DEISE LOHN
GESTÃO FINANCEIRA BASEADA NO FLUXO DE CAIXA PARA A
EMPRESA SIGNATURE MODAS E CONFECÇÕES LTDA
Tijucas 2009
DEISE LOHN
GESTÃO FINANCEIRA BASEADA NO FLUXO DE CAIXA PARA A
EMPRESA SIGNATURE MODAS E CONFECÇÕES LTDA
Trabalho de Conclusão de Estágio apresentado como requisito parcial para a obtenção do título em Bacharel em Administração, pela Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Ciências Sociais Aplicadas Gestão - CECIESA.
Orientadora: Profa. MSc. Marisa Pigatto
Tijucas 2009
Agradeço, a minha filha, por aceitar e entender a necessidade da minha ausência.
Aos meus pais, irmãos, meu namorado, pelo carinho e apoio, para que eu chegasse até esta etapa de minha vida. A professora Marisa pela paciência e incentivo na orientação, por se tornar uma amiga nesta caminhada.
Ao professor Nelson por seu apoio e inspiração no amadurecimento dos meus conhecimentos que me levaram a execução deste trabalho.
A Berenice, supervisora de campo, pelo convívio, apoio, paciência, incentivo e pela amizade.
Aos amigos e colegas, em especial, Jane e Renata, por me ouvir, pela companhia e pelo apoio constante.
A todos que, de alguma maneira, colaboraram para a realização deste trabalho, muito obrigada!
De nada valem as idéias sem homens que possam pô-las em prática. Karl Marx
EQUIPE TÉCNICA
a) Nome do Estagiário Deise Lohn b) Área de Estágio Financeira c) Supervisora de campo Berenice de Oliveira d) Orientador de Estágio Prof ª Marisa Pigattoe) Professor Responsável pelo Estágios Prof º Luciano Dalla Giacomassa
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA
a) Razão social
Signature Modas e Confecções Ltda
b) Endereço
Rua 13 de novembro, n.º 01 - sala 03 - Centro - Tijucas - SC
c) Setor de desenvolvimento do estágio Administrativo - Financeiro
d) Duração do estágio 240 horas
e) Nome e cargo do supervisor de campo
Berenice de Oliveira – Gerente Administrativo
AUTORIZAÇÃO DA EMPRESA
Tijucas, 03 de Junho de 2009.
A Empresa Signature Modas e Confecções Ltda, pelo presente instrumento, autoriza a Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI, a publicar, em sua biblioteca, o Trabalho de Conclusão de Estágio executado durante o Estágio Supervisionado, pela acadêmica Deise Lohn.
__________________________________ Berenice de Oliveira – Gerente Administrativo
RESUMO
O presente trabalho acadêmico teve o objetivo de implantar um modelo de Fluxo de Caixa como ferramenta de apoio à gestão financeira da empresa Signature Modas e Confecções Ltda. A fundamentação teórica concentrou-se na obtenção de informações específicas da área financeira para a elaboração do modelo. Quanto ao método, o trabalho caracterizou-se como avaliação formativa, no qual a pretensão é melhorar um programa e acompanhar sua implementação, o delineamento foi definido como pesquisa ação. A coleta de dados foi realizada através de dados primários e secundários, sendo que os dados primários foram coletados a partir da observação e de uma entrevista, e os dados secundários foram coletados através da documentação existente na empresa. A análise dos dados foi realizada por meio da abordagem qualitativa, na qual foi realizada a descrição através da caracterização da empresa. Posteriormente levantou-se as contas pertinentes as entradas e saídas e elaborou-se o modelo de Fluxo de Caixa do qual foi implementado na empresa, através da utilização de planilhas eletrônicas. Com isso, a empresa passou a acompanhar suas receitas e despesas e consequentemente ter a possibilidade de conhecer o resultado financeiro ao final de cada período. Conclui-se que o trabalho serviu como ferramenta para uma melhor estruturação da função financeira na empresa.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 Informações genéricas do Fluxo de caixa... 32
Quadro 1 Plano de contas da tesouraria... 36
Quadro 2 Modelo de apresentação de débito e crédito de uma conta... 37
Quadro 3 Demonstração de fluxo de caixa método direto... 38
Quadro 4 Fluxo de caixa de longo prazo – empresa industrial e de serviço... 39
Quadro 5 Associação entre as contas do Balanço Patrimonial e Fluxo de Caixa... 41 Quadro 6 Demonstração de fluxo de caixa método indireto... 41
Quadro 7 Fluxo de caixa pelo método indireto... 42
Figura 2 Layout da empresa... 53
Figura 3 Organograma Signature Modas e Confecções Ltda... 54
Figura 4 Fluxograma da empresa Signature Modas e Confecções Ltda... 56 Quadro 8 Contas a pagar... 58
Quadro 9 Contas a receber... 58
Quadro 10 Movimentação financeira... 59
Quadro 11 Plano de contas da empresa Signature... 61
Figura 5 Planilha do Plano de contas da empresa Signature... 62
Figura 6 Planilha do Livro de Caixa... 63
Figura 7 Filtro... 65
Figura 8 Personalizar Auto Filtro... 66
Figura 9 1º Passo Assistente de Tabela dinâmica... 67
Figura 10 2º Passo Assistente de Tabela dinâmica... 68
Figura 11 3º Passo Assistente de Tabela dinâmica... 68
Figura 12 Layout... 69
Figura 13 Campo da tabela dinâmica... 70
Figura 14 Decompondo os dados de uma conta... 72
LISTAS DE TABELAS
Tabela 1 Comparativo entre os regimes de competência e de caixa... 23
Tabela 2 FC obtido através da Tabela Dinâmica... 70
Tabela 3 FC após a formatação... 71
Tabela 4 FC com divisão das subcontas... 73
Tabela 5 FC Diário... 75
Tabela 6 FC Diário acumulado... 75
Tabela 7 Subcontas... 79
LISTA DE ABREVIATURAS
BP – Balanço Patrimonial
CCL – Capital Circulante Líquido CG – Capital de Giro
DFC – Demonstração de Fluxo de Caixa
DLPA – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados DMPL – Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido DOAR – Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos DRE – Demonstração de Resultado do Exercício
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO... 14 1.1 OBJETIVO GERAL... 15 1.2 OBJETIVO ESPECÍFICO... 15 1.3 JUSTIFICATIVA... 16 2 FUNDAMENTACAO TEORICA... 17 2.1 FINANÇAS... 172.2 A FUNÇÃO FINANCEIRA NA EMPRESA... 19
2.3 ADMINISTRAÇÃO DE CAPITAL DE GIRO... 21
2.4 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS... 22
2.4.1 Demonstração do Resultado do Exercício... 25
2.4.2 Balanço Patrimonial... 26
2.4.3 Demonstração de Lucro ou Prejuízos Acumulados... 26
2.4.4 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido... 27
2.4.5 Demonstração das Origens e Aplicações de Reforços... 28
2.5 FLUXO DE CAIXA... 29
2.5.1 Administração de Contas a Pagar... 32
2.5.2 Administração de Estoques... 33
2.5.3 Administração de Contas a Receber... 34
2.5.4 Modelos de Apresentação de Fluxo de Caixa... 35
2.5.5 Fluxo de Caixa Projetado... 44
3 MÉTODO... 48
3.1 DELINEAMENTO... 48
3.2 POPULAÇÃO... 49
3.3 COLETA DE DADOS... 49
3.4 TRATAMENTO DOS DADOS... 50
4 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA... 52
5 FLUXO DE CAIXA APLICADO... 60
5.1 PLANO DE CONTAS... 60
5.2 MODELO APLICADO... 63
5.3 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA... 77
5.3.1 Análise das Contas da Empresa... 78
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS... 81
REFERÊNCIA... 84
ANEXOS... 86
1 INTRODUÇÃO
Com a crescente competitividade, as empresas enfrentam um ambiente cada vez mais complexo, onde são forçadas a mudar suas políticas para se adequar às novas exigências do mercado. Para isso, é indispensável a busca constante de melhorias no processo de gestão, além de oferecer produtos de melhor qualidade.
