UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS - CFCH CURSO DE BACHARELADO EM HISTÓRIA - CBH
MARCELO DO NASCIMENTO FRANÇA
HISTÓRIA DO CURSO TÉCNICO EM CONTABILIDADE NO ACRE A PARTIR DE 1943
MARCELO DO NASCIMENTO FRANÇA
HISTÓRIA DO CURSO TÉCNICO EM CONTABILIDADE NO ACRE A PARTIR DE 1943
Monografia de conclusão de curso apresentada à Banca Examinadora, como exigência parcial para a obtenção do título de Bacharel em História da Universidade Federal do Acre, sob a orientação do Prof. Dr. José Dourado de Souza.
Rio Branco 2015
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central da UFAC
Bibliotecária: Maria do Socorro de Oliveira Cordeiro CRB-11/667
F814h França, Marcelo do Nascimento, 1966-
História do curso técnico em contabilidade no Acre a partir de 1943 / Marcelo do Nascimento França – 2015.
81 f.: il. ; 30 cm.
Monografia (Graduação) – Universidade Federal do Acre, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Curso de História. Rio Branco, 2015.
Inclui referências bibliográficas.
Orientador: Prof. Dr. José Dourado de Souza.
1. Contabilidade – História. 2. Contabilidade – Estudo e ensino. 3. Educação profissional. I. Título.
MARCELO DO NASCIMENTO FRANÇA
HISTÓRIA DO CURSO TÉCNICO EM CONTABILIDADE NO ACRE A PARTIR DE 1943
Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado em História da Universidade Federal do Acre, como pré-requisito para obtenção do título de Bacharel.
BANCA EXAMINADORA
____________________________________ Prof.º Drº. José Dourado de Souza (ORIENTADOR)
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS - CFCH / UFAC
__________________________________________
Prof.ª Msc Geórgia Pereira Lima
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS - CFCH / UFAC
______________________________________ Prof.ºPHDJorge Lopes
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO PESQUISADOR VITALÍCIO DA UNIVERSIDADE DE MAIAMI
______________________________________ Prof.º Dr.º. Eduardo de Araújo Carneiro
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS - CFCH / UFAC
Conceito: 10,00 (Dez)
AGRADECIMENTOS
A minha querida esposa JANDIRA e minhas filhas MARCELLA E JULLIANA pelas suas compreensões nos momentos de ausência e pelas vezes em que fiquei em casa realizando os trabalhos privando-as de atenção e de momentos de lazer compartilhados.
Ao meu orientador Professor DR.º JOSÉ DOURADO DE SOUZA, pela paciência, dedicação, persistência e objetividade no desenvolvimento deste trabalho.
A Professora Msc NAYRA CLAUDINNE GUEDES MENEZES COLOMBO pela realização da correção ortográfica deste trabalho.
Aos meus colegas de Curso que sempre me encorajavam nos momentos difíceis.
A todos os meus professores do Curso de Bacharelado em História que pelos conhecimentos repassados e pelo incentivo, contribuíram para concretização deste Curso.
Ao meu pai GILBERTO FRANÇA e a minha mãe ALADIR DO N. FRANÇA pela educação familiar que moldou o meu caráter e foi fundamental no meu sucesso profissional.
Aos funcionários do CORINES (Coordenação de Registros e Inspeção Escolar) do Estado do Acre na pessoa do Coordenador GLAUBER NILSON ABECASSIS DOS
SANTOS e da Funcionária Rose pelo acolhimento e atenção durante a pesquisa.
Aos meus diletos colegas de sala que foram grandes parceiros nos momentos difíceis e no repasse das informações em nossas ausências.
Enfim, ao nosso Senhor JESUS CRISTO por ter permitido a realização deste trabalho, pois sem a sua presença e aprovação nada seria possível.
RESUMO
Nos fins da década de 50 e início da década de 60 com o crescimento econômico, o Brasil vivia um momento de grande crescimento em sua economia, aumentando a necessidade de mão-obra especializada. A partir do desenvolvimento das indústrias no Brasil o ensino tecnicista surge como uma alternativa para qualificação dos jovens. Como parte desse processo, em 1943 o Decreto-Lei n.º 6.141 de 28.12.1943 estabeleceu a Lei Orgânica do Ensino Comercial, fazendo surgir o curso comercial básico que estaria articulado com o ensino primário e os cursos comerciais técnicos, com o ensino secundário. Antes desse período, o profissional de contabilidade era conhecido de um modo geral como "guarda-livros" e se encarregava da escrituração dos livros mercantis das empresas comerciais. Devido à ausência de bibliografia que pudesse descrever como surgiu o Curso Técnico em Contabilidade. Estabelecemos como objetivo principal de nossa pesquisa, descrever a história do Curso Técnico em Contabilidade no Estado do Acre. E para isso utilizamos uma metodologia quantitativa e descritiva, partindo-se de pesquisas bibliográficas semelhantes à de outros estados para determinar como surgiu o Curso Técnico em Contabilidade no Estado do Acre e por que foi extinto, através da pesquisa em registros oficiais nos órgãos, em jornais e em outros documentos que permitissem escrever a história do Curso Técnico em Contabilidade no Estado do Acre, estabelecendo quantos se formaram durante o período de funcionamento do curso. A pesquisa concluiu que o Curso Técnico de Contabilidade foi criado a partir de 1943 com a criação no Acre da Escola Técnica de Comércio Acreana, que passou a ofertá-lo através do ensino médio, em escolas da capital e do interior. Porém sua sede própria somente ocorreu em maio de 1969 através da Escola José Rodrigues Leite. A extinção do Curso Técnico em Contabilidade no Estado do Acre ocorreu a partir de 1997, imposta pelo governo federal, por força do Decreto-Federal N.º 2.208 e da Portaria 646 que extinguiu os cursos técnicos vinculados ao ensino médio e passou a criar os cursos técnicos em módulos. As justificativas para as mudanças foram as necessidades que a sociedade passou a exigir de formação de um cidadão crítico, consciente da sua importância nas decisões, muitas vezes impostas pelo mundo atual.
ABSTRACT
In the late 50's and early 60's with economic growth Brazil was a time of great growth in its economy, increasing the need for specialized hand labor. From the development of industries in Brazil the technicalities education is an alternative to qualified young people. As part of this process in 1943 by Decree-Law No. 6,141 of 12/28/1943 established the Organic Law of Commercial Education, giving rise to the basic business course that would be articulated with primary education and technical commercial courses with secondary education. Before that time, the accounting professional was known generally as "bookkeeper" and was in charge of the bookkeeping of market books of commercial enterprises. Due to lack of bibliography that could describe as the Technical Course in Accounting emerged. We set the main objective of our research, describe the history of the Foundation Degree in Accounting in Acre. And for this we use a quantitative and descriptive methodology, starting with similar literature searches from other states to determine how came the Accounting Technician Course in Acre? And because it was extinct? Through research official records in the organs, in newspapers and in other documents that allow write the history of the Foundation Degree in Accounting in the state of Acre, establishing how many formed during the course of the operating period. The research concluded that the Accounting Technician Course was created in 1943 with the creation of Acre Trade Technical School Acre, which started offering through high school in the capital and the interior schools. But his own office only occurred in May 1969 through the School José Rodrigues Leite. The extinction of the Technical Course in Accounting in Acre that occurred in 1997, imposed by the federal government under the Federal Decree No. 2208 and Ordinance 646 which abolished the technical courses linked to high school and went on to create the technical courses in modules justifications for the changes were the needs of society has demanded the formation of a critical citizen, aware of its importance in decisions often imposed by the present world.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABE Associação Brasileira de Educação PREMEN Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Nacional
CEAD Centro de Ensino a Distância SENAC Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
CEE Conselho Estadual de Educação SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
CERB Colégio Estadual Barão do Rio Branco CFC Conselho Federal de Contabilidade CNE Conselho Nacional de Educação CESEME Complexo Escolar de Ensino Médio CEE Conselho Estadual de Educação
CRCAC Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Acre.
CORINES Coordenação de Registros e Inspeção Escolar DE Diário Estadual
DO Diário Oficial
DL Decreto Lei (Esfera Federal) EAD Ensino à distância
ETCA Escola Técnica de Comércio Acreana IFAC Instituto Federal do Acre
JUCEAC Junta Comercial do Estado do Acre LDB Lei de Diretrizes e Bases
LISTA DE FIGURAS, GRÁFICOS E QUADROS.
