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1) O que a Anatel tem feito para coibir a prática abusiva de preços como a denunciada acima?

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1) O que a Anatel tem feito para coibir a prática abusiva de preços como a denunciada

acima?

A Lei Geral de Telecomunicações – LGT, Lei 9.472, de 16 de julho de 1997, prevê dois regimes

jurídicos de prestação de serviços:

- Regime Público: é o prestado mediante concessão ou permissão, com atribuição a sua

prestadora de obrigações de universalização e de continuidade;

- Regime privado: prestação baseada nos princípios constitucionais da atividade econômica,

em que a liberdade será a regra, constituindo exceção as proibições, restrições e interferências

do Poder Público.

O Serviço Móvel Pessoal - SMP é um serviço prestado no regime privado. Assim sendo, não

está juridicamente sujeito a controle de preços nem de modelo de negócio.

O Regulamento do SMP - RSMP, Resolução 477, de 7 de agosto de 2007, prevê a liberdade de

preços dos serviços, porém estabelece a obrigatoriedade de cláusula no Contrato de Prestação

informando os critérios para reajuste dos preços, sua periodicidade (que não pode ser inferior

a 12 meses) e os índices observados:

Art. 21. Com a adesão ao Plano de Serviço, considera-se firmado o Contrato de

Prestação do SMP, que tem as seguintes cláusulas obrigatórias:

IX - os critérios para reajuste dos preços, cuja periodicidade não pode ser inferior a 12 (doze)

meses.

Art. 35. Os preços dos serviços são livres, devendo ser justos, equânimes e não

discriminatórios, podendo variar em função de características técnicas, de custos específicos e

de comodidades e facilidades ofertadas aos Usuários, observado o disposto no art. 57 do

Regulamento dos Serviços de Telecomunicações (“Art. 57. O preço dos serviços explorados no

regime privado será livre, reprimindo-se toda prática prejudicial à competição, bem como o

abuso do poder econômico, nos termos da legislação própria.”).

Art. 37. Visando a preservação da justa equivalência entre a prestação do serviço e sua

remuneração, os preços dos serviços podem ser reajustados, observados os índices e

periodicidade previstos no contrato de Prestação do SMP.

A obrigatoriedade de submissão à Anatel, para homologação, de todos os planos de serviço a

serem ofertados aos usuários, previsto no Art. 26 do RSMP, foi revogada pela Resolução 632,

(2)

de 7 de março de 2014, Regulamento Geral de Direitos do Consumidor dos Serviços de

Telecomunicações – RGC, que estabelece também o prazo mínimo de 12 meses para reajuste

de preços:

Art. 65. Os reajustes dos valores das tarifas ou preços não podem ser realizados em prazos

inferiores a 12 (doze) meses.

O termo inicial da contagem do prazo determinado pela norma para que haja reajuste será o

previsto no contrato firmado entre o consumidor e a prestadora de serviço.

(3)

2) Como requerer a sanção da operadora por parte da Anatel?

Informo que a Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, que regula o acesso a informações

previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da

Constituição Federal, não foi concebida para acolher reclamações ou denúncias, que são

objeto típico do sistema de ouvidorias dos órgãos e entidades públicas.

No caso específico da Agência Nacional de Telecomunicações - ANATEL há previsão expressa

na Resolução nº 612, de 29 de abril de 2013, em seu art. 103, de que o consumidor de serviço

de telecomunicações que tiver seu direito violado poderá reclamar contra a prestadora

perante a Superintendência de Relações com os Consumidores.

A Anatel dispõe de canais de atendimento para registro de denúncias e reclamações. Através

da central de atendimento 133, do aplicativo “Anatel Consumidor” para dispositivos móveis e

do Sistema FOCUS para suporte do atendimento aos usuários é possível registrar e

acompanhar o tratamento da sua reclamação. O cadastro no sistema pode ser realizado

através do link:

https://sistemas.anatel.gov.br/sis/cadastrosimplificado/pages/acesso/login.xhtml?i=0&codSist

ema=649

Registrando a reclamação nos canais da Anatel, o senhor receberá contato da prestadora de

serviço reclamada, que terá prazo de 5 dias úteis para dar um tratamento direto à sua

solicitação. É importante ter os registros dos protocolos de atendimento da prestadora

reclamada.