Sabe-se que, atualmente as empresas criam estratégias para atender o mercado através da produção de bens e serviços que a sociedade busca para a satisfação, não só das suas necessidades fisiológicas, mas, cada vez mais, dos seus desejos. A partir da percepção da empresa em relação ao mercado, é possível acompanhar as tendências e obter a remuneração necessária para manter o negócio e permitir o reinvestimento para manutenção da empresa.
Deve ser considerado também que os avanços tecnológicos contribuem para desenvolver produtos com a velocidade demandada pelo mercado e integrá-los, assim como a agilidade e melhor controle das operações realizadas pela empresa. Imaginar as contas a pagar e a receber, controladas em pastas e o acúmulo de papéis não é mais possível com toda tecnologia disponível.
Pode-se destacar então, o uso de softwares e a criação de um banco de dados, que pode ser acessado por pessoas autorizadas através de senhas de segurança. Como resultado, obtém-se a minimização dos papéis, agilidade nos pagamentos e o desenvolvimento de um bom Fluxo de Caixa, assim como os meios de comunicação, onde as informações são transmitidas em tempo real. Esses são alguns exemplos de melhorias proporcionadas nos processos de gestão empresarial.
Para as empresas sobreviverem no atual cenário, atingir seus objetivos e consequentemente obter a rentabilidade desejada, destaca-se a necessidade da administração financeira. Ela tem um papel importante no desenvolvimento das atividades empresariais, serve como base para a verificação de sua capacidade de crescimento, é responsável pela análise dos recursos necessários para um empreendimento, os recursos que estão disponíveis e assim possuir um equilíbrio financeiro para coordenar as atividades.
A falta de conhecimento e da utilização das ferramentas disponíveis provoca imperfeições na tomada de decisões das empresas, debilita o setor financeiro e compromete sua sustentação no mercado devido a falta de controle nas ações financeiras.
Esse cenário desfavorável chamou a atenção da empresa Signature Modas e Confecções Ltda, que trabalha com confecção da linha de vestuário voltada ao público feminino, devido a utilização de poucos instrumentos para uma adequada gestão financeira.
Este trabalho tem como proposta aperfeiçoar o método de controle das movimentações financeiras a fim de que a empresa possa realizar o gerenciamento financeiro de maneira eficiente, proporcionar uma visão clara do capital, com o objetivo de verificar as operações financeiras, ou seja, suas receitas e a capacidade de pagar as despesas, permitir que a empresa tenha a capacidade para medir a liquidez das operações sobre o comportamento do caixa.
1.1 OBJETIVO GERAL
Implantar um modelo de Fluxo de Caixa como ferramenta de apoio a gestão financeira da empresa Signature Modas e Confecções Ltda.
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Verificar a atual situação de controle financeiro da empresa; Levantar as receitas e despesas;
Estruturar um modelo de Fluxo de Caixa;
1.3 JUSTIFICATIVA
Sabe-se que o controle financeiro de uma empresa é um instrumento importante por permitir a compreensão da situação financeira e direcionar a tomada de decisão, portanto, decidiu-se abordar a gestão financeira, em específico, o Fluxo de Caixa como ferramenta de controle das movimentações de caixa.
Nesse sentido, observou-se que a empresa Signature Modas e Confecções Ltda, possui carência no controle financeiro, uma vez que, atualmente não possui dados numéricos organizados com suas receitas e despesas. Diante desta constatação, verificou-se a possibilidade da aplicação de um modelo de gestão financeira compatível com as necessidades da empresa, sendo que o mesmo deve auxiliar a tomada de decisão, e consequentemente, permitir ao administrador coordenar e avaliar as atividades de acordo com as condições financeiras da empresa, ou seja, manter-se informado do desempenho financeiro, desenvolver planos e elaborar objetivos com base nos recursos disponíveis.
A proposta deste trabalho despertou o interesse da empresa pela necessidade de organizar as movimentações financeiras, com isso, o acesso a informações internas da empresa está beneficiado.
Quanto aos motivos pessoais, o trabalho justifica-se pela afinidade com a gestão financeira, com o objetivo no aprimoramento profissional da acadêmica, a partir da possibilidade de colocar em prática os conceitos abordados em sala de aula por meio da execução do presente trabalho.
Para a empresa, a importância está na necessidade de controlar com segurança as finanças do empreendimento, ou seja, monitorar seus dados para planejar suas ações.
Mediante os fatos expostos, o presente trabalho justifica-se pela aplicação do Fluxo de Caixa, por meio da realização do planejamento e controle financeiro, tem a finalidade de apresentar uma visão clara dos excedentes ou escassez de saldos em caixa e assim se antecipar para tomar as medidas cabíveis em cada situação.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Este capítulo apresenta conceitos básicos e objetivos da função financeira, bem como os principais instrumentos de controle financeiro. Há, a necessidade de argumentar sobre esses assuntos para organizar os dados financeiros, para isso é fundamental conhecer algumas ferramentas de aplicações financeiras disponíveis para auxiliar a tomada de decisão.
Algumas considerações de finanças são apresentadas. É apontado também à função financeira na empresa, a administração de Capital de Giro - CG, e algumas das demonstrações financeiras da empresa, incluindo a Demonstração do Resultado do Exercício - DRE, Balanço Patrimonial - BP, Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos - DOAR, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL, Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados - DLPA. Por último, é apresentado o Fluxo de Caixa - FC com suas principais contas e métodos de apresentação.
2.1 FINANÇAS
O conhecimento de finanças é essencial para as pessoas que estão ligadas a administração da organização devido à movimentação de recursos financeiros envolvidos nas atividades da empresa. De acordo com Gitman (1997), as empresas obtêm receitas ou levantam fundos, gastam ou investem, movimentando a economia. Entretanto, é necessário administrar esses recursos financeiros de forma a decidir qual a melhor maneira de captar os recursos e de aplicar o capital. Para Assaf Neto (2003), este processo é realizado pelo administrador financeiro, que deve ter uma visão de toda a empresa, gerenciando seus recursos de maneira a manter a saúde financeira da empresa.
Segundo Gitman (1997, p. 4), o conceito de finanças foi definido como: “[...] a arte e a ciência de administrar fundos”, utilizando um conceito abrangente, que se refere a captação e aplicação de recursos. Lemes Junior, Rigo e Cherobim (2005),
concordam com o conceito do autor, mas, acrescentam a geração de riqueza aos acionistas. Ainda Groppelli e Nikbakht (2005), abordam finanças como a maximização de riquezas por meio de princípios econômicos e financeiros.
Neste sentido, pode-se dizer que finanças é a gestão do dinheiro, ou seja, é a captação e alocação eficiente dos recursos financeiros disponíveis de forma a conduzi-los para obter lucro, envolvendo todas as atividades da empresa.
De acordo com Ross, Westerfield e Jordan (2002), a área de finanças divide-se em quatro áreas principais, que são:
• Finanças corporativas, área que é realizada a tomada de decisões da empresa referente à ação de investimento, financiamento e administração das atividades financeiras;
• Investimentos, área voltada ao preço de ativos financeiros como uma ação, riscos e retorno, através da administração de carteiras de investimento;
• Instituições financeiras, área em que se trabalha com assuntos financeiros como bancos e corretoras;
• Finanças internacionais, área de especialização que pode envolver as outras áreas, incluindo a taxa de câmbio e risco.
No entanto, Gitman (1997) aborda como as principais áreas de finanças apenas duas, serviços financeiros que estão voltados para a prestação de serviços de assessoria e administração financeira que se refere à função de um administrador financeiro dentro da empresa. O autor relaciona ainda as tarefas do administrador financeiro, tais como, orçamentos, previsões financeiras, administração do caixa, administração do crédito, análise de investimento e captação de fundos.
