GERENCIAMENTO
DE CRISE
AULA 1
2
CONVERSA INICIAL
Nesta primeira aula, vamos delinear alguns aspectos históricos que marcam a disciplina de Gerenciamento de Crise, com aspectos e fatos que aconteceram tanto no Brasil como em ouros países que marcam o tema.
Na sequência, serão estudados os pontos técnicos referentes aos conceitos de Gerenciamento de Crise e de Crise, passando para a análise das características da Crise Policial e definindo os Objetivos e Critérios de Ação a
serem seguidos.
TEMA 1 – ASPECTOS HISTÓRICOS DO GERENCIAMENTO DE CRISES EM OUTROS PAÍSES
A história nos mostra que pouco mais de cinco décadas marcam a doutrina do Gerenciamento de Crise no mundo. Tendo os Estados Unidos como país precursor, com o Federal Bureau Investigation (FBI), o Departamento de Polícia de Los Angeles, e o Departamento de Polícia de Nova York. Nesta época – nos anos 1960 e 1970 – foram criados grupos de intervenção em virtude de ocorrências de grande impacto. Um dos marcos principais do início desta área do conhecimento foi o episódio do massacre promovido por Charles Whitman, em 1966, em Austin, Texas (EUA).
Diante deste acontecimento, o inspetor Daryl F. Gates, do Departamento de Polícia de Los Angeles, juntamente com seus colegas, iniciou um trabalho de questionamento das técnicas existentes e do que precisava ser implementado, dando origem ao grupo policial chamado SWAT (Special Weapons and Tactics), com a polícia de Los Angeles sendo precursora destes grupos policiais de táticas especiais para o gerenciamento de crises.
Porém, foi no início dos anos 1970 que o Departamento de Polícia de Nova York e o FBI começaram a desenvolver procedimentos de negociação em casos de crise com reféns. Nesta época, devido a vários casos frustrados das teorias de Gerenciamento de Crise, observou-se que a Polícia, em termos técnicos, necessitava de quatro alternativas na resolução da crise: assalto tático,
tiro por atiradores selecionados, contenção e negociação. A partir deste
3
TEMA 2 – ASPECTOS HISTÓRICOS DO GERENCIAMENTO DE CRISES NO BRASIL
Apesar da evolução das técnicas nos anos seguintes, foi apenas em meados dos anos 1990 que a doutrina Prática de Gerenciamento de Crise chegou ao Brasil, pelas mãos do Delegado da Polícia Federal Roberto das Chagas Monteiro. Este realizou vários cursos junto ao FBI e trouxe o conhecimento e disseminou o assunto.
TEMA 3 – CARACTERÍSTICAS DA CRISE
A crise não pode ser tratada como uma ocorrência rotineira, pois é permeada por características diferenciais que delineiam o evento crítico por consequência. Estes são:
a. Imprevisibilidade
As crises são sempre imprevistas, podendo ocorrer a qualquer momento e em qualquer lugar. Por isso, há a necessidade de treinamento constante das equipes especializadas na resolução da crise propriamente dita e o aprimoramento se torna essencial.
b. Risco de vida eminente
Na crise, impreterivelmente existe a ameaça à vida, ou um grande risco de vida para as pessoas envolvidas. Além da vida do próprio causador do evento
crítico (CEC), todas as vidas envolvidas – ou não – no contexto devem ser
preservadas.
c. Urgência
Também chamada de compressão do tempo. Sempre será uma situação que necessita de atendimento urgente e imediato, de natureza especial. O tempo normalmente corre contra a resolução da crise, pois é bastante limitado para as diversas tarefas previstas pela doutrina do Gerenciamento de Crise.
4
d. Baixa incidência
O evento crítico não ocorre sequencialmente, tampouco é uma situação corriqueira ou frequente, como as situações normais de ocorrência policial.
e. Complexidade
A crise é complexa por natureza, pois envolve inúmeras variáveis e abrange muitos elementos. Como sempre pode haver o risco de morte de inocentes, o trabalho precisa ser minucioso, coordenado e técnico, sempre se analisando variáveis para evitar decisões prematuras.
