INSTRUÇÕES, OBSERVAÇÕES & INFORMAÇÕES 1. Use somente caneta de tinta azul ou preta.
2. Use letra legível, evitando rasuras. Em caso de erro, passe apenas um traço simples sobre a palavra, expressão ou sinal gráfico.
3. Não use líquidos corretivos (liquid paper ou similares). O uso de tais corretivos será considerado rasura e implicará anulação da resposta. 4. Cuide da apresentação da prova. Obedeça às margens. Não as ultrapasse e nem deixe de atingi-las.
5. Não empreste nem solicite emprestado material de prova (caneta, lápis, borracha, régua, etc.) 6. Palavras abreviadas serão contadas como erros.
7. Ao redigir, seja claro, coerente e preciso. 8. Entregue somente a folha de respostas.
Abaixo, você tem 3 propostas para elaborar seu texto. Escolha uma delas e redija de acordo com o comando.
Tema 1 (PUC-Minas, 2007. Adaptado)
Leia os textos a seguir.
Texto 1A Invenção da Realidade
Defender a tese da notícia como construção da realidade e não como um espelho já rendeu algumas discussões acaloradas com colegas de profissão que não conseguem entender - ou se recusam a refletir sobre - esta história "de inventar a realidade". De fato, ninguém inventou a violência em SãoPaulo, o sequestro do repórter da Rede Globo, a máfia dos sanguessugas, os ataques no Líbano ou, mais recentemente, a compra de dossiês. São fatos, estão ocorrendo e, de certa maneira, têm afetado a vida de todos. Por que, então, insistir na tese de que a imprensa inventa, cria, constrói uma ou várias realidades a partir de suas narrativas?
Assim como não há uma verdade capaz de dar conta da totalidade de um fato ou de uma situação,não há também possibilidade de uma pessoa, por mais bem intencionada que seja, dar conta dedescrever o que vê de forma inocente. As narrativas são sempre híbridas no sentido de que se constituem em uma teia de outras narrativas que tomam forma no discurso de quem as produz. O discurso da imprensa chega à sociedade sob o manto da imparcialidade, da verdade e da objetividade. São discursos produzidos por seres que não olham de fora a realidade, como observadores privilegiados, mas, antes, se encontram inseridos nela com todas as subjetividades que os compõem.
Ao falar de objetividade, seria interessante levar em conta o contexto em que ela surgiu como um atributo do jornalismo e destacar que não se pretendeu, ao evidenciá-la naquele momento, negar a subjetividade. NelsonTraquina, pesquisador português, fala no seu livro Teorias do jornalismo (Editora Insular, 2005) que a objetividade surgiu no fim do século 19 como um antídoto para os males que o jornalismo sofria, como perda de credibilidade. Assim, a objetividade se constituiu como uma série de procedimentos capazes de assegurar oexercício do jornalismo com credibilidade.
(Marcilene Forechi em 2/10/2006.http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br) Texto 2
[...] "o Brasil não tem imprensa escrita, e sim boletins político-ideológicos que se dedicam a defender os interesses das minorias privilegiadas da população. E isso explica o fato de este país ser o quarto mais desigual do mundo, sendo precedido apenas por três países africanos miseráveis. E essa realidade exige que o democrata, aquele que quer ver este país civilizar-se e se democratizar, proponha que se debata como dotá-lo de veículos de imprensa que representem o conjunto da sociedade em lugar de meia dúzia de gatos pingados que nadam em dinheiro."
(Eduardo Guimarães, em observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp. Acesso em 16 out 2006.) Texto 3
A imprensa, no Brasil, é livre, e isso é o mais importante. Não se pode, contudo, confundir liberdade de expressão com neutralidade de informação e, muito menos, com imparcialidade. Todos, pessoas e empresas, têm seus posicionamentos. No Brasil, não é diferente.
Texto 4
Imprensa deve noticiar e no que se refere à opinião deve veicular posições distintas quando for o caso. Não se pode aceitar que um veículo de comunicação assuma posições e fuja da neutralidade. Isso pode ser muito danoso à sociedade, já que ela pode ser manipulada.
INSTRUÇÕES:
Redija uma dissertação argumentativa de, no mínimo, 20 linhas, sobre o tema:
Mídia* e imparcialidade: mito ou fato? Atitude ética ou mera opção?
*Mídia: conjunto dos diversos meios de comunicação em que se exerce a atividade jornalística nas sociedades urbanas.