A partir das tarefas apresentadas, verifica-se que a administração financeira é orientada por objetivos estabelecidos, dos quais o administrador financeiro deve ter o entendimento, de maneira a avaliar e tomar as decisões financeiras objetivando obter o resultado esperado.
Portanto, a utilização de uma gestão de finanças adequada é fundamental para manter a solvência da empresa e realizar planejamentos, com isso, impedir a tomada de rumos indesejados e consequentemente diminuir a necessidade de financiamentos. Desta forma, no próximo item são apresentados alguns conceitos relevantes sobre a função financeira na empresa.
2.2 A FUNÇÃO FINANCEIRA NA EMPRESA
As atividades organizacionais envolvem recursos financeiros que devem ser aplicados de maneira que garanta a saúde financeira da empresa. De acordo com Gitman (1997, p. 10) “a dimensão e a importância da função da Administração Financeira dependem do tamanho da empresa”. Ross, Westerfield e Jordan (2002), informam ainda que, em empresas maiores há divisão em departamentos, enquanto que em uma pequena empresa as funções de tesouraria e controladoria podem ser desempenhadas por uma mesma pessoa.
Independente do tamanho da empresa, todas as movimentações financeiras devem ser gerenciadas para garantir o controle da lucratividade, proporcionar ao administrador financeiro a capacidade de analisar o quanto a empresa precisa manter em caixa e quanto pode investir.
As atividades do administrador financeiro podem ser relacionadas às demonstrações financeiras básicas da empresa. Suas atividades primárias fundamentais são: (1) realizar análises e planejamento financeiro; (2) tomar decisões de investimento; e (3) tomar decisões de financiamentos (GITMAN 1997 p.13).
Lemes Junior, Rigo e Cherobim (2005) e Hoji (2000), concordam que, as atividades financeiras de uma empresa são agrupadas por operações financeiras, investimentos e financiamentos, sendo que as operações relacionam-se à movimentação dos recursos financeiros. De acordo com Assaf Neto (2003), as empresas tomam decisões financeiras continuamente, estas envolvem decisões de investimento e de financiamento. Ao tomar uma decisão devem ser avaliadas as taxas de juros de mercado.
É fundamental que, em uma decisão de investimento ou financiamento, o administrador financeiro tenha disponível os dados numéricos da empresa para desenvolver análises financeiras, que são realizadas através do planejamento e controle financeiro. De acordo com Gitman (1997), a empresa deve monitorar sua situação financeira, de modo que possa fazer uma avaliação da sua capacidade produtiva e possibilite a tomada de decisão para o aumento ou redução de financiamentos.
A partir das informações coletadas é possível desenvolver planos de financiamentos ou de investimentos de maneira a garantir que os recursos
financeiros estarão disponíveis no momento necessário para o alcance dos objetivos estabelecidos.
A decisão de investimento é realizada quando a empresa necessita fazer algum tipo de mudança, crescimento da estrutura física, modernização da empresa ou aplicação financeira de recursos visando um retorno futuro. De acordo com Gitman (1997), a expectativa de desembolso de fundos realizado pela empresa é de gerar benefícios no futuro. Nesse sentido, Hoji (2000) relata que, os investimentos podem ser temporários, com intenção de resgate dentro de curto prazo, ou permanentes, quando os ativos produzem resultado a longo prazo.
De acordo com Matarazzo (1998), as empresas frequentemente realizam aplicações financeiras, estas aplicações variam entre períodos de alguns dias mais raramente ultrapassam um ano. O autor enfatiza que esta opção é escolhida por obter boas taxas de remuneração ou por falta de opções de negócios. Ao abordar a opção de investimentos, Iudícibius, Martins e Gelbcke (2000), lembram que cada tipo de aplicação tem suas particularidades, quanto a prazo de aplicação, taxa e forma de rentabilidade e alertam para a taxa de retorno e a carga tributária.
No processo de tomada de decisão para um financiamento é necessário desenvolver uma análise das alternativas, verificar se é viável realizá-la e comparar as taxas de juros dos financiamentos que são oferecidos. Neste sentido, Braga (1995) destaca a tomada de decisão para captação de recursos como uma tarefa exclusiva do administrador financeiro.
Ao tomar uma decisão de financiamento, Hoji (2000) alerta que é comum surgirem dúvidas quando há necessidade de adquirir um equipamento ou veículo, se a compra deve ser realizada à vista, a prazo ou ainda se seria melhor alugar o bem necessário. O autor acrescenta ainda que, ao tomar esse tipo de decisão, parte-se do pressuposto que o caixa da empresa necessita buscar recursos para financiar um bem e a decisão deve ser tomada após a comparação das alternativas de financiamento.
Dessa forma, para realizar análises de investimentos, é necessário verificar se possui recursos suficientes, por outro lado, ao realizar um financiamento o administrador deve avaliar a capacidade da empresa para realizar o pagamento futuro. Em ambos os casos, o administrador precisa ter disponíveis dados da real situação financeira da empresa.
A partir das informações coletadas pelo administrador financeiro, pode ser criada uma estrutura de capital que permite o acompanhamento das movimentações e evidenciar a quantidade de recursos que deve estar disponível em caixa, dessa maneira, o item a seguir apresenta a administração do Capital de Giro.
2.3 ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO
O administrador financeiro deve permanecer sempre atento à disponibilidade de Capital de Giro - CG, para evitar falta de recursos necessários para a empresa pagar suas obrigações. A empresa precisa de recursos suficientes para suprir os gastos durante o ciclo operacional, ou seja, deve ter disponibilidade de recursos até o recebimento das vendas.
O Capital de giro ou capital circulante é representado pelo ativo circulante, isto é, pelas aplicações correntes, identificadas normalmente pelas disponibilidades, valores a receber e estoques. Num sentido mais amplo, o capital de giro representa os recursos demandados por uma empresa para financiar suas necessidades operacionais identificadas desde a aquisição de matérias-primas (ou mercadorias) até o recebimento pela venda do produto acabado (ASSAF NETO; SILVA 1997, p.15).
Hoji (2000) também trata o CG como capital circulante, para ele os recursos são aplicados e constantemente transformados dentro do ciclo operacional. O Capital de Giro fica “girando” dentro da empresa e quando se transforma em dinheiro novamente, sofre valorização em relação ao valor inicial.
Já na concepção de Ross, Westerfield e Jordan (2002, p.40), “a expressão CG refere-se aos ativos de curto prazo da empresa, tais como estoque, e aos passivos de curto prazo, tais como pagamentos devidos a fornecedores”. O autor acrescenta o passivo circulante ao CG da empresa.
De acordo com Santos (2001), o CG é suscetível às mudanças que acontecem no meio econômico em que a empresa está inserida, o autor afirma também que o gestor deve valorizar a administração do CG, evitando problemas como insuficiência em caixa e necessidade de financiamento para manter o saldo de caixa positivo. Assaf Neto e Silva (1997, p.13) complementam, “a definição do montante de CG é uma tarefa com sensíveis repercussões sobre o sucesso dos negócios, exercendo evidentes influências sobre a liquidez e rentabilidade das
empresas”. Desta maneira, pode-se dizer que a realização de uma boa gestão do CG é uma atividade constante, com objetivo de garantir que a empresa tenha recursos necessários em caixa para honrar com seus compromissos, manter seu caixa positivo, sem muito excedente nem falta de capital.
Assaf Neto e Silva (1997) e Santos (2001) concordam que, a quantidade de CG utilizada por uma empresa depende do volume das vendas, da política de crédito comercial e do nível dos estoques que ela precisa manter.
Ao considerar o exposto, percebe-se que a administração do CG é uma ação necessária para as empresas, devido a ter pleno controle dos ativos de curto e longo prazo, assim como as despesas, estoques e fontes de financiamento. O objetivo da administração de CG é encontrar um nível adequado de recursos a ser mantido em cada conta do ativo circulante sem comprometer as atividades da empresa.
