Turismo de segunda residência: um estudo sobre a comunidade
Nova Atlântida, Piracaia, SP
Second home tourism: a study of community Nova Atlântida, Piracaia, SP
Bruna Ribeiro Colivati
Orientador: Brenno Vitorino Costa
RESUMO: Este trabalho tem como objetivo estudar o turismo residencial em
comunidades esotéricas, realizando um estudo de caso sobre a comunidade Nova Atlântida, em Piracaia, SP. Para realização deste trabalho foram realizadas leituras em fontes secundárias diversas. Em seguida, realizou-se pesquisa direta com os proprietários das segundas residências na comunidade para identificar seu perfil, bem como verificar as motivações que levaram à aquisição dessas residências nessa comunidade em específico. Verificou-se que, além de desejar a ruptura com o próprio cotidiano, os respondentes demonstram a grande influência que um grupo de estudos místicos pode ter como motivação de viagens ao local, bem como estes se dedicam aos seus compromissos estabelecidos com o grupo.
PALAVRAS-CHAVE: Segunda residência; esoterismo; comunidade; Piracaia.
ABSTRACT: This work has the theme of second home tourism, performing a case
study of the Nova Atlântida community in Piracaia, SP. For this study were accomplished several secondary sources. Afterwards, a research was held with the owners of second homes in the community to identify their profile and check the motivations that led to the acquisition of such homes in this community in particular. It was found that in addition to want to break from the routine itself, respondents demonstrate the great influence that a group of mystic studies may have the motivation to travel to the site, and they are dedicated to their commitments made to the group.
Introdução
O turismo residencial é uma prática cada vez mais comum nos dias atuais. A correria e a agitação das grandes metrópoles faz com que as pessoas busquem um refúgio. Segundo Assis (2003), o turismo de segunda residência é uma característica marcante na sociedade contemporânea, que teve sua carga de trabalho reduzida, adquiriu seu próprio automóvel e faz dos seus finais de semana um momento de lazer, como uma compensação a tanta turbulências dos dias “úteis”. Além disso, com a “destruição” do ambiente urbano, os que podem e optam por este tipo de prática utilizam espaços afastados dos grandes meios urbanos para “fugir” desse estado em que o meio ambiente se encontra. Para esse mesmo autor, a segunda residência é:
Uma modalidade de alojamento turístico elitista, símbolo de status social, característica das camadas sociais alta e, na sua grande maioria, média. Para esta última camada a falta de maior disponibilidade financeira e de tempo livre para o aproveitamento das férias com a família em grandes viagens pelo mundo, torna a segunda residência uma importante alternativa de lazer, devido à economia de tempo (de trabalho) e, sobretudo, de dinheiro. (ASSIS, 2003, p. 110)
O turismo residencial tem crescido nas cidades do estado de São Paulo como, por exemplo, nas cidades litorâneas da Baixada Santista e em cidades do interior como Bragança Paulista, Atibaia e Piracaia. Além do desenvolvimento dessas segundas residências, em algumas comunidades existem particularidades como: comunidades autossustentáveis e comunidades esotéricas, ou seja, para fazer parte dessas comunidades os proprietários devem ter ideais parecidos, para que esta não perca seu sentido.
A comunidade Nova Atlântida é composta de 53 casas e está localizada em Piracaia (SP), é um exemplo desses locais; nela os que residem ou tem segunda residência fazem parte de uma “comunidade” com princípios em comum. Dentre eles, estão: ter respeito pelo próximo, aceitar a individualidade de todos, ter respeito com a natureza e também com as crianças.
Além da comunidade em si, na Nova Atlântida há uma particularidade o desenvolvimento do grupo “Ordem, Princípio e Luz” que se trata de uma “Entidade filantrópica, uma pessoa jurídica que presta serviços à sociedade, sem fins lucrativos, e tem como objetivo principal o desenvolvimento de estudos destinados
ao desenvolvimento pessoal de todos aqueles que se dedicam a assuntos místicos.” (SILVA, 1991).
O estudo sobre esse tipo de comunidade tem relevância, pois além do turismo residencial ser uma tendência, a particularidade da comunidade Nova Atlântida é incomum e desperta o interesse de muitas pessoas, que por vezes não tem acesso direto à comunidade.
O principal objetivo deste trabalho foi estudar o turismo de segunda residência em comunidades esotéricas. Para realizar este estudo, foi investigado o perfil dos donos destas residências, bem como verificou-se a motivação para aquisição destas e as atividades que os mesmos desenvolvem na comunidade.
Para contemplar os objetivos deste trabalho, em sua elaboração adotou-se uma série de procedimentos. Para a composição do referencial teórico, a autora buscou artigos, livros e matérias sobre o tema e outras sobre assuntos similares que pudessem contribuir com a primeira contextualização do artigo. A segunda parte deste artigo é composta por entrevistas realizadas via e-mail com os proprietários das segundas residências, pois desta forma foi possível realizar análise dos dados para, por fim, estabelecer comparativos com o que foi contextualizado e como esta modalidade turística pode ser vista na prática.