3ª
série
4º período
R E D A Ç Ã O
Tema 2 (UFC, 2002. Adaptado)
Leia os textos que tratam do Projeto de Lei que proíbe aplicação de tatuagem permanente e de "piercing"em menores de dezoito
anos.
"O PROJETO, em tramitação em Brasília, proíbe — mesmo com a autorização dos pais — crianças e adolescentes de até dezoito anos de idade de fazerem tatuagens ou colocarem piercings definitivos, como brincos, argolas, alfinetes ou tachas."
(Diário do Nordeste, 9/1/002) "Projeto de autoria do deputado Neuton Lima (PFL-SP) proíbe aplicação de tatuagens permanentes ou colocação de piercing em menores de idade. A justificativa são as reações alérgicas que os piercings podem provocar na pele. O projeto ainda está em fase inicial de tramitação na Câmara dos Deputados. Foi apresentado em dezembro de 2001."
(O Povo, 27/1/2002) "(...) A segurança e a qualidade dos materiais como agulhas, máquinas, tintas ou jóias (é como chamam os piercings) é algo que deve despertar a atenção de quem vai fazer uma tatuagem ou colocar um piercing, pois casos como reações alérgicas às tintas, hepatite e sífilis, além da AIDS, podem acontecer, considerando as condições em que são feitas.
A colocação, tanto de tatuagens como piercings, exige perfuração do corpo ou da pele, portanto devem ser feitas com profissionais de boa conduta e com materiais esterilizados, livres de qualquer contaminação, disse o tatuador, que também coloca piercing, Moacir Alves Teixeira Júnior. (...)
Eu acho isso correto, porque o menor não tem a ideia amadurecida do que é fazer uma tatuagem ou colocar um piercing, disse Júnior sobre a possível aprovação da lei.
(Diário do Nordeste, 9/1/2002) "Em um dos estúdios mais antigos da cidade, o do tatuador Juan Heros, além da autorização dos pais, o adolescente deverá levar uma cópia autenticada em cartório da identidade do responsável. Segundo Heros, a questão da nova lei foi discutida durante a 5ª Convenção de Tatuagem Internacional, realizada em São Paulo, no ano passado.
(...)
Para Juan Heros, as decisões dos deputados não fazem sentido. 'Para votar, o adolescente de dezesseis anos é considerado maior, mas para decidir fazer uma tatuagem ou um piercing, não. Isso não está certo', declara. 'Quando eles [os deputados] querem usufruir do menor para pedir voto, os menores têm consciência e podem votar. Mas para decidir sobre uma tatuagem, eles não podem. Um voto pode lesar um país inteiro, uma tatuagem, não', destaca."
(O Povo, 27/1/2002)
Instruções:
Escreva uma carta argumentativa endereçada ao deputado Neuton Lima, posicionando-se (contra ou a favor) a respeito desse Projeto
de Lei. O texto deve ter, no mínimo, 20 linhas no corpo. Não salte linha entre as partes constituintes do texto. A carta deve ser
assinada com as iniciais de seu nome.
Tema 3
Instruções:
A seguir, há um conto. Leia-o e redija uma resenha (crítica). O texto deve ter, no mínimo, 20 linhas. Crie um título para seu texto.
Conto
Penélope (Dalton Trevisan)
Naquela rua mora um casal de velhos. A mulher espera o marido na varanda, tricoteia em sua cadeira de balanço. Quando ele chega ao portão, ela está de pé, agulhas cruzadas na cestinha. Ele atravessa o pequeno jardim e, no limiar da porta, beija-a de olho fechado.
Sempre juntos, a lidar no quintal, ele entre as couves, ela no canteiro de malvas. Pela janela da cozinha, os vizinhos podem ver que o marido enxuga a louça. No sábado, saem a passeio, ela, gorda, de olhos azuis e ele, magro, de preto. No verão, a mulher usa um vestido branco, fora de moda; ele ainda de preto. Mistério a sua vida; sabe-se vagamente, anos atrás, um desastre, os filhos mortos. Desertando casa, túmulo, bicho, os velhos mudam-se para Curitiba.
Só os dois, sem cachorro, gato, passarinhos. Por vezes, na ausência do marido, ela traz um osso ao cão vagabundo que cheira o portão. Engorda uma galinha, logo se enternece, incapaz de mata-la. O homem desmancha o galinheiro e, no lugar, ergue-se caco feroz. Arranca a única roseira no canto do jardim. Nem a uma rosa concede o seu resto de amor.