Figura 01 Fragmento do Papiro Harris p.16
Figura 02 Rolo utilizado na idade média p.16
Figura 03 Frei Luca Pacioli Autor das Partidas Dobras p.19
Figura 04 Guarda Livros são os atuais contadores p.22
Figura 05 Símbolo da Escola José Rodrigues Leite p.30
Figura 06 Pesquisa no CORINES p.37
Figura 07 Arquivo do CORINES p.37
Figura 08 Capa do Livro de Atas de Prova e Relatórios Finais de 1943 a 1974 p.46 Figura 09 Ata de Relatório Final da Primeira Turma da ETCA 1943 p.46
Figura 10 Professor José Rodrigues Leite p.48
Figura 11 Rascunho Final do Decreto Estadual N.º 87 de 29.05.1969 p.48 Figura 12 Decreto Estadual N.º 87 de 29.05.1969 – Designa a Escola José Rodrigues
Leite como sendo a sede da ETCA
p.49
Figura 13 Publicação no Jornal “O Acre” de 31 de Maio de 1958; p.50 Figura 14 Publicação no Jornal “O varadouro” de Outubro de 1979. p.50
Figura 15 Dados dos profissionais do Estado do Acre p.70
Figura 16 Dados dos profissionais da Região Norte p.70
GRÁFICOS
Gráfico 1
Concludentes da ETCA de 1946 a 1961 p.47
Gráfico 2 Concludentes da ETCA de 1962 a 1974 p.53
QUADROS
Quadro 1 Autorizações do CEE para o Curso Técnico em Contabilidade em outros municípios
p.54
Quadro 2 Proporcionalidade Nacional e Estadual de Contadores e Técnicos em Contabilidade
p.54
Quadro 3 Número de Empresas por Tipo de Sociedades p.55
Quadro 4 Parecer Técnico do CEE autorizando o Curso Técnico em Contabilidade em outros municípios
p.56
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ... 10
CAPITULO 1 – A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONTABILIDADE ... 14
1.1– ANTECEDENTES HISTÓRICOS ... 14
1.2– O PAPEL DOS GUARDA LIVROS ... 21
1.3 - CRIAÇÃO DO ENSINO COMERCIAL ... 27
CAPÍTULO 2 – A ESCOLA DE COMÉRCIO ACREANA ... 31
2.1 – O ENSINO TÉCNICO NO BRASIL ... 31
2.2 – A REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO ... 38
2.3 – A ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO ACREANA ... 43
CAPÍTULO III – O CURSO TÉCNICO EM CONTABILIDADE ... 52
3.1 – O CURSO TÉCNICO EM CONTABILIDADE NO ACRE ... 52
3.2 – AS MUDANÇAS NAS GRADES CURRICULARES ... 56
3.3 – O PERFIL DO ANTIGO E DO ATUAL TÉCNICO EM CONTABILIDADE ... 60
CONCLUSÃO ... 73
INTRODUÇÃO
O presente trabalho teve como motivação inicial o fato de eu também ter cursado o Curso de Técnico em Contabilidade, ser formado em Ciências, ser habilitado para o exercício do magistério no Curso Técnico em Contabilidade, tendo atuado como professor no Curso Técnico em Contabilidade na Escola Estadual José Rodrigues Leite por quatro anos, atuar como professor do Ensino Superior em Ciências Contábeis e na Pós Graduação, tendo ministrado aula para a primeira turma de ciências contábeis do Estado e ter experiência como presidente do Conselho Regional de Contabilidade por quatro mandatos.
A iniciativa de realizar esta pesquisa partiu da minha insatisfação com a falta de bibliografia que registrasse a origem do ensino da Contabilidade no Estado do Acre, e a maior problemática era buscar a origem da implantação do Curso Técnico em Contabilidade que foi administrado em nosso estado pela Escola Técnica de Comércio Acreana. E isso se justificava pelo fato de que a Escola Técnica de Comércio Acreana figurar como referência para todos os que cursaram o Curso Técnico em Contabilidade no ensino médio.
Nossas hipóteses no inicio do trabalho eram as seguintes: 1) A origem do Curso Técnico em Contabilidade foi a Escola Técnica de Comércio Acreana 2) A Escola Técnica de Comércio Acreana somente foi implantada em Maio de 1969. 3) O Curso Técnico em Técnico em Contabilidade funcionou por um período no CSEME antes da implantação da ETCA 4) Escola Técnica de Comércio Acreana em 1985 mudou seu nome para Escola José Rodrigues Leite 5) Curso Técnico em Contabilidade deixou de funcionar no Estado do Acre por decisão do Governo Federal.
Desse modo estabelecemos o nosso objetivo geral como sendo o de descrever a história do Curso Técnico em Contabilidade no Estado do Acre e para isso nossos objetivos específicos foram: - Conhecer a origem do surgimento da Escola Técnica de Comércio Acreana; - Saber como se desenvolveu o Curso Técnico em Contabilidade no Estado do Acre. Compreender como foi a implantação da Escola José Rodrigues Leite. - Entender as circunstâncias da extinção do Curso Técnico em Contabilidade no Estado do Acre.
Para realizar esta pesquisa utilizaremos uma metodologia quantitativa e descritiva, pois segundo Tripoldi (1981, p. 48) “...Como cita o autor propósitos, bem como de modo
geral a “verificação de hipóteses e a descrição de relações quantitativas entre variáveis especificadas”. Quanto ao tipo de pesquisa utilizaremos inicialmente a pesquisa bibliográfica a partir de trabalhos realizados com o mesmo tema em outros Estados como: Santa Catarina, cujo autor é o Contador Lourival Pereira Amorim que em 1999 publicou um livro patrocinado pelo Conselho Regional de Contabilidade do Estado de Santa Catarina, intitulado “A Evolução Histórica dos Cursos de Contabilidade em Santa Catarina”; Goiás, através do livro da Jornalista Nádia Lima, em coautoria com o Contador Edson Cândido Pinto, com o título: “A História da Contabilidade em Goiás”. O livro teve por finalidade mostrar a evolução do ensino da Contabilidade no Estado de Goiás e das entidades ligadas à área do Conselho Regional de Contabilidade e da Associação dos Profissionais de Contabilidade do Estado de Goiás; e, Rio Grande do Sul com o livro do Marcos Aurélio Gomes Barbosa: “A origem da Contabilidade no Rio Grande do Sul”, que retrata as primeiras evidências para o fortalecimento e consolidação da Contabilidade. Também faremos pesquisa documental, em que buscaremos como fonte documentos impressos entre outros tipos, tais como, jornais, fotos, filmes, gravações, documentos legais de diversos órgãos, como: Conselho Estadual de Educação do Acre; Coordenadoria de Registro e Inspeção Escolar (CORINES); Conselho Estadual de Educação; Junta Comercial do Estado do Acre (JUCEAC); Museu da Borracha e Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Acre.
No Brasil o ensino da contabilidade tem seu marco histórico em 1809, quando começou a ser lecionada a aula de comércio da corte. Em 1856 é criada a Escola de Comércio Álvares Penteado, que em 1905, através do Decreto-Lei Nº 1.339, de 9 de Janeiro de 1905, se transforma em Instituto Comercial do Rio de Janeiro. Para Iudícibus (2000, p.36) “A Escola de Comércio Álvares Penteado (Instituto Comercial do Rio de Janeiro), é a primeira escola especializada no ensino da Contabilidade, e o Brasil tornou-se um dos primeiros países a ter um estabelecimento de ensino superior de contabilidade”.