Como meio de obter informações financeiras e realizar o acompanhamento de seu desempenho, são apresentadas a seguir algumas demonstrações financeiras.
2.4 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
O ambiente empresarial está cada vez mais incerto, neste sentido é preciso desenvolver habilidades em relação às questões financeiras. Para tanto, o uso das ferramentas de gestão financeira auxilia o administrador financeiro a tomar as decisões de maneira a obter o melhor aproveitamento dos recursos.
De acordo com Lemes Junior, Rigo e Cherobim (2005) as decisões financeiras são tomadas com base nas informações internas e externas, ou seja, internamente através das demonstrações financeiras e externamente através das tendências de mercado, concorrência, decisões políticas e a situação do mercado internacional.
As demonstrações financeiras são utilizadas como instrumento para auxiliar no processo de tomada de decisões na gestão, planejamento e controle da empresa. De acordo com Ross, Weterfield e Jordan (2002) as demonstrações financeiras consistem em uma fonte de informações para a tomada de decisões financeira. Em relação às demonstrações financeiras, Groppelli e Nikbakht (2005, p.
348) abordam que “[...] pelo estudo desses demonstrativos os administradores podem localizar pontos fracos nas operações financeiras e adotar medidas corretivas adequadas”.
Na concepção de Gitman (1997), o administrador financeiro utiliza os dados na forma que se apresentam, ou após realizar alguns ajustes e os toma como referência no processo de tomada de decisão. É por meio da análise das demonstrações financeiras que o administrador obtém informações precisas que possam influenciar a área financeira ou demais áreas da empresa.
As demonstrações financeiras podem contribuir para maior adequação ao processo de decisão de investimentos e financiamentos, por meio delas o administrador obtém informações seguras que contribuirão para o acompanhamento das metas estabelecidas pela empresa.
Lemes Junior, Rigo e Cherobim (2005) dividem as demonstrações financeiras em dois métodos de contabilização, o regime de competência e de caixa. No regime de competência os valores de receitas ou despesas são registrados independentes da entrada em caixa, ou seja, na data da compra ou da venda, já o regime de caixa só reconhece a movimentação quando o dinheiro entra ou sai do caixa, conforme podemos verificar a seguir.
Tabela 1 - Comparativo entre os regimes de competência e de caixa.
Regime de competência (DRE) R$ Regime de caixa R$
Venda no período 35.000 Valores recebidos 8.000
Custo das mercadorias (25.000) Pagamento de insumos (12.000)
LUCRO DO PERÍODO 10.000 RESULTADO DO CAIXA (4.000)
Fonte: Lemes Junior, Rigo e Cherobim (2005, p.41).
A tabela 1 apresenta a diferença entre o regime de caixa e o regime de competência, nesta, observa-se que a operação gera lucro, uma vez que a receita é de R$ 35.000,00 e o custo das mercadorias é de R$ 25.000,00, a operação gera um lucro de R$ 10.000,00. Ao considerar o regime de caixa verifica-se que foram recebidos apenas R$ 8.000,00, o restante fica em contas a receber, e pagou R$ 12.000,00 dos insumos, a operação gera um caixa negativo de R$ 4.000,00. De acordo com Sá (2008, p.17) “Isso acontece porque nem sempre o lucro vira caixa”.
Ou seja, percebe-se que o regime de competência considera os valores na ocorrência das vendas e das despesas sem considerar se entrou ou não o dinheiro
na empresa, já o regime de caixa considera a efetiva entrada e saída do dinheiro no dia em que foi realizado o pagamento ou recebimento.
Na concepção de Hoji (2000), a contabilidade adota o regime de competência com a finalidade de levantar o resultado econômico e identificar a rentabilidade nas operações, enquanto a administração financeira adota o regime de caixa para planejar e controlar as necessidades e sobras de caixa e consequentemente levantar o resultado financeiro.
Braga (1995) classifica as demonstrações financeiras em duas áreas, as demonstrações gerenciais para uso interno e as demonstrações contábeis para uso externo. O autor aborda como demonstrações gerenciais, as entradas e saídas de caixa e banco, movimentação de estoques, movimentação das contas patrimoniais, programação dos vencimentos das contas a pagar e a receber, entre outros. Já, em relação às demonstrações para divulgação externas, são preparadas as demonstrações contábeis que incluem o Balanço Patrimonial, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, Demonstração do Resultado do Exercício e Demonstração das origens e aplicações de recursos.
De acordo com Gitman (1997), as demonstrações financeiras básicas são: demonstração do resultado do exercício, balanço patrimonial, demonstração de lucros retidos e Demonstração de Fluxo de Caixa. No entanto, Assaf Neto (2003) aborda cinco demonstrações contábeis - financeiras: balanço patrimonial, demonstração das mutações patrimoniais, demonstração dos lucros ou prejuízo acumulados, demonstração do resultado do exercício e demonstração das origens e aplicações de recursos. De acordo com o autor, as empresas de capital aberto são obrigadas a publicar estas demonstrações.
Groppelli e Nikbakht (2005) complementam que, o desempenho de uma empresa pode ser medido de várias maneiras, sendo que uma delas é a análise dos demonstrativos financeiros, realizada através da demonstração do resultado do exercício, balanço patrimonial e do Fluxo de Caixa.
Mediante dos fatos expostos, o uso de demonstrações financeiras é de grande importância para a empresa, a sua apresentação evidencia o resultado financeiro da organização e permite a realização de análises, proporcionando ao administrador financeiro retratar situações passadas e realizar projeções de necessidades futuras de recursos. Deste modo, a seguir são apresentados alguns
demonstrativos como: DRE, BP, DMPL, DLPA e DOAR que demonstram as informações através do regime de competência.
2.4.1 Demonstração do Resultado do Exercício
A Demonstração do Resultado de Exercício - DRE reflete a situação econômica da empresa em um determinado período. Nesse sentido, Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2005, p.51), afirmam que a DRE “Expressa o resultado econômico em um período específico, normalmente um ano”. Essa afirmação é complementada por Groppelli e Nikbakht (2005), Braga (1998) e Assaf Neto (2003), onde concordam que, na DRE é verificada a formação do lucro ou prejuízo no exercício, mediante a confrontação do fluxo das receitas e das despesas que ocorrem no exercício em questão.
De acordo com Lemes Junior, Rigo e Cherobim (2005, p. 51) “A DRE é elaborada a partir do regime de competência, ou seja, no caso o exercício competente e não o seu efetivo recebimento ou pagamento (entrada ou saída do caixa da empresa)”, que segundo Assaf Neto (2003) é independente de seus pagamentos ou recebimentos. Sendo assim, a demonstração evidencia a formação do resultado líquido em um exercício através do confronto das receitas, custos e despesas, apurados segundo o princípio contábil do regime de competência.
Segundo Gitman (1997, p.71) “É comum o preparo de demonstrações mensais para uso da administração de demonstrações trimestrais a serem colocadas a disposição dos acionistas das empresas de capital aberto”. O autor expõe que, as demonstrações podem ser elaboradas em períodos menores, embora seja elaborada anualmente para fins legais de divulgação. Com a finalidade de descrever a formação do resultado gerado no exercício, mediante o cálculo das receitas, custos e despesas com os elementos componentes, até o resultado líquido final.
Assim, a DRE pode ser caracterizada como uma ferramenta que oferece um resumo da situação financeira com os resultados operacionais e não operacionais de uma empresa durante um determinado período.
2.4.2 Balanço Patrimonial
O Balanço Patrimonial – BP consiste na apresentação das contas classificadas por grupos e organizadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da empresa. No entender de Ross, Westerfield e Jordan (2002), o BP retrata a empresa, de maneira a informar resumidamente o que a empresa possui seus atos exigíveis e o seu patrimônio líquido. De acordo com Santos (2001) o BP demonstra como está a situação patrimonial da empresa em determinado momento.