Além do sábado, não saem de casa, o velho fumando cachimbo, a velha trançando agulhas. Até o dia em que, abrindo a porta, de volta do passeio, acham a seus pés uma carta. Ninguém lhes escreve, parente ou amigo no mundo. O envelope azul, sem endereço. A mulher propõe queimá-lo, já sofridos demais. Pessoa alguma lhes pode fazer mal, ele responde.
Não queima a carta, esquecida na mesa. Sentam-se sob o abajur da sala, ela com o tricô, ele com o jornal. A dona baixa a cabeça, morde uma agulha, com a outra conta os pontos e, olhar perdido, reconta a linha. O homem, jornal dobrado no joelho, lê duas vezes cada frase. O cachimbo apaga, não o acende, ouvindo o seco bater das agulhas. Abre enfim a carta. Duas palavras, em letra recortada de jornal. Nada mais, data ou assinatura. Estende o papel à mulher que, depois de ler, olha-o. Ela se põe de pé, a
É um jogo, e exibe a carta: nenhum endereço. Abre-a, duas palavras recortadas. Sopra o envelope, sacode-o sobre o tapete, mais nada. Coleciona-a com a outra e, ao dobrar o jornal, a amiga desmancha um ponto errado na toalhinha.
Acorda no meio da noite, salta da cama, vai olhar à janela. Afasta a cortina, ali na sombra um vulto de homem. Mão crispada, até o outro ir-se embora.
Sábado seguinte, durante o passeio, lhe ocorre: só ele recebe a carta? Pode ser engano, não tem direção. Ao menos citasse nome, data, um lugar. Range a porta, lá está: azul. No bolso com as outras, abre o jornal. Voltando as folhas, surpreende o rosto debruçado sobre as agulhas. Toalhinha difícil, trabalhada havia meses. Recorda a legenda de Penélope, que desfaz a noite, à luz do archote, as linhas acabadas no dia e assim ganha tempo de seus pretendentes. Cala-se no meio da história: ao marido ausente enganou Penélope? Para quem trançava a mortalha? Continuou a lida nas agulhas após o regresso de Ulisses?
No banheiro fecha a porta, rompe o envelope. Duas palavras... Imagina um plano? Guarda a carta e dentro dela um fio de cabelo. Pendura o paletó no cabide, o papel visível no bolso. A mulher deixa na soleira a garrafa de leite, ele vai-se deitar. Pela manhã examina o envelope: parece intacto, no mesmo lugar. Esquadrinha-o em busca do cabelo branco - não achou.
Desde a rua vigia os passos da mulher dentro de casa. Ela vai encontra-lo no portão - no olho o reflexo da gravata do outro. Ah, erguer-lhe o cabelo da nuca, se não tem sinais de dente... Na ausência dela, abre o guarda-roupa enterra a cabeça nos vestidos. Atrás da cortina espiona os tipos que cruzam a calçada. Conhece o leiteiro e o padeiro, moços, de sorrisos falsos.
Reconstitui os gestos da amiga: pós nos móveis, a terra nos vasos de violetas úmida ou seca... Pela toalhinha marca o tempo. Sabe quantas linhas a mulher tricoteia e quando, errando o ponto, deve desmanchá-lo, antes mesmo de contar na ponta da agulha.
Sem prova contra ela, nunca revelou o fim de Penélope. Enquanto lê, observa o rosto na sombra do abajur. Ao ouvir passos, esgueirando-se na ponta dos pés, espreita à janela: a cortina machucada pela mão raivosa.
Afinal compra um revólver.
— Oh, meu Deus... Para quê? - espanta-se a companheira.
Ele refere o número de ladrões na cidade. Exige conta de antigos presentes. Não fará toalhinhas para o amante vender? No serão, o jornal aberto no joelho, vigia a mulher — o rosto, o vestido - atrás da marca do outro: ela erra o ponto, tem de desmanchar a linha.
Aguarda-o na varanda. Se não a conhecesse, ele passa diante da casa. Na volta, sente os cheiros no ar, corre o dedo sobre os móveis, apalpa a terra das violetas — sabe onde está a mulher.
De madrugada acorda, o travesseiro ainda quente da outra cabeça. Sob a porta, uma luz na sala. Faz o seu tricô, sempre a toalhinha. É Penélope a desfazer na noite o trabalho de mais um dia?