1. Residências Secundárias
A atividade turística pode ser subdividida em diversas modalidades, e uma delas é o turismo de segunda residência. As propriedades adquiridas pelos que praticam esta modalidade são comumente chamadas de: “casa de temporada, de praia, de campo, chalé, cabana, rancho, sítio ou chácara de lazer”. (TULIK, 2001, p. IX).
O desenvolvimento desta modalidade parece estar em constante crescimento no Brasil, mas sua definição ainda é imprecisa: “A própria indefinição do termo e a sua amplitude dificulta um estudo mais específico e simultaneamente abrangente deste fenómeno nos dias actuais” (MARJAVAARA, 2007 apud COBUCI; KASTENHOLZ, 2011, p. 126).
Segundo Tulik (2001, p.14), as formas de classificação para estas residências, que não são as de domicílio principal, são diversas:
Em português, encontramos os termos domicílio de uso ocasional (IBGE), residência turística (LANGENBUCH), residência secundária, segunda residência e outras formas de uso corrente, como casa de campo, de temporada, de praia, de veraneio, além de chalé, cabana, sítio e chácara de lazer ou de recreio.
A indefinição do termo para classificação dessas segundas residências dificulta também a organização de dados estatísticos, não somente no Brasil como também no mundo. “Na França, por exemplo, somente a partir de 1954 apareceram dados oficiais sobre domicílios fechados, que, pelo conceito operacional, puderam ser entendidos como residências secundárias” (BOYER, 1972, p. 124 apud TULIK, 2001, p. 6). Segundo Boyer (1972 apud TULIK, 2001, p. 6):
Mesmo após esse começo, as estatísticas foram consideradas deficientes, seja por englobar outras formas de alojamento, como os domicílios vagos, seja por subestimar os valores, como aconteceu no censo de 1968.
Em diversos países, o estudo sobre as residências secundárias foi realizado de forma intensa em diferentes momentos, o que dificulta a utilização de dados comparativos. No Brasil, apesar de ainda haver carência de estudos aprofundados, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), após diversas modificações na definição deste tipo de prática turística, trouxe dados oficiais para uma análise estatística das residências secundárias (TULIK, 2001, p. 6).
A definição mais recente aplicada nas pesquisas é a que mais se adequa para a análise da quantidade e distribuição das segundas residências. “No censo de 1991,
o IBGE aprimora a definição classificando as residências secundárias como domicílios particulares de uso ocasional não restringindo esta condição a não presença do morador temporário”. (IBGE, 1991 apud SENA; QUEIROZ, 2006, p. 96) A prática do turismo de residência secundária só foi possível, pois a sociedade passou por transformações e a partir desse fato é que foi deu-se a visualização deste.
O turismo de segundas residências encontra-se em expansão, sustentado pelas recentes mudanças sociais que geram um renovado interesse por estas habitações. As segundas residências são um factor importante de transformação da paisagem e do uso do solo. Actualmente estas residências são consideradas como oportunidades de desenvolvimento regional. (JANSSON; MÜLER, 2004 apud COBUCI; KASTENHOLZ, 2011, p. 126)
Com o passar dos anos, a significativa melhora nas condições de trabalho juntamente com os finais de semana livres, bem como feriados prolongados em datas comemorativas como Carnaval, Páscoa, Natal e outras, contribuíram para o maior desenvolvimento do turismo de segunda residência, pois as pessoas passaram a ter mais tempo livre para o lazer. (TULIK, 2001, p. 12)
A redução da jornada de trabalho, a degradação do meio urbano e o advento do automóvel particular contribuíram para a eclosão do fim de semana como o principal período de aproveitamento do tempo livre, sobretudo, via segunda residência. (SENA; QUEIROZ, 2006, p. 98).
A aquisição dessas residências é influenciada por alguns fatores; Sena e Queiroz (2006, p. 97) ressaltam que:
A residência secundária pressupõe a disponibilidade de uma renda excedente, pois implica em custos com a compra do terreno, construção do imóvel (quando não se compra o imóvel construído), impostos, manutenção e meio de transporte para o deslocamento pendular (geralmente automóvel particular).
Mesmo quando os proprietários possuem automóvel particular, a localização dessas residências também é fator fundamental na decisão de compra.
Expressão maior do turismo de fim de semana (embora possa também ser utilizada nas férias), a residência secundária tem sua localização definida pela relação tempo-custo-distância. Esses fatores podem contribuir para a valorização de recursos naturais e culturais mais próximos dos centros emissores, que são preferidos a outros, de qualidade superior, porém mais distantes. (TULIK, 1993, p. 29 apud TULIK, 2001, p. 13).