Braga (1998) classifica suas partes como ativos, que é formado pelos bens e direitos; passivos, formados pelas dívidas e contas a pagar e Patrimônio Líquido que são os recursos pertencentes aos proprietários. Groppelli e Nikbakht (2005) informam que o BP deve ser organizado de tal forma que, ao lado esquerdo é apresentado a composição dos ativos circulantes, eles são os ativos que compõem o CG da empresa, logo abaixo é apresentado o ativo de investimento de longo prazo, este inclui instalações e equipamentos. Ao lado direito encontram-se o passivo circulante, que é composto por passivos de curto prazo como contas a pagar, a seguir o passivo exigível e o patrimônio líquido.
Conclui-se que a diferença entre Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício pode ser caracterizada da seguinte maneira, o BP destina-se a demonstrar, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da empresa, através do ativo, passivo e patrimônio líquido, enquanto a DRE demonstra o resultado do exercício, onde apresenta as receitas e despesas e apura se a empresa gerou lucro ou prejuízo.
2.4.3 Demonstração de Lucro ou Prejuízos Acumulados
Na Demonstração de Lucro ou Prejuízos Acumulados – DLPA são apresentadas as alterações ocorridas no saldo da conta de lucros ou prejuízos acumulados, no Patrimônio Líquido.
Segundo Lemes Junior, Rigo e Cherobim (2005, p. 58) a DLPA “mostra os destinos dados aos lucros da empresa, integrando o BP e a Demonstração de Resultados”. Iudícibus e Marion (1995) complementam que, a DLPA fornece as informações de apenas uma conta do patrimônio líquido, o lucro acumulado.
De acordo com Assaf Neto (2006, p.97) “A legislação das S.A, em seu artigo 186, §2º, estabelece que essa demonstração poderá ser inclusa na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, se elaborada e publicada pela empresa”. Neste sentido Matarazzo (1998) afirma que a DMPL é mais ampla e inclui a DLPA.
Como é possível perceber pelo conteúdo apresentado acima, a DLPA é um relatório contábil destinado a identificar as mutações ocorridas nos resultados acumulados da empresa, em um determinado período.
2.4.4 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL é destinada a evidenciar as mudanças ocorridas no patrimônio da empresa em um determinado momento.
Na percepção de Braga (1995) esta demonstração identifica as transações que provocam alterações no Patrimônio Líquido, assim como as transferências entre as contas que integram esse grupo patrimonial. Iudícibus e Marion (1995) complementam que, a DMPL evidencia a movimentação de todas as contas do patrimônio líquido.
Para Matarazzo (1998, p. 48) “a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido apresenta as variações das demonstrações de todas as contas do Patrimônio Líquido ocorridas entre dois balanços, independente da origem da variação”.
De acordo com Lemes Junior, Rigo e Cherobim (2005) a DMPL é mais abrangente que a DLPA, no entanto Hoji (2000) informa que a DMPL substitui a DLPA por ser mais abrangente. Braga (1995), acrescenta a vantagem para a realização da análise como fator decisivo para muitas empresas que optaram por esta demonstração.
Portanto, a DMPL é um relatório contábil que visa identificar as variações ocorridas em todas as contas que compõem o Patrimônio Líquido em determinado período, desta forma é considerada mais ampla em comparação a DLPA que considera apenas o Lucro Acumulado.
As empresas buscam a transparência através de suas demonstrações contábeis – financeiras, neste sentido, a DMPL é mais eficiente que a DLPA, já que além de demonstrar o lucro, demonstra também todo o PL da empresa.
2.4.5 Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos
A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos – DOAR é uma demonstração contábil, destinada a identificar as modificações que originaram a variação do Capital Circulante Líquido (CCL) durante um determinado período.
Segundo Braga (1995, p. 57) “A DOAR fornece uma visão panorâmica das modificações ocorridas na posição financeira da empresa durante o último exercício social, podendo também ser elaborada para períodos inferiores há um ano”.
Ao considerar os objetivos da DOAR, Assaf Neto (2003) e Lemes Junior, Rigo e Cherobim (2005) concordam que ele comprova a origem dos valores que aumentam ou diminuem o Capital Circulante Líquido (CCL), ou seja, de onde vêm os recursos financeiros utilizados na empresa e onde foram aplicados. Hoji (2000) compartilha da afirmação e acrescenta que o CCL é a parte líquida de curto prazo, ou seja, a parte que sobra após a empresa pagar as despesas.
Dessa forma, a DOAR é uma ferramenta que ao ser analisada corretamente proporciona ao usuário as informações sobre como e quando a empresa capta e onde ela aplica os recursos.
Devido à comparação percebe-se que as ferramentas apresentadas são condizentes ao regime de competência. Desta maneira o próximo item trata do FC que utiliza o regime de caixa.
2.5 FLUXO DE CAIXA
O Fluxo de Caixa - FC é uma ferramenta que tem a finalidade de auxiliar a administração financeira da empresa, através dele é realizado o controle dos recursos financeiros.
Segundo Sá (2008, p.19), o FC é definido como, “método de captura e registro dos fatos e valores que provoquem alterações no saldo do Disponível e sua apresentação em relatórios estruturados de forma a permitir sua compreensão e análise”. Deste modo é possível identificar com facilidade os motivos da variação no saldo disponível em caixa.
Ao considerar o FC, Assaf Neto e Silva (1997) o definem como um instrumento que relaciona os ingressos e as saídas de recursos em determinado período. Para complementar, Hoji (2000) aborda o FC como a demonstração de entrada e saídas de caixa e informa que pode ser representado de forma analítica e gráfica. O registro das entradas e saídas e a representação do FC servem para demonstrar a situação financeira de uma empresa em determinado período através do regime de caixa.
A importância da Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC é apresentada por Matarazzo (1998) quando informa ser uma das demonstrações mais úteis, é uma ferramenta indispensável tanto na atividade empresarial quanto para uma pessoa física que desempenha algum tipo de negócio.
Verifica-se de acordo com Santana (2008) a importância da aplicação da DFC que até o momento não era obrigatório e passou a ser exigida por Lei, de acordo com a Nota explicativa à instituição CVM nº. 469 (2008), a Lei estabelece a substituição da demonstração das origens e aplicações de recursos (DOAR) pela demonstração do Fluxo de Caixa (DFC).
Em 28 de dezembro de 2007, foi assinada a Lei no 11.638/07, a qual determina que, a partir do exercício de 2008, o relatório do Fluxo de Caixa passa a ser um documento de apresentação obrigatória pelas sociedades anônimas, inclusive pelas sociedades de capital fechado de grande porte, assim definidas como as que tiverem no exercício social anterior Ativo superior a R$ 240 milhões ou receita bruta anual superior a 300 milhões. (SÁ 2008, p. 2).
De acordo com Assaf Neto e Silva (1997, p. 35) “o Fluxo de Caixa é de fundamental importância para as empresas, constituindo-se numa indispensável
sinalização dos rumos financeiros dos negócios”, porque a falta de recursos pode provocar uma série de problemas à empresa.
Santos (2001) destaca que, o FC deve informar a capacidade que a empresa tem para executar os pagamentos de curto e longo prazo, assim como realizar a previsão de empréstimos e financiamentos, realizar aplicações das sobras de caixa de modo a maximizar o rendimento, avaliar o impacto da variação de custos e do aumento de vendas. Através da análise da demonstração do FC é possível verificar os ganhos ou perdas da empresa e realizar previsões de necessidade ou excedentes futuros.
Gitman (1997) Padoveze (1996) e Hoji (2000) concordam que, na apresentação do FC, as informações são distribuídas em forma resumida das movimentações relativas às atividades operacionais, de investimento e financiamento. Em contrapartida, Lemes Junior, Rigo e Cherobim (2005) e Campos Filho (1999) acrescentam a disponibilidade referente ao saldo de caixa em conta e aplicações financeiras.