Em 1931 com o Decreto-Lei n.º 20.158 de 30.06.1931 o Ensino Comercial foi organizado e os guarda-livros passaram a estudar os conhecimentos em: 1) Contabilidade (Noções preliminares); 2) Matemática comercial; 3) Noções de direito comercial; 4) Estenografia; 5) Mecanografia (conhecimento e manejo das principais máquinas de uso nos escritórios como mimeógrafos e duplicadores); 5) Contabilidade mercantil; 6) Matemática
comercial; 7) Legislação fiscal; 8) Técnica comercial e processos de propaganda: 9) Estenografia (Prática intensiva); 10) Mecanografia (Prática intensiva);
Na Coordenação de Registro e Inspeção Estadual (CORINES) pesquisamos em 18 (dezoito) livros, Atas de Expedição de Diplomas e em cerca de 11.000 (onze mil) páginas, durante 05 (cinco) meses, documentos que informam que o Curso Técnico de Contabilidade foi implantado em 1943 com a criação da Escola Técnica de Comércio Acreana, por meio do Decreto-lei nº 6.141, de 28 de dezembro de 1943 que cria o Curso de Comércio e o Curso Técnico em Contabilidade que mais tarde passou a ser somente Técnico em Contabilidade, ainda no antigo Território do Acre. Dentre os Diplomas Expedidos entre os anos de 1952 a 1981 há 722 (setecentos e vinte e dois) Diplomas por conclusão do Curso de Técnico em Contabilidade pela Escola Técnica de Comércio Acreana que funcionou em escolas da capital e do interior do estado, dentre elas o Complexo Escolar do Ensino Médio (CESEME), hoje denominado Colégio Barão do Rio Branco (CERBR), situado no Centro da cidade de Rio Branco, e que somente em 1969, com Decreto Estadual N.º 87 de 29 de Maio de 1969, que a Escola de Comércio Escola José Rodrigues Leite passou a ter uma sede própria, mas somente existia o Curso Técnico em Contabilidade.
No primeiro capítulo – A Evolução Histórica da Contabilidade – utilizamo-nos de documentos que registram os antecedentes históricos da contabilidade, O papel dos Guarda-Livros e a Criação do Ensino Comercial com base em dados pesquisados em Diários Oficiais do Estado no Museu da Borracha, em Livros Atas da Coordenadoria de Registro e Inspeção Escolar (CORINES) e ainda, pesquisa bibliográfica de três obras que contribuíram para o nosso trabalho: “A Evolução Histórica dos Cursos de Contabilidade em Santa Catarina” de autoria do Contador Lourival Pereira Amorim; “A História da Contabilidade em Goiás” de autoria da Jornalista Nádia Lima, em coautoria com o Contador Edson Cândido Pinto e uma obra de 2013, patrocinada pelo Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul de autoria do Contador Marco Aurélio Gomes Barbosa, em coautoria com o Contador Ernani Ott.
No segundo capítulo – A Escola de Comércio Acreana – abordamos a regulamentação da profissão, a criação da escola técnica de comércio acreana e o Curso Técnico em Contabilidade. Utilizaremos as informações obtidas em pesquisa no Conselho
Regional de Contabilidade do Estado do Acre, Conselho Estadual de Educação do Acre, Coordenadoria de Registro e Inspeção Escolar (CORINES), Junta Comercial do Estado do Acre (JUCEAC), Museu da Borracha e no Patrimônio do Estado do Acre. Também faremos pesquisa bibliográfica em que dialogaremos com a obra de José Carlos Fortes – “Manual do Contabilista” que nos ampara com os Decretos que regulamentam a criação do Ensino Comercial, a Criação do Conselho Federal de Contabilidade e da atividade do profissional da contabilidade, antes denominado Guarda-Livros.
No terceiro capítulo – O Curso Técnico em Contabilidade – foi estudado o ensino técnico da contabilidade no estado do Acre, verificando como o Curso de Técnico em Contabilidade em Rio Branco foi ofertado pelas Escolas José Rodrigues Leite e Barão do Rio Branco (CERB), à época conhecido como CESEME. Observa-se que houve mudanças significativas na grade Curricular do Curso de Contabilidade com análise dos alunos concludentes e estudo do perfil antigo e atual do técnico em contabilidade. Com o passar do tempo, com a regulamentação da profissão, criação das Universidades e de outras escolas atendendo ao desenvolvimento de nossa economia, um novo tempo surgiu e novas regras substituíram a figura do Guarda Livros pelo Técnico em Contabilidade. No Acre a primeira turma inicia-se em 1943 e forma-se em 1946 e, como vimos no item anterior, as grades curriculares se modificam muito lentamente e por esse motivo temos profissionais que saem para o mercado totalmente despreparados. Com os novos tempos, o mercado vai exigir profissionais com mais habilidades e conhecimentos. Surgem novas máquinas de datilografia e novas calculadoras. A medida em que o Estado Brasileiro se organiza, também há legislações, principalmente na área tributária. Por este motivo que o profissional necessita de mais capacidade de discernimento, agilidade de raciocínio, pensamento crítico, espírito de equipe e capacidade de gerenciar pessoas, além de necessitar de amplo conhecimento de economia, legislação, uma forte base matemática e o instrumental de informática.
CAPITULO 1 – A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONTABILIDADE
1.1– ANTECEDENTES HISTÓRICOS
No início da civilização existiam evidências de que o homem primitivo utilizou de conhecimentos de contabilidade para fazer o inventário do seu “patrimônio”. Para Iudícibus (2000, p.30) “... a função da contabilidade já no início da civilização: avaliar a riqueza do homem; avaliar os acréscimos ou decréscimos dessa riqueza (aumento ou diminuição do rebanho, por exemplo)”; Diante dessa necessidade podemos então constatar que a contabilidade existe desde o início da própria civilização.
Essa forma rudimentar de “registro” da riqueza foi inicialmente feita através de desenhos no interior das cavernas; Mais tarde o homem primitivo passou a utilizar um conjunto de pedrinhas.
“...mesmo sem moeda, escrita e número, a Contabilidade, como inventário, já existia, ficando evidenciado que ela é tão antiga quanto à existência do homem em atividade econômica...”. (Iudícibus 2000, p. 32)
“Esta pode ser chamada de fase empírica da contabilidade, em que se utilizavam desenhos, figuras, imagens para identificar o patrimônio existente.” (Iudícibus 2000, p. 32).
Na medida em que, ao longo dos séculos, o homem vai acumulando mais riquezas e se depara com outras necessidades, a contabilidade vai evoluindo para atender as novas demandas. Para Hendriksen (1999, p.39), a história da contabilidade é a história da nossa era. De muitas formas, a própria contabilidade conta essa história, pois os registros contábeis fazem parte da matéria-prima dos historiadores. Aprendemos muito a respeito de homens como Isaac Newton e Jonh Wesley graças aos livros contábeis que mantiveram.
Na medida em que havia novas descobertas tecnológicas como a que permitiu a construção de grandes navios e impulsionou as grandes navegações e com isso desenvolveu o comércio entre os povos de outros continentes, a humanidade se utiliza dos conhecimentos de contabilidade para realizar tantas obras, como, por exemplo: seria possível construir um Império como o de Alexandre, o Grande, o Império Romano e tantos outros sem utilizar dos conhecimentos de contabilidade? De que forma poderiam construir as magníficas pirâmides do Egito sem haver um inventário para registro do patrimônio e da riqueza acumulada, fruto dos espólios das guerras?
Para Hendriksen, com o advento da Revolução Industrial começaram a surgir especialistas em contabilidade. O caminho foi aberto em Edinburgo, cujo anuário municipal de 1773 indicava a existência de sete contadores. No início do século XIX, ainda havia menos de 50 contadores públicos registrados nas listas das principais cidades da Inglaterra e da Escócia (1999, p.47).
Os antecedentes históricos da contabilidade foram abordados de forma brilhante na obra “A Evolução Histórica dos Cursos de Contabilidade em Santa Catarina”, de autoria do Contador Lourival Pereira Amorim, que no primeiro capítulo – A História Universal da Contabilidade – estabelece uma linha do tempo dividindo a evolução da contabilidade:
1 – Contabilidade no Mundo Antigo: período em que se inicia com a civilização do homem e vai até 1202 da Era Cristã, quando apareceu o livro Liber Abaci, de autoria de Leonardo Pisano; A contabilidade empírica praticada pelo homem primitivo, já tinha como objetivo o patrimônio, representado pelos rebanhos e outros bens e seus aspectos quantitativos.
Os primeiros registros se processaram de forma rudimentar na memória do homem. Por ser um ente pensante e inteligente, logo encontrou formas mais eficientes de processar seus registros utilizando gravações e outros métodos alternativos.
