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08.ANÁLISEESTRATÉGICAINDDECONFECÇÕES

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Academic year: 2021

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ESTUDO DE CASO

Fernando Ribeiro de Melo Nunes

Universidade Federal do Ceará - Dept° de Engenharia Mecânica - Fone: (085) 288-9634 Email: ferimene @ fortalnet.com.br

Summary:

The apparel industry presents a mortality index very much superior to the average of all the other industrial branches. This specific industrial branch presents no barrier to newcomers, operates in a free concurrence market, but the great majority of its suppliers are classified as oligopoly.. We have studied the particular segment of the jeans pants manufacturers, in the city of Fortaleza and neighborhoods. We used Value Analysis establishing a work plan for communities and organizations, and developing a detailed analysis over the functions of the companies working in this branch. The directors of the Association of Jeans Manufacturers of Fortaleza were interviewed. A FAST Diagram was used to identify the functions and develop a structural analysis. Finally, we have analysed the relative importance of these functions using the numeric evaluation technique of MUDGE. To validate the results pointed, we will develop a research over a sample of the 1,478 jeans manufacturers operating in the city of Fortaleza.

Key words: Value Analysis, apparel, mortality.

1. Introdução:

Este trabalho visa mostrar a utilização da técnica de análise do valor na indústria de confecções. Os levantamentos realizados foram baseados em minha experiência profissional de 25 anos no ramo, e nos diversos e mais diferentes debates realizados na Associação das Indústrias de Confecção do Estado do Ceará - AICEC e no sindicato patronal, onde sou diretor. O segmento trabalhado é o da fabricação de roupas jeans, e o trabalho é parte de uma pesquisa maior que visa identificar o tamanho ideal para este tipo de empresa, e traçar um planejamento estratégico setorial.

2. Ambiente:

A indústria de confecções atende a uma das necessidades básicas do ser humano, o vestir. A variedade dos produtos é enorme, já que atende a pessoas de todas as idades, sexos, profissões e níveis sociais. A tecnologia básica é de domínio popular, costurar é uma prenda doméstica e faz parte da educação que as famílias dão às filhas. O investimento necessário para o estabelecimento de uma empresa é um dos menores do ramo industrial, cerca de US$ 2.000,00 por emprego gerado, em média. Como característica do setor, ele financia a comercialização em média com 90 dias, o que faz com que a necessidade de

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capital de giro seja 3 vezes maior que o investimento inicial. É uma indústria de mão-de-obra intensiva, onde o grau de automatização dos equipamentos em uso é baixo, necessitando portanto de organização, motivação, treinamento e controle da mão-de-obra para obter eficiência. A tarefa de treinar, é quase que totalmente de responsabilidade das empresas, embora existam trabalhos do SENAI no setor. A mão-de-obra é 95% feminina, e a faixa etária das operárias oscila entre os 18 e os 35 anos, época em que constituem famílias e criam filhos (Nunes 1973). Como indicativo estatístico, na cidade de Fortaleza e adjacências, o nível de absenteismo industrial chega a 5% da força de trabalho na área de produção, considerados os ausentes e os licenciados por doença. A rotatividade média computada com dados do Ministério do Trabalho entre janeiro de 1994 e novembro de 1997 é de 39,47% ao ano. Todo este conjunto de fatores faz com que a eficiência média do setor esteja em 65% da normal planejada .

O mercado da indústria de confecções é segmentado por sexo, idade, tipo de produto e nível social. Desenvolveremos este trabalho no segmento de roupas jeans usado para os dois sexos, todas as idades e níveis sociais. Este mercado é de concorrência perfeita, já que o número de vendedores e de compradores é muito grande e nenhum deles controla mais que 2% do mercado. Em alguns extratos, que exploram os níveis sociais mais elevados, existe uma concorrência monopolista, representada unicamente pela etiqueta exclusiva, já que as características do produto são semelhantes aos demais (Rossetti, 1997). Os clientes são divididos em atacadistas, que distribuem o produto entre os comerciantes menores, os magazines e os comerciantes normais, que atendem diretamente aos consumidores finais.

No segmento jeans os fornecedores são oligopólios no que tange a tecido, zíper e linha, insumos essenciais à fabricação. Os equipamentos são em sua quase totalidade importados, exceção feita para as máquinas mais simples que são montadas na Zona Franca de Manaus e algumas outras localidades do Brasil. Peças de reposição, principalmente agulhas, são importadas em sua quase totalidade.

O processo produtivo exige, além das atividades de costura, a lavagem e acabamento do produto antes da venda. Assim é que as empresas ou incluem esta atividade em seu fluxo produtivo, com grandes investimentos e necessidade de pessoal especializado, ou a terceirizam, gerando sérios problemas de logística e qualidade.

3. Problema

A mortalidade precoce do ramo industrial de confecções é o problema a ser estudado. Dentro da concepção do ciclo de vida das organizações (Adizes,1993),

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verifica-se que a quaverifica-se totalidade das empresas morre antes de atingir a adolescência. Este fato conduz a uma inexperiência empresarial generalizada, o que propicia a reincidência de erros estratégicos.