Dessa forma, a elaboração de uma boa apresentação, com o registro dos dados distribuídos adequadamente através das contas operacionais, de investimentos e de financiamentos, permite ao administrador realizar o acompanhamento e controle das movimentações financeiras, realizar previsões como o planejamento de aplicações ou financiamentos quando necessário.
De acordo com Santos (2001) a principal finalidade do FC é informar a capacidade da empresa para honrar os seus compromissos financeiros, entre outras, pode-se citar:
• Projetar a necessidade de empréstimos ou financiamentos; • Maximizar o lucro das aplicações de sobras do caixa;
• Avaliar o impacto financeiro de custo ao trabalhar com lucro reduzido ou prejuízo, como pode impactar na situação financeira da empresa;
• Avaliar o impacto financeiro no aumento das vendas em relação ao aumento dos preços ou a quantidade colocada no mercado.
Através do FC a empresa pode obter uma visualização antecipada da necessidade e disponibilidade de recursos em caixa. Com a representação do FC é possível controlar as entradas e as saídas podendo assim planejar ações futuras como avaliar a necessidade de captação de recursos ou a disponibilidade para realizar uma aplicação financeira, ou seja, o administrador financeiro adota o regime
de caixa para reconhecer as receitas e despesas. De acordo com Gitman (1997, p. 35) “o Fluxo de Caixa é de fundamental importância para as empresas, constituindo-se numa indispensável sinalização dos rumos financeiros dos negócios”, uma vez que a falta de recursos pode provocar uma série de problemas à empresa.
O Fluxo de Caixa deve informar à capacidade que a empresa tem para executar os pagamentos de curto e longo prazo, assim como realizar a previsão de empréstimos e financiamentos, realizar aplicações das sobras de caixa de modo a maximizar o rendimento (SANTOS 2001, p.64).
Todas as áreas da empresa devem estar comprometidas com os resultados do caixa devido a sua interferência, não só a área financeira. Conforme é destacado por Assaf Neto e Silva (1997):
• A área de produção, através dos prazos de produção dos produtos, assim como, os custos de produção tem influência sobre o caixa;
• As decisões de compra realizadas de maneira planejada, de acordo com a existência de saldos disponíveis em caixa;
• Políticas de cobrança mais ágeis e eficientes permitem a disponibilidade de recursos para a empresa de uma forma mais rápida;
• Área de vendas deve manter um controle aproximado sobre os prazos fornecidos e os efetivos pagamentos dos clientes para não pressionar negativamente o saldo do caixa;
• A área financeira deve avaliar o perfil de seu endividamento, de forma que os desembolsos necessários aconteçam no mesmo momento à geração de caixa.
Devido a interferência de outras áreas da empresa, as entradas e saídas devem ser sinalizadas através do controle de caixa para evitar que os administradores fiquem preocupados com os processos da sua área e depois verifiquem que não tem recursos para pagar as contas. Santos (2001) enfatiza que o FC é o receptor das movimentações financeiras de toda a empresa; desta forma a figura a seguir representa algumas contas que compõem o FC.
Figura 1 - Informações genéricas do Fluxo de Caixa. Fonte: Santos (2001, p. 64)
Percebe-se que o Fluxo de Caixa é composto por várias contas, sendo que o modelo acima apresenta algumas destas contas. O registro das contas da empresa é utilizado como um instrumento de gestão e planejamento que verifica os recursos necessários e disponíveis da empresa, ou seja, a quantidade de dinheiro que entra e que sai em determinado período por meio de fluxos de recebimentos e pagamentos para saldar os compromissos assumidos sem a necessidade de recorrer ao capital de terceiros.
De acordo com Hoji (2000), as contas a receber, estoques e contas a pagar são as principais contas operacionais e desempenham grande impacto no caixa. Devido a sua importância, a partir deste momento são apresentadas como as principais contas operacionais.
2.5.1 Administração de contas a pagar
A organização das contas a pagar é um instrumento importante para a empresa, já que facilita o controle de seus compromissos junto aos credores, assim como no controle dos prazos de pagamentos.
De acordo com Groppelli e Nikbakht (2005), as contas a pagar podem ser consideradas como um empréstimo obtido junto aos fornecedores, sem juros. Porém, caso a empresa não utilize contas a pagar, e não possuir o saldo necessário
Vendas Contas a receber Compras Contas a pagar Fluxo de Caixa Folha de pagamento Financiamentos Contratos Tributos e taxas
em caixa, terá de realizar empréstimos ou utilizar seu próprio capital para pagar as faturas junto aos fornecedores. No entanto, Gitman (1997) considera que as contas a pagar é o resultado de serviços que ainda não foram pagos e adiciona os salários e impostos.
Groppelli e Nikbakht (2005) acrescentam que, na utilização das contas a pagar, normalmente o fornecedor oferece bons descontos para o pagamento à vista ou a antecipação do prazo. Porém, a oferta do benefício deve ser aceita se o benefício for superior ao custo, ou seja, se a empresa possui o saldo disponível para realizar o pagamento sem a necessidade de financiamentos e não possui nenhuma alternativa de investimento com benefício superior ao valor de desconto oferecido, assim a vantagem está na economia de juros que seriam pagos se não houvesse o crédito dado pelos fornecedores.
Sendo assim, a empresa deve avaliar a necessidade de capital em caixa e as vantagens ou desvantagens ao utilizar as contas a pagar, a partir dessas avaliações, o administrador pode optar pela utilização das contas a pagar ou pagamentos à vista, com o objetivo de aproveitar eventuais descontos pagando no ato da compra ou usar as contas a pagar realizando a compra a prazo e sem juros.
2.5.2 Administração de estoques
A empresa deve controlar os níveis e o giro de estoques, para evitar manter níveis muito altos ou falta de estoque disponível. Segundo Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2005) em relação aos demais ativos circulantes, os estoques representam grande parte do volume investido, e menor liquidez. Isso demonstra a sua importância, sendo que grande parte do dinheiro investido nas contas operacionais, é aplicado em estoques.
Hoji (2000) e Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2005) concordam que, em empresas industriais, o estoque é composto por matéria prima, material de consumo, produtos em processo e produtos acabados. Pode ser verificado que o estoque envolve o material desde a sua entrada, o processo até a venda do produto acabado.
O estoque tem muita influência sobre o FC devido a uma significativa quantidade dos recursos financeiros estarem investida nele. Neste sentido, Gitman (1997) nomeia o administrador financeiro como um consultor, atuando como apoio na gestão de estoques.
O nível de movimentação de estoque, segundo Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2005) impacta no FC, no caso do giro ser lento e o produto for vendido somente após o vencimento das duplicatas a pagar, a empresa precisa ter disponibilidade em recursos para pagamento das duplicatas no ato do vencimento. Os autores apresentam algumas informações importantes como: saber a quantidade que deve ser comprada ou produzida, para evitar excessos ou falta de estoque, verificar qual o momento certo para realizar as compras e quais os itens de maior importância no estoque.
O estoque é um investimento, no sentido de que exige o comprometimento de recursos que a empresa poderia aplicar em alternativas rentáveis. Em geral, quanto maior forem os saldos médios dos estoques, maior a quantia investida e os custos envolvidos e vice-versa. O administrador financeiro, ao avaliar alterações planejadas nos níveis de estoques, deve considerá-las do ponto de vista de custo versus benefício. (GITMAN 1997, p.714).
A gestão de estoques não é uma função exclusiva da administração financeira, uma vez que a ela só cabe a responsabilidade pelo giro financeiro decorrente dos estoques, mas, é possível demonstrar a importância que possui como componente dos ativos circulantes da empresa. É necessário que a empresa planeje as vendas, para ter uma previsão de quanto vai produzir e comprar o volume de material adequado. A quantidade a ser mantida deve estar de acordo com o fluxo de processamento, evitando manter excesso ou falta de estoque.