O inventário exercia um importante papel, pois a contagem era o método adotado para o controle dos bens, que eram classificados segundo a sua natureza: rebanho, metais, escravos, etc. A palavra “conta” designa o agrupamento de itens da mesma espécie.
As primeiras escritas contábeis datam do término da Era da Pedra Polida quando o homem conseguiu fazer seus primeiros desenhos e gravações. Os primeiros controles eram estabelecidos pelos templos, o que perdurou por vários séculos.
Os sumérios e os babilônios, assim como os assírios, faziam seus registros em peças de argila, retangulares ou ovais, ficando famosas as pequenas tábuas de Uruk, que mediam aproximadamente 2,5 a 4,5 centímetros, tendo faces ligeiramente convexas. Os registros combinavam o figurativo com o numérico. Gravavam-se a cara do animal, cuja existência se queria controlar, e o número correspondente às cabeças existentes.
Embora rudimentar, o registro, em sua forma, assemelhava-se ao que hoje se processa. O nome da conta “Matrizes”, por exemplo, substituiu a figura gravada, enquanto
que o aspecto numérico se tornou mais qualificado, com o acréscimo do valor monetário ao quantitativo. Esta evolução permitiu que, paralelamente à “aplicação”, se pudesse demonstrar, também, a sua “origem”.
Na cidade de Ur, na Caldeia, onde viveu Abraão, personagem bíblico que apareceu no livro do Gênesis, encontram-se, em escavações, importantes documentos contábeis, como a tabela de escrita cuneiforme, onde estão registradas contas referentes à mão de obra e materiais, ou seja, o atual Custo Direto. Isto significa que há 5.000 anos antes de Cristo, o homem já considerava fundamental apurar os seus custos.
O sistema contábil é dinâmico e evolui com a duplicação de documentos e “Selos de Sigilo”. Os registros se tornaram diários e, posteriormente, foram sistematizados em papiro ou tábuas. No final de determinados períodos, sofreram nova sintetização, agrupando-se vários deles, o que lembra o diário, o balancete mensal e o balanço anual.
Já se estabelecia o confronto entre variações positivas e negativas, aplicando-se, empiricamente, o Princípio da Competência. Reconhecia-se a receita que já era confrontada com a despesa.
Figura: 01- Fragmento do Papiro Harris. Figura: 02- Rolo utilizado na Antiguidade
Os Egípcios legaram um riquíssimo acervo aos historiadores da contabilidade, e seus registros remontam a 6.000 anos antes de Cristo. A escrita no Egito era fiscalizada pelo Fisco Real, o que tornava os escriturários zelosos e sérios em sua profissão. O inventário se revestia de tal importância, que a contagem do boi, divindade adorada pelos egípcios, marcava o inicio
do calendário adotado. Inscreviam-se bens móveis e imóveis e já se estabeleciam, de forma primitiva, controles administrativos e financeiros.
As “Partidas de Diário” assemelhavam-se ao processo moderno: o registro se iniciava com a data e o nome da conta, seguindo-se os quantitativos unitários e totais, e transportes, se ocorresse, sempre em ordem cronológica de entradas e saídas.
Pode-se citar, entre outras: “Conta de Pagamento de Escravos”, “Conta de Vendas Diárias”, “Conta Sintética Mensal dos Tributos Diversos”, etc
Tudo indicava que foram os egípcios os primeiros povos a utilizar o valor monetário em seus registros. Eles usavam como base, uma moeda cunhada em ouro e prata, denominada “Shat”. Era a adoção, de maneira prática, do Princípio do Denominador Comum Monetário.
Os gregos, baseando-se nos modelos egípcios, 2.000 anos antes de Cristo, já escrituravam Contas de Custos e Receitas, procedendo, anualmente, a uma confrontação entre elas, para apuração do saldo. Os gregos aperfeiçoaram o modelo egípcio, estendendo a escrituração contábil às várias atividades, como administração pública, privada e bancária. Quanto aos romanos, a documentação neste período é quase inexistente.
1 – Contabilidade no Mundo Medieval: período que vai de 1202 da Era Cristã até 1494, quando apareceu o Tratactus de Computis et Scripturis (Contabilidade por Partidas Dobradas), de autoria de Frei Luca Paciolo, publicado em 1494 enfatizando que a teoria contábil do débito e do crédito corresponde à teoria dos números positivos e negativos, obra que contribuiu para inserir a contabilidade entre os ramos do conhecimento humano.
Na Itália, em 1202, foi publicado o livro Liver Abaci, de Leonardo Pisano. Estudavam-se, na época, técnicas matemáticas, pesos e medidas, câmbio, etc., o que tornou o homem mais evoluído em conhecimentos comerciais e financeiros.
Se os sumérios e babilônios plantaram a semente da contabilidade e os egípcios a regaram, foram os italianos que fizeram o cultivo e a colheita. Constata-se o surgimento de um período importante na história do mundo, especialmente na história da contabilidade, denominada a “Era Técnica”, devido às grandes invenções, como moinho de vento e o aperfeiçoamento da bússola, entre outros, que abriram novos horizontes aos navegadores, como Marco Polo e outros.
mineração e metalurgia. O comércio exterior incrementou-se por intermédio dos venezianos, surgindo, como consequência das necessidades da época, o livro-caixa, que recebia registros de recebimentos e pagamentos em dinheiro. Já se utilizavam, de forma rudimentar, o débito e o crédito, oriundos das relações entre direitos e obrigações, referindo-se, inicialmente, a pessoas.
O aperfeiçoamento e o crescimento da contabilidade foram a consequência natural das necessidades geradas pelo advento do capitalismo, nos séculos XII e XIII. O processo de produção na sociedade capitalista gerou a acumulação de capital, alternando-se as relações de trabalho. O trabalho escravo cedeu lugar ao trabalho assalariado, tornando os registros mais complexos. No século X, apareceram as primeiras corporações na Itália, transformando e fortalecendo a sociedade burguesa.
“No final do século XIII, apareceu, pela primeira vez, a conta “Capital”, representando o valor dos recursos injetados nas companhias pela família proprietária”.
O método das Partidas Dobradas teve sua origem na Itália, embora não se possa precisar em que região. Seu aparecimento implicou a adoção de outros livros que tornassem mais analítica a contabilidade, surgindo, então, o Livro da Contabilidade de Custos. No início do Século XIV, já se encontravam registros explicativos de custos comerciais e industriais em suas diversas fases: custo de aquisição, custo de transporte e dos tributos, juros sobre capital, referente ao período transcorrido entre a aquisição, o transporte e o beneficiamento, mão de obra direta agregada, armazenamento, tingimento, etc., o que representava uma apropriação bastante analítica para a época.
A escrita já se fazia nos moldes de hoje, considerando, em separado, gastos com matérias-primas, mão de obra direta a ser agregada e custos indiretos de fabricação. Os custos eram contabilizados por fases, separadamente, até que fossem transferidos ao exercício industrial.
2 – Contabilidade do Mundo Moderno: período que vai de 1494 a 1840, com o aparecimento da obra “La Contabilità Apllicatta alle Amministrazioni Private e Pubblicheda” de autoria de Franscesco Villa, premiada pelo Governo da Áustria. Obra marcante na história da contabilidade. O período moderno foi a fase da pré-ciência.
que viveu na Toscana, no século XV, marca o início da fase moderna da contabilidade. Pacioli foi matemático, teólogo e contabilista, entre outras profissões. Deixou muitas obras, destacando-se a Summa de Arithmética, Geometria, Proportioni et Proporcionalitá, impressa em Veneza na qual está inserido o seu tratado sobre Contabilidade e Escrituração.
Figura: 03- Frei Luca Pacioli – Autor das Partidas Dobradas
Pacioli, apesar de ser considerado o pai da contabilidade, não foi o criador das Partidas Dobradas. O método já era utilizado na Itália principalmente na Toscana, desde o século XIV. O tratado destacava, inicialmente, o necessário ao bom comerciante. A seguir, conceituava inventário e como fazê-lo. Discorria sobre livros mercantis: memorial, diário e razão, a autenticação deles, registros de operações, como aquisição permuta sociedade, etc; contas em geral, como abrir e como encerrar, contas de armazenamento, lucros e perdas que, na época, eram “PRO” e “DANO”, correções de erros, arquivamento de contas e documentos, etc.
