
Para melhor compreender; diferencia-se, Constituição Promulgada de Constituição Outorgada, na primeira, tem a participação do povo que escolhe a Assembléia de Legisladores para a sua elaboração, e também, em retribuição a Constituição Promulgada, visa os interesses da nação como um todo.
Oposto, é a Constituição Outorgada, que na escolha da Assembléia Constituinte, ou seja, a Comissão responsável para elaboração do documento constitucional não tem a participação do povo, e visa interesses do poder, ou seja, a sociedade não tem representação, esta Constituição é imposta sem consulta ao povo, onde o poder é centralizado, nas mãos de uma pessoa, geralmente o país é governado por um ditador.
Explicado esta parte muito relevante para o nosso estudo, voltamos, a primeira Constituição Republica, cujos dispositivos fundamentais eram:
Forma de governo
O Brasil adotava como forma de governo a república, e seus agentes políticos (presidente, governador, prefeito, deputados, senadores e vereadores) exerceriam mandatos por tempo limitado e seriam eleitos pelos cidadãos.
Forma de Estado
O Brasil adotava como forma de Estado o federalismo. As províncias brasileiras foram transformadas em estados-membros, ganhando autonomias para eleger os governador do estado e deputados estaduais. Cada estado teria uma Constituição própria, que, entretanto,
Constituição Federal.
Sistema de Governo
O Brasil adotava como sistema de governo o presidencialismo. Ou seja, o presidente da república era o chefe do governo e o chefe do Estado, exercendo seu cargo com o auxilio dos ministros de Estado.
Voto
O direito ao voto foi garantido aos brasileiros maiores de 21 anos, excetuando-se analfabetos, mendigos, soldados e religiosos sujeitos a obediência eclesiástica. As mulheres também não tinham o direito ao voto. O voto era aberto, isto é, o eleitor era obrigado a revelar publicamente o candidato em que votou, o que ficou conhecido como o voto do cabresto.
Vale comentar alguns tópicos interessantes, como exemplo; a forma de governo, Durante o Império, o governo central, ou seja, o imperador impunha o seu poder às províncias, nomeando quem iria governá-las. Com o estabelecimento da República, porém, a situação mudou as famílias mais poderosas de cada estado 9 grandes fazendeiros e coronéis da Guarda Nacional), conhecidas na época como famílias dos coronéis, onde surge o nome “ coronelismo”, passaram a ter poder político.