TEMA 4 – OBJETIVOS DO GERENCIAMENTO DE CRISES
Os objetivos a seguir são os pilares centrais de um evento crítico, devendo ser respeitados e direcionados dentro do ambiente crítico. Observe:
a. Preservação de vidas
A preservação de vidas tem prioridade máxima no atendimento de uma crise, independente de quem esteja envolvido. Seja do causador, dos profissionais de segurança, ou de terceiros, como profissionais de imprensa e pessoas eventualmente próximas do evento. O objetivo principal da resolução de crises é preservar vidas.
b. Aplicação da lei
Sempre que ficar nítido e evidenciado o cometimento de crime por parte do CEC num evento crítico, os profissionais de segurança deverão tomar as providências cabíveis e encaminhar o causador à Delegacia para responder legalmente pelos seus atos, quando em desacordo com a legislação vigente.
c. Restabelecimento da ordem
Por sua natureza, a crise deixa o ambiente da região onde estiver ocorrendo bastante tumultuado, com mudança de hábitos naturais e corriqueiros das pessoas daquele lugar. Faz-se então necessária uma postura de
restabelecimento da ordem após a resolução do evento crítico.
5
No evento crítico, considerando o risco inerente a todas as ações a serem implementadas para a busca de seu encerramento, e depois de uma análise estritamente técnica e norteadora dos fatos, devemos levar em consideração, para definir o processo decisório da crise, os critérios de ação, os quais são:
a. Necessidade
Critério que se define pela imprescindibilidade na tomada de decisões ou ações durante a crise. Em todo o momento o gerente, ou o responsável pelo gerenciamento da crise, deve se perguntar “Isto é realmente necessário?” Sempre primando pelo apoio dos demais grupos técnicos especializados.
b. Validade do risco
Critério que estabelece se uma ação poderá ser implementada, e se o seu risco for válido para a preservação da vida. O risco é sempre inerente a uma ocorrência crítica, sendo ele uma das características que fazem parte de sua natureza. Esta é a razão de, durante a crise, sempre nos perguntarmos: “Vale a pena correr este risco”?
c. Aceitabilidade
Temos de ter em mente, dentro deste critério, a análise do que é aceitável, legítimo, condicionado à ação do causador e à resolução do problema quanto aos aspectos:
Legais: se está ou não dentro dos parâmetros correspondentes à preservação da Lei; sendo assim, todas as decisões ou ações devem ser preservadas e amparadas pelas normas vigentes.
Morais: se está amparada e de acordo com a moralidade e os bons costumes, seu aspecto visa à integridade psicológica das pessoas envolvidas na crise.
Éticos: baseada sempre no respeito às regras a aos valores sociais. Não se pode, em um gerenciamento de crise, tomarmos decisões ou exigir daqueles a que se tem como subordinados no momento, posturas que causem discordância com a doutrina ou que causem constrangimento ao grupo de resolução.
6
Imagine que você, como agente de segurança, está devidamente fardado e retorna para sua casa após concluir sua jornada de trabalho, e se depara com gritos de uma mulher no interior de uma residência, a qual diz que está sendo espancada por seu marido, sob ameaça de morte.
1. É uma situação de crise?
2. Como você daria atendimento a esta situação? 3. Você é capacitado para atender esta ocorrência?
FINALIZANDO
Analisando e estudando tudo o que vimos até o momento, observando as
Características de uma crise, passando aos Objetivos da crise e por fim, aos Critérios para resolução de uma crise, podemos definir então que, em virtude de
acontecimentos passados, a doutrina vem se aperfeiçoando, trazendo mudanças técnicas e táticas no desfecho de um gerenciamento de crise, no qual a doutrina deve ser respeitada para que a solução sempre seja aceitável dentro de uma concepção jurídica.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do
Brasil. Brasília, DF: Senado 1988. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 15 fev. 2017.
GREENSTONE, J. L. The elements of police hostage and crisis negotiations: critical incidents and how to respond to them. New York: Routledge, 2009. DOLAN, J. T. & FUSELIER, G. D. A guide for first responders to hostage
situations. In.: FBI Law Enforcement Bullettin, abril, 1989. p. 9-13. HAHN, J. A. Segurança pública: negociação de reféns. Disponível em:
<http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/files/anexos/10689-10689-1-PB.html>. Acesso em: 15 fev. 2017.