Sobre o Método das Partidas Dobradas, Frei Luca Pacioli expôs a terminologia adotada, “PER”, mediante o qual se reconhece o devedor; e “A”, pelo qual se reconhece o credor.
Acrescentou que, primeiro deve vir o devedor, e depois o credor, prática que se usa até hoje. A obra de Pacioli não só sistematizou a Contabilidade, como também abriu
precedentes para que novas obras pudessem ser escritas sobre o assunto.
3 – Contabilidade do Mundo Científico: período que se inicia em 1840 e continua até os dias de hoje. O período científico apresenta, em seus primórdios, dois grandes autores consagrados: Francesco Villa, escritor milanês, Contador Público, que, com sua obra La Contabilità Applicatta alle Administrazioni Private e Plubbliche, inicia a nova fase e Fábio Bésta, escritor veneziano. Os estudos envolvendo a contabilidade fizeram surgir três escolas do pensamento contábil: a primeira, chefiada por Francisco Villa, foi a Escola Lombarda, a segunda, a Escola Toscana, chefiada por Giusepe Cerboni e a terceira, a Escola Veneziana, por Fábio Bésta.
Embora o século XVII tivesse sido o berço da era científica e Pascal já tivesse inventado a calculadora, a ciência da Contabilidade ainda se confundia com a ciência da Administração e o patrimônio se definia como um direto, segundo postulados jurídicos. Nesta época, na Itália, a Contabilidade já chegara à universidade, o que no Brasil só ocorreu muito mais tarde. A Contabilidade começou a ser lecionada com a aula de Comércio da Corte, em 1809.
A obra de Francesco Villa foi escrita para participar de um concurso sobre contabilidade, promovido pelo Governo da Áustria, que reconquistara a Lombardia, terra natal do autor. Além do prêmio, Villa teve o cargo de Professor Universitário. Villa extrapolou os conceitos tradicionais de Contabilidade, segundo os quais escrituração e guarda-livros poderiam ser feitas por qualquer pessoa inteligente. Para ele, a contabilidade implicava conhecer a natureza, os detalhes, as normas, as leis e as práticas que regem a matéria administrada, ou seja, o patrimônio. Era o pensamento patrimonialista.
Foi o inicio da fase científica da Contabilidade. Fábio Bèsta, seguidor de Francesco Villa, superou o mestre em seus ensinamentos. Demonstrou o elemento fundamental da conta, o valor, e chegou muito perto de definir Patrimônio como objeto da Contabilidade.
Foi Vicenzo Mazi, seguidor de Fábio Bèsta, quem em 1923, definiu o patrimônio como objeto da contabilidade, pela primeira vez.
O enquadramento da contabilidade como elemento fundamental da equação aziendalista teve, sobretudo, o mérito incontestável de chamar atenção para o fato de que a Contabilidade é muito mais do que registro, é um instrumento básico de gestão.
Como vimos, os defeitos da Escola Europeia tiveram como base o peso excessivo da teoria, sem demonstrações práticas e sem pesquisas fundamentais. A exploração teórica das contas e o uso exagerado das partidas dobradas inviabilizaram, em alguns casos, a flexibilidade necessária, principalmente na Contabilidade Gerencial que preocupava-se demais em demonstrar que a contabilidade era uma ciência ao invés de dar vazão à pesquisa séria de campo e de grupo.
A Escola Americana: enquanto declinavam as escolas europeias, florescia a Escola Norte-Americana com suas teorias e práticas contábeis, favorecida não apenas pelo apoio de uma ampla estrutura econômica e política, mas também pela pesquisa e trabalho sério dos órgãos associativos.
O surgimento de grandes empresas, como as multinacionais ou transnacionais, por exemplo, que requerem grandes capitais de muitos acionistas, foi a causa primeira do estabelecimento das teorias e práticas contábeis, que permitissem uma correta interpretação das informações por qualquer acionista ou outro interessado, em qualquer parte do mundo.
A Contabilidade no Brasil: criação da Escola de Comércio Álvares Penteado em 1902 e que em 1905, através do Decreto-Lei Nº 1.339, de 9 de Janeiro de 1905, se transforma em Instituto Comercial do Rio de Janeiro. Para Iudícibibus (2000, p.36) “A Escola de Comércio Álvares Penteado (Instituto Comercial do Rio de Janeiro), criada em 1902, é a primeira escola especializada no ensino da Contabilidade, e o Brasil tornou-se um dos primeiros países a ter um estabelecimento de ensino superior de contabilidade”.
1.2– O PAPEL DOS GUARDA-LIVROS
O profissional de contabilidade era conhecido de um modo geral como "guarda-livros" e se encarregava da escrituração dos livros mercantis das empresas comerciais. E a nomenclatura "contador geral” era reservada àquele profissional que atuava na área pública. Em 1549, D. João III realiza as primeiras nomeações para contador geral e guarda-livros. A profissão de guarda-livros estava ligada diretamente às funções comerciais. Em 30 de Agosto de 1770, ocorre a publicação de uma Carta, onde Dom José, Rei de Portugal estabelece o que seria a primeira regulamentação da profissão contábil no país (dominado por Portugal), estabelecendo que os guarda-livros devessem registrar-se na Junta do Comércio.
A profissão de guarda-livros estava ligada diretamente às funções comerciais. Segundo Reis em seu artigo A História da Contabilidade no Brasil:
No ano de 1869 foi criado a Associação dos Guarda-Livros da Corte, sendo reconhecido oficialmente no ano seguinte pelo Decreto Imperial nº 4.475, este fato foi importante, pois estava constituído o guarda-livros, como a primeira profissão liberal do Brasil. O guarda-livros, como era conhecido antigamente o profissional de Contabilidade, era um profissional ou empregado incumbido de fazer os seguintes trabalhos da firma: elaborar contratos e destrato controlar a entrada e saída de dinheiro, através de pagamentos e recebimentos, criar correspondências e fazer toda a escrituração mercantil.
Figura: 04- Guarda-livros são os atuais contadores
No livro “A Evolução Histórica dos Cursos de Contabilidade em Santa Catarina”, de autoria do Contador Lourival Pereira Amorim, é descrito a figura dos Guarda-Livros:
“Geralmente um homem bem intencionado, mas de pouca formação técnica, sem ter frequentado escolas ou cursos de especialidade, aprendera pela prática ou pelo empirismo”. O Guarda-Livros fazia tudo: a contabilidade da firma; a escrituração, a correspondência, os contratos e destrato, preenchia os cheques, fazia pagamentos e recebimentos, enfim era o factótum. Era o tempo em que se predominavam “os práticos” os Guarda-Livros prestaram muitos serviços dentro de suas limitadas possibilidades. (Amorim 1999, p. 25)
Segundo Barbosa (2013, p.11), a Carta de Lei estabelece ainda a necessidade de matrícula de todos os guarda-livros na Junta do Comércio, em livros específicos, ficando claro que a não inclusão do profissional no referido livro o tornaria inapto a obter empregos públicos, impedindo-o também de realizar escriturações, contas ou laudos.
A lei proibia que os escritórios das casas de negócios contratassem guarda-livros sem matrícula e ainda exigia que, na Contadoria Pública, só fossem aceitos profissionais que tivessem cursado as aulas de comércio.
A profissão contábil, no Brasil em termos de estruturação e regulamentação profissional, é ainda bastante recente. Pois o comércio local só se desenvolveu de maneira mais efetiva com a chegada da corte portuguesa ao país em 1807, e com a decretação da abertura dos portos.
A primeira regulamentação contábil realizada em território brasileiro ocorreu em 1870, através do reconhecimento oficial da Associação dos Guarda-Livros da Corte, pelo Decreto Imperial nº 475. Esse decreto representa um marco, pois caracteriza o guarda-livros como a primeira profissão liberal regulamentada no país.