Até o mês de abril, 322.700 (trezentas e vinte e duas mil e setecentas) reclamações haviam

sido registradas nos canais de atendimento da Anatel no ano de 2016, sendo o SMP o serviço

mais reclamado. A Anatel não trata pontualmente as reclamações registradas, não sendo

possível requerer a sanção da operadora por um caso específico. As reclamações,

permanentemente monitoradas, são um indicativo das questões de maior insatisfação da

sociedade quanto à prestação dos serviços, servindo de diretriz para definição das atividades

de fiscalização. Constatada a prática de irregularidade, a operadora é autuada e responde

Processo Administrativo por Descumprimento de Obrigação – PADO, estando sujeita à

aplicação das sanções previstas no Regulamento de Aplicação de Sanções Administrativas,

Resolução 589, de 7 de maio de 2012.

(4)

Figura 1

Para maiores informações acesse o Portal do Consumidor na Anatel disponível em

www.anatel.gov.br/consumidor.

Convém mencionar ainda que a Controladoria Geral da União, por meio do Parecer n.º 1582,

de 8.5.2014, proferido nos autos do Processo n.º 48700.000679/2014-80, já se manifestou no

sentido de que “a Lei de Acesso à Informação não ampara a formulação de consultas,

reclamações e denúncias, bem como pedidos de providências para a Administração Pública

Federal ou solicitações de indenizações”.

(5)

3) O que a Anatel tem feito para que, nessas cidades interioranas, onde só há somente a

operadora Vivo, haja concorrência de outras concessionárias e se evite esses abusos

praticados pela Vivo, citados acima?

Os serviços prestados no regime público possuem metas para permanente universalização de

acesso, a exemplo do Serviço Telefônico Fixo Comutado – STFC, em que as concessionárias

têm obrigação de atendimento de localidades com população a partir de 100 habitantes,

independente da viabilidade econômica.

Apesar de ser um serviço prestado no regime privado, o principal insumo para prestação do

SMP são as radiofrequências licitadas. Os compromissos de atendimento do SMP, via de regra,

são de cobertura de 80% da área urbana do distrito sede do município. Como forma de

estabelecer contrapartidas ao direito de exploração do serviço, a Anatel impõe compromissos

de abrangência e cronogramas de atendimento e execução de projetos e metas vinculados

aos editais de licitação, além de obrigações definidas em regulamentos específicos.

Segue listagem ilustrativa do acima discutido:

Leilão 3G, compromissos de cobertura variando entre:

- Até 2 anos, capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes;

- Até 8 anos, 60% dos municípios com menos de 30 mil habitantes.

Leilão 4G, cobertura de zonas rurais em 450MHz;

Leilão 4G, compromisso de cobertura em todas as cidades-sede dos grandes

eventos, como a Copa das Confederações e Copa do Mundo de Futebol;

Leilão 4G, cronograma de atendimento conforme segue:

- Até 31 de dezembro de 2015, os municípios com mais de 200.000 (duzentos

mil) habitantes;

- Até 31 de dezembro de 2016, os municípios com mais de 100.000 (cem mil)

habitantes.

-Até 31 de dezembro de 2017, os municípios com população entre 30.000

(trinta mil) e 100.000 (cem mil) habitantes.

As informações sobre a infraestrutura de redes disponíveis em cada município podem ser

acessadas por meio do site da Anatel, disponível em www.anatel.gov.br, item “Infraestrutura”.

(6)

Devido às especificidades regionais do Brasil, diversos são os desafios do regulador para

promover a expansão, a qualidade, o desenvolvimento do serviço e fomentar a concorrência.

Atualmente, é possível posicionar o mercado de telefonia móvel brasileiro, em termos

nacionais, em quatro grandes empresas (Vivo, Claro, Tim e Oi) relativamente equivalentes em

disputa, sendo o grupo Nextel um possível contestador desse oligopólio. Considerando o

Índice Herindahl-Hirschman (HHI), o Brasil se posiciona na dianteira dos países com menor

concentração de mercado, bem abaixo da média mundial de 3.386,8. No entanto, ao

analisarmos o HHI por regiões geográficas, ficam evidentes as diferenças e a concentração de

mercado.

Figura 2 – Concentração da telefonia móvel por país, HHI 2013 e 2014.