Segundo Baud-Bovy e Lawson (1997 apud TULIK 2001, p. 12): “A distância entre a residência secundária e a permanente varia conforme o tamanho da área urbana emissora: 100 km para habitantes de pequenas cidades e 150 a 200 km para os que vivem em cidades com mais de um milhão de habitantes.”
Atualmente os centros urbanos estão cada vez mais saturados, o que faz com que as pessoas busquem nas residências secundárias um refúgio: “As segundas residências supõem um contraste com a vida diária”. Além disso, “Este tipo de residência oferece experiências rurais e naturais ausentes na vida urbana”. (JAAKSON, 1986 apud COBUCI; KASTENHOLZ, 2011, p. 129).
A importância da proximidade com a vida mais próxima a recursos naturais nas residências secundárias também é destacada por Coppock (1977 apud TULIK, 2001, p.13): “a distância dos maiores centros da população; a qualidade ou as características da paisagem; a presença de mar, rios e lagos; a presença de outros recursos recreacionais; a possibilidade de terra (espaços vazios); o clima das regiões receptoras e emissoras”.
As residências de uso ocasional no estado de São Paulo tiveram aumento significativo na comparação entre 1980 e 1991. Segundo Tulik (2001), em 1980 as residências de uso ocasional representavam 3,28%; já nas pesquisas de 1991 essas residências representavam 4,84%.
A cidade de Piracaia, onde é localizada a comunidade que foi estudada pela autora deste artigo, em uma escala que varia entre 10,1 % a 20%, que representa a categoria média de expressividade por municípios na presença de residências secundárias, nas pesquisas de 1991 aparece com 14,41%, ocupando assim a vigésima terceira colocação em um ranking de cinquenta e seis municípios. (TULIK, 2001, p. 29-34)
2. Turismo Esotérico
É cada vez mais comum que o homem busque práticas alternativas para ampliar seu desenvolvimento, ou seja, buscar autoconhecimento e experiências diferentes de seu cotidiano. Para isso buscam locais que as possibilite vivenciar experiências diferentes. “Em comum, há o espaço para que as pessoas atinjam um nível diferente de consciência, através de práticas como a meditação, e todas colecionam histórias
e lendas muito além da imaginação.” (ANDREW, 2012). Este tipo de exercício é comumente intitulado de esoterismo, isto porque este tipo de busca não é corriqueiro na tradição ocidental, sendo mais próxima da cultura oriental. (DIAS, 2008, p. 367).
Para realizar a procura pelo “não convencional” é cada vez mais constante a prática do que é classificado como turismo esotérico, ou seja:
O viajante busca, em sua jornada, a mudança baseada na liberdade e desejo de errância e o transcender das fronteiras físicas, numa metáfora de superação de limites individuais, para voltar as origens, e de alguma forma, refletir e descobrir mais sobre sua própria existência (MAFFESOLI, 2001, p. 70 apud DIAS, 2008, p. 369)
Este tipo de atividade tem se desenvolvido em diversas regiões, e ganhado espaço na economia de algumas localidades:
Segundo a Análise Regional do Turismo Brasileiro, o turismo religioso, que é um parente próximo do esotérico, foi listado em mais de 50 localidades no Brasil: padrão, ritual e de espetáculo. Comunidades inteiras vivem do turismo esotérico seja oferecendo hospedagem, alimentação, guias, lembrancinhas, etc. (ANDREW, 2011)
Algumas localidades já são tradicionalmente conhecidas por seus visitantes buscarem a prática desta atividade turística; uma dos tradicionais destinos místicos é a cidade de Machu Picchu, localizada no Peru:
A cidadela dos incas - localizada a cerca de 10 quilômetros de Cuzco, a 2130 metros de altitude - tem servido como ponto de contato com todo tipo de entidades ou situações místicas, tornando-se um dos locais mais visitados por turistas de todo o planeta. Acredita-se que Machu Picchu é um dos principais centros energéticos do planeta Terra. (HOTÉIS E POUSADAS, 2010).
Além disso, no Brasil algumas localidades também tem se destacado: São Thomé, Chapada dos Veadeiros, Serra do Roncador, Vale do Amanhecer, Céu do Mapiá, dentre outros destinos. (ANDREW, 2011).
A comunidade Nova Atlântida, local que será estudado neste artigo, não é somente um grupo de residências secundárias. A particularidade da comunidade é a prática do turismo esotérico ou esoturismo. Para Beni (2007, p.476):
Turismo esotérico ou esoturismo: Denominação dada a grupo de pessoas que se deslocam, na maioria das vezes em roteiros programados, para visitar cidades ou lugares com egrégoras (concentração de energias) facilitadoras de experiências e vivências internas e/ou exteriorizadas como Machu Pichu, no Peru, locais de reconhecida vibração energética como a Chapada Diamantina, Auto Paraíso, São Tomé das Letras e muitos outros, de avistamentos
regulares de objetivos voadores não identificados e, ainda, a outros pontos de forte apelo místico.