Erguendo os olhos, a mulher dá com o revólver. Batem as agulhas, sem fio. Jamais soube por que a poupou. Assim que se deitam, ele cai em sono profundo.
Havia um primo no passado... Jura em vão, a amiga: o primo aos onze anos morto de tifo. No serão ele retira as cartas do bolso — são muitas, uma de cada sábado - e lê, entre dentes, uma por uma.
Por que não em casa no sábado, atrás da cortina, dar de cara com o maldito? Não, sente falta do bilhete. A correspondência entre o primo e ele, o corno manso; um jogo, onde no fim o vencedor. Um dia tudo o outro revelará, forçoso não interrompê-la.
No portão dá o braço à companheira, não se falam durante o passeio, sem parar diante das vitrinas. De regresso, apanha o envelope e, antes de abri-lo, anda com ele pela casa. Em seguida esconde um cabelo na dobra, deixa-o na mesa.
Acha sempre o cabelo, nunca mais a mulher decifrou as duas palavras. Ou - ele se pergunta, com nova ruga na testa — descobriu a arte de ler sem desmanchar a teia?
Uma tarde abre a porta e aspira o ar. Desliza o dedo sobre os móveis: pó. Tateia a terra dos vasos: seca.
Direto ao quarto de janelas fechadas e acende a luz. A velha ali na cama, revólver na mão, vestido brando ensangüentado. Deixa-a de olho aberto.
Piedade não sente, foi justo. A polícia o manda em paz, longe de casa à hora do suicídio. Quando sai o enterro, comentam os vizinhos a sua dor profunda, não chora. Segurando a alça do caixão, ajuda a baixá-lo na sepultura; antes de o coveiro acabar de cobri-lo, vai-se embora.
Entra na sala, vê a toalhinha na mesa - a toalhinha de tricô. Penélope havia concluído a obra, era a própria mortalha que tecia — o marido em casa.
Acende o abajur de franja verde. Sobre a poltrona, as agulhas cruzadas na cestinha. É sábado, sim. Pessoa alguma lhe pode fazer mal. A mulher pagou pelo crime. Ou - de repente o alarido no peito - acaso inocente? A carta jogada sob outras portas... Por engano na sua.
Um meio de saber, envelhecerá tranquilo. A ele destinadas, não virão, com a mulher morta, nunca mais. Aquela foi a última — o outro havia tremido ao encontrar porta e janela abertas. Teria visto o carro funerário no portão. Acompanhado, ninguém sabe, o enterro. Um dos que o acotovelaram ao ser descido o caixão — uma pocinha d'água no fundo da cova.
Sai de casa, como todo sábado. O braço dobrado, hábito de dá-lo à amiga em tantos anos. Diante da vitrina com vestidos, alguns brancos, o peso da mão dela. Sorri desdenhoso da sua vaidade, ainda morta...
Os dois degraus da varanda — "Fui justo", repete, "fui justo" —, com mão firme gira a chave. Abre a porta, pisa na carta e, sentando-se na poltrona, lê o jornal em voz alta para não ouvir os gritos do silêncio.
TEXTO DEFINITIVO
26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 13ª
série
4º período ::
19 de outubro de 2010
2.3
REDAÇÃO
30 29 28 27 45 44 43 42 41 40 39 38 37 36 35 34 33 32 31
CÓDIGOS DE CORREÇÃO
LINGUAGEM a - acentuação o - ortografia po - pontuação co - concordânciarg - regência (verbal, nominal ou crase) pr - pronome (emprego ou colocação inadequados) ve - flexão verbal errada ou inadequada
voc - vocábulo inadequado ou linguagem inadequada rv - repetição vocabular
cs - coesão (a- uso inadequado de conector: conjunções, preposições, pronomes, etc; b- ausência de conector)
con - concisão (seja mais objetivo, escreva apenas o necessário) cla - clareza (trecho confuso ou sem referente textual) ESTRUTURA
P - paragrafação
1 - estruturação falha: divisão
2 - idéia-núcleo não condiz com o desenvolvimento 3 - não há desenvolvimento da idéia-núcleo 4 - desenvolvimento da idéia-núcleo foi simplista 5 - há mais de uma idéia principal no parágrafo in - introdução inadequada
1 - longa
2 - sem referente textual
3 - (a- não focalizou o tema, b- focalização imprecisa) 4 - inexistente
cc - conclusão inadequada 1 - genérica