2.5.3 Administração de contas a receber
A utilização de uma boa administração das contas a receber é de fundamental valor para um bom desempenho financeiro da empresa, elas são geradas pelas vendas a prazo e devem ser acompanhadas pelo administrador financeiro, para controlar os recebimentos e realizar as cobranças no prazo de vencimento de maneira a evitar ou minimizar o risco de inadimplência.
Segundo Santos (2001, p. 36) “uma boa administração de contas a receber deve incluir, além da execução, as funções de planejamento e controle”. Na mesma concepção Hoji (2000) aborda que, as contas a receber são decorrentes das vendas a prazo, com concessão de crédito, entretanto, geram risco de inadimplência, além de despesas com análise de crédito, cobranças e recebimento. Porém, as vendas a prazo podem aumentar o volume de vendas e o lucro da empresa. Da mesma forma que é necessário ter critérios para conceder crédito, também é imprescindível critérios para cobrar os valores a receber.
Conforme Groppelli e Nikbakht (2005) o volume das contas a receber é determinado pelos padrões de flexibilidade de crédito da empresa, se forem muito rígidos, poucos clientes estarão qualificados ao crédito, assim, o nível de contas a receber será baixo. Em contrapartida, considerando que os padrões sejam flexíveis, a empresa atrairá mais clientes, consequentemente aumentará as contas a receber e o nível de contas incobráveis.
A organização das contas a receber auxilia a empresa para prever as futuras entradas de capital, já que essas contas são correspondentes das vendas de mercadorias a prazo, venda de algum ativo permanente como uma máquina ou imóvel, ou ainda prestação de serviço. Após verificar as contas mais importantes do FC, no próximo item são apresentados os modelos de demonstração com dois métodos: direto e indireto.
2.5.4 Modelos de apresentação de Fluxo de Caixa
Uma decisão difícil é a escolha do modelo de apresentação do Fluxo de Caixa mais apropriado a ser adotado por uma empresa, sendo que a realidade e a necessidade de cada empresa diferem.
Segundo Neves e Viceconti (1998), Campos Filho (1999) e Sá (2008) a apresentação da demonstração do FC pode ser elaborada de duas maneiras, pelo método direto ou pelo método indireto. Entretanto, Matarazzo (1998) apresenta os métodos como, demonstração das entradas e saídas de caixa, utilizada como instrumento de trabalho e a demonstração do fluxo líquido de caixa, ferramenta de
análise permitindo extrair importantes informações sobre o comportamento financeiro da empresa durante o exercício.
De acordo com Campos Filho (1999, p. 49) “A escolha de um dos dois métodos deve ser analisada considerando a realidade de cada empresa”. Neste sentido Assaf Neto e Silva (1997) limitam-se a interpretação e análise do FC, deixando o método de elaboração por conta do sistema de informação da empresa.
Vários autores abordam o FC, entretanto Sá (2008) e Campos Filho (1999) detalham os métodos de elaboração da demonstração do FC. Sá (2008) apresenta ainda um modelo elaborado em Excel®1e as etapas de sua elaboração.
De acordo com Iudícibius, Martins e Gelbcke (2000, p. 355) “o método direto explica as entradas e saídas brutas de dinheiro dos principais componentes das atividades operacionais”, os autores acrescentam ainda que o saldo final das operações expressa o volume líquido de caixa durante um período.
Segundo Sá (2008), para um melhor funcionamento do FC pelo método direto, primeiramente, é realizada uma divisão das contas em grupos, estas contas podem ainda ser decompostas em subcontas, demonstrando as entradas e saídas.
O autor acrescenta ainda que, a estrutura de agrupamento em contas é denominada como plano de contas da tesouraria, estas contas ao serem unidas formam o FC. Para o autor, o plano de contas é vantajoso devido a compreensão do fluxo, conhecendo assim o motivo do saldo de caixa aumentar ou diminuir.
Para exemplificar são demonstradas a seguir algumas contas sugeridas por Sá (2008).
Entradas
Recebido de clientes
Outras entradas operacionais Entradas financeiras Entradas patrimoniais Entradas eventuais Saídas Saídas administrativas Saídas comerciais Pagamento fornecedores
Pagamento de despesas pessoal Encargos
Impostos e taxas
Pagamento de despesas com veículos Saídas patrimoniais
Quadro 1 - Plano de contas tesouraria. Fonte: Adaptado de Sá (2008)
1
O quadro demonstrado anteriormente, apresenta o plano de contas do FC também denominado por Sá (2008) de plano de contas da tesouraria, essas contas são apresentadas pelo autor como as principais contas, sendo que podem ser divididas em subcontas, e apresentar maior detalhamento das entradas e saídas o autor afirma que a definição das contas e subcontas depende da necessidade de detalhes do administrador.
Por outro lado, Campos Filho (1999) aborda o método direto, denominando-o como a abordagem das contas T (T account approuach). Através dele estão organizados os recebimentos e pagamentos, ou seja, a origem e a aplicação de valores. Os dados são classificados em contas por meio de partidas dobradas, onde os débitos são apresentados do lado esquerdo da conta e os créditos do lado direito, sendo que o saldo final da conta é a representação da diferença entre o débito e crédito, este procedimento tem como vantagem permitir a visualização da origem de informações que é apresentado a seguir.
Maquinas/ferramentas
Registram-se os créditos Registram-se os débitos
Total de créditos Total de débitos
Saldo final -
Quadro 2 - Modelo de apresentação de débito e crédito de uma conta. Fonte: Adaptado de Campos Filho (1999).
De acordo com Campos filho (1999), quando o saldo for positivo o resultado apresenta-se ao lado esquerdo caso contrário deve ficar ao lado direito. O mesmo procedimento de registro dos créditos e débitos é realizado com as demais contas, posteriormente as contas devem ser colocadas com seus respectivos saldos no FC, onde o relatório é apresentado, iniciando com a explicação do caixa gerado pelas operações da empresa através do recebimento das vendas conforme pode ser verificado a seguir.
ATIVIDADES OPERACIONAIS
(+) Recebimento, clientes veículos novos. (+) Recebimento, Clientes veículos usados. (+) Recebimento, Clientes peças/ assist. técnica (-) Pagamento, Fornecedores veículos novos. (-) Pagamento, Fornecedores peças.
(-) Salários e encargos
(-) Outras desp. oper. / administrativas (-) Tributos
(-) Encargos financeiros
Fluxo de Caixa operacional líquido ATIVIDADES DE INVESTIMENTO (-) Terrenos (-) Obras civis (-) Móveis/utensílios/instalações (-) Maquinas/ferramentas/equipamentos (-) Veículos de uso (-) Computadores/software Total, investimentos ATIVIDADES FINANCIAMENTOS (+) Recursos próprios (+) Financiamentos/leasing Total, financiamentos Caixa líquido do período Saldo inicial disponibilidades Saldo final disponibilidades
Quadro 3 - Demonstração do Fluxo de Caixa método direto. Fonte: Adaptado de Campos Filho (1999).
Para facilitar a compreensão do modelo proposto anteriormente e possibilitar a realização de uma comparação entre os modelos sugeridos pelos autores, apresenta-se a seguir o modelo elaborado por Santos (2001). Este modelo apresenta um relatório com a divisão em subcontas que conforme foi abordado anteriormente, facilita a compreensão da origem dos dados.
Elementos Meses
1. entrada de caixa 01/XX 02/XX ... 03/XX 04/XX
Recebimento de venda de produtos Recebimento de vendas de serviço Operações de crédito
Resgate de aplicações financeiras Juros de aplicações financeiras Recebimento de aluguéis Aporte de capital
Outras entradas de capital 1.1 Total de entradas 2. Saídas de caixa Fornecedores Prestadores de serviços Folha de pagamento Encargos sociais Impostos Antecipação de pagamentos Juros de financiamento Pagamento de principal Despesas bancárias Pagamento de aluguel
Água, luz, gás, telefone e internet Realizações de aplicações financeiras Outras saídas
2.1 Total das saídas
3. Saldo de caixa gerado (1.1 – 2.1) 4. saldo inicial de caixa
5. Saldo inicial de aplicação financeira diária 6. Aplicação/ resgate de aplicações financeiras 7. Saldo inicial de permanência em banco 8. Variação da permanência em banco 9. Saldo final de aplicações diárias (5 + 6) 10. Saldo final de permanência em banco (7 +8)
Saldo final de caixa (4 + 9 +10)
Quadro 4 - Fluxo de Caixa de longo prazo – empresa industrial e de serviços. Fonte: Santos (2001, p. 63).