O local associa dois fenômenos comuns do turismo na atualidade: as casas de temporada e o esoterismo, ou seja, o ritmo acelerado e estressante das grandes cidades contribuiu para que as pessoas começassem a buscar um local que também tenha sua personalidade, uma segunda residência e ao mesmo tempo estas passam a procurar uma forma de melhor enxergar e conviver com seu cotidiano, aproximando-se mais da natureza e praticando a busca por autoconhecimento, por exemplo, por meio da meditação.
3. A cidade de Piracaia
Cidade localizada a aproximadamente 90 km da cidade de São Paulo, com cerca de 25 mil habitantes (PIRACAIA, 2012), teve sua fundação ocorrida em 16 de junho de 1817 e o desenvolvimento desta não demorou para acontecer:
Com o rápido desenvolvimento da população, culminou a sua elevação à Freguesia por lei provincial de 05 de Março de 1836 sendo mais tarde, em 24 de março de 1859 elevada a categoria de Município através da lei de nº651 e em 25 de Agosto de 1892 pela lei de nº80 à Comarca. (PORTAL DE PIRACAIA, 2012)
No princípio o nome da cidade era também o nome de seu padroeiro, Santo Antônio da Cachoeira. “O nome "PIRACAIA" origina-se do guarani, que significa ‘reunião de peixes’. Santo Antônio da Cachoeira passa a chamar-se Piracaia em 20 de Março de 1906.” (PORTAL DE PIRACAIA, 2012).
Para chegar até a cidade partindo da cidade de São Paulo, a principal via de acesso é a Rodovia Fernão Dias. É também possível fazer o trajeto por meio da Rodovia Dom Pedro I, que atende quem parte de Campinas, São José dos Campos e região.
Figura 1 – Mapa de acesso à cidade de Piracaia
O município tem desenvolvido seu potencial turístico, principalmente atraindo àqueles adeptos que gostam de unir lazer e natureza:
Se você gosta de fazer turismo ecológico, Piracaia é uma excelente dica. Ali é possível fazer trilha, tomar banho de cachoeira e comer muito bem - as trutas fazem a fama da cidade. Os entendidos dizem que o clima de montanha, mais fresco, favorece a criação deste peixe que é parente do salmão. (SÃO PAULO, 2010).
Em meio à Mata Atlântica remanescente, o turista que visita a cidade pode apreciar diversas atividades do ecoturismo, além disso, pode também aproveitar toda a hospitalidade do cidadão de Piracaia, desfrutar desde o leite tirado na hora até a cachaça que pode ser encontrada em um dos alambiques da cidade. (EQUIPE ECOVIAGEM, 2004). Além disso, a cidade conta com atrativos que podem atrair o turismo religioso.
[...] como a igreja matriz Santo Antônio da Cachoeira - é a segunda igreja no mundo que possui pinturas no teto de todos os papas da igreja católica desde São Pedro (a outra é a de São Paulo Apóstolo em Roma). O altar é todo decorado com 13 quilos de folhas de ouro. (SÃO PAULO, 2010).
Recentemente grande parte do centro histórico da cidade foi tombado; algumas construções como a igreja do Rosário e a matriz de Santo Antônio não poderão sofrer qualquer alteração, enquanto outras dependerão da aprovação do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).
A resolução protege as praças Santo Antônio e Júlio de Mesquita, que abrangem a Igreja Santo Antônio, o Antigo Teatro e Cinema Sant' Áurea, o edifício que abriga o Centro Cultural Walter Puccinelli (antiga Câmara Municipal), e outros seis imóveis localizados no conjunto. Também ficam tombados a Igreja do Rosário, o antigo
Fórum e Cadeia, a estação da Estrada de Ferro Bragantina e outras três residências. (UOL VIAGEM, 2012).
Além da diversificada oferta de atrativos naturais, históricos e religiosos o visitante pode adquirir e contribuir com a economia local visitando a Casa do Artesão Antônio Bonetti que “tem telhado de madeira reciclável, composto por tubos de pasta de dente. Foi inaugurada em 2008, pelo Governo do Estado para abrigar exposições de artistas e produtos da região.” (SÃO PAULO, 2010).
A autora deste artigo trouxe para discussão algo diferente dos atrativos naturais e históricos já conhecidos da cidade de Piracaia; o estudo desenvolvido foi sobre a comunidade Nova Atlântida, que tem como propósito principal o desenvolvimento de estudos místicos.
4. Comunidade Nova Atlântida
A comunidade Nova Atlântida, atualmente conta com 53 casas e está localizada a aproximadamente 15 km do centro de Piracaia. A escolha do local de instalação é resultado da “intuição” da gestora (MARTINS, 2012), e é um exemplo de uma comunidade caracterizada pelo turismo de segunda residência e o esoturismo. Nela os proprietários fazem parte de uma “comunidade” com princípios em comum; são eles: ter respeito pelo próximo, aceitar a individualidade de todos, ter respeito com a natureza e também com as crianças. (MARTINS, 2012).