4. Objetivo

Estabelecer um planejamento estratégico adequado ao tamanho ideal para as empresas do setor, que leve em conta as vantagens competitivas (Slack, 1993) que atendem aos aspectos internos e externos à empresa, tais como o baixo custo, gerado pela alta produtividade total e conduzindo a baixo preço e alta margem; a velocidade, fruto do fluxo rápido que nos dá baixo tempo de entrega; a qualidade, oriunda de processos livres de erros de projeto e processo, conduzindo à satisfação dos clientes; a flexibilidade, dada pela habilidade da empresa mudar, o que gera novos produtos freqüentemente, uma larga faixa de produtos e facilidade no ajuste de volumes e entrega; por fim a confiabilidade, fruto de uma operação confiável em termos de equipamento e pessoal treinado, que nos leva a entregas confiáveis e consumidores que são transformados em clientes (Paladini, 1995).

5. Plano de trabalho

O plano será elaborado para a indústria de confecções, e a empresa considerada será todo o setor dos fabricantes de roupas jeans na cidade de Fortaleza e adjacências. Adotaremos um plano adequado a comunidades, pois o setor enfrenta problemas semelhantes. Este plano será um misto entre os planos de Rand (1979) e Van Heerden (1976), desde quando adotaremos a visão de planejamento estratégico proposta por Rand, para melhor dimensionar o problema, mas faremos a análise aprofundada usando o raciocínio analítico proposto por Van Heerden.

5.1. Planejamento estratégico

Utilizaremos o modelo de Porter (1986) para estabelecer as bases da estratégia a ser utilizada: Indústria - Confecções de roupas. Empresa - Fabricantes de roupas jeans da cidade de Fortaleza e adjacências. Objetivo - Fabricar roupas jeans com qualidade e preço satisfatórios às necessidades dos clientes, utilizando matérias-primas adequadas e mão-de-obra treinada, distribuindo o produto através de atacadistas, magazines e comerciantes, visando o lucro. Concorrentes da Empresa - Embora o produto seja fabricado localmente, seu mercado é nacional. Nesse ambiente os concorrentes já existentes são: 1) Fabricantes de jeans de outras regiões do Brasil. 2) Importadores de jeans do exterior. 3) Fabricantes de outros tipos de roupas locais. 4) Fabricantes de outros tipos de roupas de outras regiões. 5) Importadores de outros tipos de roupas. 6) Comerciantes de tecidos jeans e outros tecidos.

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Ameaça de novos entrantes - A entrada de novos concorrentes no mercado se faz sentir

através dos seguintes pontos: 1) Redução nas quantidades vendidas. 2) Redução no preço de venda. 3) Redução no prazo de entrega. 4) Aumento do custo das matérias-primas. 5) Aumento nos salários pagos aos profissionais do setor. 6) Escassez de mão-de-obra treinada. Esses efeitos são ponderados em virtude do tamanho do mercado comparado com o potencial das empresas. Barreiras de Entrada - O setor praticamente não apresenta barreiras de entrada, já que sua tecnologia é de domínio popular, o tempo de treinamento é reduzido (1 a 3 meses) e a mão-de-obra é abundante, já que é essencialmente feminina. O custo por emprego gerado é dos menores na área industrial, cerca de U$ 2000,00. O único ponto a ressaltar é o capital de giro requerido, que oscila de 2 a 4 vezes o imobilizado técnico, exigindo recursos próprios ou crédito para seu financiamento, fato quase sempre não analisado pelos novos entrantes. Intensidade da Rivalidade entre os Concorrentes

Existentes - A concorrência no setor é predatória. As empresas não trocam informações

comerciais, as inovações tecnológicas repartidas são somente as promovidas pelos fabricantes de máquinas, insumos e pelos empregados que mudam de empresa. As tendências da moda são nebulosas, e a velocidade de mudança grande. Não há padronização de modelagens e medidas, não há estudos oficiais ergonômicos que determinem estereótipos para o brasileiro. Tudo que vem dificultar a operação dos concorrentes é praticado. Pressão

dos Produtos Substitutos - Estes, por desempenharem igual função, pressionam os

produtos jeans forçando redução nos preços de venda, diminuindo os prazos de entrega e aumentando a velocidade de mudança. Identificamos como principais produtos substitutos as confecções domésticas, feitas no âmbito familiar, e os fabricantes de outros tipos de roupas. Poder de Negociação dos Compradores - Considerando que nenhuma empresa do setor, no Brasil, detém mais que 2% do mercado, e que na cidade de Fortaleza e adjacências esse percentual é bem menor, os compradores de altas quantidades como atacadistas, magazines e redes de lojas, pressionam duramente por preço e prazo, dentro de determinado padrão de qualidade, divulgando somente as notícias de vendas com preços baixos, sempre deixando os fabricantes na defensiva. Os demais comerciantes também forçam melhores condições em virtude da grande oferta que têm. Poder de Negociação dos