(7)

Os gráficos a seguir demonstram a concretização da massificação do SMP, destaca-se que tal

penetração decorre da atual cobertura das redes móveis, que abrangem 100% dos municípios.

O anexo “SMP STEL Municípios Tecnologia” traz a relação de prestadoras em operação por

município e a tecnologia empregada.

Figura 4 - Oferta de SMP nos municípios, 2008 a 2015.

Vale salientar que nos municípios com a presença de apenas uma operadora, os usuários

visitantes, assinantes de outras operadoras são obrigatoriamente atendidos em roaming, não

ficando assim sem atendimento.

Quando se observa pela ótica do número de habitantes percebe-se que a oferta do serviço por

mais de uma empresa é ainda maior, conforme abaixo, demonstrando a convergência da meta

para a concorrência no setor após atingida a expansão.

Figura 5 - Número de empresas e população atendida, 2008 a 2015.

(8)

Nos últimos anos, observa-se que o mercado de SMP está entrando em um período de

maturidade, com uma mudança no padrão de crescimento do número de acessos. Destarte, do

ponto de vista macro do setor, a redução do espaço para crescimento implica no acirramento

da rivalidade competitiva.

Figura 6 - Número de acessos SMP, 2008 a 2014.

O SMP é um mercado de alto custo de implantação e operação, requer investimentos vultosos

para aquisição dos blocos de radiofrequência (o espectro eletromagnético é um recurso

escasso e finito), em infraestrutura de rede e manutenção da planta. A atuação regulatória da

Anatel reduz as barreiras à entrada de novos players. Há um histórico de iniciativas de

promoção de acesso, como por exemplo, a Resolução 550, de 22 de novembro de 2010, que

aprova o Regulamento sobre Exploração de Serviço Móvel Pessoal – SMP por meio de Rede

Virtual (RRV – SMP).

As Operadoras Virtuais de Telefonia Móvel (MVNO – Mobile Virtual Network Operator), por

meio de acordos comerciais firmados com as operadoras tradicionais, operam através de

compartilhamento de radiofrequência e infraestrutura de rede.

A regulamentação prevê dois tipos de MVNOs: Credenciado de Rede Virtual e Autorizado de

Rede Virtual. A principal diferença desses dois modelos é de que uma Autorizada de Rede

Virtual pode utilizar as frequências e sistemas de transmissão de sua operadora parceira mas

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precisa prover toda a infraestrutura além desse ponto, enquanto um Credenciado de Rede

Virtual pode utilizar toda a estrutura da operadora parceira e funcionar como revendedora de

seus serviços, com a possibilidade de adicionar novos serviços para atingir outros mercados.

São exemplos de empresas autorizadas: Porto Seguro, Vodafone - Datora, Terapar, Alô, Sisteer,

Virgin. Está previsto para janeiro de 2017 o começo da operação dos Correios como MVNO,

fazendo uso de sua extensa rede de atendimento por todo país.

Destaca-se ainda histórico regulatório visando a estimular a competição no setor por meio do

compartilhamento de infraestruturas e insumos essenciais ao serviço, porém de replicação e

acessos custosos. Pode-se citar nesse conjunto de iniciativas:

Previsão de mecanismos de compartilhamento de espectro nas Resoluções 454, 544 e

625, que aprovam as condições de uso das radiofrequências licitadas;

Nesses instrumentos, a Agência abre a possibilidade de que, observados o interesse

público e a ordem econômica, uma mesma rede possa ser utilizada por duas ou mais

prestadoras. Comprova-se a adesão a tal possibilidade pelo histórico de solicitações de

anuência para o compartilhamento de frequências da interface aérea, o ran-sharing

(compartilhamento de rede de acesso de rádio), entre Vivo e Claro, no atendimento de

áreas rurais, e Tim e Oi.

No edital de venda do 3G, há previsão antecipada de anuência, nos casos de

atendimento de municípios de menor porte, com populações inferiores a 30.000

habitantes.

Elaboração da Resolução nº 600, de 8 de novembro de 2012 que aprova o Plano Geral

de Metas de Competição (PGMC) e estabelece mecanismos mais transparentes sobre

o compartilhamento de infraestrutura de telecomunicações dentre outros, como

obrigações assimétricas entre as operadoras com e sem poder de mercado. Do acima

exposto, percebe-se a tendência regulatória e governamental de estímulo à

competição, por meio da abertura de possibilidades de entrada no setor por dinâmicas

alternativas, retirando dos novos competidores a necessidade elevada de capital típica

do setor, naturalmente monopolista.