Apesar do principal motivo da criação da comunidade ser a difusão dos princípios do autoconhecimento e manutenção dos princípios citados acima, é possível visualizar também o interesse econômico que este tipo de comunidade pode causar, considerando que há um proprietário que possui nove imóveis e aluga oito destes.
Figura 2 – Percurso entre a cidade Piracaia e a Comunidade Nova Atlântida
Na Nova Atlântida há uma particularidade, o desenvolvimento do grupo “Ordem, Princípio e Luz” (uma extensão da sua filial, que fica localizada na região leste de São Paulo, onde há atendimento à comunidade todas as segundas-feiras), que se trata de uma “Entidade filantrópica, uma pessoa jurídica que presta serviços à sociedade, sem fins lucrativos, e tem como objetivo principal o desenvolvimento de estudos destinados ao desenvolvimento pessoal de todos aqueles que se dedicam a assuntos místicos.” (SILVA, 1991, p. 3 v). Criado por Helena Martins, “psicoterapeuta holística (CRT 33420) especializada em autoconhecimento e autocontrole”. (MARTINS, 2012).
O grupo atualmente conta com aproximadamente 500 afiliados e atende mais ou menos 150 pessoas por semana - e esse atendimento engloba desde uma cesta básica a um conselho ou uma palavra. (SILVA, 2012).
Na comunidade, além do curso de autoconhecimento, que pode ser feito por todos aqueles que tenham real interesse de se “desvendar” e melhorar seu desenvolvimento espiritual. Outra atividade desenvolvida é a “casuloterapia” que permite que:
Isolado do cotidiano, o indivíduo tem oportunidade de observar de uma perspectiva mais distante e detalhada e integralmente hábitos, dificuldades e realizações. A cada detalhe observado, será incentivado a trabalhar os próprios sentimentos. Poderá rever a própria vida, voltar no tempo e descobrir a ameaça que hoje gera suas dificuldades. (MARTINS, 2012).
A atividade tem o objetivo de “Instrumentar (sic) o indivíduo para que descubra a verdadeira força interior e utilize-a para o sucesso pessoal e profissional.” (MARTINS, 2012)
Para adquirir um terreno ou casa nessa comunidade, não necessariamente o interessado precisa participar do curso de autoconhecimento ou qualquer outra atividade ministrada pela fundadora, mas é fundamental que este compartilhe dos princípios da comunidade citados anteriormente. A fundadora da comunidade, Helena Martins, é também proprietária de toda a extensão da comunidade Nova Atlântida que foi loteada para comercialização; por este motivo uma vez que o indivíduo tenha interesse em adquirir uma residência dentro da comunidade ele terá de passar por uma entrevista pessoal com a gestora, para que a mesma o aprove.
Figura 3 – Comunidade Nova Atlântida
5. Estudo sobre os proprietários das segundas residências
Com o objetivo de descobrir qual a principal motivação para que os proprietários da comunidade Nova Atlântida adquirissem suas segundas residências no local estudado, bem como para traçar o perfil destes e suas principais atividades no local, a autora enviou 30 questionários aos proprietários por email ao grupo online desta, número este que representa apenas aqueles que têm residência na Nova Atlântida, mas não moram nela.
O questionário contemplou perguntas abertas, que eram a maior parte, pois para o objetivo do estudo era necessário que os entrevistados tivessem liberdade de expressar sua real opinião sobre alguns questionamentos específicos, e algumas perguntas fechadas. Para a realização da análise das perguntas abertas foi feito a leitura de todos os formulários preenchidos e após o exame foi possível traçar as situações mais expressadas pelos entrevistados.
Todas as entrevistas foram realizadas por meio da internet. Inicialmente o projeto era visitar os proprietários em suas segundas residências para realizar o questionário pessoalmente. Isto se tornou inviável devido ao fato de que nem todos os proprietários estariam na comunidade nos finais de semana em que as entrevistas deveriam ser aplicadas. Por este motivo, no período de julho a agosto de 2012, foi encaminhado a 30 proprietários o questionário online; destes 25 responderam a pesquisa, contribuindo para a construção deste artigo.
5.1 Caracterização do público
Após a tabulação dos dados, pode ser observado que a maior parte dos proprietários é do sexo masculino, representando 64% dos participantes da pesquisa, enquanto as proprietárias representam 36% apenas do público entrevistado. Foi possível notar também que a faixa de idade destes não é baixa; não há, por exemplo, nenhum entrevistado com menos de 30 anos, sendo a média de idade ao redor dos 44 anos.