Segundo Amorim sobre os Guarda-Livros:
Entre 1920 e 1940 cada empresa comercial ou industrial (naquele tempo não se falava “empresa”, dizia-se “firma”) tinha o seu “guarda-livros”, geralmente um homem bem intencionado, mas de pouca formação técnica, sem ter frequentado escolas ou cursos de especialidade, aprendera pela prática ou pelo empirismo. O Guarda-Livros fazia tudo: a contabilidade da firma, a escrituração, a correspondência, os contratos e distratos, preenchiam os cheques, fazia pagamentos e recebimentos, enfim era o factótum. Era o tempo em que se predominavam “os práticos” os Guarda-Livros prestaram muitos serviços dentro de suas limitadas possibilidades. (Amorim 1999, p. 25)
A primeira escola de contabilidade no Brasil, sob a forma de escola de comércio, foi a Escola de Comércio Alvares Penteado, que surgiu em 1902 como Escola Prática de Comércio.
Três anos mais tarde, o Decreto Federal nº 1.339/05 reconheceu oficialmente os diplomas expedidos pela Escola Prática de Comércio, instituindo dois cursos: um que se chamava curso geral e outro denominado curso superior.
A estrutura curricular do curso geral era essencialmente prática, e previa: Português, Francês, Inglês, Aritmética, Álgebra, Geometria, Geografia, História, Ciências Naturais, Noções de Direito Civil e Comercial, Legislação de Fazenda e Aduaneira, Prática Jurídico-Comercial, Caligrafia, Estenografia, Desenho e Escrituração Mercantil.
Observa-se já aí que a contabilidade estava presente no currículo do curso geral da escola de comércio, visto que a escrituração mercantil era uma das disciplinas previstas.
O que é facilmente perceptível é que naquela época, assim como hoje, as exigências de mercado requeriam uma postura profissional de busca multidisciplinar, com o conhecimento ultrapassando em muito o aspecto essencialmente técnico, o que confirma o pensamento de Camargo, quando escreve que "sem doutrina, sem cultura geral, não se pode ambicionar plenitude no desempenho do exercício da profissão contábil.”.
Apesar da ênfase contábil apresentada nos cursos de comércio, somente em 1931 instituiu-se o curso de Contabilidade, que tinha no início a duração de três anos e formava o chamado "perito contador". Esse curso concedia ainda o título de guarda-livros a quem completasse dois anos de estudos e eram exigidas as seguintes disciplinas: Contabilidade, Matemática Comercial, Noções de Direito Comercial, Estenografia, Mecanografia, Contabilidade Mercantil, Legislação Fiscal, Técnica Comercial e Publicidade.
Somente com a Lei nº 3.384/58 é que se deu definitivamente, uma nova denominação à profissão de guarda-livros, pois nela fica estabelecido que tais profissionais passassem a integrar a categoria de técnico em contabilidade.
De fato, em termos de desenvolvimento e estrutura de sua legislação profissional, a profissão contábil é bastante recente, tendo sido construída a partir de experiências oriundas de outros países, principalmente os Estados Unidos.
No entanto, há que se notar que a sequência de acontecimentos legais voltados à estruturação profissional na área contábil em nosso país contribuiu bastante para uma singular característica: a existência em nosso país de muitos profissionais de nível médio.
O papel dos Guarda-Livros e a Criação do Ensino Comercial com dados obtidos no Conselho Estadual de Educação do Acre, na Coordenadoria de Registro e Inspeção Escolar (CORINES), Conselho Estadual de Educação e ainda de três obras que contribuíram para o trabalho: A figura do Guarda-Livros, segunda obra composta por cinco capítulos em que pesquisamos o capítulo I – A história universal da Contabilidade, o papel dos Guarda-Livros, e a Criação do Ensino Comercial com dados obtidos no Conselho Estadual de Educação do Acre, na Coordenadoria de Registro e Inspeção Escolar (CORINES), Conselho Estadual de Educação e ainda de três obras que contribuíram para o texto: primeira em outra obra de 2007 “A História da Contabilidade em Goiás”, de autoria da Jornalista Nádia Lima, em coautoria com o Contador Edson Cândido Pinto, composta de 10 (dez) capítulos na pesquisa do capítulo
II – A atividade contábil no Brasil; III – Os primeiros (e poderosos) guarda-livros de Goiás; VI – As dificuldades da profissão na época do regime militar, onde se falou do Código Comercial Brasileiro de 185; Terceira obra de 2013 do patrocinado pelo Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul, autoria do Contador Marco Aurélio Gomes Barbosa, em coautoria com o Contador Ernani Ott. A Origem da Contabilidade no Rio Grande do Sul, composta por quatro capítulos, foi apropriada de informações do I – Introdução; II – Primeiras Evidências e III – Fortalecimento - o livro teve por finalidade apresentar antigas evidências encontradas sobre as práticas e regulamentação profissional, bem como do ensino da contabilidade no Estado do Rio Grande do Sul.
A abordagem da figura do Guarda-Livros na História da Amazônia Brasileira, se reporta ao século XIX, onde a descoberta da utilização da borracha extraída de uma árvore da amazônica como um componente importante para a indústria europeia em expansão fez surgir os chamados seringais que se tornaram empresas encarregadas da extração da borracha para atender a demanda internacional.
Entre os anos de 1877 até 1911, ocorre o primeiro ciclo da borracha onde houve um aumento considerável da produção da borracha e que em virtude da técnica de extração empregada exigiu um grande contingente de mão de obra que foi utilizada na extração do látex.
Para entender a estrutura de um seringal, Carneiro descreve que (A Borracha no Acre), o Seringal era uma unidade produtiva de borracha e onde ocorriam as relações sociais de produção através do chamado “sistema de aviamento”.
No Sistema de Aviamento funcionava o chamado “Escambo” que era usual nas relações de troca – as negociações eram efetuadas, em sua maioria, sem a intermediação do dinheiro. AVIAR= fornecer mercadoria a alguém em troca de outro produto. Este sistema era baseado no endividamento prévio e contínuo do seringueiro com o patrão, a começar pelo fornecimento das passagens. Pois antes mesmo de produzir a borracha, o patrão lhe fornecia todo o material logístico necessário à produção da borracha e à sobrevivência do seringueiro. Portanto, já começava a trabalhar endividado. Havia nos seringais uma alta taxa de mortalidade devido a doenças, picadas de cobra e parca alimentação. Os seringueiros, em sua maioria, eram do sexo masculino e analfabetos. Neste sistema a agricultura era proibida, e o
seringueiro não podia dispensar tempo em outra atividade que não fosse o corte da seringa sendo obrigado a comprar do barracão tudo que fosse necessário para sua subsistência. Nessas condições, tornava-se quase impossível para o seringueiro se libertar do patrão. Podemos entender a estrutura de um seringal com os seguintes componentes:
Barracão: sede administrativa e comercial do seringal. Era onde o seringalista morava.
Colocação: era a área do seringal onde a borracha era produzida. Nesta área, localizava a casa do seringueiro e as "estradas" de seringa. Um seringal possuía várias colocações.
Varadouro: pequenas estradas que ligam o barracão às colocações; as colocações entre si; um seringal a outro e os seringais às sedes municipais. Através desses trechos passavam os comboios que deixavam mercadorias para os seringueiros e traziam pelas de borracha para o barracão.
Gaiola: navio que transportava nordestino de Belém ou de Manaus aos seringais acreanos.
Brabo: Novato no seringal que necessitava aprender as técnicas de corte e se aclimatar à vida amazônica.
Seringalista (coronel de barranco): dono do seringal recebia financiamento das Casas Aviadoras.
Seringueiro: O produtor direto da borracha, quem extraia o látex da seringueira e formavam as pelas de borracha.
Gerente: "braço-direito" do seringalista, inspecionava todas as atividades do seringal.
Guarda-livros: responsável por toda a escrituração no barracão, ou seja, registrava tudo o que entrava e saía.
Caixeiro: Coordenava os armazéns de viveres e dos depósitos de borracha.
Comboieiros: responsáveis de levar as mercadorias para os seringueiros e trazer a borracha ao seringalista.
Mateiro: identificava as áreas da floresta que continha o maior número de seringueiras.
Toqueiro: Abriam as "estradas".
Caçadores: abastecia o seringalista com carne de caça.
Meeiro: seringueiro que trabalhava para outro seringueiro, não se vinculando ao seringalista.
Regatão: negociantes fluviais que vendiam mercadorias aos seringueiros a um preço mais baixo que os do barracão.