Fornecedores - As empresas do setor de roupas jeans são alimentadas por oligopólios

fortes; existem 2 fornecedores de tecido que respondem por 80% da venda, 2 fabricantes de zípers (90% da venda, sendo um deles responsável por 60% sozinho), as linhas estão na mão de 4 fornecedores, sendo que 2 deles respondem por 60% da venda. Todas são grandes e sólidas empresas, que resistem mesmo às investidas dos importados, de menor

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preço, devido às suas estruturas de distribuição e seu poder de também importar. A resultante deste fato é nenhum poder junto aos fornecedores. Abordagem da estratégia

competitiva - As três abordagens sugeridas por Porter são praticadas. A mais freqüente,

devido a intensa concorrência, é a da diferenciação, por ser a que mais facilmente escapa da pressão por menores preços.

5.2. Análise Funcional

5.2.1. Planilha de Análise Funcional - Produto

1. Objeto: Roupas jeans 2. Objetivo: Aumentar vendas em 10% 3. Lista de funções: código Funções básica secundária uso estima A cobrir corpo X X B proteger corpo X X C dar conforto X X D realçar formas X X E vender imagem X X F dar status X X G atualizar moda X X H participar grupo X X

Analisando as funções da roupa jeans, verificamos que as secundárias de uso e de estima são as que devem ser atacadas dentro da abordagem estratégica de diferenciação. 5.2.2. Planilha de Análise Funcional - Empresa.

1. Objeto: Empresas fabricantes de roupas jeans. 2. Objetivo: Reduzir a mortalidade das empresas em 10% . 3. Lista de funções:

código Funções básica secundária uso estima

A gerar lucro X X B produzir roupa X X C vender roupa X X D fornecer qualidade X X E criar moda X X F vender imagem X X G empregar pessoas X X H transformar tecidos X X I planejar produto X X J administrar produção X X K planejar logística X X L conseguir financiamento X X M melhorar eficiência X X N aumentar flexibilidade X X O Acelerar fluxo X X P Reduzir custos X X Q Pesquisar materiais X X R treinar funcionários X X S Planejar produção X X 5.3. Análise Estrutural

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Utilizaremos a técnica de análise funcional de sistemas (Bytheway, 1965), na versão simplificada do Diagrama FAST (ver página à frente) com ênfase no Caminho Crítico proposto por Ruggles (1971), e implementada por Wojciechowski (1972).

5.4. Avaliação das funções

Utilizaremos a técnica de avaliação numérica das relações funcionais desenvolvida por Mudge (1967), que compara as funções aos pares, determinando seu grau de importância relativa (ver página à frente). Esta avaliação foi realizada em reunião de diretoria da Associação das Indústrias de Confecção do Estado do Ceará - AICEC.

7. Conclusão

Conforme determinado com o auxílio das técnicas de análise do valor, as funções que devem ser trabalhadas para a redução da mortalidade das empresas produtoras de roupas jeans foram estabelecidas e hierarquizadas. Devemos desenvolver a análise sobre as 10 funções consideradas mais importantes, detalhando os fatores que as influenciam e levantando os custos envolvidos no processo para melhorá-las.

Relação de importância

1 - Gerar lucro 6 - Planejar produto 2 - Vender roupa 7 - Melhorar eficiência 3 - Conseguir financiamento 8 - Planejar Produção 4 - Fornecer qualidade 9 - Treinar funcionários 5 - Reduzir custos 10 - Vender imagem

As conclusões desse trabalho servem de base para o estabelecimento do questionário que será usado na pesquisa detalhada a ser realizada junto às empresas representativas do setor, cujas conclusões serão oportunamente apresentadas.

8. Bibliografia

ADIZES, I . Os Ciclos da Vida das Organizações. Pioneira - 2ª ed. - São Paulo 1993 BYTHEWAY, Charles W. Lesson Five in Value Engineering. Product Engineering, p. 61- 67, Aug. 1965.

CSILLAG, J.M. Análise do Valor. Atlas - São Paulo 1995.

MUDGE, A.E. Numerical Evaluation of functional Relationships. SAVE Proc., v.2. p.111. Texas 1967

NUNES, F.R.M. Inventory Policies in the Men’s Apparel Industry. Thesis to get Msc Degree at Mississippi State University - 1973.

O’BRIEN, J. J. Value Analysis in Design and Construction. McGraw-Hill, N.Y.1976. p. 29 PALADINI, E. P. Gestão da Qualidade no Processo. Atlas - São Paulo 1995

PORTER, M.E. Estratégia Competitiva. Campus - Rio de Janeiro 1986. ROSSETI, J.P. Introdução à Economia. Atlas - São Paulo 1997

RUGGLES, Wayne F. FAST; a management planing tool. SAVE Proc.,v.6.p.312.Texas/71 SLACK, Nigel. Vantagem Competitiva em Manufatura. Atlas - São Paulo 1993, p. 20 WOJCIECHOWSKI, F. X. FAST Diagrams: its many uses.SAVE Proc.,1-10.4-Texas /72.

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Referências

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