Todos os entrevistados moram na cidade de São Paulo, e quando questionado sobre como conheceram a comunidade Nova Atlântida, 84% informaram que foi por meio de amigos e parentes, enquanto que 16% conheceram primeiramente o grupo Ordem, Princípio e Luz, que como mencionado tem sua sede na região leste da cidade de São Paulo e atende a comunidade todas as segundas feiras. Após conhecer a Ordem e participar de atendimentos realizados na casa, estes passaram a ter conhecimento sobre a comunidade Nova Atlântida.
Quando questionados sobre a data de aquisição de casas ou terrenos na comunidade, apurou-se que a mais antiga dentre o grupo foi construída em 1992, enquanto que as três mais atuais foram arquitetadas em 2012. Boa parte das casas foram construídas no ano de 2004, ou seja, trata-se de casas novas. Em todos os lotes da comunidade existem regras a respeito da construção das casas, existem alguns tipos de materiais que devem ser utilizados, como por exemplo, tijolos vermelhos, isto acontece para que a comunidade mantenha um padrão. Além disso, como uma opção mais econômica aos proprietários, há um projeto feito por uma engenheira membra da comunidade, em que os interessados adquirem cotas e estas são construídas em um modelo padrão, ou seja, mesmo formato e dimensões
da casa. Isto faz com o que o custo diminua e que o proprietário não precise se preocupar com a construção, já que está é feita pelos mesmos funcionários sempre.
5.2 Motivação e principais atividades dos proprietários
Questionou-se aos participantes “qual sua principal motivação para adquirir sua segunda na comunidade?”. A análise dos questionários possibilitou identificar que um dos principais fatores para o desenvolvimento da Nova Atlântida foi a presença do Rancho Querência, local onde são realizados os cursos de autoconhecimento do grupo Ordem, Princípio e Luz, e onde também é possível dormir, porém em quartos comunitários durante os finais de semana de curso. Neste sentido, pode-se destacar um depoimento: “Faço parte do grupo de estudos místicos da Ordem, Princípio e Luz. Por este motivo, o meu desejo de ter um cantinho dentro da nossa comunidade sempre foi muito grande, para que pudesse estar mais fácil de participar de todos os estudos, trabalhos e encontros.”.
No entanto, assim como as leituras para realização deste artigo refletiram, grande parte do grupo que participou respondendo à pesquisa destaca que adquiriram suas segundas residências para se sentirem com a sensação de ter um “segundo lar”, com suas características, sendo que estas ficam longe daquilo que prende o indivíduo ao seu cotidiano, ou seja, um local familiar onde ele pode se libertar de sua rotina. Outras frases dispostas nos formulários online foram: “Necessidade de libertar o corpo e a alma para enfrentar o dia a dia da cidade grande”, ou ainda, “Necessidade de recarregar o corpo e a alma em um lugar só meu para enfrentar o dia a dia da cidade grande”.
Somente dois dos 25 entrevistados destacam terem adquirido suas segundas residências na comunidade com a finalidade de investimento; um destes tem aproximadamente oito casas no condomínio, uma para uso próprio e as demais para locação, que quase sempre são feitas para aqueles que realizam o curso, mas não têm residência e nem querem ficar no Rancho.
Para investigar o comportamento dos proprietários na comunidade, duas questões foram aplicadas: “Qual seu principal objetivo quando viaja para a sua segunda residência?” e “Quais são suas principais atividades quando está na comunidade?”. A partir destas perguntas foi possível perceber que a maior parte dos participantes destaca que o seu principal objetivo ao realizar sua viagem é o descanso, e também
participar dos cursos ministrados no local. Na avaliação referente às atividades realizadas no local, podem-se destacar as seguintes afirmações: “Participar dos nossos cursos, cuidar dos animais, plantas, a minha casinha e ajudar na administração do condomínio”. Outro afirma: “Aproveitar a natureza, observar o que acontece ao nosso redor quando não temos muita tecnologia por perto”. Outras citadas, de forma genérica, foram: meditar, nadar, fazer caminhadas, pescar, ler e participar de confraternizações entre amigos.
Quando indagado aos participantes “De que forma ir à comunidade influencia seu cotidiano?” é importante ressaltar que todos afirmam que voltam a sentir tranquilidade para seguirem suas rotinas, ou seja, mesmo para aqueles que não participam do curso, o local é considerado uma comunidade tranquila, onde os frequentadores “sentem suas energias renovadas a cada visita”, afirmam alguns dos entrevistados. Outros ressaltam que a partir de suas visitas passam a ter maior autocontrole no seu dia a dia, e há ainda quem afirma que “Ir a comunidade já faz parte da minha vida, não é ela que influencia meu cotidiano, e sim meu cotidiano que me faz ter a necessidade de ter um pouco de paz, e por isso ir à comunidade”.