Adjunto: Ajuda mútua entre os seringueiros no processo produtivo. Em relação à função do guarda-livros que corresponde ao que hoje denominamos de contabilistas, devemos registrar que o número de profissionais desta categoria era grande sendo muito difícil determinar o número existente. Na sociedade daquela época ser um guarda-livros representa uma oportunidade de ascensão social e econômica pela acessibilidade aos ensinamentos. Não eram necessários estudos superiores e o mais importante era ter uma excelente escrita.
Existe pouca literatura que trata da atividade dos Guarda-Livros principalmente na região norte, e em relação às atividades desenvolvidas nos seringais, percebe-se que de forma precipitada são atribuídas àqueles profissionais o sistema injusto em que estava o seringueiro em sua relação com o seringalista. Afinal, ao Guarda-Livros cabia tão e simplesmente o registro das informações de entrada e saída das mercadorias do barracão de acordo com as orientações que recebia de quem o havia contratado.
1.3 - CRIAÇÃO DO ENSINO COMERCIAL
No Brasil o ensino da contabilidade tem seu marco histórico em 1809 quando começou a ser lecionada a aula de comércio da corte. Em 1856 é criada a Escola de Comércio Álvares Penteado, que em 1905, através do Decreto-Lei Nº 1.339, de 9 de Janeiro de 1905, se transforma em Instituto Comercial do Rio de Janeiro. Para Iudicíbes (2000, p.36) “A Escola de Comércio Álvares Penteado (Instituto Comercial do Rio de Janeiro), é a primeira escola especializada no ensino da Contabilidade, e o Brasil tornou-se um dos primeiros países a ter um estabelecimento de ensino superior de contabilidade”.
Em 1905 com Decreto-Lei N.º 1.339 de 09 de Janeiro de 1905 o Instituto de Comércio do Rio de Janeiro se destinou à educação superior em comércio com os dois Cursos: o Curso Geral, habilitando para o exercício das funções de guarda-livros, perito judicial e empregado de fazenda e o Curso Superior, habilitando para os cargos de agentes consulares, funcionários do Ministério das Relações Exteriores, atuários de companhias de seguros e chefes de contabilidade de estabelecimentos bancários e grandes empresas comercias.
Para melhor explicar como se desenvolveram as legislações que passaram a regular o ensino no Técnico profissionalizante do Brasil desde o Ensino Comercial, com a criação das Escolas Técnicas de Comércio, passando pela regulamentação do ensino dos Guarda-Livros e até o estabelecimento do Curso Técnico em Contabilidade, temos vários registros. Segundo Fortes (2001, pág.30), com o Decreto n.º 20.158 de 30.06.1931 organiza-se o Ensino Comercial, que regulamenta a profissão do contador e dá outras providências (publicado no D.O. de 9.7.1931 e reproduzido no D.O. de 13.12 1932), de onde podemos destacar como se
estabeleceu a estrutura do Curso de guarda-livros. Primeiro ano: contabilidade, 2) matemática comercial 3) Noções de direito comercial 4) estenografia 5) mecanografia (datilografia e conhecimento e manejo das principais máquinas de uso nos escritórios) Segundo ano: 1) contabilidade mercantil 2) matemática comercial 3) legislações fiscal 4) técnica comercial e processos de propaganda (generalidades sobre o comércio e meios correntes de publicidade) 5) Estenografia (prática intensiva do estudo anteriormente feito) 6) mecanografia (exercícios continuados de datilografia e manejo das máquinas de cálculo, dos mimeógrafos, duplicadores, etc.)
Estabelecido o ensino comercial, no ano seguinte se estabelecem as regras de registro dos Guarda-Livros. Segundo Fortes (2001, pág.30), com o Decreto n.º 21.033 de 08.02.1932 que estabelece novas condições para o registro de Contadores e Guarda-Livros e dá outras providências (publicado no D.O. de 13.2.1931);
Art. 5º Os possuidores de certificados ou diplomas expedidos por estabelecimentos de ensino comercial, oficializados e oficialmente reconhecidos, ou nestes revalidados nos termos do art. 57 do decreto n. 20.158, de 30 de junho de 1931, poderão, em qualquer tempo, requerer registro na Superintendência do Ensino Comercial, satisfazendo as exigências, que lhes forem aplicáveis, contidas no art. 4 º deste decreto.
§ 1º - Não serão aceitos o registro os certificados e diplomas que não trouxerem o visto” do fiscal do estabelecimento de ensino comercial que os houver expedido ou revalidado.
§ 2º Os diplomas e certificados expedidos por estabelecimentos de ensino comercial, em data anterior à fiscalização, só serão registrados se constarem os nomes dos respectivos possuidores da relação remetida à Superintendência nos termos do art. 69 do decreto número 20.158, de 30 de junho de 1931.
Na pesquisa realizada na Coordenação de Registros e Inspeção Escolar (CORINES), verificamos que o ensino comercial se desenvolve a partir do Decreto-Lei n.º6.141 de 28.12.1943, que estabeleceu a Lei Orgânica do Ensino Comercial (publicado no D.O. de 31.12.1943). A partir de então estavam criadas as Escolas Técnicas de Comércio, com duração de três anos, por este motivo consta no Livro de Atas do (CORINES) menção a este decreto em todos os diplomas expedidos a partir de 1961, com destaque para o seguinte artigo:
Art. 10. A articulação no ensino comercial e deste com outras modalidades de ensino far-se-á nos termos seguintes:
I. O curso comercial básico estará articulado com os cursos comerciais técnicos de modo que os alunos possam progredir daquele a qualquer destes.
II. O curso comercial básico estará articulado com o ensino primário, e os cursos comerciais técnicos, com o ensino secundário e o ensino normal de primeiro ciclo.
III. E' assegurada ao portador de diploma conferido em virtude de conclusão de um curso comercial técnico a possibilidade de ingressar em estabelecimento de ensino superior, para matrícula em curso diretamente relacionado com o curso comercial técnico concluído, uma vez verificada a satisfação das condições de admissão determinadas pela legislação competente.
É importante destacar também o decreto que confere aos Portadores de Diploma do Curso de Comércio o Título de Técnico em Contabilidade – Decreto-Lei n.º 8.191 de 10.11.1945 – Disposições relativas ao Curso Comercial Básico e seus atuais alunos da terceira e quarta séries (publicado no D.O. de 26.11.1945)
Art. 1º Ao aluno que concluir o curso de contabilidade previsto pelo Decreto-lei nº 6.141, de 28 de dezembro de 1943, será conferido o diploma de técnico em contabilidade, em substituição ao diploma do guarda-livros e com direito às prerrogativas asseguradas por lei a este título.
Art. 2º O diploma de técnico em contabilidade conferido aos alunos presentemente matriculados na terceira e na quarta séries do curso comercial básico, será apostilado, no ato do registro de que trata o § 2º do art. 36 do Decreto-lei nº 6.141, de 28 de dezembro de 1943, com a declaração explicita de que o seu titular gozará, para os efeitos do exercício profissional, das prerrogativas asseguradas por lei aos contadores.
Art. 3º O diplomado pelo curso comercial básico, satisfeitas as demais exigências de ordem geral, terá preferência no provimento de função ou cargo de auxiliar de escritório e de datilógrafo das empresas particulares que recebam favores do governo, das instituições autárquicas e dos serviços públicos.
Art. 4º Aos portadores do diploma de auxiliar de escritório será, permitida, sem a observância do limite mínimo de idade, a obtenção do certificado de licença ginasial, de acordo com o regime estabelecido no título VII do Decreto-lei nº 4. 244, de 9 de abril de 1942.
Com o advento da Lei n.º 3.384 de 28.4.1958, os Guarda-Livros passaram a ser uma nova denominação que então passou a conferir a eles o Curso de Técnico em Contabilidade (publicado no D.O. de 30.04.1958)
Art. 1º Os profissionais habilitados como guarda-livros, de acordo com os decretos números 20.158, de 30 de junho de 1931, e 21.033, de 8 de fevereiro de 1932, bem como os técnicos em contabilidade, diplomados em conformidade com o disposto no Decreto-lei nº 6.141, de 28 de dezembro de 1943, modificado pelo Decreto-lei nº 8.191, de 20 de novembro de 1945, passam a integrar a categoria profissional de técnicos em Contabilidade, com as atribuições e prerrogativas atualmente conferidas aos guarda-livros.