Entretanto, o histórico de implementação da principal frente nesse sentido, qual seja a

abertura de MVNO’s, assim como as parcelas de mercado obtidas por empresas dessa

(10)

natureza demonstram timidez no potencial da medida como força de contestação da

prestação tradicional, tradicionalmente verticalizada, do SMP.

Destacam-se outras medidas como a Resolução 460, de 19 de março de 2007, que aprova o

Regulamento Geral de Portabilidade – RGP, a uniformização da tecnologia empregada pelas

operadoras tornando os aparelhos independentes da operadora a que estão conectados e a

redução do VU-M (Valor de remuneração de Uso de rede Móvel).

Tabela 1 - Números da portabilidade, importante instrumento de fomento à competição.

Pedidos de Portabilidade Portabilidades Efetivadas

Ano Fixa Móvel TOTAL Fixa Móvel TOTAL

2014 2.301.909 2.666.724 4.968.633 1.769.166 2.381.145 4.150.311 2013 2.252.530 2.607.006 4.859.536 1.777.714 2.288.591 4.066.305 2012 2.380.483 3.316.371 5.696.854 1.890.195 2.835.079 4.725.274 2011 2.508.943 4.026.441 6.535.384 1.989.464 3.382.754 5.372.218 2010 1.952.178 3.605.633 5.557.811 1.474.435 3.063.980 4.538.415 2009 1.436.762 2.805.335 4.242.097 996.457 2.286.079 3.282.536 Total Geral 13.500.655 19.973.286 33.473.941 10.415.259 17.042.214 27.457.473

O VU-M é o principal custo incorrido em chamadas off-net (chamadas entre assinantes de

diferentes operadoras). Sua redução tem provocado a queda de preço médio da ligação e

eliminado a diferenciação de preços entre chamadas off-net e on-net (chamadas de assinantes

da mesma operadora). Mesmo em locais atendidos por apenas uma operadora, há uma

consequência no custo de comunicação com outras redes, tornando o SMP uma alternativa

competitiva ao STFC antes monopólio da concessionária na região.

(11)

Enquanto os indicadores nacionais demonstram significativa desconcentração do mercado

móvel, independentemente das métricas observadas (tráfego, seja voz ou dados, e total de

acessos), os indicadores regionais têm comportamentos que desviam fortemente desse

patamar.

Desse cenário, verifica-se a necessidade de deslocamento do foco regulamentar: a preferência

por uma atuação nacional daria lugar à disseminação de coberturas regionais. Os resultados

positivos de competitividade vistos nas áreas que já contam com experiências dessa natureza

corroboram tal iniciativa.

Todavia, uma mudança de postura poderia intensificar problemas relacionados a gargalos

estruturais enfrentados pelo setor com relação ao uso e compartilhamento de infraestruturas

e do acesso a insumos básicos. No mercado atual, o recente sucesso das empresas de menor

porte se dá em função do acesso a tais elementos – isso porque, por mais competitiva que seja

a empresa regionalmente, a ausência de uma cobertura nacional é fator preponderante para

que ela seja preterida pelo usuário potencial.

Destacam-se nesse contexto alguns pontos que podem comprometer a capacidade de

competição dos prestadores regionais:

Acesso a radiofrequências;

Externalidade de rede;

(12)

4) Finalmente, requeiro que esta Agência Reguladora instrua procedimento administrativo a

fim de se apurar esses crimes de usura por parte da Vivo e sancione a prestadora.

Informo que a Anatel não trata individualmente cada reclamação recebida em seus canais de

atendimento e não instaura processo tratando de caso particular.

Assim que recebe a reclamação, a Anatel a encaminha à prestadora responsável pelo serviço,

que terá 5 dias úteis para dar uma resposta ou solução. Caso não concorde com a solução

apresentada pela prestadora, poderá reabri-la no prazo de 15 dias para a reavaliação do

tratamento dispensado.

Caso não haja solução para a reclamação nesta via administrativa, há a possibilidade de se

dirigir ao Procon mais próximo. No Procon, todas as reclamações dos consumidores são

recebidas e analisadas individualmente. Outra possível via de solução são os Juizados

Especiais.

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