5.3 Caracterização das visitas
Questionou-se “Quem costuma acompanhar você nestas viagens?” aos participantes e, com 24% das respostas dos entrevistados, duas alternativas ficaram empatadas como as mais citadas: “amigos” e “cônjuge”. Para 20% dos participantes as viagens são acompanhadas de grupo familiar, 16% afirmaram que fazem suas viagens sozinhos e os demais 16% realizam esta acompanhados de casais com filhos. Nenhum dos participantes afirmou que faz suas viagens acompanhado de casais sem filhos.
A partir deste questionamento, foi possível perceber que os grupos que frequentam a comunidade são bem diversificados, afinal encontrou-se desde o proprietário que viaja sem nenhum acompanhante até aquele que leva não somente sua esposa e filhos, mas demais membros da família.
No momento em que foi questionado aos entrevistados “Em que momento da semana costuma acontecer suas viagens à comunidade Nova Atlântida?”, 80% dos
participantes afirmou realizar suas visitas apenas nos finais de semana, enquanto que 20% afirmou realizá-las durante a semana e aos finais de semana. Nenhum dos entrevistados afirma ir à comunidade apenas nos dias de semana, o que demonstra que os frequentadores, donos das residências, em sua maioria, utilizam suas casas para uso de lazer e para realização do curso, por isso a maior incidência ficou representada pela resposta “somente aos finais de semana”.
Para verificar a tendência das viagens para segunda residência apenas nos finais de semana de curso, que ocorrem uma vez por mês para cada turma, foi questionado “Você costuma viajar para sua segunda residência?”. Dos respondentes, 36% afirmaram ir à comunidade uma vez por mês e outros 36% afirmaram ir três vezes por mês. Também se apurou que 16% vão quatro vezes ou mais para sua segunda residência e 12% vão duas vezes por mês. A partir deste resultado é possível perceber que, somados, 64% dos entrevistados costuma ir para a comunidade mais de uma vez por mês, o que demostra que estas visitas não são feitas apenas para realização do curso.
5.4 Participação na OPL (Ordem, Princípio e Luz)
A partir do questionamento “Você faz do grupo OPL?” a maior parte (92%) dos entrevistados afirmou fazer parte desta, e apenas 8% não tem nenhum tipo de ligação com a Ordem, Princípio e Luz. Para entender um pouco mais sobre a participação destes no grupo, perguntou-se “Por que você decidiu fazer parte deste grupo?”. Analisando as afirmações, a maior parte dos entrevistados disse que sua principal motivação para fazer parte do grupo foi a necessidade de buscar autoconhecimento; alguns deles afirmam que já passaram por alguns grupos religiosos, mas que se encontraram dentro da proposta estabelecida pela OPL.
Dentre as respostas dos participantes, uma chama atenção, pois vem de um dos membros que por muito tempo teve participação ativa no grupo, mas teve conflitos com a administração; apesar disso afirmou fazer parte da Ordem ainda, mas ele já não mais frequenta os cursos ou a sede em São Paulo. O mesmo afirma que está
“Buscando conhecimento e principalmente estudar espiritualidade. Passei por experiências incríveis, conhecendo o bem e o mal que existe dentro de mim. Aprendi que fé esta dentro de cada ser humano, nosso coração é que determina o momento exato de se descobrir e se preparar para ser uma pessoa melhor, eu descobri também que política e dinheiro não se misturam com aquilo que
buscamos de Deus, o homem é pretencioso e pequeno demais e as vezes confunde seu papel diante da fé, e isto acaba se cristalizando em egoísmo e poder. Sou grato a minha mestra maior por ter me ensinado tudo aquilo que aprendi.”.
Para verificar qual a real relação entre o grupo Ordem, Princípio e Luz e o desenvolvimento da Nova Atlântida, foi questionado se “Você teria casa na comunidade se o grupo não existisse? Por quê?”. A maior parte (60%) dos entrevistados afirma que não teriam casa na comunidade, e que não enxerga outra forma de conhecer o local a não ser por intermédio do próprio grupo, ou até mesmo que ter casa na comunidade é algo necessário para ter melhor comodidade para os momentos em que precisa viajar para realizar os cursos. Uma das entrevistadas afirma: “Não, porque provavelmente eu teria uma casa na praia ou num local focado no turismo tradicional. Não consigo ver a importância de ter uma casa neste local sem a OPL”. Outra resposta, mais crítica, foi a seguinte: “Não, acho que se não fizesse parte da OPL, eu nem teria conhecido esta comunidade. Seria pouco provável que teria uma segunda casa lá, porque apesar de ter um significado espiritual e emocional muito forte, lá não tem os requisitos que aprecio como cachoeiras, a terra é muito ruim para se plantar, os jardins não crescem porque o clima é frio, seco e venta muito.”