Em pesquisa realizada no Conselho Estadual de Educação tomamos conhecimento de que a Lei Federal n.º 4.024/61, que seria a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, equiparou o ensino profissional, para todos os efeitos, ao ensino acadêmico, o que
garantiu a partir de então a expansão dos Cursos Técnicos Profissionalizantes, pois permitia aos seus portadores, darem continuidade ao ensino superior, pois passaram a ter a sua equivalência com o Ensino Médio. Este fato contribui para o crescimento do número de alunos que procuravam o Curso Técnico em Contabilidade, que neste período no Acre acontecia nas Escolas de Ensino Médio, mas eram conferidos e registrados pela Escola Técnica de Comércio Acreana, que somente irá adquirir sede própria em 1969 com o Decreto Estadual N.º 87 de 29 de Maio de 1969, que estabelece sede própria para a Escola Técnica de Comércio Acreana denominada Escola José Rodrigues Leite.
Figura: 05- Símbolo da Escola José Rodrigues Leite
A contabilidade notadamente é uma ciência voltada para o registro dos fatos que ocorrem no dia a dia da atividade de uma empresa e que modificam o patrimônio. No início da atividade empresarial a falta da utilização do sistema de informação da contabilidade pode não ser tão sentida. Com o aumento do volume dos negócios, dos empregados, dos estoques, a contabilidade se torna imprescindível devido a esta carência de profissionais habilitados para atender à demanda crescente do comércio de Rio Branco na década de 60.
CAPÍTULO 2 – A ESCOLA DE COMÉRCIO ACREANA
2.1 – O ENSINO TÉCNICO NO BRASIL
É importante contextualizar a origem dos cursos técnicos em nosso país, para dessa forma entendermos a sua evolução, de acordo com PARECER CNE/CEB Nº 16/99 - Trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico.
Os primórdios da formação profissional no Brasil registram apenas decisões circunstanciais especialmente destinadas a “amparar os órfãos e os demais desvalidos da sorte”, assumindo um caráter assistencialista que tem marcado toda sua história.
A primeira notícia de um esforço governamental em direção à profissionalização data de 1809 quando um Decreto do Príncipe Regente, futuro D. João VI, criou o “Colégio das Fábricas”, logo após a suspensão da proibição de funcionamento de indústrias manufatureiras em terras brasileiras.
Posteriormente, em 1816, era proposta a criação de uma “Escola de Belas Artes”, com o propósito de articular o ensino das ciências e do desenho para os ofícios mecânicos. Bem depois, em 1861, foi organizado, por Decreto Real, o “Instituto Comercial do Rio de Janeiro”, cujos diplomados tinham preferência no preenchimento de cargos públicos das Secretarias de Estado.
A partir da década de 40 do século XIX foram construídas dez “Casas de Educandos e Artífices” em capitais de província, sendo a primeira delas em Belém do Pará, para atender prioritariamente aos menores abandonados, objetivando “a diminuição da criminalidade e da vagabundagem”. Posteriormente, Decreto Imperial de 1854 criava estabelecimentos especiais para menores abandonados, os chamados “Asilos da Infância dos Meninos Desvalidos”, onde eles aprendiam as primeiras letras e eram, a seguir, encaminhados às oficinas públicas e particulares, mediante contratos fiscalizados pelo Juizado de Órfãos.
Na segunda metade do século passado foram criadas, ainda, várias sociedades civis destinadas a “amparar crianças órfãs e abandonadas”, oferecendo-lhes instrução teórica e prática, e iniciando-as no ensino industrial.
As mais importantes delas foram os “Liceus de Artes e Ofícios”, dentre os quais os do Rio de Janeiro (1858), Salvador (1872), Recife (1880), São Paulo (1882), Maceió
(1884) e Ouro Preto (1886).
No início do século XX o ensino profissional continuou mantendo, basicamente, o mesmo traço assistencial do período anterior, isto é, o de um ensino voltado para os menos favorecidos socialmente, para os “órfãos e desvalidos da sorte”. A novidade será o início de um esforço público de organização da formação profissional, migrando da preocupação principal com o atendimento de menores abandonados para uma outra, considerada igualmente relevante, a de preparar operários para o exercício profissional.
Em 1906, o ensino profissional passou a ser atribuição do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Consolidou-se, então, uma política de incentivo ao desenvolvimento do ensino industrial, comercial e agrícola. Quanto ao ensino comercial, foram instaladas escolas comerciais em São Paulo, como a “Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado”, e escolas comerciais públicas no Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, entre outras.
Nilo Peçanha, em 1910, instalou dezenove “Escolas de Aprendizes Artífices” destinadas “aos pobres e humildes”, distribuídas em várias Unidades da Federação. Eram escolas similares aos Liceus de Artes e Ofícios, voltadas basicamente para o ensino industrial, mas custeadas pelo próprio Estado. No mesmo ano foi reorganizado, também, o ensino agrícola no País, objetivando formar “chefes de cultura, administradores e capatazes”.
Nessa mesma década foram instaladas várias escolas-oficina destinadas à formação profissional de ferroviários. Essas escolas desempenharam importante papel na história da educação profissional brasileira, ao se tornarem os embriões da organização do ensino profissional técnico na década seguinte.
Na década de 20 a Câmara dos Deputados promoveu uma série de debates sobre a expansão do ensino profissional, propondo a sua extensão a todos, pobres e ricos, e não apenas aos “desafortunados”. Foi criada, então, uma comissão especial, denominada “Serviço de Remodelagem do Ensino Profissional Técnico”, que teve o seu trabalho concluído na década de 30, à época da criação dos Ministérios da Educação e Saúde Pública e do Trabalho, Indústria e Comércio.
Ainda na década de 20, um grupo de educadores brasileiros imbuídos de ideias inovadoras em matéria de educação, criava, em 1924, na cidade do Rio de Janeiro, a
Associação Brasileira de Educação (ABE), que acabou se tornando importante polo irradiador do movimento renovador da educação brasileira, principalmente através das Conferências Nacionais de Educação, realizadas a partir de 1927. Em 1931 foi criado o Conselho Nacional de Educação e, nesse mesmo ano, também foi efetivada uma reforma educacional, conhecida pelo nome do Ministro Francisco Campos e que prevaleceu até 1942, ano em que começou a ser aprovado o conjunto das chamadas “Leis Orgânicas do Ensino”, mais conhecidas como Reforma Capanema.
Destaque-se da reforma Francisco Campos os Decretos Federais n.º 19.890/31 e 21.241/32, que regulamentaram a organização do ensino secundário, bem como o Decreto Federal n.º 20.158/31, que organizou o ensino profissional comercial e regulamentou a profissão de contador. A importância deste último deve-se ao fato de ser o primeiro instrumento legal a estruturar cursos já incluindo a ideia de itinerários de profissionalização.
Em 1932 foi lançado o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, buscando diagnosticar e sugerir rumos às políticas públicas em matéria de educação. Preconizava a organização de uma escola democrática, que proporcionasse as mesmas oportunidades para todos e que, sobre a base de uma cultura geral comum, de forma flexível, possibilitasse especializações “para as atividades, de preferência intelectual (humanidades e ciências) ou de preponderância manual e mecânica (cursos de caráter técnico)”. Estas foram assim agrupadas: a) extração de matérias primas (agricultura, minas e pesca); b) elaboração de matérias primas (indústria); c) distribuição de produtos elaborados (transportes e comércio). Nesse mesmo ano, realizou-se a “V Conferência Nacional de Educação”, cujos resultados refletiram na Assembleia Nacional Constituinte de 1933. A Constituição de 1934 inaugurou objetivamente uma nova política nacional de educação, ao estabelecer como competências da União “traçar Diretrizes da Educação Nacional” e “fixar o Plano Nacional de Educação”.
Com a Constituição outorgada de 1937 muito do que fora definido em matéria de educação em 1934 foi abandonado. Entretanto, pela primeira vez, uma Constituição tratou das “escolas vocacionais e pré-vocacionais”, como um “dever do Estado” para com as “classes menos favorecidas” (Art. 129). Essa obrigação do Estado deveria ser cumprida com “a colaboração das indústrias e dos sindicatos econômicos”, as chamadas “classes produtoras”, que deveriam “criar, na esfera de sua especialidade, escolas de aprendizes, destinadas aos