Como se pode verificar o modelo elaborado por Santos (2001) oferece as informações com maior detalhamento e maior facilidade de compreensão em relação ao modelo de Campos Filho (1999), e pelas contas apresentadas por Sá (2008) devido à divisão das contas em subcontas. Este modelo apresenta maior quantidade de contas, entretanto não é muito minucioso, utilizando as contas outras entradas de capital e outras saídas para o uso de contas eventuais que não precisam de uma conta específica.
Neste sentido Iudícibius, Martins e Gelbcke (2000, p. 355) abordam o método de elaboração, alertando que “a movimentação das disponibilidades da empresa, em um dado período, deve ser estruturada na DFC, cujos títulos buscam expressar as
entradas e saídas de dinheiro relacionadas às atividades operacionais investimentos e financiamentos”.
Quanto à apresentação pelo método direto, Campos Filho (1999, p.42) cita vantagens e desvantagens na utilização da demonstração:
Método direto – vantagens
1. Criar condições favoráveis para que a classificação dos recebimentos e pagamentos siga critérios técnicos e não fiscais.
2. Permite que a cultura de administrar pelo caixa seja introduzida mais rapidamente nas empresas.
3. As informações de caixa podem estar disponíveis diariamente. Método direto – Desvantagens
1. O custo adicional para classificar os recebimentos e pagamentos.
2. A falta de experiência dos profissionais das áreas contábil e financeira em usar as partidas dobradas para classificar os recebimentos e pagamentos. Entretanto, Sá (2008) descreve o FC obtido pelo método direto como uma ferramenta indispensável para o planejamento financeiro, devido a ser obtido diariamente. Dentro de limitações, este método permite fazer projeções de entradas e saídas no dia-a-dia, apesar de possuir um campo visual limitado, procura demonstrar as variações no saldo disponível ao fim de um determinado período. Em suma, o FC elaborado pelo método direto consegue visualizar a disponibilidade em caixa e identificar se a geração de caixa está melhorando ou piorando.
Dessa forma, o FC elaborado pelo método direto, demonstra as entradas e saídas apresentando o saldo disponível, evidenciando todos os pagamentos e recebimentos feitos durante um período. Este método é utilizado como indicador no controle financeiro das empresas. Além do método direto há outro método, o indireto que é apresentado a seguir.
Em relação ao método indireto, Iudícibius, Martins E Gelbcke (2000) informam que também é chamado de método de reconciliação, já que o modelo concilia o lucro líquido e o caixa gerado pelas operações.
Ao abordar o método indireto, Sá (2008) informa que o caixa é gerado a partir do lucro líquido, do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Campos Filho (1999, p.44), propõe que o método indireto do FC procura, “[...]associar as contas do Balanço Patrimonial com as contas da Demonstração do Fluxo de Caixa”. A seguir, é apresentada essa associação entre as contas, proposta por Campos Filho (1999, p.60).
Balanço patrimonial Demonstração dos fluxos de caixa Ativo Circulante
Realizável Longo Prazo Investimentos
Imobilizado Diferido
Passivo Circulante Exigível Longo Prazo Patrimônio Líquido
DISPONIBILIDADE
ATIVIDADES OPERACIONAIS INVESTIMENTOS
FINANCIAMENTOS Quadro 5 - Associação entre as contas Balanço patrimonial e Fluxo de Caixa Fonte: Campos Filho (1999, p.60).
Segundo o modelo de Campos Filho (1999) a partir da associação entre as duas contas, balanço patrimonial e Demonstração do Fluxo de Caixa, inicia-se a apresentação do Fluxo de Caixa Operacional, através do lucro líquido, fazendo adições e subtrações até chegar ao Fluxo de Caixa operacional líquido. A seguir é apresentado a DFC elaborada pelo método indireto.
Lucro líquido
(-) aumento Estoques veículos novos (-) aumento Estoques veículos usados (-) aumento Estoques peças
(-) aumento Clientes peças/ assist. tec. (+) aumento Salários enc. a pagar (+) aumento Ctas. a pagar – operacional (+) aumento Tributos a pagar
(+) aumento fornec. Veículos novos (+) aumento Fornec. Peças Total dos ajustes
Fluxo de Caixa operacional líquido
ATIVIDADES DE INVESTIMENTO Terrenos Obras civis Móveis e utensílios Maquinas e equipamentos Veículos de uso Computadores/software (-) investimentos a pagar
Total dos investimentos pagos
ATIVIDADES FINANCIAMENTOS Recursos próprios (capital) Financiamentos/leasing
Total financiamentos Caixa líquido do período Saldo inicial disponibilidades Saldo final disponibilidades
Quadro 6 - Demonstração do Fluxo de Caixa método indireto. Fonte: Adaptado de Campos Filho (1999).
Com a utilização de informações contábeis na elaboração do FC indireto Campos Filho (1999, p.44) afirma que, “Para elaborar a DFC pelo método indireto é necessário ter bons conhecimentos do regime de competência (balanço patrimonial e demonstração de resultado) e do regime de caixa (demonstração dos fluxos de caixa)”. Isto se deve a utilização de informações que estão disponíveis nestes demonstrativos para a elaboração da demonstração do FC.
De acordo com Sá (2008), o FC indireto, também chamado de Fluxo de Caixa contábil, é elaborado com base nos dados das demonstrações contábeis, mudando apenas a estrutura da conta, conforme é demonstrado no quadro 7. E ainda, através deste método consegue-se visualizar qual a influência que cada conta do balanço patrimonial tem no processo de retirada ou de liberação de recursos sobre o FC.
SALDO INICIAL
(+) GERAÇÃO INTERNA DE CAIXA Fluxo da atividade principal Lucro líquido
(+) Depreciação
(+) Juros provisionados sobre operações (+) Provisões de férias e 13º salário (+) Prejuízo na venda de imobilizado (-) Lucro das atividades financeiras (-) Lucro de equivalência patrimonial (-) Dividendos recebidos
Fluxo das atividades Financeiras (+) Juros recebidos
(-) Juros pagos s/ empréstimos curto prazo (-) Juros pagos s/ empréstimos longo prazo Fluxo das Participações Acionárias (+) Dividendos recebidos
(+) GERAÇÃO OPERACIONAL DE CAIXA (variação da NCG) Variações do Ativo Cíclico
Recebíveis Estoques
Outras contas a receber Variações do Passivo Cíclico Salários, encargos e benefícios Fornecedores
Outras contas a pagar
(+) GERAÇÃO NÃO OPERACIONAL DE CAIXA Fluxo das atividades de investimento
Imobilizado
Venda do imobilizado Ativos diferidos
Fluxo das atividades de financiamento Empréstimo de curto prazo
Empréstimos de longo prazo Lucros distribuídos
(=) SALDO FINAL
Quadro 7 - Fluxo de Caixa pelo método indireto Fonte: Adaptado de Sá (2008 p. 140).
O modelo de Sá (2008) difere em comparação ao modelo de Campos Filho (1999), em relação à estrutura das contas, entretanto ambos permitem que se visualize a geração de caixa e como ele está sendo gerido a partir do lucro líquido.
Assim, como no método direto, Sá (2008) também propõe a apresentação de quadros para o método indireto, a saber: quadro da demonstração da mutação de patrimônio, quadro de demonstração da mutação do imobilizado e quadro de