Para os 40% que afirmam que teriam casa no local mesmo sem a existência da OPL, as opiniões foram bem diferentes das citadas acima. Estes alegam que, com certeza, construiriam suas casas no local, pois se identificam com ele e veem nele um refúgio e que a OPL, na maioria dos casos, só foi o meio facilitador para que eles pudessem conhecer a região. Dentre as afirmativas destaca-se: “Sim, com certeza, amo os animais, terra, natureza e tranquilidade. O local reúne todas essas características.”. Outra proprietária coloca que: “Sim, porque necessito estar em contato com o campo. Entendo, que as pessoas que estariam lá compartilhariam das mesmas ideias e necessidades”.
A partir deste questionamento foi possível perceber o quanto a OPL influenciou no desenvolvimento do local e quanto a mesma é vital para que a comunidade se mantenha. Um dos entrevistados, por exemplo, como citado anteriormente, viu na comunidade a oportunidade de aumentar seus lucros, e as locações de suas casas, são feitas, na sua maioria, justamente por participantes da OPL que não tem casa no local.
6. Considerações Finais
Cada vez mais as pessoas demonstram a necessidade de ter um local para se refugiar do ambiente que as lembre de estresse, trabalho e rotina. Adquirir uma residência secundária seria, assim, uma forma de sentir que há um pedaço de sua “privacidade” que ainda não foi dominada pelo dia a dia, e que apesar de ser uma propriedade sua, nela você teria a liberdade que precisa para descansar, estar com sua família e amigos dentro de um ambiente com suas características.
Considerando apenas os efeitos positivos do turismo de segunda residência, as cidades que o abrigam, tais como as do interior de São Paulo, acabam ganhando movimentação em suas economias, pois como o exemplo da comunidade estudada, muitos destes locais são afastados muitas vezes até mesmo das cidades em que se localizam, fazendo com que os donos destas segundas residências consumam na cidade, caso necessitem de algo, desde uma compra de mercado até a própria construção da casa, pois é menos custoso para eles adquirirem móveis e materiais na cidade para economizar com fretes e outros gastos relacionados.
Este estudo teve como objeto a comunidade Nova Atlântida, uma comunidade onde a presença do turismo de segunda residência é alta e tem ainda com o diferencial de ter práticas esotéricas ligadas diretamente ao local.
A partir da leitura de artigos e trabalhos acadêmicos, bem como material da imprensa, além das observações in loco da pesquisadora e entrevistas com os proprietários, foi possível construir um panorama sobre como este prática de turismo se desenvolve e como esta aconteceu no local estudado.
Com os levantamentos foi possível identificar características curiosas, como por exemplo, o fato de um grupo de estudos influenciar as pessoas a ponto de fazê-las adquirirem uma segunda residência em um local que muitas vezes não seria sua principal opção de lazer. Ou o fato de que, mesmo com a total discordância com o tipo de administração, o entrevistado se sentir ainda parte do grupo OPL, mostrando mais uma vez a força que este exerce sobre seus participantes.
Em suma, este estudo teve sua importância em discutir um pouco mais o turismo de segunda residência, bem como ter a oportunidade de entender as preferências de um público específico realizando turismo, que tem como principal finalidade o estudo e o autoconhecimento. Analisando suas motivações e hábitos, para que aqueles que
não têm acesso direto possam entender um pouco das características destes e possivelmente possam desenvolver trabalhos sobre grupos específicos e suas peculiaridades e tipos de práticas turísticas.
Referências
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Apêndice 1 – Questionário aplicado
Questionário - Segunda Residência Comunidade Nova Atlântida
Entrevistador: Bruna Colivati
1. Qual sua idade? __________________
2. Sexo
( ) Masculino ( ) Feminino
3. Você mora em São Paulo-SP? Se não, em qual cidade?
( ) Sim ( ) Não. Cidade: 4. Como conheceu a Comunidade Nova Atlântida?
( ) Amigos e parentes ( ) Internet ( ) Outro:
5. Quando adquiriu casa na comunidade?
6. Qual a principal motivação para adquirir sua segunda residência na comunidade?
7. Qual seu principal objetivo quando viaja para sua segunda residência?
8. Quais são suas principais atividades quando está na comunidade?
9. De que forma ir à comunidade influencia seu cotidiano?
10. Quem costuma acompanhar você nestas viagens?
( ) Sozinho ( ) Cônjugue
( ) Casal sem filhos ( ) Casal com filhos ( ) Grupo familiar ( ) Amigos
( ) Outros:
___________________________________
11. Em que momento da semana costuma acontecer suas viagens à comunidade Nova Atlântida?
( ) Durante a semana
( ) Durante a semana e aos finais de semana
( ) Nos finais de semana somente
12. Você costuma viajar para sua segunda residência:
( ) 1 vez por mês ( ) 2 vezes por mês ( ) 3 vezes por mês
( ) 4 ou mais vezes por mês
13. Você faz parte do grupo “Ordem, Princípio e Luz”?
( ) Sim
( ) Não (Pular para pergunta 15)
14. Por que você decidiu fazer parte deste grupo?
15. Você teria casa na comunidade se o grupo não existisse? Por quê?